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Parentalidade 101: O que a Bíblia diz sobre disciplinar os filhos?




  • A Bíblia enfatiza a importância de disciplinar as crianças de uma forma amorosa e nutritiva, concentrando-se em ensinar e guiar, em vez de punir.
  • A disciplina física é mencionada na Bíblia, mas é importante compreender o contexto. A Bíblia não defende a disciplina física abusiva ou excessiva.
  • A Bíblia menciona o espancamento como uma forma de disciplina, mas é essencial interpretar estas passagens à luz da mensagem geral de amor, graça e respeito para com as crianças.

O que Provérbios diz sobre disciplinar as crianças?

O livro de Provérbios oferece muita sabedoria em relação à disciplina e instrução das crianças. No seu cerne está a convicção de que a disciplina, quando administrada com amor, é essencial para a formação moral e espiritual da criança. 

Provérbios nos diz: «Quem poupa a vara odeia os seus filhos, mas quem ama os seus filhos tem o cuidado de os disciplinar» (13:24) (Walker & Quagliana, 2007). Este versículo enfatiza que a disciplina motivada pelo amor é uma parte crucial da paternidade. Neste caso, a «vara» não tem de ser entendida literalmente como um castigo físico, mas sim como uma metáfora para a correção e a orientação.

Encontramos também: «Disciplinai os vossos filhos, porque nisso há esperança; não sejam uma parte voluntária na sua morte» (19:18). Este provérbio sóbrio sublinha a gravidade de negligenciar a disciplina – sem uma orientação adequada, uma criança pode desviar-se para caminhos destrutivos (Walker & Quagliana, 2007).

A sabedoria de Provérbios reconhece que a disciplina pode ser desagradável no momento, mas dá frutos a longo prazo: «Nenhuma disciplina parece agradável na altura, mas dolorosa. Mais tarde, mas produz uma colheita de justiça e paz para aqueles que foram treinados por ele "(Hebreus 12:11, ecoando temas de Provérbios).

É importante ressaltar que Provérbios enfatiza que a disciplina deve ser administrada com autocontrole e sabedoria, não com raiva: «Uma pessoa temperamental provoca conflitos, mas quem é paciente acalma uma querela» (15:18). Os pais são chamados a disciplinar com paciência e discernimento.

O objetivo da disciplina em Provérbios é transmitir sabedoria e nutrir a virtude: «Iniciar as crianças no caminho que devem seguir e, mesmo quando forem velhas, não se desviarão dele» (22:6). A disciplina não é punitiva, mas formativa – moldar o caráter e incutir valores duradouros (Walker & Quagliana, 2007).

Como a Bíblia define a disciplina contra o castigo?

É importante distinguir cuidadosamente entre disciplina e castigo nas Escrituras. Embora estes conceitos estejam relacionados, eles têm propósitos e abordagens distintas no ensino bíblico.

Disciplina, no sentido bíblico, é fundamentalmente sobre ensinar, guiar e formar o caráter. A sua raiz é a palavra latina «disciplina», que significa instrução ou conhecimento. Quando Deus ou os pais disciplinam nas Escrituras, o objetivo principal é educar, moldar o comportamento e nutrir o crescimento espiritual e moral (Childs, 1990).

Vemos isso claramente em Provérbios: «Filho meu, não desprezes a disciplina do Senhor, nem te ressentes da sua repreensão, porque o Senhor disciplina a quem ama, como pai ao filho em quem se deleita» (3:11-12). Aqui, a disciplina está explicitamente ligada ao amor e ao prazer na criança. É corretivo, mas, em última análise, afirma.

A punição, por outro lado, tende a concentrar-se mais na penalidade, retribuição ou pagamento por irregularidades. Embora a punição possa ter um lugar nos sistemas de justiça, não é o principal modelo bíblico para a criação de crianças ou a formação espiritual (Childs, 1990).

