Como se utiliza a palavra «legado» na Bíblia?
Embora a palavra exata «legado» não apareça frequentemente na maioria das traduções inglesas da Bíblia, o conceito de deixar um impacto duradouro e herança é tecido em toda a Escritura. A Bíblia fala muitas vezes de herança, património e impacto geracional – todos estreitamente relacionados com a nossa compreensão moderna do legado.
No Antigo Testamento, vemos as palavras hebraicas «nachalah» (herança) e «yerushah» (posse/herança) utilizadas para descrever legados materiais e espirituais transmitidos através de gerações. Por exemplo, em Provérbios 13:22 lemos: «Uma boa pessoa deixa uma herança aos filhos dos seus filhos» (NIV). Isto fala do impacto multigeracional de uma vida justa.
O Novo Testamento utiliza a palavra grega «kleronomia» para transmitir ideias semelhantes de herança e legado. Em Efésios 1:18, Paulo ora para que os crentes possam conhecer «as riquezas da sua herança gloriosa no seu povo santo» (NIV). Aqui vemos que o nosso legado final como cristãos é a nossa herança eterna em Cristo.
Ao longo das Escrituras, encontramos numerosos exemplos de indivíduos que deixam para trás legados de fé, sabedoria e influência piedosa. Pensem no legado de fé de Abraão que afetou gerações, ou no legado de Davi enquanto homem segundo o coração de Deus. Até mesmo o próprio Jesus falou de deixar um legado aos seus discípulos, dizendo-lhes em João 14:27: «Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou» (NIV).
A Bíblia enfatiza consistentemente a importância de viver de uma forma que tenha um impacto positivo nas gerações futuras. Seja através de uma vida justa, ensinando os caminhos de Deus aos nossos filhos, ou deixando para trás palavras de sabedoria, a Escritura chama-nos a considerar os efeitos duradouros das nossas vidas. Como diz o Salmo 145:4: «Uma geração louva as vossas obras a outra; contam os teus atos poderosos» (NIV).
Assim, embora o termo exato «legado» possa não prevalecer, a narrativa bíblica é rica de exemplos e exortações sobre o impacto duradouro de uma vida vivida para Deus. Como seguidores de Cristo, somos chamados a considerar a forma como a nossa fé, ações e ensinamentos influenciarão aqueles que virão depois de nós – esta é a essência do legado nas Escrituras (Anum, 2006, pp. 69-82; Freeks, 2023; Ham, 2022).
Quais são alguns exemplos de legados deixados por figuras bíblicas?
A Bíblia está repleta de exemplos inspiradores de indivíduos que deixaram legados poderosos que continuam a nos afetar hoje. Pensemos em algumas destas figuras notáveis e no impacto duradouro das suas vidas.
Abraão, nosso pai na fé, deixou um legado inigualável de confiança em Deus. A sua vontade de seguir o chamado de Deus, mesmo quando o caminho era incerto, estabeleceu um legado de fé que influenciou milhares de milhões ao longo de milénios. O apóstolo Paulo escreve em Romanos 4:16 que Abraão é «o pai de todos nós» na fé. O legado de Abraão recorda-nos que a confiança inabalável em Deus pode afetar as gerações.
Moisés, o grande legislador, deixou um legado de liderança e obediência. Através do seu serviço fiel, Moisés livrou o povo de Deus da escravidão e deu-lhes instruções divinas para uma vida justa. Os Dez Mandamentos e a Torá continuam a moldar as estruturas morais e jurídicas em todo o mundo. O legado de Moisés ensina-nos o poder de responder ao chamado de Deus, mesmo quando nos sentimos inadequados.
Apesar das suas falhas humanas, o Rei Davi deixou um legado como homem segundo o coração de Deus. Seus salmos continuam a inspirar adoração e proporcionar conforto aos crentes em todo o mundo. O legado de Davi recorda-nos que Deus pode usar pessoas imperfeitas para cumprir os seus propósitos quando permanecemos humildes e arrependidos.
O profeta Daniel deixou um legado de integridade e fidelidade inabaláveis num ambiente hostil. A sua recusa em comprometer as suas crenças, mesmo perante a morte, continua a inspirar os crentes que enfrentam perseguições. O legado de Daniel incentiva-nos a permanecer firmes nas nossas convicções, confiando na proteção de Deus.
