O que ensina Génesis sobre o desígnio original de Deus para o homem e a mulher?
Quando nos voltamos para as primeiras páginas das Escrituras, deparamo-nos com uma visão poderosa do desígnio original de Deus para a humanidade. No Génesis, vemos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Génesis 1:27). Esta verdade fundamental revela a igual dignidade e valor dos homens e das mulheres aos olhos de Deus. Somos todos portadores da imagem divina, chamados a refletir a bondade e o amor de Deus no mundo.
O Senhor Deus disse: «Não é bom que o homem esteja sozinho. Dar-lhe-ei um auxiliar adequado» (Gn 2, 18). Aqui vemos que, desde o início, Deus pretendia que o homem e a mulher estivessem em relação, se complementassem e completassem. A mulher foi criada como parceira e «ajudante» do homem e não como sua subordinada. A palavra hebraica para auxiliar, ezer, também é utilizada para descrever o próprio Deus – conota força e apoio, não inferioridade (Ju et al., 2018).
Quando Deus apresenta a mulher a Adão, exclama com alegria: «Este é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Gn 2, 23). A sua unidade e igualdade são salientadas – a mulher não é tirada da cabeça do homem para o dominar, nem dos seus pés para ser pisoteada, mas do seu lado para ser o seu parceiro. São chamados a tornar-se «uma só carne» num vínculo de amor e de doação mútua (Gn 2, 24).
No desígnio original de Deus, o homem e a mulher deviam viver em harmonia entre si e com toda a criação. Foi-lhes dada a responsabilidade compartilhada de serem frutíferos, multiplicarem-se e exercerem mordomia sobre a terra (Gn 1:28). A sua nudez sem vergonha (Génesis 2:25) fala da pureza e confiança da sua relação, sem mácula pelo pecado.
Esta visão de complementaridade e de parceria entre o homem e a mulher reflecte a própria natureza de Deus, que existe como Trindade de Pessoas em perfeita comunhão. Somos criados homem e mulher para imaginar esta comunhão divina através das nossas relações. Enquanto iguais em dignidade, homens e mulheres têm dons distintos, mas complementares, que, quando unidos, refletem mais plenamente a imagem de Deus.
Como a Bíblia define os papéis do marido e da mulher no casamento?
As Escrituras proporcionam-nos uma visão rica do casamento como um pacto de amor entre marido e mulher, refletindo o amor de Cristo pela Igreja. Embora as expressões culturais possam variar, há princípios duradouros que podemos discernir sobre os papéis dos esposos em um casamento cristão.
O marido e a esposa são chamados ao amor mútuo, ao respeito e à submissão uns aos outros por reverência a Cristo (Efésios 5:21). A sua relação deve caracterizar-se pelo amor de doação, não pela dominação ou desigualdade. São «herdeiros juntos da graça da vida» (1 Pedro 3:7), parceiros iguais no dom da salvação de Deus.
A Bíblia fala de maridos que amam suas esposas sacrificialmente, assim como Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela (Efésios 5:25). Este amor não é sobre exercer poder, mas sobre nutrir, proteger e servir. Os maridos são chamados a compreender e honrar suas esposas, tratando-as com gentileza e respeito (1 Pedro 3:7). Devem prover às suas famílias material e espiritualmente, oferecendo-lhes uma liderança que empodere e não diminua.
As mulheres são chamadas a respeitar seus maridos e a submeter-se a eles como ao Senhor (Efésios 5:22-24). Mas devemos compreender esta submissão à luz do exemplo de liderança servil de Cristo. Não se trata de inferioridade ou obediência cega, mas de uma entrega voluntária por amor e confiança. As esposas devem ser parceiras na tomada de decisões, oferecendo-lhes sabedoria e dons para fortalecer o casamento e a família.