Os ensinamentos de Jesus enfatizam o perdão, a restauração e a transformação em detrimento de medidas punitivas. Considere-se a parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) – a resposta do pai ao seu filho rebelde não é um castigo, mas uma alegre reconciliação e restauração.

O apóstolo Paulo instrui: «Pai, não exaspereis os vossos filhos; em vez disso, criai-os na formação e instrução do Senhor" (Efésios 6:4). A ênfase está em alimentar a orientação, não o castigo severo (Childs, 1990).

Dito isto, devemos reconhecer que algumas passagens bíblicas, particularmente no Antigo Testamento, falam de medidas disciplinares mais severas. Estes devem ser compreendidos no seu contexto histórico e cultural e interpretados à luz da narrativa bíblica global do amor e da graça de Deus.

Na prática, a disciplina pode envolver consequências para o mau comportamento, mas estas devem ser lógicas, proporcionais e destinadas a ensinar em vez de meramente punir. O objetivo é sempre a restauração e o crescimento, não a retribuição.

Que exemplos de disciplina infantil são encontrados nas Escrituras?

À medida que exploramos exemplos de disciplina infantil nas Escrituras, devemos abordar este tópico com humildade e discernimento cuidadoso. A Bíblia fornece-nos vários relatos que oferecem informações sobre práticas disciplinares, embora devamos interpretá-las através da lente do amor abrangente de Deus e do contexto histórico em que foram escritas.

Um dos exemplos mais conhecidos vem da vida do rei Davi e de seu filho Absalão. Depois que Absalão assassinou seu meio-irmão Amnom, Davi inicialmente não conseguiu discipliná-lo adequadamente. Esta falta de correção contribuiu para a posterior rebelião de Absalão contra o seu pai (2 Samuel 13-18). Este relato lembra-nos que a disciplina, quando aplicada com sabedoria e amor, pode evitar problemas mais graves no futuro (Walker & Quagliana, 2007).

Em contrapartida, vemos um exemplo positivo na dedicação de Hannah do seu filho Samuel ao serviço do Senhor. Embora não diga explicitamente respeito à disciplina, demonstra o empenho dos pais em educar um filho de forma piedosa (1 Samuel 1-2). Samuel tornou-se um grande profeta e juiz em Israel, ilustrando o fruto da cuidadosa e espiritualmente focada criação de crianças.

O livro de Provérbios, como já discutimos, fornece numerosos ensinamentos sobre a disciplina infantil. Por exemplo, "A loucura está ligada ao coração de uma criança, mas a vara da disciplina a afastará" (Provérbios 22:15). Mais uma vez, temos de ser cautelosos quanto à interpretação literal da «vara», entendendo-a mais como um símbolo de autoridade e orientação (Walker & Quagliana, 2007).

No Novo Testamento, as interações de Jesus com as crianças, embora não diretamente relacionadas com a disciplina, mostram-nos a importância de valorizar e nutrir as crianças. Ele diz: "Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais, porque o reino dos céus pertence a tais como estes" (Mateus 19:14). Esta atitude de acolhimento e afirmação deve sustentar todas as nossas abordagens à educação e à disciplina dos filhos.

O apóstolo Paulo fornece orientação sobre as relações familiares, incluindo a disciplina: «Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isto é justo... Pais, não exaspereis vossos filhos; em vez disso, criai-os na formação e instrução do Senhor" (Efésios 6:1,4). Esta abordagem equilibrada salienta tanto a responsabilidade da criança como o dever dos pais de disciplinar com paciência e foco espiritual (Childs, 1990).

À medida que refletimos sobre estes exemplos, lembremo-nos de que o nosso modelo final de disciplina é a própria abordagem de Deus a nós, Seus filhos. O escritor de Hebreus lembra-nos: «O Senhor disciplina a quem ama e castiga a todos os que aceita como filho» (Hebreus 12:6). Esta disciplina divina está sempre enraizada no amor, destinado ao nosso crescimento e florescimento.

De que forma a disciplina de Deus sobre os seus filhos contribui para a disciplina parental?