No Novo Testamento, vemos o incrível legado do apóstolo Paulo. Através de suas viagens missionárias, cartas e ensinamentos, Paulo desempenhou um papel fundamental na divulgação do Evangelho por todo o mundo antigo. Seus escritos continuam a formar a espinha dorsal da teologia cristã. O legado de Paulo desafia-nos a ser corajosos na partilha da nossa fé e a perseverar nas dificuldades.
Maria, a mãe de Jesus, deixou um legado de humilde obediência e devoção. A sua vontade de aceitar o plano de Deus, apesar do potencial de mal-entendidos e escândalos, exemplifica a verdadeira entrega à vontade de Deus. O legado de Maria encoraja-nos a dizer «sim» ao chamado de Deus, mesmo quando parece assustador.
Naturalmente, o exemplo último de um legado duradouro encontra-se no próprio Jesus Cristo. A sua vida, os seus ensinamentos, a sua morte sacrificial e a sua ressurreição constituem o fundamento da nossa fé. O legado de amor, perdão e redenção de Jesus continua a transformar vidas em todo o mundo.
Estas figuras bíblicas recordam-nos que um legado piedoso não tem a ver com fama pessoal ou realização sobre fidelidade ao chamado de Deus e uma vida vivida ao serviço dos outros. Os seus exemplos inspiram-nos a considerar a forma como as nossas próprias vidas podem afetar as gerações futuras para o reino de Deus (Anum, 2006, pp. 69-82; Freeks, 2023; S, 2022).
Como a Bíblia define um legado divino?
A Bíblia nos fornece uma rica compreensão do que constitui um legado piedoso. Embora o próprio termo «legado» possa não ser explicitamente definido, as Escrituras oferecem orientações claras sobre as características e as ações que contribuem para um impacto duradouro e que honra a Deus.
Um legado piedoso está enraizado na fé e obediência a Deus. Hebreus 11, muitas vezes chamado de «Salão da Fé», destaca as pessoas cujos legados foram definidos pela sua confiança nas promessas de Deus. O versículo 6 recorda-nos que «sem fé é impossível agradar a Deus» (NIV). Por conseguinte, um legado piedoso é aquele que demonstra uma fé inabalável no caráter e nas promessas de Deus, mesmo perante a adversidade.
A Bíblia enfatiza a importância de transmitir as verdades espirituais às gerações futuras. Deuteronómio 6:6-7 instrui: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar nos vossos corações. Impressiona-os nos teus filhos» (NIV). Um legado piedoso implica ensinar e modelar intencionalmente os caminhos de Deus para aqueles que vêm depois de nós, assegurando que a fé é transmitida através das gerações.
As Escrituras também definem um legado piedoso em termos de caráter e integridade. Provérbios 22:1 diz: "Um bom nome é mais desejável do que grandes riquezas; ser estimado é melhor do que a prata ou o ouro» (NIV). Isto sugere que um legado de retidão moral e de vida ética é da maior importância aos olhos de Deus.
A Bíblia retrata um legado piedoso como um de serviço e amor aos outros. O próprio Jesus deu este exemplo, afirmando em Marcos 10:45 que «não veio para ser servido para servir» (NIV). Uma vida dedicada a amar a Deus e a amar os outros, como ordenado nos maiores mandamentos (Mateus 22:36-40), contribui para um legado que reflete o coração de Deus.
O conceito de mordomia também é crucial para a compreensão de uma visão bíblica do legado. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), Jesus ensina sobre a importância de usar fielmente os dons e recursos que Deus nos confiou. Um legado piedoso envolve gerir e multiplicar sabiamente o que Deus nos deu para a sua glória e para o benefício dos outros.
Por fim, a Bíblia enfatiza que um legado verdadeiramente piedoso é aquele que aponta os outros para Cristo. Paulo exemplifica isso em 1 Coríntios 11:1 quando diz: "Segue o meu exemplo, assim como eu sigo o exemplo de Cristo" (NIV). O nosso objetivo final deve ser viver de tal forma que o nosso legado aproxime os outros de Jesus.
