Que princípios bíblicos orientam a gestão financeira no casamento?
As Sagradas Escrituras oferecem-nos sabedoria poderosa para orientar a gestão financeira dentro do vínculo sagrado do casamento. No centro desta orientação está o reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus, e somos chamados a ser fiéis mordomos de Suas bênçãos. Como lemos em 1 Coríntios 4:2, "Agora é necessário que aqueles a quem foi dada uma confiança se provem fiéis."
Devemos lembrar que, no casamento, dois tornam-se uma só carne (Gênesis 2:24). Esta unidade estende-se a todos os aspectos da vida, incluindo as finanças. O princípio da unidade no casamento exige transparência, confiança mútua e tomada de decisões partilhadas em matéria financeira. Como parceiros na vida e na fé, os cônjuges são chamados a trabalhar em conjunto, apoiando-se mutuamente na sua gestão dos recursos de Deus.
A Bíblia também nos ensina a importância do contentamento e de evitar o amor ao dinheiro. Em 1 Timóteo 6:10, somos advertidos de que «o amor ao dinheiro é a raiz de todos os tipos de mal». Em vez disso, somos encorajados a encontrar a nossa satisfação em Deus e a utilizar os nossos recursos para a Sua glória. Este princípio orienta os casais a se concentrarem em valores eternos, em vez de riquezas mundanas, promovendo um espírito de generosidade e desprendimento dos bens materiais.
Provérbios 21:5 nos recorda o valor de um planejamento cuidadoso: «Os planos dos diligentes conduzem ao lucro tão seguramente como a pressa conduz à pobreza.» Esta sabedoria incentiva os casais a abordarem as suas finanças com reflexão e prospetiva, trabalhando em conjunto para criar orçamentos, estabelecer objetivos financeiros e tomar decisões sábias sobre despesas e poupanças.
A Bíblia enfatiza a importância da honestidade e da integridade em todas as nossas relações, incluindo as questões financeiras. Provérbios 11:1 nos diz: "O Senhor detesta balanças desonestas, mas pesos precisos lhe são favoráveis." Este princípio exige veracidade e transparência entre os cônjuges em todas as questões financeiras, evitando o sigilo ou o engano que podem corroer a confiança.
Por fim, não devemos esquecer o princípio bíblico da generosidade. Como lemos em 2 Coríntios 9:7, «Cada um de vós deve dar o que decidiu no seu coração dar, não com relutância ou compulsão, porque Deus ama um doador alegre.» Os casais são chamados a cultivar um espírito de generosidade, utilizando os seus recursos não só para as suas próprias necessidades, mas também para abençoar os outros e apoiar a obra do reino de Deus.
Como a Bíblia aborda o conceito de responsabilidade financeira partilhada entre os cônjuges?
Devemos considerar o princípio fundamental da unidade conjugal. Em Génesis 2:24, lemos que um homem deve «unir-se à sua mulher e tornar-se-á uma só carne». Esta unidade não é meramente física, mas estende-se a todos os aspetos da vida, incluindo as finanças. O apóstolo Paulo reforça esta afirmação em Efésios 5:31, citando a passagem do Génesis e acrescentando: «Este é um mistério poderoso — mas estou a falar de Cristo e da Igreja.» Esta analogia sugere que, tal como Cristo e a Igreja trabalham em harmonia, também os maridos e as mulheres devem trabalhar em todas as questões, incluindo as responsabilidades financeiras. Mas o que acontece se a unidade conjugal for quebrada, seja através do divórcio ou da morte? O recasamento é biblicamente aceitável? Esta é uma questão que tem sido debatida entre os teólogos cristãos durante séculos. Enquanto alguns argumentam que o novo casamento só é permitido em casos de adultério ou abandono, outros acreditam que o novo casamento é permitido em qualquer circunstância em que o casamento tenha terminado. Em última análise, a decisão de casar-se novamente deve ser feita com cuidadosa consideração dos princípios bíblicos de amor, perdão e reconciliação.
A Bíblia apresenta-nos também exemplos de responsabilidade partilhada no casamento. Em Provérbios 31, vemos um retrato de uma mulher capaz que está ativamente envolvida em assuntos financeiros. «Considera um campo e compra-o; planta uma vinha com os seus rendimentos" (Provérbios 31:16). Esta passagem ilustra que ambos os cônjuges podem e devem contribuir para o bem-estar financeiro da família, utilizando cada um os talentos e capacidades que lhe foram dados por Deus.