Ambos os cônjuges são instruídos a submeter-se um ao outro (Efésios 5:21), indicando uma relação de mútua deferência e consideração. Devem estar "sujeitos uns aos outros por reverência a Cristo" (Efésios 5:21). Esta submissão mútua cria uma dança do amor, em que cada um coloca as necessidades do outro à frente das suas (Payne, 2013).
A Bíblia também fala das mulheres como «ajudantes» dos seus maridos (Génesis 2:18). Mas, como observamos anteriormente, este termo conota força e apoio, não subordinação. A mulher complementa os pontos fortes e fracos do marido com os seus próprios dons únicos, trabalhando em conjunto como uma só carne.
Em Provérbios 31, vemos um retrato de uma mulher capaz que é diligente, sábia e respeitada. É-lhe confiadas responsabilidades importantes e faz grandes contribuições para a sua família e comunidade. Isto demonstra que o papel da mulher ultrapassa a esfera doméstica.
Estes princípios bíblicos pintam um quadro do casamento como uma parceria de iguais com papéis diferentes e complementares. Os maridos e as esposas devem amar e servir uns aos outros, cada um contribuindo com suas forças únicas para edificar a família e glorificar a Deus. A expressão exata destes papéis pode variar com base nos dons e circunstâncias do casal, mas os princípios subjacentes de amor mútuo, respeito e submissão permanecem constantes.
O que as Escrituras dizem sobre a igualdade e as diferenças entre homens e mulheres?
As Escrituras afirmam a igualdade fundamental e a bela diversidade de homens e mulheres. Refletamos sobre este paradoxo com o coração e a mente abertos, procurando compreender o desígnio de Deus.
Temos de salientar a igual dignidade dos homens e das mulheres enquanto portadores da imagem de Deus. Génesis 1:27 diz-nos: «Então Deus criou os homens à sua imagem, à imagem de Deus os criou; Criou-os homem e mulher.» Esta verdade fundamental estabelece o valor e o valor iguais de cada pessoa humana, independentemente do género. Em Cristo, vemos esta igualdade reafirmada: «Não há judeu nem gentio, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3:28) (Ju et al., 2018).
No entanto, dentro desta igualdade fundamental, a Escritura também reconhece distinções entre homens e mulheres. Deus nos criou homem e mulher, com diferenças físicas e psicológicas que se complementam. Estas diferenças não são causa de divisão ou hierarquia, mas de enriquecimento mútuo e de um reflexo mais completo da imagem de Deus.
Em termos de dons espirituais e chamados, vemos nas Escrituras que homens e mulheres são capacitados pelo Espírito Santo para o ministério. O profeta Joel predisse um tempo em que Deus iria derramar o seu Espírito sobre todas as pessoas, tanto os filhos como as filhas que profetizavam (Joel 2:28-29). Vemos isso cumprido na Igreja primitiva, com mulheres como Priscilla, Phoebe e Junia desempenhando papéis importantes no ministério e na liderança.
Ao mesmo tempo, as Escrituras falam de certos papéis distintos, particularmente no contexto do casamento e da liderança da igreja. Como discutimos anteriormente, os maridos são chamados ao amor sacrificial e à liderança de servos, enquanto as esposas são chamadas a respeitar e apoiar. Na igreja, existem interpretações divergentes dos ensinamentos de Paulo sobre os papéis das mulheres, com algumas tradições a restringir determinadas posições de liderança aos homens.
Mas devemos ter cuidado para não usar estas distinções como base para a desigualdade ou opressão. O próprio Jesus desafiou as normas culturais do seu tempo nas suas interacções com as mulheres, tratando-as com respeito e dignidade. Ele acolheu as mulheres como discípulas, falou-lhes publicamente e primeiro revelou sua ressurreição às mulheres.
As diferenças entre homens e mulheres devem ser vistas como complementares e não competitivas. Cada género traz pontos fortes e perspetivas únicas que, quando unidos, refletem mais plenamente a natureza multifacetada de Deus. Como o Papa João Paulo II belamente expressou na sua «Carta às Mulheres», as diferenças entre homens e mulheres não são «o resultado de condicionamentos culturais, mas sim uma expressão do ser mais profundo da pessoa humana, tal como Deus o quis».
