Como a Bíblia vê a estabilidade e a consistência no casamento?
As Sagradas Escrituras apresentam o casamento como um pacto sagrado entre marido, mulher e Deus - marcado pelo amor firme, fidelidade e compromisso ao longo da vida. Vemos isso lindamente expresso no livro de Malaquias, onde o Senhor declara: «Odeio o divórcio» (Malaquias 2:16). Não se trata de uma condenação, mas sim de refletir o desejo de Deus de que os casamentos perdurem e floresçam.
Ao longo da Bíblia, encontramos imagens que comparam a relação matrimonial com o amor inabalável de Cristo pela Igreja. Como escreve São Paulo na sua carta aos Efésios, «Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a igreja e se entregou por ela» (Efésios 5:25). Este amor sacrificial e duradouro constitui o fundamento de um matrimónio cristão estável.
A consistência no casamento reflete a própria natureza do nosso Deus imutável. Em Hebreus 13:8 lemos que «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre». Tal como o amor de Deus por nós permanece constante, também nós somos chamados a um compromisso firme no casamento. A previsibilidade de um casamento estável proporciona um ambiente seguro para que os cônjuges e os filhos cresçam na fé e no amor.
Mas devemos lembrar-nos de que estabilidade não significa estagnação. Um casamento saudável requer a manutenção e a renovação contínuas do amor. Como diz no Cântico dos Cânticos: «Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre o teu braço; Porque o amor é tão forte como a morte, e o seu ciúme inflexível como a sepultura. Queima como fogo ardente, como uma chama poderosa" (Cântico dos Cânticos 8:6). Enquanto o compromisso permanece inabalável, a chama do amor deve ser cuidada.
A visão bíblica da estabilidade conjugal reflete a fidelidade do próprio pacto de Deus. Como lemos em Lamentações, «Por causa do grande amor do Senhor, não somos consumidos, porque as suas compaixãos nunca falham. São novas todas as manhãs. grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:22-23). Do mesmo modo, os casais cristãos são chamados a renovar diariamente o seu amor, mantendo-se fiéis aos seus votos. Tal constitui um poderoso testemunho para o mundo do amor e da graça duradouros de Deus.
Um casamento "chato" pode realmente refletir a maturidade espiritual e o compromisso?
Devemos ter o cuidado de não confundir a noção mundial de excitação com a verdadeira realização espiritual no casamento. O que alguns podem qualificar de «chato» pode, de facto, ser um reflexo de uma profunda maturidade espiritual e de um compromisso inabalável entre os cônjuges. É importante que os casais priorizem a ligação emocional e espiritual em vez de procurar emoções externas constantes. Isto é especialmente importante para aqueles que podem ser Casou-se com um incrédulo, como encontrar a realização através de valores compartilhados e crescimento espiritual pode fortalecer o vínculo conjugal. A verdadeira realização no casamento vem de uma base de amor, confiança e um compromisso compartilhado com o crescimento espiritual, em vez de procurar momentos fugazes de excitação.
Considere as palavras de São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios: «O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não desonra os outros, não procura a si mesmo, não se irrita facilmente, não regista erros» (1 Coríntios 13:4-5). Esta descrição do amor enfatiza a estabilidade, o altruísmo e a constância – qualidades que podem parecer pouco excitantes para o mundo, mas que são preciosas aos olhos de Deus.
Um casamento fundado na maturidade espiritual é aquele em que ambos os cônjuges colocam consistentemente as necessidades do outro, onde o perdão flui livremente, e onde Deus permanece no centro. Estes hábitos, praticados dia após dia, ano após ano, podem não produzir fogos de artifício, mas cultivam um amor profundo e duradouro que resiste às provações da vida.
Vemos no livro de Eclesiastes que há "um tempo para tudo, e um tempo para cada atividade debaixo dos céus" (Eclesiastes 3:1). Isto inclui estações de excitação e estações de calma estabilidade no casamento. A maturidade espiritual permite-nos encontrar contentamento e alegria em todas as estações, confiando no momento perfeito de Deus.
