Estudo Bíblico: Compreender o Significado dos Altares




  • Os altares na Bíblia simbolizam a conexão entre Deus e as pessoas, servindo como lugares dedicados de adoração e sacrifício.
  • Figuras-chave como Noé, Abraão, Isaque e Jacó usaram altares para marcar encontros divinos e afirmar suas alianças com Deus.
  • Os tipos de altares evoluíram de estruturas simples feitas de terra e pedras para designs mais elaborados no Tabernáculo e no Templo, representando a adoração organizada.
  • No Novo Testamento, Jesus redefiniu os sacrifícios, tornando-Se o sacrifício supremo e mudando o foco dos altares físicos para a devoção espiritual e a adoração pessoal.

Introdução: A Importância Duradoura dos Altares na História de Deus

não é incrível como Deus trabalha? Ao longo de Sua Palavra, a Bíblia, vemos esses lugares especiais chamados altares. Estes não são apenas velhas pilhas de pedras ou móveis sofisticados em um templo; oh não, eles são muito mais! Eles são símbolos poderosos daqueles momentos incríveis em que Deus estendeu a mão para as pessoas, e as pessoas estenderam a mão para Deus.¹ Você vê, no fundo, todos nós temos esse desejo de nos conectar com o Divino, e os altares nos mostram como Deus sempre entendeu isso. Ele até guiou Seu povo a construir esses lugares, sabendo que nossos corações anseiam por essa conexão tangível com Ele.³

Hoje, quero encorajá-lo enquanto exploramos o significado maravilhoso e a jornada incrível dos altares no plano de Deus. Vamos ver como tudo começou com homens fiéis como Noé e Abraão. Analisaremos as instruções especiais para os altares no Tabernáculo e no grande Templo. E então, descobriremos a maneira incrível como Jesus transformou nossa compreensão dos altares e o que eles significam para você e para mim hoje. Quando você entende a história dos altares, isso abre seus olhos para o quanto Deus sempre quis estar com Seu povo, encontrar-se com eles e abençoá-los. Esta jornada pode ajudá-lo a ver, de uma maneira nova, como Deus ainda está buscando essa comunhão maravilhosa com cada um de nós.

O que é um Altar na Bíblia e qual foi o seu significado inicial?

Então, o que exatamente é um altar quando lemos sobre ele na Bíblia? Bem, simplesmente, é um lugar especial e dedicado onde as pessoas traziam seus dons e ofertas a Deus.⁵ A principal palavra hebraica para altar, mizbēaḥ, vem na verdade de uma palavra que significa “abater” ou “sacrificar”.6 Imediatamente, isso nos diz que uma grande parte do que os altares representavam envolvia essas ofertas. Até a palavra inglesa “altar” tem raízes em palavras latinas como altārium, que significa “lugar alto”, e adolere, que significa “queimar ou sacrificar ritualmente”.5 Então, imagine isto: ofertas sendo levantadas para cima a Deus, indo de um lugar elevado especial em direção ao céu. Tudo se resume a direcionar nossa adoração de nossos corações ao nosso Deus maravilhoso.

A ideia de altares não era exclusiva de apenas um grupo. Antigamente, as pessoas frequentemente viam certos lugares — talvez uma árvore grande, uma fonte corrente ou uma rocha especial — como sagrados, como lugares onde Deus ou poderes espirituais poderiam estar.³ E elas deixavam presentes lá, esperando encontrar favor. Nas primeiras histórias da Bíblia, os altares eram frequentemente muito simples. De fato, quando Deus deu as primeiras instruções sobre a construção de um altar, lá em Êxodo 20:24-25, Ele disse para fazê-los de terra ou pedras simples e comuns que não tivessem sido cortadas ou moldadas.⁶

E há uma bela razão para essa simplicidade. Deus disse em Êxodo 20:25: “E se me fizeres um altar de pedras, não o construirás de pedras lavradas; pois se usares a tua ferramenta sobre ele, tê-lo-ás profanado”.⁸ Por quê? Bem, Deus não queria que as pessoas esculpissem imagens nas pedras que pudessem levá-las para longe d'Ele e para a idolatria, o que era um grande erro.⁹ Era um lembrete de que nossa adoração deve ser focada na criação incrível de Deus e em Sua obra, não em quão inteligentes ou artísticos podemos ser. A natureza, feita por Deus, era pura; mas quando tentamos mudá-la demais com nossas próprias mãos, podemos simbolicamente estragá-la.⁹ Alguns até veem isso como uma imagem de nossos corações – Deus os quer puros e naturais, não moldados por ideias humanas, para que sejam aceitáveis a Ele.¹⁰ Esta instrução simples nos mostra que, desde o início, a verdadeira adoração deveria ser uma resposta genuína à bondade e ao caráter de Deus, não uma exibição sofisticada de nossos próprios talentos ou alguma maneira de tentar controlar Deus com coisas feitas pelo homem. O acesso a Deus não era sobre coisas complicadas; era sobre um coração sincero encontrando-se com Ele.