A Bíblia define um legado piedoso não em termos de sucesso ou realizações mundanas em termos de fidelidade, obediência, caráter, serviço, mordomia e uma vida que consistentemente aponta para Cristo. Trata-se de viver com a eternidade em mente, reconhecendo que as nossas ações e escolhas de hoje têm implicações que vão muito além das nossas vidas terrenas (Anum, 2006, pp. 69-82; Freeks, 2023; Presunto, 2022; James, 2021).
O que a Bíblia ensina sobre a transmissão de um legado espiritual?
A Bíblia nos ensina que transmitir um legado espiritual é uma das responsabilidades e privilégios mais poderosos que temos como seguidores de Deus. Este legado não é sobre a riqueza material ou realizações mundanas sobre a transmissão da fé, valores e uma relação profunda com o Divino de uma geração para a seguinte.
Em Deuteronómio 6:6-7, encontramos uma bela instrução: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar nos vossos corações. Impressiona-os nos teus filhos. Fale sobre eles quando se senta em casa e quando caminha ao longo da estrada, quando se deita e quando se levanta.» (Korchuck & Zavadiuk, 2024) Esta passagem salienta a importância de ensinar e modelar de forma coerente a nossa fé na vida quotidiana. Não se trata apenas de uma educação religiosa formal, de tecer as nossas convicções espirituais no tecido da nossa existência quotidiana.
O apóstolo Paulo exemplifica este conceito na sua relação com Timóteo, a quem chama o seu «verdadeiro filho na fé» (1 Timóteo 1:2). Paulo orientou Timóteo, transmitindo-lhe não apenas conhecimento doutrinário uma fé viva e respiradora. Isso demonstra que o legado espiritual muitas vezes envolve relações pessoais e discipulado.
Os Salmos falam de declarar os poderosos atos de Deus às gerações futuras (Salmo 145:4). Isto recorda-nos que o nosso legado espiritual deve incluir a partilha de testemunhos da fidelidade e do poder de Deus nas nossas vidas. Estas histórias de intervenção e orientação divinas podem inspirar e fortalecer a fé daqueles que vêm depois de nós.
Mas devemos lembrar-nos de que um legado espiritual não se trata apenas de palavras, mas também de ações. Em Josué 24:15, Josué declara: «Mas eu e a minha casa serviremos ao Senhor.» Este compromisso de viver fielmente constitui um exemplo que fala mais alto do que qualquer sermão.
Transmitir um legado espiritual requer intencionalidade, consistência e autenticidade. Envolve ensinar, modelar e viver nossa fé de uma forma que afeta as gerações futuras. Ao fazê-lo, participamos na obra contínua de redenção e transformação de Deus no mundo. (Nel, 2019)
Como o legado está ligado ao conceito de herança nas Escrituras?
A ligação entre legado e herança nas Escrituras é poderosa e em camadas. Embora muitas vezes pensemos em herança em termos de bens materiais, a Bíblia apresenta uma compreensão mais rica e espiritual que está intimamente ligada ao conceito de legado.
No Antigo Testamento, vemos a herança principalmente em termos da Terra Prometida dada aos israelitas. Esta herança física era uma representação tangível da aliança de Deus com o seu povo. Mas era mais do que apenas imobiliário; era um legado espiritual que carregava consigo a responsabilidade de viver como o povo escolhido de Deus e de transmitir o conhecimento e a adoração do único Deus verdadeiro.
O Novo Testamento expande este conceito, mudando o foco de uma herança física para uma espiritual. Em Efésios 1:11-14, Paulo fala de crentes que obtiveram uma herança em Cristo, selada pelo Espírito Santo. Esta herança não é a salvação da terra ou da riqueza, a adoção como filhos de Deus e a promessa da vida eterna. É um legado espiritual que transcende gerações e fronteiras terrenas.
A ligação entre o legado e a herança é talvez mais claramente vista na ideia de filhos e filhas espirituais. Em 2 Timóteo 1:5, Paulo louva a «fé sincera de Timóteo, que primeiro viveu na tua avó Lois e na tua mãe Eunice e, estou convencido, agora vive também em ti». Aqui, vemos a fé como uma herança, um legado espiritual transmitido através de gerações.