O princípio da submissão mútua, como ensinado em Efésios 5:21 – «Sujeitai-vos uns aos outros por reverência a Cristo» – aplica-se também às questões financeiras. Tal exige uma abordagem colaborativa da tomada de decisões financeiras, em que ambos os cônjuges ouçam e valorizem os contributos uns dos outros, procurando o consenso e não a dominação.
A Bíblia também enfatiza a importância da confiança e da comunicação aberta no casamento. Provérbios 31:11 afirma: «O seu marido confia plenamente nela e não lhe falta nada de valor.» Esta confiança é essencial na responsabilidade financeira partilhada, permitindo que ambos os parceiros contribuam plena e abertamente para a gestão financeira da família.
Em 1 Coríntios 7:4, Paulo escreve: «A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas cede-o ao marido. Do mesmo modo, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas cede-a à sua mulher.» Embora esta passagem fale principalmente de intimidade física, sublinha o princípio da autoridade e responsabilidade mútuas no casamento, que pode ser alargado às questões financeiras.
O conceito bíblico de mordomia aplica-se a ambos os cônjuges. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), Jesus ensina sobre a responsabilidade de gerir os recursos sabiamente. Tanto o marido como a mulher são chamados a ser bons mordomos dos recursos que Deus lhes confiou, trabalhando juntos para multiplicar estas bênçãos para o bem da sua família e dos outros.
É importante notar que, embora a Bíblia exija responsabilidade compartilhada, não prescreve uma abordagem única. Cada casal deve discernir, em espírito de oração, a melhor forma de aplicar estes princípios nas suas circunstâncias únicas, tendo em conta as suas forças individuais, competências e as necessidades da sua família.
Embora a Bíblia não forneça um plano detalhado para a divisão das tarefas financeiras entre os cônjuges, promove claramente um modelo de responsabilidade partilhada baseado na unidade, na submissão mútua, na confiança e na sábia gestão. Ao abraçar estes princípios, os casais podem trabalhar juntos em harmonia, honrar a Deus e fortalecer seu casamento através de sua parceria financeira.
O que as Escrituras dizem sobre o dízimo e a doação de caridade como um casal?
A prática do dízimo e da doação caridosa é uma bela expressão da nossa fé e gratidão a Deus, e assume um significado especial no contexto do casamento. Embora as Escrituras não forneçam instruções específicas para os casais sobre o dízimo e a doação de caridade, elas oferecem princípios poderosos que podem guiar-nos neste aspecto importante da nossa vida espiritual e conjugal.
Devemos lembrar que a prática do dízimo é anterior à Lei Mosaica. Vemos Abraão dar um décimo de seus despojos a Melquisedeque em Gênesis 14:20, e Jacó prometer dar um décimo de todos os seus bens a Deus em Gênesis 28:22. Isto sugere que o dízimo não é apenas uma obrigação legal, mas uma prática espiritual enraizada na gratidão e na adoração.
Em Malaquias 3:10, encontramos uma exortação poderosa: «Traga todo o dízimo para o armazém, para que possa haver comida na minha casa. Testa-me nisto», diz o Senhor Todo-Poderoso, «e vê se não vou abrir as comportas do céu e derramar tanta bênção que não haverá espaço suficiente para a guardar.» Esta passagem recorda-nos que o dízimo não se trata apenas de dar, mas de confiar na provisão de Deus e de experimentar as Suas bênçãos.
Para os esposos, a decisão de dar o dízimo e a caridade deve ser partilhada, refletindo a sua unidade em Cristo. Como Paulo escreve em 2 Coríntios 9:7, «Cada um de vós deve dar o que decidiu dar no seu coração, não com relutância ou compulsão, porque Deus ama um doador alegre.» Isto sugere que dar deve ser um ato alegre e intencional, decidido em conjunto como casal.
O Novo Testamento expande nossa compreensão de dar além do dízimo. Em Atos 2:44-45, vemos a comunidade cristã primitiva partilhar livremente os seus bens: «Todos os crentes estavam juntos e tinham tudo em comum. Venderam propriedades e bens para dar a quem tivesse necessidade.» Esta generosidade radical desafia os casais a ponderarem a forma como podem utilizar os seus recursos combinados para abençoar os outros e apoiar o trabalho da Igreja.