Por que os altares eram tão importantes no Antigo Testamento, especialmente para Noé, Abraão, Isaque e Jacó?

Quando olhamos para as vidas daqueles gigantes da fé — Noé, Abraão, Isaque e Jacó — vemos que os altares eram incrivelmente pessoais e poderosos para eles. Estes não eram apenas locais rituais; eram como âncoras espirituais, marcando os próprios lugares onde tiveram encontros que mudaram suas vidas com Deus e onde Ele lhes fez promessas incríveis.

Noé: Consegue imaginar? Depois que o mundo inteiro foi inundado, a primeira coisa que Noé fez ao sair daquela arca foi construir um altar ao Senhor. Gênesis 8:20 nos diz: “Então Noé construiu um altar ao SENHOR e, tomando alguns de todos os animais puros e aves puras, ofereceu holocaustos sobre ele”.⁸ Que ato poderoso de adoração! Foi a maneira dele de dizer: “Deus, obrigado por nos salvar!” e tratava-se de começar de novo, reconstruindo o relacionamento da humanidade com Deus em uma terra totalmente nova.² O altar de Noé, um altar de sacrifício, realmente preparou o palco para a adoração futura e mostrou o quão importantes eram os holocaustos.¹²

Abraão: Abraão, o pai da fé — sua jornada de vida foi marcada pela construção de altares. Esses altares foram muito importantes:

  • Adoração e dizer “Sim” a Deus: Construir um altar era a maneira de Abraão dizer: “Deus, Tu estás no comando, e eu estou totalmente contigo!”2
  • Respondendo à voz de Deus: Muitas vezes, Abraão construía altares exatamente onde Deus aparecia para ele ou lhe dava uma grande promessa. Por exemplo, quando Deus apareceu em Siquém e prometeu aquela terra aos seus descendentes, Gênesis 12:7 diz: “ele construiu ali um altar ao SENHOR, que lhe havia aparecido”.¹¹ Esses altares tornaram-se como memoriais, lembrando-o da fidelidade de Deus e de sua própria resposta cheia de fé.²
  • Marcando a Aliança: Os altares estavam ligados diretamente à incrível aliança que Deus fez com Abraão. Eles eram como marcos físicos das promessas de Deus e do “sim” de Abraão ao acordo.¹
  • Declarando a propriedade de Deus sobre a terra: Ao construir altares em lugares como Siquém, Betel e Hebrom, Abraão estava, de certa forma, plantando uma bandeira espiritual, reivindicando aquela terra para Deus e para o futuro que Ele havia prometido.¹³ Era um padrão: Deus prometia a terra, e Abraão construía um altar.⁸ Alguns acreditam que esses altares patriarcais eram uma maneira de “servir às suas alianças ancestrais para uma posse contínua de sua terra de herança”, e que os sete altares construídos por Abraão, Isaque e Jacó juntos mostravam que Canaã sempre pertenceria aos seus descendentes.¹⁵
  • Sacrifício e consertar as coisas: Embora nem toda história de altar mencione um sacrifício, o mais poderoso está no Monte Moriá, onde Abraão estava pronto para oferecer seu filho Isaque (Gênesis 22:9). Este foi um vislumbre, um prenúncio, do sacrifício supremo que Deus um dia faria.¹¹

Isaque: Isaque, ele seguiu os passos de fé e construção de altares de seu pai. Depois que Deus apareceu a ele em Berseba e reconfirmou aquelas incríveis promessas da aliança, Gênesis 26:25 nos diz: “Isaque construiu ali um altar e invocou o nome do SENHOR”.⁸ Isso mostrou seu próprio encontro pessoal com Deus e que ele estava dando continuidade àquele relacionamento de aliança.¹⁵

Jacó: Jacó também teve alguns momentos incríveis com Deus, e ele frequentemente os marcava com altares. Pense em Betel, que significa “Casa de Deus”. Foi lá que Deus apareceu a ele em um sonho! Mais tarde, Deus disse a ele para voltar a Betel, e ele construiu um altar lá (Gênesis 35:1, 3, 7).⁸

Para todos esses homens de Deus, construir um altar era um ato poderoso de consagração— dizendo: “Deus, eu me entrego e tudo o que tenho a Ti.”16 Esses altares não eram apenas para rituais; eram lugares de relacionamento, de conversar com Deus (“invocar o nome do Senhor”) e de lembrar de Sua bondade.⁸ Eles eram como lembretes tangíveis de como Deus havia se manifestado no passado, e isso alimentava sua fé e obediência para o futuro, tornando a presença e as promessas de Deus muito reais em suas vidas frequentemente mutáveis. E sabe de uma coisa? Podemos fazer algo semelhante hoje. Podemos criar nossos próprios “altares” — aqueles lembretes especiais de como Deus entrou especificamente em nossas vidas, mostrou Sua fidelidade e manteve Suas promessas. Isso também pode fortalecer nossa fé!

Quais eram os principais tipos de altares no Antigo Testamento e de que eram feitos?

