Mãe das Nações: 10 Perguntas Respondedas Sobre a Incrível Vida de Fé de Sarah
Na grande história das Escrituras, algumas figuras destacam-se não apenas por suas ações heróicas, mas por suas viagens profundamente humanas e relacionáveis. Sara, a mulher de Abraão, é uma dessas almas. A sua história não é uma ascensão simples e impecável à santidade, mas uma paisagem de tirar o fôlego de poderosos anseios, erros de partir o coração, momentos de dúvidas espantosas e uma fé definitiva e resiliente que mudou o curso da história.
Muitas vezes encontramos Sarah como uma figura num vitral, distante e serena. Mas o relato bíblico apresenta uma mulher de carne e osso, cujo coração doeu com a vergonha da esterilidade e cujo espírito lutou com as promessas de Deus. A sua vida é um testemunho poderoso e reconfortante de um Deus que não tem medo das nossas complexidades. Ele encontra-nos nas nossas vidas confusas e imperfeitas e, através da Sua graça inabalável, usa as nossas histórias para realizar os Seus gloriosos propósitos. À medida que exploramos os detalhes fascinantes da sua vida, descobrimos que a sua viagem — marcada por «fé triunfante e fracassos sombrios» 1 — oferece lições poderosas para a nossa própria caminhada com Deus.
Quem era Sara na Bíblia?
Compreender Sara é compreender as próprias raízes da história da salvação. Era muito mais do que a mulher de Abraão. era um pilar fundamental do plano redentor de Deus, uma mulher escolhida da obscuridade para se tornar uma «mãe de nações».2 Enquanto primeira das quatro grandes matriarcas do povo judeu, a sua vida marca o início da família pactual através da qual o mundo seria abençoado.2 Reverenciada no judaísmo, no cristianismo e no Islão, é recordada como uma mulher de forte piedade, beleza e compromisso inabalável tanto para com o seu marido como para com o seu Deus.6
A sua história começa não na fé, mas num mundo de paganismo. Originalmente chamada Sarai, ela nasceu em uma família rica e prestigiada na cidade de Ur dos Caldeus, uma sociedade que adorava um panteão de deuses. Era uma «gentia convertida» que, através da fé, se tornaria a reverenciada «Mãe da Nação Judaica».7 A sua viagem de uma visão de mundo pagã para uma relação de aliança com o único Deus verdadeiro serve de modelo intemporal para a experiência pessoal de conversão de cada crente.
Os laços familiares eram complexos. A Bíblia registra Abraão referindo-se a ela como sua meia-irmã, compartilhando um pai, mas não uma mãe.6 Isto é ainda mais iluminado pela tradição judaica, que a identifica com a pessoa de Iscah, tornando-a sobrinha de Abraão.6 Este fundo tribal unido sublinha a magnitude de sua decisão de deixar tudo o que sabiam - família, cultura e segurança - para seguir o chamado de Deus para o desconhecido.
Aos 65 anos, Sarai embarcou nesta viagem de fé, deixando uma vida de conforto urbano para a existência acidentada e nómada de um errante. Este ato de coragem estabeleceu-a como parceira de pleno direito na missão de Abraão. A tradição judaica afirma que ela era uma poderosa força espiritual por direito próprio; enquanto Abraão ensinava aos homens sobre Deus, Sara guiou e «converteu» as mulheres, tornando-a a «primeira mulher evangelista».4
Ao longo da sua história, a sua beleza excecional é um tema recorrente. Foi tão impressionante que se tornou uma fonte de admiração e de perigo, levando Abraão a temer pela sua vida quando viajavam para terras estrangeiras como o Egito e Gerar.8 Estas provações, nascidas da sua aparência física, testariam repetidamente a sua fé e revelariam a mão protetora de Deus sobre a mulher que detinha a chave da Sua promessa pactual.
O que o nome muda de Sarai para Sarah significa para nós?