Em primeiro lugar, temos de reconhecer que a disciplina de Deus é sempre motivada pelo amor. Como lemos em Hebreus, «O Senhor disciplina aquele que ama e castiga todos os que aceita como seu filho» (12, 6). Esta verdade fundamental deve moldar toda a nossa abordagem à disciplina parental. Cada acto de correcção deve estar firmemente fundamentado no nosso profundo amor pelos nossos filhos, nunca na raiva ou frustração (Childs, 1990).

A disciplina de Deus também é proposital e redentora. O seu objectivo não é a punição por si só, mas sim o nosso crescimento, maturidade e florescimento final. Como a passagem em Hebreus continua, «Deus disciplina-nos para o nosso bem, a fim de que possamos participar na sua santidade» (12:10). Da mesma forma, a nossa disciplina dos nossos filhos deve ter sempre em mente o seu bem-estar a longo prazo, procurando moldar o carácter e incutir valores duradouros (Childs, 1990).

Vemos nas Escrituras que a disciplina de Deus é paciente e persistente. Pensem em como Deus lidou com os israelitas ao longo da sua história – mesmo quando se desviaram, Ele continuou a chamá-los de volta, a ensinar e a guiar. Como pais, também nós somos chamados a este tipo de amor inabalável e persistente na nossa disciplina, não desistindo mesmo quando o caminho é difícil.

A disciplina de Deus também é adaptada a cada indivíduo. Ele conhece-nos intimamente e lida com cada um de nós de acordo com as nossas necessidades e circunstâncias. Na nossa parentalidade, devemos esforçar-nos por conhecer profundamente os nossos filhos, compreender as suas personalidades e necessidades únicas e adaptar a nossa abordagem em conformidade.

É importante salientar que a disciplina de Deus deixa sempre espaço para a graça e a restauração. A história do Filho Pródigo ilustra-o muito bem: os braços do pai estão sempre abertos para acolher a criança arrependida em casa. Também a nossa disciplina deve manter sempre a possibilidade do perdão e da reconciliação (Crianças, 1990).

Por último, devemos recordar que o último ato de «disciplina» de Deus foi enviar o seu próprio Filho para nos redimir. Isto recorda-nos que a verdadeira disciplina pode envolver sacrifício por parte do progenitor, procurando sempre o bem mais elevado da criança.

À medida que procuramos aplicar estes princípios em nossas próprias famílias, sejamos humildes, reconhecendo nossas próprias imperfeições. Que possamos continuamente voltar-nos para Deus em busca de sabedoria e orientação, esforçando-nos para refletir Seu perfeito amor em nossos caminhos imperfeitos. E lembremo-nos sempre de que também nós somos filhos – filhos amados de um Pai que nos disciplina com infinita paciência, sabedoria e amor.

O que significa realmente biblicamente «poupar a vara, estragar a criança»?

A frase «poupar a vara, estragar a criança» é frequentemente atribuída à Bíblia, mas esta redação exata não aparece nas Escrituras. Mas é uma paráfrase de Provérbios 13:24, que afirma: «Quem poupa a vara odeia os seus filhos, mas quem ama os seus filhos tem o cuidado de os disciplinar» (Islã, 2023; Walker & Quagliana, 2007).

Para compreender o verdadeiro significado deste provérbio, temos de olhar para além de uma interpretação literal e procurar a sua sabedoria espiritual mais profunda. Neste contexto, a «vara» não deve ser entendida simplesmente como um instrumento de punição física. No antigo Oriente Próximo, a vara do pastor era um instrumento para guiar ovelhas, e não apenas para golpeá-las. Da mesma forma, este provérbio fala da necessidade de orientação amorosa e correção na criação dos filhos (Walker & Quagliana, 2007).

A ênfase aqui está na responsabilidade dos pais de fornecer disciplina, o que, em termos bíblicos, significa instrução, correção e formação de caráter. O provérbio sugere que não fornecer esta orientação – «salvar a vara» – é, na verdade, um fracasso do amor. O verdadeiro amor parental envolve a tarefa, por vezes difícil, de estabelecer limites e corrigir o mau comportamento (Islã, 2023).

