Porque é que Deus não nos ajuda a acabar com as dependências mais rapidamente?




  • A Bíblia sublinha o desejo de Deus de nos libertar de todas as formas de escravidão, incluindo a dependência, e assegura-nos a sua força e o seu caminho a seguir (Lucas 4:18, 1 Coríntios 10:13).
  • O livre arbítrio desempenha um papel crucial na superação da dependência; Deus concede a graça, mas respeita a nossa liberdade de escolher e cooperar com Ele no processo de cura (Josué 24:15, CIC 1730).
  • Lutar contra a dependência pode ensinar lições espirituais, como a humildade, a dependência de Deus, a verdadeira liberdade, a compaixão, a paciência e o poder transformador do amor de Deus (Salmo 51:17, Romanos 5:3-4).
  • Confiar na força de Deus implica reconhecer as nossas limitações, entregar a nossa vontade à Sua, confiar nas Suas promessas e participar ativamente na recuperação, procurando o apoio da comunidade de fé (João 15:5, Filipenses 2:12-13).

O que diz a Bíblia sobre o papel de Deus na superação da dependência?

Embora a Bíblia não fale diretamente da dependência como a entendemos hoje, oferece-nos uma sabedoria poderosa sobre o desejo de Deus de nos libertar de tudo o que nos escraviza. Nosso Senhor Jesus proclamou: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres. Enviou-me para proclamar a liberdade aos cativos e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos" (Lucas 4:18). Esta proclamação da liberdade estende-se a todas as formas de escravidão, incluindo a dependência.

As Escrituras nos asseguram que Deus está profundamente preocupado com as nossas lutas e deseja a nossa totalidade. Como nos recorda São Paulo, «Não vos sobreveio nenhuma tentação que não seja comum ao homem. Deus é fiel, e não vos deixará ser tentados além da vossa capacidade, mas com a tentação providenciará também o caminho da fuga, para que o possais suportar" (1 Coríntios 10:13). Esta promessa oferece esperança àqueles que lidam com a dependência, assegurando-lhes que Deus fornece força e um caminho para a frente.

A Bíblia sublinha o poder de Deus para nos transformar. «Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O velho já passou. eis que o novo chegou" (2 Coríntios 5:17). Esta transformação nem sempre é instantânea, mas é garantida para aqueles que depositam a sua confiança em Cristo.

Mas devemos lembrar-nos de que os caminhos de Deus nem sempre são os nossos caminhos. A sua linha do tempo pode diferir do que esperamos ou desejamos. O processo de superar a dependência muitas vezes envolve um caminho de fé, perseverança e crescimento. Como o salmista escreve: "Espera pelo Senhor; Sede fortes, e tenha coragem o vosso coração; espera pelo Senhor!" (Salmo 27:14).

Em tudo isto, somos chamados a participar activamente na nossa cura. Tiago exorta-nos: «Sujeitai-vos, pois, a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus, e ele se chegará a vós" (Tiago 4:7-8). Isto recorda-nos que a superação da dependência envolve tanto a graça divina como o esforço humano, trabalhando em harmonia.

Como é que o livre arbítrio tem em conta a abordagem de Deus para ajudar com a dependência?

A questão do livre arbítrio em relação à ajuda de Deus com a dependência toca um dos grandes mistérios da nossa fé. Convida-nos a contemplar o delicado equilíbrio entre a graça divina e a liberdade humana, uma dança que cativou teólogos e crentes durante séculos.

Deus, em sua infinita sabedoria e amor, concedeu-nos o precioso dom do livre-arbítrio. Este dom permite-nos escolher livremente amá-Lo e ao próximo, mas também significa que podemos escolher caminhos que nos afastem do Seu amor. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, «Deus criou o homem como um ser racional, conferindo-lhe a dignidade de uma pessoa que pode iniciar e controlar as suas próprias ações» (Catecismo da Igreja Católica, 1730).

No contexto da dependência, este livre arbítrio desempenha um papel crucial. Embora Deus ofereça a sua graça e força para ultrapassar a dependência, Ele não se sobrepõe à nossa liberdade de escolha. As palavras do profeta Josué soam verdadeiras ainda hoje: «Escolhe hoje a quem servirás» (Josué 24:15). Deus respeita tanto a nossa liberdade que nos permite fazer escolhas, mesmo quando estas podem levar ao sofrimento.

Mas isso não significa que Deus nos abandona aos nossos próprios dispositivos. Pelo contrário, Ele oferece continuamente a Sua graça, convidando-nos a cooperar com Ele no processo de cura e transformação. Como Santo Agostinho belamente expressou, «Deus criou-nos sem nós: mas não quis salvar-nos sem nós.» Esta cooperação entre a graça divina e a vontade humana está no cerne do nosso caminho rumo à libertação da dependência.