Provérbios 13:22 afirma: «Uma boa pessoa deixa uma herança aos filhos dos seus filhos.» Embora tal possa incluir disposições materiais, à luz de toda a Escritura, entendemos que a herança mais valiosa é um legado de fé, sabedoria e caráter piedoso.
O conceito de herança nas Escrituras também traz consigo a ideia de mordomia. Assim como os israelitas foram chamados para serem bons mordomos da Terra Prometida, somos chamados a ser bons mordomos de nossa herança espiritual. Isso envolve não apenas preservá-lo, mas também multiplicá-lo e transmiti-lo às gerações futuras.
O maior legado e herança que temos é o próprio Cristo. Como co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17), herdamos todas as promessas de Deus. Esta herança não é apenas para nosso benefício, destina-se a ser partilhada, tornando-se um legado que afeta o mundo para a glória de Deus. (Salvi, 2018, pp. 381-416; Williams, 2020, pp. 48-73)
Que papel desempenha o legado na aliança de Deus com o seu povo?
O legado desempenha um papel central e poderoso na aliança de Deus com o seu povo. Este pacto, estabelecido com Abraão e renovado em toda a Escritura, é em si mesmo um legado que Deus confiou ao seu povo, para ser acarinhado, vivido e transmitido de geração em geração.
Em Génesis 17:7, Deus declara a Abraão: «Estabelecerei o meu pacto como um pacto eterno entre mim e ti e os teus descendentes depois de ti para as gerações vindouras, para ser o teu Deus e o Deus dos teus descendentes depois de ti.» Esta declaração revela que o pacto de Deus é inerentemente multigeracional, concebido para criar um legado de fé e obediência.
O conceito de herança no pacto é ainda enfatizado no Deuteronómio 7:9, que afirma: «Sabei, pois, que o Senhor vosso Deus é Deus; é o Deus fiel, mantendo o seu pacto de amor para com mil gerações daqueles que o amam e guardam os seus mandamentos.» Esta passagem sublinha a natureza duradoura do pacto de Deus e a responsabilidade de cada geração de manter e transmitir este legado de fé.
Ao longo do Antigo Testamento, vemos como a aliança de Deus com Israel moldou a sua identidade nacional e o seu património espiritual. As festas anuais, a Lei e até mesmo a estrutura de sua sociedade foram todas destinadas a lembrar o povo de sua relação de aliança com Deus e a transmitir este legado às gerações futuras.
No Novo Testamento, este legado da aliança encontra seu cumprimento final em Jesus Cristo. Como declara Hebreus 9:15, «Por esta razão, Cristo é o mediador de um novo pacto, para que aqueles que são chamados possam receber a herança eterna prometida.» Através de Cristo, o legado do pacto expande-se para além de Israel para incluir todos os que crêem, criando uma família espiritual global unida na fé.
O papel do legado na aliança de Deus não consiste apenas em preservar o passado e participar ativamente na obra de redenção em curso de Deus. Cada geração é chamada a viver fielmente a aliança, dando testemunho do amor e da verdade de Deus no seu tempo e contexto.
O legado da aliança recorda-nos a nossa identidade como povo de Deus. Proporciona um sentimento de pertença, propósito e esperança que transcende as nossas vidas individuais. À medida que abraçamos este legado, tornamo-nos parte de uma história maior – a história de salvação e reconciliação de Deus para toda a criação.
O legado do pacto de Deus tem a ver com a continuidade e a fidelidade – a fidelidade de Deus às suas promessas e a nossa resposta fiel ao viver e transmitir o pacto às gerações futuras. É uma parceria divino-humana que atravessa a história, apontando sempre para o objetivo último de Deus de reconciliar todas as coisas consigo mesmo em Cristo. (D’Costa, 2019; Ndinda, 2022; WÃ1⁄4nch, 2021)
Como os cristãos podem construir um legado duradouro de acordo com os princípios bíblicos?
Construir um legado duradouro como seguidores de Jesus requer um esforço intencional guiado pela sabedoria bíblica. No seu cerne, um legado cristão consiste em viver fielmente o chamado de Deus e deixar um impacto positivo que ecoa na eternidade.
