Mistérios Bíblicos: Como era Jesus?




  • A Bíblia não fornece uma descrição física de Jesus, concentrando-se, em vez disso, em Seus ensinamentos e natureza divina.
  • Pesquisas históricas e científicas sugerem que Jesus provavelmente tinha características típicas de um homem judeu do século I, incluindo pele marrom-oliva, cabelos escuros e uma altura média.
  • Várias representações culturais de Jesus permitem que as pessoas se conectem com Ele em um nível pessoal, refletindo a natureza universal de Sua mensagem.
  • Compreender a aparência provável de Jesus pode ajudar a desafiar os preconceitos culturais e promover a inclusão na comunidade cristã mundial.

Revelar o Rosto de Jesus: Uma viagem de fé, história e coração!

Durante tantos anos, pessoas como tu e eu, perguntaram-se: Como era mesmo Jesus? É a pessoa mais importante da história para milhares de milhões, por isso é natural ser curioso! Vemos muitas vezes imagens Dele, talvez com aquele cabelo que flui e aqueles olhos gentis e gentis. Estas imagens estão familiarizadas com o quão perto estão da verdade? Preparem-se, porque estamos a fazer uma viagem incrível para compreender o que podemos realmente saber sobre a aparência de Jesus. Vamos olhar para a Bíblia, para o que a história nos diz, para a bela arte que Ele inspirou e até para o que a ciência pode partilhar. Mas ainda mais do que isso, veremos o que esta procura significa para a sua preciosa fé. Fazer esta pergunta muitas vezes vem de um desejo profundo em nossos corações para conectar-se com Jesus, para fazer o divino sentir-se um pouco mais perto, e para compreender a pessoa incrível que andou nesta terra há mais de dois mil anos.

O que faz a Bíblia Na realidade Dizer como Jesus olhava?

Quando queremos saber sobre Jesus, o primeiro lugar para onde vamos é a Palavra de Deus, a Bíblia. Mas podes ficar surpreendido! Quando se trata de como Jesus parecia, os Evangelhos do Novo Testamento - Mateus, Marcos, Lucas e João - são bastante silenciosos. Estes livros surpreendentes, a nossa principal fonte para a vida e o ministério de Jesus, não nos dão uma descrição física direta dele.1 Uma fonte diz mesmo: «O Novo Testamento nunca se aproxima da pergunta «Como era Jesus?».1 Isso é interessante porque muitas biografias antigas, chamadas

bioi, muitas vezes incluía detalhes sobre a aparência de alguém. Por exemplo, o Antigo Testamento nos diz que o Rei Davi era bonito.1 Mas os escritores do Evangelho, abençoam seus corações, tinham algo mais importante em mente! Centraram-se nos ensinamentos poderosos de Jesus, nas suas ações incríveis e na sua identidade divina, e não nas suas características exteriores. E essa escolha diz-nos algo poderoso: A sua aparição não foi a principal coisa da sua mensagem ou da sua missão.

Apenas um homem comum com um objectivo extraordinário

Apesar de não haver retrato, há poucas pistas que sugerem que Jesus parecia, bem, comum. Pensem naquele momento no Jardim do Getsêmani em que Judas teve de identificar Jesus aos soldados com um beijo.2 Isto diz-nos que Jesus provavelmente não parecia tão diferente dos seus discípulos; Ele podia misturar-se. Ele viveu como um homem regular entre as pessoas comuns, não tentando obter atenção especial por causa de alguns olhares surpreendentes.

Profecias de um Messias Humilde

Muitos de nós também olhamos para as profecias do Antigo Testamento para a sabedoria. Uma passagem muito importante é Isaías 53:2, que muitos acreditam ser uma profecia sobre a vinda do Messias: «Ele não tinha beleza nem majestade para atrair-nos para Ele, nada na Sua aparência que lhe devêssemos desejar».3 Isto é frequentemente entendido como significando que a aparência de Jesus era comum, não surpreendentemente bonita ou real de uma forma mundana.5 E isso não se encaixa perfeitamente com a Sua mensagem de humildade e o Seu foco no que está dentro, nas nossas qualidades espirituais, e não na forma como olhamos para o exterior? Esta imagem profética desafia a forma de pensar do mundo, que muitas vezes diz que os olhares são tudo.

Um vislumbre da Glória Celestial

Também é importante pensar nas descrições de Jesus no seu estado glorificado, como no Livro do Apocalipse. Apocalipse 1:14-15 dá-nos uma visão de Cristo ressuscitado e glorificado: «Os cabelos da sua cabeça... eram brancos como a lã branca, brancos como a neve. Os seus olhos eram como uma chama de fogo, os seus pés como bronze polido, refinado como numa fornalha».2 Mas esta é uma visão simbólica de Jesus na sua glória divina.

depois ressuscitou dos mortos e foi para o céu, não é como Ele olhava quando caminhou pela terra durante o seu ministério.3 Compreender que a diferença é tão importante.

Por que o Silêncio Fala Volumes

O silêncio da Bíblia sobre as características físicas exatas de Jesus? Isso é provável de propósito, e está cheio de profundo significado espiritual. Ao não nos dar uma descrição, muda o nosso foco da forma como Ele olhava para os Seus ensinamentos que mudam a vida, as Suas ações poderosas, a Sua natureza divina e a Sua mensagem universal de amor.7 Se a Bíblia nos desse um «olhar» específico, poderia fazer com que Jesus parecesse pertencer apenas a um tipo de pessoa, e poderia até levar as pessoas a adorarem uma imagem física, contra a qual a Bíblia nos adverte. Porque não há descrição, a nossa fé baseia-se em quem Jesus

está e o que Ele fiz, Não o que parecia. Isso torna-o acessível a todas as pessoas, em todos os momentos e em todos os lugares. Que bom Deus!

Pensem no contraste: a aparência humilde e "comum" que Isaías sugeriu para o Seu ministério terreno, e depois aquela aparição majestosa e "glorificada" em Apocalipse. Mostra-nos poderosamente a compreensão cristã de Jesus como totalmente humano e totalmente divino. Essa viagem de uma aparência «indesejável» para uma que brilha «como o sol» 6 representa visualmente a incrível história do seu nascimento, do seu sofrimento, da sua morte, da sua ressurreição e da sua glória. Isto ajuda-nos a compreender até que ponto a identidade de Cristo e a sua obra são verdadeiramente surpreendentes.

Como eram as pessoas no tempo de Jesus e na Pátria?

Para ter uma ideia melhor de como Jesus pode ter se parecido, ajuda a compreender a aparência geral das pessoas em seus dias e onde viveu. Jesus era um judeu do século I da Galileia, uma área no que hoje chamamos de norte de Israel.2 Portanto, Sua aparição provavelmente teria sido típica de outros homens daquela região e daquela época.2

Uma imagem da história

Com base em estudos de ossos antigos e registros históricos, os estudiosos têm uma ideia geral sobre as pessoas da Judeia e da Galileia do século I:

  • Altura: O homem médio tinha cerca de 5 pés e 5 polegadas de altura (cerca de 166 centímetros).2
  • Tonalidade da pele: Provavelmente tinham pele castanho-azeitona, provavelmente curtida por passar muito tempo ao ar livre naquele clima ensolarado.
  • Cabelo e Olhos: O cabelo castanho escuro a preto e os olhos castanhos profundos eram comuns.2 Quanto aos penteados, os homens geralmente usavam o cabelo relativamente curto. O apóstolo Paulo, escrevendo no mesmo século, chegou a sugerir que o cabelo comprido nos homens era considerado uma desgraça (1 Coríntios 11:14), e que era provavelmente uma visão comum.11 Barbas também eram comuns entre os homens judeus naquela época.
  • Construir: Jesus foi a tektōn—um artesão, muitas vezes chamado carpinteiro — e andava muito! Este estilo de vida ter-lhe-ia dado uma construção magra e musculosa.6 Um estudioso considera-o «magro, mas de uma construção robusta e musculosa», com as mãos endurecidas pelo seu trabalho10.

