Que responsabilidades têm os filhos para com os pais, de acordo com as Escrituras?
As Sagradas Escrituras falam-nos claramente das poderosas responsabilidades que os filhos têm para com os pais. No centro deste ensino está o mandamento dado pelo próprio Deus: «Honra teu pai e tua mãe» (Êxodo 20:12). Esta instrução divina, colocada entre os Dez Mandamentos, revela-nos a importância fundamental da piedade filial no plano de Deus para as relações humanas.
Honrar os pais não é apenas uma questão de respeito exterior, mas engloba uma profunda reverência, cuidado e obediência que deve caracterizar a atitude de uma criança ao longo da vida. O livro de Provérbios exorta repetidamente as crianças a seguirem as instruções dos pais: «Ouve, meu filho, a instrução do teu pai e não abandones o ensino da tua mãe» (Provérbios 1:8). Esta sabedoria reconhece que os pais, através de sua experiência de vida e autoridade dada por Deus, têm muito a transmitir a seus filhos.
À medida que as crianças crescem na idade adulta, suas responsabilidades para com os pais evoluem, mas não diminuem. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, salienta a importância de cuidar da família, especialmente dos pais idosos: «Mas, se alguém não cuida dos seus parentes e, sobretudo, dos membros da sua família, nega a fé e é pior do que um incrédulo» (1 Timóteo 5:8). Este ensinamento recorda-nos que a nossa fé deve ser vivida no amor prático e no apoio aos nossos pais.
O próprio Jesus, mesmo nos seus momentos finais na cruz, demonstrou cuidado pela sua mãe, confiando-a ao discípulo amado (Jo 19, 26-27). Neste ato, vemos um modelo de devoção e responsabilidade ao longo da vida que se estende para além da infância.
As Escrituras nos convidam a mostrar gratidão e a retribuir aos nossos pais por seus sacrifícios. Como está escrito: "Aprendam primeiro a mostrar piedade para com a sua própria casa e a fazer voltar alguns para os seus pais, porque isto é agradável aos olhos de Deus" (1 Timóteo 5:4).
Como a Bíblia descreve a relação pai-filho?
No Antigo Testamento, vemos numerosos exemplos de pais que transmitem o seu legado espiritual aos filhos. Abraão, nosso pai na fé, é chamado por Deus a «ordenar aos seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho do Senhor, fazendo justiça e justiça» (Génesis 18:19). Este mandato divino estabelece o papel do pai como líder espiritual e professor no seio da família.
O livro de Provérbios, rico em sabedoria para a vida familiar, dirige-se frequentemente diretamente aos filhos, exortando-os a seguir a instrução do pai: «Ouve, meu filho, a instrução de teu pai, e não abandones o ensino de tua mãe» (Provérbios 1:8). Este tema recorrente sublinha a responsabilidade do pai de transmitir sabedoria e o dever do filho de a receber de coração aberto.
No entanto, a Bíblia não evita retratar as complexidades e às vezes realidades dolorosas das relações pai-filho. Vemos a mágoa de Jacó sobre seu amado filho José, presumivelmente morto (Gênesis 37:34-35), e a trágica separação entre Davi e seu filho Absalão (2 Samuel 15-18). Estes relatos recordam-nos que, mesmo nas famílias de fé, as relações podem ser postas à prova por incompreensões, rivalidades e pecados.
No Novo Testamento, Jesus transforma a nossa compreensão da relação pai-filho, revelando a Deus o amor perfeito do Pai pelo seu Filho. «Este é o meu Filho amado, com quem me apraz» (Mateus 3:17), declara o Pai no batismo de Jesus. Esta relação divina torna-se o modelo para todos os laços pai-filho, caracterizados pelo amor, afirmação e glorificação mútua.
Por meio de Cristo, somos todos convidados a esta filiação divina. Como escreve São Paulo, «Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Romanos 8:14). Esta adoção espiritual eleva e santifica a relação pai-filho terrena, chamando pais e filhos a refletirem o amor de nosso Pai Celestial.
A parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) oferece talvez a ilustração bíblica mais pungente da relação pai-filho. No amor incondicional e no perdão do pai, vemos um reflexo do próprio coração de Deus para com os seus filhos. Esta parábola desafia os pais terrenos a encarnar tal amor misericordioso e encoraja os filhos a confiar no vínculo duradouro com seus pais, mesmo em tempos de rebeldia.
Vamos contemplar estes insights bíblicos sobre a relação pai-filho. Que inspirem os pais a conduzir com amor e sabedoria, e os filhos a responder com respeito e abertura, olhando sempre para o amor perfeito do nosso Pai Celestial como o modelo último deste vínculo sagrado.
Que exemplos de filhos piedosos são encontrados na Bíblia?
Devemos olhar para o nosso Senhor Jesus Cristo, o perfeito Filho de Deus. Embora divino, Jesus exemplificou a perfeita obediência ao seu Pai Celestial, dizendo: «Eu faço sempre as coisas que lhe agradam» (João 8:29). Mesmo em sua natureza humana, Jesus demonstrou obediência filial, estando sujeito a Maria e José (Lucas 2:51) e honrando sua mãe até mesmo da cruz (João 19:26-27). Em Jesus, vemos o modelo último da filiação, tanto divina como humana.
No Antigo Testamento, José destaca-se como um exemplo notável de um filho piedoso. Apesar de ter sido vendido como escravo por seus irmãos, José permaneceu fiel a Deus e honrou seu pai Jacó. Seu perdão para com seus irmãos e seu cuidado por toda a sua família durante a fome demonstram seu caráter piedoso (Gênesis 45-47). A vida de José ensina-nos que um filho piedoso persevera na fé e na lealdade familiar, mesmo no meio de grandes adversidades.
Isaque, o filho de Abraão, fornece outro exemplo poderoso de obediência filial. Quando Abraão, em obediência à prova de Deus, se preparou para oferecer Isaque como sacrifício, o jovem submeteu-se sem resistência (Gênesis 22:1-19). Este ato de confiança tanto no seu pai terreno como no seu Pai Celestial prenuncia a própria obediência sacrificial de Cristo e exemplifica a profundidade de fé que um filho piedoso pode possuir.
O profeta Samuel, dedicado ao serviço de Deus desde a infância, demonstra como um filho piedoso pode honrar tanto os seus pais como o chamado de Deus. Desde tenra idade, Samuel serviu no templo sob a orientação de Eli, crescendo «em estatura e em favor do Senhor e do homem» (1 Samuel 2:26). A sua obediência à voz de Deus e o seu empenho ao longo da vida em servir Israel mostram-nos que a filiação piedosa ultrapassa frequentemente a família para servir a comunidade de fé mais ampla.
No Novo Testamento, Timóteo emerge como um modelo de um jovem que honrou a sua herança familiar e o seu pai espiritual. Paulo louva a fé sincera de Timóteo, que «habitou primeiro na tua avó Lois e na tua mãe Eunice» (2 Timóteo 1:5). A vontade de Timóteo de aprender com Paulo e servir a igreja primitiva demonstra como um filho piedoso pode basear-se na fé da sua família e, ao mesmo tempo, abraçar novos mentores espirituais.
Também devemos lembrar-nos de Jônatas, filho do rei Saul, cuja lealdade a Deus superou até mesmo sua lealdade a seu pai. A amizade de Jonathan com David, a quem reconheceu como o rei escolhido de Deus, mostra-nos que um filho piedoso deve, em última análise, dar prioridade à vontade de Deus em detrimento das expectativas familiares (1 Samuel 18-20).
Estes exemplos bíblicos nos lembram que a filiação piedosa é caracterizada pela fé, obediência, honra, perdão e uma vontade de servir. Que estas figuras nos inspirem a cultivar estas virtudes na nossa própria vida, esforçando-nos sempre por ser filhos e filhas que trazem alegria tanto aos nossos pais terrenos como ao nosso Pai Celestial.
O que a Bíblia diz sobre os direitos de herança dos filhos?
