Mistérios Bíblicos: Quais são os frutos do Espírito Santo?




  • O «fruto do Espírito» refere-se a nove traços de caráter desenvolvidos pelo Espírito Santo nos crentes, que refletem a bondade de Deus.
  • Estes traços incluem amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, gentileza e autocontrole, todos listados em Gálatas 5:22-23.
  • Ao contrário dos dons espirituais, que variam entre os crentes, o fruto destina-se a todo cristão para crescer e reflete maturidade espiritual e caráter.
  • Crescer essas qualidades envolve uma relação próxima com Deus, render-se ao Espírito Santo e praticar disciplinas espirituais ao longo do tempo.

Compreender as riquezas de uma vida cheia de espírito: Explorar o fruto do Espírito

Deus quer que vivas uma vida maravilhosa, uma vida verdadeiramente guiada por Ele! E uma das formas mais maravilhosas de ver a Sua bondade na sua vida é através do que a Bíblia chama de «fruto do Espírito». Estes não são apenas alguns bons hábitos que pega ou coisas agradáveis que as pessoas dizem sobre si. Não, estas são qualidades poderosas que florescem dentro de ti, desde o teu coração, porque o Espírito Santo vive e trabalha em ti! Estas belas virtudes mostram o próprio coração de Deus. Estão no cerne de tudo o que é bom e certo e levam-nos a uma vida mais gratificante do que podemos imaginar, ajudando-nos a crescer e a tornarmo-nos a pessoa incrível que Deus nos criou para ser.1 Hoje, vamos descobrir quais são estes frutos incríveis, por que razão são tão importantes e como podemos vê-los crescer cada vez mais na nossa própria vida. Prepare-se para ver uma imagem de uma vida completamente transformada pelo espantoso Espírito de Deus! E deixem-me dizer-vos que, quando estas qualidades se enraízam, não se trata apenas de nos sentirmos bem espiritualmente de alguma forma distante. Tem a ver com a melhoria de toda a tua vida! Quando o amor, a alegria e a paz estão plantados no fundo do teu coração, tocam tudo – a tua mente, as tuas emoções, as tuas relações – trazendo uma satisfação profunda que torna cada parte da tua vida mais rica e abençoada.1

Quais são os «frutos do Espírito» e onde estão enumerados na Bíblia?

Definição do «fruto do Espírito»

Então, o que é exatamente este «fruto do Espírito»? Bem, é um conjunto especial de nove belas qualidades ou traços de caráter que o Espírito Santo – sim, o próprio Espírito de Deus que vive em vós – produz na vida de cada crente. Estas não são coisas que possas tentar obter ou alcançar com as tuas próprias forças. Oh, não, são os resultados maravilhosos e naturais do Espírito de Deus que opera o Seu poder transformador no fundo de vós.3 O Apóstolo Paulo, na sua carta aos Gálatas, enumera-os para nós: «amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, gentileza, autocontrolo».3 E estas não são apenas pequenas qualidades agradáveis; são poderosos porque refletem o caráter espantoso do próprio Deus! Mostram ao mundo que estás a viver uma vida em sintonia com o Espírito de Deus.3 Quando vês estas qualidades florescerem na tua vida, é um sinal de que estás «cheio» do Espírito Santo, algo de que a Bíblia também fala noutros lugares, como em Efésios 5:18-22.5.

Quando estes frutos começam a aparecer, é como um sinal bonito e visível de que Deus está ativo e a mudar-te de dentro para fora. Tal como um artista deixa a sua marca única na sua obra-prima, estas qualidades são como a assinatura divina de Deus na sua vida, mostrando que Ele está a moldá-lo e a torná-lo mais semelhante a Ele.3 Isto é muito mais do que apenas tentar ser uma boa pessoa; é uma mudança profunda e significativa à semelhança de Cristo, e tudo está ligado a ser cheio e guiado pelo seu Espírito.5

A Fonte Bíblica Primária: Gálatas 5:22-23

Se quiser encontrar esta lista incrível, o local mais conhecido na Bíblia está no Novo Testamento, no livro de Gálatas, capítulo 5, versículos 22 e 23. O apóstolo Paulo escreveu esta carta às igrejas num lugar chamado Galácia. E nesta parte da sua carta, mostra uma grande diferença entre uma vida vivida pelos nossos próprios desejos humanos pecaminosos – chama-lhes «obras da carne» (pode ler-se sobre as de Gálatas 5:19-21) – e uma vida vivida entregando-se ao Espírito Santo.6 O «fruto do Espírito» é o resultado belo e maravilhoso quando escolhemos viver pelo Espírito.

Quadro: Os Nove Frutos do Espírito (Gálatas 5:22-23)

Só para que sejamos claros, aqui estão os nove frutos incríveis de que Paul fala:

Não.Frutos
1Amor
2Alegria
3Paz
4Paciência
5Bondade
6Bondade
7Fidelidade
8Gentileza
9Autocontrolo

Uma Breve Nota Sobre Outros Anúncios (Tradição Católica)

Embora Gálatas 5:22-23 seja a lista que a maioria das pessoas conhece, é bom saber que algumas tradições cristãs, especialmente a católica, falam de doze frutos. Esta lista mais longa vem de uma tradução latina da Bíblia e acrescenta qualidades como generosidade, modéstia e castidade. Muitos vêem estes como apenas outras formas de expressar os nove frutos surpreendentes originais.8 O Catecismo da Igreja Católica lista estes doze como: «caridade, alegria, paz, paciência, bondade, generosidade, doçura, fidelidade, modéstia, autocontrolo, castidade».8

Por que a Bíblia o chama de "fruto" (singular) do Espírito, não de "frutos"?

