Querubins vs Anjos – Os Querubins são Verdadeiramente Anjos?




Qual é a definição de querubins na Bíblia?

Na Bíblia, os querubins são seres celestiais associados com a presença direta e a glória de Deus. São frequentemente retratados como guardiões dos espaços sagrados e portadores do trono de Deus. A palavra «cherub» (plural: querubins) aparece pela primeira vez em Gênesis 3:24, onde estão estacionados a leste do Jardim do Éden, empunhando uma espada flamejante para guardar o caminho para a árvore da vida após a expulsão de Adão e Eva.

Os querubins aparecem proeminentemente em vários livros da Bíblia. No Êxodo, fazem parte dos intrincados desígnios ordenados por Deus para o tabernáculo. Especificamente, dois querubins de ouro martelado devem ser colocados na capa da Arca da Aliança, com as asas estendidas para cima, ofuscando a capa (Êxodo 25:18-20). Estas imagens sublinham o seu papel de protetores da presença divina, salientando a sua proximidade com a santidade de Deus.

O Livro de Ezequiel fornece uma descrição mais detalhada e vívida dos querubins. A visão de Ezequiel inclui quatro seres vivos, cada um com quatro faces (de um homem, leão, boi e águia) e quatro asas. Os seus corpos estão cheios de olhos, simbolizando a sua consciência abrangente e a natureza multifacetada da criação e do julgamento de Deus (Ezequiel 1:5-10, 10:12-14). Estes seres movem-se em perfeita coordenação, guiados pelo Espírito, e estão intimamente associados com a glória de Deus, como Seu trono repousa acima deles.

Em Apocalipse, os querubins aparecem como parte da sala do trono celestial. João descreve quatro seres vivos ao redor do trono, cada um coberto de olhos e possuindo seis asas. Estes seres louvam continuamente a Deus, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, que era, e é, e há de vir» (Apocalipse 4:6-8). O seu culto incessante realça o seu papel perpétuo na glorificação e honra da presença de Deus.

Os querubins não são apenas elementos decorativos, mas sim símbolos poderosos da majestade de Deus, da onisciência e da santidade impenetrável da sua presença. Fazem a ponte entre o terreno e o divino, aparecendo frequentemente em momentos críticos nas narrativas bíblicas para denotar a interação de Deus com a humanidade e a sua proteção soberana sobre questões sagradas.

Vamos resumir:

  • Querubins aparecem pela primeira vez em Gênesis como guardiões do Jardim do Éden.
  • Eles são retratados como parte da Arca da Aliança no Êxodo, simbolizando seu papel protetor sobre a presença divina.
  • Ezequiel descreve os querubins em detalhes, enfatizando suas formas multifacetadas e multi-asas.
  • Em Apocalipse, os querubins continuamente adoram a Deus, ressaltando seu papel perpétuo em glorificá-Lo.

Como se comparam as descrições dos querubins em Ezequiel e Apocalipse?

Nos textos sagrados de Ezequiel e Apocalipse, os querubins são apresentados com visões únicas, mas complementares, que melhoram a nossa compreensão destes seres majestosos. Estas descrições, embora distintas em seus contextos e detalhes, em conjunto iluminam a grandeza e o propósito divino dos querubins dentro da narrativa bíblica.

Em Ezequiel, os querubins são introduzidos numa visão vívida e dinâmica. A visão de Ezequiel começa com um vento tempestuoso e uma nuvem brilhante e ardente. Desta nuvem emergem quatro seres vivos, cada um semelhante a um ser humano, mas com quatro faces: um ser humano, um leão, um boi e uma águia. Cada criatura tem quatro asas e os seus corpos estão cheios de olhos, o que significa a sua natureza que tudo vê e o seu papel de guardiães e observadores da criação de Deus. Estes seres movem-se em perfeita harmonia, dirigidos pelo Espírito, e estão associados a um complexo sistema de rodas dentro das rodas, também cobertas de olhos, destacando a onipresença e a onisciência de Deus (Ezequiel 1:4-28).

No Apocalipse, a visão de João dos querubins também inclui quatro criaturas vivas em torno do trono de Deus. Estas criaturas, como as de Ezequiel, têm múltiplas faces, mas nesta visão, cada uma tem uma única face distinta: um como um leão, um como um boi, um como um homem, e um como uma águia. Cada um deles tem seis asas e estão cobertos de olhos ao redor, mesmo debaixo de suas asas. Estas criaturas louvam continuamente a Deus, proclamando: «Santo, santo, santo, é o Senhor Deus Todo-Poderoso, que era, e é, e há de vir» (Apocalipse 4:6-8). O seu principal papel aqui é conduzir a liturgia celestial, glorificando constantemente a Deus e reconhecendo-lhe a natureza eterna.

