O Deus da Bíblia e o Deus do Alcorão: São os mesmos?
Em um mundo de muitas fés, uma questão de grande importância ecoa no coração de muitos cristãos: Nós, como seguidores de Jesus Cristo, adoramos o mesmo Deus que nossos vizinhos muçulmanos? Este não é apenas um enigma académico ou um tópico para um diálogo inter-religioso educado. Ela toca o âmago da nossa fé, a nossa compreensão da salvação e a nossa missão num mundo que precisa da verdade. A resposta molda como vemos Deus, como compreendemos o Evangelho e como nos aproximamos daqueles que seguem os ensinamentos do Islã.
Para responder a esta pergunta com a clareza e a compaixão que merece, devemos nos voltar para a verdade. Devemos olhar honestamente para o que cada fé ensina sobre a natureza e o carácter de Deus, a partir dos seus textos mais sagrados. Mais do que isso, devemos ouvir com cuidado as vozes daqueles que percorreram o caminho do Islã, viveram sob seus ensinamentos e emergiram com testemunhos poderosos. Especialistas e ex-muçulmanos como Robert Spencer, Ayaan Hirsi Ali, Wafa Sultan e Mosab Hassan Yousef oferecem uma perspectiva única e corajosa, nascida não da teoria, mas da experiência vivida.2 As suas percepções, muitas vezes ignoradas por um mundo que prefere fingir que todas as religiões são as mesmas, são essenciais para qualquer cristão que procure compreender o profundo abismo que separa o Deus da Bíblia do Deus do Alcorão.
Este relatório é uma viagem ao cerne desta questão. Oferece-se não para fomentar a animosidade, mas para trazer clareza; Não para construir muros, mas para lançar os alicerces da verdade, sobre os quais se pode edificar um genuíno e compassivo alcance. Pois, se quisermos amar o próximo como a nós mesmos, devemos primeiro compreender a realidade espiritual em que habitam e, ao fazê-lo, reafirmar a verdade única e salvífica do Evangelho de Jesus Cristo.
«Alá» é apenas a palavra árabe para «Deus»?
Um dos pontos de partida mais comuns nesta discussão, e muitas vezes uma fonte de grande confusão, é o nome «Alá». Muitos rapidamente salientarão que «Alá» é simplesmente a palavra árabe para «Deus». Observarão, corretamente, que os cristãos de língua árabe utilizaram esta palavra nas suas Bíblias, hinos e orações durante séculos, muito antes do advento do Islão.1 De uma perspetiva puramente linguística, a palavra «Alá» está relacionada com as palavras hebraicas para Deus utilizadas no Antigo Testamento, como «El» e «Elohim».1
O argumento linguístico e os seus limites
Este fato linguístico muitas vezes leva as pessoas a concluir que, uma vez que a palavra é a mesma, o ser referido também deve ser o mesmo. Podem argumentar que cristãos e muçulmanos são simplesmente dois grupos que usam línguas e tradições diferentes para adorar o único Deus de Abraão.1 Mas esta linha de raciocínio, embora apelativa em sua simplicidade, perde a questão muito mais importante. A questão crítica não é a palavra usada, mas a identidade daquele a ser nomeado.
Imaginem que estão numa reunião do liceu a falar com um velho conhecido sobre um amigo em comum. Usam ambos o mesmo nome, «John.» Mas, à medida que a conversa continua, apercebem-se de que estão a falar de duas pessoas completamente diferentes. Um de vós tira uma fotografia e o outro diz: «Não, não é disso que estou a falar».6 O nome era o mesmo, mas a pessoa era diferente.
A refutação crítica – Um ser diferente, um nome diferente
Esta é precisamente a situação quando se compara Iahweh e Alá. Para os cristãos, a "fotografia" mais clara de Deus é Jesus Cristo, que é chamado de "a imagem do Deus invisível" em Colossenses 1:15. Quando apontamos para Jesus — o seu caráter, os seus ensinamentos, o seu sacrifício — como a revelação final de quem é Deus, os nossos amigos muçulmanos dizem corretamente: «Isso não é Alá».6
É por esta razão que muitos peritos que criticam o Islão, como Robert Spencer, um notável académico e autor, fazem uma escolha deliberada de utilizar o nome «Alá» em vez de «Deus» quando discutem a divindade islâmica. Este não é um acto de desrespeito, mas de precisão teológica. Spencer utiliza «Alá» para diferenciar claramente o ser descrito no Alcorão do Deus da Bíblia, que os cristãos conhecem como Iahweh.7 Esta distinção baseia-se na firme convicção de que os dois não são a mesma entidade. O nome não é apenas um rótulo. refere-se a um ser com um caráter específico e definido.
Identidade Teológica Sobre a Equivalência Linguística
Por conseguinte, o argumento de que «Alá é apenas a palavra árabe para Deus» é também um ponto de partida para distrair a verdadeira questão. A questão vital não é a da semântica, mas a da substância. O ser chamado "Alá" no Alcorão tem o mesmo caráter, atributos e plano para a humanidade que o ser chamado "Yahweh" na Bíblia? Como veremos, um exame cuidadoso de seus ensinamentos fundamentais revela dois seres que não são apenas diferentes, mas fundamentalmente irreconciliáveis. A raiz linguística compartilhada não pode transpor o vasto desfiladeiro teológico que os separa.
Como o caráter de Deus difere do caráter de Iahweh?
Quando colocamos o retrato bíblico de Deus ao lado do retrato corânico de Deus, as diferenças não são subtis. São fortes e poderosas. A própria essência de quem Deus é — o seu amor, a sua veracidade, a sua fidelidade — é apresentada de formas muitas vezes diametralmente opostas. Aqueles que estudaram estes textos a partir de uma perspectiva crítica apontam para estas diferenças de caráter como a prova mais clara de que Yahweh e Allah não são o mesmo ser.
