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Estudo Bíblico: O que a Bíblia diz sobre o amor verdadeiro?




  • A Bíblia ensina que o verdadeiro amor provém de Deus e é um reflexo de seu caráter.
  • O verdadeiro amor, de acordo com a Bíblia, envolve altruísmo, sacrifício e colocar as necessidades dos outros à frente das nossas.
  • A Bíblia enfatiza a importância do amor em todos os aspectos da vida, incluindo as nossas relações com Deus, a família, os amigos e até mesmo os inimigos.
  • O exemplo último do verdadeiro amor encontra-se em Jesus Cristo, que se sacrificou pela salvação da humanidade.

Como a Bíblia define o amor verdadeiro?

A Bíblia, em sua vasta teia de histórias, ensinamentos e poesia, oferece-nos uma compreensão multifacetada do verdadeiro amor. No seu âmago, o amor bíblico não é apenas uma emoção ou sentimento, mas um compromisso altruísta e sacrificial para o bem do outro.  Isto é visto nos muitos exemplos de amor em toda a Bíblia, desde o fiel compromisso de Rute com Noemi, até o amor sacrificial de Jesus pela humanidade. No A Visão Bíblica do Amor Romântico, Somos chamados a amar os nossos parceiros com o mesmo desinteresse e compromisso, procurando sempre o seu bem acima do nosso. Isso nos desafia a mudar nosso foco do que podemos obter de uma relação para o que podemos dar, levando-nos a um amor mais profundo e gratificante.

O apóstolo Paulo apresenta talvez a descrição mais eloquente e abrangente do amor em 1 Coríntios 13, muitas vezes chamado de «capítulo do amor». Diz-nos que «o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não desonra os outros, não procura a si mesmo, não se irrita facilmente, não regista erros» (1 Coríntios 13:4-5). Esta passagem ilustra lindamente que o verdadeiro amor é caracterizado pela paciência, bondade, humildade e perdão.

Nosso Senhor Jesus Cristo ensina-nos que os maiores mandamentos são: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente» e «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Mateus 22:37-39). Isto mostra-nos que o verdadeiro amor engloba tanto a nossa relação com Deus como as nossas relações com os outros, formando o fundamento de toda a ética e moral cristã.

A Bíblia também enfatiza que o amor não é passivo, mas ativo e sacrifical. Como escreve John, «É assim que sabemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos e irmãs» (1 João 3:16). O verdadeiro amor, portanto, está disposto a sacrificar pelo amado, assim como Cristo sacrificou por nós.

O amor bíblico é incondicional e duradouro. Não se baseia na idoneidade do beneficiário nem nas prestações que este possa receber em contrapartida. Como Paulo nos recorda, «Mas Deus demonstra o seu próprio amor por nós nisto: Enquanto ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Romanos 5:8). Este amor divino serve como nosso modelo e inspiração.

A Bíblia define o amor verdadeiro como um compromisso altruísta, activo e duradouro com o bem-estar dos outros, enraizado no nosso amor por Deus e reflectindo o Seu amor incondicional por nós. É um amor que nos transforma e nos chama a um modo mais elevado de viver em relação com Deus e com os nossos semelhantes.

Como é que o amor de Deus por nós é o modelo do verdadeiro amor?

O amor de Deus é incondicional e imerecido. Como o apóstolo João belamente expressa, «Isto é amor: não que amássemos a Deus, mas que Ele nos amasse e enviasse o seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados» (1 João 4:10). O amor de Deus não depende da nossa dignidade nem da nossa reciprocidade. É dado livremente, mesmo quando estamos no nosso nível mais inamável. Isto nos ensina que o verdadeiro amor não se baseia nas qualidades ou ações do amado, mas na escolha de quem ama.

Em segundo lugar, o amor de Deus é sacrificial e doador. A demonstração final disso é encontrada na encarnação, vida e morte de Jesus Cristo. Como Paulo escreve: "Porque vós conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que vós, pela sua pobreza, vos enriquecêsseis" (2 Coríntios 8:9). Esta natureza sacrificial do amor divino desafia-nos a ir além do interesse próprio em nossas próprias relações amorosas.

