O que a Bíblia diz sobre a escolha de um marido?
As Sagradas Escrituras oferecem-nos sabedoria poderosa quando se trata de escolher um parceiro de vida. Embora a Bíblia não forneça uma lista de verificação específica para selecionar um cônjuge, oferece princípios orientadores que podem iluminar o nosso caminho.
Devemos lembrar que o casamento é um pacto sagrado, instituído pelo próprio Deus. Como lemos em Génesis 2:24, «Portanto, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e estes se tornarão uma só carne.» Esta unidade é um reflexo do amor de Cristo pela Igreja, como São Paulo expressa lindamente em Efésios 5:31-32.
A Bíblia enfatiza a importância de escolher um cônjuge que partilhe a nossa fé e os nossos valores. Em 2 Coríntios 6:14, somos aconselhados: «Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos.» Isto não se destina a promover a divisão, mas sim a garantir que um casal possa crescer juntos no seu caminho espiritual, apoiando-se e encorajando-se mutuamente na fé.
O Livro de Provérbios oferece sabedoria prática para discernir o caráter. Provérbios 31:10-31 descreve as virtudes de uma esposa nobre, enfatizando qualidades como a confiabilidade, a diligência, a compaixão e a sabedoria. Estas qualidades são igualmente importantes para ambos os maridos e esposas.
Vemos também nas Escrituras a importância de procurar a orientação de Deus nesta decisão crucial. Provérbios 3:5-6 nos lembra: "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos e ele endireitará os teus caminhos.» Isto aplica-se profundamente à escolha de um parceiro de vida.
A Bíblia também adverte contra ser conduzido apenas por atração física ou considerações mundanas. 1 Samuel 16:7 nos diz: "Porque o Senhor não vê como o homem vê: O homem olha para o exterior, mas o Senhor olha para o coração.» Somos chamados a olhar mais profundamente, a discernir o caráter e as qualidades espirituais de um potencial cônjuge.
Por último, recordemos a importância suprema do amor – não apenas como uma emoção, mas como um compromisso e uma escolha. 1 Coríntios 13 fornece uma bela descrição do amor que deve guiar-nos em nossas relações. Fala de paciência, bondade, humildade e perseverança – qualidades essenciais para um casamento forte e duradouro.
Como posso discernir a vontade de Deus para a minha relação?
Discernir a vontade de Deus para a sua relação é um caminho de fé, reflexão e abertura ao Espírito Santo. É um processo que exige paciência, oração e um desejo sincero de alinhar a sua vida com o plano de Deus.
Devemos enraizar-nos na oração. Como nosso Senhor Jesus nos ensinou: «Pedi, e dar-se-vos-á; procurai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á" (Mateus 7:7). Levai vossa relação diante de Deus em oração sincera e sincera. Peça-lhe orientação, sabedoria e clareza. Deus quer guiar-nos pelos caminhos da justiça e da paz.
Mergulhe nas Escrituras. A Palavra de Deus é «uma lâmpada para os meus pés e uma luz para o meu caminho» (Salmo 119:105). Ao ler e meditar nas Escrituras, permita que o Espírito Santo fale ao seu coração sobre a sua relação. Preste atenção às passagens que parecem ressoar com a sua situação ou que desafiam a sua perspetiva atual.
Buscai conselhos sábios dos crentes maduros que vos conhecem bem e podem oferecer conselhos piedosos. Provérbios 15:22 recorda-nos que «sem planos de aconselhamento falham, mas com muitos conselheiros conseguem». O seu pároco, diretor espiritual ou mentores cristãos de confiança podem muitas vezes fornecer informações valiosas e ajudá-lo a ver a sua relação de diferentes ângulos.
Examine os frutos da sua relação. Em Mateus 7:16, Jesus diz: «Reconhecer-vos-eis pelos seus frutos.» A vossa relação aproxima-vos de Deus? Inspira-te a crescer em virtude e santidade? Traz paz e alegria à tua vida e aos que te rodeiam? Estes podem ser indicadores importantes da bênção de Deus para a sua relação.
