Estudo Bíblico: Compreender a importância dos altares




  • Altares na Bíblia simbolizam a ligação entre Deus e as pessoas, servindo como locais dedicados de adoração e sacrifício.
  • Figuras-chave como Noé, Abraão, Isaque e Jacó usaram altares para marcar encontros divinos e afirmar seus pactos com Deus.
  • Os tipos de altares evoluíram de estruturas simples feitas de terra e pedras para desenhos mais elaborados no Tabernáculo e no Templo, representando o culto organizado.
  • No Novo Testamento, Jesus redefiniu os sacrifícios, tornando-se o sacrifício final e mudando o foco dos altares físicos para a devoção espiritual e adoração pessoal.

Introdução: A importância duradoura dos altares na história de Deus

Não é espantoso como Deus funciona? Em toda a sua Palavra, a Bíblia, vemos estes lugares especiais chamados altares. Não se trata apenas de pilhas velhas de rochas ou de mobiliário sofisticado num templo; Oh não, são muito mais! São símbolos poderosos daqueles momentos incríveis em que Deus estendeu a mão às pessoas, e as pessoas estenderam a mão a Deus.1 Veja, no fundo, todos nós temos este desejo de nos conectarmos com o Divino, e os altares mostram-nos como Deus sempre compreendeu isso. Ele até guiou o seu povo a construir estes lugares, sabendo que os nossos corações anseiam por esta ligação tangível com Ele.

Hoje, quero encorajá-lo a explorar o maravilhoso significado e a incrível viagem dos altares no plano de Deus. Vamos ver como tudo começou com homens fiéis como Noé e Abraão. Veremos as instruções especiais para os altares do Tabernáculo e do grande Templo. Depois, descobriremos a forma espantosa como Jesus transformou a nossa compreensão dos altares e o que significam hoje para nós. Quando compreendeis a história dos altares, abre-vos os olhos para o quanto Deus sempre quis estar com o Seu povo, encontrar-se com ele e abençoá-lo. Esta viagem pode ajudar-vos a ver, de uma maneira nova, como Deus ainda procura aquela maravilhosa comunhão com cada um de nós.

O que é um altar na Bíblia e o que significa primeiro?

O que é um altar quando lemos sobre ele na Bíblia? Bem, simplesmente, é um local especial e dedicado onde as pessoas trazem os seus dons e ofertas a Deus.5 A principal palavra hebraica para altar, mizbēaḥ, na verdade, vem de uma palavra que significa «matar» ou «sacrifício».6 Imediatamente, isso diz-nos que uma grande parte do que se tratava de altares envolvia estas ofertas. Até a palavra inglesa «altar» tem raízes em palavras latinas como altārium, que significa «lugar alto», e adolere, que significa «queimar ou sacrificar ritualmente».5 Assim, imagine-se o seguinte: Ofertas a serem levantadas para cima a Deus, que vai de um lugar especial elevado para o céu. Trata-se de orientar a nossa adoração dos nossos corações para o nosso Deus incrível.

A ideia de altares não era exclusiva de um único grupo. No passado, as pessoas viam muitas vezes certos lugares — talvez uma grande árvore, uma nascente fluente ou uma rocha especial — como locais sagrados, onde Deus ou os poderes espirituais podiam estar.3 E deixavam presentes lá, na esperança de encontrar favores. Nas primeiras histórias da Bíblia, os altares eram muitas vezes muito simples. De facto, quando Deus deu instruções pela primeira vez sobre a construção de um altar, em Êxodo 20:24-25, Ele disse para fazê-los fora da terra ou pedras simples, comuns que não tinham sido cortadas ou moldadas.6

E há uma bela razão para essa simplicidade. Deus disse em Êxodo 20:25: "E se me fizeres um altar de pedra, não o edificarás de pedra talhada; porque, se utilizar a sua ferramenta, profanou-a».8 Porquê? Bem, Deus não queria que as pessoas esculpissem imagens nas pedras que pudessem afastá-las d'Ele e levá-las à idolatria, o que era um grande não-não.9 Foi um lembrete de que o nosso culto deve centrar-se na incrível criação de Deus e no seu trabalho, e não em quão inteligentes ou artísticos podemos ser. A natureza, feita por Deus, era pura. mas quando tentamos mudá-lo demasiado com as nossas próprias mãos, podemos simbolicamente sujá-lo.9 Alguns até veem isto como uma imagem dos nossos corações – Deus quer que sejam puros e naturais, nem todos moldados por ideias humanas, para que Lhe sejam aceitáveis.10 Esta simples instrução mostra-nos que, desde o início, o verdadeiro culto foi concebido para ser uma resposta genuína à bondade de Deus e ao seu caráter, e não um espetáculo fantasioso dos nossos próprios talentos ou alguma forma de tentar controlar Deus com coisas criadas pelo homem. O acesso a Deus não tem a ver com coisas complicadas; Tratava-se de um sincero encontro de coração com Ele.

Por que os altares eram tão importantes no Antigo Testamento, especialmente para Noé, Abraão, Isaque e Jacó?

Quando olhamos para a vida desses gigantes da fé - Noé, Abraão, Isaque e Jacó - vemos que os altares eram incrivelmente pessoais e poderosos para eles. Estes não eram apenas locais de rituais; Eram como âncoras espirituais, marcando os próprios locais onde tinham encontros que mudavam a vida com Deus e onde Ele lhes fazia promessas incríveis.