O amor de Deus é constante e fiel. Ao longo do Antigo Testamento, vemos o compromisso inabalável de Deus com o seu pacto com Israel, apesar da sua frequente infidelidade. Este amor firme, ou "hesed" em hebraico, é um modelo para a natureza duradoura do verdadeiro amor, especialmente no contexto do casamento e dos compromissos ao longo da vida.

O amor de Deus também é transformador. Não nos deixa como somos, mas chama-nos ao crescimento e à santidade. Como Paulo explica, «o amor de Deus foi derramado nos nossos corações através do Espírito Santo, que nos foi dado» (Romanos 5:5). Este aspecto do amor divino ensina-nos que o verdadeiro amor procura o melhor para o amado, mesmo quando requer mudanças ou desafios.

Por último, o amor de Deus é inclusivo e universal. Jesus ensinou-nos a amar não só os nossos vizinhos, mas também os nossos inimigos (Mateus 5:44). Este amor expansivo desafia-nos a estender o nosso círculo de cuidado e preocupação para além daqueles que são fáceis de amar.

De todas estas formas, o amor de Deus por nós estabelece o padrão para o amor verdadeiro. É incondicional, sacrificial, constante, transformadora e inclusiva. À medida que crescemos na nossa compreensão e experiência do amor de Deus, somos capacitados e chamados a refletir este amor nas nossas relações com os outros. 

Lembremo-nos, queridos irmãos e irmãs, de que amamos porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). Que possamos olhar continuamente para o amor perfeito de Deus como nosso modelo e fonte de força à medida que nos esforçamos para nos amarmos uns aos outros de forma mais plena e autêntica.

Como podemos cultivar o amor bíblico em nossas relações?

Devemos enraizar-nos profundamente no amor de Deus. Como Jesus nos ensinou: «Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos de meu Pai e permaneci no seu amor" (João 15:9-10). Ao dedicar tempo à oração, à meditação das Escrituras e à participação nos sacramentos, abrimo-nos para experimentar mais plenamente o amor de Deus. Este amor divino torna-se então a fonte da qual flui o nosso amor pelos outros.

Em segundo lugar, devemos praticar a humildade e o autoexame. O verdadeiro amor bíblico exige que olhemos honestamente para nós mesmos, reconhecendo as nossas falhas e defeitos. Como nos recorda São Paulo, «Não faças nada por ambição egoísta ou vaidade. Pelo contrário, na humildade valorizem os outros acima de si mesmos" (Filipenses 2:3). Esta humildade permite-nos abordar as nossas relações com um espírito de serviço em vez de auto-interesse.

Devemos praticar ativamente o perdão e procurar a reconciliação. Nosso Senhor Jesus enfatizou isso repetidamente, ensinando-nos a perdoar "não sete vezes, mas setenta e sete vezes" (Mateus 18:22). O perdão não é fácil, mas é essencial para manter relações amorosas em um mundo caído. Exige que abandonemos o nosso direito à retribuição e procuremos ativamente a restauração de relações quebradas.

Também devemos nos esforçar para cultivar a empatia e a compaixão. Jesus demonstrou consistentemente compaixão pelos que o rodeavam, sendo «movido com compaixão» pelas suas necessidades (Mateus 9:36). Ao fazer um esforço para compreender as perspetivas e os sentimentos dos outros, podemos responder-lhes com maior amor e bondade.

Devemos procurar praticar a doação sacrificial. O verdadeiro amor bíblico não é apenas um sentimento, mas uma ação. Como João escreve: «Queridos filhos, não amemos com palavras ou palavras, mas com ações e com verdade» (1 João 3:18). Isto pode envolver a doação de nosso tempo, recursos ou conforto para o bem dos outros.

Também é fundamental que nos rodeemos de uma comunidade de fé. Os primeiros cristãos «dedicavam-se ao ensino dos apóstolos e à comunhão, à fração do pão e à oração» (Atos 2:42). Em comunidade, podemos encorajar uns aos outros, responsabilizar uns aos outros e praticar o amor de maneiras tangíveis.

