O que Jesus disse acerca do inferno?




  • Jesus usou frequentemente a palavra «Geena» para descrever o inferno, um termo relacionado com um vale notório perto de Jerusalém, simbolizando o julgamento e a destruição.
  • Além de «Geena», Jesus utilizou termos como «Hades», «escuridão exterior» e «forno de fogo» para transmitir o conceito de juízo divino e separação de Deus.
  • As parábolas de Jesus, como o rico e Lázaro ou o trigo e o joio, ilustram as consequências das escolhas morais e a realidade do julgamento.
  • Embora Jesus mencione frequentemente o inferno para enfatizar a seriedade das nossas escolhas, os seus ensinamentos foram equilibrados com mensagens do amor de Deus e a oferta de salvação através da fé.

Que palavras específicas Jesus usou ao falar acerca do inferno?

Nos Evangelhos, verificamos que Jesus utilizou principalmente a palavra grega «Gehenna» quando se referiu ao inferno. Este termo aparece 11 vezes no Novo Testamento, e em todos, exceto num exemplo, é falado pelo próprio Jesus. Geena era uma referência ao Vale de Hinnom, um lugar fora de Jerusalém que tinha uma história sombria como um local de sacrifício de crianças e mais tarde tornou-se um lixão onde os incêndios queimavam continuamente. Ao utilizar estas imagens vívidas, Jesus aproveitou a compreensão que os seus ouvintes tinham de um lugar de julgamento e destruição (Papaioannou, 2018).

Outro termo que encontramos nos ensinamentos de Jesus é «Hades», que aparece na parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16:19-31). Enquanto Hades na mitologia grega se referia ao submundo, no pensamento judaico era frequentemente associado com o reino dos mortos. Jesus usou este conceito para falar de um lugar de tormento para os injustos depois da morte.

Encontramos também Jesus usando uma linguagem metafórica para descrever o destino daqueles que rejeitam o amor de Deus. Ele fala de "escuridão exterior" (Mateus 8:12, 22:13, 25:30) e da "fornalha de fogo" (Mateus 13:42, 50), imagens vívidas que transmitem a dor da separação de Deus e as consequências do pecado.

Psicologicamente, a utilização por Jesus de uma linguagem tão poderosa e evocativa serve para sublinhar a gravidade das nossas escolhas morais e o significado eterno da nossa relação com Deus. Estas palavras não são apenas para assustar, mas para despertar-nos para a realidade da justiça divina e a necessidade de arrependimento e fé.

Historicamente, devemos lembrar que Jesus falava num contexto judaico onde as crenças sobre a vida após a morte eram diversas e evoluíam. Os seus ensinamentos sobre o inferno construíram e transformaram conceitos existentes, enfatizando as dimensões pessoais e éticas do julgamento.

Enquanto Jesus falou claramente sobre a realidade do inferno, fê-lo não por um desejo de condenar, mas por amor e um desejo de salvar. As suas palavras sobre o inferno são sempre equilibradas pela sua mensagem da misericórdia ilimitada de Deus e da possibilidade de salvação através da fé.

Quantas vezes Jesus mencionou o inferno nos Evangelhos?

Embora a contagem exata possa variar ligeiramente dependendo de como se categoriza certas passagens, um exame cuidadoso dos Evangelhos revela que Jesus falou sobre o inferno com uma frequência que exige a nossa atenção. O termo «Geena», que Jesus usou mais frequentemente para se referir ao inferno, aparece 11 vezes no Novo Testamento e, com exceção de um exemplo, é encontrado nos lábios do próprio Jesus (Papaioannou, 2018).

Mas não devemos limitar a nossa compreensão a este único termo. Jesus também usou outras palavras e frases que se referem ao conceito de julgamento divino e separação eterna de Deus. Quando incluímos referências a «Hades», «obscuridade exterior», «forno de fogo» e expressões semelhantes, o número de vezes que Jesus abordou este tema aumenta significativamente.

Psicologicamente, a frequência com que Jesus falava do inferno ressalta a seriedade com que via a condição humana e as consequências eternas de nossas escolhas. As suas repetidas advertências não servem para incutir medo paralisante, mas para despertar um sentido de urgência e responsabilidade nos seus ouvintes.