A questão da herança é uma questão que toca questões profundas da família, da justiça e da continuidade das bênçãos de Deus ao longo das gerações. As Escrituras nos fornecem orientação sobre este assunto, revelando tanto as práticas culturais dos tempos antigos como os princípios espirituais que devem guiar a nossa compreensão da herança.
No Antigo Testamento, vemos que a herança foi transmitida principalmente através de filhos, com o filho primogénito normalmente recebendo uma porção dupla. Esta prática é codificada em Deuteronómio 21:15-17, que afirma: "Ele reconhecerá o primogénito... dando-lhe uma porção dupla de tudo o que tem, pois ele é as primícias da sua força. O direito do primogénito é seu.» Esta lei garantiu que o filho mais velho tivesse os recursos necessários para cuidar da família e continuar a linhagem familiar.
Mas é crucial compreender que os caminhos de Deus muitas vezes transcendem os costumes humanos. Ao longo das Escrituras, vemos casos em que Deus escolhe abençoar os filhos mais novos em detrimento de seus irmãos mais velhos. Vejam-se as histórias de Isaque e Ismael, Jacó e Esaú, ou dos filhos de José, Efraim e Manassés. Estes relatos recordam-nos que o favor de Deus não está vinculado às tradições humanas, mas é concedido de acordo com a sua vontade soberana.
A história das filhas de Zelofeade (Números 27:1-11) fornece uma importante expansão dos direitos de herança. Estas mulheres, sem irmãos, apelaram a Moisés pelo direito de herdar os bens do pai. Deus afirmou o seu pedido, estabelecendo um precedente que as filhas podiam herdar na ausência de filhos. Esta narrativa revela a preocupação de Deus com a justiça e a provisão para todos os seus filhos, independentemente do género.
À medida que avançamos para o Novo Testamento, descobrimos que o conceito de herança assume uma poderosa dimensão espiritual. São Paulo escreve em Gálatas 3:26,28-29: «Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus... Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, sois descendentes de Abraão, herdeiros segundo a promessa.» Este ensinamento redefine radicalmente a herança à luz da nossa adoção como filhos de Deus através de Cristo.
Em Romanos 8:16-17, lemos: «O próprio Espírito testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus e, se somos filhos, então herdeiros — herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.» Esta herança não é uma riqueza material, mas a plenitude do reino de Deus e da vida eterna.
Enquanto as leis do Antigo Testamento sobre herança fornecem sabedoria para a sucessão ordenada de responsabilidades e recursos familiares, devemos, em última análise, olhar para a nossa herança espiritual em Cristo. Esta herança está disponível para todos os que acreditam, transcendendo o género, a ordem de nascimento ou o estatuto social. É uma herança que não pode ser dividida ou diminuída, porque é a própria vida de Deus partilhada com os seus filhos.
Concentremo-nos, portanto, não nas heranças terrenas, que são temporárias, mas na herança eterna que é nossa em Cristo. Que possamos viver como herdeiros dignos, crescendo em santidade e amor, para que possamos receber e partilhar plenamente as riquezas da graça de Deus.
Como as Escrituras abordam as relações entre irmãos?
As Sagradas Escrituras oferecem-nos intuições poderosas sobre a complexa dinâmica das relações fraternas, particularmente entre irmãos. Estes relatos bíblicos refletem todo o espetro da experiência humana – desde a rivalidade e o conflito até à reconciliação e aos laços profundos de amor. Através destas histórias, somos convidados a refletir sobre as nossas próprias relações familiares e a procurar a sabedoria de Deus para as nutrir.
A narrativa de Caim e Abel apresenta-nos o primeiro e mais trágico exemplo de conflito fraterno. O ciúme de Caim sobre o favor de Abel a Deus levou ao primeiro homicídio registado nas Escrituras (Génesis 4:1-16). Este relato sombrio serve como um forte aviso sobre o poder destrutivo da inveja e a importância de dominar as nossas emoções negativas nas nossas relações com os nossos irmãos.