Estes detalhes ajudam-nos a formar uma imagem mais realista de Jesus em nossas mentes, diferente daquelas imagens de aparência muito europeia que às vezes vemos. Esta compreensão coloca Jesus no seu verdadeiro contexto histórico e étnico, recordando-nos a sua verdadeira humanidade e como partilhou a vida com as pessoas de todos os dias do seu tempo. A investigação também sugere que os judeus desse período eram biologicamente mais próximos dos judeus iraquianos de hoje.10

É igualmente bom saber que os galileus do século I eram, na sua maioria, descendentes de judeus que se tinham mudado da Judeia para a Galileia quando o reino asmoneu se expandiu12. Este facto histórico reforça a origem étnica judaica de Jesus e as suas raízes profundas no povo judeu e na cultura do seu tempo. Isso é tão importante para a compreensão dos seus ensinamentos e do mundo dos Evangelhos.

O Poder de Ser Ordinário

A ideia de que Jesus tinha uma aparição típica para o seu tempo e lugar é muito importante. Significava que podia «misturar-se com uma multidão» 10 sem se destacar fisicamente. Esta ordinalidade era provavelmente vital para o seu ministério. Jesus interagiu estreitamente com todos os tipos de pessoas – pescadores, cobradores de impostos, líderes religiosos e pessoas comuns. Uma aparência «normal» tê-lo-ia tornado mais acessível e compreensível, o que era essencial para o seu ministério que chegou às bases. Se Ele tivesse parecido incrivelmente diferente ou demasiado real, poderia ter criado distância ou atraído o tipo errado de atenção, talvez apenas política. Portanto, a sua semelhança física com os que o rodeavam era, na verdade, uma bênção para a sua missão aqui na Terra, permitindo-lhe a sua mensagem extraordinária e quem Ele era para ser o foco principal.

Imagens antigas desafiadoras

Além disso, quando falamos sobre Jesus provavelmente ter cabelo escuro e pele de oliveira como um homem do Oriente Médio, isso desafia diretamente aquelas imagens posteriores, às vezes racialmente tendenciosas. Jesus, que vemos em grande parte da arte ocidental, não é historicamente exato.2 Esta imagem ocidental tornou-se popular, em parte devido à mistura cultural e, por vezes, devido aos esforços para distanciar Jesus das suas raízes judaicas.13 Restabelecer uma aparência historicamente credível para Jesus como judeu do século I não é apenas uma coisa académica; ajuda a corrigir deturpações históricas. Para nós, cristãos, compreender a aparência étnica autêntica de Jesus pode ajudar-nos a apreciar ainda mais a sua herança judaica — que é fundamental para o cristianismo — e incentivar-nos a pensar criticamente sobre a forma como os preconceitos culturais moldaram imagens religiosas ao longo dos séculos.

As profecias do Antigo Testamento descrevem a aparição do Messias?

O Antigo Testamento está cheio de muitas profecias que nós, cristãos, acreditamos apontar diretamente para Jesus como o Messias. Algumas destas passagens têm sido vistas como dando pistas sobre sua aparência física, embora se concentrem principalmente em seu papel e seu caráter surpreendente.

O olhar do servo sofredor

A profecia que as pessoas mencionam mais frequentemente sobre o aparecimento do Messias é Isaías 53:2: «Ele cresceu à sua frente como um rebento tenro e como uma raiz de terra seca. Não tinha beleza nem majestade para nos atrair para ele, nada na sua aparência que lhe devêssemos desejar.» Esta passagem, das canções do «Servo Sofredor», é amplamente entendida como significando que Ele teria uma aparência comum, não notável, ou mesmo humilde, sem grande atratividade física ou um olhar real.3 Isto sugere que a influência do Messias proviria da Sua mensagem, do Seu amor incrível e das Suas ações, e não dos Seus olhares.5 Esta profecia desafia os valores do mundo que muitas vezes ligam a aparência exterior à importância ou ao poder. Em vez disso, destaca a humildade de Jesus e a natureza espiritual do seu reino.

Marred por Sofrimento

Outra passagem de Isaías, 52:14, descreve o aparecimento do Messias durante o seu sofrimento: «Assim como havia muitos que estavam chocados com ele — a sua aparência era tão desfigurada para além da de qualquer ser humano e a sua forma manchada para além da semelhança humana.» Este versículo é entendido para descrever o terrível sofrimento físico que Jesus sofreu durante a sua batida e crucificação, e não como Ele parecia todos os dias.3 Mostra poderosamente a intensidade do sofrimento físico de Jesus pelos nossos pecados, que é uma crença central na nossa fé cristã. É uma descrição Dele no seu sacrifício final, não na sua aparência quotidiana.

A beleza numa outra luz?

Por outro lado, alguns apontaram para o Salmo 45:2, que diz: «Tu és o mais excelente dos homens e os teus lábios foram ungidos com graça, uma vez que Deus te abençoou para sempre.» A frase «mais excelente dos homens» (ou «mais justo do que os filhos dos homens» em algumas traduções) foi interpretada por alguns antigos padres e comentadores da Igreja como sugerindo a beleza do Messias.13 Isto parece criar uma contradição se tomarmos tanto Isaías 53 como o Salmo 45 como descrições literais da aparência física.13 Mas muitos teólogos acreditam que «mais justo» ou «mais excelente» no Salmo 45 refere-se à beleza espiritual, à perfeição moral ou à beleza da Sua mensagem e natureza divina, em vez de apenas à boa aparência física. Isto permite que Isaías 53 e o Salmo 45 sejam verdadeiros de maneiras diferentes, mostrando-nos quão rica e multifacetada pode ser a linguagem bíblica.

Concentre-se na missão, não no espelho

Quando olhamos para estas profecias, é evidente que se preocupam mais com o papel, o caráter e o impacto do Messias do que com um retrato físico pormenorizado. As descrições estão ligadas à sua missão (servo sofredor), às suas qualidades (humildade, graça) e às suas experiências (rejeição, sofrimento e depois glória). Não existe uma lista profética de cor dos olhos, altura ou características faciais específicas. A visão profética preocupa-se com o importância de quem é e do que fez. Os pormenores da «aparência» destinam-se a mostrar verdades mais profundas sobre o seu papel sacrificial e a sua natureza divina, que se alinham com o silêncio do próprio Novo Testamento sobre os seus olhares específicos. Tal reforça a ideia de que a identidade e a missão do Messias estão além da descrição física, tornando-o identificável pelo seu caráter e pela sua obra, e não pela sua forma exterior.

Um Teste da Verdadeira Visão

A ideia de Isaías 53 de que o Messias não teria atratividade convencional também pode ser vista como um teste deliberado de fé. Se o Messias aparecesse de uma forma que fosse contra as expectativas mundanas de um rei ou salvador - que muitas vezes são imaginadas como fisicamente majestosas - reconhecê-Lo exigiria discernimento espiritual em vez de julgamento baseado em olhares externos.15 As pessoas são muitas vezes atraídas para a beleza física e o carisma. A «falta de beleza» profetizada pelo Messias poderia ter sido a forma de Deus filtrar seguidores superficiais e atrair aqueles que pudessem ver a Sua glória e verdade interiores e espirituais, instando-os a olhar para além do que está à superfície. Isto ecoa o que diz em 1 Samuel 16:7: «O Senhor não olha para as coisas que as pessoas olham. As pessoas olham para a aparência exterior que o Senhor olha para o coração».5 Isto desafia-nos, como crentes, a desenvolver o discernimento espiritual.