Historicamente, devemos considerar que Jesus falava a uma audiência judaica com diversas visões sobre a vida após a morte. Suas frequentes menções ao inferno não introduziam um conceito inteiramente novo, mas clarificavam e enfatizavam aspectos do julgamento que já estavam presentes no pensamento judaico. Os ensinamentos de Jesus sobre o inferno faziam parte da sua mensagem mais ampla sobre o Reino de Deus e a necessidade de arrependimento e fé.

Embora Jesus tenha falado sobre o inferno com uma frequência notável, estas menções estão sempre no contexto da sua mensagem mais ampla do amor de Deus e da oferta de salvação. Para cada menção ao inferno, encontramos muitas mais referências à misericórdia de Deus, ao perdão e à promessa de vida eterna para os crentes.

Os Evangelhos de Mateus e Marcos contêm a maioria das referências de Jesus ao inferno, com Lucas a incluir menos menções explícitas. Esta distribuição pode refletir as preocupações e audiências específicas de cada escritor do Evangelho, mas não diminui a importância global do tema no ensino de Jesus.

No nosso contexto moderno, em que as discussões sobre o inferno podem ser desconfortáveis ou impopulares, não devemos fugir à plenitude do ensinamento de Jesus. Em vez disso, aproximemo-nos deste tema com o mesmo equilíbrio de verdade e amor que nosso Senhor demonstrou, apontando sempre para a esperança e a redenção oferecidas através de sua vida, morte e ressurreição.

Que parábolas ou histórias Jesus contou que envolviam o inferno?

Uma das parábolas mais conhecidas que envolvem o inferno é a história do homem rico e Lázaro, encontrada em Lucas 16:19-31. Neste conto pungente, Jesus descreve o destino de um homem rico que ignorou o sofrimento de um pobre mendigo chamado Lázaro. Após a morte, o rico encontra-se atormentado no Hades, enquanto Lázaro é consolado no seio de Abraão. Esta parábola fornece uma ilustração gritante da inversão das fortunas na vida após a morte e a finalidade do julgamento. (Papaioannou, 2018)

Psicologicamente, esta parábola explora nosso senso inato de justiça e a tendência humana de ignorar o sofrimento dos outros quando estamos confortáveis. Desafia-nos a examinar os nossos valores e a forma como tratamos os menos afortunados do que nós.

Outra grande parábola é a do trigo e do joio (Mateus 13:24-30, 36-43). Embora não mencione explicitamente o inferno, Jesus utiliza as imagens de uma «fornalha de fogo» para descrever o destino dos ímpios no julgamento final. Esta história enfatiza a coexistência do bem e do mal no mundo actual e a certeza da separação final.

A parábola da Rede (Mateus 13:47-50) também usa a imagem do julgamento ardente para descrever o destino dos ímpios. Estas metáforas agrícolas e de pesca teriam repercutido profundamente na audiência de Jesus, tornando o conceito abstrato de julgamento mais tangível e imediato.

Em Mateus 25:31-46, encontramos a parábola das ovelhas e das cabras, onde Jesus descreve o julgamento final usando a imagem de um pastor que separa seu rebanho. Aqueles que não demonstraram compaixão para com "o menor destes" são enviados para "punição eterna", uma clara referência ao inferno.

Historicamente, estas parábolas assentavam nas tradições apocalípticas judaicas, ao mesmo tempo que introduziam a ênfase única de Jesus na ética pessoal e na realidade atual do reino de Deus. Serviam não só para advertir, mas também para motivar seus ouvintes a viverem vidas de fé e compaixão.

Embora estas parábolas envolvam advertências sérias sobre o julgamento, inserem-se sempre no contexto mais vasto da mensagem de Jesus sobre o amor de Deus e o convite para entrar no Reino. As parábolas não são para simplesmente assustar, mas para despertar-nos para a realidade de nossas escolhas e suas conseqüências eternas.

Em nosso contexto moderno, onde o conceito de inferno pode ser desconfortável ou contestado, estas parábolas lembram-nos da seriedade com que Jesus viu nossas escolhas morais e espirituais. Chamam-nos a uma vida de fé ativa, compaixão e prontidão para a vinda do reino de Deus na sua plenitude.

Jesus descreveu o inferno como um local de tormento eterno?

