Domingo de Páscoa vs Ressurreição domingo
Qual é a diferença entre o Domingo de Páscoa e o Domingo da Ressurreição?
O Domingo de Páscoa e o Domingo da Ressurreição referem-se ao mesmo dia sagrado no calendário cristão, mas com terminologia diferente que reflete o desenvolvimento histórico e a ênfase teológica.
O termo «Páscoa» tem origens complexas que remontam às tradições pré-cristãs. Historicamente, alguns estudiosos ligam-na a «Eostre», uma deusa germânica da primavera e da fertilidade, cujo festival ocorreu em torno do equinócio vernal. À medida que o cristianismo se espalhou por toda a Europa, a celebração da ressurreição de Cristo coincidiu com esta celebração sazonal e, em algumas regiões, o nome «Páscoa» foi adotado para o dia santo cristão.
O Domingo da Ressurreição, pelo contrário, é um termo mais explicitamente descritivo que identifica diretamente o significado teológico do dia — comemorar o triunfo de Jesus Cristo sobre a morte e levantar-se do túmulo no terceiro dia após a sua crucificação. Esta terminologia põe clara ênfase no milagre central que constitui a pedra angular da fé cristã.
A distinção entre estes termos não é meramente semântica, mas reflete considerações mais profundas sobre como os cristãos compreendem e celebram este evento fundamental. Tradicionalmente, o Domingo de Páscoa engloba uma celebração cultural mais ampla que, ao longo dos séculos, incorporou vários costumes e tradições — desde ovos de Páscoa e coelhos a refeições especiais e reuniões familiares. Estes elementos, embora significativos em contextos culturais, não estão diretamente relacionados com a narrativa bíblica da ressurreição de Cristo. Além disso, a forma como os indivíduos escolhem comemorar este dia pode variar muito, refletindo crenças pessoais e tradições familiares. Para muitos, a questão do Como celebrar o Domingo de Páscoa destaca o equilíbrio entre abraçar as práticas culturais e honrar o significado da própria ressurreição. Em última análise, esta mistura de fé e festividade permite que os cristãos se liguem à sua herança, ao mesmo tempo que fomentam um sentido de comunidade e alegria.
A terminologia do Domingo da Ressurreição representa um enfoque intencional no significado espiritual do dia, dirigindo a atenção especificamente para o túmulo vazio e para a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta ênfase está estreitamente alinhada com o ensinamento apostólico de que «se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é fútil» (1 Coríntios 15:17).
Ambos os termos referem-se à mesma celebração no calendário litúrgico cristão - o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio vernal. Este método de datação está ligado à Páscoa judaica, que é importante, uma vez que a morte e a ressurreição de Cristo ocorreram durante este festival, cumprindo profecias antigas e estabelecendo um novo pacto.
Quer seja chamado de Páscoa ou Domingo da Ressurreição, este dia santo continua a ser a celebração mais importante do cristianismo, comemorando o acontecimento que transformou a história e oferece esperança de vida eterna aos crentes. A terminologia que escolhemos pode refletir nossa ênfase teológica, fundo cultural ou tradição denominacional, mas a verdade essencial a ser celebrada permanece inalterada.
Por que razão alguns cristãos preferem dizer «Domingo da Ressurreição» em vez de «Páscoa»?
Muitos cristãos preferem o termo «Domingo da Ressurreição» em vez de «Páscoa» por várias razões teológicas, históricas e práticas convincentes que refletem o seu desejo de culto autêntico e de comunicação clara da fé.
O «Domingo da Ressurreição» comunica explicitamente o milagre central que está a ser celebrado — o triunfo de Cristo sobre a morte. Esta terminologia põe imediatamente a tónica no túmulo vazio e no acontecimento fundacional da fé cristã. Como o apóstolo Paulo sublinhou, «Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é fútil e ainda estais nos vossos pecados» (1 Coríntios 15:17). Ao utilizarem o «Domingo da Ressurreição», os crentes destacam esta doutrina essencial, em vez de utilizarem terminologia que exige explicações adicionais.
Historicamente, alguns cristãos manifestam preocupação com o termo «Páscoa» devido às suas potenciais ligações às tradições pré-cristãs. Embora as opiniões académicas variem em relação a estas ligações, a etimologia do termo tem sido associada por alguns a «Eostre», uma deusa pagã da primavera. Aqueles que preferem o «Domingo da Ressurreição» procuram frequentemente distinguir o culto cristão de quaisquer associações com práticas religiosas não cristãs, salientando a singularidade da ressurreição de Cristo como um acontecimento histórico e não como uma celebração sazonal.