Devemos reconhecer que o nosso legado flui da nossa relação com Cristo. Como Jesus ensinou: «Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se permanecerdes em mim e eu em vós, dareis muito fruto" (João 15:5). O nosso foco principal deve ser a permanência em Cristo através da oração, do estudo das Escrituras e da obediência aos Seus ensinos. Esta base espiritual molda o nosso carácter e as nossas acções.
O apóstolo Paulo exorta-nos a «seguir o meu exemplo, assim como eu sigo o exemplo de Cristo» (1 Coríntios 11:1). Construímos um legado modelando o caráter semelhante ao de Cristo – amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrolo (Gálatas 5:22-23). Estas qualidades, cultivadas através do trabalho do Espírito Santo em nós, afetam aqueles que nos rodeiam e deixam uma impressão duradoura.
A Escritura nos chama a sermos fiéis mordomos dos dons e recursos que Deus nos confiou. A parábola dos talentos de Jesus (Mateus 25:14-30) recorda-nos que devemos investir o nosso tempo, talentos e tesouros para os fins do Reino de Deus. Isso pode envolver orientar os outros, servir no ministério ou usar nossas habilidades e recursos para abençoar os outros e avançar o evangelho.
É importante ressaltar que um legado bíblico envolve transmitir nossa fé às gerações futuras. Deuteronómio 6:6-7 instrui: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar nos vossos corações. Impressiona-os nos teus filhos. Fala sobre eles quando te sentas em casa e quando caminhas ao longo da estrada, quando te deitas e quando te levantas.» Temos de discipular intencionalmente os nossos filhos, netos e filhos e filhas espirituais nos caminhos do Senhor.
Finalmente, lembre-se de que nosso legado é, em última análise, glorificar a Deus, não a nós mesmos. Ao servirmos humildemente a Ele e aos outros, que nossas vidas ecoem as palavras de João Batista: «Deve tornar-se maior; Devo tornar-me menos» (João 3:30). Desta forma, construímos um legado que aponta os outros para Cristo e afeta as gerações vindouras.(M & M, 2022; Umaru, 2024; White, 1978, pp. 17-5.
O que os Padres da Igreja ensinaram sobre a importância do legado?
São Clemente de Roma, escrevendo no final do primeiro século, ressaltou a importância de transmitir a fé apostólica intacta. Instou os crentes a «entregarem as tradições que recebemos» às gerações futuras. Isto sublinha o papel vital que cada cristão desempenha na preservação e transmissão do legado da nossa fé. (Daley, 2009, pp. 29-46)
Santo Inácio de Antioquia, em suas cartas escritas no início do segundo século, enfatizou a importância da unidade e obediência à liderança da igreja como uma forma de manter o legado de Cristo e dos apóstolos. Viu a estrutura hierárquica da Igreja como um meio de salvaguardar a fé para as gerações futuras.
O grande teólogo Orígenes, escrevendo no século III, enfatizou a importância da interpretação espiritual das Escrituras. Ele acreditava que, ao aprofundar a Palavra de Deus e transmitir as suas verdades espirituais, deixamos um legado duradouro de sabedoria e compreensão para aqueles que vêm depois de nós.
Santo Agostinho, na sua obra monumental «Cidade de Deus», refletiu sobre o legado dos impérios terrestres versus o legado eterno do reino de Deus. Ele ensinou que o verdadeiro legado não se encontra nas realizações mundanas de viver como cidadãos fiéis da cidade celestial.
São João Crisóstomo, conhecido por sua pregação eloquente, muitas vezes falava sobre o legado da vida virtuosa. Ele ensinou que uma vida de santidade e boas obras deixa uma marca indelével no mundo e inspira os outros a seguir a Cristo.
Muitos Padres da Igreja também enfatizaram a importância do martírio como o legado final que um cristão pode deixar. Eles viam os mártires como testemunhas poderosas cuja fidelidade até a morte deixou um testemunho duradouro da verdade do evangelho.
Os Padres Capadócios – Basílio, o Grande, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo – salientaram a importância da precisão teológica e da doutrina ortodoxa. Eles viam a preservação e a articulação do verdadeiro ensino cristão como um legado crucial para a Igreja.
Em todos estes ensinamentos, vemos um fio condutor: Os Padres da Igreja compreenderam que as nossas vidas e ações têm consequências que vão muito além da nossa existência terrena. Chamaram os crentes a viverem com a eternidade em mente, reconhecendo que as nossas escolhas e o nosso exemplo moldam não só o nosso próprio destino, mas também influenciam incontáveis outros.