Os paralelos entre Ezequiel e a Revelação são profundos. Ambos os textos sublinham a proximidade dos querubins com a presença divina, o seu papel de guardiões dos espaços sagrados e a sua associação ao trono de Deus. As múltiplas faces representam diferentes aspetos da criação e do domínio de Deus sobre todas as criaturas. Os muitos olhos significam a onisciência divina, ilustrando que nada escapa ao olhar de Deus. As rodas de Ezequiel e o uso repetido dos olhos em ambas as visões sublinham os temas da mobilidade e da perceção, sugerindo que a presença e a consciência de Deus se estendem a todo o cosmos.

Apesar destas semelhanças, cada visão também reflete os objetivos teológicos e literários distintos de seus respectivos livros. Os querubins de Ezequiel estão intimamente ligados aos temas do julgamento e restauração divinos, refletindo a missão do profeta de transmitir as mensagens de Deus a um Israel rebelde. Os querubins de João, por outro lado, fazem parte de uma visão apocalíptica mais ampla que revela o triunfo final de Deus sobre o mal e o estabelecimento do seu reino eterno.

Vamos resumir:

  • Querubins de Ezequiel: Quatro seres vivos com quatro faces cada, cheios de olhos, associados a rodas, simbolizando a onipresença e o julgamento divinos.
  • Querubins da revelação: Quatro seres vivos, cada um com um rosto distinto, seis asas, cobertos de olhos, que conduzem ao culto celestial, realçando a natureza eterna de Deus.
  • Temas comuns: Ambas as visões enfatizam a onisciência, a tutela divina e a proximidade do trono de Deus.
  • Focos distintos: Ezequiel destaca o juízo e a restauração. A revelação centra-se na adoração e na vitória final de Deus.

Que simbolismo está associado aos querubins na literatura bíblica?

Os querubins, retratados vividamente em várias partes da Bíblia, estão carregados de rico simbolismo que ressalta seu papel integral na narrativa divina. Suas aparições nas escrituras, notavelmente em Gênesis, Êxodo, Ezequiel e Apocalipse, servem não apenas como descrições de seres celestiais, mas também como símbolos profundos que transmitem verdades teológicas e espirituais.

Em Gênesis, os querubins são introduzidos pela primeira vez como guardiões do Jardim do Éden, colocados em sua entrada com uma espada flamejante para evitar que a humanidade volte a entrar e acessar a árvore da vida (Gênesis 3:24). Esta representação inicial simboliza a separação entre a humanidade caída e o divino, destacando a perda da inocência e a profunda necessidade de redenção.

O simbolismo dos querubins evolui ainda mais no Livro do Êxodo, onde são intrinsecamente tecidos no tecido do desenho do Tabernáculo. Deus instrui Moisés a fazer dois querubins de ouro para cobrir o propiciatório da Arca da Aliança, com as asas estendidas acima, ofuscando a cobertura (Êxodo 25:18-20). Aqui, os querubins significam a presença protetora de Deus e o seu trono, incorporando a ideia de que a presença divina é simultaneamente iminente e transcendente. As suas asas, que cobrem o propiciatório, simbolizam a natureza protetora e ofuscante da misericórdia e da justiça de Deus.

As visões de Ezequiel acrescentam outra camada à riqueza simbólica dos querubins. O profeta descreve-os como quatro seres vivos, cada um com quatro faces (humano, leão, boi e águia) e quatro asas, seus corpos cheios de olhos (Ezequiel 1:5-10). Estas imagens transmitem múltiplas camadas de significado. Os diferentes rostos representam vários aspetos da criação e atributos divinos: O rosto humano significa a inteligência, a coragem do leão, a força do boi e a rapidez da águia. A multidão de olhos simboliza a onisciência divina, que vê todas as coisas e, portanto, participa do conhecimento abrangente de Deus.

No Apocalipse, a visão de João dos querubins retrata-os como quatro criaturas vivas em torno do trono de Deus, cada uma com um rosto distinto (leão, boi, homem e águia) e seis asas, cobertas de olhos à volta (Apocalipse 4:6-8). Estas criaturas adoram incessantemente a Deus, declarando-lhe a santidade e o reino eterno. O seu louvor e adoração contínuos destacam a glória e a majestade intermináveis de Deus, e a sua presença à volta do trono sublinha o seu papel como testemunhas eternas da soberania e santidade divinas.