No entanto, a Bíblia também nos fornece belos exemplos de amor fraterno e reconciliação. A história de José e seus irmãos, embora começando com o ciúme e a traição, culmina em uma cena poderosa de perdão e reunião. As palavras de José aos seus irmãos, «Tu quiseste dizer mal contra mim, mas Deus quis fazê-lo para o bem» (Génesis 50:20), recordam-nos o poder transformador do perdão e a capacidade de Deus tirar o bem mesmo dos conflitos familiares mais dolorosos.
A relação entre Moisés e Arão oferece outro modelo de cooperação fraterna ao serviço do plano de Deus. Apesar de suas diferenças e conflitos ocasionais, estes irmãos trabalharam juntos para levar os israelitas para fora do Egito. A sua parceria demonstra como os irmãos podem complementar os pontos fortes uns dos outros e apoiar-se mutuamente no cumprimento do chamado de Deus.
No Novo Testamento, encontramos Jesus expandindo nossa compreensão da fraternidade além das relações de sangue. Quando lhe foi dito que a sua mãe e os seus irmãos o procuravam, Jesus respondeu: «Quem são a minha mãe e os meus irmãos?... Quem faz a vontade de Deus, é meu irmão, irmã e mãe» (Marcos 3:33-35). Este ensinamento convida-nos a ver todos os crentes como nossos irmãos e irmãs em Cristo, sem diminuir a importância dos nossos laços familiares biológicos.
O apóstolo Paulo frequentemente usa a linguagem da fraternidade para descrever a relação entre os crentes. Nas suas cartas, exorta os cristãos a «amarem-se uns aos outros com afeto fraternal» (Romanos 12:10) e a «continuarem a amar fraternalmente» (Hebreus 13:1). Estas instruções nos lembram que as qualidades de amor, apoio e lealdade que devem caracterizar as relações de irmãos também são essenciais na comunidade mais ampla de fé.
Mas as Escrituras não evitam abordar os desafios nas relações entre irmãos. A parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) não só ilustra o amor incondicional de um pai, mas também destaca o ressentimento que pode surgir entre irmãos. A reação do filho mais velho ao regresso do irmão serve de precaução para evitar que o ciúme e o sentimento de injustiça envenenem o amor familiar.
Estes ensinamentos bíblicos sobre a fraternidade convidam-nos a cultivar relações marcadas pelo amor, pelo perdão e pelo apoio mútuo. Recordam-nos que, embora possam surgir conflitos, a reconciliação é sempre possível através da graça de Deus. Esforcemo-nos para ser como Cristo em nossas relações com nossos irmãos, biológicos ou espirituais, estendendo o mesmo amor e misericórdia que recebemos de nosso Pai Celestial.
Vamos refletir juntos sobre estas perguntas poderosas sobre a filiação nas Escrituras. À medida que exploramos a Palavra de Deus, possamos abrir os nossos corações para receber a Sua sabedoria e orientação para as nossas vidas e relações.
Que papel os filhos desempenham na manutenção da linhagem familiar na Bíblia?
Na Sagrada Escritura, vemos que os filhos desempenham um papel vital no desenvolvimento da linhagem familiar, refletindo o plano de Deus para a continuidade do seu povo. Este papel está profundamente enraizado no contexto cultural e espiritual dos tempos bíblicos, onde os filhos eram vistos como portadores do nome da família, da herança e das promessas da aliança. Como tal, a educação e a educação dos filhos foram consideradas cruciais para a preservação do legado da família e para o cumprimento das promessas de Deus. Isto ensina-nos a importância Princípios Bíblicos para a Paternidade, demonstrando a importância de incutir a fé, os valores e o sentido de responsabilidade nos nossos filhos, em particular nos nossos filhos, para continuar a herança da fé e dos valores que lhes são transmitidos. Em última análise, isto destaca o significado de educar os nossos filhos de acordo com os princípios bíblicos para a parentalidade, assegurando que eles estão equipados para continuar o legado espiritual e cultural da sua família.
Desde o início, no livro do Génesis, testemunhamos o mandamento de Deus de «ser fecundos e multiplicar-se» (Génesis 1:28). Esta instrução divina prepara o terreno para a importância da descendência, particularmente dos filhos, nas narrativas bíblicas. Os patriarcas – Abraão, Isaque e Jacó – exemplificam esta ênfase nos filhos como portadores das promessas da aliança de Deus. Através de seus filhos, a linhagem da fé e a promessa de uma grande nação são perpetuadas.