À medida que o plano de Deus se desenrolava no Antigo Testamento, vemos uma evolução nos tipos de altares que as pessoas construíam. Essa mudança refletia como a adoração de Israel se tornava mais organizada e centralizada. E cada tipo de altar, com seus materiais e design especiais, estava repleto de significado, ensinando verdades poderosas sobre o caráter de Deus e como Ele queria que as pessoas se aproximassem d'Ele.

  1. Altares Antigos/Patriarcais (O Início Simples):

Como conversamos, aqueles primeiros altares construídos por heróis da fé como Noé, Abraão, Isaque e Jacó eram geralmente bem simples.

  • Do que eram feitos: Eles usavam o que estava ali na natureza: terra ou pedras simples e não cortadas, exatamente como Deus instruiu mais tarde em Êxodo 20:24-25.⁶ A grande questão era não usar pedras que tivessem sido moldadas ou esculpidas por ferramentas.
  • Por que os construíam: Esses altares serviam para falar diretamente com Deus, oferecer sacrifícios, marcar aqueles lugares incríveis onde Deus apareceu ou falou, e lembrar daqueles momentos de aliança com Ele.¹
  1. Altares do Tabernáculo (O Santuário Móvel de Deus):

Quando Deus estabeleceu a Aliança Mosaica e deu instruções para o Tabernáculo — aquele incrível santuário portátil para sua jornada no deserto — Ele especificou dois altares distintos. Esta foi uma mudança em direção a uma maneira mais estruturada e separada para toda a comunidade adorar.

Altar do Holocausto (Também chamado de Altar de Bronze ou até mesmo “Mesa de Deus” 5):

  • Onde estava: Este era o altar maior, e ficava no pátio externo do Tabernáculo. Era a primeira coisa sagrada que um adorador via ao entrar na área do Tabernáculo.⁶
  • Do que era feito: Era feito de madeira de acácia (também chamada de madeira de sitim), que era resistente e encontrada no deserto, e depois era completamente coberto de bronze.⁶ O altar era oco, talvez preenchido com terra ou pedras para ajudar com o calor e mantê-lo estável.⁶ Tinha uma grelha de bronze, como uma malha, na metade da altura, e era ali que a madeira e os sacrifícios eram colocados.⁶
  • Como era a sua aparência: O Altar do Holocausto era quadrado, com cerca de 2,3 metros de comprimento, 2,3 metros de largura e 1,4 metros de altura.⁶ Tinha quatro “pontas” nos seus cantos, que faziam parte do altar e também eram cobertas de bronze.⁶ Estas pontas eram extremamente importantes nos rituais de sacrifício — o sangue era frequentemente colocado nelas, e eram até um lugar onde alguém podia procurar segurança.¹⁷ E veja só: para evitar a prática pagã em que os sacerdotes podiam expor-se ao subir degraus, eles usavam uma rampa para subir ao altar.⁶ Também tinha argolas de bronze e varas feitas de madeira de acácia cobertas de bronze para que pudessem transportá-lo quando se deslocavam.⁶
  • O significado do bronze: O bronze é um metal forte que pode suportar o fogo, e era frequentemente associado ao julgamento. Os sacrifícios pelo pecado eram oferecidos neste altar de bronze, mostrando que o pecado tinha de ser julgado antes que alguém pudesse aproximar-se de um Deus santo.¹⁷ Alguns dizem que a madeira de acácia no interior poderia representar a humanidade de Jesus, forte o suficiente para suportar o julgamento de Deus.²⁵

Altar do Incenso (Também conhecido como Altar de Ouro ou Altar Interior) 6):

  • Onde estava: Este altar menor ficava dentro do Lugar Santo, a primeira sala da tenda do Tabernáculo. Ficava logo em frente ao véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (o Santo dos Santos), onde estava a Arca da Aliança.⁶
  • Do que era feito: Também era feito de madeira de acácia, mas este era completamente coberto de ouro puro.⁶ Todos os seus utensílios também eram de ouro.
  • Como era a sua aparência: O Altar do Incenso era quadrado, com cerca de 45 centímetros de comprimento, 45 centímetros de largura e 90 centímetros de altura.⁶ Assim como o outro altar, tinha quatro pontas nos seus cantos, cobertas de ouro. Tinha uma bela moldura ou “coroa” de ouro à volta do topo, e argolas de ouro com varas cobertas de ouro para transporte.⁶
  • O significado do ouro: O ouro, tão precioso e puro, simbolizava o próprio Deus, a Sua santidade, a Sua glória e a Sua realeza.¹⁷ Usar ouro para o Altar do Incenso, que era todo sobre oração e estava mais próximo da presença maravilhosa de Deus no Santo dos Santos, mostrava o quão sagrado é falar com Deus.
  1. Altares do Templo de Salomão (Permanentes e ainda mais magníficos):

Quando o Rei Salomão construiu o Templo permanente em Jerusalém, ele seguiu geralmente os desenhos dos altares do Tabernáculo, mas tudo estava numa escala muito maior e mais grandiosa! Isto refletia a permanência e a importância nacional deste local central de adoração.