Preste atenção às circunstâncias que Deus coloca no seu caminho. Embora não devamos confiar apenas em sinais externos, Deus muitas vezes usa as circunstâncias para nos guiar. As portas abrem-se ou fecham-se na sua relação? Há oportunidades ou desafios inesperados que parecem estar a moldar o seu caminho?
Escutai a voz mansa e mansa da vossa consciência, formada pela fé e pela razão. Deus fala-nos muitas vezes no silêncio dos nossos corações. Reserve tempo para uma reflexão silenciosa e escute os sussurros suaves do Espírito Santo.
Considere se a sua relação está em consonância com a vontade revelada de Deus nas Escrituras. Honra os princípios de amor, fidelidade e respeito mútuo que Deus estabeleceu para o matrimónio? Está livre do pecado grave e conduz a uma vida de fé?
Tenha paciência e confie no calendário de Deus. Às vezes, o discernimento requer tempo. Como Isaías 40:31 nos recorda: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; erguer-se-ão com asas como águias; Correm e não se cansam; andarão e não desmaiarão.»
Por último, lembre-se de que a vontade de Deus é, em última análise, para a sua felicidade e santidade. Ao procurardes a Sua orientação, confiai que Ele deseja o que é melhor para vós. O seu plano pode nem sempre estar alinhado com os nossos desejos imediatos, mas conduzirá sempre ao nosso bem último e à sua glória.
Que papel a oração deve desempenhar para decidir com quem se casar?
A oração não é apenas uma atividade em que nos envolvemos, mas uma relação vital e viva com o nosso Deus amoroso. Quando se trata de decidir com quem casar – uma das escolhas mais importantes na vida de uma pessoa – a oração deve desempenhar um papel central e indispensável.
A oração abre os nossos corações à sabedoria e à orientação de Deus. Como lemos em Tiago 1:5, «Se algum de vós carece de sabedoria, peça-a a Deus, que dá generosamente a todos sem censura, e ser-lhe-á dada.» Através da oração, convidamos o Espírito Santo a iluminar as nossas mentes, a purificar as nossas intenções e a orientar o nosso discernimento.
A oração também nos ajuda a nos conhecermos melhor. Nos momentos tranquilos de comunhão com Deus, podemos reflectir sobre os nossos próprios desejos, medos e motivações. Este autoconhecimento é crucial para tomar uma decisão sábia acerca de um parceiro de vida. Como Santo Agostinho belamente expressou: «Senhor, faze-me conhecer a mim mesmo; Deixe-me conhecê-lo.»
A oração pode trazer clareza às nossas emoções e pensamentos. No tumulto de sentimentos românticos e considerações práticas, a oração oferece um espaço de paz onde podemos classificar através de nossos pensamentos e sentimentos na presença de Deus. Permite-nos recuar e ver a nossa relação a partir de uma perspectiva mais ampla e eterna.
A oração também deve ser uma atividade partilhada com o seu potencial cônjuge. Orar juntos pode aprofundar a sua intimidade espiritual e ajudá-lo a discernir se é verdadeiramente compatível num nível espiritual. Pode revelar como cada um de vocês se relaciona com Deus e se podem apoiar-se mutuamente em suas jornadas de fé.
Na oração, podemos também apresentar a Deus as nossas perguntas e preocupações específicas sobre a relação. Devíamos dar o próximo passo? Estamos preparados para o casamento? Há questões que temos de resolver? Ao trazer estas perguntas a Deus em oração, abrimo-nos à Sua orientação, que pode vir através das Escrituras, o conselho de outros, ou os sussurros suaves do Espírito Santo.
A oração prepara também o nosso coração para a resposta de Deus, seja ela qual for. Por vezes, a vontade de Deus pode diferir dos nossos desejos e a oração ajuda-nos a cultivar a humildade e a confiança para aceitar a Sua orientação. Como Jesus orou no Jardim do Getsêmani, «Não se faça a minha vontade, mas a vossa» (Lucas 22:42), também nós devemos estar prontos para entregar os nossos planos à vontade perfeita de Deus.