Vemos esta interação de graça e livre arbítrio na parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32). O pai (que representa Deus) não força seu filho a voltar para casa, mas espera de braços abertos, pronto para abraçá-lo quando ele livremente escolhe voltar. Do mesmo modo, Deus espera pacientemente que nos voltemos para Ele na nossa luta contra a dependência, sempre prontos a oferecer-Lhe o seu amor curativo.

É importante compreender que a dependência muitas vezes prejudica a nossa capacidade de exercer plenamente o livre arbítrio. O Catecismo reconhece que «a imputabilidade e a responsabilidade por uma ação podem ser diminuídas ou mesmo anuladas pela ignorância, pela inadvertência, pela coação, pelo medo, pelo hábito, por ligações excessivas e por outros fatores psicológicos ou sociais» (CCC 1735). Esta compreensão exige compaixão para com aqueles que lutam contra a dependência, reconhecendo os factores complexos que influenciam as suas escolhas.

No entanto, mesmo nas garras da dependência, os momentos de clareza e escolha permanecem. Estas são oportunidades para a graça trabalhar, para o indivíduo dar pequenos passos em direção à liberdade. Como nos recorda São Paulo, «Cristo libertou-nos pela liberdade; Portanto, mantenham-se firmes e não se submetam de novo a um jugo de escravidão" (Gálatas 5:1).

No nosso caminho para superar a dependência, somos chamados a exercer o nosso livre arbítrio em consonância com a vontade de Deus. Isso envolve escolhas diárias para procurar a Sua ajuda, envolver-se em práticas que apoiem a recuperação e resistir à tentação. É um processo de fortalecer gradualmente a nossa vontade através da cooperação com a graça divina.

Que lições espirituais Deus pode estar a ensinar através da luta contra o vício?

A luta contra a dependência, embora dolorosa e desafiadora, pode ser um cadinho para o poderoso crescimento espiritual e aprendizagem. Através deste caminho difícil, o nosso Pai amoroso pode oferecer-nos lições que aprofundem a nossa fé e nos aproximem do seu coração.

A luta contra o vício ensina-nos a humildade. Despoja as nossas ilusões de autossuficiência e controlo, colocando-nos face a face com as nossas próprias limitações e vulnerabilidades. Como o salmista escreve: «Os sacrifícios de Deus são um espírito quebrantado; coração partido e contrito, ó Deus, não desprezarás" (Salmo 51:17). Ao reconhecermos a nossa impotência em relação à dependência, abrimo-nos ao poder e à graça de Deus de uma nova forma.

Esta humildade leva-nos a uma compreensão mais profunda da nossa dependência de Deus. Assim como os israelitas aprenderam a confiar na provisão de maná de Deus no deserto (Êxodo 16), aqueles que lutam contra a dependência aprendem a confiar na provisão diária de força e graça de Deus. Isto ensina-nos a orar como Jesus nos ensinou: «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia» (Mateus 6:11), reconhecendo a nossa necessidade constante do sustento de Deus.

A jornada da recuperação envolve muitas vezes enfrentar os nossos erros do passado e os danos que podemos ter causado aos outros. Este processo pode ensinar-nos lições poderosas sobre o arrependimento, o perdão e a misericórdia de Deus. À medida que experimentamos o perdão de Deus, aprendemos a estender esse mesmo perdão aos outros e a nós mesmos. Começamos a compreender mais profundamente as palavras de São Paulo: "Mas onde o pecado aumentou, a graça abundou ainda mais" (Romanos 5:20).

A dependência e a recuperação também nos ensinam sobre a natureza da verdadeira liberdade. Aprendemos que a liberdade não é a capacidade de fazer o que quisermos, mas sim a capacidade de escolher o que é verdadeiramente bom. Como Jesus disse: «Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará» (João 8:31-32). Esta compreensão da liberdade enraizada na verdade e no bem pode transformar toda a nossa abordagem à vida.

A luta contra o vício muitas vezes leva-nos à comunidade com outros que também estão lutando. Isto pode ensinar-nos lições valiosas sobre compaixão, solidariedade e a importância do apoio mútuo no corpo de Cristo. Aprendemos a "suportar os fardos uns dos outros e assim cumprir a lei de Cristo" (Gálatas 6:2).

Através da dependência, também podemos aprender a paciência e a perseverança. A recuperação raramente é um processo rápido ou fácil, e podemos enfrentar contratempos ao longo do caminho. Este caminho pode ensinar-nos a «alegrar-nos nos nossos sofrimentos, sabendo que o sofrimento produz resistência, e a resistência produz caráter, e o caráter produz esperança» (Romanos 5:3-4).