Como a Queda em Gênesis 3 afeta a relação entre o homem e a mulher?
O relato da Queda em Génesis 3 revela uma ruptura poderosa na relação harmoniosa pretendida por Deus entre o homem e a mulher. Este acontecimento trágico tem consequências de longo alcance que continuam a afetar as relações humanas até hoje.
Antes da Queda, Adão e Eva viviam em perfeita comunhão com Deus e uns com os outros. Estavam «nuas e sem vergonha» (Génesis 2:25), simbolizando uma relação de total confiança, vulnerabilidade e respeito mútuo. Mas com a sua desobediência veio um colapso deste ideal.
Imediatamente depois de comer o fruto proibido, vemos a vergonha e a culpa entrarem em sua relação. Cobrem-se a si mesmos, escondendo-se de Deus e uns dos outros. Quando confrontado por Deus, Adão culpa Eva, e Eva culpa a serpente. Este apontamento de dedos revela uma nova dinâmica de desconfiança e autoproteção que infetou a sua união, outrora perfeita (Ju et al., 2018).
As palavras de Deus à mulher e ao homem em Génesis 3:16-19 não são tanto uma prescrição de como as coisas devem ser, mas uma descrição das dolorosas consequências do pecado. Para a mulher, Deus diz: "O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" (Gênesis 3:16). Isto fala de uma distorção da parceria original entre o homem e a mulher. Em vez de submissão e cooperação mútuas, haverá agora uma luta pelo controlo e dominação.
Para o homem, o trabalho torna-se penoso, e sua relação com a criação é desfigurada. Isso afeta sua capacidade de prover e proteger sua família, potencialmente levando à frustração e à tentação de afirmar o controle através da força, em vez de amar a liderança.
A Queda introduz a discórdia em todos os aspectos das relações humanas, incluindo entre homens e mulheres. Vemos isso acontecer ao longo da história em várias formas de opressão baseada no género, discriminação e violência. O respeito mútuo e a complementaridade que Deus pretendia foram muitas vezes substituídos por lutas pelo poder e pela desigualdade.
Mas devemos lembrar-nos de que esta não é a palavra final de Deus sobre o assunto. Mesmo pronunciando estas consequências, Deus fornece o primeiro indício de redenção na promessa de que a descendência da mulher esmagará a cabeça da serpente (Génesis 3:15). Este «protoevangelium» aponta para Cristo, que vem restaurar o que foi quebrado pelo pecado.
Em Cristo, vemos a possibilidade de cura e restauração nas relações entre homens e mulheres. Através do seu amor sacrificial, Jesus mostra-nos o caminho de regresso ao desígnio original de Deus. Paulo nos lembra em Efésios que os maridos devem amar suas mulheres como Cristo amou a Igreja, entregando-se a si mesmo por ela (Efésios 5:25). Este amor autodoador é o antídoto para a apreensão egoísta do poder que resultou da Queda.
O que revelam os ensinamentos e as ações de Jesus sobre a sua visão das mulheres?
Quando olhamos para a vida e os ensinamentos de Jesus, vemos uma afirmação radical da dignidade e do valor da mulher que foi revolucionária no seu contexto cultural. Jesus tratava consistentemente as mulheres com respeito e compaixão, desafiando as normas sociais do Seu tempo e dando-nos um exemplo a seguir.
Vemos Jesus incluir mulheres entre os seus seguidores e discípulos. Lucas 8:1-3 diz-nos que, enquanto Jesus viajava, proclamando as boas novas do reino de Deus, foi acompanhado não só pelos Doze, mas também por «algumas mulheres» que apoiaram o Seu ministério. Esta inclusão de mulheres em seu círculo íntimo era altamente incomum para um rabino da época.