Mas devemos ter muito cuidado para não usar este provérbio como justificativa para o tratamento severo ou abusivo de crianças. Tal interpretação é contrária à mensagem bíblica global do amor de Deus e ao valor de cada ser humano, incluindo as crianças. O próprio Jesus disse: "Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais, porque o reino dos céus pertence a tais como estes" (Mateus 19:14).

Em vez disso, devemos compreender este provérbio como um chamado à paternidade intencional e amorosa. Lembra-nos que as crianças precisam de orientação, estrutura e, às vezes, correção para crescer em adultos maduros e responsáveis. No entanto, estas orientações devem ser sempre administradas com amor, paciência e respeito pela dignidade da criança (Islã, 2023; Walker & Quagliana, 2007).

No nosso contexto moderno, «não poupar a vara» pode envolver o estabelecimento de regras e consequências coerentes, conversas difíceis, mas necessárias, ou permitir que as crianças experimentem os resultados naturais das suas escolhas. O objetivo é sempre ensinar, orientar e moldar o caráter – não punir por causa da punição.

Ao refletirmos sobre este provérbio, lembremo-nos da paternidade de Deus sobre nós. Deus corrige-nos, mas sempre por amor e para o nosso bem final. Como o escritor de Hebreus nos recorda, «O Senhor disciplina aquele que ama e castiga todos os que aceita como seu filho» (Hebreus 12:6). Esta correção amorosa espelha o Ensinamentos Bíblicos Sobre a Criação de Filhos, salientando a importância da orientação e da disciplina no seu crescimento. Tal como aprendemos com a abordagem nutritiva de Deus, somos chamados a liderar os nossos filhos com paciência e sabedoria, ajudando-os a desenvolver o seu caráter e a sua fé. Em última análise, o objetivo é incutir neles uma profunda compreensão do amor e da responsabilidade, preparando-os para os desafios da vida.

Em nossa própria paternidade, que nos esforcemos para equilibrar a correção amorosa com a graça e a misericórdia. Que possamos guiar os nossos filhos com sabedoria e paciência, orientando-os sempre para o amor sem limites do nosso Pai celeste. E lembremo-nos de que a disciplina, corretamente compreendida, não é sobre punição, mas sobre moldar amorosamente nossos filhos no povo que Deus os criou para serem.

Como os pais podem disciplinar o amor em vez da raiva?

Disciplinar os filhos é uma das responsabilidades mais desafiadoras, mas importantes, da paternidade. Disciplinar o amor em vez da raiva exige muita paciência, autocontrole e um compromisso de ver os nossos filhos como Deus os vê – como almas preciosas confiadas aos nossos cuidados.

Temos de examinar os nossos próprios corações e motivações. Estamos a disciplinar por frustração e desejo de controlar, ou por preocupação genuína com a formação e o bem-estar do nosso filho? Quando sentimos a raiva elevar-se dentro de nós, é crucial que façamos uma pausa, respiremos fundo e peçamos ao Espírito Santo que nos encha com Sua paz e sabedoria. 

A disciplina enraizada no amor procura guiar e instruir, não apenas punir. Exige que cheguemos ao nível do nosso filho, que olhemos nos seus olhos com compaixão e que os ajudemos a compreender por que razão o seu comportamento era inaceitável. Devemos estar dispostos a ouvir a sua perspectiva, mesmo enquanto nos mantemos firmes aos limites necessários.

A disciplina amorosa é consistente e justa. Não vacila com base no nosso humor ou circunstâncias. Os nossos filhos devem ser capazes de prever as consequências das suas acções, sabendo que as regras são aplicadas com firmeza e graça. Ao mesmo tempo, devemos estar dispostos a mostrar misericórdia quando apropriado, assim como nosso Pai Celestial é misericordioso para connosco.