Compromisso no casamento muitas vezes significa escolher o amor, mesmo quando os sentimentos flutuam. Como disse sabiamente Madre Teresa, «o amor é uma decisão, não um sentimento». Esta escolha diária de amar, mesmo quando se sente mundana, é um poderoso ato de disciplina espiritual e fidelidade.
Não esqueçamos que Deus muitas vezes trabalha nos momentos calmos e ordinários da vida. Como o profeta Elias descobriu, a voz de Deus não veio no vento, no terramoto ou no fogo, mas num sussurro suave (1 Reis 19:11-13). Do mesmo modo, a obra transformadora de Deus no casamento ocorre frequentemente nos atos simples e quotidianos de amor e serviço entre cônjuges.
Portanto, tenham coração, queridos. Um casamento que parece «chato» para o mundo pode, de facto, ser um belo testemunho de amor semelhante ao de Cristo, crescimento espiritual e compromisso duradouro. É nesta fidelidade constante que muitas vezes encontramos Deus mais profundamente.
Como abraçar a rotina no casamento se alinha com os valores cristãos?
Pensemos em como o abraço da rotina no matrimónio pode ser uma poderosa expressão dos valores cristãos. À primeira vista, a rotina pode parecer contrária à vibração da fé, mas asseguro-lhes que há um profundo significado espiritual nos ritmos da vida conjugal diária.
Considere-se as palavras de São Bento, que estabeleceu uma regra de vida centrada na rotina e na regularidade. Compreendeu que é através de práticas cotidianas e consistentes que cultivamos a virtude e nos aproximamos de Deus. Do mesmo modo, as rotinas da vida conjugal – refeições partilhadas, orações diárias, atos regulares de serviço mútuo – podem tornar-se rituais sagrados que reforçam o vínculo conjugal e aprofundam a fé.
As Escrituras nos dizem para "orar continuamente" (1 Tessalonicenses 5:17). Esta exortação convida-nos a infundir todos os aspetos da nossa vida, incluindo as rotinas do casamento, com um espírito de oração e de atenção plena à presença de Deus. Quando abordamos nossas interações diárias com nosso cônjuge como oportunidades de oração e serviço, até mesmo as tarefas mais mundanas tornam-se sagradas.
Abraçar a rotina também se alinha com o valor cristão da fidelidade. Nosso Senhor Jesus Cristo exemplificou a fidelidade perfeita, e somos chamados a imitá-lo em nossos casamentos. Como se diz nas Lamentações: «Por causa do grande amor do Senhor, não somos consumidos, porque as suas misericórdias nunca falham. São novas todas as manhãs. grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:22-23). Tal como o amor de Deus é firme e renovado todos os dias, também as rotinas matrimoniais podem ser renovações diárias do nosso compromisso e amor.
A rotina fornece uma base estável para a vida familiar, permitindo-nos viver o chamado cristão para nutrir e educar nossos filhos na fé. Como lemos no Deuteronómio: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar nos vossos corações. Impressiona-os nos teus filhos. Fala-lhes quando te sentares em casa, quando andares pela estrada, quando te deitares e quando te levantares» (Deuteronómio 6:6-7). Os ritmos previsíveis da vida familiar criam oportunidades naturais para transmitir a fé à próxima geração.
Lembremo-nos também de que abraçar a rotina é um exercício de humildade – uma virtude cristã fundamental. Exige-nos deixar de lado os nossos próprios desejos de constante novidade ou excitação e, em vez disso, encontrar contentamento e significado nos simples atos de amor e serviço diários. Isto reflete a humildade de Cristo ao assumir a forma humana e abraçar as rotinas da vida terrena.
Por último, a rotina no casamento pode ser vista como uma participação na obra contínua de Deus de criação e sustento. Tal como Deus estabeleceu os ritmos do dia e da noite, das estações e dos anos, também as rotinas da vida conjugal podem refletir a bela ordem da criação de Deus. Desta forma, mesmo os atos mais simples da rotina conjugal tornam-se uma forma de adoração, reconhecendo Deus como o autor de toda a vida e amor.
Quais são os benefícios espirituais de uma vida conjugal estável e previsível?