Jesus envolveu as mulheres em discussões teológicas, tratando-as como capazes de compreender verdades espirituais profundas. A conversa com a mulher samaritana no poço (João 4) é um excelente exemplo. Jesus não só lhe falou publicamente – quebrando tabus sociais – mas revelou-lhe a sua identidade de Messias e envolveu-a num diálogo poderoso sobre o verdadeiro culto. Esta mulher, em seguida, tornou-se um evangelista para sua aldeia.
Vemos Jesus defender e mostrar compaixão pelas mulheres que foram marginalizadas ou condenadas pela sociedade. Ele protegeu a mulher apanhada em adultério daqueles que a apedrejavam, enquanto também a chamava para uma nova vida (João 8:1-11). Permitiu que uma «mulher pecadora» lhe ungisse os pés, afirmando a sua fé e o seu perdão perante o juízo dos outros (Lucas 7:36-50).
Jesus desafiou as normas culturais que desvalorizavam as mulheres. Quando Marta estava ocupada com as tarefas domésticas enquanto Maria estava sentada a ouvir os Seus ensinamentos, Jesus afirmou a escolha de Maria, dizendo que ela tinha escolhido «a melhor parte» (Lucas 10:38-42). Isto validou o direito das mulheres a serem discípulas e aprendizes, e não apenas servas.
Em seus ensinamentos, Jesus frequentemente usava exemplos e parábolas que apresentavam mulheres, como a parábola da viúva persistente (Lucas 18:1-8) ou a mulher à procura de sua moeda perdida (Lucas 15:8-10). Isto mostra que ele via as experiências das mulheres como valiosas e dignas de atenção.
Talvez mais significativamente, foi para as mulheres que Jesus apareceu pela primeira vez depois de sua ressurreição, confiando-lhes a tarefa crucial de anunciar esta notícia que muda o mundo aos outros discípulos (Mateus 28:1-10; João 20:11-18). Numa cultura em que o testemunho das mulheres não era considerado fiável em tribunal, Jesus honrou as mulheres como as primeiras testemunhas do acontecimento mais importante da história.
O tratamento dado por Jesus às mulheres revela o seu reconhecimento da sua plena humanidade e da sua igual dignidade perante Deus. Ele via as mulheres não como objetos ou cidadãos de segunda classe, mas como filhos amados de Deus, dignos de respeito, capazes de fé e chamados ao discipulado.
Mas devemos notar que Jesus não se conformou simplesmente com as noções modernas de igualdade de género. A sua abordagem foi mais poderosa – afirmou a dignidade única de cada pessoa, homem ou mulher, e chamou todos a um discipulado radical caracterizado pelo amor doador.
O exemplo de Jesus desafia-nos a examinar as nossas próprias atitudes e ações em relação às mulheres. Reconhecemos verdadeiramente a sua igual dignidade? Criamos espaço para as vozes e os dons das mulheres nas nossas famílias, igrejas e comunidades? Estamos a trabalhar para superar estruturas e atitudes que diminuem ou marginalizam as mulheres?
Como é que os escritos de Paulo abordam as relações homem-mulher na igreja e no lar?
Os escritos de Paulo sobre as relações homem-mulher refletem tanto o contexto cultural do seu tempo como os seus princípios espirituais intemporais. Nas suas cartas, Paulo afirma a igualdade fundamental entre homens e mulheres em Cristo, declarando que «não há judeu nem gentio, nem escravo nem livre, nem homem e mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3:28). Esta declaração radical desafiou as normas profundamente patriarcais da sociedade antiga.
Ao mesmo tempo, Paulo também descreve papéis distintos para homens e mulheres, particularmente no casamento e na liderança da igreja. Ele instrui as mulheres a submeterem-se a seus maridos e maridos para amarem suas esposas sacrificialmente (Efésios 5:22-33). Na igreja, Paulo restringe as mulheres de ensinar ou ter autoridade sobre os homens (1 Timóteo 2:12), embora o significado exato e a aplicação desta passagem sejam debatidos.
