Biblical Numerology: 616 – number Of The Beast?




  • O número 616 ganhou atenção como uma possível alternativa ao 666, o conhecido “”número da besta””, devido a descobertas em manuscritos antigos que podem indicar que era o número original citado em Apocalipse 13:18.
  • Manuscritos antigos importantes, como o Papiro 115 e o Codex Ephraemi Rescriptus, mostram o 616, despertando a curiosidade entre os cristãos sobre o seu significado e relação com a história cristã primitiva e as variações textuais.
  • Acredita-se que ambos os números, através da prática da gematria, façam referência ao Imperador Nero, com o 666 ligado à grafia grega e o 616 à grafia latina do seu nome, destacando a perseguição histórica aos cristãos.
  • Apesar da fama do 666, as discussões em torno do 616 incentivam uma compreensão bíblica mais profunda e enfatizam a soberania de Deus, exortando os crentes a permanecerem fiéis em meio aos desafios mundanos.
Este artigo é a parte 54 de 54 da série Numerologia Bíblica

O Mistério do 616

A Bíblia está cheia de coisas incríveis, números que chamam a nossa atenção e nos fazem maravilhar. Para muitas pessoas, o número 666, frequentemente chamado de “número da besta”, é um desses números muito conhecidos e, por vezes, pode parecer um pouco perturbador. Mas e se eu lhe dissesse que há ainda mais para descobrir? E se algumas das pistas mais antigas que Deus preservou apontarem para um número diferente: 616?

Esta jornada que estamos prestes a iniciar não é para causar medo ou confusão. Não, este é um convite para uma aventura de descoberta, uma oportunidade de olhar com olhos novos e esperançosos para um detalhe fascinante na incrível Palavra de Deus. Vamos explorar o que este número 616 pode significar, de onde ele vem e como compreender a sua história pode, na verdade, fazer com que a nossa apreciação pela Bíblia e pela verdade sólida da nossa fé cresça ainda mais. Então, prepare-se para ser encorajado! Porque mesmo nas discussões mais antigas e nas passagens mais misteriosas, a sabedoria de Deus e a Sua luz incrível podem brilhar, conduzindo-nos a uma maior compreensão e a uma esperança mais confiante do que nunca.

Qual é o burburinho sobre o número 616 e por que os cristãos estão curiosos sobre ele?

Durante muito, muito tempo, o número 666 tem sido um grande tópico quando as pessoas falam sobre profecia bíblica, especialmente como o “número da besta” sobre o qual lemos no Livro do Apocalipse.¹ Este número causou muitas suposições e, por vezes, um pouco de preocupação entre os crentes. Mas sabe de uma coisa? Em tempos mais recentes, um número diferente, 616, surgiu na conversa, despertando uma nova onda de curiosidade e um desejo real de entender do que se trata. Este novo interesse deve-se principalmente a algumas descobertas surpreendentes de cópias antigas do Novo Testamento.

Veja, existem estudiosos brilhantes que passam as suas vidas a estudar estes escritos antigos, e descobriram que algumas das primeiras cópias manuscritas do Livro do Apocalipse dizem, na verdade, que o número da besta é 616, não 666.² Uma das descobertas mais surpreendentes é um pequeno pedaço de papel antigo chamado Papiro 115 (P115). Pensa-se que seja um dos mais antigos, se não o O mais antigo, pedaço do Apocalipse já encontrado, remontando ao terceiro ou quarto século!² Quando as pessoas perceberam que uma pista tão antiga mostrava um número diferente, isso naturalmente fez com que as pessoas falassem e fizessem perguntas, não apenas os estudiosos, mas cristãos comuns como você e eu.⁴

Esta curiosidade não é sobre tentar mudar as nossas crenças cristãs fundamentais ou encontrar um novo “número assustador”. De modo nenhum! Vem realmente de um bom lugar — um desejo genuíno de entender a Bíblia com a maior precisão possível e de apreciar o trabalho incrível e cuidadoso destes estudiosos textuais. Estes especialistas analisam de perto documentos antigos para descobrir o que as Escrituras provavelmente diziam quando foram escritas pela primeira vez. Todo esse campo é chamado de crítica textual.⁷ Não é maravilhoso que Deus, no Seu plano incrível, tenha permitido que estes papéis antigos fossem mantidos em segurança e estudados? Isso apenas mostra o quão intemporal é a Sua Palavra. Toda a discussão sobre 616 versus 666 mostra-nos a história viva de como a Bíblia foi transmitida ao longo dos anos. Mostra que compreender a mensagem original da Bíblia é uma jornada emocionante que nos pode levar a uma apreciação mais profunda de como ela viajou através do tempo.

Portanto, o “burburinho” sobre o 616 é tudo sobre querer aprender mais. Os cristãos estão curiosos sobre o que estes números diferentes podem ter significado para as primeiras pessoas que leram o Apocalipse e como estes detalhes antigos podem tornar a nossa compreensão ainda mais rica hoje. É uma oportunidade de nos afastarmos de qualquer medo que possa estar ligado ao “número da besta” e, em vez disso, ficarmos fascinados pela incrível história e profundidade da Bíblia. E isso pode ser uma experiência verdadeiramente edificante e que fortalece a fé.