Talvez o mais importante seja que a luta contra a dependência pode aprofundar a nossa compreensão do amor incondicional de Deus. Aprendemos que o amor de Deus por nós não se baseia no nosso desempenho ou na nossa perfeição, mas na sua natureza imutável. Como São Paulo nos assegura, nada pode separar-nos do amor de Deus em Cristo Jesus (Romanos 8:38-39).

Finalmente, a dependência e a recuperação podem nos ensinar sobre a transformação e a possibilidade de uma nova vida. Aprendemos que, com Deus, a mudança é sempre possível, não importa o quão terríveis nossas circunstâncias possam parecer. Isto ecoa a promessa das Escrituras: «Eis que estou a fazer uma coisa nova; Agora que ela brota, não a percebeis?» (Isaías 43:19).

Embora nunca escolhêssemos a dor da dependência, confiemos que, mesmo nessa luta, Deus está trabalhando, ensinando-nos, moldando-nos e atraindo-nos para mais perto de Seu coração. Que tenhamos a coragem de abraçar estas lições, por mais difíceis que sejam, sabendo que fazem parte do plano amoroso de Deus para o nosso crescimento e redenção.

Como conciliar o amor e o poder de Deus com o sofrimento contínuo da dependência?

Esta pergunta toca o próprio coração da nossa fé e o mistério do sofrimento num mundo criado por um Deus amoroso. O sofrimento contínuo causado pela dependência pode pôr em causa a nossa compreensão do amor e do poder de Deus. No entanto, ao contemplarmos este mistério, aproximemo-nos dele com humildade, fé e luz da Escritura.

Devemos recordar que o amor de Deus por nós é constante e inabalável, mesmo no meio das nossas lutas. Como bem expressa o profeta Isaías: «Pode uma mulher esquecer-se do seu filho que amamenta, para não ter compaixão do filho do seu ventre? Mesmo estes podem esquecer-se, mas eu não me esquecerei de ti" (Isaías 49:15). O amor de Deus por nós ultrapassa até o amor humano mais forte que podemos imaginar.

Ao mesmo tempo, sabemos que o poder de Deus é absoluto. Como Jesus afirma, «Para Deus todas as coisas são possíveis» (Mateus 19:26). No entanto, vemos que Deus muitas vezes escolhe não exercer seu poder de maneiras que podemos esperar ou desejar. Isto faz parte do mistério da sabedoria de Deus, que muitas vezes ultrapassa a nossa compreensão.

Para conciliar o amor e o poder de Deus com o sofrimento contínuo da dependência, temos primeiro de reconhecer que vivemos num mundo caído, marcado pelos efeitos do pecado. O vício, tal como outras formas de sofrimento, não faz parte do plano original de Deus para a criação, mas é antes uma consequência da rutura do nosso mundo. Como escreve São Paulo, "Porque a criação foi submetida à futilidade, não de bom grado, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação seja libertada da sua servidão à corrupção e obtenha a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Romanos 8:20-21).

No entanto, mesmo neste mundo caído, o amor e o poder de Deus funcionam de formas que nem sempre reconhecemos. Por vezes, o poder de Deus manifesta-se não na remoção imediata do sofrimento, mas em dar-nos a força para suportar e crescer através das nossas lutas. Como São Paulo aprendeu através do seu próprio sofrimento, a graça de Deus é suficiente, e o seu poder é aperfeiçoado na fraqueza (2 Coríntios 12:9).

Devemos recordar que a perspetiva de Deus é eterna, enquanto a nossa é muitas vezes limitada ao momento presente. O que nos parece um sofrimento contínuo pode ser, na sabedoria de Deus, um processo de crescimento e transformação que conduz a um bem maior. Como São Paulo nos recorda, "porque esta leve aflição momentânea nos prepara um eterno peso de glória, que está além de qualquer comparação" (2 Coríntios 4:17).

Perante a dependência, o amor de Deus é muitas vezes expresso através do apoio dos outros, da força para perseverar um dia de cada vez e de momentos de graça que nos sustentam nas nossas horas mais sombrias. O seu poder revela-se na transformação gradual das vidas, na cura das relações e na restauração da esperança.

Devemos também considerar que Deus, no seu amor, respeita o nosso livre-arbítrio. Ele não força a cura sobre nós, mas convida-nos a participar da nossa própria recuperação. Este processo de cooperação com a graça de Deus pode ser lento e difícil, mas permite uma transformação profunda e duradoura.