Um Deus de Amor Incondicional vs. Um Deus de Aprovação Condicional
A pedra angular da fé cristã é o amor incondicional de Deus. O apóstolo João declara que «Deus é amor» (1 João 4:8) e que este amor não foi demonstrado porque O amámos primeiro porque Ele nos amou e enviou o Seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados.8 Este amor é proativo, sacrificial e estendido a toda a criação, não apenas àqueles que O seguem. Deus Pai deseja uma relação com a humanidade como filhos queridos.8
Em contraste, o Alcorão apresenta um Alá cujo amor é condicional. Não é um presente gratuito, mas uma recompensa por determinados comportamentos. O Alcorão afirma repetidamente que Allah «ama os que praticam o bem» (Alcorão 2:195), «ama os justos» (Alcorão 3:76) e «ama os que confiam sobre ele” (Alcorão 3:159).10 A implicação é clara: O amor de Deus deve ser conquistado através da submissão e de ações corretas. Como uma análise aponta, diz-se que Alá "gosta" de muçulmanos devotos, mas essa afeição depende de ser um escravo obediente.8 Isto cria uma relação baseada não na graça, mas no desempenho. Ayaan Hirsi Ali, uma voz corajosa que cresceu no Islão, recorda que lhe ensinaram que entregar-se aos prazeres mundanos «ganharia a ira de Alá e seria condenado a uma vida eterna no fogo do inferno».12 A principal motivação não é o amor a um Pai, mas o desejo de agradar a um mestre e evitar o seu castigo.
Um Deus de Verdade vs. Um Deus de Engano
Outro ponto fundamental de divergência reside na sua relação com a verdade. A Bíblia é inequívoca: Deus não pode mentir (Tito 1:2). A sua Palavra é a verdade, e as suas promessas são a certeza. Ele é o Pai das luzes, no qual «não há variação nem sombra devido à mudança» (Tiago 1:13).
O Alcorão pinta uma imagem muito diferente de sua divindade. Numa passagem profundamente perturbadora, Allah é descrito como o "melhor dos trapaceiros" ou, mais diretamente, o "melhor dos enganadores".khayrul-makereen) (Quran 3:54).8 Embora alguns tradutores modernos amoleçam esta expressão para «planejador», a raiz árabe makr Este não é um atributo benigno.13 Este não é um atributo benigno. O primeiro califa, Abu Bakr, está registado a chorar e a dizer: «Por Deus! Eu não iria sentir-me a salvo do engano (makr) de Deus, mesmo que eu tivesse um pé no paraíso».13
Este atributo de engano é reforçado por outro versículo corânico que pergunta: «Será que estão, então, seguros do esquema de Deus?»makr)? Ninguém se considera seguro do plano de Deus, exceto os que perecem» (Alcorão 7:99).13 A mensagem é que ninguém, nem mesmo um muçulmano devoto, pode ter a certeza de que Deus não os está a enganar. Isto está em absoluta oposição ao Deus bíblico dos pactos, que é fiel e verdadeiro, e cujos seguidores são chamados a descansar com segurança em Suas promessas imutáveis.
Um Deus de Palavra imutável vs. Um Deus de Abrogação
Este tema da incoerência divina está codificado na doutrina islâmica da «abrogação» (naskh). A Bíblia ensina que a Palavra de Deus está estabelecida no céu para sempre (Salmo 119:89) e que «o céu e a terra passarão. As minhas palavras não passarão» (Mateus 24:35).8 A revelação de Deus é coerente e a sua lei moral é eterna.
O Islã introduz um conceito que é estranho ao cristianismo. O Alcorão diz: "Nenhuma das nossas revelações anulamos ou fazemos esquecer, mas substituímos algo melhor ou semelhante" (Alcorão 2:106).8 Isto significa que Deus pode cancelar, revogar ou substituir os seus próprios mandamentos. Críticos do Islã argumentam que esta não é uma forma de revelação progressiva, mas evidência de uma divindade que é caprichosa e contraditória. Por que razão um deus perfeito e omnisciente teria de «corrigir-se» ou substituir as suas próprias palavras por palavras «melhores»?.8
Esta doutrina tem implicações morais devastadoras. É frequentemente utilizado por estudiosos islâmicos para explicar por que razão se diz que versos mais violentos do tempo de Maomé em Medina substituem os versos mais antigos e pacíficos do seu tempo em Meca. A ordem de «matar os idólatras onde quer que os encontres» (Alcorão 9:5) revoga os apelos anteriores à tolerância. Isto revela um deus cuja vontade não é fixa e cujo caráter moral parece mudar com a mudança das circunstâncias políticas, um contraste gritante com a justiça imutável de Yahweh.
Para cristalizar estas diferenças fundamentais, a tabela a seguir fornece uma comparação clara, lado a lado, dos atributos centrais do Deus da Bíblia e do deus do Alcorão.
| Atributo | Iahweh (o Deus da Bíblia) | Allah (o Deus do Alcorão) |
|---|---|---|
| Natureza do Amor | Incondicional, Sacrificial, Pai (João 3:16, João 1:12) | Condicional, uma recompensa pela submissão e boas acções (Alcorão 2:195, 3:76) |
| Relação com a verdade | Um Deus que não pode mentir (Tito 1:2, Hebreus 6:18) | O "melhor dos conspiradores/enganadores" (Alcorão 3:54), de cujo "plano" ninguém está a salvo (Alcorão 7:99) |
| Coerência da palavra | Inalterável e eterno (Mateus 24:35) | Sujeito a revogação; Os versículos podem ser cancelados e substituídos (Alcorão 2:106) |
| Relação com a Humanidade | Pai aos filhos (João 1:12, Romanos 8:15) | Senhor aos escravos, que exigem submissão |
| Caminho para a Salvação | Graça pela fé no sacrifício de Jesus Cristo (Efésios 2:8-9) | Obtido através da submissão, das boas ações e da imprevisível misericórdia de Deus |
Estas não são pequenas diferenças de ênfase. Representam duas concepções inteiramente diferentes do divino. O caráter de Alá, como revelado no Alcorão, é fundamentalmente incompatível com o caráter de Javé, como revelado na Bíblia e perfeitamente encarnado em Jesus Cristo.