Noah: Consegues imaginar? Depois que o mundo inteiro foi inundado, a primeira coisa que Noé fez quando saiu daquela arca foi construir um altar ao Senhor. Gênesis 8:20 nos diz: "Então Noé edificou um altar ao Senhor e, tomando alguns de todos os animais limpos e aves limpas, sacrificou-lhe holocaustos".8 Que ato poderoso de adoração! Era a sua forma de dizer: «Deus, obrigado por nos salvares!» e tratava-se de começar de novo, reconstruir a relação da humanidade com Deus numa terra totalmente nova.2 O altar de Noé, um altar de sacrifício, preparou realmente o terreno para o culto futuro e mostrou a importância dos holocaustos12.

Abraão: Abraão, o pai da fé — a sua viagem de vida foi marcada pela construção de altares. Estes altares eram tão grandes:

  • Adorar e dizer "sim" a Deus: A construção de um altar foi a forma de Abraão dizer: «Deus, Tu és o responsável, e eu estou todo em Ti!»2
  • Responder à voz de Deus: Muitas vezes, Abraão construiu altares exatamente onde Deus lhe apareceu ou lhe deu uma grande promessa. Por exemplo, quando Deus apareceu em Siquém e prometeu essa terra aos seus descendentes, Génesis 12:7 diz: «Edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera».11 Estes altares tornaram-se como memoriais, recordando-lhe a fidelidade de Deus e a sua própria resposta cheia de fé.2
  • Marcação do Pacto: Os altares estavam ligados diretamente ao incrível pacto que Deus fez com Abraão. Eram como sinais físicos das promessas de Deus e do "sim" de Abraão ao acordo.1
  • Declarar a propriedade da terra por Deus: Ao construir altares em lugares como Siquém, Betel e Hebrom, Abraão estava, de certa forma, a plantar uma bandeira espiritual, alegando que a terra para Deus e para o futuro tinha prometido. Deus prometeria a terra, e Abraão construiria um altar.8 Alguns acreditam que estes altares patriarcais eram uma forma de "servir os seus pactos ancestrais para um domínio contínuo na sua terra de herança", e que os sete altares construídos por Abraão, Isaque e Jacó juntos mostraram que Canaã sempre pertenceria aos seus descendentes.15
  • Sacrifique-se e corrija as coisas: Embora nem todas as histórias do altar mencionem um sacrifício, o mais poderoso está no Monte Moriá, onde Abraão estava pronto para oferecer seu filho Isaque (Gênesis 22:9). Este foi um vislumbre, um prenúncio, do sacrifício final que Deus um dia faria.11

Isaac: Isaque, seguiu os passos de fé e de construção de altares do seu pai. Depois que Deus lhe apareceu em Berseba e reconfirmou essas promessas surpreendentes da aliança, Gênesis 26:25 nos diz: "Isaac construiu ali um altar e invocou o nome do Senhor".8 Isto mostrou seu próprio encontro pessoal com Deus e que ele estava continuando essa relação da aliança.15

Jacob: Jacó também tinha alguns momentos incríveis de Deus, e muitas vezes os marcava com altares. Pense em Betel, que significa «Casa de Deus». Foi aí que Deus lhe apareceu num sonho! Mais tarde, Deus disse-lhe para voltar para Betel, e ele construiu um altar lá (Gênesis 35:1, 3, 7).8

Para todos estes homens de Deus, a construção de um altar foi um ato poderoso de consagração—dizendo: «Deus, dou-me a mim mesmo e tudo o que tenho a Ti.»16 Estes altares não eram apenas para rituais; eram locais de relacionamento, de conversação com Deus («chamar o nome do Senhor») e de recordação da Sua bondade.8 Eram como lembranças tangíveis de como Deus tinha aparecido no passado, e que alimentavam a sua fé e obediência para o futuro, tornando a presença e as promessas de Deus muito reais nas suas vidas, muitas vezes em mudança. E sabes que mais? Hoje podemos fazer algo semelhante. Podemos criar os nossos próprios «altares» — esses lembretes especiais de como Deus entrou especificamente nas nossas vidas, demonstrou a sua fidelidade e cumpriu as suas promessas. Isso também pode fortalecer a nossa fé!

Quais eram os principais tipos de altares no Antigo Testamento e de que eram feitos?

À medida que o plano de Deus se desenrolou no Antigo Testamento, vemos uma evolução nos tipos de altares que as pessoas construíram. Esta mudança refletiu a forma como o culto de Israel se tornou mais organizado e centrado. E cada tipo de altar, com os seus materiais e desenhos especiais, estava repleto de significados, ensinando verdades poderosas sobre o caráter de Deus e a forma como Ele queria que as pessoas se aproximassem dEle.

  1. Altares Primitivos/Patriarcais (O Início Simples):

Como falamos, os primeiros altares construídos por heróis da fé como Noé, Abraão, Isaque e Jacó eram geralmente bastante simples.

  • Do que eram feitos: Eles usaram o que estava ali mesmo na natureza: terra ou pedras simples, não cortadas, assim como Deus mais tarde instruiu em Êxodo 20:24-25.6 não utilizar pedras que tinham sido moldadas ou esculpidas por ferramentas.
  • Por que os construíram: Estes altares eram para falar diretamente com Deus, oferecer sacrifícios, marcar os lugares surpreendentes onde Deus apareceu ou falou, e lembrar-se daqueles momentos de aliança com Ele.
  1. Altares do Tabernáculo (Santuário Móvel de Deus):

Quando Deus estabeleceu o Pacto Mosaico e deu instruções para o Tabernáculo - esse incrível santuário portátil para sua viagem ao deserto - Ele especificou dois altares distintos. Esta foi uma mudança, no sentido de uma forma mais estruturada e separada para toda a comunidade adorar.