O sofrimento causado pela dependência pode tornar-se, através do poder redentor de Deus, um meio de aproximação a Ele e aos outros. Muitos dos que lutaram contra a dependência testemunham como o seu caminho aprofundou a sua fé, aumentou a sua compaixão pelos outros e deu-lhes um forte apreço pela misericórdia de Deus.

Encontramos na pessoa de Jesus Cristo a mais completa reconciliação entre o amor e o poder de Deus e o sofrimento humano. Em Cristo, vemos Deus entrar em nosso sofrimento, assumindo-o sobre Si mesmo na cruz. Como escreveu o Papa Bento XVI, «não é por nos desviarmos ou fugirmos do sofrimento que somos curados, mas sim pela nossa capacidade de aceitá-lo, amadurecer através dele e encontrar sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito» (Spe Salvi, 37).

Embora não possamos compreender plenamente por que Deus permite que o sofrimento do vício persista, podemos confiar em seu amor infalível e em seu poder de tirar o bem mesmo das circunstâncias mais difíceis. Vamos continuar a orar por aqueles que lutam contra a dependência, apoiá-los com compaixão e confiar no plano final de Deus para a cura e a redenção.

Que papel desempenha a responsabilidade pessoal na superação da dependência com a ajuda de Deus?

O caminho para superar a dependência é uma colaboração entre a graça divina e o esforço humano. Embora confiemos inteiramente no amor e no poder de Deus para a nossa salvação e cura, somos também chamados a assumir a responsabilidade pessoal neste processo. Este delicado equilíbrio reflete o poderoso mistério da nossa relação com Deus, onde a sua soberania e o nosso livre arbítrio se entrelaçam.

Devemos reconhecer que o passo inicial para a recuperação muitas vezes envolve o reconhecimento de nossa necessidade de ajuda. Este acto de humildade e honestidade é um exercício crucial de responsabilidade pessoal. Como o salmista grita: «Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto» (Salmo 51:10), também nós devemos voltar-nos para Deus em reconhecimento da nossa impotência perante a dependência e da nossa necessidade da Sua graça transformadora.

Uma vez dado este passo, a responsabilidade pessoal implica uma cooperação ativa com a graça de Deus. São Paulo exorta-nos a «realizar a vossa salvação com temor e tremor, pois é Deus que opera em vós tanto o querer como o trabalhar para o seu beneplácito» (Filipenses 2:12-13). Isso significa que, enquanto Deus fornece a graça e a força para a recuperação, somos chamados a participar ativamente do processo.

Esta participação pode assumir muitas formas. Muitas vezes envolve fazer escolhas difíceis para evitar situações ou relações que desencadeiam comportamentos viciantes. Como Jesus ensinou: «Se o teu olho direito te faz pecar, arranca-o e joga-o fora. Porque é melhor que percas um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno" (Mateus 5:29). Embora esta seja uma metáfora, ressalta a importância de tomar medidas decisivas para remover os obstáculos à nossa saúde espiritual.

A responsabilidade pessoal também envolve o desenvolvimento de novos hábitos e práticas que apoiem a recuperação. Isso pode incluir oração e meditação regulares, estudar as Escrituras, participar de reuniões de grupos de apoio ou procurar ajuda profissional. Como nos recorda São Tiago, «a fé por si só, se não tiver obras, está morta» (Tiago 2:17). A nossa fé no poder curativo de Deus deve ser acompanhada de ações concretas que demonstrem o nosso empenho na mudança.

Assumir a responsabilidade muitas vezes significa reparar erros passados e reconstruir relacionamentos danificados. Este processo, embora desafiador, é uma parte essencial da cura e do crescimento. Reflete a verdade de que as nossas ações afetam não só a nós mesmos, mas também aos que nos rodeiam. Como ensina São Paulo, «Levai as cargas uns dos outros, e assim cumpri a lei de Cristo» (Gálatas 6:2).

Assumir a responsabilidade pessoal não significa confiar apenas em nossas próprias forças. Pelo contrário, significa aprender a depender de Deus a cada momento, reconhecendo que a nossa força provém Dele. Como disse Jesus: "Eu sou a videira, vós sois os ramos. Quem está em mim e eu nele, é quem dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:5).

A responsabilidade pessoal também envolve a paciência e a perseverança. A recuperação é muitas vezes uma longa viagem com contratempos ao longo do caminho. Temos de estar preparados para nos levantarmos de novo quando cairmos, voltando sempre à misericórdia de Deus. Como nos recorda Provérbios, «os justos caem sete vezes e ressuscitam» (Provérbios 24:16).