Quando disciplinamos no amor, afirmamos o valor e a dignidade inerentes ao nosso filho, mesmo quando corrigimos o seu comportamento. Separamos a ação da pessoa, deixando claro que, enquanto desaprovamos o que fizeram, nosso amor por eles continua firme e incondicional. Isto reflete o amor de Deus por nós — um amor que persiste mesmo quando ficamos aquém.

A disciplina amorosa também envolve a auto-reflexão da nossa parte. Devemos estar dispostos a pedir desculpas quando reagimos ou disciplinamos injustamente. Isto modela a humildade e a responsabilidade para com os nossos filhos. Mostra-lhes que até os pais cometem erros, mas que o amor permite a reconciliação e o crescimento.

Finalmente, a disciplina fundamentada no amor sempre aponta nossos filhos para a esperança e a redenção. Oferece um caminho a seguir, ajudando-os a aprender com os seus erros e a fazer melhores escolhas no futuro. Deste modo, a disciplina torna-se um ato de discipulado, guiando os nossos filhos para a maturidade em Cristo.

Esforcemo-nos por disciplinar os nossos filhos como o nosso Pai Celestial nos disciplina – com paciência, sabedoria e amor abundante. Que as nossas casas sejam lugares onde a correção e a instrução fluam dos corações transbordantes da graça de Deus.

Que métodos de disciplina adequados à idade são apoiados pelas Escrituras?

À medida que procuramos criar nossos filhos nos caminhos do Senhor, é importante considerar como podemos aplicar os princípios bíblicos de disciplina de maneiras adequadas à idade. Embora as Escrituras não forneçam um manual detalhado para cada etapa da infância, oferecem sabedoria que pode orientar nossa abordagem como pais e cuidadores.

Para crianças muito pequenas, o redirecionamento suave e os limites consistentes são fundamentais. Vemos em Provérbios 22:6 a instrução para «treinar uma criança no caminho que deve seguir». Esta formação começa nos primeiros anos, à medida que orientamos pacientemente os mais pequenos para a obediência e o autocontrolo. Interrupções de tempo simples, remoção de privilégios e reforço positivo podem ser ferramentas eficazes nesta fase.

À medida que as crianças crescem nos primeiros anos escolares, podemos começar a envolver suas capacidades de raciocínio mais plenamente. Provérbios 3:11-12 recorda-nos: «Filho meu, não desprezes a disciplina do Senhor e não te ressentes da sua repreensão, porque o Senhor disciplina aqueles que ama, como pai o filho em quem se deleita.» Podemos explicar aos nossos filhos por que razão determinados comportamentos são inaceitáveis, ajudando-os a compreender as consequências naturais das suas ações.

Para as crianças mais velhas e pré-adolescentes, a disciplina pode envolver consequências e responsabilidades mais importantes. Podemos olhar para o exemplo de Samuel, que quando jovem recebeu deveres importantes no templo. Atribuir tarefas, restringir privilégios e exigir a restituição por irregularidades pode ajudar as crianças desta idade a desenvolver um sentido de responsabilidade.

À medida que nossos filhos entram na adolescência, nosso papel muda mais para orientação e orientação. Vemos Jesus se envolver com seus discípulos não através do castigo, mas através do ensino, questionamento e permitindo-lhes aprender com seus erros. O diálogo aberto, o respeito mútuo e as consequências naturais tornam-se cada vez mais importantes nesta fase.

Através de todas as eras, as Escrituras enfatizam a importância da instrução e do exemplo. Deuteronómio 6:6-7 exorta-nos: «Estes mandamentos que hoje vos dou devem estar no vosso coração. Impressiona-os nos teus filhos. Fala sobre eles quando te sentas em casa e quando caminhas ao longo da estrada, quando te deitas e quando te levantas.» As nossas próprias vidas devem modelar o comportamento e os valores que queremos incutir.

É fundamental recordar que cada criança é única, criada à imagem de Deus com o seu próprio temperamento e necessidades. O que funciona para um pode não funcionar para outro. Devemos orar por sabedoria e discernimento na aplicação da disciplina, procurando sempre alcançar o coração do nosso filho, em vez de meramente modificar o comportamento externo.