Como os primeiros cristãos imaginaram Jesus na arte?

As primeiras imagens de Jesus que ainda temos só aparecem cerca de duzentos anos após a sua morte e ressurreição. Estas primeiras imagens são encontradas nas catacumbas romanas, que eram locais de enterro subterrâneo usados pelos primeiros cristãos, que datam de cerca do século III dC.

O Bom Pastor e o Trabalhador Milagroso

Uma forma muito comum de Jesus ser mostrado neste tempo inicial era como o Bom Pastor. Nestas pinturas, é geralmente um homem jovem, sem barba, de cabelo curto, muitas vezes com um cordeiro nos ombros.1 Esta imagem não estava a tentar ser um retrato realista, mas sim sim simbólica, utilizando temas artísticos que já existiam na cultura romana. A figura do Bom Pastor era semelhante às imagens pagãs de figuras como Orfeu, Hermes ou Apolo, que às vezes eram mostradas como pastores ou protetores.13 Os primeiros cristãos também mostravam Jesus realizando milagres, como ressuscitar Lázaro. Estas primeiras imagens centraram-se principalmente na partilha de ideias teológicas sobre Jesus: O seu papel como salvador, guia e obreiro de milagres.13 A utilização de estilos artísticos familiares (um processo chamado sincretismo) ajudou a partilhar estes papéis com as pessoas que viviam no mundo romano.

Uma Mudança para a Majestade

Uma grande mudança na forma como Jesus foi retratado aconteceu por volta do século IV dC. Isto foi depois que o cristianismo tornou-se legal sob o imperador Constantino e, eventualmente, tornou-se a principal religião do Império Romano. À medida que o estatuto do cristianismo mudava, a arte também mudava. Jesus começou a ser mostrado com barba, cabelos mais compridos e características mais maduras e autoritárias.1 Esta nova imagem foi influenciada por imagens de deuses gregos e romanos, especialmente o poderoso deus grego Zeus, e também pela forma como os imperadores romanos eram mostrados.2 Jesus começou a aparecer com vestes compridas, sentado num trono, por vezes com um halo, mostrando a sua realeza e autoridade divina.2 Esta mudança na arte refletia a nova posição do cristianismo e o desejo de retratar a autoridade de Cristo de uma forma que as pessoas pudessem compreender visualmente.

Imagens «Não feitas à mão»

Mais tarde, a partir do século VII, a crença na acheiropoietos—imagens «não feitas por mãos humanas»—tornou-se muito influente.13 Tratava-se de relíquias como o Mandylion (também conhecido como a Imagem de Edessa) ou o Véu de Verónica, que se acreditava serem imagens milagrosas e verdadeiras do rosto de Jesus. Estas imagens reverenciadas tipicamente mostravam Jesus com uma barba e cabelos escuros na altura dos ombros, e eles desempenharam um grande papel em fazer este olhar particular padrão, especialmente na tradição ortodoxa oriental e, em seguida, na arte ocidental.

A arte como mensagem

É importante compreender que a arte cristã primitiva, e muita arte religiosa desde então, foi principalmente uma forma de comunicar teologia e não uma tentativa de semelhança fotográfica. Os artistas utilizaram símbolos e linguagem visual familiar para partilhar crenças fundamentais sobre a natureza de Jesus (divina e humana) e os seus papéis (salvador, professor, rei, juiz). As primeiras imagens eram estilizadas e emprestadas da cultura que as rodeava porque não havia nenhuma alegação de que se baseavam em relatos de testemunhas oculares de Suas características físicas.1 Além disso, os primeiros cristãos eram cuidadosos com a idolatria, de modo que imagens diretas e realistas de uma figura divina podiam ter sido vistas como um problema.16

Uma vez que uma determinada imagem de Jesus - como a versão barbuda de cabelos compridos - tornou-se estabelecida através de arte influente e relíquias reverenciadas como o Mandylion, criou uma poderosa tradição visual. Esta tradição moldou profundamente a forma como milhares de milhões de pessoas ao longo da história imaginaram Jesus, muitas vezes ultrapassando ou ofuscando informações históricas ou bíblicas que podem sugerir uma aparência diferente. Isto mostra o imenso poder da arte e da tradição na formação da nossa consciência religiosa e memória. Também destaca a necessidade de nos envolvermos cuidadosamente com essas imagens, compreendendo de onde vieram e que mensagens teológicas pretendiam, em vez de apenas aceitá-las como imagens literais do que Jesus parecia.

O quadro seguinte resume a forma como a imagem de Jesus na arte mudou ao longo de períodos-chave:

Quadro 1: Evolução da Imagem de Jesus na Arte – Períodos-chave

Período/Estilo Características comuns Influências/Objetivo primário Exemplo Fonte(s)
Arte das Catacumbas Cristãs Primitivas (c. 2o-4o C) Cabelo jovem, sem barba, curto, muitas vezes como Bom Pastor Sincretismo artístico greco-romano; Transmitir papéis como Salvador, Pastor, Trabalhador de Milagres 1
Arte Bizantina Primitiva (c. 4o-7o C) Cabelos maduros, barbudos, compridos, vestidos, por vezes entronizados, auréola o estatuto imperial do cristianismo; que representa a autoridade divina, a realeza (influenciada pelas imagens de Zeus/Imperador) 2
Influência de Acheiropoietos (c. 7o C em) Cabelos barbudos, longos e escuros, padronizados Crença em relíquias milagrosas (Mandylion, Véu de Verónica) como «verdadeiras semelhanças» 13
Renascimento (c. 14-16o C) Humanizado, realista, muitas vezes com características europeias O humanismo, o realismo, os artistas às vezes usavam sua própria semelhança. expressão teológica 13
Adaptações globais/culturais (modernas) Características culturais específicas que refletem as etnias locais Inculturação, tornar Jesus relacionável, exprimir a mensagem universal em contextos locais 7

O que os primeiros líderes da Igreja (os Padres da Igreja) ensinaram sobre os olhares de Jesus?

Os Padres da Igreja eram teólogos, pastores e escritores sábios e influentes nos primeiros séculos do cristianismo. Quando se tratava da aparência física de Jesus, tinham opiniões diferentes e não havia uma visão única e universalmente aceite.6 Esta variedade mostra que, mesmo nesses primeiros séculos, não existia uma tradição definida baseada em relatos de testemunhas oculares sobre os seus olhares específicos. Seus pontos de vista eram muitas vezes interpretações das Escrituras (como Isaías 53 ou Salmo 45) ou baseadas em ideias filosóficas.

Uma aparição humilde

Uma visão forte entre alguns Padres da Igreja era que Jesus era fisicamente pouco atraente ou pelo menos muito comum em sua aparência. Esta ideia veio muitas vezes de Isaías 53:2, «Ele não tinha beleza nem majestade para atrair-nos para ele, nada na sua aparência que devêssemos desejá-lo».