Altar do Holocausto (Altar de Bronze):

  • Onde estava: Tal como no Tabernáculo, ficava no pátio do Templo.⁶
  • Do que era feito: Este altar era feito inteiramente de bronze (ou talvez bronze cobrindo uma enorme estrutura de pedra ou terra).⁶
  • Como era a sua aparência: Era muito maior do que o altar do Tabernáculo — cerca de 9 metros de comprimento, 9 metros de largura e 4,5 metros de altura!⁶ Como era tão grande, precisava definitivamente de uma rampa para os sacerdotes.⁶

Altar do Incenso (Altar de Ouro):

  • Onde estava: Este ficava dentro do Lugar Santo do Templo, logo antes do véu.²⁹
  • Do que era feito: Embora o altar de incenso do Tabernáculo fosse de madeira de acácia coberta de ouro, o altar de incenso do Templo é descrito como sendo feito de madeira de cedro coberta de ouro (1 Reis 6:20, 22).²⁹ Isto mostra os materiais ainda mais preciosos usados no grandioso Templo.³¹
  • Como era a sua aparência: O seu tamanho era semelhante ao do Tabernáculo (1 Reis 6:20 parece descrevê-lo em relação ao oráculo; Êxodo 30:1-10 ainda era o padrão); fazia parte de um cenário muito mais permanente e belamente decorado.²⁹
  1. Altares ilegítimos/pagãos (Aqueles aos quais Deus disse “Não”):

O Antigo Testamento também fala muito sobre altares construídos para adorar deuses falsos, como Baal. Deus proibiu estritamente estes, e frequentemente disse aos israelitas para os derrubarem (como em Êxodo 34:13).⁸ Altares feitos de tijolo também eram algo que Deus não gostava (Isaías 65:3).⁸

Esta jornada desde os altares simples e pessoais de terra e pedra até aos altares cuidadosamente desenhados e valiosos cobertos de metal do Tabernáculo e do Templo é incrível. Mostra a adoração a passar de indivíduos e famílias para um sistema nacional altamente organizado e desenhado por Deus, com o altar sendo sempre uma parte central. E a escolha dos materiais — terra, pedra, madeira, bronze e ouro — não foi aleatória. Estes materiais pintaram um quadro, uma teologia visual, ajudando o adorador a compreender o pecado, o julgamento, a santidade e aquela jornada sagrada para a presença de Deus.

Para o ajudar a ver tudo claramente, aqui está uma pequena tabela resumindo estes altares do Antigo Testamento:

Tabela 1: Principais altares do Antigo Testamento e as suas características

Tipo de AltarMateriais PrincipaisPrincipais Características de DesignLocalizaçãoPropósito Principal
Altares PatriarcaisTerra, Pedras não lavradasConstruções simples, muitas vezes espontâneasLocais de encontros divinosAdoração direta, sacrifício, marcação de encontros divinos, celebração de alianças 1
Tabernáculo: HolocaustoMadeira de Acácia, Revestimento de BronzeQuadrado (5x5x3 côvados), pontas, grelha de bronze, rampa, portátil (argolas e varas)Pátio ExternoSacrifícios de animais para expiação, adoração, gratidão 6
Tabernáculo: IncensoMadeira de Acácia, Revestimento de OuroQuadrado (1x1x2 côvados), pontas, coroa/moldura de ouro, portátil (argolas e varas)Lugar Santo (antes do véu)Queima de incenso simbolizando oração e intercessão 6
Templo: HolocaustoBronze (ou bronze sobre pedra/terra)Grande, quadrado (20x20x10 côvados), pontas, rampaPátio do TemploSacrifícios de animais para expiação, adoração, gratidão em escala nacional 6
Templo: IncensoMadeira de Cedro, Revestimento de OuroQuadrado (semelhante ao padrão do Tabernáculo), pontas, coroa/moldura de ouro, permanenteLugar Santo (antes do véu)Queima de incenso simbolizando oração e intercessão dentro do Templo permanente 29

Qual era o propósito dos sacrifícios nos altares do Antigo Testamento?

Os sacrifícios eram o coração e a alma da adoração no Antigo Testamento, e o altar era o palco sagrado onde estes rituais incrivelmente importantes aconteciam. Este sistema sacrificial não foi apenas uma ideia aleatória; foi a provisão maravilhosa de Deus para ajudar Israel na sua relação com Ele e para lidar com a condição humana. Não era apenas um tipo de ato, mas um sistema completo com diferentes ofertas por diferentes razões.