No mundo antigo, um nome não era apenas um rótulo. foi uma declaração da própria essência, caráter e destino.10 Por conseguinte, o momento em que Deus interveio para mudar o nome de Sarai para Sarai foi um acontecimento de imensa importância espiritual. Não se tratou de uma simples atualização; foi um comissionamento divino, uma nova identidade concedida pelo próprio Deus ao formalizar a sua aliança em Génesis 17.6
O significado dos nomes revela a profundidade desta transformação. «Sarai» é geralmente entendido como «minha princesa», um termo que é pessoal e possessivo, definindo-a em relação ao seu marido e à sua família.8 Mas Deus renomeou-a «Sarah», que significa «princesa» ou «nobre» num sentido universal e autoritário.8 Esta mudança significou que a sua influência já não se limitaria à sua própria tenda. Ela estava sendo elevada de uma matriarca privada para uma figura pública cujo legado tocaria o mundo inteiro. Deus declarou: "Ela será a mãe das nações; dela virão os reis dos povos" (Génesis 17:16).12
Este acto divino foi uma poderosa redefinição da sua identidade. O seu antigo nome, Sarai, estava enraizado na sua relação com o homem — a princesa de Abraão. O seu novo nome, Sara, estava enraizado na sua relação de aliança com Deus — a sua princesa escolhida para um propósito global. A tradição judaica ilustra isso lindamente ao notar que Deus acrescentou a letra hebraica heh ( ⁇ )—uma carta do seu próprio nome sagrado—aos nomes de Abrão e de Sarai, inspirando-lhes simbolicamente a sua própria vida e propósito.4
Esta mudança de nome estava inextricavelmente ligada ao cumprimento da promessa que lhe havia escapado durante décadas. Foi um prefácio directo ao anúncio de que ela, Sara, apesar da sua idade avançada e estéril para toda a vida, levaria Isaac, o filho há muito esperado da aliança.10 O seu novo nome era um selo desta promessa impossível, uma declaração de que a sua identidade já não era definida pelo seu passado de estéril, mas pelo seu futuro como mãe de nações. Para os crentes de hoje, isto fornece um modelo poderoso de nossa própria transformação em Cristo. A nossa identidade já não é definida pelo nosso passado, pela nossa família ou pelas nossas limitações pessoais, mas pelo novo nome e vocação que recebemos como filhos do Rei.
Por que Sara riu da promessa de Deus?
O riso de Sara é um dos momentos mais famosos e profundamente humanos de todas as Escrituras. É um momento que revela a tensão crua entre as promessas incríveis de Deus e a nossa frágil perspetiva terrestre. Quando três visitantes divinos apareceram na sua tenda em Génesis 18 e declararam que, dentro de um ano, Sara, de 90 anos, teria um filho, a promessa tornou-se chocantemente imediata.8 Ouvindo isto da porta da tenda, «Sarah riu para si mesma» (Génesis 18:12).8
Não era o riso da alegria, mas da incredulidade. Foi uma resposta nascida de uma vida de desapontamento e da dura realidade de sua condição física. A Bíblia diz-nos que ela estava «desgastada», depois da idade fértil, e o seu marido Abraão também era velho.13 O seu riso silencioso foi uma reação profundamente pessoal e interna ao que parecia ser uma «desproporção absurda entre a promessa divina e a possibilidade humana».14 Era o som de um coração que talvez se tivesse protegido de mais dor ao aceitar o impossível como tal — impossível.