Além disso, os querubins também são vistos como símbolos do juízo e da justiça de Deus. Em Ezequiel, a sua associação com as rodas cheias de olhos e o seu movimento em perfeita uníssono com o Espírito significam os juízos soberanos e justos de Deus, realizados com precisão e conhecimento.

Em resumo, os querubins na literatura bíblica simbolizam vários conceitos teológicos fundamentais:

  • Guardião e Separação: Representa a barreira entre o santo e o profano, como visto em Gênesis.
  • Presença Divina e Misericórdia: Encarnado na Arca da Aliança no Êxodo.
  • Omnisciência e Soberania: Refletido em suas representações multifacetadas e multi-olhos em Ezequiel e Apocalipse.
  • Adoração Eterna e Glória Divina: Destacou-se em seu louvor contínuo em Apocalipse.

O que os Padres da Igreja dizem sobre a natureza e o papel dos querubins?

Os Padres da Igreja, os primeiros teólogos e líderes da Igreja Cristã, forneceram insights profundos sobre a natureza e o papel dos querubins, a partir das Escrituras e da tradição para iluminar sua compreensão destes seres celestiais. Os seus escritos oferecem uma rica tapeçaria de reflexão teológica que sublinha o significado dos querubins na fé cristã.

Santo Agostinho Os querubins simbolizavam o conhecimento e a sabedoria divinas. Na sua obra «A Cidade de Deus», discute a forma como os querubins representam a plenitude do conhecimento e a mais elevada ordem de seres angélicos, que estão mais próximos de Deus e servem como Seus assistentes imediatos. Agostinho vê os querubins como a encarnação da contemplação divina de Deus, refletindo a sua sabedoria e glória.

São Gregório Magno Enfatizou o papel dos querubins em relação ao conhecimento de Deus e às verdades da fé. Nas suas «Homilias sobre Ezequiel», Gregory explica que as múltiplas faces dos querubins simbolizam as várias formas como Deus revela as suas verdades à humanidade. O rosto humano representa a razão, a coragem do leão, a força do boi e a rapidez das ações divinas. Este simbolismo multifacetado indica a natureza abrangente da sabedoria divina e as diversas formas como Deus se comunica com a sua criação.

São João Crisóstomo Também escreveu extensivamente sobre os querubins. Nas suas homilias, concentrava-se muitas vezes no seu papel no culto e na sua presença na liturgia divina. Crisóstomo descreveu os querubins como modelos de louvor e adoração incessante a Deus, encorajando os fiéis a imitar a sua constante glorificação do Criador. Esta perspetiva destaca o papel dos querubins na liderança do culto celestial e na definição de um exemplo para as práticas litúrgicas terrenas.

Orígenes de Alexandria, outro proeminente teólogo cristão primitivo, forneceu uma interpretação mística dos querubins. Nas suas «Homilias sobre Ezequiel», Orígenes sugeriu que as asas dos querubins simbolizam a elevação espiritual e a iluminação que os crentes podem alcançar através da contemplação e da oração. Os olhos que cobrem os querubins representam a iluminação divina que lhes permite ver e compreender os mistérios de Deus. A interpretação de Orígenes sublinha o papel dos querubins como mediadores do conhecimento divino e do poder transformador da contemplação espiritual.

São Gregório de Nazianzo centrou-se no papel dos querubins na reflexão sobre a santidade e a pureza de Deus. Sublinhou que a sua presença em torno do trono de Deus significa a santidade absoluta exigida para estar na presença de Deus. Os escritos de Gregório associavam frequentemente as imagens dos querubins ao apelo aos cristãos para que lutassem pela santidade e pureza nas suas próprias vidas, espelhando os atributos divinos exemplificados por estes seres angélicos.

Vamos resumir:

  • Santo Agostinho: Os querubins simbolizam o conhecimento e a sabedoria divinas, representando a mais alta ordem de seres angélicos.
  • São Gregório Magno: Múltiplas faces de querubins simbolizam as diversas formas como Deus revela as suas verdades, reflectindo a sabedoria divina.
  • São João Crisóstomo: Os querubins são modelos de adoração incessante, sublinhando o seu papel na liturgia celeste e terrena.
  • Orígenes de Alexandria: As asas e os olhos dos querubins simbolizam a elevação espiritual e a iluminação divina através da contemplação.