Onde na Bíblia o 616 é discutido como o “número da besta” em vez de 666?

Quando falamos sobre o número 616 como uma possível alternativa ao 666, estamos a focar-nos num único versículo muito famoso do Novo Testamento: Apocalipse 13:18. Este é o ponto onde o Apóstolo João, enquanto escreve sobre uma figura misteriosa chamada “a besta”, diz àqueles que têm sabedoria para “calcular o número da besta, pois é o número de um homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis” (King James…Fonte(https://astudent.wordpress.com/2008/05/02/here-is-the-number-of-man/)

Na maioria das Bíblias que lemos hoje, esse versículo diz 666. Isso porque a maioria dos manuscritos gregos antigos, que são a fonte das nossas traduções modernas, têm esse número. Mas toda a conversa sobre o 616 surge porque algumas das mais antigas cópias manuscritas do Livro do Apocalipse têm, na verdade, este número diferente nesse mesmo versículo. Em vez das letras gregas χξϛ (chi, xi, stigma) que representam 666, estes textos antigos têm χιϛ (chi, iota, stigma), que representa 616.²

Existem alguns manuscritos antigos muito importantes nesta discussão:

  • Papiro 115 (P115): Esta é uma peça muito importante do puzzle. Os estudiosos acreditam que foi escrito por volta de 225-275 d.C. (ou seja, o terceiro século), tornando-o o fragmento mais antigo conhecido do Apocalipse que contém este versículo em particular.⁴ E o P115 mostra claramente o número da besta como 616 (χιϛ).² O que é realmente interessante é que alguns estudiosos que estudaram o P115 pensam que o manuscrito pode até ter sugerido ambos os números como possíveis. Eles pensam que talvez a letra grega η (eta), que significa “ou”, tenha sido escrita entre χξϛ (666) e χιϛ (616). Claro, é difícil ter a certeza porque o fragmento é antigo e está um pouco danificado; é um pensamento fascinante!9
  • Codex Ephraemi Rescriptus (C ou 04): Este é outro manuscrito chave, do século V. Também mostra o número da besta como 616; neste, o número está escrito por extenso em palavras gregas: ἑξακοˊσιοιδεˊκαἕξ (hexakosioi deka hex), que significa “seiscentos e dezasseis”.²

É muito importante compreender que isto não se trata de uma história bíblica diferente ou de alguma contradição. É simplesmente uma variação na forma como este número específico foi copiado pelos escribas nos primeiros tempos do Cristianismo. Pequenas diferenças como esta não são incomuns em textos antigos que foram copiados à mão repetidamente. E a mensagem principal da verdade de Deus e da Sua salvação através de Jesus Cristo permanece absolutamente firme e não é minimamente alterada por esta diferença no número. Estas variações podem muitas vezes despertar a curiosidade sobre o seu significado, levando a perguntas como: “o que significa o número 515?”. Compreender estes números e os seus contextos pode enriquecer a nossa apreciação das escrituras em vez de a diminuir. Em última análise, os princípios fundamentais da fé, do amor e da redenção permanecem intactos, convidando-nos a explorar e a aprofundar a nossa compreensão da palavra de Deus.

O facto de o 616 aparecer em manuscritos tão antigos e importantes como o P115 e o Codex C é o que torna este um tópico sério para os estudiosos da Bíblia. Destaca apenas o processo incrível e cuidadoso de como o texto bíblico foi transmitido e o cuidado que precisamos de ter ao estudar estes escritos antigos. Deus, na Sua grande sabedoria, permitiu que estas diferentes tradições manuscritas sobrevivessem, dando aos estudiosos a oportunidade de as comparar e tentar compreender a Bíblia com a maior precisão possível. E a ideia de que alguns manuscritos muito antigos podem até ter reconhecido ambos os números (como o P115 potencialmente faz) sugere que esta incerteza ou debate sobre o número pode ter existido desde o início da história cristã. Isso torna o “mistério” do número ainda mais parte do seu caráter!

Para o ajudar a ver um pouco mais claramente, aqui está uma pequena tabela que resume algumas das principais evidências manuscritas:

Principais Evidências Manuscritas para 616 vs. 666

ManuscritoData (d.C.)Leitura em Apocalipse 13:18Notas
Papiro 115 (P115)c. 225-275616 (χιϛ)Fragmento mais antigo; alguns notam que pode oferecer “666 ou 616” 9
Codex C (Ephraemi Rescriptus)Século V616 (escrito por extenso)Manuscrito uncial importante 2
Papiro 47 (P47)Final do século III666 (χξϛ)Manuscrito muito antigo que apoia o 666 7
Codex Sinaiticus (א)Século IV666 (escrito por extenso)Manuscrito uncial maior 7
Codex Alexandrinus (A)Século V666 (escrito por extenso)Manuscrito uncial maior, considerado por alguns como o melhor texto de Apocalipse 7
A maioria dos outros manuscritosVários666A vasta maioria dos manuscritos gregos 2

Esta tabela ajuda a perceber por que existe uma discussão académica: existem fontes antigas e fiáveis que apoiam ambos os números, embora a maioria aponte para 666. Não é incrível como Deus nos permite descobrir estas coisas?

Quantas vezes o número 616 aparece realmente na Bíblia?