A resposta de Deus à sua dúvida oculta é notável pela sua gentileza e poder. Ele não faz chover fogo, mas faz uma pergunta simples e que altera o mundo: «Alguma coisa é demasiado difícil para o Senhor?» (Génesis 18:14).13 Esta pergunta foi um convite divino para tirar os olhos dos seus próprios limites e fixá-los na onipotência de Deus. Ele reformulou toda a situação, movendo-a do reino da biologia humana para o reino do poder divino. Quando Sara, agarrada pelo medo, negou seu riso, Deus não se envolveu em uma longa repreensão. Ele respondeu de forma simples e sincera: «Não, mas tu riste-te», responsabilizando-a e cumprindo com ternura a Sua promessa.17
A história encontra a sua bela conclusão em Génesis 21. Tal como Deus prometeu, Sara dá à luz um filho. O seu riso de dúvida transforma-se milagrosamente num riso de pura alegria. Exclama: «Deus fez-me rir, e todos os que ouvirem falar disso rirão comigo» (Génesis 21:6).19 O seu ceticismo pessoal e privado torna-se um testemunho público da fidelidade de Deus. E, num toque de poesia divina, chamam o seu filho Isaac, que em hebraico significa «ele ri».4 Durante o resto da sua vida, o próprio nome do seu amado filho seria uma recordação alegre e constante de como Deus a encontrou na sua dúvida e a transformou numa celebração gloriosa.
Como a história de Sarah nos ensina a esperar em Deus?
A espera é uma das disciplinas mais difíceis da vida espiritual e a história de Sarah é uma aula de excelência nos seus desafios e recompensas. Desde o momento em que Deus prometeu pela primeira vez fazer de Abraão uma grande nação em Génesis 12, Sara e o seu marido iniciaram uma vigília de 25 anos à espera de uma criança que nunca veio.21 Durante décadas, ela viveu com a dor de um ventre vazio, uma condição que, na sua cultura, trouxe não só tristeza pessoal, mas também vergonha pública, uma vez que era muitas vezes vista como um sinal de desfavor divino.1
A imensa pressão desta longa espera levou a um dos erros mais consequenciais de sua vida. Depois de dez anos em Canaã sem filhos, a paciência de Sarah deu lugar a um plano nascido do desespero. Deu o seu servo egípcio, Agar, a Abraão, dizendo: «Talvez eu possa construir uma família através dela» (Génesis 16:2).6 Esta tentativa de «ajudar» Deus, de cumprir uma promessa divina através da engenharia humana, revela a poderosa tentação que todos enfrentamos quando o tempo de Deus parece demasiado lento.16 Foi um passo em falso sem fé que introduziria imensa dor e conflito na sua família.25
No entanto, havia um poderoso propósito teológico no atraso de Deus. A Bíblia sugere que Deus esperou até que Abraão e Sara estivessem fisicamente "tão bons quanto mortos" em termos de capacidade reprodutiva (Romanos 4:19).21 Isto foi intencional. Ao esperar que toda a esperança humana se extinguisse, Deus assegurou que o nascimento de Isaque não pudesse ser visto como uma maravilha da natureza, mas como um milagre inegável do seu poder divino.21 A espera foi concebida para despojar cada grama de autossuficiência e pôr a glória de Deus em plena exibição. Estabeleceu um princípio fundamental do pacto: As promessas de Deus são cumpridas pelo seu poder e pelo seu calendário, e não pela nossa capacidade ou pelo nosso calendário.
O autor de Hebreus explicita esta ligação, ensinando que é «através da fé e da paciência nós herdar as promessas» (Hebreus 6:12).21 Sara encarna esta verdade. A sua história ensina-nos que esperar em Deus não é um exercício passivo e vazio. É um estado activo, muitas vezes doloroso, de confiar no Seu poder sobrenatural sobre as nossas ansiedades naturais. A alegria que ela experimentou ao segurar Isaque tornou-se imensamente mais doce pelos longos e estéreis anos que a precederam, tornando-a uma prova intemporal do tempo perfeito, poderoso e sempre confiável de Deus.
O que podemos aprender com a relação complicada de Sarah com Hagar?
A dolorosa história de Sara e Agar é uma das narrativas mais emocionalmente carregadas e teologicamente ricas de Génesis. Oferece um olhar sóbrio sobre as consequências destrutivas do medo e do ciúme, revelando simultaneamente o alcance de tirar o fôlego da graça de Deus e a poderosa diferença entre o esforço humano e a promessa divina.