O próprio Jesus ensina sobre a importância da generosidade em Lucas 21:1-4, louvando a viúva que deu duas pequenas moedas de cobre, dizendo: «Esta pobre viúva colocou mais do que todas as outras. Todas estas pessoas deram os seus dons a partir das suas riquezas. mas ela tirou da sua pobreza tudo o que tinha para viver.» Esta passagem recorda aos casais que o espírito de dar é mais importante do que o montante, encorajando-os a dar generosamente de acordo com os seus meios.
Para os casais, o dízimo e a doação de caridade podem ser uma forma poderosa de alinhar seus valores e prioridades. Provérbios 3:9-10 diz: "Honra ao Senhor com as tuas riquezas, com as primícias de todas as tuas colheitas; os vossos celeiros ficarão cheios até transbordarem e as vossas cubas encher-se-ão de vinho novo.» Ao darem prioridade à doação no seu planeamento financeiro, os casais demonstram a sua confiança na provisão de Deus e o seu compromisso para com o Seu reino.
Enquanto o Antigo Testamento especifica um dízimo de 10%, O Novo Testamento enfatiza a doação generosa, alegre, sem especificar uma percentagem. Os casais devem considerar, em espírito de oração, que nível de doação reflete a sua gratidão a Deus e o seu compromisso com a sua obra.
1 Timóteo 5:8 lembra-nos: «Quem não cuida dos seus familiares, e especialmente da sua própria casa, negou a fé e é pior do que um incrédulo.» Isto sugere que, embora a doação seja importante, não deve ser feita à custa do sustento da família.
As Escrituras incentivam os casais a abordarem o dízimo e a doação caritativa como uma prática espiritual partilhada, enraizada na gratidão, na confiança e no desejo de participar na obra de Deus. Ao darem-se generosa e alegremente, os casais podem reforçar a sua fé, o seu casamento e a sua ligação à comunidade mais ampla de crentes, ao mesmo tempo que experimentam as bênçãos decorrentes da fiel gestão dos recursos de Deus.
Como os casais cristãos devem lidar com a dívida de acordo com os ensinamentos bíblicos?
Devemos considerar o princípio bíblico de que a dívida é um assunto sério, para não entrar de ânimo leve. Provérbios 22:7 adverte-nos: «Os ricos governam sobre os pobres, e o mutuário é escravo do mutuante.» Este versículo destaca os perigos potenciais da dívida, lembrando-nos que pode levar a uma forma de servidão. Para os casais, isso significa considerar cuidadosamente qualquer decisão de assumir dívidas, pesando os potenciais benefícios contra os riscos e as consequências a longo prazo.
O apóstolo Paulo oferece orientações adicionais em Romanos 13:8, afirmando: «Não fique nenhuma dívida pendente, exceto a dívida contínua de amar uns aos outros.» Esta passagem sugere que, embora algumas dívidas possam ser necessárias ou inevitáveis, devemos esforçar-nos por saldar as nossas dívidas o mais rapidamente possível. Para os casais, isto pode significar trabalhar em conjunto para criar um plano de reembolso da dívida, dando prioridade a este objetivo no seu planeamento financeiro.
A Bíblia não condena todas as formas de dívida. Com efeito, há casos em que a concessão e a contração de empréstimos são apresentadas de forma positiva, como no Salmo 37:26, que descreve o justo como alguém que «é sempre generoso e empresta livremente». Mas estas passagens referem-se frequentemente à concessão de empréstimos sem juros aos necessitados, em vez do tipo de dívida do consumidor que é comum hoje em dia.
Para os casais cristãos que lidam com dívidas, o princípio bíblico da honestidade e integridade é crucial. O Salmo 37:21 diz-nos: «Os ímpios pedem emprestado e não pagam, mas os justos dão generosamente.» Isto recorda-nos a importância de manter os nossos compromissos financeiros e de pagar o que devemos. Os casais devem se esforçar para ser transparentes uns com os outros sobre quaisquer dívidas existentes e trabalhar juntos para cumprir suas obrigações financeiras.
A Bíblia também nos encoraja a viver dentro de nossos meios e praticar o contentamento. Em Hebreus 13:5 lemos: «Mantém a tua vida livre do amor ao dinheiro e contenta-te com o que tens, porque Deus disse: «Nunca te deixarei; Nunca vos abandonarei.» Este princípio pode orientar os casais na tomada de decisões financeiras sábias, evitando dívidas desnecessárias e encontrando satisfação naquilo que Deus providenciou.