A importância do «Karpos» singular

Aqui está uma coisa muito interessante! Quando o apóstolo Paulo fala do fruto do Espírito, ele usa uma palavra na língua grega original, karpos, que significa «fruto» – singular, apenas um!7 Não se trata apenas de um pequeno pormenor gramatical; é muito importante para nós compreendermos. Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem «frutos» do Espírito, como se fosse um cesto cheio de coisas diferentes e se pudesse escolher apenas uma ou duas. Mas Paulo foi muito intencional. Utilizou o singular «fruto» para nos mostrar que descreve todos os diferentes lados de uma obra de graça espantosa que o Espírito Santo está a fazer dentro de cada crente.7

Uma expressão unificada de carácter

É isso mesmo, este «fruto» singular significa que estas nove qualidades — amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, gentileza e autocontrolo — não são apenas uma coleção aleatória de bons hábitos. Não, todos pertencem juntos, como um belo aglomerado, pintando um quadro completo de uma vida cheia do Espírito, uma vida que se parece com Jesus.7 Pensem nisto como um belo diamante com muitas facetas cintilantes. Assim, se o Espírito Santo está verdadeiramente a funcionar na sua vida, deve começar a ver todos estes «frutos» aparecerem, e não apenas uma ou duas pequenas peças aqui e ali.7 Como disse o sábio teólogo Tim Keller, «O verdadeiro fruto do Espírito cresce sempre em conjunto. São um».7 Isto significa que o Espírito Santo quer reformar completamente toda a sua atitude e caráter, e não apenas corrigir alguns comportamentos. Isso realmente nos desafia, porque muitas vezes gostamos de nos concentrar em melhorar apenas uma pequena área de cada vez. Se o Espírito produz um fruto, então Ele está a trabalhar para mudar a tua pessoa na sua totalidade para que todas estas qualidades incríveis brilhem juntas como um novo tu! Isso significa que, à medida que crescemos em uma área, como o amor, isso naturalmente o ajudará a crescer nos outros, como a paciência ou a bondade.

Crescimento e maturidade ao longo do tempo

Embora todas estas qualidades façam parte deste fruto incrível, é importante saber que, tal como os frutos de uma árvore, crescem e amadurecem ao longo do tempo.7 Os frutos não aparecem perfeitamente formados da noite para o dia! Há um período vegetativo e os frutos espirituais também precisam de tempo para se desenvolverem. Mas a presença deste fruto unificado, mesmo que ainda esteja a crescer e a amadurecer, é uma prova poderosa de que o Espírito Santo vive verdadeiramente dentro de ti.7

Pensem numa árvore saudável. Produz naturalmente o seu próprio tipo de fruto, mostrando que está vivo e recebendo toda a nutrição certa.5 Da mesma forma, quando este fruto singular e multifacetado começa a aparecer na tua vida, é um sinal da tua verdadeira saúde espiritual e da tua ligação a Jesus, que se chamou a Si mesmo a videira e disse que nós somos os ramos.12 Se o inteiros a fruta não está lá, ou se parecer um pouco desequilibrada, pode significar que há algo um pouco fora nessa ligação vital com Ele. Portanto, o fruto do Espírito é como uma maneira maravilhosa de verificar sua relação com Jesus.

O que o primeiro fruto, o amor, significa verdadeiramente para um cristão?

O amor (ágape) como o fruto preeminente

Quando o apóstolo Paulo enumera as partes do fruto do Espírito, adivinhe qual é a primeira? Amor! E não foi por acaso, meu amigo. O amor, ou ágape como é chamado em grego, é o próprio fundamento de todas as outras qualidades.3 Paulo ensinou muitas vezes que o amor é a coisa mais importante para uma vida humana verdadeiramente florescente e uma caminhada espiritual vibrante.3 Durante todo o Novo Testamento, o amor brilha como uma das marcas mais brilhantes de um cristão.13

Definir o amor ágape

Este ágape o amor que faz parte do fruto do Espírito não é apenas um sentimento caloroso e confuso ou um pouco de afeto. É uma espécie de amor altruísta, incondicional e divina. É um amor que resulta de uma escolha que faz na sua vontade, e não apenas de sentimentos que podem mudar como o tempo ou se alguém o «merece».9 Este tipo de amor quer ativamente o melhor para os outros, independentemente do que tenham feito ou da forma como o tratam.9 Isto faz com que ágape totalmente diferente de outras palavras gregas para o amor, como eros (que é o amor romântico), philia (isto é, amor fraternal ou amizade), e storge (amor à família).9 Agape é um amor que dá e dá, sem esperar nada de volta.10

A Origem e o Modelo do Agape

Este amor incrível e profundo não é algo que possamos criar sozinhos. A sua fonte é o próprio Deus, porque a Bíblia nos diz que «Deus é amor» (1 João 4:8).3 E o exemplo mais poderoso e completo do amor de Deus. ágape o amor está aí mesmo na vida e, especialmente, o incrível sacrifício de Jesus Cristo.3 Todo o tempo de Jesus na terra foi preenchido com este amor, e tudo levou a que Ele desse voluntariamente a sua vida por cada um de nós.14 E, em seguida, é o Espírito Santo que nos capacita, como crentes, a responder ao incrível amor de Deus, mostrando este mesmo amor generoso e incondicional uns aos outros.3

Expressões Práticas do Ágape

Este ágape O amor destina-se a ser vivido de formas reais e práticas:

  • Amar a Deus: A forma número um é amar a Deus com tudo o que tens — todo o teu coração, alma, mente e força.13
  • Amar os outros: Somos chamados a amar-nos uns aos outros como Cristo nos amou (João 13:34).13 Isto significa servir-nos uns aos outros, ajudar-nos a carregar os fardos uns dos outros, cuidar dos necessitados e ser rápidos a perdoar.3
  • O amor em acção: A Bíblia está cheia de exemplos! Pensem em Jesus, cheio de compaixão, curando o homem com lepra – que é o amor que derruba muros.15 Pensem em Abraão, disposto a oferecer Isaque, mostrando um amor sacrificial que confiou completamente em Deus.15 E Jesus perdoando a mulher apanhada em adultério – que é o poder do amor para restaurar e fazer novas.15 Até os primeiros cristãos, partilhando o que tinham e cuidando uns dos outros, demonstraram este amor incrível em ação conjunta.15
  • Amor Confrontos e Restaurações: é importante saber que ágape o amor não é sentimental, uma atitude do tipo «tudo está bem» que apenas ignora quando as coisas estão erradas. O amor verdadeiro usa a gentileza, a misericórdia e a honestidade para enfrentar o mal, querer corrigir os erros e parar de maneiras prejudiciais. E sempre, sempre, oferece perdão e trabalha para reconciliar as relações.3