Devemos recordar que os ensinamentos de Paulo emergiram de um meio cultural específico. As suas palavras visavam pôr ordem nas comunidades cristãs recém-formadas e apresentar a fé de uma forma que não escandalizasse excessivamente a sociedade circundante. No entanto, Paulo também plantou sementes de igualdade que cresceriam ao longo do tempo.
A chave é discernir os princípios subjacentes nos escritos de Paulo - amor mútuo, respeito e serviço - em vez de aplicar rigidamente todas as instruções ao nosso contexto moderno. A visão de Paulo é, em última análise, uma visão de complementaridade entre homens e mulheres, cada um trazendo os seus dons únicos para edificar o Corpo de Cristo.
Em nosso tempo, somos chamados a honrar a igual dignidade de mulheres e homens, ao mesmo tempo em que apreciamos as qualidades distintivas que cada um traz às relações, à família e à comunidade eclesial. O objetivo é a harmonia e o florescimento mútuo, não a dominação ou a uniformidade.
Que princípios bíblicos devem guiar as relações românticas entre homens e mulheres?
A Bíblia oferece sabedoria intemporal para orientar as relações românticas, embora não forneça um «livro de regras» pormenorizado para o namoro como o conhecemos hoje. Vários princípios-chave emergem das Escrituras que podem ajudar os casais cristãos a navegarem suas relações com graça e propósito.
Em primeiro lugar, o chamado ao amor altruísta modelado por Cristo. «O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha» (1 Coríntios 13:4). Este tipo de amor procura o bem da outra pessoa acima dos próprios desejos ou ego. É marcado pelo respeito, pela bondade e pela vontade de sacrificar-se.
A pureza e a integridade sexual também são enfatizadas. Embora a nossa cultura hipersexualizada goze frequentemente da castidade, a Escritura apresenta-a como um dom precioso e uma forma de honrar a Deus e ao futuro cônjuge. "Fugi da imoralidade sexual" (1 Coríntios 6:18) é a clara instrução de Paulo.
A sabedoria e o discernimento são fundamentais na escolha de um parceiro. Provérbios aconselha: "Acima de tudo, guarda o teu coração, porque tudo o que fazes flui dele" (4:23). Trata-se de avaliar cuidadosamente o caráter, a fé e os valores de um potencial cônjuge, e não apenas a atração ao nível da superfície.
Igualmente importante é a unidade espiritual. Paulo adverte contra ser «encolhido juntamente com os incrédulos» (2 Coríntios 6:14), salientando a importância da fé partilhada numa relação duradoura. Um casal deve ser capaz de incentivar o crescimento espiritual um do outro.
A comunicação, o perdão e o compromisso são outros princípios bíblicos fundamentais. Efésios 4:15 incentiva a «falar a verdade com amor», enquanto Colossenses 3:13 nos chama a «perdoar como o Senhor vos perdoou». O amor pactual de Deus fornece um modelo de compromisso duradouro.
Os casais cristãos são chamados a centrar a sua relação em Cristo, procurando glorificar a Deus através do seu amor. Quando ambos os parceiros perseguem este objetivo, a sua união pode ser um testemunho poderoso do amor de Deus no mundo.
Como a Bíblia retrata exemplos positivos e negativos de relações homem-mulher?
A Bíblia oferece uma vasta teia de relações homem-mulher, tanto positivas quanto negativas, que fornecem lições valiosas para nós hoje. Estas histórias revelam a complexidade das interações humanas e as consequências de nossas escolhas.
Entre os exemplos positivos, vemos o amor devotado entre Rute e Boaz. A sua relação é marcada pelo respeito mútuo, pela bondade e pela fidelidade aos caminhos de Deus. A lealdade de Rute à sua sogra Naomi e a integridade de Boaz em honrar os costumes do seu povo demonstram um caráter admirável. A união deles torna-se parte da linhagem do Rei Davi e, finalmente, do próprio Jesus.