Para casais que lutam com dívidas, o conceito bíblico de procurar conselhos sábios é particularmente relevante. Provérbios 15:22 aconselha: "Os planos falham por falta de conselho, mas com muitos conselheiros conseguem." Isto pode significar procurar orientação de conselheiros financeiros, conselheiros pastorais ou amigos cristãos maduros que possam oferecer apoio e aconselhamento na gestão da dívida.
É igualmente importante que os casais se lembrem do princípio do apoio mútuo e da partilha de encargos no casamento. Gálatas 6:2 nos instrui a "carregar os fardos uns dos outros, e desta forma vocês cumprirão a lei de Cristo." No contexto da dívida, isso significa enfrentar desafios financeiros juntos, apoiando-se uns aos outros emocionalmente e praticamente no caminho para a liberdade financeira.
Finalmente, não devemos esquecer o poder da oração ao lidar com a dívida. Filipenses 4:6-7 nos lembra: "Não andeis ansiosos por coisa alguma, mas em todas as situações, pela oração e pela súplica, com ação de graças, apresentai os vossos pedidos a Deus. E a paz de Deus, que transcende toda a compreensão, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.» Os casais devem apresentar as suas preocupações financeiras a Deus, procurando a Sua sabedoria, provisão e paz.
Embora a Bíblia não forneça uma fórmula específica para lidar com a dívida, ela oferece princípios que podem guiar os casais cristãos: evitar dívidas desnecessárias, pagar o que é devido, viver de acordo com os seus meios, procurar conselhos sábios, apoiar-se mutuamente e confiar na provisão de Deus. Ao aplicar estes princípios em espírito de oração e ao trabalhar em conjunto, os casais podem enfrentar os desafios da dívida, ao mesmo tempo que fortalecem a sua fé e o seu casamento.
Que orientação a Bíblia oferece sobre a salvação e o planeamento para o futuro no casamento?
A Bíblia oferece-nos uma sabedoria poderosa sobre a importância de salvar e planejar o futuro, que assume um significado especial no contexto do casamento. Embora sejamos chamados a confiar na providência de Deus, somos também incentivados a exercer prudência e prospetiva na gestão dos recursos que Ele nos confiou.
Consideremos o princípio da sábia mordomia. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), Jesus ensina-nos a importância de gerir e aumentar de forma responsável os recursos que nos são dados. Esta parábola encoraja os casais a verem as suas finanças como um dom de Deus, para serem usados sabiamente e multiplicados para a Sua glória. Salvar e planear o futuro pode ser visto como um acto de fiel mordomia, demonstrando a nossa confiança em Deus enquanto exercitamos a sabedoria que Ele nos deu.
Provérbios 21:5 nos diz: "Os planos dos diligentes levam ao lucro tão certamente quanto a pressa leva à pobreza." Este versículo ressalta o valor de um planejamento cuidadoso e da diligência em questões financeiras. Para os casais, isso pode significar trabalhar em conjunto para criar metas financeiras de curto e longo prazo, desenvolver um orçamento e tomar decisões intencionais sobre poupança e investimento.
A Bíblia também nos fornece exemplos de poupança para necessidades futuras. Em Gênesis 41, vemos José aconselhando Faraó a salvar durante sete anos de abundância para preparar-se para sete anos de fome. Esta história ilustra a sabedoria de reservar recursos em tempos de abundância para se preparar para possíveis dificuldades. Os casais podem aplicar este princípio através da criação de fundos de emergência e planeamento para despesas futuras, tais como educação, habitação ou aposentadoria.
Provérbios 6:6-8 oferece outra metáfora poderosa para salvar: «Vá para a formiga, seu preguiçoso; Considerai os seus caminhos e sede sábios! Não tem comandante, nem superintendente nem governante, mas armazena as suas provisões no verão e recolhe os seus alimentos na colheita.» Esta passagem incentiva-nos a aprender com o exemplo de diligência e prospetiva da formiga, poupando em tempos de abundância para nos prepararmos para tempos de necessidade.
Mas, ao planejarmos e pouparmos para o futuro, devemos ter cuidado para não cair na armadilha de acumular ou depositar nossa confiança nas riquezas materiais em vez de em Deus. Jesus adverte-nos em Lucas 12:15: «Cuidado! Guardai-vos de toda espécie de ganância; A vida não consiste na abundância de bens.» Em seguida, conta a parábola do tolo rico que acumulava riquezas para si mesmo, mas não era rico para com Deus. Isto recorda aos esposos que devem manter a sua salvação e o seu planeamento numa perspectiva adequada, dando sempre prioridade à sua riqueza espiritual e à sua relação com Deus.