Altar da oferta queimada (também chamado de Altar de Brazen ou mesmo «Mesa de Deus») 5):

  • Onde estava: Este era o altar maior, e sentava-se no pátio externo do Tabernáculo. Foi a primeira coisa sagrada que um adorador veria quando entrasse na área do Tabernáculo.
  • Do que foi feito: Era feito de madeira de acácia (também chamada madeira de acácia), que era resistente e encontrada no deserto, e depois estava completamente coberto de bronze.6 O altar era oco, talvez cheio de terra ou pedras para ajudar com o calor e mantê-lo estável.6 Tinha uma grade de bronze, como uma malha, a meio caminho para baixo, e foi aí que a madeira e os sacrifícios foram colocados.6
  • Como parecia: O Altar da Oferta Queimada era quadrado, com cerca de 7,5 pés de comprimento, 7,5 pés de largura e 4,5 pés de altura.6 Tinha quatro "chifres" nos cantos, que faziam parte do altar e também estavam cobertos de bronze.6 Estes chifres eram super importantes nos rituais de sacrifício — o sangue era muitas vezes colocado sobre eles, e eles eram até um lugar onde alguém podia procurar segurança.17 E obtê-lo: Para evitar a prática pagã, onde os sacerdotes podiam expor-se subindo degraus, eles usaram uma rampa para subir ao altar.6 Também tinha anéis de bronze e postes feitos de madeira de acácia cobertos de bronze para que pudessem levá-lo quando se movessem.6
  • O significado do bronze: O bronze é um metal forte que pode lidar com o fogo, e muitas vezes foi associado ao julgamento. Os sacrifícios pelo pecado foram oferecidos neste altar de bronze, mostrando que o pecado tinha de ser julgado antes que alguém pudesse aproximar-se de um Deus santo17. Alguns dizem que a madeira de acácia no interior pode representar a humanidade de Jesus, forte o suficiente para suportar o julgamento de Deus25.

Altar do Incenso (também conhecido como Altar Dourado ou Altar Interior) 6):

  • Onde estava: Este pequeno altar estava dentro do Santo Lugar, a primeira sala da tenda do Tabernáculo. Foi mesmo em frente ao véu que separou o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (o Santo dos Santos), onde estava a Arca da Aliança.
  • Do que foi feito: Também era feito de madeira de acácia, esta estava completamente coberta de ouro puro.6 Todas as suas ferramentas também eram de ouro.
  • Como parecia: O Altar do Incenso era quadrado, com cerca de 1,5 metro de comprimento, 1,5 metro de largura e 3 metros de altura.6 Assim como o outro altar, tinha quatro chifres em seus cantos, cobertos de ouro. Tinha um belo molde de ouro ou «coroa» à volta do topo e anéis de ouro com postes cobertos de ouro para transportar.6
  • O significado do ouro: O ouro, tão precioso e puro, simbolizava o próprio Deus, a sua santidade, a sua glória e a sua realeza.17 A utilização de ouro para o altar do incenso, que tinha tudo a ver com a oração e estava mais perto da presença surpreendente de Deus no Santo dos Santos, mostrava o quão sagrado é falar com Deus.
  1. Altares do Templo de Salomão (permanentes e ainda mais magníficos):

Quando o Rei Salomão construiu o Templo permanente em Jerusalém, ele geralmente seguiu os desígnios dos altares do Tabernáculo, tudo estava em uma escala muito maior, maior! Isto refletia a permanência e a importância nacional deste local central de culto.

Altar de Oferta Queimada (Altar de Bronze):

  • Onde estava: Tal como no Tabernáculo, era no pátio do Templo.6
  • Do que foi feito: Este altar era feito inteiramente de bronze (ou talvez bronze cobrindo uma enorme pedra ou estrutura de terra).
  • Como parecia: Era muito maior do que o altar do Tabernáculo - cerca de 30 pés de comprimento, 30 pés de largura e 15 pés de altura!6 Por ser tão grande, precisava definitivamente de uma rampa para os sacerdotes.6

Altar do Incenso (Altar de Ouro):

  • Onde estava: Isto estava dentro do Lugar Santo do Templo, mesmo antes do véu.29
  • Do que foi feito: Embora o altar de incenso do Tabernáculo fosse de madeira de acácia coberta de ouro, o altar de incenso do Templo é descrito como sendo feito de madeira de cedro coberta de ouro (1 Reis 6:20, 22).29 Isto mostra os materiais ainda mais preciosos utilizados no grande Templo.31
  • Como parecia: O seu tamanho era semelhante ao do Tabernáculo (1 Reis 6:20 parece descrevê-lo em relação ao oráculo Êxodo 30:1-10 ainda era o padrão) e fazia parte de um cenário muito mais permanente e lindamente decorado.29
  1. Altares ilegítimos/pagãos (Aqueles a quem Deus disse «Não»):

O Antigo Testamento também fala muito sobre altares construídos para adorar falsos deuses, como Baal. Deus proibiu estritamente estes, e Ele muitas vezes disse aos israelitas para derrubá-los (como em Êxodo 34:13).8 Altares feitos de tijolos também eram algo que Deus não gostava (Isaías 65:3).8

Esta viagem de simples altares pessoais de terra e pedra para os altares revestidos de metal cuidadosamente concebidos e valiosos do Tabernáculo e Templo é incrível. Mostra a adoração movendo-se de indivíduos e famílias para um sistema nacional altamente organizado e concebido por Deus, com o altar sempre sendo uma parte central. E a escolha dos materiais – terra, pedra, madeira, bronze e ouro – não foi aleatória. Estes materiais pintavam um quadro, uma teologia visual, ajudando o adorador a compreender o pecado, o julgamento, a santidade e a viagem sagrada até à presença de Deus.