Acima de tudo, lembremo-nos de que a disciplina não é sobre a perfeição, mas sobre o crescimento. Como nos diz Hebreus 12:11, «Nenhuma disciplina parece agradável na altura, mas dolorosa. Mais tarde, mas produz uma colheita de justiça e paz para aqueles que foram treinados por ela.» Que as nossas práticas disciplinares, adaptadas à idade e à compreensão de cada criança, apontem sempre para este objetivo último de cultivar a justiça e a paz nas suas vidas.

De que forma o tratamento dado por Jesus às crianças contribui para as abordagens disciplinares?

Quando olhamos para Jesus como nosso modelo para interagir com as crianças, encontramos uma ternura e respeito poderosos que devem informar profundamente a nossa abordagem à disciplina. Reflictamos sobre a forma como o exemplo do nosso Senhor nos pode orientar neste aspeto importante da parentalidade e da prestação de cuidados.

Primeiro, vemos que Jesus acolheu as crianças aberta e afetuosamente. Em Marcos 10:14, quando os discípulos tentaram afastar as crianças, Jesus repreendeu-as, dizendo: «Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais, porque o reino de Deus pertence a tais.» Isto ensina-nos que as nossas práticas disciplinares nunca devem criar barreiras entre as crianças e o amor de Deus. Mesmo em momentos de correção, devemos garantir que nossos filhos se sintam acolhidos e valorizados.

Jesus também reconheceu a dignidade inerente e o valor das crianças. Manteve-os como exemplos de fé, declarando em Mateus 18:3: «Em verdade vos digo que, se não vos transformardes e não vos tornardes como criancinhas, nunca entrareis no reino dos céus.» Isto recorda-nos que devemos abordar a disciplina com humildade, reconhecendo que os nossos filhos têm muito a ensinar-nos sobre confiança, perdão e amor incondicional.

Nas suas interacções com as crianças, Jesus demonstrou paciência e mansidão. Nunca O vemos recorrer a palavras duras ou castigo físico. Em vez disso, Ele usou momentos ensináveis para transmitir sabedoria e compreensão. Isto encoraja-nos a disciplinar através da instrução em vez de mero castigo, tomando o tempo para explicar e guiar em vez de simplesmente impor a nossa vontade.

Jesus também demonstrou grande compaixão pelas crianças em circunstâncias difíceis. Ele curou crianças doentes e até mesmo ressuscitou algumas dentre os mortos, demonstrando seu profundo cuidado pelo bem-estar delas. Isto recorda-nos que a disciplina deve estar sempre enraizada no desejo do bem último dos nossos filhos, e não na nossa própria frustração ou necessidade de controlo.

Jesus enfatizou a grave responsabilidade que os adultos têm para com as crianças. Em Mateus 18:6, Ele adverte: «Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos — os que acreditam em mim —, seria melhor que eles tivessem uma grande pedra de moinho pendurada ao pescoço e se afogassem nas profundezas do mar.» Isto sublinha a importância de disciplinar de uma forma que edifique em vez de derribar, que fortaleça a fé em vez de causar dúvidas.

Devemos também considerar como Jesus tratou aqueles que falharam ou cometeram erros. Ofereceu sempre o perdão e a oportunidade de recomeçar. Do mesmo modo, as nossas abordagens disciplinares devem equilibrar a justiça com a misericórdia, proporcionando consequências claras e deixando sempre a porta aberta para a reconciliação e o crescimento.

Por último, o exemplo de Jesus ensina-nos a rezar pelos nossos filhos e com eles. Abençoou os filhos e orou por eles. Em nossas práticas disciplinares, também devemos banhar nossos esforços na oração, pedindo sabedoria, paciência e a capacidade de ver nossos filhos como Deus os vê.