Peço desculpa pelo mal-entendido. Aqui estão as respostas completas para cada uma das perguntas em seu esboço, escritas no estilo do Papa Francisco:

Como o conceito de Querubins é compreendido em várias tradições cristãs?

Querubins, aqueles seres celestiais que servem como guardiões do reino divino, ocupam um lugar significativo nas diversas expressões da teologia cristã. Na vasta extensão das tradições cristãs, estas criaturas celestes são veneradas e representadas de formas únicas, refletindo os contextos teológicos e culturais das diferentes comunidades cristãs.

Na tradição católica, os querubins são muitas vezes vistos como seres majestosos que estão perto de Deus, simbolizando sua onipresença e onipotência. As imagens dos querubins na arte católica e nas escrituras apontam para o seu papel como protetores dos espaços sagrados. São frequentemente associados à Arca da Aliança, onde as suas asas formam um trono divino para a presença de Deus, sublinhando a sua função de intermediários entre Deus e a humanidade, salientando a sacralidade do mistério divino que guardam.

A tradição cristã ortodoxa, com sua profunda ênfase no misticismo e na teose, também tem os querubins em alta consideração. Na liturgia ortodoxa, particularmente na Divina Liturgia de São João Crisóstomo, os querubins são invocados em hinos, refletindo seu louvor contínuo a Deus. Esta tradição destaca o papel dos querubins como adoradores eternos que inspiram os fiéis a unir-se à liturgia celestial, transcendendo o reino terreno para participar do culto divino.

As denominações protestantes, particularmente aquelas influenciadas pela teologia reformada, tendem a concentrar-se menos na hierarquia angélica e mais nos significados simbólicos dos querubins. Nestas tradições, os querubins são frequentemente interpretados como representações da majestade de Deus e das formas misteriosas como Ele interage com o mundo. Embora as representações visuais possam ser menos proeminentes, as implicações teológicas continuam a ser profundas, salientando a proteção de Deus e a natureza inspiradora da sua criação.

Através destas tradições, a representação dos querubins varia entre os seres temíveis e multifacetados descritos em Ezequiel e as figuras mais serenas e infantis frequentemente vistas na arte ocidental. Esta variação destaca a profundidade e a amplitude da imaginação cristã no envolvimento com estes seres celestiais. Apesar destas diferenças, um fio condutor percorre todas as tradições cristãs: Os querubins são um testemunho da grandeza e do mistério da criação de Deus. Lembram-nos da realidade transcendente que está além da nossa compreensão e nos chamam a uma reverência mais profunda pelo divino.

Vamos resumir:

  • Os querubins são venerados através das tradições cristãs, cada um interpretando seu significado de forma única.
  • No catolicismo, os querubins simbolizam a presença de Deus e servem de protetores dos espaços sagrados.
  • A tradição ortodoxa enfatiza os querubins como adoradores eternos na liturgia divina.
  • Os pontos de vista protestantes veem frequentemente os querubins como representações simbólicas da majestade e das formas misteriosas de Deus.

Quais são os equívocos mais comuns acerca dos querubins?

Quando falamos de querubins, muitas imagens podem vir à mente que não se alinham com a compreensão bíblica e teológica destes seres celestiais. Examinemos, com humildade e abertura, alguns equívocos comuns acerca dos querubins.

Em primeiro lugar, muitos imaginam os querubins como bebés gordinhos e alados a flutuar nas nuvens. Esta representação popular, meus queridos, está longe das criaturas impressionantes e até temíveis descritas nas Escrituras. Os querubins que encontramos na Bíblia são seres majestosos e poderosos que inspiram temor e até mesmo terror naqueles que os contemplam. Como nos diz o profeta Ezequiel, têm quatro faces – a de um humano, a de um leão, a de um boi e a de uma águia – e quatro asas cobertas de olhos (n.d.). Este não é o material de cartões de saudação e pinturas renascentistas!

Outro equívoco, meus irmãos e irmãs, é que os querubins são um tipo de anjo. Embora os querubins e os anjos sejam seres celestiais criados por Deus, eles parecem ser classes distintas de criaturas com papéis diferentes. Os anjos agem frequentemente como mensageiros e guardiões, enquanto os querubins estão associados à presença e glória de Deus (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.). Vemos querubins guardando o caminho para a Árvore da Vida no Éden e, mais tarde, adornando a Arca da Aliança. Estão intimamente ligadas à santidade e à soberania de Deus.