Meus amados irmãos e irmãs em Cristo, contemplemos os ricos frutos espirituais que podem desabrochar duma vida conjugal estável e previsível. Embora o mundo possa glorificar a constante excitação e novidade, há uma poderosa profundidade espiritual a ser encontrada nos ritmos consistentes de um casamento estável.
Uma vida conjugal estável fornece solo fértil para o crescimento das virtudes espirituais. Como São Paulo nos exorta em Gálatas, «o fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio» (Gálatas 5:22-23). Estas virtudes não são cultivadas da noite para o dia, mas através da prática paciente e diária. A previsibilidade da vida conjugal oferece inúmeras oportunidades para exercitar a paciência, escolher a bondade, manter-se fiel de grandes e pequenos modos.
Um casamento estável pode tornar-se uma imagem poderosa do próprio amor inabalável de Deus pela humanidade. O profeta Oseias expressa lindamente o compromisso de Deus para com o seu povo: «Noivar-te-ei comigo para sempre; Noivar-vos-ei com justiça e justiça, com amor e compaixão" (Oséias 2:19). Quando os casais perseveram nos altos e baixos da vida em conjunto, mantendo o seu compromisso e amor, dão testemunho ao mundo do amor infalível de Deus.
A previsibilidade da vida conjugal também cria espaço para uma intimidade espiritual mais profunda entre os cônjuges. À medida que caminham juntos dia após dia, ano após ano, os casais podem crescer na sua compreensão uns dos outros e na sua fé partilhada. Isto ecoa as palavras do Salmista: "Deleita-te no Senhor, e ele te concederá os desejos do teu coração" (Salmo 37:4). À medida que os cônjuges se deleitam juntos no Senhor, os seus corações tornam-se mais alinhados com a vontade de Deus e uns com os outros.
Uma vida conjugal estável fornece uma base estável para as disciplinas espirituais. Tempos regulares de oração, leitura das Escrituras e adoração podem ser mais facilmente estabelecidos e mantidos dentro das rotinas previsíveis do casamento. Como Jesus ensinou: "Onde dois ou três se reúnem em meu nome, ali estou eu com eles" (Mateus 18:20). A presença constante do cônjuge pode ser uma ajuda poderosa para manter uma vida de oração vibrante e crescer na fé.
Não esqueçamos que uma vida conjugal previsível oferece também poderosas oportunidades de santificação. As interações quotidianas, as pequenas irritações, a necessidade contínua de perdão e graça – todas elas se tornam instrumentos através dos quais Deus nos molda mais à imagem de Cristo. Como escreve São Pedro: «Nisto vos regozijais, embora agora por um pouco de tempo, se necessário, tenhais sido entristecidos por várias provações, de modo que a autenticidade testada da vossa fé - mais preciosa do que o ouro que perece, embora seja provado pelo fogo - possa resultar em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo» (1 Pedro 1:6-7).
Finalmente, uma vida conjugal estável e previsível pode tornar-se um refúgio de paz num mundo turbulento, reflectindo a paz de Cristo que ultrapassa todo o entendimento (Filipenses 4:7). Esta estabilidade permite aos casais viverem mais plenamente a sua vocação de amor e de serviço, tanto um para o outro como para a comunidade em geral. Torna-se um testemunho do poder duradouro do amor de Deus, vivido nos momentos quotidianos da vida conjugal.
Como os casais podem encontrar contentamento em um casamento que carece de excitação?
A questão de encontrar contentamento em um casamento que pode parecer falta de excitação é uma questão que toca o próprio coração da nossa fé. Pois é ao aprendermos a contentar-nos, independentemente de nossas circunstâncias, que nos aproximamos de Deus e experimentamos Sua paz.
Recordemos, em primeiro lugar, as palavras de São Paulo, que escreveu da prisão: «Aprendi a contentar-me, independentemente das circunstâncias. Eu sei o que é estar em necessidade, e sei o que é ter abundância. Aprendi o segredo de estar contente em qualquer situação, seja bem alimentada ou com fome, seja a viver em abundância ou em necessidade. Posso fazer tudo isto através daquele que me dá forças» (Filipenses 4:11-13). Este poderoso contentamento, enraizado em Cristo, está à disposição de todos nós, incluindo nos nossos casamentos.