A oração fortalece-nos para o caminho do matrimónio. Construi a nossa fé, aprofunda a nossa confiança em Deus e prepara-nos para as alegrias e desafios da vida conjugal. Um casal que reza em conjunto estabelece uma base sólida para o seu futuro casamento.
Não esqueçamos que a oração é também um ato de confiar o nosso futuro a Deus. Como lemos em Provérbios 16:3, «Entrega o teu trabalho ao Senhor, e os teus planos serão estabelecidos.» Ao levarmos a nossa relação perante Deus em oração, reconhecemos a Sua soberania sobre as nossas vidas e convidamos a Sua bênção sobre a nossa união.
Finalmente, a oração deve ser contínua durante todo o processo de discernimento e além. Não se trata de um acontecimento único, mas de um diálogo contínuo com Deus, enquanto percorremos o caminho rumo ao matrimónio e ao longo da vida conjugal.
De todas estas maneiras, a oração desempenha um papel crucial na decisão de com quem se casar. Guia-nos, fortalece-nos, une-nos a Deus e ao nosso esposo potencial e prepara-nos para a vocação sagrada do matrimónio. Aproximemo-nos desta decisão com o coração cheio de oração, confiando na orientação suave do nosso Pai amoroso.
Há sinais claros de que Deus aprova um potencial casamento?
Devemos procurar a paz. Como escreve São Paulo em Colossenses 3:15, «E deixai reinar a paz de Cristo nos vossos corações.» Quando uma relação está em consonância com a vontade de Deus, traz muitas vezes um profundo sentimento de paz e retidão, mesmo no meio de desafios. Isto não é apenas uma ausência de conflito, mas uma sensação positiva de tranquilidade e segurança.
Outro sinal é o fruto do Espírito que se manifesta na vossa relação. Gálatas 5:22-23 diz-nos: «Mas o fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio.» Se a vossa relação for marcada por estas qualidades, tornando-se nelas mais forte ao longo do tempo, pode ser um sinal da aprovação de Deus.
O apoio e a afirmação de mentores sábios e piedosos também podem ser um indicador importante. Provérbios 11:14 nos lembra: "Onde não há orientação, um povo cai, mas em abundância de conselheiros há segurança." Se crentes maduros que te conhecem bem e observaram a tua relação afirmam isso, isso pode ser um sinal positivo.
O alinhamento com os princípios bíblicos para o casamento é fundamental. A sua relação honra o desígnio de Deus para o casamento, tal como descrito nas Escrituras? Estás igualmente em jugo na fé (2 Coríntios 6:14)? Constroem-se uns aos outros espiritualmente? Estas são considerações importantes.
O crescimento na fé e no caráter, tanto individualmente como em casal, pode ser outro sinal. Um relacionamento aprovado por Deus deve aproximá-lo de Cristo e inspirá-lo a tornar-se mais semelhante a Ele. Como 2 Pedro 3:18 nos exorta: "Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo."
A capacidade de se comunicar abertamente, honestamente e amorosamente sobre assuntos importantes, incluindo a sua fé, é outro indicador positivo. Efésios 4:15 nos encoraja a falar "a verdade no amor". Uma relação abençoada por Deus deve promover tal comunicação.
A confirmação através da oração também é importante. Ao orar sobre o seu relacionamento, preste atenção à forma como Deus parece estar a guiá-lo. Sentiu a sua afirmação? As passagens das Escrituras ou os insights espirituais vêm à mente que parecem confirmar o seu caminho?
O apoio da vossa comunidade cristã pode ser outro sinal. Embora este não deva ser o único factor determinante, se a sua família da igreja e amigos cristãos apoiam a sua relação, pode ser encorajador.
Também vale a pena considerar a compatibilidade prática em áreas importantes, como valores, objetivos de vida e visão para a família e o ministério. Embora Deus possa superar as diferenças, o alinhamento nestas áreas pode ser um sinal positivo.