Quando ouve cristãos a falar sobre o número 616 em relação à Bíblia, trata-se quase sempre daquele versículo específico que temos vindo a discutir: Apocalipse 13:18. É precisamente nesse versículo que algumas dessas cópias antigas e manuscritas da Bíblia apresentam 616 como o “número da besta” em vez do 666 com o qual estamos mais familiarizados.²

É importante deixar isto claro: o número 616 em si não aparece repetidamente como um número simbólico ao longo do Antigo ou do Novo Testamento, como acontece com outros números. Por exemplo, vemos números como três (que frequentemente fala de Deus ou de plenitude), sete (um número frequentemente ligado à perfeição ou à obra divina de Deus), doze (simbolizando o povo de Deus ou os fundamentos lançados pelos apóstolos) e quarenta (frequentemente ligado a tempos de provação ou preparação) a aparecer muitas vezes com um significado simbólico claro.¹¹ O número 616 simplesmente não tem esse tipo de uso simbólico generalizado na história da Bíblia.

Portanto, se estiver a ler uma Bíblia em inglês padrão, que geralmente se baseia na maioria dos manuscritos gregos que contêm 666 em Apocalipse 13:18, provavelmente não verá o número 616 nesse versículo. A sua aparição é uma característica especial de certas tradições manuscritas antigas que os estudiosos da Bíblia estudam tão cuidadosamente. Uma lista que fala sobre números simbólicos na Bíblia menciona apenas o 616 como uma “leitura variante” para Apocalipse 13:18.¹²

Isto é algo útil de compreender. Não estamos numa caça ao tesouro por menções escondidas do 616 espalhadas por toda a Escritura. Em vez disso, o grande foco está em compreender o seu papel como uma variação textual numa passagem profética muito importante. A razão pela qual se fala tanto do 616 vem da discussão sobre se este poderia ter sido o número original em Apocalipse 13:18, uma discussão desencadeada por estas descobertas manuscritas surpreendentes. Não é porque aparece muitas vezes dentro da própria Bíblia. Esta natureza específica destaca, na verdade, o quão único é o enigma em Apocalipse 13:18; parece apontar para um cálculo ou identificação muito particular, em vez de usar um simbolismo geral que já estava estabelecido para o número 616. Assim, a importância do 616, neste caso, está realmente mais ligada à história de como o texto bíblico nos foi transmitido do que a qualquer padrão de uso noutros locais da Palavra de Deus. E isso é, por si só, algo fascinante!

O que é “gematria” e como esta prática antiga desvenda o significado de 616 e 666?

Para realmente compreender como números como 616 ou 666 poderiam apontar para uma pessoa específica ou um significado oculto, precisamos de dar uma vista de olhos numa prática antiga chamada “gematria” (que é uma palavra hebraica) ou “isopsephia” (que é a sua prima grega).¹⁰ Pense nisto como um código de letras e números à moda antiga. Sabe, em muitas línguas antigas, como o hebraico e o grego, as letras do seu alfabeto também serviam como números. Cada letra tinha um valor numérico específico atribuído a ela.¹⁰

A gematria consistia em pegar num nome ou numa palavra e somar os valores numéricos de cada uma das suas letras para obter uma soma única. Acreditava-se que este número final tinha uma ligação especial ao nome ou palavra original, revelando por vezes um significado oculto ou identificando alguém.¹⁴ O próprio Livro do Apocalipse parece dar-nos uma pequena piscadela de olho a esta prática no capítulo 13, versículo 18: “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é o número de um homem”.² Essa palavra “calcule” (em grego, é ψηφισαˊτω, psephisato, que pode significar “contar” ou “calcular”) sugere fortemente que algum tipo de matemática está envolvido na descoberta do número da besta.²

Então, como é que esta gematria nos ajuda a desvendar o significado de 616 e 666? Bem, a explicação com a qual a maioria dos estudiosos da Bíblia concorda é que ambos os números, quando se usa a gematria, apontam para uma figura histórica muito infame: o Imperador Romano Nero César.² Nero foi um perseguidor terrivelmente cruel dos primeiros cristãos, e o seu tempo como imperador (de 54 a 68 d.C.) foi conhecido pela sua tirania.

Eis como se pensa que o cálculo funciona, principalmente usando a gematria hebraica, onde nomes gregos ou latinos eram escritos em letras hebraicas:

  • Para 666: Se pegar no nome “Nero César”, escrito na sua forma grega (“Neron Kaisar”) e depois escrevê-lo em letras hebraicas (נרון קסר – NRON QSR), as letras somam 666. Aqui estão os valores: Nun (נ) = 50, Resh (ר) = 200, Vav (ו) para o som O = 6, Nun (נ) = 50, Qoph (ק) = 100, Samekh (ס) = 60, Resh (ר) = 200. Some-os: 50+200+6+50+100+60+200=666.¹⁵
  • Para 616: se pegar no nome “Nero César” da sua grafia latina (“Nero Caesar”, sem aquele ‘n’ final em “Neron”) e escrevê-lo em letras hebraicas (נרו קסר – NRO QSR), a matemática muda. Aquele primeiro Nun (נ) é retirado de “Neron”, pelo que o total diminui em 50. Os valores tornam-se: Nun (נ) = 50, Resh (ר) = 200, Vav (ו) para O = 6, Qoph (ק) = 100, Samekh (ס) = 60, Resh (ר) = 200. Some-os: 50+200+6+100+60+200=616.¹⁵

