Como comunicar com esperança na Europa de hoje?: «Só Deus é a resposta»





Estátua de São João Batista com cruz dourada, Ponte Carlos, Praga, República Checa. / Crédito: Oldrich Barak/Shutterstock

Cidade do Vaticano, 9 de junho de 2025 / 15:31 pm (CNA).

Como comunicar com esperança na Europa de hoje? Esta é a questão abordada por um grupo de comunicadores e jornalistas da Igreja durante uma reunião de 3 a 5 de junho em Praga, organizada pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

No âmbito do Jubileu da Esperança, peritos de 18 países da União Europeia reuniram-se para refletir sobre a comunicação que «restaura o significado» da vida das pessoas; Isto é, a comunicação que fala de Deus.

Daniel Arasa, consultor do Dicastério para a Comunicação e reitor da Faculdade de Comunicação Social Institucional da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, abriu o encontro com uma apresentação intitulada "O serviço dos comunicadores eclesiais à Igreja no contexto atual".

Numa conversa com o ACI Prensa, parceiro noticioso de língua espanhola da CNA, a Arasa abordou um dos principais problemas enfrentados pelos comunicadores institucionais: A falta de confiança nas instituições. Diante disso, ressaltou a importância da renovação focada em três linhas de ação.

Um convite à apresentação de propostas para a «reflorestação cultural»

Em primeiro lugar, apelou à «reflorestação cultural», uma metáfora que se refere à replantação de valores fundamentais na sociedade «que dão sentido e unidade à coexistência».

Especificou que a perda destes valores se deveu não só à ignorância religiosa ou à descristianização, mas também ao processo iniciado na década de 1960 «com teorias de género, feminismo radical, exacerbação do individualismo e relativismo».

Arasa explicou que estes fenómenos esvaziaram conceitos como o homem, a mulher, a família e o amor pelo conteúdo antropológico. Até há pouco tempo, estes conceitos eram partilhados em todo o mundo e permitiam o diálogo e a coexistência social. Agora foram esvaziados de conteúdo», salientou.

Quando estas «árvores» são removidas, o perito em comunicação acrescentou que «a montanha desmorona». Por conseguinte, salientou a responsabilidade dos comunicadores eclesiais de «reflorestar culturalmente a sociedade».

Em sua apresentação, Arasa também enfatizou a necessidade de fomentar a criatividade e a empatia na comunicação.

Finalmente, ele citou quatro qualidades que um comunicador religioso deve possuir: «um desejo de formação permanente, de serviço, de unidade com o Santo Padre, de bom humor e de alegria.»

Face às guerras e à secularização na Europa, esclareceu que dar esperança não é apenas comunicar boas notícias, mas também «ser capaz de falar sobre coisas negativas num contexto de fé; ou seja, de esperança.»

Sublinhou igualmente que as pessoas «querem ouvir histórias», pelo que as instituições são melhor apresentadas através de histórias.

Italiano Alessandro Gisotti, diretor-adjunto do departamento editorial do Dicastério para a Comunicação e antigo porta-voz do Vaticano durante o pontificado do Papa Francisco, refletiu sobre o tema da «Comunicação do Papa Francisco ao Papa Leão». Disse que, para compreender o Papa Leão, «é preciso conhecer Santo Agostinho».

A sessão final abordou o tema «Jornalistas e Comunicação do Vaticano», com conversas de Javier Martínez Brocal, perito do Vaticano e correspondente do jornal espanhol ABC, e Josef Pazderka, editor-chefe da Český rozhlas Plus, uma estação de rádio checa.

Brocal enfatizou que aqueles que perderam o sentido da vida ou que estão desesperados encontram essa resposta na Igreja, mesmo que não a procurem diretamente.

Arasa fez eco das palavras de Martínez-Brocal, salientando que «a Igreja é uma das poucas, se não a única, instituição que pode dar sentido a muitas destas questões». A este respeito, sublinhou que as mesmas pessoas que tendem para o «orientalismo, a atenção plena, etc., estavam muito atentas ao que estava a acontecer durante o conclave».

«A própria beleza dos ritos, as orações, o sentimento de alegria que permeava as pessoas, nas praças... estas são coisas que mostram que há uma dimensão espiritual por trás disso; é o que realmente enche as pessoas de significado», acrescentou.

Neste contexto, recordou que Leão XIV procura «recuperar o primado de Cristo», um tema sobre o qual Francisco também insistiu muito. «As pessoas precisam de respostas, e só Deus é a resposta, e não devemos ter medo de a apresentar de uma forma muito positiva e não imposta. Trata-se de transmitir uma mensagem de alegria», indicou Arasa.

Testemunho da vida e da coerência

Por último, insistiu na importância da coerência: «Não podemos falar de Cristo e apresentá-lo sem dar testemunho das nossas vidas. Tudo o que dizemos deve ter esse espírito evangelizador, algo que o Papa sublinha constantemente.»

A reunião incluiu também várias atividades culturais, incluindo uma missa na Capela de São Venceslau da Catedral de Praga, presidida pelo Bispo Josef Nuzík, presidente da Conferência Episcopal Checa.

Esta história Foi publicado pela primeira vez pela ACI Prensa, parceira noticiosa da CNA em língua espanhola. Foi traduzido e adaptado pela CNA.

https://www.catholicnewsagency.com/news/264633/how-to-communicate-with-hope-in-todays-europe-only-god-is-the-answer

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