  • Tertuliano (cerca de 155 - 220 AD) disse que a forma externa de Jesus era "desprezada" e que Ele tinha uma "aparência ignominiosa".6
  • Orígenes (cerca de 184 – 253 AD) também se referiu a Isaías 53, sugerindo que Jesus não chegou «na beleza da forma, nem em qualquer beleza superior».14
  • Celso, um crítico pagão do cristianismo do século II, cujos argumentos Orígenes registou e respondeu, afirmou que Jesus era «feio e pequeno».18 Embora Celso fosse um adversário, o facto de Orígenes se ter envolvido nesta alegação mostra que tais ideias existiam.
  • Outros escritos cristãos primitivos, alguns que não fazem parte da Bíblia (não canónica) ou de tradições posteriores, também descrevem Jesus como não notável ou mesmo fisicamente defeituoso. Por exemplo, os Atos de Pedro descrevem-no como "pequeno e feio para os ignorantes" e os Atos de João como "de cabeça calva e pequeno, sem boa aparência".6 André de Creta disse que Cristo era "dobrado ou mesmo torto".6 Algumas fontes até sugeriram que Ele era muito curto, cerca de quatro pés e seis polegadas, atribuído a figuras como Efrém Siro (cerca de 306-373 dC).18 Uma descrição que se diz ser do historiador judeu Josefo (embora provavelmente acrescentada às suas obras mais tarde) mencionou Jesus ter "as sobrancelhas conadas". um unibrow com bons olhos e de rosto comprido, torto e bem crescido».6

Esta perspetiva sublinhava a humildade de Jesus, a sua identificação com os humildes e a ideia de que o seu apelo era espiritual e moral, não baseado no encanto físico.

Um Divino e Belo Salvador

Em contraste, outros influentes Padres da Igreja argumentaram que Jesus deve ter sido perfeitamente belo tanto no rosto quanto no corpo, refletindo sua perfeição divina e ausência de pecado.

  • Jerome (cerca de 347-420 AD) e Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) foram fortes apoiantes desta visão.6 Agostinho escreveu famosamente que Jesus era «bonito como uma criança, belo na terra, belo no céu».6
  • Muito mais tarde, Tomás de Aquino (1225 – 1274), com base nesta tradição, argumentou que Jesus, devido à sua perfeição, deve ter encarnado toda a perfeição humana possível, incluindo a beleza física.6

Esta visão ligava a beleza física à excelência espiritual e divina, uma ideia comum na filosofia grega que influenciou algum pensamento cristão. Apresentava um Cristo idealizado.

O que é verdadeiramente importante para a salvação

Curiosamente, Santo Agostinho, mesmo inclinando-se pessoalmente para a ideia de um belo Jesus, também reconheceu que as pessoas tinham diferentes imagens mentais de Cristo. Sublinhou que «os detalhes físicos específicos não são relevantes para a salvação» e salientou a importância de ver Jesus como um verdadeiro ser humano, em vez de se concentrar demasiado nas suas características físicas específicas.14 Este é um ponto pastoral fundamental, recordando-nos que a nossa fé não depende do conhecimento desses detalhes.

A influente «Carta de Lentulus»

Um documento que tornou-se muito influente na formação da popular imagem ocidental de Jesus é o chamado Carta de Lentulus. Esta carta, supostamente escrita por um funcionário romano chamado Públio Lêntulo ao Senado Romano durante a vida de Jesus, descreve Jesus com características como cabelos justos, ligeiramente ondulados, divididos no meio, olhos azuis intensos ou avelãs, um nariz reto, um rosto nobre e vivo e um físico bem proporcionado.14 Mas os estudiosos concordam amplamente que esta carta é uma falsificação muito posterior, provavelmente da Idade Média (talvez dos séculos XIII a XV), e não uma fonte cristã primitiva autêntica.14 Apesar de não ser real, esta carta contribuiu significativamente para a imagem europeizada de Jesus.

As opiniões variadas dos Padres da Igreja sugerem que os seus pontos de vista sobre a aparência de Jesus foram muitas vezes moldados pelas suas prioridades teológicas e pelos argumentos específicos que estavam a fazer, e não por qualquer memória histórica consistente dos Seus olhares. Aqueles que enfatizavam a sua humildade e sofrimento voltaram-se naturalmente para Isaías 53. Aqueles que desejavam destacar a sua perfeição divina e glória defendiam a beleza ideal. A ausência de uma descrição bíblica clara ou de uma tradição indiscutível sobre a sua aparição deixou muito espaço para estas interpretações teológicas crescerem e influenciarem a forma como Jesus foi imaginado.

A tradição em curso, embora talvez menos popularmente conhecida, de um Jesus «não atraente» ou muito comum serve como uma poderosa contra-história para as imagens culturalmente dominantes, muitas vezes idealizadas e europeizadas. Esta tradição mais antiga desafia-nos a confrontar potenciais preconceitos sobre a aparência física e o valor espiritual. Num mundo muitas vezes obcecado com olhares externos, esta perspetiva oferece uma mensagem libertadora: O valor, a divindade e a missão de Cristo são totalmente independentes da atratividade física. Encoraja-nos a olhar mais profundamente para a Sua mensagem de humildade e para a natureza da verdadeira beleza espiritual.

A tabela a seguir organiza os diversos pontos de vista de alguns dos primeiros Padres da Igreja e de outras fontes primitivas sobre a aparição de Jesus:

Quadro 2: Pais da Igreja Primitiva e Fontes sobre a Aparição de Jesus

Pai da Igreja/Fonte Primitiva Aprox. século Visualização relatada na aparição Fundamentação/Fonte principal citada
Justino Mártir (c. 100-165 AD) 2o C Unattractive/Ordinary (implied pelo uso de Isaías 53\) Isaías 53
Irineu (c. 130-202 AD) 2o C Homem fraco e inglório Isaías 53
Clemente de Alexandria (c. 150-215 AD) final do 2.o/início do 3.o C Falta de beleza (baseado em Isaías 53\) Isaías 53
Tertuliano (c. 155-220 AD) final do 2.o/início do 3.o C Aparência ignóbil, forma desprezada Isaías 53
Celso (via Orígenes) (c. 175 AD) 2o C «Ugly and small» (afirmado por Orígenes como ponto de vista crítico) (Afirmação da crítica)
Orígenes (c. 184-253 AD) 3o C Não na beleza da forma, nem na superação da beleza. também reconheceu opiniões divergentes com base no Ps 45 Isaías 53 (primário), Salmo 45 (para uma visão alternativa)
Atos de Pedro (não canónico) 2o C Pequeno e feio para os ignorantes Tradição apócrifa
Atos de João (não canónico) 2o C De cabeça calva, pequeno, sem bom aspeto Tradição apócrifa
Efrém Siro (c. 306-373 AD) 4o C Estatura pequena (3 côvados / 4 pés 6 in) Tradição/Interpretação
André de Creta (c. 660-740 d.C., citando tradições anteriores) 7o-8o C Dobrado ou mesmo torto Tradição
Jerónimo (c. 347-420 AD) 4o-5o C Idealmente belo Argumento filosófico para a perfeição, interpretação do Salmo 45
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) 4o-5o C Idealmente belo; também notou a aparência não é a chave para a salvação Argumento filosófico para a perfeição, interpretação do Salmo 45
Carta de Lêntulo (apócrifo) Medieval (c. 13-15o C) Rosto nobre, cabelo justo/pesado, olhos azuis/avelãs (ideal europeizado) Falsificação/Tradição apócrifa

De onde surgiu a imagem comum de Jesus (com cabelo comprido e barba)?

A imagem de Jesus que muitos de nós reconhecemos hoje — muitas vezes com cabelos longos e castanhos, barba, pele clara e, por vezes, olhos azuis — é muito familiar em muitas partes do mundo. Mas, como aprendemos, esta imagem não vem diretamente da Bíblia, nem corresponde às primeiras imagens, que mostravam um jovem sem barba.1 Então, como surgiu esta imagem comum?