A razão mais importante para os sacrifícios no altar era fazer as coisas estarem certas com Deus por causa do pecado (expiação). O livro de Levítico, especialmente, explica como o sangue dos animais sacrificados, quando era derramado e colocado no altar, fazia expiação pelas almas do povo (Levítico 17:11).¹ Isto mostrava o quão sério era o pecado e que a sua consequência era a morte; também fornecia uma forma que Deus desenhou para o perdão e para ser trazido de volta ao relacionamento com Ele.¹⁷ E sabe de uma coisa? Todo este sistema, com todo o seu foco na expiação pelo sangue, apontava poderosamente para o sacrifício supremo de Jesus Cristo.²

Mas não se tratava apenas de pecado. Os sacrifícios eram também atos poderosos de Adoração e Devoção. Oferendas como o holocausto, onde o animal inteiro era consumido no altar, simbolizavam a entrega completa a Deus, sem nada reter.¹ Através destes atos, as pessoas e toda a comunidade demonstravam o seu respeito, a sua submissão e a sua honra ao seu Deus poderoso.⁷

Os sacrifícios eram também uma forma de dizer “obrigado”. A oferta de Noé após o dilúvio? Foi um enorme “obrigado” a Deus por salvar ele e a sua família.² As ofertas de paz tinham frequentemente um elemento de gratidão também, e envolviam geralmente uma refeição em conjunto, o que simbolizava comunhão e fraternidade com Deus e uns com os outros.⁸

Os altares e os sacrifícios neles realizados eram também uma parte fundamental da realização e renovação de alianças. Quando Deus fazia esses acordos solenes com o Seu povo, os sacrifícios faziam frequentemente parte da selagem do acordo e da confirmação da relação (como em Êxodo 24:4-8, onde Moisés construiu um altar e ofereceu sacrifícios quando a Aliança Mosaica foi estabelecida).¹

E depois, algumas ofertas eram para purificação, limpando pessoas ou coisas da impureza ritual, tornando-as santas e aceitáveis para se aproximarem de Deus ou participarem na adoração com a comunidade.²⁹

Havia uma função especial ligada ao Altar do Incenso (o Altar de Ouro). Todos os dias, incenso especial era queimado neste altar no Lugar Santo, e simbolizava as orações do povo de Deus subindo até Ele.⁶ O Salmo 141:2 pinta um belo quadro: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde”.²⁶ Este ato de oferecer incenso era considerado um “aroma agradável” ao Senhor, mostrando que Ele aceita as nossas orações e adoração sinceras.²⁸

Até o fogo no Altar do Holocausto era importante. De acordo com Levítico 6:12-13, o próprio Deus acendeu esse fogo no início, e ele deveria ser mantido aceso o tempo todo; nunca deveria apagar-se.⁶ Esta chama sempre acesa simbolizava a presença constante de Deus, a Sua aliança eterna e a Sua prontidão para aceitar as ofertas do Seu povo.

Essa ideia de um “aroma agradável” que vemos tanto com os holocaustos (Levítico 1:9) 2 quanto com o incenso 26 diz-nos algo maravilhoso: Deus realmente tem prazer na adoração sincera, no arrependimento e na devoção do Seu povo quando oferecidos de um coração genuíno, de acordo com os Seus caminhos. Isto mostra-nos um Deus que não é distante ou indiferente, que é tocado pelos nossos atos de adoração quando vêm de um lugar verdadeiro. Os rituais eram específicos, sim, mas esse “aroma agradável” significa que Deus olhava para além da mecânica, para o coração por trás da oferta.

Portanto, o sistema sacrificial do Antigo Testamento, com o altar no seu centro, era a forma graciosa de Deus permitir que um povo pecador se aproximasse de um Deus santo. Ensinou-lhes sobre a gravidade do pecado, por que a expiação é necessária, quão importantes são a adoração e a gratidão, e o caminho para permanecer em comunhão com Ele — tudo isto enquanto apontava para um sacrifício mais perfeito e final. Não é algo incrível?

Como a ideia de altares mudou com Jesus Cristo no Novo Testamento?

Quando Jesus Cristo chegou, trouxe uma transformação absolutamente poderosa e maravilhosa à forma como entendemos os altares e o sacrifício. O sistema do Antigo Testamento, com os seus altares físicos e sacrifícios de animais, era o plano de Deus para aquele tempo; o Novo Testamento mostra-nos que tudo estava a conduzir a algo ainda maior, algo cumprido em Jesus.² O foco muda drasticamente das coisas físicas e rituais repetidos para realidades espirituais centradas na pessoa e obra incríveis de Jesus.

A maior mudança, a notícia mais incrível, é que Jesus Cristo é Ele próprio o sacrifício supremo. A Sua morte na cruz é o sacrifício final, perfeito, de uma vez por todas, pelos pecados de cada pessoa, tornando desnecessários aqueles sacrifícios contínuos de animais em altares físicos.¹ O autor de Hebreus explica-o tão belamente: Cristo, o nosso grande Sumo Sacerdote, ofereceu-Se uma vez por todas, alcançando uma redenção eterna que o sangue de touros e bodes nunca poderia alcançar (Hebreus 9:11-14, 10:10-12).¹ Sob esta nova luz, a própria cruz é vista como o altar supremo onde Jesus, o Cordeiro de Deus, derramou o Seu sangue para redimir o mundo.¹ Alguns teólogos chamam até à cruz “o altar pessoal de Deus”, enfatizando que o próprio Deus estava neste sacrifício.³⁵ De facto, Cristo é o Sacerdote, Ele é a Vítima (o sacrifício), e Ele é o Altar do Seu próprio sacrifício!37