Este ágape O amor é muito mais do que apenas uma qualidade entre as nove. é como o próprio fundamento e o poder energético de todas as outras partes do fruto do Espírito. Sem reais ágape o amor, as outras qualidades, como a alegria, a paz ou a paciência, não podem aparecer verdadeira ou duradouramente na forma como a Bíblia significa. Por exemplo, a verdadeira paciência é, na realidade, uma expressão de amor. A verdadeira bondade flui de um coração de amor. Muitas vezes, sentimos mais profundamente alegria e paz quando amamos a Deus e aos outros. Fidelidade é ser leal no amor. A gentileza é a forma como o amor age em situações difíceis, e o autocontrolo é muitas vezes o que precisamos para amar da forma correta, tal como diz em 1 Coríntios 13.3 Assim, vejam, o amor é como o «sistema operativo» ou o rico «solo» a partir do qual todas as outras partes deste fruto incrível podem crescer de forma adequada e verdadeiramente brilhar.

Como podemos compreender a alegria e a paz como frutos do Espírito, especialmente em tempos difíceis?

Definir a Alegria Espiritual (Chara)

A alegria que vem como fruto do Espírito Santo – a Bíblia chama-lhe chara em grego – é muito mais profunda do que apenas a felicidade do dia-a-dia. A felicidade muitas vezes depende de coisas boas que acontecem ao nosso redor ou experiências agradáveis. Mas a alegria espiritual, oh, essa é uma qualidade profunda e constante que está enraizada no próprio Deus, na nossa relação com Ele e na verdade imutável das Suas promessas.3 Pode parecer que o teu «coração está a inchar de prazer» quando os tempos são bons, pode também ser um «sentimento de confiança duramente conquistado e pacífico na promessa de Deus», mesmo quando a vida te atira bolas curvas.3 Esta alegria não precisa de uma vida confortável para aparecer; pode encontrá-lo mesmo quando está a passar por situações difíceis.3 De onde vem esta alegria duradoura? De tantos locais maravilhosos: conhecer o Deus vivo, saber que os teus pecados são perdoados, a promessa da vida eterna, o amor sem fim de Deus e ver a Sua obra incrível no mundo.3 A Bíblia dá-nos grandes exemplos: o apóstolo Paulo falou sobre ter alegria mesmo quando enfrentava terríveis provações (2 Coríntios 8:2).3 Disseram-nos para "contar toda a alegria" quando enfrentamos provações que testam a nossa fé (Tiago 1:2).13 O próprio Jesus, "pela alegria que lhe foi apresentada suportou a cruz" (Hebreus 12:2).14 E pensem naquela maravilhosa história que Jesus contou sobre o homem que, cheio de alegria, vendeu tudo o que tinha para comprar um campo porque havia um tesouro escondido nele – esse tesouro que representava o reino dos céus (Mateus 13:44).16

Definir a Paz Espiritual (Eirene)

A paz como fruto do Espírito – eireno em grego (que está relacionado com a maravilhosa ideia hebraica de shalom) – é muito mais do que uma simples ausência de lutas ou de problemas. É uma calma interior na sua alma, um sentimento de estar inteiro e de ter relações corretas com Deus e com os outros.3 Esta paz decorre de uma profunda confiança de que Deus está no controlo, que Ele é soberano e que guia tudo com amor, mesmo quando as coisas à sua volta se sentem caóticas ou perturbadoras.9 É saber que tudo é como deve ser dentro de si e nas suas ligações, uma alma calma que não teme nada de Deus e se contenta com o que a vida traz.9 Nós, como crentes, podemos cultivar esta paz levando todas as nossas preocupações a Deus em oração (Filipenses 4:6-7) e tentando ativamente viver pacificamente e edificar os outros (Romanos 14:19).3 Alguns exemplos bíblicos surpreendentes? Pensem em Jesus acalmar aquela tempestade selvagem no Mar da Galileia, mostrando que Ele tem poder sobre o caos e pode dar-nos a Sua paz (Marcos 4:35-41).17 Jesus é até chamado de "Príncipe da Paz" (Isaías 9:6) 14, e há aquela bela promessa de que Deus manterá em "paz perfeita" aqueles cujas mentes estão fixas n'Ele porque confiam n'Ele (Isaías 26:3).13

Alegria e Paz nos Tempos Difíceis

O verdadeiro poder da alegria espiritual e da paz brilha mais quando estamos a atravessar tempos difíceis, porque a sua presença não está ligada a coisas boas que acontecem no exterior. São um dom sobrenatural do Espírito Santo!3 A alegria pode estar aí mesmo contigo, mesmo na dor e no sofrimento, quando continuas a confiar no plano final de Deus para tirar o bem de tudo, sabendo que Ele pode transformar cinzas em beleza (Isaías 61:3).3 Da mesma forma, a paz de Deus pode guardar o teu coração e a tua mente, mantendo-te firme mesmo quando tudo à tua volta está a tremer (Filipenses 4:7).3 Em tempos difíceis, a alegria aparece como força e a capacidade de continuar, enquanto a paz parece ser calma e uma confiança profunda em Deus.2

Quando experimentas este tipo de alegria e paz sobrenaturais, especialmente durante as provações, é como uma poderosa âncora para a tua fé. Estes não são apenas sentimentos agradáveis; São âncoras espirituais que o mantêm firme em seu relacionamento com Deus, quando suas circunstâncias normalmente o fariam querer desistir, preocupar-se ou duvidar. Quando podes sentir alegria e paz Por causa de Deus Mesmo quando tudo à tua volta está a gritar tristeza e stress, essa experiência lembra poderosamente o teu coração como Deus é real e bom. E isso fortalece a vossa fé e a vossa determinação em continuar a confiar n'Ele. Não só que, quando os outros te veem responder de uma forma que não faz sentido para o mundo, pode ser uma testemunha incrível para eles, mostrando-lhes uma fonte sobrenatural de força e esperança. Isso torna a alegria e a paz parceiros ativos para manter a fé forte e ser um testemunho eficaz de Cristo, não apenas sentimentos silenciosos.