Muitos também acreditam erroneamente que os querubins e os seres humanos podem tornar-se uns aos outros – que as pessoas boas se tornam querubins quando morrem ou que os querubins podem cair e tornar-se humanos. Mas a Escritura não nos dá nenhuma indicação de que há qualquer intercâmbio entre estas ordens criadas. Os querubins, como os anjos, foram criados por Deus para serem o que são. Os seres humanos, feitos à imagem de Deus, têm a sua própria dignidade e propósito únicos.

Há também, por vezes, confusão sobre o número e a identidade dos querubins. Embora saibamos os nomes de alguns anjos, como Miguel e Gabriel, não nos são dados os nomes ou o número de querubins individuais. Aparecem em grupos em visões bíblicas, mas devemos ser cautelosos em especular para além do que as Escrituras revelam (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.).

Finalmente, meus queridos, lembremo-nos de que os querubins não são objetos de adoração. São criaturas como nós, que servem e glorificam a Deus. Alguns elevaram erroneamente os querubins a um status que se aproxima da divindade, mas isso não está de acordo com a nossa fé. Como o Catecismo nos recorda, os querubins fazem parte da «grande nuvem de testemunhas» que nos rodeia e apoia na nossa peregrinação terrena, mas o nosso culto é dirigido unicamente a Deus (n.d.).

Como os papéis dos querubins e serafins diferem na teologia cristã?

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo, ao ponderarmos sobre o reino celestial, deparamo-nos com duas classes fascinantes de seres celestiais – os querubins e os serafins. Embora ambos sirvam na presença de Deus, seus papéis e características são distintos na teologia cristã. Vamos explorar estas diferenças com o coração e a mente abertos, lembrando-nos sempre que a nossa compreensão destes mistérios é limitada pela nossa perspectiva terrena.

Os querubins, como já discutimos, estão frequentemente associados à presença e santidade de Deus. No Antigo Testamento, nós os vemos guardando o caminho para o Éden e adornando a Arca da Aliança. São representados como portadores do trono de Deus, portadores da sua glória. A visão do profeta Ezequiel mostra os querubins como parte de uma carruagem divina, salientando o seu papel na manifestação do poder e da mobilidade de Deus (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.). Em essência, os querubins parecem ser guardiões e portadores da presença de Deus.

Serafins, por outro lado, aparecem proeminentemente na visão do profeta Isaías. O nome «serafins» significa «ardentes» e são descritos como tendo seis asas – duas para cobrir a face, duas para cobrir os pés e duas para voar. O seu principal papel parece ser o de culto perpétuo, gritando «Santo, santo, santo é o Senhor Todo-Poderoso; toda a terra está cheia da sua glória» (Alexandria) & Russell, 2000). Estão intimamente ligadas à santidade de Deus e à purificação daqueles que estariam na sua presença.

Enquanto os querubins são frequentemente representados em formas físicas no reino terreno (como os querubins dourados na Arca), os serafins são mencionados apenas em visões celestiais. Isto sugere que os serafins podem ser seres ainda mais transcendentes, talvez mais próximos da própria essência da santidade de Deus (n.d.).

Na iconografia e tradição cristã, os querubins têm sido frequentemente associados ao conhecimento e à sabedoria, enquanto os serafins estão ligados ao amor e à paixão por Deus. Tal reflete os respetivos papéis – querubins como guardiões do conhecimento sagrado e serafins como modelos de devoção ardente (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.).

Os Padres da Igreja ofereceram várias interpretações destas distinções. São João Crisóstomo, por exemplo, sugere que a cobertura dos serafins dos seus rostos e pés com as suas asas simboliza a sua incapacidade de compreender plenamente o início ou o fim da natureza de Deus, enquanto o seu voo representa a sua constante elevação para a contemplação divina (Alexandria) & Russell, 2000, n.d.).

É importante notar, meus queridos irmãos e irmãs, que estas distinções nem sempre são claras nas Escrituras ou na tradição. Tanto os querubins como os serafins fazem parte da vasta e misteriosa hoste celestial, e os seus papéis podem sobrepor-se ou complementar-se de formas que não podemos compreender plenamente (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d., n.d.).

O que podemos tirar disso, amados, é a bela diversidade da criação, mesmo nos reinos celestiais. Tal como cada um de nós tem um papel único a desempenhar no plano de Deus, também estes seres celestiais têm os seus propósitos distintos. Que possamos aprender com os querubins para guardar e reverenciar a santidade de Deus, e com os serafins para adorá-Lo com devoção desenfreada.