Para encontrar contentamento num casamento que sente falta de excitação, devemos primeiro mudar a nossa perspectiva. Em vez de procurar emoções passageiras, concentremo-nos na alegria profunda e permanente que vem de uma vida compartilhada em Cristo. Como Jesus prometeu: "Eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente" (João 10:10). Esta plenitude de vida não tem a ver com estímulo constante, mas com riqueza de amor, profundidade de compreensão e crescimento na fé.
Cultivar a gratidão é essencial para encontrar contentamento. O salmista encoraja-nos a «dar graças ao Senhor, porque Ele é bom; o seu amor dura para sempre» (Salmo 107:1). Quando praticamos intencionalmente a gratidão pelo nosso cônjuge e pelo dom do nosso casamento, começamos a ver o extraordinário no ordinário. Uma simples refeição partilhada, uma noite tranquila juntos, o conforto de uma presença familiar – tudo isto pode tornar-se fonte de profunda alegria quando visto através da lente da gratidão.
O contentamento no casamento muitas vezes vem de mudar nosso foco do que podemos obter para o que podemos dar. Jesus ensinou que «é mais abençoado dar do que receber» (Atos 20:35). Quando nos concentramos em como podemos servir e abençoar o nosso cônjuge, em vez de nos concentrarmos no entusiasmo que podemos estar a perder, muitas vezes encontramos um poderoso sentido de propósito e realização.
É igualmente importante recordar que a verdadeira excitação no casamento não é uma novidade constante, mas sim um crescimento e uma descoberta contínuos. À medida que os casais aprofundam a sua intimidade emocional e espiritual, podem encontrar entusiasmo em novos níveis de compreensão, na superação de desafios em conjunto e no apoio ao crescimento pessoal e espiritual um do outro. Isto está em consonância com o conceito bíblico de «ferro afiado» (Provérbios 27:17).
Finalmente, encontrar contentamento no casamento, em última análise, vem do reconhecimento de que as nossas necessidades mais profundas só podem ser satisfeitas em Deus. Nenhuma relação humana, por mais maravilhosa que seja, pode satisfazer-nos completamente. Como dizia famosamente Santo Agostinho: «Tu nos fizeste para ti, Senhor, e os nossos corações estão inquietos até que descansem em ti.» Quando enraízamos o nosso contentamento no amor de Deus, libertamos os nossos casamentos do fardo impossível de proporcionar toda a nossa satisfação e entusiasmo.
Será que perseguir a excitação no casamento reflete valores mundanos em vez de piedosos?
Temos de abordar esta questão com nuances e cuidado. O desejo de excitação e alegria no casamento não é inerentemente mundano ou ímpio. O Cântico dos Cânticos, nas Escrituras, celebra a paixão e o deleite entre marido e mulher. Deus criou o casamento como uma fonte de companheirismo, intimidade e, sim, até mesmo excitação.
Mas devemos ser cautelosos em fazer da excitação o principal objetivo ou medida de um casamento. Um casamento piedoso baseia-se em fundamentos muito mais profundos – no amor sacrificial, na fidelidade e no serviço mútuo. Como ensina São Paulo, «o amor é paciente, o amor é bondoso» (1 Coríntios 13:4). O verdadeiro amor conjugal encontra alegria nos atos diários de cuidado e bondade, não apenas nas emoções passageiras.
O perigo surge quando esperamos constante excitação ou novidade do nosso cônjuge, tratando-o como uma fonte de entretenimento e não como um parceiro na viagem da vida. Isto reflete uma mentalidade consumista que é mundana. Em vez disso, somos chamados a encontrar a nossa realização final em Deus, não nas emoções que o nosso cônjuge pode proporcionar.
Ao mesmo tempo, é bom e certo para os casais cultivarem o romance, procurarem aventura juntos, rirem e brincarem. Estes momentos de excitação podem ser dons de Deus que renovam o nosso amor. A chave é o equilíbrio e a perspetiva adequada. Busquemos a excitação dentro do casamento não como um fim em si mesmo, mas como um aspecto de uma relação rica e multifacetada fundamentada na fé e no compromisso.