O princípio da generosidade deve também orientar a nossa abordagem à poupança e ao planeamento. 1 Timóteo 6:17-19 instrui: "Ordena aos ricos deste mundo que não sejam arrogantes, nem ponham a sua esperança nas riquezas, que são tão incertas, mas que ponham a sua esperança em Deus, que abundantemente nos dá tudo para o nosso gozo. Ordena-lhes que façam o bem, que sejam ricos em boas ações e que sejam generosos e dispostos a compartilhar. Desta forma, acumularão tesouros para si próprios como alicerce firme para a era vindoura, para que possam apoderar-se da vida que é verdadeiramente a vida.» Esta passagem recorda-nos que a verdadeira segurança não provém das riquezas terrenas, mas de um espírito generoso e de confiança em Deus.
Para os casais, é importante abordar a poupança e o planeamento em equipa, no espírito de unidade que caracteriza o casamento cristão. Eclesiastes 4:9-10 nos diz: "Dois são melhores do que um, porque têm bom retorno para o seu trabalho: Se um deles cair, um pode ajudar o outro a subir.» Este princípio aplica-se também ao planeamento financeiro, com os cônjuges a apoiarem-se e a complementarem-se mutuamente nos seus esforços para poupar e preparar-se para o futuro.
Como a Bíblia aborda a transparência financeira e a honestidade entre os cônjuges?
O vínculo sagrado do matrimónio exige total abertura e confiança entre marido e mulher em todos os assuntos, incluindo as finanças. Embora a Bíblia não utilize explicitamente o termo «transparência financeira», fornece orientações claras sobre a importância da honestidade e da unidade no casamento.
No livro do Génesis, lemos que um homem e uma mulher se tornam «uma só carne» no casamento (Génesis 2:24). Esta unidade estende-se a todos os aspectos da vida, incluindo as questões financeiras. O apóstolo Paulo reforça este conceito em sua carta aos Efésios, exortando os maridos a amarem suas mulheres como seu próprio corpo (Efésios 5:28-29). Como alguém pode verdadeiramente amar e cuidar do seu cônjuge se está a esconder informações financeiras ou a ser desonesto com o dinheiro?
O livro de Provérbios oferece sabedoria sobre o valor da honestidade e da integridade em todas as nossas relações. "A integridade dos retos os guia, mas os infiéis são destruídos pela sua duplicidade" (Provérbios 11:3). Este princípio aplica-se especialmente à relação íntima do casamento. A desonestidade financeira pode corroer a confiança e criar divisão entre os cônjuges.
Também encontramos orientação nos ensinos de Jesus. No Sermão da Montanha, Ele diz-nos: «Que o vosso «sim» seja «sim» e o vosso «não», «não» (Mateus 5:37). Este apelo à honestidade deve estender-se às nossas relações financeiras com o nosso cônjuge.
A comunidade cristã primitiva constitui um belo exemplo de abertura financeira e de responsabilidade partilhada. Em Atos, lemos como os crentes compartilhavam tudo o que tinham (Atos 4:32-35). Embora esta vida comunitária possa não ser prática para a maioria dos casais de hoje, ilustra o espírito de abertura e cuidado mútuo que deve caracterizar as relações cristãs.
O que as Escrituras dizem sobre o papel do marido e da mulher na tomada de decisões financeiras?
A Bíblia oferece-nos sabedoria poderosa sobre os papéis do marido e da mulher em todos os aspectos do casamento, incluindo a tomada de decisões financeiras. Embora alguns possam procurar regras rígidas ou uma clara divisão de responsabilidades, as Escrituras, em vez disso, pintam um quadro de respeito mútuo, responsabilidade compartilhada e cooperação amorosa.
No livro de Gênesis, vemos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e deu-lhes domínio conjunto sobre a criação (Gênesis 1:27-28). Isto sugere uma parceria em que marido e mulher têm um papel na gestão de recursos, incluindo finanças.
Os Provérbios falam muito de uma esposa que está ativamente envolvida em assuntos financeiros. Lemos sobre a mulher virtuosa que «considera um campo e compra-o; planta uma vinha com os seus rendimentos" (Provérbios 31:16). Esta mulher é elogiada pela sua perspicácia empresarial e pelo seu contributo para o bem-estar financeiro da família.