Na nossa sociedade cada vez mais secular, a «Páscoa» tornou-se fortemente comercializada com coelhos, ovos e doces — elementos que, embora agradáveis como tradições culturais, podem potencialmente ofuscar o poderoso significado espiritual do dia. O «Domingo da Ressurreição» serve de contraponto deliberado a esta comercialização, reorientando a atenção para a narrativa evangélica.
Para os cristãos de mentalidade evangélica, o «Domingo da Ressurreição» também proporciona um ponto de entrada mais acessível para conversas sobre a fé com não crentes. O próprio termo convida a perguntas sobre o que significa ressurreição e por que é importante, criando oportunidades naturais para compartilhar a mensagem do evangelho.
Algumas denominações e congregações adotaram formalmente o «Domingo da Ressurreição» na sua língua litúrgica como parte de um compromisso mais amplo com a terminologia bíblica e as práticas de culto diretamente enraizadas nas Escrituras. Isso reflete um desejo de adoração que é intencionalmente centrado em Cristo e biblicamente fundamentado.
Embora ambos os termos se refiram ao mesmo dia santo, a preferência pelo «Domingo da Ressurreição» reflete, em última análise, o desejo de celebrar com clareza e finalidade, assegurando que a mensagem revolucionária da vitória de Cristo sobre a morte permanece na vanguarda da fé pessoal e do testemunho público. Esta escolha terminológica representa não apenas uma preferência linguística, mas uma declaração teológica sobre o que mais importa na celebração cristã.
A Bíblia usa o termo "Páscoa" ou "Domingo da Ressurreição"?
A Bíblia não utiliza o termo «Páscoa» nem o termo «Domingo da Ressurreição» nas suas línguas originais. Este fato muitas vezes surpreende muitos cristãos que podem assumir que estes termos familiares têm origens bíblicas diretas.
No Novo Testamento grego original, não existe um nome específico para o dia da ressurreição de Cristo. Os relatos evangélicos simplesmente descrevem o evento como ocorrendo "no primeiro dia da semana" (Mateus 28:1, Marcos 16:2, Lucas 24:1, João 20:1). Este marcador temporal era importante no contexto do calendário judaico, mas não constituía um nome formal para o dia. Os primeiros discípulos reconheceram a poderosa importância deste «primeiro dia», mas os textos não indicam que estabeleceram imediatamente uma celebração anual nomeada.
A única aparição de qualquer coisa semelhante a «Páscoa» nas Bíblias inglesas ocorre na tradução de Atos 12:4 da versão King James, que utiliza «Páscoa» para traduzir a palavra grega «pascha». Mas tal é amplamente reconhecido como uma tradução incorreta, uma vez que «pascha» se refere efetivamente ao festival da Páscoa judaica. As traduções modernas traduzem corretamente esta menção como «passaporte» e não como «Páscoa».
O termo «Páscoa» entrou no vocabulário cristão muito mais tarde através de desenvolvimentos linguísticos e culturais complexos. À medida que o cristianismo se espalhou por toda a Europa, a celebração da ressurreição de Cristo em algumas regiões adotou terminologia relacionada com festivais da primavera preexistentes. Nas línguas germânicas, isso produziu termos como o inglês "Easter", enquanto as línguas românicas mantiveram derivados de "pascha" (como "Pascua" em espanhol ou "Pâques" em francês).
O «Domingo da Ressurreição» também não consta das Escrituras como designação formal, embora descreva com precisão o que o dia comemora. A própria ressurreição é abundantemente atestada nas Escrituras e constitui a pedra angular da pregação apostólica em todo o Novo Testamento. Paulo declara-o «de primeira importância» na sua proclamação do evangelho (1 Coríntios 15:3-4).
As primeiras comunidades cristãs começaram a comemorar a ressurreição anualmente, mas a formalização desta celebração e sua terminologia desenvolveu-se gradualmente através da tradição da igreja, em vez de mandato bíblico direto. No segundo século, encontramos evidências de celebrações anuais da ressurreição, embora os debates sobre a datação adequada continuassem durante séculos.
Este contexto histórico ajuda-nos a compreender que, embora o evento da ressurreição seja central para as Escrituras, a terminologia que usamos para designar sua comemoração reflete o desenvolvimento histórico em vez da prescrição bíblica. Os cristãos podem, portanto, usar qualquer termo com liberdade, enquanto se concentram na verdade essencial que ambos procuram honrar: Cristo ressuscitou, transformou a história e ofereceu a salvação a todos os que crêem.
O nome «Páscoa» está ligado a tradições pagãs?