Como são a paciência, a bondade e a bondade na vida cristã cotidiana?

Paciência (Makrothumia): Durar com a Graça

A paciência, quando falamos dela como fruto do Espírito, é muito mais do que apenas esperar calmamente na fila. A palavra grega, makrothumia, significa realmente algo como «sofrimento prolongado» ou «lentidão para ficar zangado», especialmente quando as pessoas nos provocam, quando as coisas são difíceis ou quando estamos a lidar com os erros de outras pessoas.3 Espelha a incrível paciência de Deus com todos nós (2 Pedro 3:9).3 É interessante, a makrothumia descreveu originalmente alguém que tinha todo o direito e poder para se vingar, mas optou por não o fazer — essa é uma contenção deliberada que vem de um coração gracioso.9 Esta qualidade incrível ajuda os crentes a enfrentarem os desafios da vida e a lidarem com pessoas imperfeitas sem tentarem vingar-se delas ou ficarem amargurados.9 Trata-se de ter um coração que confia no calendário de Deus e permanece comprometido com os outros, mesmo quando é realmente difícil.18

Portanto, no seu dia-a-dia, a paciência parece:

  • Colocar-se com pessoas difíceis ou irritantes sem explodir em raiva ou frustração.
  • Enfrentar as próprias provações, doenças ou contratempos sem perder a fé ou perder a esperança.19
  • Ser lento para ficar zangado quando as coisas são frustrantes, assim como Tiago 1:19 nos encoraja.
  • Esperando pacientemente que Deus responda às vossas orações no Seu tempo perfeito, confiando na Sua sabedoria (Salmo 40:1).19 Basta olhar para a Bíblia! Abraão esperou muito, muito tempo pelo seu filho prometido, Isaque (Hebreus 6:15).19 Os profetas do Antigo Testamento suportaram tanto sofrimento (Tiago 5:10).19 E o exemplo último é Jesus Cristo, que demonstrou uma paciência incrível mesmo quando estava a sofrer e a ser crucificado (1 Pedro 2:23).18

Bondade (Chrestotes): Bondade activa para com os outros

A bondade, ou chrestotes em grego, não é apenas ser passivamente agradável; é um cuidado e uma bondade ativos e ternos que demonstras aos outros.3 É amor em ação, mostrando uma atitude gentil e útil. Esta qualidade significa que está disposto a fazer coisas compassivas e a ajudar a satisfazer as necessidades das pessoas, muitas vezes fazendo mais do que apenas o que é justo e evitando sempre ser duro.9 A palavra grega chrestos foi utilizada para descrever vinho velho, suave e suave, ou um jugo confortável e adequado – sugerindo algo gentil, agradável e bom para si.9

No seu dia-a-dia, a bondade brilha quando:

  • Mostre compaixão e ajuda real e prática às pessoas que estão necessitadas ou a sofrer.
  • Perdoe os outros rápida e facilmente, assim como Efésios 4:32 nos diz.21
  • São gentis, prestativos e atenciosos na forma como lidam com a família, colegas de trabalho e até mesmo estranhos.
  • Fazer coisas úteis para os outros sem ser perguntado, sempre à procura de maneiras de ser uma bênção. A Bíblia está cheia de exemplos: A própria bondade de Deus é mostrada na forma como nos oferece a salvação (Tito 3:4-5).20 Jesus estava sempre a mostrar bondade através da sua cura, da sua compaixão pelas multidões (Marcos 6:34) 20, do seu toque suave pelas pessoas que foram afastadas, como o homem com lepra (Marcos 1:40-45) 21, e de como é retratado como o Bom Pastor que cuida ternamente das suas ovelhas (Lucas 15:3-7).20

Bondade (Agathosune): A excelência moral e a retidão

A bondade, ou agathosune em grego, significa ter excelência moral, um coração e uma vida retos, e um desejo real de fazer o que é certo, o que é útil e o que reflete a bondade perfeita do próprio Deus.3 Embora a bondade (chrestotes) se concentre frequentemente na forma gentil como fazemos algo, a bondade (agathosune) pode, por vezes, incluir ações firmes, como corrigir alguém ou apontar um erro apenas se for feito porque queremos o que é melhor para essa pessoa e queremos que ela viva de acordo com os caminhos de Deus.9 A sua virtude e santidade em ação, conduzindo a uma vida cheia de atos que provêm de um coração justo23.

No seu dia-a-dia, a bondade é vista quando:

  • Vive com integridade e honestidade em tudo o que fazes.
  • Falar a verdade, mesmo quando é difícil sempre com amor.
  • Lutar ativamente contra o que está errado e promover o que está certo.
  • Providencie generosamente a sua família, voluntarie-se na sua comunidade, visite os doentes ou até reze por aqueles que não gostam de si.23 Exemplos bíblicos? Jesus «passou por aí a fazer o bem e a curar todos os que estavam sob o poder do diabo» (Atos 10:38).22 Também é chamado de Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas (João 10).22 E Barnabé, que era amigo de Paulo, foi descrito como «um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé» (Atos 11:24), o que significa que a sua vida foi marcada por esta excelência ativa e moral5.