Finalmente, um aspecto essencial da responsabilidade pessoal na recuperação é estender a ajuda que recebemos a outros que estão lutando. Isto não só reforça a nossa própria recuperação, como também nos permite participar na obra de cura de Deus.

Como o conceito de santificação se relaciona com o processo de recuperação da dependência?

O caminho da recuperação da dependência está intimamente ligado ao processo de santificação – aquela transformação gradual através da qual crescemos em santidade e nos tornamos mais semelhantes a Cristo. Tal como a santificação não é um acontecimento instantâneo, mas uma viagem ao longo da vida, também a recuperação é um caminho que se desenrola ao longo do tempo, moldado pela graça de Deus e pela nossa cooperação com essa graça.

No processo de santificação, somos chamados a "despojar-nos do nosso velho eu" e "revestir-nos do novo eu, criado à semelhança de Deus em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4:22,24). Esta renovação também está no centro da recuperação da dependência. A pessoa que luta contra a dependência deve gradualmente abandonar velhos padrões, comportamentos e processos de pensamento que os mantiveram presos e abraçar um novo modo de viver enraizado em Cristo.

Tanto a santificação como a recuperação exigem paciência, perseverança e uma confiança profunda no poder de Deus. Como nos recorda São Paulo, «é Deus que opera em vós tanto o querer como o trabalhar para o seu beneplácito» (Filipenses 2:13). Não podemos santificar-nos, nem podemos superar o vício através da pura força de vontade. É a graça transformadora de Deus que torna ambas as coisas possíveis.

A santificação e a recuperação não são processos lineares. Podem haver contratempos, momentos de fraqueza e tempos de luta. Mas estes desafios não negam a trajetória global de crescimento e cura. Cada tropeço torna-se uma oportunidade para experimentar de novo a misericórdia de Deus e voltar a empenhar-se no caminho da transformação.

Tanto na santificação como na recuperação, a comunidade desempenha um papel vital. Não estamos destinados a percorrer este caminho sozinhos. O apoio de outros crentes, a orientação de mentores espirituais e a comunhão de outros em recuperação contribuem para o nosso crescimento e cura. Como lemos em Eclesiastes, "Dois são melhores do que um... Porque, se caírem, um levantará o seu semelhante" (Eclesiastes 4:9-10).

Por último, tanto a santificação como a recuperação apontam-nos para um propósito maior – glorificar a Deus e servir os outros. À medida que experimentamos a cura e a transformação, tornamo-nos testemunhos vivos do poder e do amor de Deus. As nossas lutas e vitórias podem tornar-se uma fonte de esperança e encorajamento para os outros que ainda estão presos ao vício ou ao pecado.

Que exemplos bíblicos há de pessoas que lutam com o pecado ou a dependência ao longo do tempo?

As páginas da Sagrada Escritura estão cheias de relatos de homens e mulheres que, como nós, enfrentaram o pecado e a fraqueza durante longos períodos. Estas histórias não servem para nos desencorajar, mas para nos recordar o amor e a paciência infalíveis de Deus e para nos dar esperança nas nossas próprias lutas.

Consideremos primeiro o apóstolo Paulo, este grande pilar da Igreja primitiva. Apesar do seu poderoso encontro com Cristo ressuscitado e do seu trabalho incansável na difusão do Evangelho, Paulo fala de uma batalha contínua contra o pecado. Na sua carta aos Romanos, lamenta: «Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero é o que continuo a fazer» (Romanos 7:19). Esta luta não foi um momento fugaz, mas um desafio persistente que acompanhou Paulo durante todo o seu ministério.

Vemos um padrão semelhante na vida do Rei Davi, um homem segundo o coração de Deus. A batalha de Davi contra a tentação e o pecado não se limitou a um único incidente, mas repetiu-se ao longo de toda a sua vida. Desde o seu adultério com Bate-Seba até o seu orgulhoso censo de Israel, Davi repetidamente caiu em pecado. No entanto, a cada vez, voltava-se para Deus em arrependimento, experimentando as consequências de suas ações e a graça restauradora do Senhor.

O profeta Jonas também nos mostra uma luta prolongada com obediência e confiança em Deus. A sua fuga inicial do chamado de Deus, a sua pregação relutante a Nínive e a sua ira contra a misericórdia de Deus apontam para um homem que luta com a sua própria vontade contra a vontade de Deus durante um período prolongado.

No Novo Testamento, encontramos Pedro, a rocha sobre a qual Cristo construiu a sua igreja, repetidamente a lutar com medo e dúvida. Desde a sua negação de Jesus até à sua retirada dos crentes gentios na Galácia, o caminho de fé de Pedro foi marcado por tropeços e recuperações, cada um deles aproximando-o do coração de Cristo.