A questão das origens etimológicas da Páscoa tem sido objeto de debate académico há séculos e merece uma consideração ponderada por parte dos cristãos fiéis que procuram honrar a Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.
A palavra inglesa «Easter» provavelmente deriva de «Eostre» ou «Eastre», que alguns estudiosos associam a uma deusa anglo-saxã da primavera e da fertilidade. Esta ligação foi sugerida pela primeira vez pelo monge Beda do século VIII na sua obra «De Temporum Ratione». Mas temos de abordar esta alegação histórica com um discernimento cuidadoso, uma vez que as provas do culto a esta deusa se limitam principalmente ao relato de Beda.
O que é mais certo historicamente é que, na maioria das línguas que não o inglês e o alemão, a celebração é conhecida por termos derivados da palavra hebraica e grega «Pascha», que se refere à Páscoa. Nas línguas latinas, encontramos «Pascua» (espanhol), «Pâques» (francês) e variações semelhantes — todas ligando a ressurreição de Cristo à festa da Páscoa, que o próprio Jesus celebrava com os seus discípulos antes da sua crucificação.
Esta ligação linguística entre a Páscoa e a celebração da Ressurreição é profundamente importante. Recorda-nos que a morte e a ressurreição de Cristo cumpriram o simbolismo do cordeiro pascal, como afirma a Escritura: «Porque Cristo, nosso cordeiro pascal, foi sacrificado» (1 Coríntios 5:7). A Igreja primitiva compreendeu profundamente esta ligação, vendo na ressurreição de Cristo a libertação definitiva do pecado e da morte, tal como a Páscoa comemorava a libertação do cativeiro no Egito.
Embora o termo inglês «Easter» possa ter raízes linguísticas pré-cristãs, a própria celebração foi completamente transformada pela mensagem cristã. A Igreja sempre teve a sabedoria de santificar elementos culturais, infundindo-os com um significado novo, centrado em Cristo. Assim como a Igreja primitiva adotou e transformou as celebrações do solstício de inverno em Natal, a celebração da primavera centrou-se na ressurreição de Cristo.
O mais importante não é a etimologia de uma palavra, mas o conteúdo de nossa fé e adoração. Quando celebramos a Páscoa, não estamos a honrar uma divindade pagã, mas a proclamar a verdade central da nossa fé: «Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo voltará.» A ressurreição de Jesus Cristo transcende todas as origens culturais e linguísticas, constituindo o acontecimento central da história humana.
Como cristãos, podemos abraçar o termo «Páscoa» com confiança, sabendo que, independentemente das suas origens linguísticas, durante quase dois milénios significou a realidade gloriosa do nosso Senhor ressuscitado e a esperança da nossa própria ressurreição.
Quando começaram os cristãos a celebrar a ressurreição de Cristo?
A celebração da ressurreição de Cristo é a festa mais antiga e fundamental da tradição cristã, que remonta à própria era apostólica. Desde os primeiros dias da Igreja, os crentes reuniram-se para comemorar este acontecimento que muda o mundo e que constitui a pedra angular da nossa fé.
O próprio Novo Testamento atesta o significado imediato do primeiro dia da semana - o dia da ressurreição - para os primeiros cristãos. Em Atos 20:7, lemos que «no primeiro dia da semana, quando estávamos reunidos para partir o pão, Paulo falava com eles.» Do mesmo modo, em 1 Coríntios 16:2, Paulo instrui os crentes a deixarem de lado as ofertas «no primeiro dia de cada semana». Estas passagens sugerem que o domingo já se tinha tornado um dia especial de culto e reunião para a comunidade cristã primitiva.
No segundo século, temos provas históricas explícitas da celebração anual da ressurreição. Por volta de 130 d.C., o Papa Sisto I instituiu a celebração solene do Domingo de Páscoa. Pouco tempo depois, surgiu uma grande controvérsia - conhecida como a controvérsia Quartodeciman - sobre se esta celebração deveria ocorrer no dia 14 de Nisan (de acordo com o calendário judaico) ou no domingo seguinte à Páscoa. Este debate, que envolveu figuras como Policarpo e o Papa Aniceto por volta de 155 d.C., demonstra que a celebração em si já estava bem estabelecida e considerada essencial.
O Concílio de Niceia, em 325 dC, acabou por padronizar a data da celebração da Páscoa em toda a Igreja, confirmando a sua importância primordial no culto cristão. Santo Atanásio, escrevendo após este concílio, referiu-se à Páscoa como «o grande domingo» e «a festa das festas», destacando o seu lugar preeminente na devoção cristã.