Estas três qualidades - paciência, bondade e bondade - não são apenas virtudes separadas para admirar. Trabalham em conjunto como uma equipa e são tão importantes para construir e manter relações saudáveis e semelhantes às de Cristo. Um sem os outros pode estar um pouco fora ou até mesmo parecer errado. Por exemplo, a paciência sem bondade pode parecer que estás a aturar as coisas friamente. A bondade sem o bom senso da bondade pode levá-lo a acidentalmente ajudar alguém a fazer algo prejudicial. E a bondade sem paciência ou bondade pode parecer dura, legalista ou como se pensasse que é melhor do que os outros. Mas quando estes três trabalham em conjunto – quando a sua paciência é combinada com uma bondade ativa e compassiva e um compromisso com o que é verdadeiramente bom do ponto de vista moral –, mostram verdadeiramente o coração relacional de Deus.

Qual é o significado de fidelidade, gentileza e autocontrole como fruto espiritual?

Fidelidade (Pistis): Fiabilidade e Lealdade

A fidelidade, como fruto do Espírito, é mais do que apenas crer em Deus. Trata-se de ser fiável, fidedigno e consistentemente leal a Deus, aos Seus ensinamentos e a outras pessoas.3 A palavra grega pistis significa, na verdade, tanto «fé» (crer, confiar) como «fidelidade» (ser fiável e leal).3 Em Gálatas 5:22, carrega realmente aquele forte sentimento de confiança e confiança, que provém de uma fé profunda em Deus e de uma decisão, ajudada pelo Espírito, de cumprir as promessas que fez.9

No seu dia-a-dia, a fidelidade se parece com:

  • Cumprir as suas promessas e ser alguém com quem as pessoas podem contar.
  • Ser confiável e responsável no trabalho e nas relações.
  • Manter-se leal aos caminhos e ensinamentos de Deus, mesmo quando não é popular ou fácil.24
  • Ser um membro de confiança da família, funcionário ou membro da sua comunidade. A Bíblia dá-nos exemplos maravilhosos, como Abraão e Sara. Apesar das suas lutas, acabaram por demonstrar uma incrível fidelidade às promessas de Deus.24 E ainda mais poderosamente, a Bíblia mostra sempre o próprio Deus como o exemplo perfeito de fidelidade ao seu povo e às suas promessas.24

Mansidão (Prautes): Humilde Força e Consideração

A mansidão, às vezes chamada de mansidão, é muitas vezes mal compreendida. As pessoas pensam que significa ser fraco ou um impulso. Mas a gentileza bíblica (prautes em grego) é, na verdade, uma força que está sob controlo! Trata-se de ser humilde, ter um modo gentil e brando com os outros e ser submisso a Deus, o que o torna ensinável e aberto à Sua liderança.9 Significa não se empurrar para a frente respondendo agressivamente com a graça, especialmente quando as pessoas se opõem a si ou quando precisa de corrigir alguém.27 A verdadeira gentileza exige grande força interior e autocontrole, e vem de um coração humilde que não se vê melhor do que ninguém26.

No seu dia-a-dia, a gentileza parece:

  • Responder calmamente e razoavelmente, em vez de com raiva ou palavras duras.
  • Pensar ativamente sobre os sentimentos e pontos de vista dos outros.
  • Ser ensinável, estar disposto a aprender e não agir orgulhoso ou arrogante.
  • Oferecer perdão e lidar com os desentendimentos de forma pacífica.26 Olhem para Jesus! Mostrou suavidade de muitas maneiras, como lidou com a mulher apanhada em adultério (João 8) 26, como acolheu as criancinhas 27 e como até se descreveu a si mesmo como "humilde e gentil de coração" (Mateus 11:29).27 O apóstolo Paulo também encorajou os crentes a viverem com humildade e gentileza em suas relações (Efésios 4:1-2).27

Autocontrolo (Egkrateia): Dominar os desejos e impulsos

O autocontrolo, egkrateia em grego, é essa incrível capacidade de dominar os seus próprios desejos, paixões, sentimentos e impulsos, especialmente quando é tentado ou quando alguém o provoca.9 Trata-se de ser moderado, disciplinado e capaz de resistir a agir de acordo com cada impulso ou sentimento. Os antigos gregos viam isto como uma qualidade de alguém que tinha dominado os seus desejos, sabendo que os nossos desejos humanos podem muitas vezes ir demasiado longe ou ser direcionados para coisas erradas.9 Uma vida sem autocontrolo é como «uma cidade invadida e deixada sem muros», como diz Provérbios, totalmente vulnerável a ataques (Provérbios 25:28).29

No seu dia-a-dia, o autocontrolo é demonstrado por:

  • Resistir a tentações relacionadas a coisas como comida, bebida, raiva, desejos sexuais ou outras coisas que possam prejudicá-lo.12
  • Gerir bem as suas emoções, não deixá-las controlar as suas acções de uma forma má.
  • Falar com cuidado e cuidado, em vez de impulsivamente ou duramente.
  • Usar a disciplina em diferentes áreas da sua vida, como o seu dinheiro, o seu tempo e os seus hábitos pessoais. O último exemplo de autocontrole é Jesus Cristo, especialmente durante as Suas tentações no deserto e quando Ele enfrentou provocações extremas antes e durante a Sua crucificação (Mateus 26:53-54).28 O apóstolo Paulo também muitas vezes exortou diferentes grupos de crentes - homens mais velhos, mulheres, homens jovens - a praticarem o autocontrole na forma como viviam (Tito 2).29 E obtê-lo, o autocontrole pode até libertar as pessoas de comportamentos viciantes!12

Juntos, a fidelidade, a gentileza e o autocontrole são como um trio de forças interiores, uma espécie de poder espiritual, que ajuda um crente a viver consistentemente para Deus em um mundo cheio de desafios. A fidelidade vos mantém ancorados a Deus e à Sua verdade. A suavidade molda a forma como interage com os outros de uma forma semelhante à de Cristo, especialmente quando as coisas são difíceis ou há conflito. O autocontrolo dá-lhe essa capacidade interior de manter os seus desejos, impulsos e reações sob controlo, alinhando-os com a vontade de Deus e ajudando os outros frutos a brilhar.28 Sem fidelidade, o seu compromisso pode desaparecer. Sem gentileza, seu testemunho e seus relacionamentos podem tornar-se duros e afastar as pessoas. Sem autocontrole, os teus desejos básicos podem facilmente estragar tanto a tua fidelidade como a tua mansidão. Mas quando os cultivamos juntos, eles constroem um carácter espiritual forte, resistente e admirável.