Esta diferença na grafia — o “Neron” grego versus o “Nero” latino — é o que muitos estudiosos acreditam ser a razão pela qual tanto o 666 como o 616 existiram como versões diferentes para o número da besta.¹⁴ Imagine aqueles primeiros cristãos, vivendo sob a ameaça constante de perseguição. Eles poderiam ter usado estes números como um código secreto para falar sobre o temido Imperador Nero sem dizer realmente o seu nome, o que poderia ter sido incrivelmente perigoso para eles.⁵ E aquela frase em Apocalipse 13:18, “pois é o número de um homem”, encaixa perfeitamente nesta ideia, porque a gematria calcula números a partir dos nomes das pessoas.

Esta prática de gematria não era algo encontrado apenas no Apocalipse. Era uma forma conhecida de interpretar as coisas na cultura judaica. Por exemplo, alguns estudiosos veem a gematria a ser usada no Evangelho de Mateus (1:17), onde a árvore genealógica de Jesus está estruturada em torno do número catorze. Porquê catorze? Porque esse é o valor numérico do nome “David” em hebraico (Dalet ד = 4, Vav ו = 6, Dalet ד = 4; 4+6+4=14).¹⁵ Portanto, usar um método como este no Apocalipse, um livro que é tão rico em símbolos e escrito num estilo que frequentemente recorre às tradições apocalípticas judaicas, faria sentido para os seus primeiros leitores, especialmente aqueles que vinham de um contexto judaico. Isto apenas mostra o incrível mundo multicultural do cristianismo primitivo, onde as formas judaicas de compreensão podiam ser usadas mesmo num texto grego como o Apocalipse. É um testemunho da sabedoria de Deus em comunicar a Sua verdade!

Aqui está uma tabela para o ajudar a ver a gematria para Nero César:

Gematria de Nero César

Grafia de Nero CésarTransliteração para hebraicoLetraValorLetraValorLetraValorLetraValorLetraValorLetraValorLetraValorTotal
Neron César (forma grega)נרון קסר (NRON QSR)N (נ)50R (ר)200O (ו)6N (נ)50Q (ק)100S (ס)60R (ר)200666
Nero César (forma latina)נרו קסר (NRO QSR)N (נ)50R (ר)200O (ו)6Q (ק)100S (ס)60R (ר)200616

Esta forma inteligente de comunicar em código mostra apenas a incrível criatividade e força da fé quando as pessoas estão sob pressão. Permitiu que aqueles primeiros crentes falassem a verdade a pessoas poderosas de uma forma oculta, mas compreensível. Deus abre sempre um caminho!

Se 616 é o número, quem ou o que a “besta” poderia representar de acordo com os estudiosos?

Mesmo que consideremos que o número da besta é 616, o principal candidato que muitos estudiosos acreditam que ele aponta continua a ser o mesmo que para o 666: aquele infame Imperador Romano, Nero César. Como vimos com aquela prática antiga de gematria, a forma latina de escrever “Nero César”, quando se atribui valores numéricos às suas letras em hebraico (NRO QSR), soma 616.¹⁵ Isto sugere que o 616 poderia ser simplesmente outro código numérico secreto para Nero, talvez refletindo como o seu nome era mais comummente escrito ou dito em latim, em oposição ao “Neron” grego que nos dá 666.¹⁵ É interessante que alguns escritores antigos até pareciam estar de acordo com a troca dos números se achassem que isso tornava a referência a Nero mais clara, o que mostra o quão estreitamente ambos os números estavam ligados a este imperador nas suas mentes.¹⁷

Mas Nero não é o único nome que surgiu em relação ao 616. Os estudiosos sugeriram algumas outras possibilidades interessantes:

  • Imperador Calígula: Outro Imperador Romano, Caio César, que é mais famoso como Calígula (reinou de 37-41 d.C.), foi apresentado como uma possibilidade para o 616. O Professor David Parker, que é um especialista no estudo de textos antigos do Novo Testamento, é um dos que sugeriu esta ligação.⁵ Se usar a isopsephia grega (que é a versão grega da gematria), o nome “Gaios Kaisar” (ΓΑΙΟϹ ΚΑΙϹΑΡ) pode ser calculado para igualar 616.¹⁰ Calígula, tal como Nero, era conhecido pela sua terrível crueldade, pelo seu comportamento imprevisível e pela sua exigência de ser adorado como um deus. Ele até tentou colocar a sua estátua no Templo de Jerusalém, o que foi algo chocante de se fazer.
  • “César Divino” (Kaisar Theos): Um estudioso chamado Adolph Deissmann apontou outra ideia. As palavras gregas KαιˊσαρΘεοˊς (Kaisar Theos), que significam “César Divino” ou “César Deus”, também somam 616 usando essa isopsephia grega.¹⁰ Esta interpretação não apontaria apenas para um imperador; seria uma crítica mais ampla a todo o culto imperial romano – o sistema que exigia que os imperadores fossem adorados como deuses. Esta prática blasfema era um enorme problema para os primeiros cristãos e judeus, um verdadeiro ponto de conflito.
  • Um jogo gramatical sobre “Besta”: Aqui está uma ideia fascinante baseada na língua: é possível que os números 616 e 666 possam, na verdade, vir da própria palavra grega para “besta”, quando a escreve em letras hebraicas e a calcula usando a gematria. A forma básica de “besta” (θηˊ​ριον, thērion) pode dar-lhe 666 (quando escrita como תריון, trywn), embora a forma “da besta” (θηριˊου, thēriou) possa dar-lhe 616 (como תריו, tryw).¹⁴ Se este for o caso, o número seria um trocadilho numérico direto sobre a própria palavra usada para descrever esta entidade!