Uma reforma real

A grande mudança começou no século IV dC. Como o cristianismo passou de uma fé perseguida para ser aceito e, eventualmente, tornar-se a principal religião do Império Romano, as imagens de Jesus começaram a mudar. Começaram a refletir o seu estatuto de Rei, Senhor e governante divino. Os artistas começaram a usar a linguagem visual do poder e da divindade que as pessoas já entendiam na cultura greco-romana. A imagem de um homem maduro e barbudo com cabelos mais compridos foi influenciada por imagens de deuses poderosos como o deus grego Zeus (conhecido como Júpiter pelos romanos) ou figuras filósofas respeitadas.2 Jesus também começou a ser mostrado com coisas que os imperadores romanos tinham, como sentar-se num trono ou usar vestes imperiais, para mostrar a sua autoridade e poder.2 Esta mudança artística não foi aleatória; foi um esforço deliberado para mostrar a majestade e o senhorio divinos de Cristo de uma forma que faria sentido no mundo romano.

Retratos milagrosos

O papel do acheiropoietos, ou «imagens não feitas por mãos humanas», tornou-se também super importante por volta do século VII em diante. Lendas sobre imagens milagrosas como o Mandílio de Edessa e o Véu de Santa Verónica, que se acreditava serem verdadeiras impressões do rosto de Jesus, tornaram-se amplamente aceites.13 Estas relíquias geralmente mostravam um homem com barba e cabelos escuros na altura dos ombros. Porque estas imagens foram pensados para ser divinamente real, eles tiveram uma influência poderosa em fazer este olhar particular para Jesus padrão, especialmente na arte bizantina, que, em seguida, influenciou fortemente a arte na Europa Ocidental.

O toque renascentista e um olhar europeu

Durante o Renascimento (cerca dos séculos XIV a XVI), os artistas europeus quiseram criar uma arte mais realista e semelhante à humana. Continuaram a tradição de Jesus barbudo de cabelos compridos, mas muitas vezes deram-lhe características claramente europeias. Por vezes, os artistas usavam-se a si próprios ou a pessoas que conheciam como modelos!13 Por exemplo, o artista alemão Albrecht Dürer criou um auto-retrato famoso em 1500, onde posava de uma forma que se parecia muito com os ícones tradicionais de Cristo.13 O pintor siciliano Antonello da Messina pintou imagens do Cristo sofredor que pareciam muito semelhantes aos seus retratos de pessoas comuns.13 Foi durante este tempo que a imagem de um Jesus de pele clara, muitas vezes de cabelos claros e às vezes de olhos azuis se tornou realmente fixa na arte ocidental.2 Alguns historiadores da arte observam que durante este período, e mesmo mais tarde, houve tentativas subtis ou óbvias por parte dos artistas para distanciar Jesus da sua herança judaica, por exemplo, evitando características ou roupas associadas ao povo judeu, ou, muito mais tarde, a terrível tentativa nazi de promover um «Jesus Ariano».13

Difundir a imagem em todo o mundo

Esta imagem europeia de Jesus espalhou-se então por todo o mundo através de séculos de comércio europeu, colonialismo e trabalho missionário13. Este processo significou que uma imagem cultural específica de Jesus se tornou frequentemente a imagem dominante ou «padrão» em muitas partes do mundo.

A forma como a imagem de Jesus mudou, especialmente a forma como os artistas e as culturas tendiam a imaginá-lo de uma forma que lhes era familiar (como vemos tão claramente no Renascimento), diz-nos algo realmente poderoso sobre a natureza humana. Muitas vezes, as pessoas ligam-se mais facilmente com o que é familiar ou reflete a sua própria imagem. Embora isto possa fazer com que Jesus se sinta mais próximo e mais acessível a um determinado grupo, pode também conduzir a imagens etnocêntricas em que a imagem de uma cultura é consciente ou inconscientemente promovida como a única «verdadeira» ou «correta». Por conseguinte, a «imagem comum» de Jesus tem muitas vezes menos a ver com a exatidão histórica e mais com a mistura cultural e com o profundo desejo humano de ver o divino de uma forma familiar.

É igualmente tão importante reconhecer que o domínio histórico da imagem europeia («branca») de Jesus não é acidental; está ligada à dinâmica histórica do poder, em especial ao colonialismo europeu e à sua enorme influência cultural. Uma vez que o trabalho missionário cristão se tornou por vezes associado à expansão colonial, a imagem de um Cristo branco poderia, intencionalmente ou não, reforçar os sistemas sociais em que os europeus brancos estavam no topo, com os povos indígenas e os de pele mais escura classificados abaixo.13 Isto significa que a «imagem comum» não é neutra; tem um peso histórico. Reconhecer este contexto histórico é crucial para compreender por que as diversas imagens culturais de Jesus são tão importantes hoje para incentivar a inclusão e a justiça dentro da comunidade cristã global. Exige que examinemos criticamente as imagens que mantemos e de onde vieram.

O que a ciência e a história modernas podem nos dizer sobre a provável aparição de Jesus?

Embora a Bíblia seja silenciosa e a arte primitiva seja simbólica, a ciência moderna e a pesquisa histórica oferecem algumas ideias fascinantes, embora não definitivas, sobre o que Jesus pode ter parecido plausivelmente como um homem galileu do século I.

Um Rosto do Passado, Reimaginado

Uma das tentativas mais conhecidas de visualizar isso vem da antropologia forense. Em 2001, uma equipa liderada por Richard Neave, um artista médico reformado da Universidade de Manchester, utilizou técnicas forenses para reconstruir o rosto de um homem galileu típico do século I.2 Eis como o fizeram:

  • Eles analisaram três crânios semitas encontrados por arqueólogos israelenses, que datam da época em que Jesus viveu.
  • Usaram a tomografia computadorizada para criar secções transversais e modelos dos crânios.
  • Eles empregaram programas de computador para calcular onde estariam os músculos faciais e as camadas da pele.
  • Basearam-se em dados antropológicos sobre as características faciais das pessoas semitas da época.11

Também consideraram outras coisas: referências bíblicas (como o comentário de Paulo sobre o comprimento do cabelo dos homens, que sugere cabelos mais curtos) e a tradição judaica (os homens usavam tipicamente barbas). Eles pensavam que, como um carpinteiro que trabalhava ao ar livre, Jesus provavelmente teria pele bronzeada e uma construção muscular.

O rosto que reconstruíram foi um homem com um rosto relativamente largo, olhos escuros, cabelo curto, encaracolado escuro, uma barba espessa e pele bronzeada. A sua altura estimada era de cerca de 5 pés e 1 polegada (embora outras estimativas antropológicas para a altura média estejam mais próximas de 5 pés e 5 polegadas), e ele foi mostrado com uma construção robusta.2 Outra reconstrução semelhante descreveu "grandes olhos escuros, cabelo preto e pele tawny; sobrancelhas espessas e bigode, barba e pêlos curtos e fritos; bem como ossos fortes das bochechas e nariz bulboso».19

Não é uma fotografia uma imagem plausível

É tão importante compreender que Neave e a sua equipa não alegaram ter reconstruído o real Rosto de Jesus. Em vez disso, pretendiam criar uma representação credível do que um judeu adulto da Galileia no século I poderia ter parecido.2 Estas reconstruções oferecem um visual baseado na ciência que é mais historicamente e etnicamente plausível do que muitas imagens artísticas tradicionais, ajudando a colocar Jesus no seu contexto do mundo real.