Na lei mosaica, encontramos provisões para preservar as linhas familiares através dos filhos. A prática do casamento levirato, por exemplo, assegurava que, se um homem morresse sem um filho, o seu irmão casaria com a viúva para produzir um herdeiro, mantendo assim o nome e a herança do homem falecido (Deuteronómio 25:5-6). Isto demonstra a importância cultural e jurídica atribuída aos filhos para a continuidade familiar.
As genealogias registadas nas Escrituras, como as dos Evangelhos de Mateus e Lucas que traçam a linhagem de Jesus, sublinham ainda mais o papel dos filhos no transporte do património familiar. Estes registos pormenorizados mostram como o plano de salvação de Deus se desenrola ao longo de gerações, desempenhando os filhos um papel crucial nesta narrativa divina.
Mas devemos lembrar que, enquanto os filhos desempenhavam esse papel importante, nosso Deus amoroso muitas vezes trabalhava além das normas culturais. Vemo-Lo abençoar e usar filhas, as estéreis e as negligenciadas para realizar Seus propósitos. A história de Rute, uma mulher estrangeira que se torna bisavó do rei Davi, recorda-nos que o plano de salvação de Deus transcende as expectativas e limitações humanas.
No Novo Testamento, encontramos uma transformação deste conceito. Embora a linhagem física continue a ser importante, particularmente no estabelecimento das credenciais de Jesus como o Messias, vemos uma mudança para a filiação espiritual. Como ensina São Paulo, «Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus» (Gálatas 3:26). Esta nova compreensão da filiação, baseada na fé e não na biologia, abre caminho para que todos os crentes, independentemente do género ou da origem, façam parte da família de Deus e continuem o seu legado espiritual.
Ao refletirmos sobre esta questão, lembremo-nos de que a nossa principal identidade é como filhos de Deus, chamados a prosseguir a linhagem da fé através das nossas palavras e ações, partilhando a Boa Nova do amor de Deus com todas as pessoas.
De que forma a identidade de Jesus como Filho de Deus contribui para a nossa compreensão da filiação?
A filiação de Jesus revela-nos a relação íntima e amorosa dentro da Santíssima Trindade. Como Filho eterno, Jesus mostra-nos que Deus não é um ser solitário, mas uma comunhão de amor entre Pai, Filho e Espírito Santo. Esta filiação divina é única e irrepetível – Jesus é o «filho unigénito» (João 3:16), partilhando a própria natureza e essência do Pai desde toda a eternidade (Igreja, 2000).
No entanto, em seu grande amor e misericórdia, Deus nos convida a participar desta filiação divina através da adoção. Como ensina São Paulo, «Deus enviou o seu Filho... para que pudéssemos ser adotados como filhos» (Gálatas 4:4-5). A filiação de Jesus torna-se o modelo e a fonte da nossa própria relação filial com Deus. Através de Cristo, é-nos concedido o espantoso privilégio de chamar a Deus «Abba, Pai» (Romanos 8:15) (Igreja, 2000).
Esta filiação adotiva não é uma mera ficção jurídica ou estatuto externo, mas uma transformação poderosa do nosso próprio ser. O Catecismo da Igreja Católica expressa belamente esta realidade: «O Verbo fez-se carne para nos tornar «participantes da natureza divina» (CCC 460). Através da nossa união com Cristo, tornamo-nos verdadeiramente filhos de Deus, participando da sua vida e amor divinos (Meconi & Olson, 2016).
A filiação de Jesus revela-nos também a verdadeira natureza da obediência e da liberdade. Como Filho perfeito, Cristo mostra-nos que a filiação autêntica não é uma submissão servil, mas uma confiança amorosa e um alinhamento com a vontade do Pai. «Faço sempre o que lhe agrada», diz Jesus (João 8:29). Esta obediência filial, longe de diminuir a liberdade, é a fonte da verdadeira libertação e realização (Igreja, 2000).
