
A loggia central da Basílica de São Pedro. / Crédito: Jeffrey Bruno (CNA)
Cidade do Vaticano, 28 de julho de 2025 / 17:33 (CNA).
A Administração do Património da Sé Apostólica (APSA) — a entidade responsável pela gestão dos imóveis e investimentos da pequena cidade-estado — apresentou, em 28 de julho, a sua demonstração financeira relativa ao exercício de 2024, com lucros líquidos de 62,2 milhões de euros ($72,1 milhões), um dos números mais altos registrados desde que estes relatórios começaram a ser publicados.
Além disso, contribuiu com 46,1 milhões de euros ($53,4 milhões) para cobrir o défice da Santa Sé, 8 milhões de euros ($9,27 milhões) mais do que em 2023.
"Esta é uma das melhores demonstrações financeiras dos últimos anos", enfatizou o presidente da APSA, o arcebispo Giordano Piccinotti, em comunicado à imprensa. Categoria: Meios de comunicação do Vaticano. Explicou que estes resultados refletem não só uma gestão eficaz, mas também um compromisso crescente com a missão da Igreja, uma visão estratégica do património e um modelo de trabalho baseado na transparência, na colaboração e no bem comum.
Uma visão eclesial do património
«A APSA não se limita a oferecer serviços operacionais», explicou Piccinotti na introdução do relatório, «mas configura-se como uma organização ao serviço da missão da Igreja Católica».
O relatório reflete os frutos de uma estratégia centrada em três princípios orientadores. A primeira é uma visão eclesial do património: compreender que os bens geridos não são fins em si mesmos, mas instrumentos para servir a comunhão eclesial e promover um sentimento de pertença à Igreja. O segundo princípio é a colaboração e a transparência: foram realizados investimentos nas relações interinstitucionais, no reforço das competências internas e em processos claros e rastreáveis com responsabilidades definidas. O terceiro é o bem comum como critério orientador: A gestão foi orientada para decisões que respondem a critérios éticos e pastorais, procurando construir sinergias com outras entidades da Santa Sé.
Rendibilidade recorde: Ética e estratégia
O resultado de 2024 representa um excedente de 16 milhões de euros ($18,5 milhões) superior à de 2023, quando o lucro foi de 45,9 milhões de euros ($53,2 milhões).
Parte dos lucros foi afetada ao orçamento do Vaticano (conhecido como «fabbisogno») da Cúria Romana, que totalizou 170,4 milhões de euros ($197,5 milhões). A contribuição da APSA foi repartida por uma parte fixa de 30 milhões de euros ($34,7 milhões) e uma parte variável equivalente a 50% do lucro líquido residual, atingindo assim 46,1 milhões de euros ($53,4 milhões).
Piccinotti explicou que o aumento se deve a uma melhor gestão e avaliação dos ativos. «Estamos a cumprir o nosso dever: O Tribunal fornece uma cobertura significativa para o défice financeiro da Cúria. Não se trata apenas de arrendar propriedades vazias. Reestruturamos a gestão imobiliária, permitindo arrendamentos a preços de mercado, o que gera recursos adicionais.»
No que diz respeito aos investimentos financeiros, em 2024, a APSA adotou as orientações do Comité de Investimento da Santa Sé, utilizando contas de gestão separadas (SMAs) semelhantes aos fundos de investimento privado. Isto permitiu vendas em pontos altos e reinvestimento estratégico, alcançando um retorno de 8,51%, representando 10 milhões de euros ($11,6 milhões) mais do que em 2023.
Estabilidade na gestão imobiliária
A gestão imobiliária — que representa uma parte fundamental dos ativos da Santa Sé — gerou receitas estáveis de 35,1 milhões de euros ($40,7 milhões). Este resultado foi possível graças a um «efeito combinado»: um aumento das receitas com rendas (+3,2 milhões de euros [$3,7 milhões] em Itália e +0,8 milhões de euros no estrangeiro [$.92 milhões]) e um aumento nas despesas, especialmente na manutenção (-3,9 milhões [-$4,5 milhões], dos quais 3,8 milhões de euros [$4,4 milhões] foram afetados à manutenção).
A APSA gere atualmente 4234 unidades imobiliárias em Itália, das quais 2866 são suas. Também detém ativos no exterior através de empresas afiliadas na Inglaterra, França, Suíça e Itália.
Transparência e serviço a terceiros
O relatório financeiro de 2024 é o quinto a ser publicado publicamente desde que esta prática de transparência começou em 2020, na sequência das reformas económicas promovidas pelo Papa Francisco. A APSA foi criada pelo Papa Paulo VI em 1967.
Em 2024, a organização pagou 6 milhões de euros ($6,9 milhões) em imposto predial municipal (IMU) e 3,19 milhões de euros ($3,69 milhões) em imposto sobre o rendimento das sociedades (IRES), refutando assim os rumores de isenções fiscais generalizadas.
Além disso, cerca de 40% do pessoal da APSA em serviços prestados a outras entidades do Vaticano, como a contabilidade ou a manutenção de nunciaturas apostólicas. «Não só contribuímos com lucros, mas também com serviços essenciais para a missão da Igreja», explicou Piccinotti.
Energias renováveis e perspetivas futuras
Entre os projetos notáveis conta-se Fratello Sole (Irmão Sol, uma alusão à obra de São Francisco de Assis «Cântico do Sol”), uma iniciativa para instalar um planta agrovoltaica na zona de Santa Maria di Galeria, orientada para a transição energética do Vaticano. O local foi visitado pelo Papa Leão XIV em 19 de junho como um sinal de seu apoio à ecologia integral.
«O objetivo é continuar a melhorar a cobertura do défice também em 2025», afirmou Piccinotti, resumindo com uma frase herdada do seu avô: «Não é possível obter mais de 15 quilos de cerejas de uma cerejeira. Estamos perto do limite, mas ainda há espaço para melhorias. A gestão já é boa, mas não estamos parados», concluiu.
Esta história Foi publicado pela primeira vez pela ACI Prensa, parceira noticiosa da CNA em língua espanhola. Foi traduzido e adaptado pela CNA.