Nos Evangelhos, vemos que Jesus usou uma linguagem que sugere o inferno como um local de sofrimento ou tormento contínuo. Em Marcos 9:47-48, Jesus fala do inferno (Geena) como um lugar «onde o seu verme não morre e o fogo não é apagado». Esta imagem vívida, tirada de Isaías 66:24, transmite uma sensação de angústia duradoura. (Papaioannou, 2018)

Da mesma forma, na parábola do homem rico e Lázaro (Lucas 16:19-31), Jesus retrata o homem rico como estando em tormento no Hades, implorando até mesmo uma gota de água para resfriar sua língua. Esta narrativa apresenta um quadro de sofrimento consciente que continua depois da morte.

Psicologicamente, estas descrições exploram os medos humanos profundos sobre a dor, o isolamento e o arrependimento. Servem como poderosos motivadores para o comportamento moral e a procura espiritual, exortando os ouvintes a considerarem as consequências eternas das suas escolhas.

Mas devemos ser cautelosos em interpretar estas passagens de forma demasiado literal ou simplista. Jesus usou frequentemente uma linguagem metafórica para transmitir verdades espirituais, e o conceito de «eterno» no grego bíblico (aionios) pode ter significados matizados para além de simplesmente «nunca terminar».

Alguns estudiosos argumentam que os ensinamentos de Jesus sobre o inferno enfatizam a destruição em vez do tormento consciente eterno. Por exemplo, em Mateus 10:28, Jesus fala de Deus ser capaz de «destruir a alma e o corpo no inferno». Isto levou alguns a interpretarem o inferno como um lugar de aniquilação final, em vez de sofrimento sem fim. (Segovia, 2023)

Historicamente, as crenças sobre a vida após a morte no judaísmo do primeiro século eram diversas e evoluíam. Os ensinamentos de Jesus sobre o inferno inspiraram-se em conceitos existentes e transformaram-nos, enfatizando as dimensões pessoal e ética do julgamento.

À medida que lidamos com estas passagens difíceis, não devemos perder de vista o contexto mais amplo da mensagem de Jesus, que era fundamentalmente um do amor de Deus e a oferta de salvação. As suas advertências sobre o inferno eram sempre equilibradas por convites ao arrependimento e à promessa de vida eterna para os que creem.

No nosso contexto moderno, em que o conceito de tormento eterno suscita fortes questões teológicas e éticas, temos de abordar os ensinamentos de Jesus com reverência pelas Escrituras e abertura ao mistério da justiça e da misericórdia de Deus. Embora a realidade do inferno como um estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus seja uma doutrina central, a natureza precisa deste estado continua a ser um assunto de reflexão teológica.

Exorto-vos a não vos fixardes nos aspectos aterrorizantes do inferno, mas antes a concentrardes-vos no imensurável amor de Deus revelado em Cristo. Que estes ensinamentos desafiadores de Jesus nos inspirem a viver vidas de amor, compaixão e obediência fiel, confiando na misericórdia de Deus e esforçando-nos por atrair os outros para o abraço do amor divino.

Como Jesus contrastou o céu e o inferno?

Nos Evangelhos, encontramos Jesus consistentemente retratando o céu e o inferno como destinos finais que estão em forte oposição uns aos outros. O céu é descrito como um lugar de alegria, paz e comunhão com Deus, enquanto o inferno se caracteriza pela angústia, separação e ausência da presença de Deus.

Um dos contrastes mais marcantes aparece na parábola do Homem Rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). Aqui, Jesus retrata Lázaro como sendo consolado no «seio de Abraão», uma metáfora judaica para o paraíso, Embora o homem rico sofra em tormento, separado por um abismo intransponível. Esta parábola ilustra vividamente a inversão das fortunas e a finalidade da separação entre os salvos e os perdidos. (Papaioannou, 2018)

Psicologicamente, este contraste toca nos nossos mais profundos anseios de pertencimento e nos nossos medos de isolamento. O Céu representa a realização do nosso desejo de significado e ligação, enquanto o inferno encarna as nossas ansiedades sobre a rejeição e perda final.