Finalmente, devemos confiar no poder do Espírito Santo. Cultivar o amor bíblico não é algo que podemos alcançar apenas através dos nossos próprios esforços. Como Paulo nos diz, o amor é um fruto do Espírito (Gálatas 5:22). Temos de procurar continuamente a orientação e o empoderamento do Espírito nas nossas relações.

Cultivar o amor bíblico é um processo. Requer paciência, perseverança e graça – tanto com os outros como connosco próprios. À medida que nos esforçamos por crescer no amor, tenhamos coração na promessa de que «Aquele que começou uma boa obra em vós a cumprirá até ao dia de Cristo Jesus» (Filipenses 1:6).

Qual é a diferença entre o amor mundano e o amor piedoso?

O amor mundano, muitas vezes retratado na cultura popular e nos meios de comunicação, tende a ser autocentrado e condicional. Baseia-se frequentemente em emoções, atração física ou ganho pessoal. Como tal, pode ser inconstante e instável, alterando-se com as circunstâncias ou quando o objeto do amor deixa de corresponder às expectativas ou desejos de alguém. O apóstolo João adverte-nos sobre este tipo de amor, dizendo: «Não ames o mundo nem nada no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor ao Pai não está nele» (1 João 2:15).

Em contrapartida, o amor piedoso, como exemplificado pelo amor de Deus por nós e ensinado por Cristo, é altruísta, incondicional e duradouro. Não é apenas um sentimento, mas uma escolha consciente e um compromisso de procurar o bem mais elevado para o outro, independentemente do custo ou benefício pessoal. Como Paulo descreve lindamente em 1 Coríntios 13:7, o amor piedoso «sempre protege, sempre confia, sempre espera, sempre persevera».

O amor mundano muitas vezes procura possuir ou controlar o amado, impulsionado pelo ciúme ou pela insegurança. Pode levar à co-dependência ou manipulação. Amor piedoso, mas respeita a liberdade e a dignidade do outro. Procura nutrir e apoiar o crescimento, mesmo quando esse crescimento pode conduzir o amado em direções inesperadas. Como nos recorda São Paulo, «o amor não se deleita com o mal, mas alegra-se com a verdade» (1 Coríntios 13:6).

Outra diferença fundamental reside na fonte e sustentabilidade destes amores. O amor mundano depende principalmente do esforço e da emoção humanos, que podem ser esgotados ou esmagados pelos desafios da vida. O amor piedoso, por outro lado, está enraizado e sustentado no amor infinito de Deus. Como João escreve, «Amamos porque Ele nos amou primeiro» (1 João 4:19). Esta fonte divina fornece uma fonte de força e renovação, permitindo-nos amar mesmo quando é difícil ou aparentemente impossível do ponto de vista humano.

O amor mundano muitas vezes procura a gratificação imediata e a felicidade pessoal como seu principal objetivo. Embora não seja intrinsecamente errado, este foco pode levar ao egoísmo e à falta de compromisso quando as relações se tornam desafiadoras. O amor piedoso, mas está orientado para os valores eternos e o bem-estar espiritual de si mesmo e do amado. Está disposto a sacrificar conforto temporário ou prazer por causa de bens mais elevados, como Cristo demonstrou em seu amor sacrificial por nós.

O amor mundano tende a ser exclusivo e limitado no seu âmbito. Pode estender-se à família e amigos, mas muitas vezes luta para abraçar aqueles que são diferentes ou percebidos como inimigos. O amor piedoso, como ensinado por Jesus, estende-se até aos nossos inimigos e àqueles que nos perseguem (Mateus 5:44). Reflete a natureza inclusiva e universal do amor de Deus por toda a humanidade.

Por fim, os frutos desses dois tipos de amor diferem significativamente. O amor mundano, apesar de potencialmente trazer felicidade temporária, pode muitas vezes levar à desilusão, à mágoa e a relacionamentos desfeitos quando não corresponde às nossas expetativas. O amor piedoso, mesmo quando envolve sofrimento ou sacrifício, conduz, em última análise, à alegria, à paz e ao crescimento espiritual. Como Paulo nos diz, «o fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a tolerância, a bondade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio» (Gálatas 5:22-23).