O conflito foi desencadeado pelo próprio plano de Sarah, nascido do desespero da sua esterilidade. Deu a sua escrava egípcia, Agar, a Abraão como substituto, uma tentativa culturalmente aceitável, mas espiritualmente equivocada, de cumprir a promessa de Deus através dos seus próprios meios.19 No momento em que Agar concebeu, a harmonia doméstica estilhaçou-se. Hagar, agora carregando o herdeiro, começou a olhar para sua amante com desprezo. Sara, sentindo sua posição e dignidade ameaçadas, reagiu com amargura e crueldade, maltratando Agar tão duramente que a serva grávida fugiu para o deserto implacável.16
É neste momento sombrio que a compaixão de Deus brilha intensamente. Um anjo encontra Hagar por uma primavera, dirigindo-se a ela não como uma escrava fugitiva, mas como uma pessoa de valor. Ele lhe promete que seu filho, Ismael, também será o pai de uma grande nação. Em resposta a este cuidado terno, Hagar torna-se a primeira pessoa na Bíblia a dar um nome a Deus: El Roi, «o Deus que me vê» (Génesis 16:13).29 Este encontro poderoso demonstra que a misericórdia de Deus não se limita à linha da aliança; Ele vê e cuida dos marginalizados e dos oprimidos.
Anos mais tarde, depois que Isaac nasceu, o conflito irrompe novamente. Sarah vê a adolescente Ismael zombando de seu filho, Isaac. Temendo a herança e o destino do seu filho, faz uma exigência dolorosa: «Livrai-vos dessa escrava e do seu filho» (Génesis 21:10).19 Enquanto isso angustiava profundamente Abraão, Deus afirmou a ação de Sara. Instruiu Abraão a ouvir a sua mulher, esclarecendo que o pacto da promessa seria contabilizado especificamente através de Isaac.4 A validação de Deus sugere que a exigência de Sara, embora aparentemente severa, nasceu de uma visão profética para proteger a linha de promessa única e ordenada por Deus.
Séculos depois, o apóstolo Paulo viu nesta tragédia doméstica uma poderosa alegoria espiritual. Na sua carta aos Gálatas, explica que Agar e Ismael, nascidos do esforço humano («a carne»), representam o antigo pacto da Lei, que conduz à escravidão. Sara e Isaac, nascidos de uma promessa sobrenatural, representam o novo pacto da graça através de Cristo, que conduz à liberdade.27 Numa reviravolta notável dos acontecimentos, o maior ato de incredulidade de Sara criou ironicamente a própria narrativa que Deus usaria para ilustrar a superioridade do pacto da graça que ela sempre quis encarnar. O erro dela tornou-se uma ferramenta de ensino para toda a eternidade.
Por que Abraão e Sara fingiram ser irmãos?
Duas vezes no livro de Gênesis, encontramos o preocupante relato de Abraão, o grande patriarca da fé, enganando reis estrangeiros ao apresentar sua bela esposa, Sara, como sua irmã. Estes episódios, primeiro com o faraó no Egito (Génesis 12) e mais tarde com o rei Abimeleque em Gerar (Génesis 20), são lembretes gritantes da humanidade e fraqueza até mesmo das figuras bíblicas mais reverenciadas.
Em ambas as situações, a motivação de Abraão era o medo. Temendo que um governante poderoso o matasse para tomar Sara para si, optou por proteger a sua própria vida colocando a sua mulher — a própria mulher através da qual a promessa de Deus de mudar o mundo devia ser cumprida — numa posição de extrema vulnerabilidade.7 Este foi um claro e repetido fracasso de fé. Em vez de confiar na proteção de Deus, Abraão recorreu a uma mentira de autopreservação. Na cultura patriarcal da época, o papel de Sarah era de obediência ao marido, deixando-a com pouca escolha a não ser acompanhar o perigoso engano.7
O verdadeiro herói destas histórias é o próprio Deus. Em ambos os casos, como Sara é levada para um harém real, Deus intervém direta e dramaticamente para protegê-la e preservar a integridade de seu pacto. Infligiu «doenças graves ao faraó e à sua casa» (Génesis 12:17) e apareceu a Abimeleque num sonho, avisando-o de que estava «tão bem como morto» porque Sara era uma mulher casada (Génesis 20:3).9
No segundo incidente, quando confrontado por Abimeleque, Abraão oferece uma defesa de que sua mentira era na verdade uma meia-verdade: «Ela é minha irmã; é a filha de meu pai, mas não a filha de minha mãe» (Génesis 20:12).6 Embora isto possa ter sido factualmente exato, a sua intenção era enganar e resultou de um coração de medo, não de fé.