Para ajudá-lo a ver tudo claramente, aqui está uma pequena tabela resumindo estes altares do Antigo Testamento:

Quadro 1: Altares-chave do Antigo Testamento e suas características

Tipo de AltarMateriais primáriosCaracterísticas-chave do projetoLocalizaçãoFinalidade principal
Altares patriarcaisTerra, Pedras DescobertasConstruções simples, muitas vezes espontâneasSítios de encontros divinosAdoração direta, sacrifício, marcar encontros divinos, fazer pactos 1
Tabernáculo: Oferta queimadaMadeira de acácia, sobreposição de bronzeQuadrado (5x5x3 côvados), chifres, grelha de bronze, rampa, portátil (anéis & postes)Pátio exteriorSacrifícios de animais para a expiação, adoração, ação de graças 6
Tabernáculo: IncensoMadeira de acácia, sobreposição de ouroQuadrado (1x1x2 côvados), chifres, coroa/moldagem dourada, portátil (anéis & postes)Santo Lugar (antes do véu)Incenso em chamas que simboliza a oração e a intercessão 6
Templo: Oferta queimadaBronze (ou bronze sobre a pedra/terra)Grande, quadrado (20x20x10 cúbitos), chifres, rampaPátio do TemploSacrifícios de animais para expiação, adoração, ação de graças numa escala nacional 6
Templo: IncensoMadeira de cedro, sobreposição de ouroQuadrado (semelhante ao padrão do Tabernáculo), chifres, coroa/moldagem de ouro, permanenteSanto Lugar (antes do véu)Incenso ardente que simboliza a oração e a intercessão dentro do Templo permanente 29

Qual era o propósito dos sacrifícios nos altares do Antigo Testamento?

Os sacrifícios eram o coração e a alma absolutos da adoração do Antigo Testamento, e o altar era o palco sagrado onde esses rituais incrivelmente importantes aconteciam. Este sistema sacrificial não foi apenas uma ideia aleatória; foi a espantosa provisão de Deus para ajudar Israel na sua relação com Ele e para lidar com a condição humana. Não se tratava apenas de um tipo de ato todo um sistema com ofertas diferentes por diferentes razões.

A razão mais importante para os sacrifícios no altar era para fazer as coisas retas com Deus por causa do pecado (expiação). O livro de Levítico, especialmente, explica como o sangue dos animais de sacrifício, quando foi derramado e colocado sobre o altar, fez expiação pelas almas do povo (Levítico 17:11).1 Isto mostrou quão grave era o pecado e que a sua consequência era a morte. Todo este sistema, com todo o seu foco na expiação do sangue, estava a apontar poderosamente para o sacrifício final de Jesus Cristo.

Mas não se tratava apenas do pecado. Os sacrifícios também eram atos poderosos de adoração e devoção. Ofertas como o holocausto, onde todo o animal era consumido no altar, simbolizavam entregar-se completamente a Deus, sem reter nada.1 Através desses atos, as pessoas e toda a comunidade mostraram seu respeito, sua submissão e sua honra ao seu poderoso Deus.7

Os sacrifícios também eram uma forma de dizer «Obrigado.» A oferta de Noé depois do dilúvio? Foi um enorme «obrigado» a Deus por o ter salvado a ele e à sua família.2 As ofertas de paz tinham muitas vezes também um elemento de ação de graças, e geralmente envolviam uma refeição em conjunto, que simbolizava comunhão e comunhão com Deus e uns com os outros.8

Os altares e os sacrifícios neles também eram uma parte fundamental da fazer e renovar pactos. Quando Deus fez esses acordos solenes com seu povo, os sacrifícios eram muitas vezes parte de selar o acordo e confirmar a relação (como em Êxodo 24:4-8, onde Moisés construiu um altar e ofereceu sacrifícios quando a Aliança Mosaica foi estabelecida).

E depois, algumas ofertas destinavam-se a purificação, limpar as pessoas ou coisas da impureza ritual, tornando-as santas e aceitáveis para aproximar-se de Deus ou unir-se em adoração com a comunidade.

Havia uma função especial ligada ao Altar do Incenso (Altar Dourado). Todos os dias, incenso especial era queimado sobre este altar no Lugar Santo, e simbolizava o orações do povo de Deus que se eleva a Ele.6 O Salmo 141:2 pinta um belo quadro: «Que a minha oração seja apresentada a Ti como incenso, o levantar das minhas mãos como sacrifício vespertino».26 Este ato de oferecer incenso foi considerado um «aroma agradável» ao Senhor, demonstrando que Ele aceita as nossas orações sinceras e o nosso culto.28

Até mesmo o fogo no Altar da Oferta Queimada foi grande. De acordo com Levítico 6:12-13, o próprio Deus acendeu o fogo no início, e supunha-se que ele fosse mantido em chamas o tempo todo. Esta chama sempre ardente simbolizava a presença constante de Deus, o seu pacto sem fim e a sua disponibilidade para aceitar as ofertas do seu povo.

A ideia de um «aroma agradável» que vemos com ambos os holocaustos (Levítico 1:9) 2 e o incenso 26 diz-nos algo maravilhoso: Na realidade, Deus aprecia o culto sincero, o arrependimento e a devoção do seu povo quando é oferecido de um coração genuíno, de acordo com os seus caminhos. Isto mostra-nos um Deus que não está distante ou indiferente, que é tocado pelos nossos atos de adoração quando vêm de um lugar verdadeiro. Os rituais eram específicos, sim, que «aroma agradável» significa que Deus olhava para além da mecânica para o coração por trás da oferta.

Assim, o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, com o altar no centro, era a forma graciosa de Deus permitir que um povo pecador se aproximasse de um Deus santo. Ensinou-lhes quão grave é o pecado, por que a expiação é necessária, quão importante é a adoração e a ação de graças, e o caminho para permanecer em comunhão com Ele - tudo isso apontando para um sacrifício mais perfeito e final. Não é alguma coisa?

Como a ideia dos altares mudou com Jesus Cristo no Novo Testamento?