Como o verdadeiro amor se relaciona com o compromisso e a aliança?

No seu âmago, o verdadeiro amor envolve um compromisso profundo e permanente com o amado. Não é apenas uma emoção fugaz ou um arranjo temporário, mas uma dedicação constante ao bem do outro. Este compromisso reflete a própria natureza do amor de Deus por nós. Como diz o profeta Jeremias: «Eu vos amei com um amor eterno; Eu vos atraí com bondade infalível" (Jeremias 31:3). O amor de Deus é constante e inabalável, estabelecendo o padrão para os nossos próprios compromissos amorosos.

O conceito de aliança ilumina ainda mais a natureza do verdadeiro amor. Nas Escrituras, vemos Deus estabelecer repetidamente pactos com o seu povo – com Noé, Abraão, Moisés e, em última análise, com o novo pacto em Cristo. Estes pactos não são meros contratos, mas laços sagrados de relação, caracterizados pelo compromisso mútuo e fidelidade. Da mesma forma, o verdadeiro amor nas relações humanas é de natureza pactual. Envolve uma promessa solene, um doar-se ao outro em um laço que transcende o mero sentimento ou conveniência.

O casamento, em particular, exemplifica esta natureza pactual do amor. Como lemos no livro de Malaquias: «O Senhor é testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade. Foste-lhe infiel, embora ela seja tua companheira, a mulher do teu pacto matrimonial» (Malaquias 2:14). Aqui, vemos que a relação conjugal não é apenas um arranjo pessoal, mas um pacto testemunhado pelo próprio Deus. Isto eleva o compromisso do casamento a um nível sagrado, refletindo a aliança entre Cristo e a sua Igreja (Efésios 5:31-32).

O compromisso do verdadeiro amor e a natureza pactual proporcionam estabilidade e profundidade às relações. Num mundo onde as relações são muitas vezes tratadas como descartáveis, o verdadeiro amor mantém-se firme diante de desafios e mudanças. Como lemos no Cântico dos Cânticos, «Muitas águas não podem apagar o amor; os rios não a podem varrer» (Cântico dos Cânticos 8:7). Esta firmeza permite que o amor cresça e amadureça ao longo do tempo, resistindo às tempestades da vida e emergindo mais forte.

O compromisso e a aliança no amor refletem a própria imagem de Deus na qual somos criados. A própria Trindade é uma comunhão de pessoas numa aliança eterna de amor. Quando nos comprometemos no amor aos outros, participamos e refletimos esta realidade divina. Como João escreve, «quem vive no amor vive em Deus, e Deus neles» (1 João 4:16).

O compromisso inerente ao amor verdadeiro também nos chama ao crescimento e à transformação. Desafia-nos a ir além do interesse próprio e a escolher continuamente o bem do outro. Isto reflete a fidelidade do pacto de Deus a Israel, mesmo perante a sua infidelidade e, em última análise, o amor sacrificial de Cristo por nós na cruz.

Mas devemos recordar que este compromisso não se destina a ser um fardo, mas uma fonte de liberdade e alegria. Como Santo Agostinho belamente expressou, «Ama e faz o que quiseres». Quando os nossos corações estão verdadeiramente alinhados com o amor de Deus, os nossos compromissos tornam-se não restrições externas, mas a expressão natural dos nossos desejos mais profundos.

Em termos práticos, viver esta compreensão do amor significa abordar nossas relações com intencionalidade e seriedade. Significa fazer e cumprir promessas, ser fiel tanto nos bons tempos quanto nos desafiadores, e optar continuamente por agir de forma amorosa, mesmo quando os sentimentos podem flutuar.

O que a Bíblia ensina sobre o amor aos inimigos e às pessoas difíceis?

Os ensinamentos bíblicos sobre o amor aos inimigos e às pessoas difíceis estão entre os mais desafiadores e transformadores de todas as Escrituras. O próprio Senhor Jesus Cristo dá-nos o exemplo e o mandamento supremos a este respeito, dizendo-nos: «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai pelos que vos maltratam» (Lucas 6:27-28). (Holowchak et al., n.d.)