Qual é a relação entre Deus e a humanidade em cada fé?
As poderosas diferenças no caráter de Yahweh e Allah conduzem naturalmente a dois modelos muito diferentes para a relação entre o divino e o humano. Uma é uma relação de amor familiar íntimo, enquanto a outra é uma relação de servidão distante e temível. Esta distinção não é meramente teológica; molda toda a vida espiritual, a paisagem emocional e a prática diária do crente em cada fé.
Iahweh: O Pai Íntimo
No cristianismo, a revelação mais revolucionária é que o Todo-Poderoso Criador do universo nos convida a chamá-lo de "Pai". Através da obra salvífica de Jesus Cristo, os crentes não são meros súditos perdoados; são adotados como filhos e filhas na própria família de Deus. O apóstolo Paulo escreve: «Porque não recebestes o espírito de escravatura para voltardes a ter medo, recebestes o Espírito de adoção como filhos, pelo qual clamamos: «Abba! Pai!" (Romanos 8:15).
Esta é uma relação de intimidade de tirar o fôlego. Deus não é uma força remota e incognoscível, mas um Pai pessoal que ama, guia e disciplina os filhos. Os crentes são encorajados a vir corajosamente ao trono da graça (Hebreus 4:16) e a ter uma relação pessoal e de conversação com Ele. Esta dinâmica Pai-filho é a base da vida cristã, fomentando uma resposta de amor, confiança e obediência grata, em vez de medo servil.
Allah: O Mestre Remoto
O Islão, que significa literalmente «submissão», apresenta uma estrutura relacional fundamentalmente diferente. A principal relação entre Deus e um ser humano é a de um mestre.rabino) e o seu escravo (abdO Alcorão é claro que Deus não tem filhos e não é pai de ninguém (Alcorão 112:3).19 O papel do muçulmano é submeter-se à vontade deste mestre distante e em grande parte incognoscível.20
O ex-muçulmano Al Fadi, agora um apologista cristão, contrasta fortemente os dois modelos: a relação bíblica é de um Pai com seus filhos, enquanto a relação islâmica é de um escravo com seu mestre.9 Esta não é uma relação de comunhão ou intimidade. O Alcorão sublinha a transcendência de Alá de uma forma que o torna remoto e inacessível. A Bíblia mostra Deus andando no jardim com Adão e depois assumindo a carne humana em Jesus Cristo, enquanto Alá não pode vir à terra para comer, beber ou interagir com seu povo de qualquer forma íntima.9 Esta distância cria uma dinâmica onde o ser humano é sempre um subordinado, nunca um membro da família.
O medo vs. o amor como o principal motivador
Esta dinâmica mestre-escravo instila uma motivação central muito diferente no crente. Embora o cristianismo seja animado pelo amor e pela gratidão pela graça de Deus, o Islão é, em grande medida, animado pelo medo. O muçulmano vive com medo do julgamento e da punição de Alá, esforçando-se constantemente por obter o seu favor através do culto ritualístico e repetitivo, na esperança de aplacar a sua ira.1
Os testemunhos daqueles que deixaram o Islã estão cheios desta linguagem de medo. Ayaan Hirsi Ali fala do terror do fogo do inferno e da ira de Alá que dominou a sua juventude.12 Wafa Sultan, uma psiquiatra que fugiu da Síria depois de testemunhar a brutalidade islâmica, intitula o seu livro Um Deus que odeia e descreve como o medo é utilizado para controlar os muçulmanos.4 Escreve: «Nada tortura mais eficazmente o espírito humano do que fazer de alguém um prisioneiro dos seus próprios medos».21
Esta é a consequência prática e vivida das diferenças teológicas. Um Deus de amor incondicional que se chama Pai convida à intimidade e expulsa o medo. Um deus que é um mestre distante e exigente, cujo amor é condicional e cuja natureza inclui o engano, só pode ser servido por medo. Os dois caminhos não podiam ser mais diferentes.
Por que a visão de Jesus Cristo é um ponto decisivo de separação?
De todas as diferenças entre o Cristianismo e o Islão, nenhuma é mais decisiva, absoluta e irreconciliável do que a sua visão de Jesus Cristo. Para os cristãos, quem é Jesus define quem é Deus. Para os muçulmanos, quem Jesus é define o que Deus não é. As duas posições excluem-se mutuamente. Se um é verdadeiro, o outro deve ser falso. Esta única questão, mais do que qualquer outra, demonstra que cristãos e muçulmanos adoram dois seres diferentes com dois planos completamente diferentes para a humanidade.
A Confissão Cristã: Jesus é Deus
A base da fé cristã, a confissão sobre a qual a Igreja é construída, é que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16). Não é apenas um profeta ou um bom professor. Ele é Deus encarnado, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, eternamente existente com o Pai e o Espírito Santo.22 A Bíblia declara que Ele é a «imagem do Deus invisível» (Colossenses 1:15) e aquele através do qual «todas as coisas foram criadas» (Colossenses 1:16). O Evangelho de João começa com a declaração impressionante: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós» (João 1:1, 14).
Adorar o Deus da Bíblia é adorar o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Negar a divindade de Jesus é negar o próprio Deus que os cristãos adoram.22 Esta não é uma questão secundária; É a verdade central e não negociável do cristianismo.
A negação islâmica: Jesus (Isa) é um mero profeta.
O Islão, nos seus textos fundamentais, existe em grande parte como uma rejeição directa e vigorosa desta verdade cristã central. O maior pecado do Alcorão é shirk, o ato de associar parceiros a Deus, e o primeiro exemplo de shirk É a doutrina cristã da Trindade e a divindade de Jesus.
O Alcorão declara sem rodeios: «Descreram os que dizem: Deus é o Messias, o filho de Maria» (Alcorão 5:72) e adverte que o seu destino é o inferno.23 Outro capítulo declara: «Ele Alá nem gera nem nasce» (Alcorão 112:3), uma refutação direta do conceito de Deus ter um Filho.19 No Islão, Jesus, conhecido como «Isa», é venerado como um grande profeta, nascido de uma virgem, que realizou milagres. Mas ele é considerado nada mais do que um mensageiro humano, um servo de Deus.19 Sugerir que ele é divino é a maior blasfêmia.