O amor entre Isaque e Rebeca também se destaca. Génesis diz-nos que Isaac «amava-a; e Isaque foi consolado após a morte da sua mãe» (24:67). A sua relação, divinamente organizada mas marcada por uma afeição genuína, ilustra o cuidado providencial de Deus.
Priscila e Áquila no Novo Testamento fornecem um modelo de um casal unido na fé e na missão. Trabalham, ensinam e servem juntos como parceiros iguais no ministério, oferecendo hospitalidade e instrução a líderes como Paulo e Apolo.
Do lado negativo, vemos as trágicas consequências da luxúria e do abuso de poder na relação de Davi com Bate-Seba. Suas ações levam ao adultério, engano e assassinato, trazendo dor duradoura para sua família e reino. Este conto de advertência lembra-nos que mesmo os grandes líderes podem cair em pecado grave.
A dinâmica manipuladora entre Sansão e Dalila serve como outro aviso. Sua relação é caracterizada por engano, desconfiança e o mau uso dos dons dados por Deus. Em última análise, conduz à queda de Sansão e à perda da sua força.
Na história de Abraão, Sara e Agar, vemos os resultados dolorosos de tentar forçar as promessas de Deus através de meios humanos. A decisão de usar Hagar como substituto cria conflitos e sofrimentos duradouros.
Estes relatos bíblicos nos lembram que as relações humanas são complexas, influenciadas por normas culturais, escolhas pessoais e forças espirituais. Chamam-nos a perseguir a integridade, o respeito mútuo e a fidelidade aos caminhos de Deus nas nossas próprias relações. Ao aprender com os triunfos e fracassos destas figuras bíblicas, podemos procurar construir parcerias mais saudáveis e centradas em Cristo em nossas próprias vidas.
O que as Escrituras ensinam sobre a unicidade para homens e mulheres?
As Escrituras apresentam uma visão matizada e assertiva da unicidade, desafiando as suposições culturais que muitas vezes priorizam o casamento como o único caminho para a realização. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento oferecem exemplos de indivíduos e ensinamentos fiéis que destacam o valor único da vida solteira.
No Antigo Testamento, vemos figuras como o profeta Jeremias, a quem Deus chamou para permanecer solteiro como um sinal para o seu povo (Jeremias 16:1-4). Embora isso fosse incomum na antiga cultura judaica, demonstra que Deus pode chamar os indivíduos à unicidade para fins específicos.
O próprio Jesus, a perfeita encarnação da humanidade, viveu a sua vida terrena como um só homem. Ensinou que alguns são chamados ao celibato «por amor do reino dos céus» (Mateus 19:12), indicando que a unicidade pode ser uma vocação especial que permite uma devoção indivisa à obra de Deus.
O apóstolo Paulo, também solteiro, oferece o mais extenso ensino bíblico sobre o assunto. Em 1 Coríntios 7, apresenta a unicidade como um «presente» (v.7) e afirma mesmo que «é bom para eles permanecerem solteiros, como eu faço» (v.8). Paulo destaca as vantagens práticas da unicidade, como a liberdade das ansiedades mundanas e a capacidade de se dedicar plenamente aos assuntos do Senhor (v.32-35).
É importante ressaltar que as Escrituras nunca retratam a individualidade como um estado menor ou uma razão para a vergonha. Pelo contrário, é apresentada como uma oportunidade única de serviço e intimidade com Deus. O profeta Isaías oferece uma bela promessa aos eunucos (muitas vezes simbólicos de todas as pessoas solteiras) que permanecem fiéis: "Dar-lhes-ei dentro do meu templo e dos seus muros um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas" (Isaías 56:5).