Mesmo no Antigo Testamento, vemos toda a nação de Israel presa em ciclos de desobediência, castigo, arrependimento e restauração. Este padrão, repetido ao longo dos livros de Juízes e Reis, ilustra uma luta coletiva com "adição" à idolatria e infidelidade a Deus.

Estes exemplos, não se destinam a desculpar nossos pecados ou vícios. Pelo contrário, servem para ilustrar que o caminho para a santidade é muitas vezes longo e sinuoso. Recordam-nos que o amor e a misericórdia de Deus não se esgotam com as nossas repetidas falhas. Como proclamou o profeta Jeremias: «O amor inabalável do Senhor nunca cessa; As suas misericórdias nunca chegam ao fim. são novas todas as manhãs; grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:22-23).

Estes relatos bíblicos nos ensinam lições valiosas sobre a recuperação. Mostram-nos a importância da honestidade perante Deus, o poder do arrependimento, a necessidade de confiar na força de Deus e não na nossa, e a realidade de que o crescimento muitas vezes advém da luta.

Aproveitemos, pois, estes exemplos. Asseguram-nos que não estamos sozinhos nas nossas batalhas, que a graça de Deus nos basta na nossa fraqueza e que a perseverança na fé pode conduzir a uma transformação poderosa. À medida que enfrentamos nossas próprias lutas com o pecado e a dependência, podemos, como estas figuras bíblicas, continuamente voltar nosso rosto para Deus, confiando em seu amor infalível e poder transformador.

Como os cristãos podem apoiar e encorajar aqueles que lutam contra os vícios a longo prazo?

Apoiar aqueles que lutam contra as dependências a longo prazo é uma expressão poderosa do amor de Deus e um ministério vital da Igreja. Uma vez que somos chamados a «suportar os fardos uns dos outros e assim cumprir a lei de Cristo» (Gálatas 6:2), consideremos como podemos caminhar ao lado dos nossos irmãos e irmãs no seu caminho de recuperação.

Devemos abordar aqueles que lutam contra a dependência com compaixão e sem julgamento. Lembrai-vos das palavras de nosso Senhor Jesus: «Quem dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra» (João 8:7). Somos todos pecadores que necessitam da graça de Deus, e é esta humanidade partilhada que deve informar as nossas interações com aqueles que lutam contra a dependência. Vejamos neles o rosto de Cristo, que se identificou com os últimos e os perdidos.

Devemos estar dispostos a ouvir com o coração e a mente abertos. Muitas vezes, aqueles que lutam contra a dependência precisam de um espaço seguro para partilhar as suas lutas, medos e esperanças. Ao oferecer um ouvido atento sem correr para fornecer soluções ou julgamentos, criamos um ambiente de confiança e aceitação. Isto ecoa o amor paciente e atento do nosso Pai Celestial, que sempre inclina os seus ouvidos aos nossos gritos.

A oração é uma ferramenta poderosa para apoiar aqueles com dependências. Podemos elevar as suas necessidades a Deus, tanto na sua presença como nas nossas devoções privadas. Como lemos em Tiago 5:16, «A oração de um justo tem grande poder enquanto funciona.» Intercedamos persistentemente pelos nossos irmãos e irmãs, pedindo a cura, a força e a graça de Deus nas suas vidas.

O apoio prático também é fundamental. Tal pode implicar ajudá-los a conectar-se com os serviços de tratamento profissional, acompanhá-los para apoiar reuniões de grupo ou ajudar com as necessidades práticas que surgem durante a sua viagem de recuperação. Ao fazê-lo, encarnamos as mãos e os pés de Cristo, que não só pregava a Boa Nova, mas também cuidava das necessidades físicas e emocionais daqueles que Ele encontrava.

É importante celebrar pequenas vitórias e marcos no processo de recuperação. A recuperação da dependência é muitas vezes uma longa jornada com muitos pequenos passos à frente. Ao reconhecer e celebrar estes passos, podemos proporcionar encorajamento e esperança. Isto reflete a alegria de Deus por cada passo que damos em direção a Ele, como ilustrado na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32).

Temos também de estar preparados para contratempos e recaídas, respondendo com paciência e apoio contínuo. A recuperação raramente é um processo linear, e momentos de fraqueza não negam a viagem geral para a cura. A nossa presença inabalável nestes momentos difíceis pode ser um poderoso lembrete do amor e da graça infalíveis de Deus.

A educação é outro aspeto fundamental do apoio. Ao aprender sobre a dependência, as suas causas e os processos de recuperação, podemos compreender melhor os desafios enfrentados pelas pessoas que apoiamos e evitar comportamentos ou atitudes inadvertidamente prejudiciais.