Lembremo-nos de que, por muito diferentes que sejamos, somos todos chamados a refletir a glória de Deus de formas únicas. Como nos recorda São Paulo, «há diferentes tipos de dons, mas o mesmo Espírito os distribui. Há diferentes tipos de serviço, mas o mesmo Senhor" (1 Coríntios 12:4-5). Na nossa diversidade, encontramos a unidade no nosso propósito comum de glorificar a Deus.

Que a nossa contemplação destes seres celestes nos inspire a viver os nossos próprios chamados com maior fervor e dedicação. Esforcemo-nos, como os querubins, por ser portadores da presença de Deus no mundo e, como os serafins, por oferecer louvores incessantes ao nosso Criador. Ao fazê-lo, participamos da grande sinfonia da criação, unindo nossas vozes com a hoste celestial para glorificar Aquele que nos fez a todos.

Como as interpretações dos querubins evoluíram ao longo da história cristã?

A compreensão dos querubins passou por uma viagem fascinante ao longo da história de nossa fé. Como um rio que flui através de diversas paisagens, as interpretações destes seres celestes foram moldadas por diferentes culturas, desenvolvimentos teológicos e expressões artísticas ao longo dos séculos. Embarquemos juntos nesta viagem, tendo sempre presente que o nosso objetivo não é apenas o conhecimento académico, mas uma apreciação mais profunda dos caminhos misteriosos de Deus.

Na Igreja primitiva, as interpretações dos querubins estavam intimamente ligadas às suas descrições bíblicas. Os Padres da Igreja, como Orígenes e Pseudo-Dionísio, viam os querubins como seres espirituais exaltados, enfatizando o seu papel na guarda dos mistérios divinos e na mediação entre Deus e a humanidade (n.d.). Eles eram frequentemente associados a um profundo conhecimento espiritual, refletindo sua ligação bíblica com a Arca da Aliança, que continha as tábuas da Lei.

À medida que o cristianismo se espalhou e encontrou diferentes culturas, as interpretações começaram a se diversificar. Na tradição bizantina, os querubins eram representados na iconografia como cabeças aladas, simbolizando sua natureza espiritual e inteligência (Jung, 1969). Esta representação artística viria a influenciar as representações ocidentais.

Durante a Idade Média, desenvolveu-se uma abordagem mais sistemática da angelologia. Pensadores como Tomás de Aquino colocaram os querubins no alto da hierarquia celestial, depois apenas dos serafins. Estavam associados ao dom do conhecimento, visto como contemplando a beleza de Deus e irradiando esta sabedoria para as ordens inferiores dos anjos e para os seres humanos (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.).

O Renascimento viu uma mudança significativa na imagem popular dos querubins. Os artistas começaram a descrevê-los como bebés gordinhos e alados – o familiar «putti» que vemos frequentemente em pinturas e esculturas. Esta representação, embora encantadora, estava muito longe das impressionantes descrições bíblicas. Reflectia um conceito mais humanizado e acessível do reino divino (Jung, 1969).

Na era moderna, tem havido um interesse renovado em voltar aos entendimentos bíblicos e cristãos primitivos dos querubins. Estudiosos e teólogos reexaminaram textos antigos e provas arqueológicas, procurando recuperar uma visão mais autêntica destes seres. Ao mesmo tempo, alguns pensadores contemporâneos exploraram interpretações psicológicas e simbólicas dos querubins, vendo-os como representações de ideais espirituais ou aspectos da psique humana ((Bollingen Series 20) Fordham, Michael_ Adler, Gerhard_ Read, Herbert_ Jung, Carl Gustav – Collected Works of C.G. Jung, Volume 5_ Symbols of Transformation-Princeton University Press_Pantheon Books (.Epub, n.d.; (Collected Works of C.G. Jung, Volume 14 Bollingen Series 20) Jung, Carl Gustav_ Jung, Carl Gustav – Mysterium Coniunctionis _ an Inquiry into the Separation and Synthesis of Psychic Opposites in Alch.Epub, n.d.).

Ao longo desta evolução, meus queridos amigos, vemos uma tensão constante entre o desejo de compreender e representar esses seres misteriosos e o reconhecimento de que eles, em última análise, transcendem nossa plena compreensão. Cada era lidou com os querubins à sua maneira, refletindo a mudança de ênfases teológicas e contextos culturais.