A emoção mais poderosa no casamento não provém de prazeres fugazes, mas de crescermos juntos em santidade, de resistirmos lado a lado às tempestades da vida, de vislumbrarmos o amor de Deus através do nosso amor humano imperfeito. Esta é a excitação que reflete verdadeiramente valores piedosos – uma excitação da alma que se aprofunda ao longo de uma vida em conjunto.
Como podem os cônjuges cultivar a gratidão pelos aspetos «chatos» do seu casamento?
Os chamados aspetos «chatos» do casamento são frequentemente aqueles em que encontramos mais profundamente a graça de Deus. É nos momentos calmos e rotineiros que temos a oportunidade de praticar o amor altruísta e ver o rosto de Cristo em nosso cônjuge.
Para cultivar a gratidão, devemos primeiro mudar a nossa perspetiva. O que parece aborrecido pode, de facto, ser um dom de estabilidade e segurança num mundo muitas vezes caótico. Os rituais diários da vida conjugal – partilhar refeições, fazer tarefas em conjunto, cuidar dos filhos – não são meros tédios, mas os elementos constitutivos de uma vida partilhada no amor. Como diz em Eclesiastes: «Aproveita a vida com a tua mulher, a quem amas, todos os dias desta vida sem sentido que Deus te deu debaixo do sol, todos os teus dias sem sentido» (Eclesiastes 9:9). Mesmo no aparentemente mundano, há significado e alegria a ser encontrado.
Passos práticos podem ajudar a nutrir esta gratidão. Todos os dias, dedique um tempo para agradecer a Deus por aspectos específicos da sua vida conjugal, mesmo aqueles que possam parecer pouco notáveis. Expresse apreço ao seu marido pelas pequenas coisas que fazem. Reflita sobre como a sua vida é enriquecida pela sua presença e apoio constantes.
Lembre-se também de que o que parece «chato» muitas vezes representa o fruto do empenho e do trabalho árduo. Uma vida familiar pacífica, a estabilidade financeira, as rotinas da família – estas são realizações a celebrar, que não são consideradas um dado adquirido. Refletem o ideal bíblico de um matrimónio estável e fiel.
Estes momentos tranquilos são oportunidades para o crescimento espiritual. Na quietude da rotina, podemos praticar a atenção plena, tornando-nos mais conscientes da presença de Deus em todos os aspetos das nossas vidas. Podemos utilizar as tarefas repetitivas como ocasiões de oração, oferecendo o nosso trabalho como um sacrifício de amor.
Por fim, cultive a humildade. A nossa cultura diz-nos muitas vezes que merecemos estímulo constante e novidade. Mas o caminho cristão é o do amor auto-esvaziador. Encontrar contentamento e gratidão no comum é um testemunho poderoso do amor de Cristo num mundo que persegue sempre a próxima emoção.
Ao abraçar estes aspetos «chatos» com gratidão, abrimo-nos a uma experiência mais profunda e rica de amor conjugal — uma experiência que reflete o amor paciente e duradouro de Deus pelo seu povo.
Que papel desempenha a fidelidade num casamento que pode parecer mundano?
A fidelidade é o alicerce sobre o qual um casamento forte e centrado em Cristo é construído. Em tempos em que o casamento pode parecer mundano, a fidelidade torna-se ainda mais crucial, servindo como uma âncora que mantém a relação estável durante todas as estações da vida.
A fidelidade no casamento reflete a fidelidade de Deus ao seu povo. Como o profeta Oseias ilustra lindamente, Deus permanece firme no seu amor, mesmo quando o seu povo se desvia. Do mesmo modo, a fidelidade conjugal é um testemunho poderoso do amor duradouro de Deus, especialmente em tempos que se sentem normais ou difíceis.