Estes repetidos fracassos são incluídos nas Escrituras por uma poderosa razão teológica. Demonstram o caráter incondicional da aliança de Deus. A promessa que Deus fez a Abraão e Sara não dependia da sua perfeição moral ou da sua coragem inabalável. A sua segurança repousava inteira e unicamente na fidelidade de Deus. O facto de Deus ter socorrido soberanamente Sara, mesmo quando a fé de Abraão vacilou, é uma poderosa ilustração da preservação da aliança. Ensina-nos que o plano divino de Deus nunca está à mercê da fraqueza humana. Os nossos fracassos, por maiores que sejam, não podem descarrilar os propósitos imparáveis do nosso Deus fiel.
Como Sara é lembrada como uma heroína da fé no Novo Testamento?
Quando os escritores do Novo Testamento olharam para a vida de Sara, viram mais do que suas lutas e erros. Através da lente da realização de Cristo, destilaram a sua complexa jornada num retrato poderoso e inspirador da fé, sustentando-a como um modelo fundamental para todos os crentes.
A sua menção mais proeminente encontra-se em Hebreus 11, o grande «Salão da Fé». Sara é uma das poucas mulheres homenageadas pelo nome neste capítulo. A autora escreve: «Pela fé, até Sara, que tinha ultrapassado a idade fértil, pôde dar à luz filhos porque considerava fiel aquele que fizera a promessa» (Hebreus 11:11).7 Este versículo é extraordinário. Não ignora a sua dúvida e o seu riso anteriores; pelo contrário, vê toda a trajetória da sua vida e conclui que a sua postura definitiva e definidora era de fé. Ensina que a fé verdadeira e salvadora não é um estado perfeito e estático, mas uma confiança perseverante que, apesar dos tropeços, em última análise, repousa sobre o caráter de Deus.
O apóstolo Paulo dá a Sara um papel central na sua teologia da graça. Em Gálatas 4, ele usa sua história como uma poderosa alegoria para os dois pactos. Sarah, a «mulher livre», e o seu filho Isaac, nascido milagrosamente pela promessa, representam o novo pacto da graça. Todos os que creem em Cristo são seus filhos espirituais, herdeiros da liberdade. Isso contrasta com Agar, a mulher escrava, cujo filho nasceu do esforço humano e representa o antigo pacto da lei que leva à escravidão.
Finalmente, o apóstolo Pedro apresenta Sara como um modelo para as mulheres cristãs em 1 Pedro 3. Louva-a pela sua atitude respeitosa em relação a Abraão, observando que ela «chamou-o senhor».35 Esta não é uma ordem para as mulheres se submeterem a comportamentos pecaminosos ou abusivos, como alguns interpretaram mal. Pelo contrário, Pedro está a destacar a «pessoa oculta do coração» de Sara — uma disposição interior de respeito e confiança no seu casamento que refletia a sua confiança última em Deus.32 Foi o seu espírito gentil e tranquilo, enraizado na fé, que elogiou.
O retrato que o Novo Testamento faz de Sara mostra-nos que Deus, na sua graça, escolhe recordar a nossa fé e não os nossos fracassos. A sua história é uma bela ilustração da justificação pela fé: Foi considerada justa não por causa de seu desempenho impecável, mas porque, em última análise, acreditou naquele que fez a promessa.
Que milagres, além do nascimento de Isaac, estão associados a Sarah?