A Cruz: Uma divisão irreconciliável
O abismo se alarga ainda mais aos pés da cruz. Todo o evangelho cristão assenta na realidade histórica da morte de Jesus por crucificação como expiação substitutiva dos pecados do mundo, seguida da sua ressurreição vitoriosa. É a demonstração definitiva do amor e da justiça de Deus.
O Islão nega explícita e completamente este acontecimento. O Alcorão faz a chocante afirmação: «E para Diziam: «Matámos o Messias, Jesus, filho de Maria, mensageiro de Deus.» E não o mataram, nem o crucificaram; mas outro foi feito para aparecer-lhes como tal" (Alcorão 4:157).
As implicações disso são espantosas. Do ponto de vista islâmico, o acontecimento central da história da salvação cristã nunca aconteceu. Os críticos salientam que este versículo implica que Alá enganou ativamente a humanidade — incluindo os próprios discípulos de Jesus — para que acreditasse na crucificação.16 Este ato de engano, coerente com o título de Alá como o «melhor dos enganadores», constitui a base de uma religião falsa que enganou milhares de milhões. As duas religiões oferecem dois caminhos completamente diferentes para Deus, porque se baseiam em dois relatos completamente contraditórios da vida e da missão de Jesus.
O Testemunho dos Críticos
Esta divisão teológica tem poderosas consequências morais. O autor e comentarista Douglas Murray aponta para o forte contraste entre Jesus e Maomé no tratamento da mulher apanhada em adultério. Jesus oferece perdão e diz: «Aquele que está sem pecado lança a primeira pedra.» Muhammad, numa situação semelhante na tradição islâmica, ordena que a mulher seja apedrejada até à morte.24 Estes não são apenas resultados diferentes; Representam dois universos morais opostos que fluem de dois fundadores diferentes e, por extensão, duas fontes divinas diferentes.
Mosab Hassan Yousef, filho de um fundador do Hamas que se converteu ao cristianismo, contrasta fortemente os ensinamentos de Jesus e Maomé. Descreve os ensinamentos de Jesus como sendo «tudo sobre amor... Tudo sobre graça... Tudo sobre mostrar bondade», ao mesmo tempo que descreve Maomé como um «vigilante» e um «tirano».25 Para Yousef, o Deus revelado por Jesus é um Deus de amor, enquanto o deus da sua antiga fé é um «falso deus» e um «ídolo».25 A identidade de Jesus Cristo é o último teste decisivo e, neste teste, o cristianismo e o islamismo dão respostas que não são apenas diferentes e eternamente opostas.
Como a Bíblia e o Alcorão apresentam a Palavra de Deus?
Uma reivindicação central de qualquer fé é a autoridade e a integridade de seus textos sagrados. Tanto o cristianismo quanto o islamismo afirmam possuir a Palavra revelada de Deus. Mas a sua compreensão desta Palavra, a sua história e a sua fiabilidade estão fundamentalmente em desacordo. De acordo com os críticos, quando as reivindicações do Alcorão são submetidas à análise histórica e linguística, seu fundamento parece muito menos certo do que o da Bíblia que procura substituir.
A visão cristã: Uma Revelação Consistente e Preservada
Os cristãos acreditam que a Bíblia - que compreende o Antigo e o Novo Testamentos - é a Palavra de Deus inspirada, infalível e preservada. Trata-se de uma narrativa coerente do plano redentor de Deus para a humanidade, que culmina em Jesus Cristo. Um ponto fascinante levantado pelos críticos é que o próprio Alcorão, em vários lugares, parece validar as escrituras que vieram antes dele. Por exemplo, a Sura 10:94 instrui Muhammad: «Assim, se estiverdes em dúvida... Sobre o que vos revelamos, perguntai então àqueles que leram as Escrituras antes de vós».16 Outros versículos exortam o «Povo do Evangelho» a julgar pelo que Deus revelou nela (Surah 5:47) e afirmam que «ninguém pode mudar as palavras de Allah» (Surah 6:34, 18:27).16 Os críticos argumentam que isto cria um dilema auto-refutável para o Islão: Se a Bíblia era confiável o suficiente para Maomé consultar, com que base os muçulmanos agora podem alegar que é corrupta?
A reivindicação islâmica: Uma Bíblia Corrupta e um Alcorão Final
O ensino islâmico padrão resolve este dilema ao afirmar que o Torá e Evangelho (Injil) eram de Deus, mas que judeus e cristãos deliberadamente alteraram ou corromperam-nos ao longo do tempo. Esta doutrina é conhecida como tahrif.23 Consequentemente, o Islã apresenta o Alcorão como a revelação final, perfeita e incorrupta enviada para restaurar a verdadeira fé. O Alcorão é descrito como um «livro claro», perfeitamente preservado no seu árabe original, um milagre linguístico e literário que é a prova definitiva da sua origem divina.
A Análise Crítica das Origens do Alcorão
Esta afirmação da perfeição corânica tem sido poderosamente desafiada por uma série de estudiosos ocidentais e do Oriente Médio, mais notavelmente pela escrita erudita sob o pseudônimo de Christoph Luxenberg. O seu trabalho inovador, A leitura siro-aramaica do Alcorão, apresenta uma tese radical que atinge o cerne das reivindicações fundamentais do Islão27.