Por fim, devemos lembrar a importância do autocuidado e da manutenção de limites saudáveis. Apoiar alguém com uma dependência a longo prazo pode ser emocionalmente cansativo, e devemos garantir que estamos a nutrir a nossa própria saúde espiritual e emocional para sermos eficazes no nosso apoio.

Em todos estes esforços, deixemo-nos guiar pelo amor – o mesmo amor altruísta e paciente que Cristo demonstra para connosco. Como São Paulo belamente expressa em 1 Coríntios 13:7, «O amor suporta todas as coisas, acredita em todas as coisas, espera em todas as coisas, suporta todas as coisas.» Com este amor como nosso fundamento, podemos ser instrumentos poderosos da cura e da graça de Deus na vida daqueles que lutam contra as dependências a longo prazo.

O que significa confiar na força de Deus e não na nossa própria força para combater a dependência?

Confiar na força de Deus e não na nossa na luta contra a dependência é abraçar uma verdade poderosa da nossa fé: que não somos autossuficientes, mas totalmente dependentes da graça de Deus. Esta confiança não é um sinal de fraqueza, mas sim um reconhecimento de onde reside a verdadeira força.

Para começar, confiar na força de Deus significa reconhecer as nossas próprias limitações. Como nosso Senhor Jesus disse: "Sem mim nada podeis fazer" (João 15:5). No contexto da dependência, isso significa admitir humildemente que a nossa própria força de vontade, estratégias e esforços são insuficientes para quebrar as cadeias que nos prendem. Esta admissão pode ser difícil, uma vez que desafia o nosso orgulho e autoconfiança. No entanto, é precisamente neste lugar de vulnerabilidade que nos abrimos ao poder transformador de Deus.

Confiar na força de Deus implica uma entrega diária, mesmo momentânea, da nossa vontade à Sua. Faz eco da oração de Jesus no Jardim do Getsêmani: "Não seja feita a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22:42). Em termos práticos, isto pode significar começar cada dia com uma oração de rendição, pedindo a Deus que guie os nossos pensamentos, decisões e acções. Significa voltar-se para Ele em momentos de tentação, clamar por sua força quando nossa própria determinação vacila.

Esta confiança também significa confiar nas promessas e no caráter de Deus, mesmo quando as nossas circunstâncias ou sentimentos sugerem o contrário. O salmista declara: «Deus é o nosso refúgio e a nossa força, um auxílio muito presente na angústia» (Salmo 46:1). Confiar na força de Deus é apegar-se a estas verdades, especialmente em momentos de dúvida ou desespero. Significa escolher acreditar que Deus está a trabalhar para o nosso bem, mesmo quando o caminho de recuperação parece longo e difícil.

Confiar na força de Deus implica procurar ativamente essa força através dos meios da graça que Ele proporcionou. Isso inclui o envolvimento regular com as Escrituras, que são "vivas e ativas, mais afiadas do que qualquer espada de dois gumes" (Hebreus 4:12). Significa perseverar na oração, não como um mero ritual, mas como uma ligação vital à nossa fonte de força. Envolve também a participação nos sacramentos e na vida da comunidade eclesial, onde somos fortalecidos e encorajados pelos nossos irmãos e irmãs em Cristo.

É importante ressaltar que confiar na força de Deus não significa inação passiva. Em vez disso, significa agir no poder e na direção do Espírito Santo. Como escreve São Paulo: «Fazei a vossa salvação com temor e tremor, porque é Deus que opera em vós tanto o querer como o trabalhar para o seu beneplácito» (Filipenses 2:12-13). Somos chamados a participar ativamente na nossa recuperação, mas a fazê-lo em cooperação e dependência da graça de Deus.

Esta confiança também transforma a nossa perspetiva sobre o fracasso e o sucesso na jornada de recuperação. Quando confiamos em nossa própria força, cada revés pode parecer um fracasso pessoal devastador. Mas quando confiamos na força de Deus, podemos ver estes momentos como oportunidades para experimentar de novo a sua graça e crescer em humildade e dependência dEle.

Por último, confiar na força de Deus significa reconhecer que a nossa esperança última não é estar livre da dependência, mas no próprio Deus. Embora a libertação da dependência seja um objetivo digno, nossa necessidade mais profunda é a comunhão com Deus. À medida que confiamos na sua força, crescemos nesta comunhão, descobrindo que Ele é suficiente para nós, mesmo na nossa fraqueza.

Recordemos as palavras de São Paulo, que na sua luta ouviu o Senhor dizer: «Basta-vos a minha graça, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza» (2 Coríntios 12, 9). Que nós, também, aprendamos a gloriar-nos em nossas fraquezas, para que o poder de Cristo possa repousar sobre nós.