Como os cristãos podem cultivar e cultivar ativamente os frutos do Espírito?

O Espírito Santo como a Fonte

Isto é tão importante lembrar: o fruto é «do Espírito». Estas qualidades surpreendentes não são algo que se possa produzir apenas esforçando-se mais ou seguindo algum plano de autoajuda.3 O Espírito Santo é Aquele que faz a obra; Ele é o jardineiro divino que trabalha dentro dos crentes para desenvolver estas características semelhantes às de Cristo.3 São um resultado sobrenatural da Sua presença na tua vida.

O papel ativo do crente: Andar no Espírito & Permanecer em Cristo

Mas mesmo que o Espírito Santo seja a fonte, isso não significa que nos sentemos e não façamos nada! A Bíblia nos diz que temos um papel ativo a desempenhar para ajudar este fruto espiritual a crescer. Esta parte ativa é muitas vezes chamada de «andar no Espírito» (Gálatas 5:16, 25) ou «manter-se em sintonia com o Espírito» e «permanecer em Cristo» (João 15:4-5).6 Não se trata de ser passivo; Envolvem fazer escolhas intencionais, manter-se comprometido e fazer consistentemente coisas que criam o ambiente certo para o Espírito operar Suas maravilhas.30 O próprio Jesus usou a imagem de uma videira e ramos. Respondeu-lhes: «Permanecei em mim, e eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, também vós não podeis, se não permanecerdes em mim... Pois sem mim nada podeis fazer" (João 15:4-5).12

Formas Práticas de Cultivar a Fruta

Então, quais são algumas coisas práticas que pode fazer para «andar no Espírito» e «permanecer em Cristo» e ajudar esse belo fruto a crescer?

  • Aprofundar a relação com Deus: Este é o fundamento absoluto para dar frutos – ter uma relação pessoal, permanente e próxima com Deus. Isto significa ter regularmente tempo para falar com Ele em oração, adorá-Lo, estudar Sua Palavra (a Bíblia) para compreender quem Ele é e o que Ele quer, fazer-lhe suas perguntas e buscar ativamente Sua orientação em sua vida cotidiana.12 Aproximar-se Dele através da comunhão regular é absolutamente fundamental.
  • Entregar-se ao Espírito: Isto significa escolher conscientemente seguir a liderança e os empurrões do Espírito Santo em vez de ceder aos desejos da sua antiga natureza pecaminosa (a «carne»). Isto significa muitas vezes fazer o que Paulo chamou de «crucificar a carne com as suas paixões e desejos» (Gálatas 5:24), que é dizer ativamente «não» a pensamentos e ações que vão contra a vontade de Deus.6 Antes que os bons frutos possam crescer, temos de lidar com as «ervas daninhas» dessa velha natureza.6
  • Imersão na Palavra de Deus: Deixar a Palavra de Deus «habitar ricamente em ti» (Colossenses 3:16) é tão importante.5 Pensar profundamente nas Escrituras muda a forma como pensas, renova a tua mente e dá-te a sabedoria de Deus para as tuas ações e atitudes.30
  • Oração persistente: Falar com Deus regularmente, o que inclui pedir sua ajuda para livrar-se do pecado e para que o Espírito Santo mude seu coração, é essencial.30 Orar especificamente para que esses frutos cresçam em você, como pedir mais paciência ou uma compreensão mais profunda disso, pode ser incrivelmente poderoso.18
  • Disciplinas Espirituais: Práticas como o jejum podem ajudá-lo a disciplinar seu corpo e concentrar sua mente e espírito em Deus, tornando-o mais sensível ao seu Espírito.12
  • Comunidade de apoio: Envolver-se com um grupo de apoio de cristãos, como um pequeno grupo ou uma "equipa doméstica", pode dar-lhe encorajamento, ajudá-lo a permanecer responsável e fornecer apoio de outros nesta jornada de crescimento espiritual.2

O verdadeiro segredo para cultivar o fruto do Espírito não se encontra principalmente na mera experimentação de técnicas ou na pura força de vontade. Encontra-se na A qualidade e a consistência da sua relação pessoal com Deus—Pai, Filho e Espírito Santo.12 Coisas como a oração e o estudo da Bíblia não são apenas tarefas para verificar uma lista; são formas vitais de aprofundar esta relação tão importante. É desta ligação viva e dinâmica que o fruto começa naturalmente a fluir. Se essa relação for negligenciada, as práticas espirituais podem simplesmente tornar-se deveres vazios e não produzirão esse fruto genuíno e produzido pelo Espírito. Isto muda o nosso foco de apenas tentar "fazer" as coisas para crescer espiritualmente, para uma forma mais bíblica, centrada nas relações.

Uma imagem realmente poderosa para isso é «desvelar os nossos rostos» perante Deus, de 2 Coríntios 3:18.12 Isto sugere que uma chave para ser transformado é ser radicalmente, consistentemente aberto e honesto perante Deus, permitindo que a Sua glória (o Seu Espírito) nos mude. Significa mais do que apenas "fazer" coisas espirituais; trata-se de «estar» plenamente presente com Deus, deixando que a Sua presença te reformule de dentro para fora. Isto não acontece tanto quando estamos ativamente a «tentar» produzir frutos quando estamos simplesmente absorvidos na nossa relação com Deus.

É um processo, não uma perfeição

Por último, é tão importante compreender que os frutos espirituais crescem lentamente, ao longo do tempo. Desenvolver um caráter semelhante ao de Cristo é uma viagem ao longo da vida, não algo que acontece da noite para o dia e o torna instantaneamente perfeito.2 A «época de crescimento» deste fruto pode ser longa, pelo que o seu foco deve ser o progresso e a fidelidade na viagem, em vez de tentar alcançar a virtude perfeita num piscar de olhos.7

O que os primeiros Padres da Igreja ensinavam sobre os frutos do Espírito?