Este apelo radical ao amor vai muito além das nossas inclinações naturais. Pede-nos que respondamos ao ódio com amor, às maldições com bênçãos, aos maus-tratos com oração. É um amor que não depende da dignidade de seu objeto, mas flui da própria natureza de Deus dentro de nós.

O apóstolo Paulo ecoa este ensinamento, exortando-nos: «Não sejais vencidos pelo mal, mas vencei o mal com o bem» (Romanos 12:21). (Agar, 2017) Não se trata de uma aceitação passiva do mal, mas de uma escolha ativa de responder ao mal com o bem, ao ódio com o amor. É um testemunho poderoso do poder transformador do amor de Deus que opera através de nós.

Vemos este amor exemplificado na vida de Cristo, que amou e perdoou até mesmo aqueles que o crucificaram. Vemos isso na história de Estêvão, o primeiro mártir cristão, que orou por aqueles que o apedrejavam: "Senhor, não guardes este pecado contra eles" (Atos 7:60).

Mas este amor não é fácil. Requer grande força espiritual e maturidade. Chama-nos a ver além da superfície, a reconhecer a dignidade de cada pessoa como filho de Deus, mesmo quando as suas ações são dolorosas ou injustas. Pede-nos para separar o pecado do pecador, para odiar o mal enquanto amamos a pessoa.

Este amor não significa que aprovamos a transgressão ou nos permitimos ser abusados. Pelo contrário, significa que respondemos ao mal com a justiça temperada pela misericórdia, procurando sempre o bem do outro e deixando o juízo final a Deus. Isso significa que oramos por aqueles que nos magoam, pedindo a Deus que os abençoe e os conduza ao arrependimento e à transformação.

Ao praticar este amor, participamos na obra redentora de Deus no mundo. Tornamo-nos canais de Sua graça, quebrando ciclos de ódio e vingança. Testemunhamos o poder do amor de Deus para curar e transformar mesmo as relações e situações mais difíceis.

Como podemos crescer em nossa capacidade de amar como Cristo?

Crescer na nossa capacidade de amar como Cristo é a própria essência do nosso caminho cristão. É um processo de transformação ao longo da vida, guiado pelo Espírito Santo, à medida que nos esforçamos para nos tornarmos mais semelhantes a nosso Senhor e Salvador.

Devemos reconhecer que este amor não é algo que podemos fabricar por conta própria. É um dom de Deus, uma participação no seu amor divino. Como nos recorda São Paulo, «o amor de Deus foi derramado nos nossos corações através do Espírito Santo, que nos foi dado» (Romanos 5:5). Portanto, nossa principal tarefa é nos abrirmos para receber esse amor, para permitir que ele nos encha e flua através de nós.

Como fazemos isto? Começamos com a oração e a contemplação. Devemos passar o tempo em íntima comunhão com Deus, a fim de que o seu amor penetre nos nossos corações. Ao olharmos para Cristo nos Evangelhos, ao recebê-Lo na Eucaristia, ao escutarmos a sua voz na oração, somos gradualmente transformados. «Amamos porque ele nos amou pela primeira vez» (1 João 4:19). (Tanquerey, 2000)

Mas este amor não pode ser apenas um sentimento ou uma ideia. Tem de ser posta em prática. Como C. S. Lewis observou sabiamente, «Não percas tempo a preocupar-te se «amas» o teu próximo; Age como se o tivesses feito. Assim que fazemos isso, encontramos um dos grandes segredos. Quando nos comportamos como se amássemos alguém, passamos a amá-lo.» (Keller & Keller, 2011) Este é o caminho do discipulado – aprendemos a amar praticando o amor, mesmo quando é difícil.

Devemos também cultivar a humildade e a autoconsciência. Muitas vezes, a nossa incapacidade de amar os outros decorre de nossas próprias feridas, medos e inseguranças. Temos de permitir que o amor de Deus nos cure, nos liberte do nosso egocentrismo, para que possamos ver e amar verdadeiramente os outros como Ele. Isto requer um auto-exame honesto e uma vontade de confrontar as nossas próprias deficiências.