Mais apoio a este tipo de imagem é o trabalho de estudiosos como Joan Taylor. No seu livro Como era Jesus?, Taylor usou vestígios arqueológicos, textos históricos e arte funerária egípcia antiga (que muitas vezes mostrava pessoas da Judeia e da Síria).2 A sua investigação concluiu que Jesus provavelmente tinha olhos castanhos, cabelo castanho escuro a preto e pele castanho-oliva. Também estimou que a sua altura era de cerca de 1,80 m, o que era médio para os homens na altura.2 O trabalho de Taylor, que sugere uma proximidade biológica dos antigos judeus aos judeus iraquianos de hoje, apoia o quadro geral fornecido pelas reconstruções forenses, reforçando a defesa de um Jesus de aparência do Médio Oriente10.

Estes estudos científicos e históricos se alinham com a compreensão antropológica geral das características judaicas do século I: cabelo tipicamente castanho ou preto, pele castanho-azeitona, olhos castanhos e uma altura média de cerca de 5 pés 5 polegadas.6

A ciência como guia

As abordagens científicas modernas, como a antropologia forense e a arqueologia, podem ser uma ajuda valiosa para corrigir séculos de tradição artística que muitas vezes eram guiados por preferências culturais ou simbolismo teológico, em vez de probabilidade histórica. Estas reconstruções científicas podem desafiar pressupostos visuais profundos e fazer-nos reavaliar «o que Jesus realmente parecia». Embora não sejam retratos definitivos do próprio Jesus, proporcionam uma alternativa baseada em dados que se encaixa muito melhor no seu contexto histórico conhecido como judeu da Galileia do século I. Para nós, cristãos, isto não tira a nossa fé, mas pode enriquecê-la oferecendo uma ligação mais historicamente fundamentada, embora ainda imaginada, ao Jesus humano. Encoraja-nos a pensar criticamente sobre de onde vêm as nossas imagens mentais.

A conclusão consistente destes estudos — de que Jesus provavelmente parecia "médio" ou "típico" para o seu tempo e lugar — tem implicações poderosas. Sugere que o Filho de Deus, quando veio à terra, abraçou totalmente a ordinalidade humana. Se Jesus parecia ordinário, a sua divindade não se manifestava num corpo visivelmente impressionante ou sobre-humano; Estava escondido na humanidade comum. Isto significa que reconhecê-Lo como o Messias ou Filho de Deus durante seu ministério terreno requeria algo além da visão física - requeria fé, discernimento espiritual ou testemunho de suas palavras e ações únicas. A «média» da provável aparição de Jesus é profundamente teológica. Sublinha a profundidade da sua identificação com a humanidade e sublinha que a sua singularidade estava na sua pessoa e missão divinas, não na sua forma exterior. Isto desafia todas as ideias persistentes de que a grandeza espiritual deve acompanhar a aparência física excecional.

Por que vemos Jesus retratado de forma tão diferente em várias culturas?

Não é fascinante a forma como Jesus é retratado de tantas formas diferentes em todas as culturas do mundo? Os artistas de todo o mundo retratam Jesus com características, vestuário e em ambientes que se sentem adequados às suas próprias culturas, etnias e tradições artísticas locais.7 Este fenómeno maravilhoso mostra o apelo universal da mensagem de Jesus e a sua incrível capacidade de estar «em casa» em qualquer cultura. Reflete uma tendência humana natural de visualizar o divino em formas familiares.

Várias coisas contribuem para estas diversas representações 7:

  • Tornando-o Relacionável (Etnia e Raça): Uma das principais razões é ajudar as pessoas a se relacionarem com Jesus. Mostrando-Lhe características físicas locais — sejam africanas, asiáticas, indígenas ou outras — os artistas ajudam as suas comunidades a sentir uma ligação mais pessoal com Ele.
  • Partilhar Significados Profundos (Símbolo Religioso): Diferentes culturas podem utilizar símbolos e estilos artísticos únicos para destacar aspetos específicos dos ensinamentos de Jesus, da sua vida ou da sua natureza divina que lhes são especialmente significativos.
  • Refletir as realidades da vida (contexto histórico e social): As situações históricas específicas ou as questões sociais dentro de uma cultura podem influenciar a forma como Jesus é mostrado, às vezes alinhando sua imagem com as lutas, esperanças ou ideais atuais. Por exemplo, na América Latina, Jesus é muitas vezes retratado como uma figura de libertação.
  • Destaque para a Fé (Influência Teológica): As crenças e os focos teológicos de diferentes denominações ou movimentos cristãos também podem moldar a forma como os artistas criam as características e expressões de Jesus.
  • Trazer o Evangelho para Casa (Inculturação/Contextualização): Este é o processo excitante pelo qual a mensagem e a identidade cristãs são expressas nos termos e formas de uma cultura particular. Fotografar Jesus em termos locais é uma maneira poderosa de fazer isso.

Uma história global de fé

Exemplos destas diversas representações culturais estão em toda a parte 7:

  • Arte europeia: Muitas vezes mostra Jesus em estilos desenvolvidos durante o Renascimento e mais tarde, enfatizando suas naturezas divinas e humanas, tipicamente com características europeias.
  • Arte africana: Pode retratar Jesus com características africanas, às vezes incluindo motivos tribais tradicionais, máscaras ou têxteis, mostrando-o como uma figura ancestral ou espiritual profundamente ligada à comunidade. A arte cristã etíope, por exemplo, tem uma longa e única tradição, muitas vezes mostrando Jesus e seus discípulos com roupas sacerdotais tradicionais etíopes.
  • Arte asiática: Pode retratar Jesus como um sábio, um mestre iluminado ou um professor espiritual, usando estilos e materiais comuns na arte asiática, como pinturas de pergaminho ou caligrafia. O aquarela chinês Lu Hongnian, por exemplo, criou representações deslumbrantes de cenas bíblicas com uma sensação distintamente chinesa.
  • Arte latino-americana: Muitas vezes reflete uma história de colonialismo e lutas pela justiça, retratando Jesus como uma figura de libertação, às vezes com características indígenas e cercado por cores vibrantes e símbolos locais.
  • Culturas indígenas (por exemplo, nativos americanos, polinésios): Retrate frequentemente Jesus com características nativas, roupas e símbolos culturais, enfatizando sua presença e relevância dentro de suas tradições específicas.

Estes retratos diversificados são tão importantes! Tornam Jesus relacionável e acessível, ajudando pessoas de todas as origens a ligarem-se a Ele pessoal e culturalmente. Confirmam visualmente a universalidade da mensagem de Cristo — que Ele é para todas as pessoas e não apenas para uma cultura ou etnia. Para muitas culturas não ocidentais, a criação de imagens de Jesus que reflitam a sua própria identidade é também uma forma importante de recuperá-Lo da imagem europeia historicamente dominante e de afirmar o seu próprio lugar e valor na família cristã global.17 Estas imagens diversificadas enriquecem a nossa compreensão cristã coletiva de Jesus, mostrando diferentes lados da sua pessoa e da sua mensagem, tal como os quatro Evangelhos oferecem retratos diferentes, mas complementares, da sua vida e do seu ministério.7

Jesus para todas as nações

As diversas representações culturais de Jesus podem ser entendidas como uma forma vital de «inculturação» — esse processo dinâmico em que o Evangelho se enraíza e se expressa através de uma determinada cultura. Isto reflete a maravilhosa verdade teológica de que Cristo é para todas as nações, tal como Ele ordenou na Grande Comissão (Mateus 28:19-20) para «fazer discípulos de todas as nações». A mensagem do Evangelho é inerentemente traduzível e adaptável a todos os contextos culturais sem perder a sua verdade central. , a própria Encarnação — Deus tornar-se humano em Jesus — é o ato último de Deus entrar numa cultura humana específica! Quando Jesus é descrito como «um de nós» (por exemplo, um Jesus coreano para os coreanos ou um Jesus Maasai para o povo Maasai), pode aprofundar a fé, criar um sentimento mais forte de pertença e fazer com que a mensagem do Evangelho ressoe ainda mais profundamente. Estas imagens são um testemunho visual da catolicidade (universalidade) da Igreja e da adaptabilidade da mensagem cristã, mostrando o cristianismo não como uma religião exclusivamente ocidental como uma fé verdadeiramente global.