Como é que o legado de Jesus afeta os crentes de hoje?
O legado de nosso Senhor Jesus Cristo continua a moldar profundamente e transformar a vida dos crentes hoje, assim como tem por quase dois mil anos. O seu impacto é imensurável e toca todos os aspectos da nossa fé e prática.
O legado de amor sacrificial e redenção de Jesus constitui o próprio fundamento da nossa salvação e da nossa relação com Deus. Como declara o apóstolo Paulo, «Deus demonstra o seu próprio amor por nós: Embora ainda fôssemos pecadores, Cristo morreu por nós» (Romanos 5:8). Este ato de amor supremo continua a atrair as pessoas à fé e oferece esperança e perdão a todos os que acreditam.
Os ensinamentos de Jesus, preservados nos Evangelhos, fornecem um quadro ético e moral duradouro para os crentes. Seu Sermão da Montanha (Mateus 5-7), por exemplo, desafia-nos a viver contra-culturalmente, abraçando valores como humildade, misericórdia e pacificação. As parábolas e os ensinamentos de Jesus sobre o amor, o perdão e o serviço continuam a orientar as nossas interações e a moldar o nosso caráter.
O exemplo de ministério compassivo de Cristo inspira os crentes a empenharem-se em obras de misericórdia e justiça social. A cura dos doentes, a alimentação dos famintos e o abraço dos marginalizados motivam os cristãos a atender às necessidades sociais e a defender os vulneráveis. Como Jesus disse: "Tudo o que fizeste por um destes meus irmãos mais pequeninos, fizeste por mim" (Mateus 25:40).
O legado da vida de oração de Jesus e a sua relação íntima com o Pai servem de modelo para as práticas espirituais dos crentes. Os seus ensinamentos sobre a oração, incluindo a Oração do Senhor (Mateus 6:9-13), continuam a moldar a forma como os cristãos se aproximam de Deus em adoração e súplica.
A missão de Jesus aos seus discípulos de «ir e fazer discípulos de todas as nações» (Mateus 28:19) continua a ser uma força motriz por detrás dos esforços missionários da Igreja a nível mundial. O seu legado de evangelismo e de fazer discípulos continua a inspirar os crentes a partilharem a sua fé e a orientarem outros no crescimento espiritual.
O poder da ressurreição de Cristo proporciona esperança e segurança aos crentes que enfrentam a morte e o sofrimento. Como Paulo escreve, «Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é fútil» (1 Coríntios 15:17). A realidade da ressurreição afeta como os cristãos vêem a vida, a morte e a eternidade.
Por último, a promessa do Espírito Santo feita por Jesus (João 14:16-17) continua a capacitar os crentes para uma vida piedosa e um ministério eficaz. A presença interior do Espírito, resultado direto da obra consumada de Cristo, permite aos cristãos produzir frutos espirituais e exercer dons espirituais para a edificação da Igreja.
De todas estas formas e mais, o legado de Jesus Cristo permanece vibrantemente vivo, moldando as crenças, os valores e as acções dos Seus seguidores de hoje. À medida que abraçamos e vivemos este legado, que possamos, como os primeiros discípulos, ser conhecidos como pessoas que estiveram com Jesus (Atos 4:13). (Grundmann, 2014, pp. 6-15; M & M, 2022; Winslow, 2020)
O que os versículos bíblicos falam sobre deixar um legado positivo para as gerações futuras?
As Escrituras estão repletas de sabedoria em relação à importância de deixar um legado positivo para as gerações futuras. Estes versículos lembram-nos da nossa responsabilidade de transmitir fielmente a nossa fé e valores àqueles que vêm depois de nós.
Uma das passagens mais proeminentes sobre este tema é encontrada em Deuteronómio 6:6-7: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar nos vossos corações. Impressiona-os nos teus filhos. Fale sobre eles quando se senta em casa e quando caminha ao longo da estrada, quando se deita e quando se levanta.» Isto sublinha a importância de ensinar de forma coerente os caminhos de Deus aos nossos filhos no contexto da vida quotidiana.
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