Em termos práticos, a fidelidade fornece a segurança e a confiança que permitem que o amor se aprofunde ao longo do tempo. Cria um espaço seguro onde ambos os cônjuges podem ser vulneráveis, sabendo que são plenamente aceites. Esta segurança, por sua vez, permite o crescimento e a transformação dentro da relação. Como diz em Provérbios, "Muitos afirmam ter um amor infalível, mas uma pessoa fiel que pode encontrar?" (Provérbios 20:6). A fidelidade é um dom raro e precioso.
A fidelidade nos momentos mundanos do casamento é o que constrói um legado duradouro. É fácil ser fiel em momentos de paixão ou excitação. O verdadeiro teste está na escolha diária de amar, servir, perdoar, mesmo quando os sentimentos podem vacilar. Esta fidelidade constante, vivida dia após dia, ano após ano, torna-se um testemunho poderoso para as crianças, para a comunidade e para o mundo do amor inabalável de Deus.
A fidelidade também abre a porta para uma intimidade mais profunda. À medida que os esposos permanecem comprometidos através do fluxo e refluxo de sentimentos, através de tempos de luta ou tédio, criam uma história partilhada que enriquece o seu vínculo. Aprendem a ver para além das emoções superficiais a dignidade e a beleza inerentes ao seu esposo como filho de Deus.
Lembremo-nos também de que a fidelidade não é apenas evitar a infidelidade. Engloba a fidelidade no pensamento, na fala, na priorização da relação matrimonial. Significa continuar a nutrir amor e ligação, mesmo quando isso requer esforço. Como exorta São Paulo, «Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revesti-vos de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência» (Colossenses 3:12). Estas virtudes, vividas fielmente, transformam até o casamento mais mundano num reflexo do amor de Cristo pela Igreja.
A fidelidade no mundano é o que permite ao casamento resistir às tempestades da vida e emergir mais forte. É o solo em que o amor profundo e duradouro pode crescer. Ao permanecerem fiéis, os casais criam espaço para Deus trabalhar na relação e através dela, transformando o ordinário em algo verdadeiramente extraordinário.
Como podem os casais utilizar períodos de «espírito» para aprofundar a sua ligação espiritual?
O que entendemos como «espírito» no casamento pode, com a graça de Deus, tornar-se um terreno fértil para o crescimento espiritual e uma ligação mais profunda. Estas estações mais calmas oferecem uma oportunidade única para nutrir a alma do seu relacionamento e aproximar-se de Deus juntos.
Abracem estes períodos como convites à quietude e à reflexão. O nosso mundo ocupado raramente nos dá tempo para simplesmente estarmos presentes uns com os outros e com Deus. Use estes momentos para praticar a oração e meditação partilhadas. Como diz o salmista: «Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus» (Salmo 46:10). No silêncio de uma noite tranquila em casa, pode ouvir a voz de Deus mais claramente do que nunca.
Considere estabelecer rituais de intimidade espiritual. Leia as Escrituras em conjunto, discutindo a forma como a Palavra de Deus fala às suas vidas e relações. Partilhe as suas viagens espirituais, as suas dúvidas e revelações. Ao abrir seus corações uns aos outros desta forma, vocês criam um nível mais profundo de intimidade que vai além do físico ou emocional.
Use este tempo para envolver-se em atos de serviço em conjunto. Voluntariado na tua igreja ou na tua comunidade. Ao servir os outros como casal, não só reforça o seu vínculo, como também vive o apelo de Cristo para amar os nossos vizinhos. Este propósito partilhado pode infundir novos significados e energia na vossa relação.
Explorem as disciplinas espirituais em conjunto. Talvez aprender e praticar a oração contemplativa, o jejum ou a lectio divina. Ao crescerem na fé lado a lado, criam experiências partilhadas que enriquecem as vossas vidas espirituais e o vosso casamento.
Lembre-se de que o amor não é apenas um sentimento, mas uma escolha e uma acção. Em tempos de aborrecimento percebido, opte por amar ativamente seu cônjuge de maneiras pequenas e diárias. Como nos ensinou Santa Teresa de Lisieux, mesmo os menores atos realizados com grande amor têm imenso valor espiritual. Um gesto atencioso, uma palavra de encorajamento, um simples ato de serviço – estas podem ser expressões poderosas de amor que aprofundam a sua ligação.