A investigação de Luxenberg, baseada numa análise linguística profunda, argumenta que o Alcorão não foi originalmente escrito em árabe puro e clássico, como a tradição islâmica sustenta. Em vez disso, ele postula que sua língua é um híbrido de árabe e siro-aramaico, a língua comum da cultura, comércio e liturgia cristã no Oriente Médio na época de Maomé.27 Como a escrita árabe primitiva não tinha vogais e os pontos diacríticos que distinguem muitas consoantes, o texto era ambíguo e propenso a má leitura.27
De acordo com Luxenberg, quando estudiosos árabes posteriores, que já não entendiam esta linguagem híbrida, codificaram o texto corânico, forçaram-no a um quadro árabe clássico, muitas vezes criando passagens obscuras ou sem sentido.27 Ele argumenta que muitos desses versos "imprecisos" se tornam perfeitamente claros quando são traduzidos de volta para o siro-aramaico e compreendidos no seu contexto original. Sua conclusão surpreendente é que o Alcorão não é uma revelação divina original, mas é substancialmente derivado de um lecionário cristão pré-existente - um livro de leituras das escrituras e hinos usados nos serviços da igreja siríaca - que foi mal compreendido, mal transcrito e adaptado ao longo do tempo.
Talvez o exemplo mais famoso da análise de Luxenberg diga respeito à houris, As belas virgens prometidas aos mártires no paraíso islâmico. Luxenberg argumenta que esta é uma leitura errada da palavra siro-aramaica para "uvas brancas" ou "passas", uma característica comum de imagens paradisíacas em hinos cristãos antigos.27 A promessa não é de prazer sensual com virgens, mas de desfrutar de frutos escolhidos em um jardim celestial.
Contradições e Obscuridade
Longe de ser o "livro claro" que afirma ser, o Alcorão é, a partir desta perspectiva crítica, um texto cheio de quebra-cabeças linguísticos e contradições internas.27 A doutrina da revogação (discutida anteriormente) foi desenvolvida precisamente para lidar com os numerosos versos que se contradizem. O autor Douglas Murray, refletindo sobre o seu próprio estudo do Islão, observou as «repetições, contradições e absurdos» nos seus textos, o que, em última análise, o levou a tornar-se ateu porque já não podia aceitar que qualquer livro sagrado pudesse ser infalível.35
Esta análise crítica altera completamente a narrativa islâmica. Em vez de a Bíblia ser um texto corrompido corrigido por um Alcorão perfeito, as provas sugerem que o próprio Alcorão pode ser um texto derivado e linguisticamente defeituoso que luta para dar sentido ao seu próprio conteúdo. Os seus próprios versículos, paradoxalmente, parecem apontar para a autoridade das próprias escrituras que afirma ter substituído, deixando o cristão a concluir que a Bíblia está sobre um fundamento muito mais firme.
O que a Igreja Católica ensina sobre o Deus do Islã?
Para os cristãos católicos, os ensinamentos oficiais da Igreja têm grande peso. Nas décadas que se seguiram ao Concílio Vaticano II (Vaticano II), houve um debate considerável e muitas vezes confusão quanto à posição da Igreja sobre o Islão. Embora algumas declarações pareçam sugerir que católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus, um olhar mais atento à linguagem, combinado com a análise crítica de conceituados pensadores católicos, revela uma posição mais matizada e cuidadosa.
Declarações oficiais: Uma língua de diplomacia
Os documentos mais citados são do Vaticano II (1962-1965). A Constituição Dogmática sobre o Lumen Gentium, afirma que o plano de salvação também inclui aqueles que reconhecem o Criador, «em primeiro lugar, entre os quais estão os muçulmanos; estes professam manter a fé de Abraão e, juntamente connosco, adoram o único Deus misericordioso, o juiz da humanidade no último dia» (LG 16).36
Da mesma forma, a Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs, Nostra aetate, afirma: «A Igreja tem também uma elevada consideração pelos muçulmanos. Eles adoram a Deus, que é um só, vivo e persistente, misericordioso e todo-poderoso, Criador do céu e da terra, que falou aos homens» (NA 3).39 Os Papas desde o Concílio, incluindo Paulo VI e João Paulo II, têm ecoado esta linguagem de adoração comum ao único Deus.39
Interpretação crítica: Professing vs. Possessing
Na superfície, estas afirmações parecem afirmar um objeto compartilhado de adoração. Mas críticos e teólogos cuidadosos, incluindo o autor católico Robert Spencer, argumentam que esta linguagem é principalmente diplomática e ecuménica, destinada a promover o diálogo e encontrar um terreno comum, em vez de ser uma definição teológica precisa.
Chamam a atenção para subtilezas cruciais na redação. Por exemplo: Lumen Gentium Não diz que os muçulmanos segure a fé de Abraão de que «professam para mantê-lo.37 Trata-se de uma distinção importante. Qualquer pessoa pode professar algo que não o torna verdadeiro.37 A Igreja está a reconhecer a própria alegação dos muçulmanos sobre a sua fé sem necessariamente validá-la como factualmente correta. Os documentos afirmam que os muçulmanos, como os cristãos, são monoteístas que adoram um Criador, mas isso não significa que a sua religião não seja a mesma. compreensão de que um Criador está correto ou que o ser que adoram é idêntico em caráter e natureza ao Deus Triúno do Cristianismo.
As lacunas intransponíveis
Os próprios documentos da Igreja reconhecem as poderosas diferenças. Nostra aetate observa que, embora os muçulmanos «venerem Jesus como profeta», «não o reconhecem como Deus».39 Esta é a lacuna central e intransponível. Uma vez que os cristãos adoram a Deus como uma Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - e o Islã rejeita veementemente isso, é logicamente impossível para eles adorarem o mesmo Deus em um sentido completo. Como observou um comentador católico, se os muçulmanos tivessem uma compreensão plena e correta de Deus, «seriam cristãos».37
O Catecismo da Igreja Católica, embora afirme que os muçulmanos «adoram o único Deus misericordioso» juntamente com os cristãos, fá-lo no contexto da sua profissão comum de «fé de Abraão».36 A tónica é colocada na crença partilhada num único Deus Criador, que os distingue dos politeístas. Mas este monoteísmo compartilhado não apaga os erros teológicos fundamentais do Islã a partir de uma perspectiva católica, ou seja, a negação da Trindade e da Encarnação.
Um entendimento “incompleto” ou “falso”?