Ao mesmo tempo, vemos exemplos nas Escrituras de maridos que assumem papéis de liderança em decisões financeiras. Abraão, por exemplo, geriu a riqueza da família e tomou decisões sobre a propriedade (Génesis 13:2, 23:16). No entanto, também o vemos ouvir o contributo da sua mulher Sarah sobre questões familiares importantes (Génesis 21:12).
O apóstolo Paulo ensina que, no casamento, «o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da igreja» (Efésios 5:23). Mas esta liderança não é sobre a dominação ou a tomada de decisões unilaterais, mas sim sobre o amor sacrificial e a liderança servil. Tal como Cristo consulta e cuida da sua igreja, também o marido deve valorizar o contributo da sua mulher para as decisões financeiras.
Paulo também instrui maridos e mulheres a se submeterem uns aos outros por reverência a Cristo (Efésios 5:21). Esta apresentação mútua sugere uma abordagem colaborativa da tomada de decisões, nomeadamente em matéria financeira.
Na igreja primitiva, vemos homens e mulheres, como Priscila e Áquila, trabalharem juntos em seus negócios (Atos 18:2-3). Este modelo de parceria pode estender-se à tomada de decisões financeiras no casamento.
Não caiamos na armadilha dos rígidos papéis de género na gestão financeira. Em vez disso, abracemos os princípios bíblicos do respeito mútuo, da responsabilidade partilhada e da cooperação amorosa. Cada casal pode encontrar um equilíbrio diferente com base nos seus pontos fortes e circunstâncias individuais, mas a chave é abordar as decisões financeiras em conjunto, com uma comunicação aberta e um compromisso comum de gerir os recursos de Deus de forma sensata.
Lembre-se, em Cristo, "não há judeu nem gentio, nem escravo nem livre, nem há homem e mulher" (Gálatas 3:28). No mesmo espírito, que maridos e mulheres se reúnam como parceiros iguais perante Deus na gestão de suas finanças, cada um contribuindo com seus dons e insights para o bem de sua família e a glória de Deus.
Como os casais cristãos devem resolver os conflitos financeiros de acordo com os princípios bíblicos?
O conflito é uma parte inevitável de qualquer relação, incluindo o casamento. Quando se trata de desacordos financeiros, os casais cristãos têm um rico tesouro de sabedoria bíblica para guiá-los para a resolução e unidade mais profunda.
Devemos abordar qualquer conflito com amor e humildade. O apóstolo Paulo recorda-nos que devemos ser «completamente humildes e gentis; Sede pacientes, suportando-vos uns aos outros em amor" (Efésios 4:2). Esta atitude estabelece as bases para o diálogo construtivo e a resolução de problemas.
Ao enfrentar desentendimentos financeiros, os casais devem priorizar a comunicação aberta e honesta. O livro de Tiago oferece conselhos valiosos: «Todos devem ser rápidos a ouvir, lentos a falar e lentos a irritar-se» (Tiago 1:19). Ao ouvirem verdadeiramente as preocupações e perspetivas de cada um, os casais podem obter uma compreensão mais profunda das questões profundas subjacentes aos seus conflitos financeiros.
É fundamental recordar que, no casamento, se está na mesma equipa. Como Eclesiastes sabiamente afirma, "Dois são melhores do que um, porque têm um bom retorno para o seu trabalho: Se um deles cair, um pode ajudar o outro a subir» (Eclesiastes 4:9-10). Abordar os conflitos financeiros não como adversários, mas como parceiros que trabalham em conjunto para encontrar soluções.
Quando as emoções estão altas, pode ser útil dar um passo para trás e orar juntos. Jesus ensina-nos: «Pois onde dois ou três se reúnem em meu nome, ali estou eu com eles» (Mateus 18:20). Convidar Deus para as vossas discussões financeiras pode trazer paz, clareza e sabedoria divina.
Se uma resolução parece difícil de alcançar, considere procurar conselhos de membros sábios e confiáveis de sua comunidade de fé. Provérbios nos diz: "Os planos falham por falta de conselho, mas com muitos conselheiros conseguem" (Provérbios 15:22). Um pastor, conselheiro financeiro ou casal cristão maduro podem oferecer informações valiosas e mediação.