O facto de o 616 poder ser plausivelmente ligado a Nero (usando a grafia latina), Calígula (usando a grafia grega) ou até mesmo a um título imperial geral como “César Divino” mostra que existe uma certa flexibilidade neste sistema de gematria. Isto pode significar que os leitores originais, se compreendessem o número através da gematria, poderiam ter-se focado menos numa única pessoa e mais no tipo de poder imperial blasfemo e perseguidor que a “besta” representava. Todos estes candidatos incorporam realmente esses traços tirânicos e idólatras que o Apocalipse condena.

É também muito importante lembrar o mundo em que o Livro do Apocalipse foi escrito. Foi um tempo de enorme pressão e, muitas vezes, de terrível perseguição para os cristãos sob o Império Romano. Usar números como 616 ou 666 como referências codificadas era uma forma de eles falarem sobre estes poderes opressores e criticarem as suas pretensões de serem deuses sem o dizerem diretamente, o que poderia ter trazido castigos ainda piores sobre eles.⁵ A forte ligação de ambos os números a Nero também se liga a uma crença popular e assustadora da época chamada mito de “Nero Redivivus” — esta era a ideia de que Nero, depois de morrer, voltaria milagrosamente ao poder como uma figura ainda mais terrível.²¹ Uma referência numérica a Nero, em qualquer das formas (616 ou 666), teria realmente tocado um ponto sensível num público que conhecia esta expectativa arrepiante, tornando a imagem aterrorizante da besta ainda mais forte.

Quer seja 616 ou 666, o número serviu como uma espécie de “marco” para aqueles primeiros crentes, apontando para a natureza das forças anticristãs que eles enfrentavam. E não é exatamente como Deus, na Sua sabedoria, providenciar a compreensão destas coisas, revelando frequentemente significados mais profundos à medida que estudamos a Sua Palavra em oração? Ele guia sempre os Seus filhos.

Por que o 666 é mais famoso e qual é a história por trás deste “número da besta”?

Não há dúvida de que o número 666 é muito mais famoso do que o seu primo, 616. E existem algumas razões muito boas pelas quais é tão amplamente reconhecido como o “número da besta”. Durante muitos, muitos séculos, tem sido o número que as pessoas associam principalmente a esta figura misteriosa de Apocalipse 13:18.

A maior razão para a fama do 666 é que ele aparece na esmagadora maioria dos manuscritos antigos. A maioria das cópias gregas antigas do Livro do Apocalipse, que são a base para a maioria das traduções da Bíblia ao longo da história (incluindo as muito influentes, como a Versão King James), contém o número 666.² Isto pode ser escrito como os numerais gregos χξϛ (chi, xi, stigma) ou soletrado por extenso como “seiscentos e sessenta e seis”. Quando uma leitura específica é encontrada na maioria das fontes antigas, ela torna-se naturalmente o padrão e aquela que a maioria das pessoas reconhece.

Além disso, alguns dos mais respeitados Padres da Igreja primitiva apoiaram a leitura 666. Ireneu, um líder da igreja muito importante que escrevia no final do século II, argumentou fortemente que 666 era o número correto e original. Ele disse que foi “encontrado em todas as cópias mais aprovadas e antigas” a que teve acesso, e que a sua veracidade foi confirmada por pessoas que conheceram pessoalmente o Apóstolo João.² Quando alguém como Ireneu o endossou, isso teve muito peso na igreja primitiva e ajudou realmente a consolidar o 666 como o número aceite.

A ligação ao Imperador Nero através da antiga prática da gematria também desempenha um papel enorme na razão pela qual o 666 é tão famoso. Como discutimos, a grafia grega do nome e título de Nero, “Neron Caesar”, quando escrita em letras hebraicas (נרון קסר), resulta em 666.¹⁵ Dada a forma horrível como Nero perseguiu os cristãos após o Grande Incêndio de Roma, esta identificação tornou o 666 um símbolo poderoso e arrepiante da tirania anticristã. Esta forte combinação de um vilão histórico e um número memorável criou um símbolo para o mal que realmente permaneceu connosco ao longo dos tempos.