Esforcemo-nos por disciplinar os nossos filhos como Jesus faria – com amor, respeito, paciência e ênfase na sua formação espiritual. Que nossos lares sejam lugares onde a correção não é dada para condenar, mas para guiar nossos pequeninos para a plenitude da vida que Cristo oferece a todos.

Como a disciplina pode ser usada para discipular as crianças na fé?

A disciplina, quando abordada com sabedoria e amor, pode ser uma ferramenta poderosa para discipular nossos filhos na fé. Não se trata apenas de corrigir o comportamento, mas de moldar os corações e as mentes para seguirem a Cristo. Consideremos como podemos usar os momentos de disciplina como oportunidades para a formação espiritual.

Primeiro, devemos reconhecer que a disciplina é fundamentalmente sobre o ensino, não sobre o castigo. A própria palavra «disciplina» partilha a sua raiz com «discípulo». Quando disciplinamos os nossos filhos, estamos essencialmente a discipliná-los, mostrando-lhes o caminho da justiça. Como nos instrui Provérbios 22:6: "Iniciem as crianças no caminho que devem seguir e, mesmo quando forem velhas, não se desviarão dele."

Em momentos de correção, temos a oportunidade de orientar os nossos filhos para os padrões de santidade e amor de Deus. Podemos ajudá-los a compreender que as regras e os limites não são arbitrários, mas refletem o desejo de Deus pelo nosso bem-estar e pelo bem-estar dos outros. Ao explicar o «porquê» das nossas expectativas, ligamos a disciplina a verdades espirituais mais profundas.

A disciplina também pode ser um meio de ensinar as crianças sobre o caráter de Deus. Quando disciplinamos com coerência e equidade, refletimos a justiça de Deus. Quando oferecemos perdão e reconciliação após as consequências terem sido enfrentadas, modelamos a misericórdia de Deus. Desta forma, as nossas práticas disciplinares podem proporcionar às crianças uma experiência tangível da natureza de Deus.

A disciplina proporciona oportunidades para ensinar as crianças sobre o pecado, o arrependimento e a graça. Quando os nossos filhos se comportam mal, podemos gentilmente ajudá-los a reconhecer o seu mal como pecado – não para os envergonhar, mas para os conduzir ao poder curativo da confissão e do arrependimento. À medida que estendemos o perdão, podemos recordá-los da graça infinita de Deus e da redenção oferecida através de Cristo.

Podemos usar momentos disciplinares para encorajar a oração e a confiança em Deus. Quando as crianças lutam com obediência ou autocontrole, podemos orar com elas, pedindo a Deus força e sabedoria. Isto ensina-os a voltar-se para Deus em tempos de dificuldade e a confiar no Seu poder em vez do seu próprio.

A disciplina também pode ser um meio de cultivar frutos espirituais na vida das nossas crianças. Ao corrigirmos a impulsividade, podemos falar sobre a importância do autocontrole. Ao abordarmos a indelicadeza, podemos enfatizar o fruto do amor. Desta forma, a disciplina torna-se uma aplicação prática de Gálatas 5:22-23, nutrindo os traços de caráter que refletem uma vida no Espírito.

A nossa abordagem à disciplina pode modelar a humildade e a servidão semelhantes às de Cristo. Quando disciplinamos com calma e amor, mesmo em face do desafio, demonstramos o amor paciente de Cristo. Quando admitimos nossos próprios erros ao disciplinar e pedimos perdão, mostramos aos nossos filhos a importância da humildade na vida cristã.

Por último, a disciplina proporciona oportunidades para partilhar histórias das Escrituras que ilustram a obra de Deus na vida das pessoas. Podemos apontar exemplos bíblicos de indivíduos que enfrentaram consequências pelas suas ações, mas experimentaram a restauração de Deus e usaram as suas experiências para crescer na fé.

Vamos ver a disciplina não como um fardo, mas como uma oportunidade sagrada para guiar nossos filhos para uma relação mais profunda com Cristo. Que nossas práticas disciplinares sejam infundidas com a graça, a sabedoria e o desejo sincero de ver nossos filhos crescerem na fé e no amor a Deus. Deste modo, cumprimos o nosso chamado a «criá-los na formação e instrução do Senhor» (Efésios 6:4).