Em todas as questões financeiras, tenha-se em mente o princípio bíblico da mordomia. Lembre-se de que tudo o que temos, em última análise, pertence a Deus, e somos chamados a geri-lo sabiamente. Como Pedro escreve: «Cada um de vós deve usar qualquer dom que tenha recebido para servir os outros, como fiel mordomo da graça de Deus nas suas várias formas» (1 Pedro 4:10).
Ao resolver conflitos, esteja disposto a comprometer-se e encontrar soluções criativas. A igreja primitiva em Atos fornece um exemplo inspirador de resolução de problemas e alocação de recursos (Atos 6:1-7). Abordaram preocupações, delegaram responsabilidades e encontraram uma solução que permitiu à comunidade prosperar.
Por último, tenha sempre em conta o panorama geral. O nosso objetivo final não é apenas a estabilidade financeira, mas glorificar a Deus em todos os aspectos da nossa vida. Como Paulo exorta: "Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais outra coisa qualquer, fazei tudo para glória de Deus" (1 Coríntios 10:31).
Ao abordar os conflitos financeiros com amor, humildade, comunicação aberta, oração, conselhos sábios e ênfase na mordomia e na glória de Deus, os casais cristãos podem não só resolver os seus desacordos, mas também tornar-se mais fortes na sua fé e na sua relação uns com os outros.
Que sabedoria bíblica há em relação ao materialismo e ao contentamento nas finanças matrimoniais?
A sabedoria das Escrituras repetidamente nos adverte contra os perigos do materialismo. O próprio Jesus nos ensina: «Cuidado! Guardai-vos de toda espécie de ganância; a vida não consiste numa abundância de bens» (Lucas 12:15). Esta verdade poderosa recorda-nos que a qualidade das nossas vidas e dos nossos casamentos não é determinada pelo que possuímos, mas pela nossa relação com Deus e uns com os outros.
O apóstolo Paulo, ao escrever a Timóteo, oferece conselhos sábios que são particularmente relevantes para os casais: «Mas a piedade com contentamento é um grande ganho. Porque não trouxemos nada ao mundo, e não podemos tirar nada dele. Mas se tivermos comida e roupa, contentar-nos-emos com isso" (1 Timóteo 6:6-8). Esta passagem encoraja-nos a encontrar satisfação na satisfação das nossas necessidades básicas, em vez de nos esforçarmos constantemente por mais.
Mas contentamento não significa complacência ou falta de ambição. Pelo contrário, trata-se de encontrar paz e alegria naquilo que Deus proporcionou, ao mesmo tempo que continuamos a trabalhar diligentemente e a utilizar os nossos recursos de forma sensata. Como lemos em Provérbios, "os planos do diligente conduzem ao lucro tão seguramente como a pressa conduz à pobreza" (Provérbios 21:5).
Para os casais, o desafio é cultivar juntos este espírito de contentamento. Requer uma comunicação aberta sobre os objetivos e valores financeiros e um compromisso compartilhado para priorizar o que é verdadeiramente importante. O escritor de Hebreus encoraja-nos: «Mantenham as vossas vidas livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que têm, porque Deus disse: «Nunca vos deixarei; "Nunca vos abandonarei" (Hebreus 13:5).
Devemos também lembrar que nossas posses não são verdadeiramente nossas, mas são-nos confiadas por Deus para uma boa mordomia. Jesus conta a parábola do tolo rico (Lucas 12:16-21) para advertir contra a loucura de acumular riquezas para si mesmo sem levar em conta a Deus ou aos outros. Em vez disso, somos chamados a ser generosos e a usar nossos recursos para abençoar os outros, como vemos na comunidade cristã primitiva descrita em Atos 4:32-35.
Nos vossos casamentos, esforçai-vos por manter o vosso foco no eterno e não no temporal. Como Jesus ensina: «Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde as traças e os vermes destroem, e onde os ladrões invadem e roubam. Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde as traças e os vermes não destroem, e onde os ladrões não invadem nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mateus 6:19-21).
Que as vossas decisões financeiras partilhadas reflictam esta perspectiva celestial. Encontre alegria na simplicidade, gratidão na provisão de Deus e propósito na utilização dos seus recursos para servir os outros e fazer avançar o reino de Deus. Ao fazê-lo, construirás um casamento rico em amor, fé e verdadeiro contentamento – tesouros que superam em muito qualquer riqueza material.