Mas devemos ser cautelosos ao procurar sinais que excluam a sabedoria e o discernimento. Deus espera que usemos as mentes que Ele nos deu, que procuremos conselhos e que tomemos decisões baseadas em princípios bíblicos. Não devemos esperar que uma voz do céu ou um sinal milagroso tome a nossa decisão por nós.
Lembre-se também que os sentimentos, embora importantes, podem ser enganosos. As emoções devem ser consideradas, mas não invocadas exclusivamente. Como Jeremias 17:9 nos adverte: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente enfermo; quem pode compreendê-lo?»
Embora estes sinais possam ser indicadores úteis, raramente há certeza absoluta em tais assuntos. Temos de avançar com fé, confiando que, à medida que procuramos sinceramente a vontade de Deus e tomamos decisões com base na sabedoria bíblica, Ele orientará os nossos passos.
Quão importante é a compatibilidade espiritual num potencial cônjuge?
A importância da compatibilidade espiritual num potencial cônjuge não pode ser exagerada. É, de muitas maneiras, a base sobre a qual um casamento forte e centrado em Deus é construído. Ao refletirmos sobre este aspecto crucial de escolher um parceiro de vida, voltemo-nos para a sabedoria das Escrituras e os ensinamentos de nossa fé.
O apóstolo Paulo, em sua segunda carta aos Coríntios, fornece-nos um princípio fundamental: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos" (2 Coríntios 6:14). Embora este versículo tenha aplicações mais amplas, fala profundamente à questão do casamento. Uma fé partilhada proporciona uma base comum, uma visão de mundo partilhada e um propósito unificado na vida.
A compatibilidade espiritual vai além da simples partilha do mesmo rótulo religioso. Envolve um compromisso profundo e compartilhado de seguir a Cristo e crescer juntos na fé. Quando duas pessoas são espiritualmente compatíveis, elas podem encorajar-se e apoiar-se mutuamente em suas jornadas espirituais. Como Eclesiastes 4:12 belamente expressa, "E embora um homem possa prevalecer contra um que está sozinho, dois vão resistir-lhe - um cordão tríplice não é rapidamente quebrado." Quando Deus está no centro de uma relação, torna-se mais forte do que a soma de suas partes.
A compatibilidade espiritual afeta todos os aspetos da vida conjugal. Influencia a forma como criarão os vossos filhos, como lidarão com os conflitos, como tomarão decisões importantes na vida e como se apoiarão mutuamente através dos desafios da vida. Uma fé partilhada proporciona uma linguagem e um quadro comuns para abordar estes aspetos cruciais da vida em conjunto.
Em tempos difíceis – e cada casamento enfrenta desafios – a compatibilidade espiritual torna-se ainda mais vital. Quando ambos os cônjuges podem voltar-se para Deus juntos, orar juntos e buscar sabedoria das Escrituras juntos, eles têm ferramentas poderosas para superar obstáculos e tornar-se mais fortes através de provações. Como o Salmo 34:17 nos tranquiliza: "Quando os justos clamam por socorro, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas angústias."
A compatibilidade espiritual também promove um nível mais profundo de intimidade no casamento. Quando os cônjuges podem partilhar as suas crenças mais profundas, dúvidas e experiências espirituais, cria-se uma ligação poderosa que vai além do físico e emocional. Esta intimidade espiritual pode enriquecer todos os outros aspectos da relação conjugal.
Um casal espiritualmente compatível está melhor equipado para servir a Deus juntos. O casamento não tem a ver apenas com a realização pessoal. É também uma plataforma para o ministério e serviço. Quando ambos os cônjuges estão alinhados nos seus valores e objectivos espirituais, podem ser uma força poderosa para o bem na sua família, igreja e comunidade.
Mas lembremo-nos de que a compatibilidade espiritual não significa perfeição ou concordância completa em todos os pontos teológicos. Significa ter um compromisso comum com Cristo e uma vontade de crescer juntos na fé. Significa ser capaz de discutir assuntos espirituais aberta e respeitosamente, mesmo quando há diferenças.