Jesus frequentemente usava metáforas espaciais para contrastar o céu e o inferno. Falou da «porta estreita» que conduz à vida e da «porta larga» que conduz à destruição (Mateus 7:13-14). Estas imagens enfatizam as escolhas que fazemos nesta vida e suas consequências eternas. Do mesmo modo, na parábola do trigo e do joio (Mateus 13:24-30, 36-43), Jesus contrasta o destino dos justos, que «brilharão como o sol no reino de seu Pai», com o dos ímpios, que serão lançados na «fornalha de fogo».

O contraste entre a luz e as trevas é outro motivo poderoso nos ensinamentos de Jesus. Descreve o céu como um lugar de luz, associando-o à presença e à verdade de Deus, enquanto o inferno é frequentemente retratado como «escuridão exterior» (Mateus 8:12, 22:13, 25:30), simbolizando a separação de Deus e a cegueira espiritual.

Historicamente, estes contrastes assentam nas tradições apocalípticas judaicas, ao mesmo tempo que introduzem a ênfase única de Jesus na realidade atual do reino de Deus. Para Jesus, a escolha entre o céu e o inferno não era apenas um acontecimento futuro, mas uma realidade presente moldada pela resposta à sua mensagem e pessoa.

É crucial notar que, embora Jesus tenha falado claramente sobre a realidade do inferno, o seu principal objetivo foi convidar as pessoas para a alegria e a plenitude do reino de Deus. O contraste entre o céu e o inferno serviu para destacar o valor imensurável da salvação que ele ofereceu.

No nosso contexto moderno, em que as discussões sobre a vida após a morte podem parecer abstratas ou irrelevantes, os contrastes vívidos de Jesus chamam-nos de volta às questões fundamentais da existência: Quem somos em relação a Deus? Como vivemos à luz da eternidade? Estes ensinamentos convidam-nos a abraçar o poder transformador do amor de Deus e a partilhá-lo com os outros, reconhecendo o peso eterno das nossas escolhas e interações diárias.

O que Jesus disse sobre quem vai para o inferno?

Jesus falou com grande seriedade acerca da realidade do inferno e daqueles que estão em risco de separação eterna de Deus. Suas palavras sobre este assunto devem dar-nos uma pausa e levar-nos a uma reflexão profunda.

Nos Evangelhos, vemos Jesus advertir que aqueles que persistem no pecado impenitente e rejeitam a misericórdia de Deus estão em perigo de inferno. Ele falou daqueles que se recusam a perdoar os outros (Mateus 6:15), aqueles que levam os outros ao pecado (Mateus 18:6-9), e aqueles que negligenciam as necessidades dos pobres e sofredores (Mateus 25:41-46) como estando em risco de castigo eterno.

Jesus também usou uma linguagem forte sobre a «estrada larga» que conduz à destruição, contrastando-a com o caminho estreito para a vida (Mateus 7:13-14). Isto sugere que muitos, talvez mesmo a maioria, estão num caminho que os afasta de Deus. (Hokin, 2015)

Mas temos de ter o cuidado de não interpretar estas advertências de uma forma demasiado simplista ou legalista. Os ensinamentos de Jesus remetem-nos sempre para o cerne da questão – a nossa relação com Deus e com o nosso próximo. As suas parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo revelam o profundo desejo de Deus de que todos sejam salvos (Lucas 15).

Psicologicamente, podemos compreender as advertências de Jesus sobre o inferno como uma forma de nos confrontar com as consequências finais das nossas escolhas. Ao pintar uma imagem nítida da separação eterna de Deus, Jesus desafia-nos a examinar as nossas vidas e prioridades. (Penno, 2014)

Historicamente, vemos que os ensinamentos de Jesus sobre o inferno eram muitas vezes mais matizados e complexos do que as interpretações posteriores. Ele usou imagens vívidas extraídas da literatura apocalíptica judaica, mas sempre a serviço de chamar as pessoas ao arrependimento e à correta relação com Deus e o próximo. (Fletcher, 2009, p. 6)

Jesus ensina que aqueles que rejeitam persistentemente o amor e a misericórdia de Deus, que se recusam a estender esse amor e misericórdia aos outros, estão em perigo de inferno. Mas a sua mensagem é sempre de esperança – de que, através do arrependimento e da fé, este destino pode ser evitado. O seu desejo não é condenar, mas salvar.

Jesus ensinou que o inferno podia ser evitado? Em caso afirmativo, como?