Para além da interpretação de Nero, o 666 também foi analisado de várias formas simbólicas que contribuíram para a sua notoriedade:

  • Ficar aquém da perfeição de Deus: Alguns intérpretes viram o número seis como um símbolo da humanidade (uma vez que os humanos foram criados no sexto dia, de acordo com o Génesis) ou como um número de imperfeição, ficando sempre aquém do número perfeito de Deus, sete. Nesta visão, a tripla repetição em 666 poderia representar o auge absoluto do mal humano, uma incompletude desafiadora, ou mesmo uma “trindade de imperfeição” (talvez o dragão, a besta e o falso profeta mencionados no Apocalipse).¹¹ É bom notar, no entanto, que alguns estudiosos salientam que os escritores antigos nem sempre viam o número seis como inerentemente imperfeito.⁷
  • “Lateinos” ou “Teitan”: O próprio Ireneu, embora tivesse a certeza de que 666 era o número correto, foi cuidadoso ao nomear definitivamente quem era o Anticristo. Ele explorou possibilidades usando a gematria grega, sugerindo que o nome “Lateinos” (ΛΑΤΕΙΝΟΣ), que significa “Latino” e aponta para o Império Romano, somava 666. Ele também pensou em “Teitan” (ΤΕΙΤΑΝ), que trazia à mente os rebeldes Titãs da mitologia grega, como outro candidato plausível.¹⁰

E, finalmente, o número 666 teve um enorme impacto cultural. Ao longo de centenas de anos, tornou-se profundamente enraizado na cultura ocidental como um símbolo do Anticristo, de Satanás ou apenas do mal em geral. Aparece muito em livros, filmes, música e foi até adotado por alguns grupos satânicos, o que cimenta ainda mais a sua reputação sinistra.⁵ Este reconhecimento cultural generalizado garante que o 666 permaneça muito mais famoso do que a variante académica 616.

Portanto, como vê, o domínio do 666 nos manuscritos e nas primeiras interpretações influentes criou uma forte tradição histórica. Embora a nova atenção sobre o 616, baseada em importantes evidências de manuscritos antigos como o P115, mostre como o estudo contínuo nos pode fazer reexaminar até partes bem conhecidas da Bíblia, a fama do 666 baseia-se em séculos de ser o texto mais comum, a interpretação teológica e o impacto cultural. Tudo isto faz parte da fascinante jornada da Palavra de Deus através da história!

O que os primeiros Pais da Igreja ensinaram sobre o “número da besta” e a discussão entre 616 e 666?

Aqueles primeiros líderes e pensadores cristãos, aqueles a quem frequentemente chamamos Padres da Igreja, estavam definitivamente conscientes do enigma em torno do “número da besta” em Apocalipse 13:18. Os seus escritos dão-nos uma visão tão valiosa sobre como as primeiras comunidades cristãs lidaram com esta passagem misteriosa, e isso inclui a variação entre 616 e 666.

Ireneu (que viveu por volta de 130 – 202 d.C.) é uma pessoa realmente fundamental em toda esta discussão. Na sua grande obra chamada Contra as Heresias (especificamente no Livro V, Capítulo 30), ele passou um bom tempo a falar sobre o número da besta.²

  • Ireneu reconheceu abertamente que a variante 616 existia. Ele mencionou que “alguns erraram seguindo o modo comum de falar, e viciaram o número do meio no nome, deduzindo a quantidade de cinquenta dele, de modo que, em vez de seis décadas, eles querem que haja apenas uma”.¹⁰ Ele pensou que esta diferença provavelmente aconteceu devido a um erro de copista, onde a letra grega para sessenta (ξ, xi) poderia ter sido confundida com a letra para dez (ι, iota).²³
  • Mas, embora soubesse do 616, Ireneu acreditava fortemente que 666 era o número correto e original. Ele baseou esta crença no que considerava “todas as cópias mais aprovadas e antigas” do Apocalipse que conseguiu encontrar e, muito importante, no testemunho daqueles “homens que viram João face a face”.¹⁰ Apelar à tradição transmitida pelos apóstolos e ao que ele via como uma forte evidência manuscrita era um argumento poderoso naquela época.
  • Curiosamente, Ireneu não ligou o número 666 ao Imperador Nero. Em vez disso, usando a gematria grega, ele investigou outros nomes possíveis. Ele sugeriu “Lateinos” (ΛΑΤΕΙΝΟΣ), que significa “homem latino” ou referindo-se ao Império Latino (Romano), como uma “solução muito provável”. Ele também pensou que “Teitan” (ΤΕΙΤΑΝ), um nome com ligações míticas ao poder e à rebelião, era “bastante digno de crédito”.¹⁰ Para além de nomes específicos, ele também via o 666 como representando simbolicamente a soma total da rebelião humana contra Deus ao longo da história.⁷
  • Uma parte realmente fundamental do ensino de Ireneu era o seu coração pelas pessoas. Ele alertou contra “conclusões precipitadas” e ser demasiado dogmático sobre qualquer nome sugerido, especialmente aqueles que vinham do que ele pensava ser um “número erróneo e espúrio” (referindo-se ao 616).²³ Ele acreditava que era “mais certo, e menos perigoso, aguardar o cumprimento da profecia” do que adivinhar desenfreadamente, porque isso poderia levar os crentes pelo caminho errado.²³ Que pastor sábio!