Para aqueles que já estão em uma relação com alguém de uma fé ou fundo espiritual diferente, isso não significa que toda a esperança está perdida. A graça de Deus é poderosa e muitos casais encontraram formas de lidar com estas diferenças com amor e respeito. Mas exige uma análise cuidadosa e uma comunicação aberta e honesta sobre as expectativas e os valores.
A compatibilidade espiritual é de extrema importância na escolha de um potencial cônjuge. Proporciona uma base sólida para um casamento duradouro e gratificante que honra a Deus e serve de testemunho do seu amor. Ao considerar um parceiro de vida, rezem por sabedoria e discernimento nesta área. Procure alguém com quem possa crescer na fé, enfrentar os desafios da vida e servir a Deus em conjunto.
Que o Senhor vos guie nesta importante decisão, e que a vossa escolha de cônjuge seja uma escolha que traga glória a Deus e alegria à vossa vida. Lembre-se das palavras do Salmo 37:4, «Deleita-te no Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração.» Quando procuramos primeiro o reino de Deus, Ele guia-nos fielmente em todos os domínios das nossas vidas, incluindo a nossa escolha de um parceiro de vida.
Devo esperar por uma correspondência «perfeita» ou contentar-me com um parceiro «suficientemente bom»?
Esta pergunta toca os corações de muitos que procuram companhia amorosa. Reflictamos sobre isto com cuidado e compaixão.
Temos de reconhecer que não existe uma correspondência «perfeita» em termos humanos. Somos todos seres imperfeitos, criados à imagem de Deus, mas marcados pelas nossas fragilidades humanas. Buscar a perfeição em um parceiro é preparar-se para o desapontamento e colocar um fardo injusto sobre outra pessoa.
No entanto, tal não significa que devamos «instalar-nos» apressadamente para alguém que não complementa verdadeiramente as nossas vidas e o nosso percurso de fé. A ideia de um parceiro «suficientemente bom» pode parecer pouco romântica, mas é sensata. Um bom parceiro é aquele que partilha os vossos valores fundamentais, apoia o vosso crescimento na fé e como pessoa, e com quem podeis construir uma vida de amor e respeito mútuos.
Lembrem-se das palavras de São Paulo: «O amor é paciente, o amor é bondoso» (1 Coríntios 13:4). O verdadeiro amor não consiste em encontrar alguém sem falhas, mas em escolher amar alguém apesar das suas falhas – e permitir-se ser amado da mesma forma.
Rezem pelo discernimento. Peça a Deus para guiá-lo a alguém com quem possa crescer em amor e fé. Procure alguém que traga à tona o que há de melhor em si, que o desafie a ser melhor e com quem possa enfrentar juntos as alegrias e as tristezas da vida.
Ao mesmo tempo, esteja aberto a surpresas. O plano de Deus para nós desenrola-se muitas vezes de formas inesperadas. Por vezes, a pessoa que, à primeira vista, parece apenas «boa o suficiente» pode, através da graça de Deus e do empenho de ambos os parceiros, tornar-se o grande amor da sua vida.
Um casamento forte não se trata de encontrar a pessoa perfeita, mas de duas pessoas imperfeitas que se comprometem com um amor perfeito – o amor de Deus – e permitem que esse amor molde a sua relação. Confie no calendário e na orientação de Deus e esteja aberto às belas formas como Ele pode trabalhar na sua vida e nas suas relações.
E se a minha família ou a comunidade da igreja desaprovarem a minha escolha?
Esta situação pode ser dolorosa e desafiadora. Aborda o delicado equilíbrio entre honrar a família e a comunidade e seguir o próprio discernimento do chamado de Deus. Aproximemo-nos disto com sensibilidade e oração.
É importante ouvir as preocupações da sua família e da comunidade eclesial com o coração aberto. Podem ter conhecimentos ou sabedoria que não tenha tido em conta. A sua desaprovação pode resultar do cuidado genuíno com o seu bem-estar. Tire algum tempo para compreender a sua perspetiva, mesmo que, em última análise, discorde.
Mas também devemos lembrar que, embora a família e a comunidade sejam importantes, vocês serão os que estarão neste casamento. Deve seguir a sua consciência e a sua compreensão da vontade de Deus para a sua vida. Como Jesus disse: "Por isso deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne" (Mateus 19:5).