Os sábios Padres da Igreja, os pensadores e escritores influentes nos primeiros séculos depois de Jesus, realmente valorizavam o fruto do Espírito. Não viam apenas estas qualidades como boas ideias a visar como sinais absolutamente essenciais de uma verdadeira vida cristã, que fluem diretamente da graça de Deus e da obra do Espírito Santo de santificar os crentes de dentro para fora31.

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.)

Agostinho, que era um gigante do pensamento cristão no Ocidente, ensinou que, quando o apóstolo Paulo listou esses nove frutos em Gálatas, não estava necessariamente a dizer que essa era a lista completa e final. Pelo contrário, era mais como uma ilustração, destinada a mostrar os tipos de virtudes que os crentes devem seguir, que são completamente diferentes das "obras da carne" que devemos evitar.32 Ele também definiu a virtude como "um bom hábito consoante com a nossa natureza", o que se encaixa perfeitamente com a ideia de que o fruto do Espírito, uma vez que começa a crescer, se torna uma parte natural de quem é um crente.10

João Crisóstomo (c. 347-407 AD)

João Crisóstomo, famoso pela sua poderosa pregação (o seu nome «Crisóstomo» significa «boca de ouro»), fez uma distinção muito importante entre as «obras» da carne e os «frutos» do Espírito. Explicou que as más obras provêm apenas do esforço humano, as boas obras - o fruto - precisam não só da nossa vontade e esforço, mas também da graça e bondade absolutamente necessárias de Deus.33 Crisóstomo realmente enfatizou o papel crucial da alma, que ele disse estar no meio da batalha entre a carne (nossos desejos pecaminosos) e o Espírito. As escolhas que a nossa alma faz determinam se ela se torna mais espiritual, cedendo ao Espírito, ou mais mundana, cedendo aos maus desejos.33 Ele também apontou o amor como a "raiz" de todas estas coisas boas, colocando-o em primeiro lugar entre os frutos, e observou que o texto grego lista nove destes frutos.34

O enfoque de Crisóstomo na alma como o lugar que «ordena as paixões» e onde esta batalha tem lugar realça realmente o lado interior e pessoal da transformação espiritual33. Assim, o fruto do Espírito não é apenas uma demonstração externa de bom comportamento; representa uma profunda reordenação e uma vitória no interior da pessoa do crente — a sua mente, a sua vontade e as suas emoções. Esta mudança interior é o que torna uma pessoa «mais espiritual».

Jerónimo (c. 347-420 AD)

Jerónimo, o estudioso que traduziu a Bíblia para o latim (a chamada Vulgata), comentou a forma "elegante" de Paulo: as «obras» pertencem à carne, e estes maus hábitos acabam por desaparecer e não chegam a nada. Mas os «frutos» pertencem ao Espírito, e estas virtudes multiplicam-se e crescem abundantemente, significando vida e crescimento.34 Jerónimo deu-nos também algumas compreensões mais profundas de frutos específicos. Por exemplo, distinguiu entre a verdadeira alegria espiritual (que é uma elevação da mente sobre as coisas que realmente valem a pena celebrar) e a pura alegria (que é uma excitação indisciplinada que não conhece quaisquer limites). Ele também observou que a paz do Espírito é muito mais do que apenas não discutir com as pessoas.34

Ambrósio de Milão (c. 340-397 AD)

Ambrósio, um bispo e teólogo que teve uma grande influência em Agostinho, fez um argumento poderoso. Ele disse que, porque o próprio fruto - amor, alegria, paz, etc. - é inerentemente bom, então o próprio Espírito Santo, a fonte desse fruto, também deve ser inerentemente bom e divino. Se o fruto é bom, argumentou, então a árvore (o Espírito) também deve ser boa.35 Ambrósio ensinou que mostrar o fruto do Espírito é um teste vital para saber se alguém vive verdadeiramente como cristão, um sinal de que está realmente a «andar no Espírito». Sublinhou que a vida espiritual cristã não se trata apenas de tentar comportar-se moralmente; trata-se de estabelecer contacto direto com Deus. Esta presença divina transforma os crentes a partir do interior e faz com que o fruto do Espírito cresça em suas almas.35

A Vulgata Latina e os 12 Frutos

Também é bom recordar que muitos Padres da Igreja, incluindo Jerónimo e Agostinho, trabalharam com essa tradução da Vulgata latina de Gálatas. E por causa de como foi redigido, levou à tradição na Igreja Católica (e algumas outras tradições ocidentais) de listar doze frutos do Espírito. Estes geralmente incluem os nove Paulo listados, com algumas adições ou explicações adicionais, como a generosidade (que às vezes é vista como parte da bondade ou do amor), a modéstia e a castidade (muitas vezes relacionada ao autocontrole).

Um tema comum que vedes nos ensinamentos destes e de outros Padres da Igreja é a poder divino do Espírito Santo ao produzir este fruto. Apontaram sistematicamente para longe de dependermos dos nossos próprios esforços humanos e para a graça iniciadora de Deus e para o papel ativo e absolutamente necessário do Espírito. Isso realmente mostra sua compreensão de que o fruto do Espírito é verdadeiramente sobrenatural, não apenas um conjunto de bons hábitos que conseguimos por conta própria. Esta perspectiva impede-nos de tentar ser bons na nossa própria força e reforça a verdade profunda de que estas virtudes são um dom e uma obra de Deus em cada crente.

Como os frutos do Espírito são diferentes dos dons espirituais?

Embora tanto o fruto do Espírito como os dons espirituais provenham do Espírito Santo e sejam super importantes para a nossa vida cristã e para a forma como servimos, são diferentes no que são, para que servem e como se manifestam.11 Compreender esta diferença ajuda-nos a apreciar o papel único que cada um desempenha no incrível plano de Deus.