Recorde-se que um casamento centrado na acumulação de bens nunca encontrará verdadeira satisfação, pois, como Salomão sabiamente observou, «quem ama o dinheiro nunca tem o suficiente; Quem ama a riqueza nunca se satisfaz com os seus rendimentos" (Eclesiastes 5:10). Em vez disso, concentrai vosso casamento em amar a Deus e uns aos outros, confiando em Sua provisão e encontrando contentamento em Sua graça. Este é o caminho para a verdadeira abundância em sua vida juntos.
Como é que a Bíblia guia os casais no equilíbrio entre a gestão financeira e a confiança na provisão de Deus?
Devemos reconhecer que tudo o que temos vem de Deus. Como lemos em Tiago, «Todo o dom bom e perfeito vem do alto, desce do Pai das luzes celestiais» (Tiago 1:17). Este entendimento constitui o fundamento da mordomia bíblica – não somos proprietários, mas gestores daquilo que Deus nos confiou.
Jesus ensina-nos a confiar na provisão de Deus, dizendo: «Olhai para as aves do céu; Eles não semeiam, nem ceifam, nem armazenam em celeiros, e contudo vosso Pai celestial os alimenta. Não és tu muito mais valioso do que eles?" (Mateus 6:26). Este belo lembrete dos cuidados de Deus deve dar-nos confiança à medida que enfrentamos decisões e desafios financeiros.
Mas esta confiança na provisão de Deus não nega a nossa responsabilidade de gerir os nossos recursos de forma sensata. A parábola dos talentos (Mateus 25:14-30) ilustra que Deus espera que sejamos bons mordomos do que Ele nos deu. Somos chamados a utilizar os nossos recursos – incluindo as nossas finanças – de forma a honrar a Deus e a servir os outros.
Para os casais, isso significa trabalhar juntos para criar orçamentos, poupar para o futuro e tomar decisões financeiras sábias. Provérbios nos diz: "Os sábios armazenam comida de eleição e azeite, mas os tolos engolim a deles" (Provérbios 21:20). Este princípio de poupança e planeamento é um aspecto importante da boa gestão.
Ao mesmo tempo, devemos precaver-nos contra a tentação de colocar a nossa segurança no nosso planeamento financeiro e não em Deus. Jesus adverte-nos: «Ninguém pode servir a dois senhores. Ou odiarás um e amarás o outro, ou serás devotado a um e desprezarás o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro" (Mateus 6:24). A nossa confiança final deve estar em Deus, não nas nossas contas bancárias ou carteiras de investimento.
A Bíblia também encoraja a generosidade como um aspecto fundamental da gestão financeira. Paulo escreve aos coríntios: «Lembrai-vos disto: Quem semeia com moderação também colherá com moderação, e quem semeia com generosidade também colherá com generosidade" (2 Coríntios 9:6). Dar-se generosamente, motivado pelo amor e gratidão a Deus, é uma poderosa expressão de nossa confiança em Sua provisão.
Ao navegar pelas decisões financeiras em seus casamentos, procure manter este delicado equilíbrio. Sejam diligentes no planeamento e gestão dos recursos, mas sempre com a mão aberta, reconhecendo que tudo pertence a Deus. Tomar decisões em espírito de oração, procurando a sabedoria e a orientação de Deus.
Lembre-se do exemplo da igreja primitiva, onde os crentes partilhavam livremente os seus recursos, confiando na provisão de Deus através da comunidade de fé (Atos 4:32-35). Embora as vossas circunstâncias possam ser diferentes, cultivai este espírito de generosidade e cuidado mútuo nos vossos casamentos e comunidades de fé.
Em tempos de abundância, dai graças a Deus e usai os vossos recursos sabiamente para a Sua glória. Em tempos de escassez, confiai na vossa fidelidade e provisão. Como Paulo testemunha: «Sei o que é estar em necessidade e sei o que é ter abundância. Aprendi o segredo de estar contente em qualquer situação, seja bem alimentada ou com fome, seja a viver em abundância ou em necessidade. Posso fazer tudo isto através daquele que me dá forças» (Filipenses 4:12-13).
Ao equilibrar a mordomia cuidadosa com a confiança inabalável em Deus, vocês podem navegar juntos pelos desafios financeiros, crescer na fé e experimentar a paz que advém de confiar em nosso Pai celestial. Que as vossas decisões financeiras sejam sempre guiadas pelo amor a Deus e uns aos outros, e que elas reflictam a vossa confiança n'Aquele que providencia todas as coisas boas.