Se, depois de cuidadoso discernimento e oração, acreditares que esta pessoa é verdadeiramente a única que Deus te chamou para casar, então poderás ter de seguir em frente apesar da desaprovação. Tal não significa ignorar totalmente a sua família e comunidade, mas sim convidá-los a ver o que vê no parceiro escolhido.
Rezem pela unidade e compreensão. Peça ao Espírito Santo que amoleça os corações, tanto os seus como os deles. Sê paciente e amoroso nas tuas interações, demonstrando através das tuas ações o impacto positivo que o teu parceiro tem na tua vida e fé.
Considere procurar o conselho de um conselheiro espiritual de confiança que possa oferecer uma perspetiva objetiva e talvez mediar entre si e a sua família ou comunidade. Às vezes, uma voz externa pode ajudar a ultrapassar as divisões e promover a compreensão.
Lembre-se também de que o tempo pode, muitas vezes, alterar as perspetivas. O que parece inaceitável no início pode, ao longo do tempo, ser visto sob uma nova luz à medida que a sua família e comunidade conhecem melhor o seu parceiro.
Acima de tudo, esforçai-vos por manter o amor e o respeito pela vossa família e comunidade, mesmo em desacordo. Mostre-lhes que a sua escolha de parceiro aumenta, em vez de diminuir, a sua fé e a sua ligação com eles. Como São Paulo aconselha: "Se for possível, na medida em que depende de vós, vivei em paz com todos" (Romanos 12:18).
Confie no plano de Deus para a sua vida e reze pela graça de navegar nesta situação difícil com amor, sabedoria e fé. Que o Senhor vos guie e traga paz a todos os envolvidos.
Como posso distinguir entre a voz de Deus e os meus próprios desejos?
Meus amados filhos e filhas em Cristo, esta pergunta atinge o coração do discernimento espiritual, uma prática que é essencial e desafiadora para todos os que procuram seguir a vontade de Deus. Pensemos nisto com humildade e abertura ao Espírito Santo.
Temos de reconhecer que discernir a voz de Deus nem sempre é fácil ou claro. Os nossos próprios desejos, medos e preconceitos podem muitas vezes obscurecer a nossa perceção. Mas há práticas e princípios espirituais que podem nos ajudar neste processo de discernimento.
Comece com a oração e o silêncio. No nosso mundo barulhento, é crucial criar espaço para ouvir a Deus. Como o profeta Elias descobriu, Deus fala muitas vezes não no vento, no terramoto ou no fogo, mas numa «voz suave» (1 Reis 19:11-13). Os tempos regulares de oração e meditação silenciosas podem sintonizar os nossos corações com os sussurros de Deus.
Estude as Escrituras diligentemente. A Palavra escrita de Deus é uma forma primária de nos falar. Ao considerar as decisões, procure princípios nas Escrituras que possam se aplicar. Lembre-se de que a voz de Deus nunca contradiz a sua Palavra revelada.
Procure um conselho sábio. Provérbios nos diz: "Os planos falham por falta de conselho, mas com muitos conselheiros conseguem" (Provérbios 15:22). Fale com crentes maduros, diretores espirituais ou mentores de confiança que possam oferecer sabedoria piedosa e, talvez, ver os pontos cegos que perdeu.
Preste atenção aos frutos. Jesus disse: "Pelos seus frutos os reconhecereis" (Mateus 7:16). Se um determinado caminho ou decisão produzir consistentemente bons frutos – paz, alegria, amor e outros frutos do Espírito – tal pode ser um sinal da liderança de Deus.
Estejam atentos ao vosso próprio coração. Examinem honestamente as vossas motivações. Procuras a vontade de Deus ou tentas justificar o que já queres? O verdadeiro discernimento requer humildade e vontade de entregar nossos próprios desejos a Deus.
Procure a consistência e a persistência. Embora Deus possa falar através de inspirações súbitas, sua orientação muitas vezes vem através de estímulos consistentes e suaves ao longo do tempo, em vez de eventos dramáticos de uma só vez.