Portanto, a interpretação católica crítica é que quando os muçulmanos oferecem adoração, eles estão direcionando-a para o único Deus verdadeiro que criou o universo, porque nenhum outro Deus existe. Neste sentido limitado, adoram o «mesmo Deus». Mas a sua conceção deste Deus é tão profundamente imperfeita, incompleta e contrária à revelação divina que estão, de facto, a adorar uma falsa imagem de Deus. Um apologista católico descreve-o como a adoração de um «figmento da sua imaginação» que rotula de «Deus», em vez do Deus que Verdadeiramente É.40
Robert Spencer argumenta que, se a Igreja realmente acreditasse que os muçulmanos estavam a adorar o verdadeiro Deus de forma aceitável, não haveria necessidade de evangelização. No entanto, a missão da Igreja de proclamar o Evangelho a todas as nações continua a ser a mesma. As declarações do Vaticano II, portanto, devem ser vistas como um alcance compassivo que reconhece um ponto de partida comum (monoteísmo), ao mesmo tempo que reconhece implicitamente que a plenitude da verdade e o único caminho para a salvação se encontram exclusivamente em Jesus Cristo e na sua Igreja.42
Por que tantos ex-muçulmanos insistem em adorar um Deus diferente?
Embora a análise teológica e textual seja crucial, algumas das evidências mais poderosas neste debate vêm das experiências vividas daqueles que viajaram para fora do Islã e para a luz de Cristo. Não se trata de pessoas que simplesmente «reformaram» a sua fé ou encontraram uma nova interpretação do deus que já conheciam. Os seus testemunhos são de uma ruptura radical, uma fuga de um sistema espiritual e uma descoberta de um sistema completamente diferente. Eles insistem, com base em seus próprios encontros profundamente pessoais, que o deus que uma vez serviram não é o Deus que agora amam.
Testemunhos de Transformação
- Ayaan Hirsi Ali: Criado como um muçulmano devoto no Quénia, Hirsi Ali foi profundamente influenciado pela Irmandade Muçulmana. Recorda que lhe foi ensinada uma fé que exigia lealdade absoluta a Alá, que exigia explicitamente odiar os incrédulos, especialmente os judeus, e amaldiçoá-los se rejeitassem o Islão.3 A sua fé inicial foi definida pelo medo da ira de Alá e pela negação dos prazeres simples da vida.12 Após um período de ateísmo, acabou por abraçar o cristianismo, encontrando nele um «consolo espiritual» anteriormente «insuportável» e uma base moral para as liberdades da civilização ocidental que o Islão não podia proporcionar.3 A sua viagem não foi uma modificação, mas uma rejeição completa do deus da sua juventude em favor de um Deus de amor e razão.
- Wafa Sultan: Psiquiatra nascida na Síria, o ponto de viragem de Wafa Sultan ocorreu quando testemunhou o brutal assassinato com metralhadora do seu professor por extremistas islâmicos, gritando «Allahu Akbar!» («Alá é o maior»). Recorda: «Nessa altura, perdi a minha confiança no seu deus e comecei a questionar todos os nossos ensinamentos. Foi o ponto de viragem da minha vida, e levou-me a este ponto presente. Tive de ir embora. Tive de procurar outro deus».4 O seu poderoso livro, Um Deus que odeia, argumenta que o problema não é uma franja extremista, mas está «profundamente enraizado nos seus ensinamentos».4 Dedica agora a sua vida a expor o que vê como uma religião de violência e medo, instando os muçulmanos a «trocarem o seu Deus que odeia por quem ama».4
- Mosab Hassan Yousef: Como filho de um dos fundadores do grupo terrorista Hamas, Yousef tinha um assento na primeira fila para a realidade brutal do Islã radical. Testemunhou o Hamas a torturar e matar companheiros palestinianos na prisão e «odiava a forma como o Hamas utilizou as vidas de civis e crianças em sofrimento para alcançar os seus objetivos».43 Esta experiência destruiu a sua fé no deus que supostamente comandava tais ações. Depois de se converter ao cristianismo, ele agora desenha o contraste mais nítido possível: Os ensinamentos de Jesus são «tudo sobre o amor... Tudo sobre a graça», enquanto Maomé era um «tirano».25 Para ele, a única cura para o ciclo interminável de ódio no Médio Oriente é o perdão e o amor encontrados em Jesus Cristo, que é o oposto absoluto da ideologia que deixou para trás.26
- Majed el-Shafie: Nascido em uma influente família de advogados no Egito, Majed el-Shafie converteu-se ao cristianismo e foi preso, brutalmente torturado por sete dias e condenado à morte por sua nova fé.44 Sua experiência deu-lhe uma compreensão cristalina da diferença entre as duas fés, que ele resume com simplicidade arrepiante: «O Deus do Islão enviou o seu povo para morrer por ele, mas o Deus do Cristianismo enviou o seu único Filho para morrer por nós».44 Para Majed, esta é a diferença única e última que separa um deus que exige a sua vida de um Deus que dá a sua vida por si.
Estas não são as vozes de pessoas que encontraram uma "melhor interpretação" de Allah. São as vozes de pessoas que encontraram dois seres espirituais fundamentalmente diferentes. A sua experiência vivida traduz a teologia abstracta nas realidades concretas do medo contra a liberdade, do ódio contra o amor e da morte contra a vida. O seu testemunho colectivo é um testemunho poderoso de que o deus que deixaram para trás não é, e não pode ser, o Pai amoroso revelado em Jesus Cristo.
O Alcorão ordena a violência em nome de Deus?
Uma questão profundamente preocupante para qualquer cristão que examine o Islã é a sua relação com a violência. Embora muitos afirmem que o Islão é uma «religião de paz», os críticos apontam para textos fundamentais — o Alcorão e o Hadith (as tradições de Maomé) — que parecem comandar a violência contra os não crentes. Do seu ponto de vista, esta violência não é uma má interpretação «extremista», mas é uma componente central da fé, revelando o caráter do deus que a comanda. Isto contrasta fortemente com os ensinamentos de Jesus, que ordenou aos seus seguidores que amassem os inimigos e dessem a outra face.