A variedade de Jesuses culturais cria uma «conversa» global sobre a sua identidade. Cada retrato acrescenta uma voz e uma perspetiva únicas, desafiando a afirmação não falada ou falada de qualquer cultura a uma imagem definitiva. Juntos, estas diversas representações apontam para um Cristo que é maior do que todas as fronteiras culturais, mesmo que seja expressável dentro delas. A existência e a aceitação crescente de representações não europeias põem diretamente em causa o domínio histórico do «Jesus Branco».17 Estas imagens variadas não se anulam necessariamente nem são contraditórias; em vez disso, podem ser vistos como diferentes facetas de uma gema multifacetada. Uma representação asiática de Jesus como sábio não nega uma representação africana de Jesus como um curandeiro poderoso ou uma representação latino-americana de Jesus como um libertador compassivo. O testemunho coletivo destas diversas imagens aponta para um Cristo maior e mais inclusivo do que qualquer representação pode captar. Tal incentiva uma compreensão «ambas/e» em vez de uma abordagem «ou/ou», promovendo a humildade em relação à nossa própria perspetiva cultural e uma apreciação mais profunda da natureza verdadeiramente global da fé cristã.

Será que realmente importa o que Jesus parecia para a nossa fé?

Depois de explorar o silêncio da Bíblia, as probabilidades históricas e as diversas imagens artísticas, surge uma grande questão: Conhecer a aparência física exata de Jesus é realmente importante para a nossa fé cristã? O consenso entre a maioria dos teólogos e estudiosos da Bíblia é que não é crucial para a nossa salvação ou para o cerne da nossa crença cristã.3 Como diz uma fonte, «Compreender o que Jesus parecia pode parecer um tema interessante, não é crucial para a nossa fé ou salvação. A Bíblia centra-se na mensagem e no significado da vida, morte e ressurreição de Jesus, e não na sua aparência física.8 Há séculos, Santo Agostinho também observou que «os detalhes físicos específicos não são relevantes para a salvação».14 Isto tranquiliza-nos de que a nossa fé assenta em quem é Cristo, no que fez e nos seus ensinamentos, e não em ter uma imagem mental precisa do seu rosto.

A Sabedoria de Deus no Invisível

O silêncio da Bíblia sobre esta questão é, em si mesmo, teologicamente importante por várias razões maravilhosas:

  • Concentrar-se no que mais importa (ensino e ações): A falta de uma descrição física direciona a nossa atenção para o que Jesus disse e fez, que são centrais para a sua missão e mensagem.
  • Um Salvador para Todos (Representação Universal): Permite que Jesus seja imaginado de formas que ultrapassam as fronteiras étnicas e culturais, tornando-o relacionável a todas as pessoas, em todos os lugares.
  • Andar pela fé, não pela visão (encoraja a fé): Somos chamados a conectar-nos com Jesus através da fé, compreensão espiritual e relacionamento, em vez de através de uma imagem física.
  • Honrar a Deus Sozinho (Previne a Idolatria): Desincentiva o culto de semelhanças físicas, alinhando-se com os avisos bíblicos contra a produção e veneração de imagens esculpidas.7 Uma perspetiva sugere que a ambiguidade consiste precisamente em evitar questões como «os seres humanos que recriam imagens e inevitavelmente as adoram».20

Quando as imagens podem encobrir

Mas, embora não seja essencial para a salvação, as imagens de Jesus que temos podem ter implicações. Concentrar-se demasiado numa imagem específica, especialmente se for apresentada como a única «verdadeira» ou «correta», pode ter desvantagens:

  • Deixar as pessoas de fora (exclusão): Se uma determinada imagem, como um Jesus branco, europeu, é tida como definitiva, pode consciente ou inconscientemente fazer com que pessoas de outras culturas e origens se sintam alienadas, fazendo Jesus parecer-lhes estranho ou inacessível.17
  • Falta a Mensagem (Distracção): Um foco excessivo na aparência física pode distrair-nos das verdades fundamentais da fé - amor, perdão, justiça e nossa relação com Deus.8
  • Adorar a imagem, não a pessoa (idolatria de uma imagem): Existe o risco de venerar uma imagem culturalmente construída em vez de adorar a pessoa de Cristo na sua plenitude.8

Quando as imagens podem ajudar

Por outro lado, considerar cuidadosamente a provável aparição histórica de Jesus pode ter aspetos positivos:

  • Tornando-o real (Historical Grounding): Compreender sua provável aparição como um judeu do Oriente Médio do século I pode torná-lo mais historicamente real e tangível, opondo-se a representações desatualizadas ou puramente míticas.
  • Sentir-se mais perto (empatia e conexão): Para alguns, uma imagem mais historicamente plausível pode fomentar um sentimento mais profundo de ligação à humanidade de Jesus, à sua vida terrena e às suas experiências num tempo e local específicos19.
  • Ver-nos a nós mesmos claramente (Challenging Bias): Confrontar a imagem comum de «Jesus branco» e considerar uma probabilidade histórica mais precisa pode ajudar-nos a reconhecer e a desafiar os nossos próprios preconceitos culturais e raciais, tanto pessoais como sistémicos, no seio do cristianismo17.

Portanto, embora a aparência específica de Jesus possa não ser uma salvação as imagens de Jesus que mantemos, promovemos e encontramos faça É importante saber como vivemos a nossa fé (discipulado) e como a mensagem cristã é vista pelos outros (testemunha). Uma imagem exclusiva ou historicamente imprecisa pode tornar-se um obstáculo. A imagem de «Jesus branco», por exemplo, tem estado historicamente ligada ao colonialismo e à imposição de hierarquias raciais13. Se a nossa imagem de Jesus for culturalmente estreita, a nossa compreensão do seu apelo ao amor ao próximo e à justiça poderá também ser limitada. Reconhecendo um Jesus do Médio Oriente historicamente plausível, pode alargar-nos a compreensão da sua solidariedade para com toda a humanidade, incluindo aqueles que foram marginalizados. Apresentar um Jesus culturalmente exclusivo pode fazer a fé parecer irrelevante ou mesmo opressiva para aqueles que estão fora desta cultura específica. Uma abordagem mais inclusiva e historicamente consciente da sua imagem pode tornar o nosso testemunho cristão mais eficaz, acolhedor e autêntico.