Outros Padres da Igreja também partilharam os seus pensamentos, ou podemos ter uma ideia das suas posições:

  • Hipólito de Roma (por volta de 170 – 235 d.C.): Ele viveu na mesma época que Ireneu, e Hipólito também usou a leitura 666 nos seus escritos sobre o Anticristo.⁷ Alguns escritos posteriores ligados ao seu nome também sugeriram soluções para o 666, como “Lampetis”.²⁵ Os seus comentários conhecidos sobre Daniel e Apocalipse mostram que ele estava profundamente interessado nestes temas do fim dos tempos.²⁶
  • Vitorino de Pettau (falecido por volta de 304 d.C.): Ele escreveu um dos primeiros comentários latinos sobre o Livro do Apocalipse que ainda temos hoje. Vitorino trabalhou com o número 666 e, tal como Ireneu, explorou soluções usando a gematria grega (sugerindo nomes como Teitan e Antemos). Ele também propôs, de forma única, uma solução de gematria latina: “DIC LUX” (que significa “diz luz”). Ele interpretou isto ironicamente como um título para o Anticristo, que se apresenta falsamente como um anjo de luz.²⁵
  • Jerónimo (por volta de 347 – 420 d.C.): Quando Jerónimo assumiu a enorme tarefa de rever as versões latinas da Bíblia existentes para criar o que hoje conhecemos como a Vulgata Latina, ele manteve o número 666 em Apocalipse 13:18.² A Vulgata de Jerónimo tornou-se a Bíblia padrão para a Igreja Ocidental durante mais de mil anos, o que cimentou ainda mais o 666 como a leitura principal nessa tradição.
  • Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C.): No seu famoso livro, A Cidade de Deus (Livro XX, Capítulo 19), Agostinho falou sobre as teorias da sua época relativas ao Anticristo, incluindo a crença persistente de que o Imperador Nero poderia ser o Anticristo ou que seria trazido de volta à vida para desempenhar esse papel. O próprio Agostinho pensava que tais ideias eram uma “presunção audaciosa”.¹⁰ Embora a informação que temos não mostre Agostinho a focar-se muito na variante 616 para o número em si, é notável que ele estivesse ciente destas teorias sobre o Anticristo-Nero, especialmente porque a variante 616 é frequentemente ligada a uma grafia latina do nome de Nero.²²

Portanto, como vê, os primeiros Padres da Igreja, especialmente Ireneu, desempenharam um papel importante no estabelecimento do 666 como o número da besta amplamente aceite. Embora conhecessem a variante 616, os seus argumentos baseados nas provas manuscritas que possuíam, na tradição apostólica e nas suas interpretações teológicas levaram o 666 a tornar-se dominante. Mas mesmo quando concordavam sobre o número, as suas diferentes interpretações de que nome ou conceito o 666 representava (Lateinos, Teitan, Dic Lux, rebelião geral) mostram que a “sabedoria” exigida em Apocalipse 13:18 era entendida como um processo contínuo de discernimento espiritual, e não apenas como uma resposta única e fixa. A sua principal preocupação, como bons pastores, era guiar os crentes para uma fé forte e afastá-los de distrações especulativas que poderiam ser prejudiciais. Eles queriam que as pessoas permanecessem focadas na verdade e no amor de Deus.

Qual é a mensagem edificante de Deus para nós nas passagens do Apocalipse sobre a “besta” e o seu número?

Mesmo com todas as imagens por vezes assustadoras de bestas, dragões e números misteriosos, a mensagem final que Deus tem para nós no Livro do Apocalipse — sim, mesmo naquelas passagens que falam sobre a “besta” e o seu número — é profundamente edificante e cheia de esperança! É uma mensagem que transborda com a promessa da vitória de Cristo e está profundamente enraizada no amor inabalável de Deus e no Seu controlo soberano e todo-poderoso.

O Apocalipse declara com um poder incrível que Deus é soberano. Ele está no trono e tem o controlo final de toda a história, não importa quão selvagens ou ameaçadoras as coisas na terra possam parecer.³⁵ A “besta”, apesar de todo o seu aparente poder, só tem permissão para operar por um tempo limitado, um período que o próprio Deus determinou.³⁰ Esta garantia da autoridade suprema de Deus é uma fonte tão profunda de conforto e estabilidade para cada crente. Pode descansar nisso!

O herói central do Apocalipse não é a besta, mas sim Jesus Cristo, o Cordeiro que foi morto e que agora ressuscitou e reina em vitória gloriosa!30 Ele é o Leão da tribo de Judá que triunfou sobre o pecado e a morte. O Apocalipse não deixa absolutamente nenhuma dúvida de que Jesus derrotará, final e decisivamente, a besta, o falso profeta e todas as forças do mal.³⁰ Esta é a rocha sólida da esperança cristã: o mal não vence; Jesus vence! O livro inteiro é um “apocalipse”, uma revelação, e é principalmente uma revelação de Jesus Cristo na Sua glória e no Seu triunfo final. A besta serve apenas como um pano de fundo sombrio que faz a vitória radiante de Cristo brilhar ainda mais.

À luz desta verdade incrível, o Apocalipse emite um poderoso apelo à perseverança fiel e à lealdade inabalável a Cristo. O livro encoraja os crentes a permanecerem firmes e fortes na sua fé, a guardar os mandamentos de Deus e a manterem-se firmes no seu testemunho sobre Jesus, mesmo quando enfrentam perseguição ou imensa pressão para se conformarem a sistemas mundanos que O negam.³⁰ Passagens como Apocalipse 13:10 dizem-nos: “Aqui está a perseverança e a fé dos santos” (NVI). A nossa capacidade de perseverar é alimentada pelo conhecimento da Sua vitória que virá!