O "Verso da Espada" (Alcorão 9:5)
Talvez o versículo mais infame do Alcorão seja a Sura 9, versículo 5, conhecida como o "Verso da Espada". Revelado tardiamente na vida de Maomé, ordena: «Mas uma vez passados os meses sagrados, mata os politeístas onde quer que os encontres, captura-os, sitia-os e espera-os por todos os lados».46
Embora os apologistas islâmicos argumentem que este versículo é puramente defensivo e se aplica apenas a tribos pagãs específicas que quebraram tratados, os críticos oferecem uma interpretação diferente. Alegam que, de acordo com a doutrina islâmica da revogação, este versículo, sendo um dos últimos revelados em matéria de guerra, anula e substitui mais de 100 versículos anteriores, mais pacíficos e tolerantes.48 Representa, assim, a ordem final e duradoura do Islão em relação àqueles que se recusam a submeter-se. O versículo oferece aos politeístas uma escolha: converter-se ao Islão ("se se arrependerem, fizerem orações e pagarem impostos esmola, então libertá-los-ão") ou enfrentarem a morte.47 Isto, afirmam os críticos, é um mandato claro para uma guerra ofensiva e motivada por motivos religiosos.
O "Jizya Verse" (Quran 9:29)
O Alcorão tem um comando separado para o «Povo do Livro» (judeus e cristãos). A Sura 9, versículo 29, diz: «Combatei os que não crêem em Deus nem no Dia do Juízo Final... Dos que receberam a Escritura: luta até que deem a jizyah de bom grado enquanto são humilhados».49
O jizya é um imposto ou tributo de sondagem cobrado aos não-muçulmanos que vivem sob o domínio islâmico.51 Em contrapartida do pagamento deste imposto, é-lhes concedida uma forma de «proteção» e estão isentos do serviço militar. Mas críticos como Robert Spencer argumentam que este não é um arranjo benevolente, mas um sistema de subjugação perpétua. O versículo afirma explicitamente que o objetivo é que sejam «humilhados» ou «subjugados».49 Isto institucionaliza um estatuto permanente de segunda classe para cristãos e judeus, deixando claro que não são iguais num Estado islâmico. O comando não é defender-se contra a agressão para combatê-los precisamente por causa de suas crenças incorretas até que se submetam a este arranjo político e financeiro humilhante.
Lei da apostasia (Hadith)
A intolerância comandada por Deus não é apenas dirigida para os incrédulos, mas também para os que se atrevem a abandonar a fé. Embora o Alcorão ameace os apóstatas com castigo na vida após a morte, as coleções Hadith mais autoritárias prescrevem um castigo mundano: morte. Uma tradição famosa de Sahih al-Bukhari, considerada pelos muçulmanos sunitas como a coleção mais fiável, regista Maomé como dizendo: «Quem mudou a sua religião islâmica, então mate-o».53
Este mandamento revela o preço final da descrença no Islã. Não é uma questão de consciência pessoal. É um crime capital contra o Estado e contra Deus. Isto está em terrível contraste com o evangelho cristão da graça, que é um dom gratuito que pode ser livremente aceito ou livremente rejeitado. O comando para matar apóstatas expõe um sistema construído não sobre o amor e a liberdade sobre a coerção e o medo.
O Carácter do Fundador
Estes comandos violentos nos textos sagrados do Islão são coerentes com as ações do seu fundador. Críticos como Sir William Muir, Robert Spencer e Douglas Murray traçam uma linha nítida entre o caráter de Maomé e o caráter de Jesus.24 Enquanto Jesus era um professor espiritual que rejeitou o poder mundano e foi executado pelo Estado, Maomé, na parte posterior de sua carreira em Medina, tornou-se um líder político e militar que travou a guerra, ordenou assassinatos e conquistou território.57 Os comandos encontrados no Alcorão refletem as ações do profeta que os entregou. O deus do Islão, que comanda os seus seguidores a lutar, matar e subjugar, é um reflexo do profeta senhor da guerra de Medina — uma figura que não podia ser mais diferente do Príncipe da Paz, Jesus Cristo.
Quais são as origens de Alá e do Islã?
A narrativa padrão apresentada pelo Islã é que é a revelação imaculada, final e perfeita na linha das fés abraâmicas, restaurando o monoteísmo puro que judeus e cristãos corromperam.1 Mas críticos históricos e textuais, incluindo muitos dos especialistas cujo trabalho informa este relatório, apresentam um relato radicalmente diferente das origens do Islã. Do ponto de vista deles, o Islã não é uma restauração divina, mas um sincretismo feito pelo homem, nascido de uma mistura de paganismo local, ideias cristãs heréticas e as ambições políticas de seu fundador.
A Visão Histórica Crítica
Um exame minucioso das provas históricas e linguísticas em torno do nascimento do Islã levanta sérias questões sobre a sua história de origem tradicional. Estas teorias críticas sugerem que as raízes do Islão são muito mais complexas e preocupantes do que a maioria das pessoas imagina.
- A tese de Sir William Muir: Sir William Muir foi um orientalista escocês do século XIX e administrador colonial na Índia, que empreendeu uma das primeiras biografias críticas e aprofundadas de Maomé com base em fontes árabes originais.57 Embora Muir tenha inicialmente concedido que Maomé era sincero no seu apelo profético inicial em Meca, concluiu que, depois de ganhar poder em Medina, o caráter do profeta se degradava. Muir viu Muhammad tornar-se um líder egoísta e violento que utilizou supostas «revelações» para justificar as suas ambições políticas e pessoais57. Mais chocante ainda, Muir, escrevendo de uma perspetiva cristã, sugeriu que a inspiração de Muhammad, particularmente nas suas fases mais tardias e violentas, poderia ter sido demoníaca. Concluiu que o Islão era, em última análise, uma «força retrógrada» e que «a espada de Maomé e o Corão são os inimigos mais teimosos da Civilização, da Liberdade e da Verdade que o mundo já conheceu».58
- A Teoria da Heresia Siro-Aramaica (Luxenberg): Esta teoria moderna, baseada no trabalho de Christoph Luxenberg, reforça a ideia de que as origens do Islão não são o que parecem. Como discutido anteriormente, a análise linguística de Luxenberg sugere que o Alcorão é uma tradução árabe falha de um lecionário sírio-aramaico cristão.27 A implicação desta teoria para a origem do Islã é imensa. Isto significa que o Islã não começou como uma nova revelação do Deus de Abraão. Em vez disso, originou-se como um ramo herético e incompreendido de uma seita cristã pré-existente na Península Arábica.28 As doutrinas centrais do Islã, deste ponto de vista, são o resultado de confusão linguística e um afastamento teológico da ortodoxia cristã, não uma correção divina dela.