Embora o nascimento milagroso de Isaac aos 90 anos seja a intervenção divina mais famosa na vida de Sarah, a tradição judaica, com base na rica história oral registada no Midrash, fala de outros milagres consistentes que marcaram a sua casa como um lugar de especial favor divino.4 Estas tradições pintam um quadro de Sarah não apenas como uma futura matriarca, mas como a âncora espiritual da sua casa.
De acordo com estas fontes antigas, enquanto Sara estava viva, três milagres específicos eram uma bênção constante em sua tenda:
- Uma luz perpétua: Diz-se que a lâmpada que Sarah acendeu para receber o sábado na sexta-feira à noite milagrosamente continuaria a queimar intensamente durante toda a semana, apenas sendo extinta quando ela acendeu a nova lâmpada na sexta-feira seguinte. Isto simbolizava a presença sem fim da luz, da sabedoria e da paz de Deus em sua casa.4
- Uma benção no pão: O challah, ou pão, que Sara assou foi sobrenaturalmente abençoado. Manteve-se sempre fresco e foi milagrosamente suficiente para todas as suas necessidades e para os muitos convidados que acolheram, simbolizando a provisão constante e abundante de Deus.4
- Uma Nuvem de Glória: Uma nuvem tangível, que representa a Shekhinah ou a presença gloriosa de Deus, pairava continuamente sobre a entrada da tenda de Sara. Isto marcou a sua habitação como um espaço sagrado, um santuário onde a presença de Deus se manifestava de forma única.4
Estes três sinais - luz, provisão e presença divina - são os mesmos símbolos que mais tarde seriam centrais para o culto no Tabernáculo e no Templo. Esta tradição sugere fortemente que o espaço doméstico de Sarah era uma espécie de «micro-santuário», com a própria Sarah a atuar como um canal para a santidade de Deus.
O significado destes milagres é ressaltado pelo que aconteceu depois de sua morte. As tradições ensinam que todos os três milagres cessaram quando Sara morreu. Só reapareceram quando Isaac, procurando honrar a sua mãe, trouxe a sua nova mulher, Rebecca, para a tenda de Sarah. O regresso da lâmpada ardente, do pão abençoado e da nuvem divina foi o sinal para Isaac de que Rebecca era uma digna sucessora espiritual da sua mãe, e foi então que ele foi consolado após a sua perda.4 Estas histórias elevam o papel de Sarah do biológico para o profundamente espiritual, retratando-a como o coração da relação da família da aliança com Deus.
Qual é a posição da Igreja Católica sobre Santa Sara?
A Igreja Católica tem grande estima pelos santos e santas do Antigo Testamento, reconhecendo-os como santos que fazem parte da grande «nuvem de testemunhas» no céu. O Catecismo da Igreja Católica afirma que «os patriarcas, os profetas e algumas outras figuras do Antigo Testamento foram e serão sempre honrados como santos em todas as tradições litúrgicas da Igreja» (CPC 61).38
Sara, a esposa de Abraão, está oficialmente incluída entre estes santos. Apesar de não ter um dia de festa no calendário litúrgico universal, que é celebrado com uma missa dedicada em cada católico, ela é formalmente listada no calendário litúrgico universal. Martirológio romano, o catálogo oficial de santos da Igreja. O dia da festa é registrado como 1o de setembro.6 Algumas fontes também mencionam 19 de agosto, o que pode refletir calendários mais antigos ou observâncias locais.41
É muito importante, mas distinguir Santa Sara, a matriarca, de outra figura da tradição popular, que também é por vezes chamada «Santa Sara». Esta situação pode ser fonte de grande confusão.