Use este tempo para praticar o perdão e a cura. Muitas vezes, na ocupação da vida, acumulam-se mágoas e mal-entendidos. Períodos mais calmos proporcionam espaço para abordar estas questões, para buscar e oferecer perdão, e para renovar o seu compromisso uns com os outros.
Por fim, cultivemos a gratidão juntos. Tirem algum tempo todos os dias para partilhar o que apreciam uns sobre os outros e sobre a vossa vida juntos. A gratidão abre os nossos olhos para as bênçãos de Deus e pode transformar a nossa perspetiva sobre os aspetos «ordinários» do casamento.
Ao abordar estes períodos com intencionalidade e abertura ao Espírito Santo, os casais podem emergir com uma relação mais forte e espiritualmente fundamentada. O que parecia tédio pode tornar-se um tempo sagrado de renovação e aprofundamento do amor, aproximando-vos uns dos outros e de Deus.
Que exemplos bíblicos demonstram o valor de casamentos firmes e consistentes?
As Escrituras oferecem-nos belos exemplos de casamentos firmes que nos inspiram e guiam. Estas histórias recordam-nos que um casamento coerente e fiel é um testemunho poderoso do amor duradouro de Deus.
Vejamos primeiro Abraão e Sara. A viagem foi longa e muitas vezes difícil, marcada por períodos de espera e incerteza. No entanto, através de tudo isso, eles permaneceram fiéis a Deus e uns aos outros. Mesmo na velhice, quando a promessa de um filho parecia impossível, confiavam no plano de Deus. A sua firmeza foi recompensada não só com o nascimento de Isaque, mas também com o cumprimento da aliança de Deus. Como está escrito: "Abraão acreditou em Deus, e foi-lhe creditado como justiça" (Romanos 4:3).
A história de Rute e Boaz também exemplifica a beleza de um casamento firme. A lealdade de Rute à sua sogra, Noemi, levou-a a Boaz, um homem de caráter nobre. O seu casamento, assente no respeito mútuo e na fidelidade às leis de Deus, tornou-se parte da linhagem do Rei Davi e, em última análise, de Jesus Cristo. Isto lembra-nos que um casamento consistente e piedoso pode ter um impacto muito além do que podemos ver.
Vemos outro exemplo poderoso em Zacarias e Isabel, os pais de João Batista. Lucas descreve-os como «justos aos olhos de Deus, observando irrepreensivelmente todos os mandamentos e decretos do Senhor» (Lucas 1:6). A sua fidelidade no que deve ter sido anos de tempos calmos, talvez até decepcionantes, preparou-os para o papel milagroso que desempenhariam na história da salvação.
O casamento do profeta Oseias, embora não convencional, demonstra poderosamente o amor inabalável de Deus. Deus chamou Oseias para casar com Gomer, sabendo que ela seria infiel, como uma parábola viva da relação de Deus com Israel. O amor e o perdão constantes de Oseias para com Gomer, mesmo perante a sua infidelidade, ilustram de forma vívida o amor incessante de Deus pelo seu povo.
No Novo Testamento, embora tenhamos menos detalhes acerca de casamentos específicos, vemos a importância do amor firme enfatizada. A bela exposição de Paulo sobre o amor em 1 Coríntios 13 descreve as qualidades do amor duradouro – paciência, bondade, perseverança – que são essenciais num casamento coerente.
Priscila e Áquila, mencionadas várias vezes em Atos e nas cartas de Paulo, proporcionam um vislumbre de um casal unido na sua fé e missão. A sua parceria consistente no ministério e hospitalidade serve como um modelo inspirador para os casamentos cristãos.
Estes exemplos bíblicos lembram-nos que os casamentos firmes não são sobre a perfeição, mas sobre a perseverança no amor e na fé. Mostram-nos que casamentos coerentes e fiéis podem ser instrumentos poderosos da obra de Deus no mundo. Ao nos esforçarmos para imitar estes exemplos, lembremo-nos de que nossos próprios casamentos firmes, vividos dia a dia na fé e no amor, são um testemunho vivo do amor duradouro de Cristo por sua Igreja.