Quando Jesus Cristo chegou à cena, trouxe uma transformação absolutamente poderosa e maravilhosa na forma como compreendemos os altares e sacrifícios. O sistema do Antigo Testamento, com os seus altares físicos e sacrifícios de animais, era o plano de Deus para aquela época. O Novo Testamento mostra-nos que tudo conduzia a algo ainda maior, algo realizado em Jesus.2 O foco muda drasticamente das coisas físicas e dos rituais repetidos para as realidades espirituais centradas na pessoa e obra surpreendentes de Jesus.

A maior mudança, a mais incrível das notícias, é que O próprio Jesus Cristo é o sacrifício final.. Sua morte na cruz é o sacrifício final, perfeito, de uma vez por todas pelos pecados de cada pessoa, fazendo com que esses contínuos sacrifícios de animais em altares físicos não sejam mais necessários.1 O escritor de Hebreus explica-o tão belamente: Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, ofereceu-Se uma vez por todos, alcançando uma redenção eterna que o sangue de touros e bodes nunca poderia (Hebreus 9:11-14, 10:10-12). A cruz em si é vista como o altar final. onde Jesus, o Cordeiro de Deus, derramou o seu sangue para redimir o mundo.1 Alguns teólogos até chamam à cruz «altar pessoal de Deus», sublinhando que o próprio Deus estava neste sacrifício.35 De facto, Cristo é o Sacerdote, Ele é a Vítima (o sacrifício) e Ele é o Altar do seu próprio sacrifício!37

Este espantoso cumprimento levou a passar dos altares físicos para os espirituais. A adoração não está mais ligada a um lugar específico ou a um templo físico com seus altares. O próprio Jesus insinuou isso quando falou com a mulher samaritana, dizendo que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai "em espírito e verdade" (João 4:23-24).1 E quando o véu do templo rasgou em dois no momento em que Cristo morreu (Mateus 27:51), foi um símbolo poderoso desta mudança! Significava que o acesso direto à presença de Deus estava agora aberto a todos os que vêm através de Cristo, sem necessidade do antigo sistema de altares terrestres e de mediação sacerdotal da mesma forma.1

Assim, o Novo Testamento introduz estas novas ideias espirituais sobre altares e sacrifícios:

  • O teu corpo como sacrifício vivo: Em Romanos 12:1, o apóstolo Paulo exorta-nos a «oferecer o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus – este é o vosso culto verdadeiro e próprio».1 Uau! É um apelo radical. Ao contrário dos sacrifícios do Antigo Testamento que foram mortos, devemos oferecer-nos continuamente, embora estejamos vivos, dedicando todo o nosso ser — os nossos corpos, as nossas mentes, as nossas ações, as nossas vontades — a servir a Deus.35 Esta vida contínua e dinâmica de devoção torna-se o nosso ato espiritual de adoração.
  • O altar do teu coração: O seu coração torna-se um altar espiritual. É um lugar sagrado e interno para a devoção, para a ligação com Deus e para oferecer-se a Ele.1 Isto traz a adoração para dentro, tornando-a pessoal e sempre disponível.
  • Oração e louvor como sacrifícios espirituais: As nossas orações são como o incenso que sobe de um altar espiritual (Apocalipse 8:3-4).1 Hebreus 13:15 encoraja-nos a «oferecer continuamente a Deus um sacrifício de louvor — o fruto dos lábios que professam abertamente o seu nome».

Este versículo em Hebreus 13:10, «Temos um altar do qual os que ministram no tabernáculo não têm o direito de comer» é entendido como referindo-se a Cristo e ao Seu sacrifício.2 Enquanto crentes, «comemos» espiritualmente deste «altar» — o próprio Cristo — recebendo alimento e vida do Seu sacrifício, algo que o antigo sistema não podia proporcionar.

Assim, o Novo Testamento não descarta as ideias fundamentais dos altares — dedicação, oferta, comunhão e expiação. Em vez disso, mostra-nos a sua realização final e como eles se tornam reais dentro de nós, em e através de Jesus Cristo. A mudança de animais que cobrem o pecado uma e outra vez para Cristo que vence o pecado de uma vez por todas significa que estamos num Novo Pacto. Este novo pacto não se refere principalmente a lidar com a culpa do pecado o tempo todo (embora se baseie no pagamento integral de Cristo por essa culpa), mas sim a capacitar-nos para viver uma nova vida santa dedicada a Deus, tudo isto tornado possível pela Sua vitória. Isto abre o culto a todos e torna-o profundamente pessoal, chamando cada cristão a uma vida contínua de oferta a Deus. Quão espantoso é isso?

O que a Bíblia quer dizer com um "Altar Celestial"?

A ideia de um «altar celestial» é algo verdadeiramente especial, e encontramo-la principalmente nos livros de Hebreus e Apocalipse do Novo Testamento. Ele pinta um quadro de uma contraparte celestial para aqueles altares terrestres, mostrando-nos a realidade final de adoração e fazer as coisas direito com Deus.

O Altar Celestial no Livro de Hebreus:

O livro de Hebreus desenha este incrível contraste entre o Tabernáculo terreno e os seus serviços, e um "tabernáculo maior e mais perfeito" (Hebreus 9:11) no céu. Ensina-nos que o santuário terrestre e os seus altares eram apenas «uma cópia e sombra das coisas celestiais» (Hebreus 8:5).36 Moisés teve realmente um vislumbre deste padrão celestial quando estava no Monte Sinai.

Jesus Cristo, o nosso espantoso Sumo Sacerdote, não está a ministrar num santuário terreno. Não, Ele entrou no celestial, "o verdadeiro tabernáculo que o Senhor armou, e não o homem" (Hebreus 8:2).36 É neste altar celestial, dentro deste verdadeiro santuário, que Cristo apresentou o Seu próprio sangue como o sacrifício perfeito e eterno pelos pecados (Hebreus 9:11-14, 9:24).36 O Seu ministério ali garante que a Sua obra expiatória é para sempre eficaz e que nós, como crentes, temos acesso a Deus.