Para aqueles que permanecem fiéis, aqueles cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro e que se recusam a adorar a besta ou a receber a sua marca, o Apocalipse reserva a gloriosa promessa da vida eterna com Deus. Este é um futuro num novo céu e numa nova terra, onde o próprio Deus habitará com o Seu povo, e não haverá mais tristeza, nem choro, nem dor, nem morte.³³ Esta esperança eterna supera, de longe, quaisquer provações temporárias que possamos enfrentar. Que futuro temos para aguardar!

A questão central, portanto, não é decifrar meticulosamente um número com precisão matemática para ser salvo. Não, trata-se de garantir que a nossa adoração e lealdade sejam dadas apenas a Deus.³³ A “marca da besta” contrasta fortemente com o facto de ser selado por Deus como Sua propriedade. O apelo para “calcular” ou “contar” o número faz parte de uma convocação mais ampla para a sabedoria e o discernimento espiritual — para reconhecer e resistir ao espírito do anticristo, sob quaisquer formas que possa aparecer ao longo da história e nas nossas próprias vidas hoje.

Portanto, a mensagem de Deus é cristalina: Não tenhais medo, sede sábios e vigilantes. O Apocalipse foi dado para preparar e equipar os crentes, não para os aterrorizar.¹ Compreender estas profecias, mesmo as mais desafiadoras sobre a besta, deve levar-nos a um compromisso mais profundo com Cristo e a uma confiança segura na Sua proteção final e no Seu plano divino perfeito. A literatura apocalíptica, pela sua própria natureza, levanta o véu sobre o grande desígnio de Deus, mostrando-nos o fim da história. E conhecer o fim da história proporciona imenso conforto e coragem aos crentes enquanto navegamos pelas complexidades desta era presente. Garante-nos que o nosso sofrimento não é em vão e que um futuro glorioso e vitorioso aguarda todos os que pertencem a Cristo. Isso é um motivo para se alegrar!

Conclusão: Viver com Sabedoria e Esperança

Esta jornada pelo mistério do número 616 e como ele se relaciona com o mais famoso 666 é muito mais do que apenas um exercício académico; é um convite maravilhoso para nos envolvermos mais profundamente com a riqueza histórica e textual da incrível Palavra de Deus. Vimos que o 616 é uma variação importante encontrada em alguns dos primeiros indícios manuscritos para Apocalipse 13:18. Muito provavelmente aponta, tal como o 666, para o Imperador Romano Nero ou para o poder imperial anticristão mais amplo daquela época, comunicado através daquela antiga prática da gematria.²

Os primeiros Padres da Igreja, como o sábio Ireneu, estavam cientes desta diferença numérica, embora preferissem maioritariamente o 666 com base nas provas e na tradição que possuíam.²³ No entanto, eis a bela verdade: quer o número seja 616 ou 666, o desafio espiritual central apresentado pela “marca da besta” permanece exatamente o mesmo. É um apelo à lealdade inabalável e de todo o coração a Jesus Cristo num mundo que muitas vezes nos pressiona a conformarmo-nos a sistemas que se Lhe opõem.³³

Explorar estes detalhes antigos não nos deve levar ao medo ou à especulação obsessiva. De modo algum! Em vez disso, pode cultivar em nós uma poderosa apreciação por quão cuidadosamente a Bíblia foi preservada, uma compreensão mais profunda das provações enfrentadas por aqueles corajosos primeiros crentes e um renovado sentido de admiração pela comunicação intrincada e sábia de Deus. A lição mais importante, aquela a que nos devemos agarrar, é que a nossa identidade, a nossa segurança e a nossa esperança não se encontram em decifrar um número. Encontram-se no nosso relacionamento com uma Pessoa — Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que foi morto, que ressuscitou em vitória e que reina hoje como Rei dos reis e Senhor dos senhores! À medida que nos aprofundamos na nossa fé, o significado de rituais e tradições como compreender os sete sacramentos torna-se mais claro, enriquecendo a nossa jornada espiritual. Estes momentos sagrados conectam-nos mais intimamente com a graça de Deus e promovem uma comunidade que apoia uns aos outros em amor e reverência. Em última análise, abraçar estas verdades aproxima-nos do coração de Deus e melhora o nosso testemunho coletivo ao mundo.

A mensagem do Apocalipse, mesmo no meio de todo o seu simbolismo complexo, é de vitória final e de esperança duradoura e inabalável. Chama-nos a viver com sabedoria, discernindo os tempos e permanecendo fiéis ao nosso Senhor. Chama-nos a viver com esperança, confiantes de que Deus é soberano, que Jesus venceu o mundo e que o nosso futuro com Ele está absolutamente seguro. Portanto, fixemos os nossos olhos n’Ele, o autor e consumador da nossa fé, e caminhemos com confiança como filhos da luz, marcados não por um número de lealdade mundana, mas pelo belo selo do amor redentor de Deus. Estais abençoados, sois favorecidos e os vossos melhores dias ainda estão por vir!



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