Teste seu discernimento contra as virtudes da fé, da esperança e do amor. A voz de Deus conduzir-nos-á sempre mais profundamente a estas virtudes, nunca para longe delas.
Lembre-se, que Deus deseja comunicar-se conosco ainda mais do que desejamos ouvir dele. É um Pai amoroso que quer guiar os filhos. Confiai na Sua bondade e no Seu desejo de conduzir-vos.
Por fim, seja paciente consigo mesmo e com Deus. O discernimento é muitas vezes um processo que se desenrola ao longo do tempo. À medida que continuais a procurá-Lo fielmente, Sua vontade torna-se mais clara. Como Jesus prometeu: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á a porta" (Mateus 7:7).
Que o Espírito Santo vos guie em todo o vosso discernimento, ajudando-vos a reconhecer a voz de Deus entre as muitas vozes que clamam pela vossa atenção.
É possível casar com a pessoa «errada» se eu sinceramente procurar a orientação de Deus?
Esta pergunta toca em profundos medos e incertezas que muitos enfrentam ao contemplar o casamento. Abordemo-la com fé, esperança e confiança na bondade e providência de Deus.
Temos de compreender que a vontade de Deus não é um caminho estreito, com apenas uma escolha «certa» e inúmeras escolhas «erradas». Nosso Pai amoroso não está colocando armadilhas para nós ou testando-nos com armadilhas escondidas. Pelo contrário, Ele deseja o nosso bem e trabalha connosco mesmo nas nossas decisões imperfeitas.
Dito isto, é possível fazer escolhas imprudentes no casamento, mesmo quando se procura sinceramente a orientação de Deus. As nossas próprias limitações, feridas e pontos cegos podem desviar-nos. Por vezes, na nossa ânsia de nos casarmos ou no nosso medo de estarmos sozinhos, podemos interpretar mal os sinais ou assumir compromissos antes de estarmos prontos.
Mas se procuramos verdadeiramente a orientação de Deus com um coração sincero, podemos confiar que Ele nos conduzirá. Como diz o salmista: «O Senhor é fiel a todas as suas promessas e amoroso para com tudo o que fez. O Senhor sustenta todos os que caem e levanta todos os que se inclinam" (Salmo 145:13-14). Mesmo que cometemos erros, a graça de Deus é suficiente para agir nas nossas escolhas e através delas.
Devemos recordar que o casamento não se resume a encontrar a pessoa «certa», mas sim a tornar-se a pessoa certa. Qualquer casamento, mesmo que pareça «perfeito» no início, exigirá trabalho, sacrifício e crescimento de ambos os parceiros. Nesta perspetiva, talvez seja mais útil pensar não em termos de pessoas «certas» ou «erradas», mas em duas pessoas imperfeitas que se comprometem a amar-se e a crescer juntas em Cristo.
Se procuraste sinceramente a orientação de Deus, tomaste tempo para o discernimento, procuraste conselhos sábios e sentiste paz quanto à tua decisão, então avança com fé. Confiai que Deus estará convosco no vosso casamento, guiando-vos a vós e ao vosso cônjuge enquanto construís uma vida juntos.
Lembrem-se também de que o casamento é um sacramento, um canal da graça de Deus. Quando contraídos com fé e empenho, mesmo os casamentos que enfrentam desafios podem tornar-se belos testemunhos do amor transformador de Deus.
Se, mas tiver sérias dúvidas ou bandeiras vermelhas persistirem apesar de suas orações por orientação, pode ser sábio fazer uma pausa e procurar mais discernimento. Deus fala muitas vezes através das nossas dúvidas e preocupações, bem como através da nossa paz e alegria.
Confie no amor e na misericórdia de Deus. Ele não está a tentar enganar-te ou desviar-te. Mesmo que cometam erros, Ele pode redimir e transformar qualquer situação quando nos voltarmos para Ele. Como nos recorda São Paulo, «e sabemos que Deus opera em tudo para o bem dos que o amam, os quais foram chamados segundo o seu desígnio» (Romanos 8:28).