O que podemos aprender com esta viagem? Talvez nos lembre de abordar os mistérios da fé com curiosidade e humildade. Somos chamados a procurar a compreensão, sim, mas também a reconhecer os limites do nosso conhecimento. As interpretações evolutivas dos querubins nos convidam a permanecer abertos a novos insights enquanto valorizamos a sabedoria da tradição.

Além disso, este caminho histórico recorda-nos a rica tapeçaria da nossa fé. Cada geração contribuiu com seu próprio fio para esta tapeçaria, tecendo a Escritura, a tradição, a razão e a experiência. Estamos sobre os ombros daqueles que nos precederam, beneficiando-nos de suas percepções e aprendendo com seus erros.

Lembremo-nos também, amados, de que nossa compreensão das realidades celestiais é sempre moldada por nossas experiências e limitações terrenas. Como diz São Paulo: «Agora vemos num espelho, vagamente, mas depois veremos face a face. Agora sei-o apenas em parte. assim conhecerei plenamente, assim como fui plenamente conhecido" (1 Coríntios 13:12). As nossas interpretações evolutivas dos querubins recordam-nos a natureza dinâmica do nosso caminho de fé, sempre em crescimento, sempre em busca de uma compreensão mais profunda.

Acima de tudo, lembremo-nos de que esses seres celestiais, por mais que os concebamos, sempre nos apontam para a glória inefável de Deus. Que a nossa contemplação dos querubins, como a deles, nos conduza sempre a uma adoração mais profunda e ao serviço do nosso Criador. Enquanto continuamos a meditar sobre estes mistérios, cresçamos no amor, na sabedoria e na humildade, cada vez mais conformes à imagem de Cristo.

Qual é a posição da Igreja Católica sobre a natureza e o papel dos querubins?

Ao contemplarmos a natureza e o papel dos querubins, devemos abordar este assunto com reverência à tradição sagrada e abertura ao mistério que envolve estes seres celestiais. A Igreja Católica, em sua sabedoria, manteve uma visão equilibrada, afirmando o que a Escritura e a Tradição nos ensinam, ao mesmo tempo em que evita a especulação injustificada.

Em primeiro lugar, a Igreja afirma a existência dos querubins como seres espirituais reais criados por Deus. Não são apenas representações simbólicas ou artifícios poéticos, mas criaturas reais que fazem parte do mundo invisível, espiritual. Esta crença está enraizada nas numerosas referências bíblicas aos querubins, do Génesis ao Apocalipse, e tem sido consistentemente mantida ao longo da história da Igreja (n.d.).

Em termos de sua natureza, a Igreja entende que os querubins são espíritos puros, o que significa que não têm corpos físicos. As descrições vívidas que encontramos nas Escrituras – rostos múltiplos, asas cobertas de olhos – são entendidas como representações simbólicas das realidades espirituais, transmitindo os papéis e atributos dos querubins e não a sua aparência física. Estas descrições falam à sua inteligência, poder e vigilância constante em servir a Deus (n.d.-a, n.d.-b).

O Catecismo da Igreja Católica, embora não discuta extensivamente especificamente os querubins, coloca-os no contexto mais amplo das hostes angélicas. Afirma que os anjos são «seres espirituais, não corpóreos» que «têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais, ultrapassando na perfeição todas as criaturas visíveis» (CIC 328, 330). Querubins, como um tipo de ser angélico, compartilham destas qualidades (n.d.).

Em relação ao seu papel, a Igreja vê os querubins principalmente como servos e adoradores de Deus, intimamente ligados à sua santidade e glória. A sua representação bíblica como guardiões dos espaços sagrados – o Éden e a Arca da Aliança – é entendida como refletindo o seu papel na defesa da santidade de Deus e na mediação entre os reinos divino e humano. Na liturgia, juntamos as nossas vozes às deles no Sanctus, proclamando «Santo, Santo, Santo», reconhecendo o seu culto contínuo perante o trono de Deus (Alexandria) & Russell, 2000).

A Igreja reconhece igualmente o papel dos querubins na economia da salvação. Embora não sejam tão proeminentes como os outros anjos nas interações diretas com os seres humanos, são vistos como parte da «grande nuvem de testemunhas» (Hebreus 12:1) que nos rodeia e apoia na nossa peregrinação terrena. A sua presença na história da salvação recorda-nos a transcendência de Deus e a realidade do mundo espiritual que existe ao lado do nosso mundo material (n.d.).