A ênfase da Bíblia afastada do rosto físico de Jesus pode redirecionar intencionalmente a nossa atenção. Se não pudermos nos fixar em O seu Talvez estejamos destinados a procurar a sua presença e imagem nos rostos daqueles que nos rodeiam. Jesus identificou-se fortemente com os pobres, os famintos, os estrangeiros, os doentes e os presos, afirmando: «Tudo o que fizeste por um destes meus irmãos mais pequeninos, fizeste por mim» (Mateus 25:40). A imagem «verdadeira» de Cristo, portanto, pode não ser um retrato estático do passado, mas revela-se dinamicamente em atos de amor, compaixão e justiça para com os nossos semelhantes humanos de hoje. A busca da aparência física de Jesus, embora seja uma curiosidade humana compreensível, pode, em última análise, conduzir a uma verdade espiritual mais poderosa: que encontramos Cristo mais autenticamente não na arte antiga ou reconstruções forenses em nossas relações e serviço à humanidade. Isso muda o foco da curiosidade histórica para a fé ativa e viva. É uma forma vitoriosa de viver!

Como é que pensar na verdadeira aparência de Jesus pode aprofundar a nossa compreensão?

Envolver-se com a questão da aparência "real" de Jesus - considerando o que as evidências históricas e bíblicas sugerem - pode ser muito mais do que apenas um exercício intelectual. Pode levar a uma compreensão mais profunda e rica de Jesus e da nossa preciosa fé cristã!

Abraçar a sua humanidade

Pensar numa aparência historicamente plausível - a de um judeu do Oriente Médio do século I, provavelmente com as características descritas por historiadores e antropólogos - reforça poderosamente a verdade da Encarnação.

apareceu ser humano (uma crença equivocada conhecida como Docetismo 19). Imaginando-o no seu tempo, lugar e cultura específicos, ajuda-nos a conectar-nos com Ele como alguém que experimentou genuinamente a vida humana, com todas as suas alegrias e tristezas.

Ver Além da Própria Lente

Reconhecer que a imagem ocidental comum de Jesus é, em grande medida, uma criação cultural, e não uma realidade histórica direta, pode ajudar-nos a identificar e questionar os nossos próprios preconceitos e pressupostos culturais.17 Este processo pode conduzir a uma fé mais crítica, autoconsciente e madura — uma fé aberta a perspetivas mais amplas e menos limitada por hábitos culturais não examinados.

A Majestade da Ordinária

Se Jesus parecia «ordinário», tal como sugerido por profecias como Isaías 53 e apoiado por reconstruções forenses que apontam para uma aparência típica da sua região 5, destaca a poderosa escolha de Deus de entrar no mundo com humildade. Ele não se identificou com os poderosos, glamorosos ou fisicamente excepcionais pelos padrões mundanos com pessoas comuns e comuns. Isto pode ser profundamente encorajador, afirmar o valor inerente a cada vida ordinária e desafiar as ideias mundanas do que torna alguém importante ou grande.

A unidade na diversidade

Compreender que a aparência de Jesus não está fixada a uma etnia e apreciar as diversas formas como Ele é retratado nas culturas de todo o mundo pode promover um maior sentimento de unidade e respeito mútuo na nossa família cristã mundial.7 Ajuda-nos a ir além das visões etnocêntricas do cristianismo rumo a uma visão verdadeiramente universal, reconhecendo que a mensagem e a pessoa de Cristo pertencem a toda a humanidade.

Toda esta exploração deve levar-nos de volta à ênfase principal do Novo Testamento: Jesus não é definido por qualquer conjunto particular de características físicas por seu amor inigualável, seus ensinamentos transformadores, sua morte sacrificial, sua ressurreição vitoriosa e sua identidade divina como o Filho de Deus. Estes são os aspectos de Jesus que mudaram vidas e moldaram a história, e podem mudar a vossa vida hoje!

A viagem intelectual de explorar a aparência de Jesus pode, assim, transformar-se numa viagem espiritual. Pode levar-nos a procurá-Lo não numa imagem física fixa mais profundamente na Escritura, na oração, na comunidade dos crentes e no serviço aos outros. Paradoxalmente, pensar na sua aparência histórica «real» pode libertar-nos da necessidade de uma imagem física definitiva, abrindo-nos para encontrar o Cristo «real» de formas mais dinâmicas e espirituais.

Refletir sobre este tema pode levar a uma apreciação mais profunda da inclusão radical da Encarnação. Jesus era um homem particular, num tempo e lugar específicos, com uma provável aparência étnica específica como judeu do século I. No entanto, a sua mensagem e pessoa são universalmente abraçadas e expressas por todas as culturas, levando às diversas representações vistas em todo o mundo.7 Não há nenhuma contradição aqui! A particularidade da Encarnação não limita o seu alcance universal. Pelo contrário, é o próprio

meios por meio do qual Deus liga-se a toda a humanidade. Ao tornar-se humano de uma maneira específica, em um contexto cultural específico, Cristo afirma o valor e a dignidade de toda a humanidade em todos os contextos. A sua humanidade específica e histórica abre a porta a uma ligação divina universal. Este entendimento afirma tanto a realidade histórica de Jesus como o âmbito ilimitado e global do seu amor redentor. Acredite que Deus tem um grande plano para si!

Conclusão: Ver Jesus com os Olhos da Fé

A pergunta «Como era Jesus?» é uma pergunta natural, nascida do desejo de se ligar a uma figura de imenso significado histórico e espiritual. A nossa jornada para responder-lhe revela vários pontos-chave e edificantes:

  • A Bíblia, especialmente os Evangelhos do Novo Testamento, não nos dá uma descrição física de Jesus. Este silêncio é provavelmente a sabedoria de Deus, orientando o nosso foco para os seus ensinamentos que mudam a vida, as suas poderosas ações e a sua natureza divina.
  • As profecias do Antigo Testamento, como Isaías 53, sugerem um Messias cuja aparição seria ordinária, sem majestade mundana, enfatizando a humildade e o apelo espiritual sobre a atratividade física. Que belo quadro de liderança servil!
  • A arte cristã primitiva inicialmente representava Jesus simbolicamente, muitas vezes como um Bom Pastor sem barba. A imagem mais familiar de um Jesus barbudo e de cabelos compridos evoluiu mais tarde, influenciada por imagens greco-romanas de deuses e imperadores, e solidificada por lendas de imagens milagrosas e arte renascentista, que muitas vezes refletiam características europeias.
  • A investigação histórica e científica, incluindo a antropologia forense, sugere que Jesus teria características típicas de um judeu do século I da Galileia: pele castanho-azeitona, cabelo escuro e olhos, e uma construção média e altura para o Seu tempo.
  • As diversas formas como Jesus é retratado nas culturas globais hoje destacam lindamente a universalidade de sua mensagem e a tendência humana de vislumbrar o divino em formas culturais familiares. Jesus é para todos!

Embora conhecer a aparência exata de Jesus não seja essencial para a nossa salvação, pensar na sua provável aparência histórica pode verdadeiramente aprofundar a nossa fé. Pode ajudar-nos a abraçar a Sua plena humanidade, a desafiar os nossos preconceitos culturais, a apreciar a identificação de Deus com o comum e a promover uma compreensão mais inclusiva da nossa família cristã mundial.

A busca para visualizar Jesus deve levar-nos de volta ao núcleo da mensagem cristã: A sua identidade encontra-se no seu amor incrível, no seu sacrifício final, na sua ressurreição gloriosa e na sua presença contínua nas nossas vidas, e não numa única imagem física. O verdadeiro encontro com Cristo ultrapassa a aparência física, convidando a uma relação fundada na fé e a uma vida vivida em resposta ao seu chamamento. A ausência de um retrato definitivo na Escritura pode muito bem ser um convite de Deus a encontrar a sua imagem reflectida nos diversos rostos da humanidade e, sobretudo, a cultivar o seu carácter dentro de nós. É assim que se vive uma vida cristã vitoriosa!

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