Crescemos no amor ao promover relações genuínas dentro da comunidade de fé. À medida que praticamos o perdão, a paciência e a bondade com nossos irmãos e irmãs em Cristo, aprendemos a estender esse amor a todos. A Igreja deve ser uma escola de amor, onde nos apoiamos e desafiamos uns aos outros a crescer no amor de Cristo.

Devemos também alimentar as nossas mentes com a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. À medida que meditamos nas Escrituras e estudamos a vida dos santos, ganhamos sabedoria e inspiração para viver esse amor radical em nossas vidas diárias.

Finalmente, devemos lembrar-nos de que crescer no amor é um caminho cheio de graça, não um destino que alcançamos com nossos próprios esforços. Vamos tropeçar e cair, mas a misericórdia de Deus está sempre presente para nos erguer. Cada fracasso torna-se uma oportunidade para experimentar o perdão de Deus e estendê-lo aos outros.

Por conseguinte, perseveremos neste caminho de amor, confiando na graça de Deus para nos transformar. Como Santo Agostinho belamente expressou, «Ama e faz o que quiseres». Pois quando estivermos verdadeiramente cheios do amor de Deus, todas as nossas ações fluirão desse amor, refletindo Cristo para o mundo.

Quais são alguns exemplos de amor verdadeiro nas histórias e personagens bíblicos?

A Bíblia é rica de exemplos de amor verdadeiro que nos inspiram e guiam no nosso próprio caminho de fé. Estas histórias revelam as muitas facetas do amor – sacrificial, fiel, perdoador e transformador – que refletem o próprio amor de Deus por nós.

Pensemos primeiro no poderoso amor de Rute pela sua sogra, Naomi. Depois de perder o marido, Rute optou por deixar a sua terra natal e seguir Noemi, declarando: «Para onde vais, eu vou, e para onde tu ficas, eu fico. O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus» (Rute 1:16). (Hoffman, 2018) Este é um belo exemplo de amor leal e altruísta que transcende as fronteiras culturais e familiares. A fidelidade de Rute acabou por ser recompensada, uma vez que se tornou ancestral de Jesus Cristo.

Vemos outro exemplo poderoso na amizade entre Davi e Jónatas. Apesar de o pai de Jónatas, o rei Saul, ter procurado matar David, Jónatas manteve-se leal ao seu amigo. Ele «amava-o como amava a sua própria alma» (1 Samuel 18:1), até ao ponto de arriscar a sua própria vida e renunciar à sua pretensão ao trono. Esta amizade profunda e sacrificial ilustra lindamente o tipo de amor de que Jesus falou quando disse: «O amor maior não tem ninguém além disto: dar a vida pelos amigos» (João 15:13).

O profeta Oseias apresenta uma imagem impressionante do amor fiel de Deus pelo seu povo. Deus ordenou a Oseias que se casasse com uma prostituta e continuasse a amá-la apesar de sua infidelidade. Esta experiência difícil e dolorosa tornou-se uma parábola viva do amor duradouro de Deus por Israel e, por extensão, por todos nós. Ensina-nos que o verdadeiro amor persevera mesmo diante da traição e da mágoa.

No Novo Testamento, encontramos numerosos exemplos do amor de Cristo em ação. Considere a história da mulher apanhada em adultério (João 8:1-11). A resposta de Jesus aos seus acusadores – «Quem de vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra» – e as suas palavras à própria mulher – «Nem eu vos condeno. Vai agora e deixa a tua vida de pecado» – demonstra um amor que oferece misericórdia e o apelo à transformação.

A parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) dá-nos uma imagem poderosa do amor incondicional de Deus. O acolhimento alegre do pai ao seu filho rebelde, correndo a abraçá-lo e celebrando o seu regresso, mostra-nos o coração do nosso Pai Celestial que aguarda ansiosamente o nosso regresso quando nos afastamos.

Não podemos esquecer o último exemplo de amor – o sacrifício de Cristo na cruz. «Porque Deus amou o mundo de tal modo que deu o seu Filho único, que quem nele crer não perecerá, mas terá a vida eterna» (João 3:16). Trata-se do amor na sua forma mais radical: o Criador a morrer pela sua criação, o Iníquo a assumir os pecados do mundo.