Santa Sara-la-Kâli, ou «Sarah the Black», é uma amada santa padroeira do povo romani (cigano), mas é não A sua veneração é uma forma de catolicismo popular centrado na cidade de Saintes-Maries-de-la-Mer, na região de Camargue, no sul da França. Segundo a lenda, foi a criada egípcia que acompanhou as «Três Marias» (Maria Salomé, Maria Jacobe e, por vezes, Maria Madalena) quando fugiram da perseguição e chegaram a França de barco no século I d.C.43 O seu dia de festa e uma grande peregrinação têm lugar em 24 de maio.43 Alguns estudiosos sugerem que a veneração de Sara-la-Kâli pode ter origens sincréticas, misturando histórias cristãs com tradições relacionadas com a deusa hindu Kali, que o povo romani pode ter trazido consigo da sua pátria ancestral na Índia43.
Para evitar confusões, os dois valores são comparados a seguir.
| Característica | Santa Sara, a matriarca | Santa Sara-la-Kâli (Santa Folclórica) |
|---|---|---|
| Identidade | A mulher de Abraão, mãe de Isaque | Servo das Três Marias |
| Período de tempo | c. Século XX a.C. (Era Patriarcal Bíblica) | Século I d.C. (Legendário) |
| Localização principal | Antigo Oriente Próximo (Ur, Canaã, Egito) | Saintes-Maries-de-la-Mer, França (Legenda) |
| Narrativa-chave | Génesis 11-23: Pacto com Deus, nascimento milagroso de Isaque | Chegada à França de barco com os Marys |
| Veneração | Oficialmente reconhecido no Martirológio romano 6 | Catolicismo popular, sobretudo pelo povo romani 43 |
| Dia da festa | 1o de setembro (no Martirológio Romano) 6 | 24 de maio (Dia da Peregrinação) 43 |
Qual é hoje o legado duradouro de Sarah para os crentes?
O legado de Sara é um presente rico e duradouro para os crentes. Ela ergue-se não como um ícone distante e perfeito, mas como um antepassado profundamente relacionável na fé, cuja história de vida continua a oferecer esperança, encorajamento e sabedoria.
O seu maior legado é um dos A fé, não a perfeição. A história de Sarah dá-nos permissão para sermos humanos. Duvidou, temeu, ficou impaciente e cometeu erros graves.1 No entanto, o veredicto final sobre sua vida, tanto do Antigo como do Novo Testamento, é que ela era uma mulher de grande fé. Ela ensina-nos que o caminho da fé não é sobre a ausência de luta, mas sobre a perseverança através dela. A sua vida é um belo testemunho de que a graça de Deus é suficiente para as nossas fraquezas e de que Ele nos chama a uma fé que, em última análise, assenta na sua fidelidade e não no nosso próprio desempenho sem falhas13.
Também é lembrado como o Mãe de uma vasta família espiritual. Enquanto ela era a mãe física de uma nação através de Isaac, o seu legado espiritual é ilimitado.3 Como o apóstolo Paulo explicou tão brilhantemente, todos os que partilham da fé de Cristo são filhos da promessa, tornando-nos os descendentes espirituais de Sara, a «mulher livre».25 A sua tenda, uma vez tranquila com a tristeza da esterilidade, tornou-se a casa simbólica de uma família tão numerosa como as estrelas.
A sua vida é um testemunho monumental do incrível poder de Deus. A história de uma mulher de 90 anos que dá à luz é um memorial permanente à verdade de que Nada é demasiado difícil para o Senhor.16 A sua viagem desde um ventre considerado «morto» até aos gritos alegres de um filho recém-nascido ecoa ao longo dos séculos como prova da capacidade de Deus para tirar a vida da morte, a esperança do desespero e a realização da impossibilidade.21
Sara é um exemplo duradouro de uma vida transformada por um encontro com o Deus vivo. A sua história oferece lições intemporais sobre a dolorosa loucura de tentar forçar a mão de Deus e a poderosa paz que advém de confiarmos no Seu tempo.1 Enquanto esposa devota, mãe ferozmente protetora e verdadeira heroína da fé, a vida de Sara encoraja-nos a prosseguir as nossas próprias jornadas com coragem, sabendo que o mesmo Deus fiel que a guiou está a guiar-nos e que nos verá em casa.1