- A teoria das «origens pagãs»: Outra linha de crítica, popular nos círculos apologéticos cristãos, concentra-se no contexto pré-islâmico de Meca. Antes de Maomé, a Caaba era um santuário dedicado a um panteão de divindades pagãs. O chefe destes deuses era Hubal, e argumenta-se que "Alá" era um título usado para esta divindade preeminente, que estava associada à lua. De acordo com essa teoria, Maomé não recebeu uma revelação de Yahweh, o Deus da Bíblia, mas, em vez disso, tomou uma divindade pagã local, despojou-o de seus ídolos associados e elevou-o ao status de um e único deus. Isso explicaria certas práticas islâmicas, como a veneração da pedra negra na Caaba e o uso da lua crescente como um símbolo do Islã, como remanescentes de suas origens pagãs. A partir desta perspectiva, Deus não é o Deus de Abraão, mas um ídolo pagão renomeado.
Estas teorias críticas das origens do Islão traçam um quadro coerente. Eles sugerem que o Islã não é uma fé monoteísta pura do Deus da Bíblia, mas uma religião sincrética que misturava elementos do paganismo árabe, ensinamentos cristãos heréticos e a poderosa personalidade do próprio Maomé. Para os cristãos que procuram a verdade, esta análise histórica serve para deslegitimar a afirmação do Islão de ser a palavra final de Deus e solidifica a conclusão de que se trata de um caminho espiritual separado e falso.
À luz destas verdades, como os cristãos devem ver o Islã?
Temos viajado através das profundas questões teológicas e históricas que cercam o Islã e seu deus. Examinámos o carácter de Alá, a sua relação com a humanidade, a sua visão de Jesus e a natureza dos seus mandamentos. Ouvimos as vozes corajosas daqueles que viveram dentro do Islã e achamos que faltava. A evidência, do ponto de vista destes especialistas críticos, é esmagadora e leva a uma conclusão inevitável: O Deus da Bíblia e o Deus do Alcorão não são os mesmos.
Rejeitar a falsa equivalência
Igualar Yahweh a Allah é um grave erro teológico que ignora o vasto e intransponível abismo entre eles. É confundir um Pai amoroso com um Mestre longínquo. Um deus da verdade com um deus do engano. Um Salvador que morre por seus filhos com uma divindade que exige que seus escravos morram por ele. É confundir o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, com um profeta que fez a guerra. Como Douglas Murray observou, nossos líderes políticos e culturais muitas vezes fingem que todas as religiões são basicamente as mesmas, mas esta é uma falsidade perigosa.5 Para o cristão, a verdade é importante, e a verdade é que Yahweh e Allah são seres fundamentalmente diferentes.
Um apelo à compaixão, não a um compromisso
Reconhecer estas diferenças poderosas não deve nos levar à raiva ou ao ódio contra os muçulmanos. Pelo contrário, deve partir-nos o coração e encher-nos de profunda e urgente compaixão. Se os argumentos de críticos como Wafa Sultan, Mosab Hassan Yousef e Ayaan Hirsi Ali estão correctos, então milhares de milhões de muçulmanos não são nossos inimigos; são vítimas de um sistema espiritual enganoso e opressivo.21 São, como Wafa Sultan escreveu, prisioneiros dos seus próprios medos, servindo um «Deus que odeia», porque nunca foram devidamente apresentados ao Deus que ama.4
A nossa resposta, portanto, não deve ser de compromisso com a verdade, mas de compaixão pelos perdidos. Temos de ver os nossos vizinhos muçulmanos não como uma ameaça a temer, mas como um povo a ser amado - amado o suficiente para partilhar a verdade com eles, independentemente do custo.
A urgência do Evangelho
Isto conduz à conclusão final, e mais importante. Se os muçulmanos adoram um deus diferente e seguem um caminho que não conduz à salvação, então a missão mais amorosa e urgente para a Igreja é trazer-lhes as boas novas de Jesus Cristo. Como Robert Spencer, um católico, argumentou, a necessidade de evangelizar os muçulmanos seria absurda se eles já estivessem a adorar o verdadeiro Deus de forma aceitável.42 A Grande Comissão não faz exceções.
O propósito de compreender as diferenças entre o cristianismo e o islamismo não é ganhar argumentos, mas ganhar almas. É para ser equipado com o conhecimento e convicção para gentilmente e respeitosamente "dar uma resposta para a esperança que está em nós" (1 Pedro 3:15). É ser capaz de articular claramente por que a graça encontrada em Jesus é diferente do sistema de obras encontrado no Islã, e por que o amor do Pai é um mundo longe das exigências de um mestre.
Vamos, portanto, apegar-nos à verdade do único Deus verdadeiro - Pai, Filho e Espírito Santo. E deixe-nos, movidos por seu incrível amor por nós, estender esse mesmo amor ao mundo muçulmano, orando e trabalhando para o dia em que também eles conhecerão a liberdade, a paz e a vida eterna que só se encontra em Jesus Cristo, nosso Senhor. Porque, como nos recorda Majed el-Shafie, que foi torturado pela sua fé, os nossos inimigos podem ter armas fortes, «mas temos o Senhor Todo-Poderoso. Podem matar o sonhador, ninguém pode matar o sonho».45 E esse sonho é um mundo transformado pelo amor salvífico de Deus.