O Altar Celestial no Livro do Apocalipse:

O Livro do Apocalipse dá-nos várias visões poderosas que incluem um altar no céu, e desempenha um grande papel no desenrolar do drama do fim dos tempos.

  • Em Apocalipse 6:9, João vê «debaixo do altar as almas daqueles que foram mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que tinham mantido.» Estes são os mártires, aqueles que deram a vida pela sua fé. A sua presença «debaixo do altar» evoca a imagem dos sacrifícios. Este altar é muitas vezes visto como o altar celestial do sacrifício, onde suas vidas, oferecidas por sua fé, são vistas como oferendas.42 Seu sangue, como o sangue dos sacrifícios do Antigo Testamento derramado na base do altar, clama a Deus por justiça.
  • Em Apocalipse 8:3-5, um anjo está de pé num «altar de ouro diante do trono» com um incensário de ouro. Deu «muito incenso para oferecer, com as orações de todo o povo de Deus».1 O fumo do incenso, misturado com estas orações, sobe até Deus. Em seguida, o anjo pega fogo deste altar no incensário e lança-o à terra, seguido de trovões, relâmpagos e um terramoto — sinal do início dos julgamentos de Deus.2 Este altar de ouro é claramente a versão celestial do Altar do Incenso, ligando diretamente as orações dos santos à forma como os propósitos de Deus se desenrolam.
  • Outras partes do Apocalipse também mencionam o altar no contexto do culto celestial, das declarações de Deus e do julgamento (Apocalipse 9:13; 11:1; 14:18; Por exemplo, uma voz dos quatro chifres do altar de ouro é ouvida em Apocalipse 9:13, e em Apocalipse 16:7, o próprio altar fala, confirmando a verdade e a justiça dos juízos de Deus.

Há alguma discussão entre os estudiosos sobre se o Apocalipse está a mostrar-nos um altar celestial polivalente ou dois altares separados, como o altar terrestre da oferta queimada e o altar do incenso42. Mas, independentemente da configuração exata, a função simbólica do altar celestial é o que é verdadeiramente importante.

Como é este Altar Celestial e o que ele faz?

O altar celestial representa o lugar último e permanente do verdadeiro culto e sacrifício, onde a oferta de Cristo é eternamente válida. É o lugar onde as orações dos santos são recebidas e apresentadas a Deus, mostrando o seu acesso e aceitação diretos na Sua presença.2 Mais do que isso, este altar está diretamente ligado à justiça de Deus e à forma como Ele realiza o seu plano de redenção e julgamento na história. Os gritos dos mártires de debaixo do altar e o fogo lançado do altar à terra mostram que não se trata apenas de um local de culto silencioso, um centro dinâmico a partir do qual os propósitos de Deus — incluindo o julgamento do mal e a vindicação e salvação do Seu povo fiel — são postos em prática43.

Esta ideia de um altar celestial traz-nos tanto conforto e segurança como crentes. Confirma que o sacrifício de Cristo tem um poder celestial duradouro, que as nossas orações são verdadeiramente ouvidas mesmo perante o trono de Deus e que Deus está soberanamente a elaborar os seus planos para a justiça e a redenção. Não é maravilhoso saber?

Como podem os crentes ser hoje «sacrifícios vivos» (Romanos 12:1)?

As palavras do apóstolo Paulo em Romanos 12:1 são um verdadeiro fator de mudança para compreender como viver a vida cristã: «Por conseguinte, exorto-vos, irmãos e irmãs, tendo em conta a misericórdia de Deus, a oferecerem os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus — este é o vosso culto verdadeiro e adequado.» Este apelo poderoso redefine completamente o significado do sacrifício. Muda-o de algo que um sacerdote fazia de vez em quando, para um ato contínuo e pessoal que cada um de nós pode fazer em todas as partes da nossa vida.

O que significa «sacrifício vivo»?

Ser um «sacrifício vivo» significa oferecer todo o seu ser — o seu corpo, a sua mente, a sua vontade, as suas ações — na dedicação contínua a Deus.1 Ao contrário dos sacrifícios de animais no Antigo Testamento que foram mortos no altar, este sacrifício é «vivo». Isto significa que é uma escolha dinâmica e momento a momento de se separar para os propósitos de Deus enquanto estiver vivo e bem.35 Implica entregar voluntariamente os seus próprios desejos, ambições, planos e até mesmo os seus medos à sua liderança.39 Somos chamados a «ficar no altar» conscientemente, renovando continuamente esse compromisso38.

«Santo e agradável a Deus»:

Esta oferta de nós mesmos deve ser «santa», ou seja, separada de Deus, diferente dos padrões e valores do mundo que nos rodeia. Trata-se de viver uma vida que está a ser transformada pelo caráter de Deus e alinhada com a sua vontade39. é preciso esforço e decisão conscientes, porque Paulo sabia que a nossa "carne" - a nossa natureza humana que tende a querer o seu próprio caminho - muitas vezes luta contra esta entrega completa a Deus.38

«Adoração verdadeira e adequada» (ou «Serviço razoável» / «Adoração espiritual»):

Apresentar-nos como um sacrifício vivo é descrito como o nosso «culto verdadeiro e adequado» (algumas traduções dizem «serviço razoável» ou «culto espiritual»).38 Isto diz-nos que viver uma vida de dedicação total é a forma lógica, autêntica e espiritualmente madura de responder à incrível misericórdia que Deus nos mostrou em Cristo, de que Paulo fala nos capítulos anteriores de Romanos39. Este entendimento expande a nossa ideia de culto muito para além dos serviços formais da igreja ou de atos religiosos específicos. Significa que toda a nossa vida diária pode ser um ato de adoração!39

Como viver praticamente como um sacrifício vivo?