A filiação de Cristo ilumina o significado da dignidade humana e da igualdade. Num mundo muitas vezes marcado pela discriminação e pela hierarquia, Jesus proclama uma mensagem radical de inclusão: «Quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mateus 12:50). Através Dele, somos todos convidados para a família de Deus, independentemente da nossa origem ou estatuto social (Meconi & Olson, 2016).
A filiação de Jesus também informa a nossa compreensão da missão e do propósito. Tal como o Pai enviou o Filho ao mundo, também nós somos enviados como filhos de Deus para sermos testemunhas do seu amor e agentes do seu reino. A nossa identidade de filhos e filhas de Deus é inseparável do nosso apelo à participação na missão de reconciliação e renovação de Cristo (Meconi & Olson, 2016).
Por último, a filiação de Jesus aponta-nos para o nosso destino final. Como nos recorda São João: «Amados, somos agora filhos de Deus e o que seremos ainda não apareceu; Mas sabemos que, quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é" (1 João 3:2). O nosso caminho de filiação, iniciado no baptismo e alimentado pelos sacramentos, encontra a sua realização na perfeita comunhão com o Pai de que goza Cristo (Meconi & Olson, 2016).
Maravilhemo-nos, portanto, com o grande amor que o Pai nos deu ao fazer-nos Seus filhos por meio de Cristo. Que possamos viver nossa filiação divina com gratidão, alegria e obediência fiel, esforçando-nos sempre para crescer à semelhança de nosso irmão mais velho, Jesus Cristo.
Como as Escrituras retratam os filhos adotados?
No Antigo Testamento, encontramos vários casos em que a adoção desempenha um papel importante. Talvez o exemplo mais famoso seja o de Moisés, que foi adotado pela filha de Faraó (Êxodo 2:10). Esta adoção preparou o terreno para o plano de libertação de Deus para o seu povo. Também vemos a adoção na história de Ester, criada por seu primo Mordecai (Ester 2:7). Estas contas mostram-nos que as crianças adotadas foram plenamente integradas nas suas novas famílias, desempenhando frequentemente papéis cruciais no plano salvífico de Deus (Meilaender, 2016).
Mas é no Novo Testamento que o conceito de adoção assume um poderoso significado espiritual. O apóstolo Paulo, em particular, usa a linguagem da adoção para descrever nossa relação com Deus através de Cristo. Na sua carta aos Romanos, escreve: «Porque não recebestes o espírito de escravatura para voltardes a ter medo, mas recebestes o espírito de adoção como filhos, pelo qual clamamos: 'Abba! Father!» (Romanos 8:15) (Meilaender, 2016).
Esta adopção espiritual não é uma mera transacção legal ou uma mudança de estatuto. Pelo contrário, é uma transformação poderosa do nosso próprio ser. Através de Cristo, tornamo-nos verdadeiramente filhos de Deus, participando da sua natureza divina. Como nos recorda São Pedro, tornamo-nos «participantes da natureza divina» (2 Pedro 1:4) (Meilaender, 2016).
A linguagem de adoção que Paulo usa teria ressoado profundamente com sua audiência romana. No direito romano, um filho adotivo recebia todos os direitos e privilégios de um filho natural, incluindo o direito de herança. As dívidas antigas do filho adotivo foram canceladas e foi-lhe atribuída uma nova identidade na sua nova família. Quão belamente isto espelha a nossa adoção por Deus! A nossa antiga vida de pecado é perdoada, é-nos dada uma nova identidade em Cristo e tornamo-nos herdeiros do Reino de Deus (Meilaender, 2016).
A utilização do termo «Abba» por Paulo – uma palavra aramaica íntima para «pai» – sublinha a relação estreita e amorosa que temos agora com Deus. Não somos servos distantes, mas filhos amados que podem aproximar-se de nosso Pai celestial com confiança e confiança (Meilaender, 2016).
Nas Escrituras, os filhos adotivos não são retratados como crianças de segunda classe. Pelo contrário, são totalmente aceitos e amados. Vemos isso lindamente ilustrado na parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32). Quando o filho rebelde retorna, esperando ser tratado como um empregado, o pai, em vez disso, restaura-o à filiação plena. Esta parábola dá-nos um vislumbre do coração de Deus para com os seus filhos adotivos – somos acolhidos com alegria, revestidos de honra e colocados à mesa do Pai (Meilaender, 2016).