Finalidade e Natureza

  • Fruto do Espírito: Isto tem a ver principalmente com o seu cristão. caractere Tornar-se mais semelhante a Jesus. Trata-se de em quem te estás a tornar por dentro. Como já referimos, o «fruto» é singular, o que significa que é um conjunto unificado de nove qualidades que, no seu conjunto, mostram um coração transformado e uma forma de ser piedosa. Cada crente é chamado a cultivar todo este fruto.11 O fruto do Espírito é basicamente uma imagem do caráter de Jesus que está a ser formado em vós.11
  • Os dons espirituais: Trata-se, sobretudo, de cristãos serviço ministério, tanto dentro da família da igreja como fora do mundo. São capacidades específicas ou capacitações especiais dadas pelo Espírito para equipar os crentes para servir, edificar e cumprir eficazmente a missão de Deus.11 Ao contrário do fruto único, os dons são muitos e variados (como o ensino, a cura, a profecia, a administração, o falar em línguas), e diferentes crentes geralmente recebem dons diferentes, tudo de acordo com o que o Espírito decide.11

Aquisição e Desenvolvimento

  • Fruto do Espírito: Isto é algo que cresce e é nutrido ao longo do tempo. É um processo de crescimento gradual que acontece à medida que caminhamos de perto com Cristo, dizemos consistentemente «sim» ao Espírito Santo e passamos por práticas espirituais e experiências de vida em curso11. É um resultado natural do aprofundamento da nossa relação com Cristo37.
  • Os dons espirituais: Estes são dados pelo Espírito Santo, muitas vezes quando se acredita pela primeira vez ou através de uma experiência especial de ser cheio do Espírito.11 Embora se possa desenvolver e melhorar no uso de um dom através da prática e da experiência, o próprio dom pode ser dado em um instante.11

Universalidade vs. Especificidade

  • Fruto do Espírito: Todos os nove aspectos de um fruto são destinados a cada um crente para mostrar como prova de que o Espírito está a viver e a trabalhar neles.11
  • Os dons espirituais: Estes são dados de forma diferente entre os crentes. Nenhum cristão tem todos os dons, e diferentes membros da família da igreja estão equipados com dons diferentes para fazer diferentes trabalhos (1 Coríntios 12:4-11).

Indicador de maturidade

  • Fruto do Espírito: A presença e o crescimento do fruto são sinais fundamentais da maturidade espiritual de um crente e de quão forte é a sua caminhada com Deus.11
  • Os dons espirituais: Ter ou usar dons espirituais não significa necessariamente que alguém esteja espiritualmente maduro. É possível que alguém opere com dons espirituais surpreendentes, mas ainda carece de caráter cristão maduro (como o amor, a paciência ou a humildade).11 De facto, o ministério que é feito com dons poderosos, mas sem o fruto correspondente, pode, por vezes, ser prejudicado pela forma como é entregue.38

Quadro: Fruto do Espírito vs. dons espirituais

Segue-se um pequeno quadro para resumir as principais diferenças:

CaracterísticaFruto do Espíritodons espirituais
Foco primárioCaráter (ser como Cristo)Serviço (fazer a obra de Deus)
NaturezaConjunto unificado de qualidades (singular)Capacidades diversas (plural)
FonteResultado natural da habitação do EspíritoSoberanamente concedido pelo Espírito
DesenvolvimentoCultivada gradualmenteDado, depois desenvolvido em uso
UniversalidadePara todos os crentesDado de forma variada a diferentes crentes
IndicaMaturidade espiritualCapacitação para o ministério, não necessariamente maturidade
EscrituraGálatas 5:22-231 Coríntios 12, Romanos 12, Efésios 4

Embora sejam diferentes, o fruto do Espírito dá-lhe a base essencial de que necessita para utilizar os seus dons espirituais de forma saudável e eficaz. Os dons são como ferramentas para o ministério, o fruto mostra o caráter da pessoa que usa essas ferramentas. O uso de dons espirituais sem o fruto que deve ir com eles - como tentar ensinar ou profetizar sem amor, paciência ou gentileza - pode realmente ser inútil ou mesmo prejudicial para a comunidade cristã.38 O próprio Jesus disse que seus discípulos seriam conhecidos não principalmente pelos seus dons espetaculares pelo amor uns aos outros (João 13:35), e o amor é o primeiro aspecto do fruto do Espírito.11 Portanto, o crescimento do caráter piedoso através do fruto do Espírito é absolutamente vital para quem quer usar seus dons espirituais de uma forma que verdadeiramente honra a Deus e edifica os outros.

Conclusão: Viver uma vida que reflete o Espírito de Deus

O fruto do Espírito pinta uma imagem tão bela e excitante da obra surpreendente e transformadora de Deus na vida de cada crente. Estas nove qualidades - amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, gentileza e autocontrole - não são uma lista de virtudes a serem alcançadas com suas próprias forças. Não, são os resultados naturais e maravilhosos de uma vida rendida ao Espírito Santo e enraizada em uma relação viva e vibrante com Jesus Cristo.

É tão importante recordar que este é um «fruto» singular, uma expressão unificada de um caráter semelhante ao de Cristo com muitas facetas bonitas, e todas elas se destinam a crescer e amadurecer juntas ao longo do tempo. Este desenvolvimento é uma viagem, um processo que é alimentado quando se pratica intencionalmente coisas como a oração, a imersão na Palavra de Deus e a comunhão ativa com outros crentes, tudo ao mesmo tempo que se confia no incrível poder do Espírito.

Escolher cultivar estas qualidades não deve parecer um fardo pesado. Em vez disso, veja-o como um convite a uma vida cristã mais gratificante, autêntica e impactante. À medida que tu, um crente, permites cada vez mais que o Espírito Santo realize Suas maravilhas dentro de ti, tua vida brilhará cada vez mais claramente com a bondade, a graça e o amor de Deus para um mundo vigilante ver. Quanto mais tu e as comunidades de que fazes parte encarnarem o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a gentileza, a fidelidade e o autocontrolo, mais te tornarás verdadeiramente semelhante a Jesus.41 Esta é a vocação elevada e o maravilhoso resultado prometido de uma vida vivida em sintonia com o Espírito.

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