Que o Senhor vos abençoe e vos guie ao discernirdes a Sua vontade para a vossa vida e relacionamentos.
Que práticas espirituais podem ajudar no processo de discernimento?
O discernimento é uma viagem sagrada, que requer paciência, abertura e uma ligação profunda com o nosso Senhor. Vamos explorar algumas práticas espirituais que podem nos ajudar neste importante processo, especialmente quando se considera um compromisso ao longo da vida como o casamento.
Cultive uma vida de oração. A oração é a nossa tábua de salvação para Deus, o nosso modo de comunhão com o Divino. Desenvolva uma vida de oração consistente que inclua falar e ouvir. Como Jesus muitas vezes retirou-se para lugares tranquilos para orar (Lucas 5:16), assim devemos criar espaço para o silêncio e a solidão. Nestes momentos, podemos ouvir melhor os sussurros suaves do Espírito Santo.
Envolva-se profundamente com as Escrituras. A Palavra de Deus é «viva e ativa» (Hebreus 4:12), capaz de falar diretamente às nossas situações. A Lectio Divina, uma prática de leitura orante das Escrituras, pode ser particularmente útil. Permita que as palavras afundem profundamente em seu coração, e esteja aberto a como Deus pode estar falando-lhe através delas.
Pratique o Exame, uma revisão orante do seu dia como ensinado por Santo Inácio de Loyola. Isto pode ajudá-lo a tornar-se mais consciente da presença de Deus na sua vida quotidiana e mais sintonizado com os movimentos do seu coração. Preste atenção ao que lhe traz verdadeira paz e alegria, uma vez que estes podem ser indicadores da vontade de Deus.
Participar plenamente na vida sacramental da Igreja. A recepção regular da Eucaristia e do Sacramento da Reconciliação pode proporcionar graça e clareza no vosso processo de discernimento. Estes sacramentos ligam-nos mais profundamente a Cristo e à Sua Igreja, proporcionando alimento espiritual e cura.
Considera o jejum. Jejuar não é apenas abster-se de alimentos; trata-se de criar espaço nas nossas vidas para Deus. Negando-nos de alguma forma, tornamo-nos mais conscientes de nossa dependência de Deus e mais abertos à Sua orientação.
Procure a direção espiritual. Um diretor espiritual sábio e experiente pode fornecer informações valiosas e ajudá-lo a navegar pelas complexidades do discernimento. Podem oferecer uma perspetiva externa e ajudá-lo a reconhecer padrões na sua vida espiritual.
Envolva-se em obras de misericórdia e serviço. Às vezes, Deus fala-nos através dos nossos encontros com os outros, especialmente com os necessitados. Servir aos outros pode nos ajudar a crescer no amor e na compaixão, qualidades essenciais para um casamento saudável.
Pratique a gratidão. Agradeça regularmente a Deus por suas bençãos e orientação. Um coração agradecido está mais sintonizado com a voz de Deus e mais propenso a reconhecer o seu trabalho na sua vida.
Considere fazer um retiro. Afastar-se da vida diária por um período de oração e reflexão focada pode fornecer clareza e energia espiritual renovada.
Por fim, cultive a paciência e a confiança. O discernimento muitas vezes se desdobra ao longo do tempo. Ao procurardes fielmente a vontade de Deus, confiai que Ele vos guiará. Lembrai-vos das palavras do profeta Jeremias: «Porque eu sei os planos que tenho para vós», declara o Senhor, «planos para vos prosperar e não para vos prejudicar, planos para vos dar esperança e um futuro» (Jeremias 29:11).
Estas práticas não são fórmulas mágicas, mas antes formas de nos abrirmos mais plenamente à presença e orientação de Deus. Use-os com sinceridade e perseverança, lembrando-se sempre de que Deus deseja guiá-lo. Que o Espírito Santo ilumine o teu caminho e te conceda sabedoria ao discernires a vontade de Deus para a tua vida e as tuas relações.
Bibliografia:
Acheampong, O. A. A., Li, Z., &