O que é particularmente comovente nesta antiga celebração é como ela surgiu organicamente a partir da experiência vivida dos primeiros discípulos. O seu encontro com Cristo ressuscitado transformou a sua compreensão de tudo – o próprio tempo foi reorientado em torno deste acontecimento cósmico. A reunião semanal dominical tornou-se uma «pequena Páscoa» e a celebração anual tornou-se o ponto alto do culto cristão.
A celebração da ressurreição nunca foi meramente imposta pela autoridade eclesiástica, mas surgiu da experiência alegre dos crentes que encontraram o Cristo vivo. Como afirma São Paulo, «Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é fútil» (1 Coríntios 15:17). Desde o início, os cristãos compreenderam que, sem a ressurreição, não haveria cristianismo algum.
Esta tradição ininterrupta de celebrar a ressurreição de Cristo, que se estende por quase dois milénios, liga-nos diretamente às primeiras testemunhas que fugiram do túmulo vazio com medo e grande alegria. Quando nos reunimos para a adoração da Páscoa, juntamos nossas vozes com incontáveis gerações de crentes que proclamaram: «O Senhor ressuscitou!» (Crotty, 2017, pp. 106-154; Klink, 2024)
Como se referem as diferentes denominações cristãs à celebração da ressurreição de Cristo?
A celebração da ressurreição de Cristo, embora universal entre os cristãos, é referida de várias formas em diferentes tradições, refletindo a vasta rede de expressão cristã em todo o mundo.
Nas igrejas ortodoxas orientais, a celebração é mais comumente chamada «Pascha», diretamente derivada da palavra hebraica para a Páscoa. Esta terminologia sublinha a forte ligação teológica entre a ressurreição de Cristo e a Páscoa judaica, destacando Jesus como o verdadeiro Cordeiro Pascal cujo sacrifício liberta do pecado e da morte. Cristãos ortodoxos saúdam uns aos outros durante esta temporada com a troca alegre: «Cristo ressuscitou!», ao qual a resposta é «, Ele ressuscitou!» Esta prática capta lindamente a proclamação comunitária no coração da festa.
A Igreja Católica Romana e muitas denominações protestantes utilizam normalmente o termo «Easter» nos países anglófonos. Mas nos textos litúrgicos e nos escritos teológicos, o «mistério pascal» e a «celebração pascal» são frequentemente utilizados para descrever a totalidade da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A vigília pascal na tradição católica é oficialmente designada por «vigília pascal» e a vela pascal é a «vela pascal», sublinhando novamente a ligação da Páscoa.
Muitas igrejas protestantes reformadas e evangélicas, em especial as que enfatizam o regresso à terminologia bíblica, adotaram o «Domingo da Ressurreição» ou o «Dia da Ressurreição» como designação preferida. Esta escolha reflecte o desejo de se concentrar explicitamente no acontecimento central que está a ser celebrado e de distinguir a observância cristã de quaisquer associações potencialmente não cristãs.
As igrejas luteranas geralmente mantêm o termo «Páscoa», enfatizando simultaneamente a teologia luterana da ressurreição como a vitória definitiva sobre o pecado, a morte e o diabo. Para os luteranos, a Páscoa proclama que a ressurreição de Cristo não é apenas um acontecimento histórico, mas a realidade atual em que os crentes participam através do batismo e da fé.
As tradições anglicanas/episcopais utilizam tipicamente a «Páscoa», mas os seus textos litúrgicos são ricos em língua pascal, refletindo a sua herança católica e incorporando perspetivas reformadas. O Livro de Oração Comum expressa lindamente esta síntese na sua coleção pascal: «Ó Deus, que pela nossa redenção deste o teu Filho unigénito à morte da cruz, e pela sua gloriosa ressurreição nos livrou do poder do nosso inimigo...»
O que une todas estas diversas expressões é o anúncio central de que Cristo ressuscitou. Quer se chame Páscoa, Páscoa ou Domingo da Ressurreição, esta celebração afirma a verdade fundamental de que «Deus o ressuscitou dos mortos» (Atos 13:30) e que, através da sua ressurreição, também nós temos esperança na vida eterna. A diversidade da terminologia recorda-nos que a ressurreição de Cristo transcende qualquer expressão cultural, falando a todos os povos em todos os tempos e lugares com a sua mensagem de vitória, esperança e nova criação. (Klink, 2024; Wilkinson, 2024)
Nesta gloriosa diversidade de expressões, vemos refletido o significado universal da ressurreição de Cristo — um acontecimento tão transformador que moldou o culto, a língua e a vida de inúmeras comunidades ao longo dos séculos, cada uma testemunhando na sua própria língua o único Senhor que venceu a morte para toda a humanidade.
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