Para homens e mulheres, a unicidade bíblica é caracterizada por:
- Integridade em Cristo, não definida pelo estado civil
- Liberdade para a devoção indivisa a Deus
- Oportunidades para expandir o ministério e o serviço
- Envolvimento profundo na família da fé
- Cultivo de relações e comunidades não-românticas
O desafio para a Igreja hoje é abraçar e apoiar totalmente os indivíduos individuais, criando comunidades onde possam prosperar e utilizar os seus dons. Devemos rejeitar a noção de que o casamento é o único caminho para a maturidade ou a realização.
As Escrituras ensinam que, seja casada ou solteira, nossa identidade primária é encontrada em Cristo. Como disse o Papa Francisco, «o mais importante não é pensar muito, mas amar muito». Os cristãos solteiros são chamados, como todos os crentes, a amar a Deus e ao próximo de todo o coração, encontrando propósito e alegria neste maior dos mandamentos.
Como devem os cristãos aplicar os ensinamentos bíblicos sobre os papéis de género no contexto cultural atual?
Aplicar os ensinamentos bíblicos sobre os papéis de género no nosso contexto moderno requer sabedoria, sensibilidade e um compromisso com os princípios fundamentais da dignidade humana e da igualdade encontrados nas Escrituras. Temos de navegar entre o tradicionalismo rígido que pode oprimir as mulheres e um individualismo secular que desrespeita o desígnio de Deus para o florescimento humano.
Devemos afirmar a igualdade fundamental e a dignidade do homem e da mulher como portadores da imagem de Deus. Génesis 1:27 declara que «Deus criou os homens à sua imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher, criou-os.» Esta verdade fundamental deve moldar todas as nossas reflexões sobre os papéis de género.
Ao mesmo tempo, reconhecemos que Deus criou homens e mulheres com diferenças complementares. Estas diferenças não são uma base para a hierarquia ou opressão, mas para o enriquecimento mútuo e cooperação. Como disse o Papa Francisco, «o homem e a mulher são a imagem e a semelhança de Deus. Isto diz-nos que não só o homem é tomado em si mesmo à imagem de Deus, não só a mulher é tomada em si mesma à imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, enquanto casal, são a imagem de Deus.»
Em termos práticos, isto significa:
- Rejeitar todas as formas de sexismo, misoginia e violência baseada no género como contrárias à vontade de Deus.
- Encorajar tanto os homens como as mulheres a desenvolverem e utilizarem plenamente os dons dados por Deus ao serviço da Igreja e da sociedade.
- Valorizar as qualidades tradicionalmente femininas, como a educação e a empatia, a par das qualidades tradicionalmente masculinas, como a proteção e a provisão, reconhecendo que todas estas características refletem o caráter de Deus e são necessárias para ambos os géneros.
- No casamento, enfatizar a submissão mútua e o amor sacrificial em vez de domínio ou subserviência.
- Na liderança da igreja, discernir com oração como honrar tanto o espírito de igualdade em Cristo como as instruções específicas nas cartas de Paulo, que podem ter sido influenciadas pelo seu contexto cultural.
- No local de trabalho, defender a igualdade de oportunidades e o tratamento justo, apoiando simultaneamente a vida familiar e os desafios únicos enfrentados pelos pais que trabalham.
Devemos estar dispostos a examinar criticamente nossas suposições culturais sobre o gênero, testando-as contra as Escrituras e os frutos que produzem. Algumas interpretações tradicionais podem ter de ser reavaliadas à luz da nossa crescente compreensão da psicologia humana e dos impactos negativos dos estereótipos de género rígidos.
O nosso objetivo deve ser criar comunidades e relações que reflitam o amor e a unidade da Trindade, que é diversa mas profundamente una. À medida que navegamos nestas questões complexas, devemos fazê-lo com humildade, graça e vontade de ouvir aqueles cujas experiências podem diferir das nossas.
Lembremo-nos das palavras de Gálatas 3:28: «Não há judeu nem gentio, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus.» Em Cristo, encontramos a nossa verdadeira identidade e o poder de viver em harmonia, cada um contribuindo com os nossos dons únicos para edificar o Corpo de Cristo e servir o mundo com amor.