Quais são os limites bíblicos da disciplina física?

O tema da disciplina física é aquele que requer grande cuidado, sabedoria e discernimento orante. Embora as Escrituras falem da «vara de disciplina» (Provérbios 22:15), devemos ser cautelosos na nossa interpretação e aplicação destas passagens, tendo sempre em mente os princípios bíblicos abrangentes do amor, da gentileza e do respeito pela dignidade de cada ser humano criado à imagem de Deus.

Temos de reconhecer que qualquer forma de disciplina, incluindo a disciplina física, deve ser motivada pelo amor e pela preocupação com o bem-estar da criança, nunca pela raiva ou pelo desejo de dominar. Efésios 6:4 instrui os pais a não exasperarem seus filhos, mas a criá-los na instrução e instrução do Senhor. Isto sugere que a disciplina deve ser medida, justa e orientada para a instrução e não para a punição.

O conceito bíblico de "rod" em Provérbios (13:24, 22:15, 23:13-14, 29:15) é frequentemente interpretado como endossando o castigo físico. Mas devemos considerar estes versos em seu contexto cultural e literário. A «vara» também pode ser entendida como um símbolo de autoridade e orientação, à semelhança do pessoal de um pastor utilizado para guiar ovelhas. Esta interpretação se alinha com o Salmo 23:4, onde a vara e o bastão do Bom Pastor consolam e guiam, em vez de prejudicar.

Devemos equilibrar estes Provérbios com outros ensinamentos bíblicos. Jesus, nosso último exemplo, nunca usou a força física contra as crianças. Em vez disso, Ele os acolheu, abençoou-os e os apresentou como exemplos de fé (Marcos 10:13-16). A sua abordagem foi de gentileza e instrução, não de correcção física.

Se a disciplina física é empregada, nunca deve cruzar a linha para o abuso. Qualquer ação que deixe contusões, marcas ou cause danos físicos ou emocionais duradouros está inequivocamente fora dos limites da disciplina bíblica. Tais ações violam a dignidade dada por Deus à criança e podem ter efeitos negativos duradouros no seu bem-estar emocional e espiritual.

A Bíblia também enfatiza a importância do autocontrole e da gentileza como frutos do Espírito (Gálatas 5:22-23). Os pais são chamados a modelar estas qualidades em suas práticas disciplinares. A disciplina física administrada com raiva ou frustração não consegue demonstrar estas virtudes cristãs cruciais.

Temos de ter em conta o contexto jurídico e cultural em que vivemos. Em muitos locais, a disciplina física é desencorajada ou mesmo ilegal. Como cristãos, somos chamados a respeitar as leis da terra (Romanos 13:1-7), a menos que estas contradigam explicitamente os mandamentos de Deus.

Muitas formas eficazes de disciplina não envolvem punição física. Time-outs, perda de privilégios, consequências naturais e reforço positivo podem ser ferramentas poderosas para moldar o comportamento e o carácter. Estes métodos muitas vezes alinham-se mais estreitamente com os princípios bíblicos de instrução e orientação do paciente.

O objetivo de toda a disciplina deve ser orientar as crianças para a autodisciplina e o desejo sincero de seguir os caminhos de Deus. A disciplina física, se utilizada em tudo, deve ser um último recurso, empregado com moderação e com grande cuidado. Nunca deve ser o principal meio de correção ou instrução.

Aproximemo-nos da disciplina de nossos filhos com corações cheios de amor, mentes guiadas pela sabedoria e mãos contidas pela gentileza. Que possamos sempre procurar refletir o equilíbrio perfeito de Deus entre justiça e misericórdia, correção e compaixão. Que nossas práticas disciplinares aproximem nossos filhos do coração de Deus, em vez de afastá-los. Em todas as coisas, que sejamos guiados pelo Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade e nos ajuda a criar nossos filhos na educação e admoestação do Senhor.

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