Finalmente, lembremo-nos da comunidade cristã primitiva descrita em Atos. «Todos os crentes eram um só no coração e na mente. Ninguém alegou que alguma das suas posses era sua, mas partilhavam tudo o que tinham» (Atos 4:32). Este amor comunitário, nascido de sua fé em Cristo, nos desafia a expandir nossa compreensão do amor além das relações individuais para abranger todo o corpo de Cristo.

Estes exemplos bíblicos lembram-nos que o verdadeiro amor é ativo, não passivo; é sacrificial, não serve a si mesmo; é fiel, mesmo quando testada; e tem o poder de transformar tanto o amante como o amado. Que possamos ser inspirados por estas histórias a crescer em nossa própria capacidade de amar como Deus nos ama.

O que ensina a Igreja Católica sobre o conceito de «amor verdadeiro»?

O ensinamento da Igreja Católica sobre o «amor verdadeiro» está enraizado na própria natureza de Deus, que é o próprio Amor. Como nos diz São João, «Deus é amor. Quem vive no amor vive em Deus, e Deus neles» (1 João 4:16). Esta poderosa verdade forma a base da nossa compreensão do verdadeiro amor.

A Igreja ensina que o verdadeiro amor não é apenas um sentimento ou emoção, mas uma escolha e um compromisso. É um reflexo do amor de Deus por nós – incondicional, sacrificial e orientado para o bem do outro. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «amar é querer o bem de outrem» (CIC 1766). (Burke-Sivers, 2015) Esta definição desafia-nos a ir além do interesse próprio e a procurar ativamente o que é melhor para aqueles que amamos.

O verdadeiro amor, no entendimento da Igreja, está intrinsecamente ligado à dignidade da pessoa humana. Cada indivíduo, criado à imagem e semelhança de Deus, é digno de amor e respeito. Este amor se estende a todas as pessoas, incluindo aqueles que podem ser difíceis de amar ou mesmo nossos inimigos, como Cristo nos ordenou.

No contexto do matrimónio, a Igreja ensina que o verdadeiro amor encontra a sua expressão mais plena. O casamento não é apenas uma instituição humana, mas um sacramento, um sinal visível do amor de Deus pelo seu povo. O amor entre marido e mulher é chamado a espelhar o amor entre Cristo e a sua Igreja – fiel, fecundo e para sempre.(Asci, 2002) Este amor é ao mesmo tempo unitivo e procriativo, aproximando o casal e abrindo-o ao dom de uma nova vida.

A Igreja sublinha que o amor verdadeiro não se opõe ao sacrifício, mas muitas vezes o exige. Como Cristo demonstrou na cruz, o maior amor envolve doar-se para o bem do outro. Esta dimensão sacrificial do amor é essencial em todas as relações, mas especialmente no casamento e na vida familiar.

A Igreja ensina que o amor verdadeiro é inseparável da verdade e da bondade. O amor não ignora nem perdoa o pecado, mas procura o bem autêntico do outro, que inclui o seu bem-estar espiritual. Como escreve São Paulo, «o amor não se deleita com o mal, mas alegra-se com a verdade» (1 Coríntios 13:6).

A Igreja reconhece também que a nossa capacidade de amar verdadeiramente é ferida pelo pecado. Precisamos da graça de Deus para curar e elevar o nosso amor. Através dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, e através da oração, recebemos a força para amar como Cristo nos ama.

O verdadeiro amor no ensino católico não se limita às relações românticas. Abrange o amor a Deus, o amor ao próximo e até o amor a si mesmo (no sentido próprio de reconhecer a nossa própria dignidade como filhos de Deus). Os maiores mandamentos – amar a Deus de todo o coração, alma e mente, e amar o próximo como a nós mesmos – resumem esta visão abrangente do amor.

Finalmente, a Igreja ensina que o verdadeiro amor tem uma dimensão escatológica. O nosso amor nesta vida, por mais imperfeito que seja, é uma antecipação e preparação para o amor perfeito que experimentaremos na comunhão eterna com Deus e uns com os outros no céu.