É importante notar, meus queridos amigos, que, embora a Igreja afirme estas verdades básicas sobre os querubins, não define dogmaticamente muitas especificidades sobre a sua natureza ou funções. Há espaço para reflexão teológica e até mesmo alguma diversidade de opiniões sobre muitos aspectos da angelologia, incluindo o status exato e os papéis dos querubins.

O que isso significa para nós, queridos? Convida-nos a abordar o tema dos querubins com um sentido de admiração e humildade. Somos chamados a respeitar os ensinamentos da Igreja, mantendo-nos abertos a uma compreensão mais profunda. Inspiremo-nos no exemplo dos querubins de louvor e serviço constantes a Deus. Que a sua dedicação nos recorde o nosso próprio chamado a ser "como os anjos do céu" (Marcos 12:25), não na natureza, mas na nossa devoção sincera ao nosso Criador.

Ao contemplar estes seres misteriosos, aproximemo-nos cada vez mais do Deus que eles servem, fonte de toda santidade e amor. Lembremo-nos de que o propósito final de toda a criação, incluindo os querubins, é glorificar a Deus. Como Santo Agostinho bem expressou: «Tu nos fizeste para ti, Senhor, e os nossos corações estão inquietos até que descansem em ti.»

Finalmente, queridos irmãos e irmãs, que os querubins nos inspirem a viver a nossa própria vocação com maior zelo e devoção. Como eles, somos chamados a ser portadores da presença de Deus no mundo, a guardar o que é santo e a louvar incessantemente o nosso Criador. Ao fazê-lo, participamos da grande sinfonia da criação, unindo nossas vozes com os querubins e toda a hoste celestial para glorificar Aquele que nos fez a todos.

Qual é a interpretação psicológica da natureza e do papel dos querubins?

À medida que exploramos a interpretação psicológica dos querubins, embarcamos em uma viagem que une o espiritual e o humano, o divino e o profundamente pessoal. Embora devamos ser sempre cautelosos para não reduzir as realidades espirituais a meros fenómenos psicológicos, há valor em considerar como esses seres celestes podem refletir e falar com o funcionamento interno da psique humana. Abordemos este tema com mentes e corações abertos, à procura de sabedoria que possa enriquecer a nossa vida espiritual.

Em termos psicológicos, os querubins podem ser vistos como poderosos arquétipos ou símbolos do inconsciente coletivo, para usar a linguagem de Carl Jung. Representam aspectos da psique que estão além da nossa consciência diária, mas que influenciam profundamente a nossa vida espiritual e emocional. As múltiplas faces dos querubins – humano, leão, boi e águia – podem ser interpretadas como representando diferentes aspetos da psique ou diferentes modos de perceção e compreensão(((Bollingen Series 20) Fordham, Michael_ Adler, Gerhard_ Read, Herbert_ Jung, Carl Gustav – Collected Works of C.G. Jung, Volume 5_ Symbols of Transformation-Princeton University Press_Pantheon Books (.Epub, n.d.; (Collected Works of C.G. Jung, Volume 14 Bollingen Series 20) Jung, Carl Gustav_ Jung, Carl Gustav – Mysterium Coniunctionis _ an Inquiry into the Separation and Synthesis of Psychic Opposites in Alch.Epub, n.d.).

O rosto humano pode simbolizar a nossa mente racional e consciente – a nossa capacidade de raciocinar e refletir. O leão pode representar a coragem, a força e a nossa natureza mais instintiva. O boi pode representar a paciência, a resistência e a nossa capacidade de serviço e trabalho árduo. A águia, elevando-se alto, podia simbolizar nossas aspirações, nossa capacidade de ganhar perspectiva e nossa intuição espiritual. Em conjunto, estes rostos sugerem a integração de vários aspetos da nossa personalidade, uma integridade que somos chamados a alcançar (IVI’r’TH AND RI’TUAL IN CHRISl-IANIT’r’, n.d.).

As asas dos querubins, cobertas de olhos, podem ser vistas como representando a consciência aumentada e a capacidade de perceber a realidade a partir de múltiplas perspectivas. Psicologicamente, isso pode apontar para a importância de desenvolver uma compreensão mais abrangente e matizada de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. Desafia-nos a olhar para além das aparências superficiais e a procurar verdades mais profundas (n.d.-a, n.d.-b).

O papel dos querubins enquanto guardiães – do Éden, da Arca – pode ser interpretado como representando as funções protetoras da psique. Podem simbolizar as barreiras que erguemos para proteger nosso eu mais íntimo, ou o discernimento que precisamos para distinguir entre o que é verdadeiramente sagrado em nossas vidas e o que é profano.

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