Como podemos manter a fé e a confiança em Deus quando a recuperação parece lenta ou impossível?

Manter a fé e a confiança em Deus durante momentos em que a recuperação parece lenta ou mesmo impossível é talvez um dos maiores desafios que enfrentamos em nossa jornada espiritual. Mas é precisamente nestes momentos que se refina a nossa fé e se aprofunda a nossa relação com Deus.

Devemos lembrar-nos de que o calendário de Deus não é nosso. Como lemos em 2 Pedro 3:8, «Com o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia.» O que pode parecer-nos lento é apenas um momento na perspetiva eterna de Deus. A nossa impaciência por resultados rápidos deve ser temperada pela compreensão de que Deus está a trabalhar de formas que nem sempre podemos ver ou compreender. O seu trabalho de transformação nas nossas vidas é muitas vezes gradual, como o crescimento lento de um poderoso carvalho a partir de uma pequena bolota.

Em tempos em que a recuperação parece impossível, podemos tirar força dos exemplos de fé que encontramos nas Escrituras. Considere Abraão, que «na esperança acreditou contra a esperança» (Romanos 4:18), quando Deus lhe prometeu um filho na sua velhice. Ou pensem na viúva persistente da parábola de Jesus (Lucas 18:1-8), que não desistiu de procurar justiça. Estas histórias nos lembram que a fé muitas vezes significa perseverar mesmo quando as circunstâncias parecem sem esperança.

Temos também de nos precaver contra a tentação de medir o amor de Deus ou o nosso próprio valor com a rapidez da nossa recuperação. O amor de Deus por nós é constante e incondicional, não depende do nosso progresso ou da falta dele. Como nos assegura São Paulo, nada «nos poderá separar do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Romanos 8:39). Quando nos sentirmos desencorajados por progressos lentos, voltemos a esta verdade fundamental do amor inabalável de Deus.

Manter a fé em tempos difíceis também envolve uma comunicação honesta com Deus. Os Salmos fornecem um belo modelo disso, mostrando-nos que é aceitável expressar nossas frustrações, dúvidas e temores a Deus. À medida que derramamos o nosso coração para Ele, muitas vezes encontramos a nossa perspectiva a mudar e a nossa fé renovada. Lembrem-se das palavras do salmista: «Confiai nele em todos os momentos, ó povo; derramai perante ele o vosso coração, Deus é um refúgio para nós» (Salmo 62:8).

Pode ser útil concentrar-se em pequenos sinais de progresso e crescimento, em vez de se fixar no objetivo final que parece tão distante. Cada pequena vitória, cada momento de resistência à tentação, cada passo em frente, por mais pequeno que seja, é prova da obra de Deus nas nossas vidas. Cultivando a gratidão por estas pequenas misericórdias, alimentamos a nossa fé e esperança.

O apoio da comunidade é crucial para manter a fé em tempos difíceis. Cercar-nos de outros crentes que podem nos encorajar, orar por nós e lembrar-nos da fidelidade de Deus pode ser um poderoso antídoto para o desespero. Como lemos em Hebreus 10:24-25, "E consideremos como estimular-nos uns aos outros ao amor e às boas obras, não negligenciando reunir-nos, como é hábito de alguns, mas encorajando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes aproximar-se o Dia."

Também devemos estar dispostos a reformular nossa compreensão da cura e recuperação. Por vezes, a resposta de Deus às nossas orações pela libertação da dependência não é a eliminação completa da luta, mas a graça de perseverar através dela. Como São Paulo aprendeu quando orou para que o seu «espinho na carne» fosse removido, a resposta de Deus pode ser: «Basta-vos a minha graça, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza» (2 Coríntios 12:9).

Finalmente, lembremo-nos de que nossa esperança última não está na recuperação em si, mas no Deus que promete fazer novas todas as coisas. As nossas lutas presentes, por mais prolongadas ou difíceis que sejam, são temporárias à luz da eternidade. Como São Paulo nos recorda, "porque esta leve aflição momentânea nos prepara um eterno peso de glória, que está além de qualquer comparação" (2 Coríntios 4:17).

Em todas as coisas, apeguemo-nos à promessa de que Deus é fiel, que Ele está operando todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8:28), e que Aquele que começou uma boa obra em nós a completará (Filipenses 1:6). Que esta segurança seja uma âncora para as nossas almas, firmes e seguras, mesmo nos mares mais tempestuosos da dúvida e do desânimo.

Bibliografia:

Abhau, J. (2020). Afastar-se do pecado o

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