O cerne da mensagem de Jesus é a esperança e a redenção. Embora tenha falado claramente sobre a realidade do inferno, os seus ensinamentos apontam consistentemente para a possibilidade de evitar este destino através da graça de Deus e da nossa resposta a ele.

Jesus ensinou que a forma de evitar o inferno é através do arrependimento, da fé e de uma vida transformada pelo amor de Deus. No Evangelho de Marcos, Jesus começa o seu ministério com a proclamação: «O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo; arrepender-se e crer no evangelho" (Marcos 1:15). Este apelo ao arrependimento e à fé está no cerne do ensino de Jesus sobre a salvação (Hokin, 2015).

Ao longo dos Evangelhos, vemos Jesus enfatizar a importância de uma genuína transformação interior. Não se trata apenas da observância externa das regras, mas de uma mudança de atitude que conduz a uma mudança de comportamento. No Sermão da Montanha, Jesus ensina que não basta evitar o assassínio; também devemos arrancar a ira e o desprezo de nossos corações (Mateus 5:21-22). (Hokin, 2015)

Jesus também ressaltou a importância do perdão e da misericórdia. Ele ensinou que devemos perdoar os outros se esperamos ser perdoados por Deus (Mateus 6:14-15). Esta natureza recíproca do perdão evidencia a interligação da nossa relação com Deus e das nossas relações com os outros.

Psicologicamente, podemos compreender os ensinamentos de Jesus sobre evitar o inferno como um apelo à totalidade e à integração. Ao alinharmos a nossa vontade com a vontade de Deus, ao cultivarmos o amor e a compaixão, avançamos para a saúde psicológica e espiritual (Penno, 2014).

Historicamente, vemos que os ensinamentos de Jesus sobre como evitar o inferno estavam frequentemente ligados à sua proclamação do Reino de Deus. Não se tratava apenas da salvação individual, mas da participação na obra de Deus de renovação e restauração no mundo (Fletcher, 2009, p. 6).

É crucial notar que Jesus enfatizou sistematicamente a misericórdia e o desejo de Deus de salvar. A parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32) ilustra lindamente a ânsia de Deus para acolher de volta aqueles que se desviaram. Jesus ensinou que mesmo uma ovelha perdida vale a pena procurar (Lucas 15:3-7), destacando a preocupação de Deus com cada indivíduo.

Jesus ensinou que o inferno pode ser evitado através do arrependimento, da fé e de uma vida orientada para o amor de Deus. Tal implica não só a crença, mas também uma transformação de todo o nosso ser – os nossos pensamentos, ações e relações. É um caminho que exige a graça de Deus e a nossa cooperação com essa graça.

A boa notícia é que este caminho está aberto a todos. Como Jesus disse: «Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (João 3:16). Este é o cerne do ensinamento de Jesus sobre como evitar o inferno – está enraizado no amor e no desejo de Deus para a nossa salvação.

Como se comparam os ensinamentos de Jesus sobre o inferno com os conceitos do Antigo Testamento?

Para compreender os ensinamentos de Jesus sobre o inferno, devemos considerá-los à luz dos conceitos do Antigo Testamento que formaram o contexto religioso e cultural do seu tempo. Embora haja continuidades, Jesus também trouxe novas ênfases e insights a este tema difícil.

No Antigo Testamento, o conceito de vida após a morte era menos desenvolvido do que no tempo de Jesus. O Sheol hebraico, muitas vezes traduzido como "o túmulo" ou "o poço", era visto como um submundo sombrio onde todos os mortos iam, independentemente do seu estatuto moral na vida. Não era necessariamente um local de castigo, mas sim um reino de existência diminuída.(Papaioannou & Fudge, 2013)

Jesus, mas falou mais explicitamente acerca de um lugar de castigo eterno para os ímpios. Usou o termo «Geena», que se referia a um vale fora de Jerusalém associado ao sacrifício de crianças e mais tarde utilizado como depósito de lixo. Esta imagem vívida de um lugar de fogo e corrupção tornou-se uma metáfora para o castigo divino. (Maniecka, 2016, pp. 237-251)