Este apelo à vida sacrificial mostra-se de formas reais e tangíveis:

  • Servir aos outros: Significa colocar as necessidades dos outros à frente das nossas, amar o próximo e usar os dons espirituais que Deus nos deu para edificar a sua igreja e servir o mundo.
  • Escolhas diárias: Como usamos o nosso tempo, como gerimos o nosso dinheiro, como conduzimos as nossas relações e as decisões éticas que tomamos todos os dias — tudo isto se torna expressão desta autooferta.39
  • Renunciar à nossa vontade: Envolve muitas vezes uma luta interna, uma escolha consciente de submeter a nossa própria vontade à vontade de Deus em diferentes situações.35 Esse é o cerne do sacrifício.

E aqui está algo muito importante: ser um «sacrifício vivo» é algo que fazemos em resposta a A misericórdia de Deus, não para ganhe 39 A nossa motivação é a gratidão e o amor pela salvação que já recebemos através de Cristo, e não o medo ou a tentativa de fazer com que Deus goste mais de nós. Este conceito capacita cada crente a ver a sua vida comum como uma oportunidade extraordinária para a adoração, tornando a fé incrivelmente prática e algo que toca cada parte de quem somos. Muda o foco de apenas cumprir os deveres religiosos em momentos definidos para uma dedicação abrangente a Deus, vivida exatamente onde estamos.

O que significa ter um «Altar no nosso coração»?

Quando falamos em ter um «altar no coração», é uma forma bonita e poderosa de descrever como a adoração, o sacrifício e a nossa ligação com Deus se tornam profundamente pessoais e internos. Pode não encontrar esta frase exacta na Bíblia que capta maravilhosamente tantas verdades do Novo Testamento sobre a nossa vida interior e a nossa relação com Deus. Significa que o lugar principal onde nos encontramos com Deus e nos oferecemos a Ele mudou-se de um edifício físico, externo, para o espaço espiritual, interno de nossos próprios corações.

Deus quer que os nossos corações se tornem estes espaços sagrados, verdadeiros «álatas» dedicados a adorá-Lo e a ter comunhão com Ele.40 Este altar interior é onde o Espírito Santo vive em nós (1 Coríntios 6:19), transformando cada um de nós num templo de Deus.1 É neste espaço sagrado do coração que começa e cresce uma relação correta com Deus. É onde escolhemos colocar Deus onde nos arrependemos quando precisamos e onde oferecemos o nosso melhor — o nosso tempo, os nossos talentos, todos nós — a Ele.41

Este «altar nos nossos corações» é o lugar de uma poderosa consagração, onde dizemos «sim» à vontade de Deus sobre a nossa.35 É onde esse «sacrifício vivo» de que lemos em Romanos 12:1 é continuamente apresentado. Construir e manter este altar interior envolve a prática intencional de disciplinas espirituais:

  • Passar tempo na Palavra de Deus: Quando lemos, estudamos e pensamos regularmente nas Escrituras, elas moldam o nosso coração e a nossa mente com a verdade de Deus.41
  • Oração persistente: Buscar a direção de Deus todos os dias, pedir-Lhe um coração puro e apenas falar com Ele mantém essa ligação forte e vibrante.41
  • Livrar-se do emaranhado: É importante identificar e eliminar as coisas — sejam os meios de comunicação social, os hábitos ou mesmo as relações — que afastam o nosso coração de Deus ou encorajam pensamentos que não se alinham com a Sua Palavra. Isto mantém o nosso altar interior sagrado.41
  • Fazer uma Dedicação Decisiva: Trata-se de assumir um compromisso consciente e contínuo de entregar as nossas capacidades e as nossas vidas ao Senhor.38

Este altar metafórico é também um lugar de memória, um memorial que estabelecemos nos nossos corações para assinalar esses encontros pessoais com Deus e para recordar a sua fidelidade44. Tal como os homens de antigos altares físicos construídos onde Deus se revelou, podemos cultivar um altar interior onde recordamos as intervenções surpreendentes de Deus e as suas promessas, e que reforça a nossa fé.

A ideia de um «altar nos nossos corações» significa que o culto se torna radicalmente acessível e íntimo. Significa que cada crente, independentemente de onde esteja ou de suas circunstâncias, pode aproximar-se de Deus, oferecer adoração e experimentar essa doce comunhão com Ele a qualquer hora, em qualquer lugar.35 Mas, assim como os sacerdotes do Antigo Testamento tiveram que manter o fogo aceso no altar físico 6, temos a responsabilidade de cuidar deste altar espiritual. Nutrir continuamente nossa vida interior através de disciplinas espirituais garante que nossos corações permaneçam um local vibrante de adoração e consagração. Isto move a adoração para além dos eventos apenas programados e transforma-a numa realidade momento a momento de comunhão com o Deus vivo. Não é excitante?

O que os Padres da Igreja Primitiva ensinaram sobre altares e adoração cristã?

Aqueles primeiros líderes dos cristãos, os que muitas vezes chamamos de Padres da Igreja, que escreveram nos séculos logo após os apóstolos, continuaram a compreender o culto cristão de maneiras que incluíam o sacrifício e a ideia de um altar. Os seus ensinamentos mostram-nos uma ponte clara e bonita entre as ideias do Antigo Testamento sobre o sacrifício, através do seu espantoso cumprimento em Cristo, e as práticas de culto dos primórdios, especialmente quando se tratava da Eucaristia (que também conhecemos como Comunhão ou Ceia do Senhor).