Este cumprimento incrível levou a uma mudança de altares físicos para espirituais. A adoração já não está ligada a um lugar específico ou a um templo físico com os seus altares. O próprio Jesus deu a entender isto quando falou com a mulher samaritana, dizendo que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai “em espírito e em verdade” (João 4:23-24).¹ E quando o véu do templo se rasgou em dois no momento em que Cristo morreu (Mateus 27:51), foi um símbolo poderoso desta mudança! Significava que o acesso direto à presença de Deus estava agora aberto a todos os que vêm através de Cristo, sem a necessidade do antigo sistema de altares terrenos e mediação sacerdotal da mesma forma.¹

Portanto, o Novo Testamento introduz estas novas ideias espirituais sobre altares e sacrifício:

  • O Seu Corpo como um Sacrifício Vivo: Em Romanos 12:1, o Apóstolo Paulo exorta-nos: “que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.¹ Uau! Esse é um apelo radical. Ao contrário dos sacrifícios do Antigo Testamento que eram mortos, devemos oferecer-nos continuamente. Embora estejamos vivos, dedicando todo o nosso ser — os nossos corpos, as nossas mentes, as nossas ações, as nossas vontades — ao serviço de Deus.³⁵ Esta vida de devoção contínua e dinâmica torna-se o nosso ato espiritual de adoração.
  • O Altar do Seu Coração: O seu coração torna-se um altar espiritual. É um lugar sagrado e interno para devoção, para se conectar com Deus e para se oferecer a Ele.¹ Isto traz a adoração para dentro, tornando-a pessoal e sempre disponível.
  • Oração e Louvor como Sacrifícios Espirituais: As nossas orações são como incenso subindo de um altar espiritual (Apocalipse 8:3-4).¹ Hebreus 13:15 encoraja-nos a “oferecer sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.”

Esse versículo em Hebreus 13:10, “Temos um altar, do qual não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo”, é entendido como falando sobre Cristo e o Seu sacrifício.² Como crentes, nós “comemos” espiritualmente deste “altar” — o próprio Cristo — recebendo nutrição e vida do Seu sacrifício, algo que o antigo sistema não podia proporcionar.

Portanto, o Novo Testamento não descarta as ideias fundamentais dos altares — dedicação, oferta, comunhão e expiação. Em vez disso, mostra-nos o seu cumprimento final e como se tornam reais dentro de nós, em e através de Jesus Cristo. A mudança de animais cobrindo o pecado repetidamente para Cristo conquistando o pecado de uma vez por todas significa que estamos numa Nova Aliança. Esta nova aliança não é principalmente sobre lidar com a culpa do pecado o tempo todo (embora seja construída sobre o pagamento completo de Cristo por essa culpa); é sobre capacitar-nos a viver uma vida nova e santa dedicada a Deus, tudo tornado possível pela Sua vitória. Isto abre a adoração a todos e torna-a profundamente pessoal, chamando cada cristão a uma vida contínua de entrega a Deus. Não é incrível?

O que a Bíblia quer dizer com um “Altar Celestial”?

A ideia de um “altar celestial” é algo verdadeiramente especial, e encontramo-la principalmente nos livros do Novo Testamento de Hebreus e Apocalipse. Pinta um quadro de uma contraparte celestial para aqueles altares terrenos, mostrando-nos a realidade final da adoração e colocando as coisas certas com Deus.

O Altar Celestial no Livro de Hebreus:

O livro de Hebreus traça este contraste incrível entre o Tabernáculo terreno e os seus serviços, e um “tabernáculo maior e mais perfeito” (Hebreus 9:11) lá no céu. Ensina-nos que o santuário terreno e os seus altares eram apenas “cópia e sombra das coisas celestiais” (Hebreus 8:5).³⁶ Moisés teve, na verdade, um vislumbre deste padrão celestial quando estava no Monte Sinai.

Jesus Cristo, o nosso incrível Sumo Sacerdote, não está a ministrar num santuário terreno. Não, Ele entrou no celestial, “o verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hebreus 8:2).³⁶ É neste altar celestial, dentro deste verdadeiro santuário, que Cristo apresentou o Seu próprio sangue como o sacrifício perfeito e eterno pelos pecados (Hebreus 9:11-14, 9:24).³⁶ O Seu ministério lá garante que a Sua obra expiatória é para sempre eficaz e que nós, como crentes, temos acesso a Deus.

O Altar Celestial no Livro do Apocalipse:

O Livro do Apocalipse dá-nos várias visões poderosas que incluem um altar no céu, e ele desempenha um grande papel no drama dos tempos do fim que se desenrola.