No entanto, os ensinamentos de Jesus sobre o inferno não eram simplesmente uma continuação dos conceitos do Antigo Testamento. Ele trouxe uma nova urgência e dimensão pessoal para a questão. Embora o Antigo Testamento muitas vezes falasse de julgamento em termos coletivos e nacionais, Jesus enfatizou a responsabilidade individual e as consequências eternas das escolhas de alguém. (Hokin, 2015)

Psicologicamente, podemos ver os ensinamentos de Jesus como abordando preocupações existenciais mais profundas sobre a justiça, o significado e as consequências finais das nossas ações. Ao falar do inferno em termos mais concretos, Jesus confrontou os seus ouvintes com a gravidade das suas escolhas morais e espirituais.(Penno, 2014)

Historicamente, devemos reconhecer que Jesus falava em um tempo de altas expectativas apocalípticas. Os seus ensinamentos sobre o inferno basearam-se e reinterpretaram a literatura apocalíptica judaica, que tinha desenvolvido conceitos mais elaborados da vida após a morte nos séculos que antecederam o tempo de Jesus (Fletcher, 2009, p. 6).

Embora Jesus falasse do inferno com mais frequência e mais vivacidade do que vemos no Antigo Testamento, a sua mensagem geral era uma mensagem do amor e do desejo de Deus de salvar. A parábola do filho pródigo, por exemplo, revela um Deus que está ansiosamente à espera de receber de volta aqueles que se desviaram – uma imagem que vai além de tudo o que encontramos no Antigo Testamento (Hokin, 2015).

Jesus também enfatizou a realidade atual do reino de Deus, ensinando que a vida eterna começa agora através da fé nele. Isto acrescentou uma nova dimensão às expectativas do Antigo Testamento de um futuro dia de julgamento. (Stallman, 2013)

Enquanto Jesus edificou sobre conceitos do Antigo Testamento, trouxe nova clareza e urgência aos ensinos acerca do inferno. Falou disso como uma possibilidade real, não para incutir medo, mas para sublinhar a importância de responder à oferta de salvação de Deus. Ao mesmo tempo, revelou mais plenamente as profundezas do amor e da misericórdia de Deus, oferecendo esperança a todos os que se voltariam para Ele.

O que ensinaram os primeiros Padres da Igreja sobre as palavras de Jesus no inferno?

Muitos dos Padres da Igreja tomaram as palavras de Jesus sobre o inferno de forma bastante literal, entendendo-as como advertências sobre um verdadeiro lugar de castigo eterno. Justino Mártir, ao escrever no século II, falou do fogo eterno preparado para os ímpios. Tertuliano, no final do século II e início do século III, descreveu o inferno em termos vivos e físicos, com base nas imagens de Jesus do fogo e da escuridão exterior (Dunkle, 2019, pp. 1020-1020).

Mas outros Padres da Igreja interpretaram as palavras de Jesus de forma mais simbólica. Orígenes de Alexandria, por exemplo, sugeriu que o fogo do inferno pode ser entendido como uma realidade interior, espiritual, em vez de uma chama literal, física. Ele até especulou sobre a possibilidade de salvação universal, embora esta visão tenha sido posteriormente rejeitada pela Igreja. (Dunkle, 2019, pp. 1020-1020)

De um modo geral, os Padres da Igreja concordaram que os ensinamentos de Jesus sobre o inferno enfatizavam a gravidade do pecado e a necessidade de arrependimento. Não viam o inferno como vingança divina, mas como consequência natural da rejeição do amor de Deus. Como dizia Agostinho, «Deus não envia ninguém para o inferno; as pessoas optam por ir para lá afastando-se de Deus.» (Malanyak, 2023)

Psicologicamente, podemos ver os Padres da Igreja a debater-se com as poderosas questões existenciais levantadas pelos ensinamentos de Jesus sobre o inferno. Eles procuraram compreender como um Deus amoroso podia permitir o sofrimento eterno, e como isso se relacionava com o livre-arbítrio e a responsabilidade humana.