A Eucaristia como Sacrifício:

Desde o início, a Eucaristia foi descrita como um "sacrifício".

  • A Didaqué (cerca de 70 dC): Este guia cristão primitivo diz aos crentes para «reunirem-se no dia do Senhor, partirem o pão e oferecerem a Eucaristia; mas primeiro confessa as tuas faltas, para que o teu sacrifício seja puro.» Liga diretamente esta oferta cristã àquela profecia em Malaquias 1:11, 14, sobre uma oferta pura feita a Deus entre todas as nações.46 Também ecoa o que Jesus ensinou em Mateus 5:23-24 sobre acertar com os outros antes de ofereceres o teu dom no altar.
  • Papa Clemente I (cerca de 80 dC): Na sua carta aos Coríntios, Clemente fala de presbíteros (anciãos ou sacerdotes) que «ofereceram os seus sacrifícios de forma irrepreensível e santa», referindo-se aos seus deveres na liderança do culto46.
  • Inácio de Antioquia (cerca de 110 d.C.): Inácio realçou a unidade da Igreja em torno do bispo e da Eucaristia. Instou os crentes a «observarem uma Eucaristia comum; porque há apenas um Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo, e apenas um cálice de união com o seu Sangue, e um único altar de sacrifício — assim como há também apenas um bispo».46 Isto mostra claramente uma compreensão precoce de que a Eucaristia era um ato singular, central e sacrificial realizado num altar.
  • John Chrysostom (cerca de 387-392 dC): Que teólogo poderoso! Crisóstomo descreveu a Eucaristia em termos tão vívidos e sacrificiais. Falou de ver «o Senhor imolado e deitado sobre o altar, e o sacerdote inclinado sobre esse sacrifício a rezar».37 Chamou à mesa da comunhão «esta mesa...Cristo, morto por nós, a vítima do sacrifício que é colocada sobre ela!».46 Crisóstomo também deixou claro que, embora o sacrifício seja oferecido diariamente, é uma «lembrança» da morte irrepetível de Cristo, e não um sacrifício novo de cada vez. É o mesmo sacrifício feito presente.46

Estes ensinamentos mostram-nos que a Igreja primitiva não via apenas a Eucaristia como uma refeição simbólica para recordar Jesus. Consideravam-no um poderoso sacrifício espiritual — uma representação incruenta e uma forma de participar na oferta de uma vez por todas de Cristo na cruz.

Altares Cristãos Primitivos (Estruturas Físicas e o que Eles Chamavam-lhes):

Em cristãos muitas vezes adorados em casas particulares (chamamos-lhes igrejas domésticas).4 Mas por volta do século III dC, a mesa onde celebravam a Eucaristia começou a ser claramente pensada como um altar.4

  • Do que eram feitos e pareciam: Os primeiros altares cristãos eram geralmente feitos de madeira e pareciam mesas domésticas comuns.4 Podemos até ver imagens deles em afrescos nas catacumbas romanas.49 Com o tempo, especialmente depois que o cristianismo tornou-se legal no século IV e os cristãos começaram a construir edifícios dedicados à igreja (basílicas), altares de pedra tornaram-se cada vez mais comuns no Ocidente.4
  • Ligação aos Túmulos dos Mártires: Aconteceu uma coisa muito importante: Começaram a construir altares sobre os túmulos dos mártires ou a colocar as suas relíquias (restos sagrados) debaixo do altar.4 Este costume poderia ter sido inspirado em Apocalipse 6:9 ("Vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por causa da palavra de Deus"). Associou teologicamente o sacrifício final de Cristo, o testemunho sacrificial dos mártires pela sua fé e o sacrifício eucarístico em curso da Igreja37. Era como dizer que a Igreja é construída sobre o fundamento do sacrifício de Cristo, e os santos ecoam e participam nisso.
  • As palavras que usaram: Os primeiros cristãos eram cuidadosos com as palavras que usavam. O termo grego trapeza Kyriou ("mesa do Senhor", de 1 Coríntios 10:21) era comum.49 A palavra thysiastērion (uma palavra grega para um local de sacrifício, usada em Hebreus 13:10 e para altares do Antigo Testamento) também foi usada para o altar cristão, para distingui-lo dos altares pagãos, que eram frequentemente chamados de altares pagãos. bōmos (uma palavra que os cristãos evitavam).49 Em latim, usavam palavras como altare e mensa (quadro). São Cipriano fez uma distinção clara, chamando-o de altar cristão. altare Dei (Altar de Deus) e altares pagãos aras diaboli (Altares do Diabo).49

Os ensinamentos e práticas destes Padres da Igreja mostram um forte sentido de continuar o que Deus tinha começado e transformá-lo. Eles viram o sistema sacrificial do Antigo Testamento cumprido em Cristo, e acreditavam que este sacrifício único foi tornado presente e acessível aos crentes na Eucaristia, que entendiam como um santo sacrifício oferecido sobre um altar. Esta perspectiva histórica ajuda-nos hoje a apreciar as raízes profundas da nossa compreensão da Comunhão e da sacralidade que tem sido associada ao culto cristão desde os seus primeiros dias.

Toda a história bíblica dos altares, do Génesis ao Apocalipse, revela o compromisso inabalável de Deus de colmatar o fosso criado pelo pecado e de estabelecer uma relação connosco, o seu povo. Esta iniciativa divina, sempre manifestada através do sacrifício e da presença, convida-nos a oferecer-Lhe a nossa vida no culto consagrado. Ao compreender o significado dos altares, podemos obter uma compreensão mais rica da incrível história redentora de Deus, da profundidade do sacrifício de Cristo e do nosso próprio apelo contínuo para viver como adoradores dedicados num mundo que precisa desesperadamente de ver a presença de Deus tornar-se realidade. Acredite, receba-o e viva-o!

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