  • No Apocalipse 6:9, João vê “debaixo do altar as almas dos que foram mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam.” Estes são os mártires, aqueles que deram as suas vidas pela sua fé. A sua presença “debaixo do altar” traz à mente a imagética dos sacrifícios. Este altar é frequentemente visto como o altar celestial de sacrifício, onde as suas vidas, oferecidas pela sua fé, são vistas como ofertas.⁴² O seu sangue, como o sangue dos sacrifícios do Antigo Testamento derramado na base do altar, clama a Deus por justiça.
  • No Apocalipse 8:3-5, um anjo está de pé junto a um “altar de ouro diante do trono” com um incensário de ouro. É-lhe dado “muito incenso para o oferecer com as orações de todos os santos”.¹ O fumo do incenso, misturado com estas orações, sobe até Deus. Então, o anjo pega fogo deste altar no incensário e lança-o para a terra, seguido por trovões, relâmpagos e um terremoto — sinalizando o início dos juízos de Deus.² Este altar de ouro é claramente a versão celestial do Altar do Incenso, ligando diretamente as orações dos santos à forma como os propósitos de Deus se desenrolam.
  • Outras partes do Apocalipse também mencionam o altar no contexto da adoração celestial, declarações de Deus e juízo (Apocalipse 9:13; 11:1; 14:18; 16:7).¹¹ Por exemplo, uma voz das quatro pontas do altar de ouro é ouvida em Apocalipse 9:13, e em Apocalipse 16:7, o próprio altar fala, confirmando a verdade e a justiça dos juízos de Deus.

Existe alguma discussão entre os estudiosos sobre se o Apocalipse nos está a mostrar um altar celestial multiusos ou dois separados, como o Altar do Holocausto e o Altar do Incenso terrenos.⁴² Mas, independentemente da configuração exata, a função simbólica do altar celestial é o que é verdadeiramente importante.

Como é este Altar Celestial e o que ele faz?

O altar celestial representa o lugar supremo e permanente da verdadeira adoração e sacrifício, onde a oferta de Cristo é eternamente válida. É o lugar onde as orações dos santos são recebidas e apresentadas perante Deus, mostrando o seu acesso direto e aceitação na Sua presença.² E mais do que isso, este altar está diretamente ligado à justiça de Deus e à forma como Ele executa o Seu plano de redenção e juízo na história. Os clamores dos mártires debaixo do altar e o fogo lançado do altar para a terra mostram que não é apenas um lugar de adoração silenciosa, mas um centro dinâmico a partir do qual os propósitos de Deus — incluindo o juízo sobre o mal e a vindicação e salvação do Seu povo fiel — são postos em ação.⁴³

Esta ideia de um altar celestial traz tanto conforto e segurança a nós, como crentes. Confirma que o sacrifício de Cristo tem um poder celestial duradouro, que as nossas orações são verdadeiramente ouvidas diante do trono de Deus, e que Deus está a realizar soberanamente os Seus planos de justiça e redenção. Não é maravilhoso saber disso?

Como os crentes podem ser “sacrifícios vivos” hoje (Romanos 12:1)?

As palavras do Apóstolo Paulo em Romanos 12:1 são uma verdadeira mudança de jogo para entender como viver a vida cristã: “Portanto, rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Este apelo poderoso redefine completamente o que significa sacrifício. Muda-o de algo que um sacerdote fazia de vez em quando para um ato contínuo e pessoal que cada um de nós pode fazer em todas as partes das nossas vidas.

O que significa “Sacrifício Vivo”?

Ser um “sacrifício vivo” significa oferecer todo o seu ser — o seu corpo, a sua mente, a sua vontade, as suas ações — em dedicação contínua a Deus.¹ Ao contrário daqueles sacrifícios de animais no Antigo Testamento que eram mortos no altar, este sacrifício é “vivo”. Isso significa que é uma escolha dinâmica, momento a momento, de se separar para os propósitos de Deus enquanto você está vivo e bem.³⁵ Envolve render voluntariamente os seus próprios desejos, as suas ambições, os seus planos e até os seus medos à Sua liderança.³⁹ Somos chamados a “permanecer no altar” conscientemente, renovando continuamente esse compromisso.³⁸

“Santo e Agradável a Deus”:

Esta oferta de nós mesmos deve ser “santa”. Isso significa ser separado para Deus, diferente dos padrões e valores do mundo ao nosso redor. Envolve viver uma vida que está sendo transformada pelo caráter de Deus e alinhada com a Sua vontade.³⁹ Isso não é algo que simplesmente acontece; exige esforço e decisão conscientes, porque Paulo sabia que a nossa “carne” — a nossa natureza humana que tende a querer seguir o seu próprio caminho — luta frequentemente contra esta entrega completa a Deus.³⁸

“Culto Verdadeiro e Adequado” (ou “Serviço Razoável” / “Culto Espiritual”):

Apresentar-nos como um sacrifício vivo é descrito como o nosso “culto verdadeiro e adequado” (algumas traduções dizem “serviço razoável” ou “culto espiritual”).³⁸ Isto diz-nos que viver uma vida de dedicação total é a forma lógica, autêntica e espiritualmente madura de responder à incrível misericórdia que Deus nos mostrou em Cristo, sobre a qual Paulo fala extensamente nos capítulos anteriores de Romanos.³⁹ Esta compreensão expande a nossa ideia de culto muito para além de apenas serviços formais na igreja ou atos religiosos específicos. Significa que toda a nossa vida diária pode ser um ato de adoração!39

Como vivemos na prática como um sacrifício vivo?