Historicamente, devemos lembrar que os Padres da Igreja escreviam num contexto de perseguição e disputas doutrinárias. As suas interpretações das palavras de Jesus no inferno foram muitas vezes moldadas pela necessidade de defender a doutrina cristã contra as heresias e de encorajar a fidelidade face ao sofrimento. (McGinn, 2014)

Embora os Padres da Igreja tenham levado a sério as palavras de Jesus no inferno, também enfatizaram a misericórdia e o desejo de Deus de que todos sejam salvos. John Chrysostom, por exemplo, ensinou que Deus nos ameaça com o inferno por amor, para atrair-nos de volta a Ele. (Dunkle, 2019, pp. 1020-1020)

Os Padres da Igreja também desenvolveram o conceito de descida de Cristo ao inferno, com base em indícios das Escrituras e da tradição cristã primitiva. Viram isto como um sinal da vitória de Cristo sobre a morte e do seu desejo de trazer a salvação mesmo àqueles que tinham morrido antes da sua vinda (Petcu, 2016).

Como devem os cristãos de hoje compreender os ensinamentos de Jesus sobre o inferno?

Devemos reconhecer a seriedade com que Jesus falou acerca do inferno. Suas advertências não se destinavam a incutir medo, mas a despertar-nos para a gravidade de nossas escolhas e o significado eterno de nossa relação com Deus. Não podemos simplesmente rejeitar ou suavizar estes ensinamentos sem fazer violência à integridade da mensagem de Jesus (Hokin, 2015).

Ao mesmo tempo, temos de compreender as palavras de Jesus sobre o inferno no contexto de todo o seu ministério e mensagem. Jesus veio revelar o amor de Deus, procurar e salvar os perdidos e oferecer vida abundante a todos os que a receberem. Os seus ensinamentos sobre o inferno devem ser equilibrados com os seus ensinamentos sobre a misericórdia, o perdão e o desejo de Deus de que todos sejam salvos (Penno, 2014).

Psicologicamente, podemos compreender os ensinamentos de Jesus sobre o inferno como abordando as nossas preocupações existenciais mais profundas sobre a justiça, o significado e as consequências das nossas ações. Estes ensinamentos confrontam-nos com o significado final das nossas escolhas e desafiam-nos a examinar as nossas vidas e prioridades. (Cook, 2020)

Historicamente, devemos estar cientes de como as interpretações do inferno às vezes têm sido usadas para manipular ou controlar as pessoas através do medo. Este não é o espírito dos ensinamentos de Jesus. Pelo contrário, as suas palavras devem levar-nos a uma apreciação mais profunda do amor de Deus e a um desejo mais urgente de partilhar esse amor com os outros (Fletcher, 2009, p. 6).

Como cristãos de hoje, devemos abordar o tema do inferno com grande cuidado e sensibilidade pastoral. Embora devamos levar as advertências de Jesus a sério, devemos sempre enfatizar o desejo de Deus de reconciliação e as boas novas de salvação disponíveis através de Cristo. Devemos ter cuidado para não reivindicar a certeza sobre o destino eterno de qualquer indivíduo, reconhecendo que o julgamento pertence apenas a Deus. (Papaioannou & Fudge, 2013)

É igualmente importante abordar honestamente as questões difíceis suscitadas pela doutrina do inferno. Como conciliar o castigo eterno com o amor de Deus? Como podemos compreender a justiça do inferno para aqueles que nunca ouviram o evangelho? Embora possamos não ter respostas completas a estas perguntas, lutar com elas pode aprofundar a nossa fé e o nosso apreço pelo mistério dos caminhos de Deus (Evlampiev et al., 2021, pp. 44-58).

Também devemos considerar como a nossa compreensão do inferno afeta a nossa missão e testemunho no mundo. Leva-nos a uma maior compaixão pelos perdidos? Motiva-nos a partilhar mais urgentemente as boas novas do amor de Deus? Inspira-nos a trabalhar pela justiça e pela reconciliação neste mundo? (Mayo, 2015, p. 5)

Os cristãos de hoje devem compreender os ensinamentos de Jesus sobre o inferno como um apelo a levar a sério a nossa relação com Deus, a responder à sua oferta de salvação com gratidão e empenho e a viver vidas que reflitam o seu amor e justiça no mundo. Temos de manter unida a realidade do juízo de Deus e a realidade ainda maior da sua misericórdia e graça.

Lembremo-nos sempre que o Deus que nos adverte sobre o inferno é o mesmo Deus que foi para a cruz por amor a nós. Que esta poderosa verdade molde a nossa compreensão e guie as nossas vidas.

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