O que ensinam os Padres da Igreja sobre o conceito de «amor verdadeiro»?

Os Padres da Igreja, os primeiros líderes e professores cristãos que ajudaram a moldar a nossa fé, oferecem-nos informações poderosas sobre o conceito de «amor verdadeiro». Os seus ensinamentos, enraizados nas Escrituras e na sua profunda experiência do amor de Deus, continuam a guiar-nos e a inspirar-nos hoje.

Santo Agostinho, um dos maiores Padres da Igreja, ensina-nos que o verdadeiro amor está intimamente ligado a Deus, que é a fonte de todo o amor. Ele escreveu famosamente: «Ama, e faz o que quiseres.» (Keller & Keller, 2011) Esta declaração, longe de ser uma licença para o relativismo moral, significa que, quando os nossos corações estão verdadeiramente alinhados com o amor de Deus, as nossas ações fluirão naturalmente desse amor. Agostinho compreendeu que o verdadeiro amor não consiste em seguir regras, mas em ter o coração transformado pelo amor de Deus para que desejemos o que Deus deseja.

São João Crisóstomo, conhecido como o "boca de ouro" por sua eloquência, enfatizou a natureza sacrificial do verdadeiro amor, particularmente no casamento. Ele ensinou que os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a Igreja, entregando-se a si mesmo por ela. Este amor, disse ele, não se baseia na dignidade do amado, mas na escolha do amante de amar incondicionalmente. (Burke-Sivers, 2015) Os ensinamentos de Crisóstomo recordam-nos que o verdadeiro amor não é apenas um sentimento, mas um compromisso com o bem do outro, mesmo a um grande custo pessoal.

São Clemente de Alexandria falava do amor como uma força unificadora que nos aproxima de Deus e uns dos outros. Escreveu: «A união de muitos em um, emitindo na produção da harmonia divina uma mistura de sons e divisões, torna-se uma sinfonia seguindo um coro-líder e professor, a Palavra, alcançando e descansando na mesma verdade, e chorando Abba, Pai.» (Meconi & Olson, 2016) Esta bela imagem lembra-nos que o verdadeiro amor não se refere apenas às relações individuais, mas à nossa participação na harmonia do amor de Deus que une toda a criação.

Santo Inácio de Antioquia, escrevendo às primeiras comunidades cristãs, sublinhou que o verdadeiro amor deve exprimir-se em acção. Ele exortou os crentes a não apenas professarem seu amor por Cristo, mas a demonstrá-lo através de suas vidas. «É melhor para um homem calar-se e ser um cristão(#), do que falar e não ser um», escreveu.(Tanquerey, 2000) Este ensinamento desafia-nos a garantir que as nossas proclamações de amor sejam acompanhadas das nossas ações.

São Basílio Magno ensinou que o verdadeiro amor está intimamente ligado à humildade e ao serviço. Escreveu: «Uma árvore é conhecida pelos seus frutos; um homem pelos seus actos. Uma boa acção nunca se perde; aquele que semeia a cortesia colhe a amizade, e aquele que planta a bondade reúne o amor.» (Meconi & Olson, 2016) Isto lembra-nos que o verdadeiro amor não tem a ver com grandes gestos, mas sim com atos consistentes de bondade e serviço que dão frutos nas nossas relações.

São Gregório de Nissa falava do amor como um caminho de crescimento contínuo. Ele ensinou que, à medida que crescemos em nosso amor por Deus, também crescemos em nossa capacidade de amar os outros. Este amor, disse ele, é transformador, tornando-nos gradualmente mais semelhantes a Cristo. Os ensinamentos de Gregório recordam-nos que o verdadeiro amor não é estático, mas um processo dinâmico de crescimento e transformação.

Por fim, Santo Ambrósio ligou lindamente o amor à alegria e à liberdade. Escreveu: «Não há amor sem esperança, não há esperança sem amor, nem esperança nem amor sem fé.» (Meconi & Olson, 2016) Isto recorda-nos que o verdadeiro amor não é um fardo, mas uma fonte de alegria e liberdade, enraizada na nossa fé e esperança em Deus.

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