O tema da adoção também nos recorda a natureza universal da família de Deus. Em Cristo, as barreiras de raça, género e estatuto social são quebradas. Como Paulo declara: «Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3:28). A nossa adoção na família de Deus cria uma nova comunidade de irmãos e irmãs, unidos em Cristo (Meilaender, 2016).
Por fim, lembremo-nos de que a nossa adoção como filhos de Deus não é apenas uma realidade presente, mas também uma esperança futura. Paulo fala da nossa "espera pela adoção como filhos, a redenção dos nossos corpos" (Romanos 8:23). Estamos ansiosos para o dia em que a nossa adoção será plenamente realizada, quando veremos o nosso Pai celestial face a face e partilharemos plenamente a sua glória (Meilaender, 2016).
Como a Bíblia aborda as relações dos filhos adultos com os pais idosos?
As Sagradas Escrituras oferecem-nos uma sabedoria poderosa sobre a relação entre os filhos adultos e os pais idosos. Esta orientação, enraizada no amor e no respeito, chama-nos a honrar os nossos pais ao longo das suas vidas e a cuidar deles na sua velhice.
O fundamento deste ensinamento encontra-se nos Dez Mandamentos, onde Deus nos instrui a "Honrar a teu pai e a tua mãe" (Êxodo 20:12). Este mandamento não se limita à infância, mas estende-se por toda a nossa vida. É um apelo vitalício ao respeito, ao amor e ao cuidado por aqueles que nos deram a vida (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
O livro de Levítico enfatiza ainda mais este ponto, dizendo: "Levantar-te-ás diante dos de cabeça cinzenta e honrarás os idosos" (Levítico 19:32). Esta passagem lembra-nos que honrar os nossos pais, especialmente à medida que envelhecem, faz parte de uma ética bíblica mais ampla de respeitar e cuidar dos idosos em nossas comunidades (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Na literatura da sabedoria, encontramos belas reflexões sobre o valor dos pais idosos. Provérbios nos diz: "Uma cabeça cinzenta é uma coroa de glória; encontra-se no caminho da justiça" (Provérbios 16:31). Isto ensina-nos a ver a sabedoria e a dignidade dos nossos pais idosos, valorizando a sua experiência de vida e a justiça que cultivaram ao longo dos anos (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
O Novo Testamento reafirma e aprofunda estes ensinamentos. Nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo nos seus momentos finais na cruz, demonstrou cuidado por sua mãe, confiando-a ao discípulo amado (João 19:26-27). Este poderoso exemplo mostra-nos que cuidar dos nossos pais é um dever sagrado que persiste mesmo nas circunstâncias mais difíceis (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
O apóstolo Paulo, em sua primeira carta a Timóteo, oferece palavras fortes sobre este assunto: «Mas, se alguém não cuida dos seus e, sobretudo, dos da sua casa, nega a fé e é pior do que um incrédulo» (1 Timóteo 5:8). Esta passagem sublinha a seriedade com que devemos assumir a nossa responsabilidade de cuidar dos membros da nossa família, incluindo os nossos pais idosos (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Paulo continua a dizer: «Se uma mulher crente tem parentes que são viúvas, que ela cuide deles. Que a igreja não seja sobrecarregada, para que cuide dos que são verdadeiramente viúvas" (1 Timóteo 5:16). Isto ensina-nos que cuidar dos nossos pais idosos não é apenas um dever pessoal, mas também uma forma de servir a comunidade mais ampla de fé (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Mas temos de reconhecer que o cumprimento deste dever no mundo de hoje pode ser um desafio. Muitos de nós vivemos longe dos nossos pais, confrontando-nos com carreiras exigentes e com as nossas próprias responsabilidades familiares. A tentação pode ser a de priorizar os nossos próprios desejos de liberdade e conforto sobre as necessidades dos nossos pais idosos (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
No entanto, é precisamente nestes desafios que temos a oportunidade de crescer na fé e no amor. Cuidar dos pais idosos pode ser uma expressão poderosa do amor doador que Cristo modelou para nós. Pode ensinar-nos a paciência, a compaixão e o valor do sacrifício (Dedon & Trostyanskiy, 2016; (III) & Witherington, 1990).
Cuidar dos nossos pais na velhice não é apenas satisfazer as suas necessidades físicas. Trata-se de preservar a sua dignidade, de lhes mostrar respeito e de os incluir nas nossas vidas. O rabino Dayle A. Friedman observa sabiamente que somos chamados a «prestar respeitosamente assistência aos nossos pais» e a «preservar a dignidade dos nossos pais» como forma de demonstrar reverência (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Lembremo-nos também de que este cuidado pelos nossos pais está intimamente ligado à nossa relação com Deus. Como salienta o rabino Friedman, «as obrigações para com os pais estão diretamente ligadas à nossa relação com Deus». Quando honramos os nossos pais, estamos também a honrar o Deus que os deu a nós e que nos chama a amar como Ele ama (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Abracemos este ensino bíblico com o coração aberto. Esforcemo-nos para honrar nossos pais idosos com amor, respeito e cuidado prático. Ao fazê-lo, não só cumprimos um dever sagrado, mas também damos testemunho do amor de Cristo nas nossas famílias e comunidades. Que Deus nos conceda a graça e a força para viver fielmente este chamado.
O que diz a Escritura sobre a responsabilidade de um filho honrar o nome do pai?
As Sagradas Escrituras falam profundamente da responsabilidade de um filho honrar o nome do pai. Este ensinamento está profundamente enraizado na compreensão bíblica da família, da identidade e da nossa relação com Deus, nosso Pai.
O mandamento «Honra a teu pai e a tua mãe» (Êxodo 20:12) constitui o fundamento deste ensinamento. Esta instrução divina ultrapassa em muito a mera obediência ou respeito. Chama-nos a defender a dignidade, a reputação e o legado dos nossos pais. Para um filho, trata-se, em particular, de honrar o nome do pai (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
Nos tempos bíblicos, o nome de uma pessoa tinha grande significado. Representava não só a sua identidade, mas também o seu carácter, reputação e legado. Quando a Escritura fala de honrar o nome de um pai, refere-se à defesa dos valores, ensinamentos e reputação que o pai estabeleceu. Como nos diz o livro de Provérbios, «deve-se escolher um bom nome em vez de grandes riquezas, e o favor é melhor do que a prata ou o ouro» (Provérbios 22:1) (Dedon & Trostyanskiy, 2016).
A responsabilidade de um filho honrar o nome do seu pai é belamente ilustrada na vida de Jesus Cristo, o Filho perfeito. Jesus honrou constantemente o nome do Pai, dizendo: «Vim em nome do meu Pai» (João 5:43) e «Manifestei o teu nome às pessoas que me deste do mundo» (João 17:6). Em todas as suas palavras e ações, Jesus deu glória ao nome do Pai. Isto fornece-nos o modelo final de como um filho deve honrar o nome do seu pai (Igreja, 2000).
O conceito de filiação nas Escrituras está intimamente ligado à herança e à continuação da linhagem familiar. No antigo Israel, os filhos eram vistos como os portadores do nome da família e os herdeiros do legado espiritual e material da família. É por isso que vemos tal ênfase no Antigo Testamento na preservação das linhas familiares e na transmissão de heranças através de filhos (III) & Witherington, 1990).
Mas temos de compreender que honrar o nome do pai vai além da mera preservação de uma linhagem familiar ou herança. Trata-se de viver de uma forma que traz honra e não vergonha ao nome da família. O livro de Provérbios aborda frequentemente esta questão, dizendo, por exemplo, «Um filho sábio faz um pai feliz, mas um filho tolo é uma tristeza para a sua mãe» (Provérbios 10:1). Isto ensina-nos que um filho honra o nome do pai não apenas carregando-o, mas vivendo com sabedoria e retidão (III) & Witherington, 1990).