Este apelo a uma vida de sacrifício manifesta-se de formas reais e tangíveis:

  • Servir aos outros: Significa colocar as necessidades dos outros antes das nossas, amar o nosso próximo e usar os dons espirituais que Deus nos deu para edificar a Sua igreja e servir o mundo.³⁹
  • Escolhas diárias: Como usamos o nosso tempo, como gerimos o nosso dinheiro, como conduzimos os nossos relacionamentos e as decisões éticas que tomamos todos os dias — tudo isto se torna expressão desta auto-oferta.³⁹
  • Rendendo a nossa vontade: Envolve frequentemente uma luta interna, uma escolha consciente de submeter a nossa própria vontade à vontade de Deus em diferentes situações.³⁵ Esse é o coração do sacrifício.

E aqui está algo muito importante: ser um “sacrifício vivo” é algo que fazemos em resposta à misericórdia de Deus, não para ganhar a obter.³⁹ A nossa motivação é a gratidão e o amor pela salvação que já recebemos através de Cristo, não o medo ou a tentativa de fazer com que Deus goste mais de nós. Este conceito capacita cada crente a ver a sua vida comum como uma oportunidade extraordinária de adoração, tornando a fé incrivelmente prática e algo que toca cada parte de quem somos. Desvia o foco de apenas cumprir deveres religiosos em horários definidos para uma dedicação abrangente a Deus, vivida exatamente onde estamos.

O que significa ter um “altar em nossos corações”?

Quando falamos em ter um “altar nos nossos corações”, é uma forma bela e poderosa de descrever como a adoração, o sacrifício e a nossa ligação com Deus se tornam profundamente pessoais e internos. Pode não encontrar essa frase exata na Bíblia, mas ela captura maravilhosamente muitas verdades do Novo Testamento sobre a nossa vida interior e o nosso relacionamento com Deus. Significa que o lugar principal onde encontramos Deus e nos oferecemos a Ele mudou de um edifício físico e externo para o espaço espiritual e interno dos nossos próprios corações.

Deus quer que os nossos corações se tornem esses espaços sagrados, verdadeiros “altares” dedicados a adorá-Lo e a ter comunhão com Ele.⁴⁰ Este altar interior é onde o Espírito Santo habita dentro de nós (1 Coríntios 6:19), transformando cada um de nós num templo de Deus.¹ É neste espaço sagrado do coração que um relacionamento correto com Deus começa e cresce. É onde escolhemos colocar Deus, onde nos arrependemos quando precisamos e onde oferecemos o nosso melhor — o nosso tempo, os nossos talentos, todo o nosso ser — a Ele.⁴¹

Este “altar nos nossos corações” é o lugar de consagração poderosa, onde dizemos “sim” à vontade de Deus em vez da nossa.³⁵ É onde aquele “sacrifício vivo” sobre o qual lemos em Romanos 12:1 é continuamente apresentado. Construir e manter este altar interior envolve praticar intencionalmente disciplinas espirituais:

  • Passar tempo na Palavra de Deus: Quando lemos, estudamos e meditamos regularmente nas Escrituras, isso molda os nossos corações e mentes com a verdade de Deus.⁴¹
  • Orar persistentemente: Buscar a direção de Deus todos os dias, pedir-Lhe um coração puro e simplesmente conversar com Ele mantém essa ligação forte e vibrante.⁴¹
  • Limpar a desordem: É importante identificar e remover aquelas coisas — sejam meios de comunicação, hábitos ou até relacionamentos — que afastam os nossos corações de Deus ou encorajam pensamentos que não se alinham com a Sua Palavra. Isto mantém o nosso altar interior santo.⁴¹
  • Fazer uma dedicação decisiva: Trata-se de assumir um compromisso consciente e contínuo de entregar as nossas capacidades e as nossas vidas ao Senhor.³⁸

Este altar metafórico é também um lugar de lembrança, um memorial que erguemos nos nossos corações para marcar aqueles encontros pessoais com Deus e para lembrar a Sua fidelidade.⁴⁴ Tal como aqueles homens de antigamente construíram altares físicos onde Deus Se revelou, podemos cultivar um altar interior onde recordamos as intervenções surpreendentes de Deus e as Suas promessas, e isso fortalece a nossa fé.

A ideia de um “altar nos nossos corações” significa que a adoração se torna radicalmente acessível e íntima. Significa que cada crente, independentemente de onde esteja ou de quais sejam as suas circunstâncias, pode aproximar-se de Deus, oferecer adoração e experimentar essa doce comunhão com Ele a qualquer hora, em qualquer lugar.³⁵ Mas, tal como os sacerdotes do Antigo Testamento tinham de manter o fogo aceso no altar físico 6, temos a responsabilidade de cuidar deste altar espiritual. Nutrir continuamente a nossa vida interior através de disciplinas espirituais garante que os nossos corações permaneçam um lugar vibrante de adoração e consagração. Isto move a adoração para além de apenas eventos agendados e transforma-a numa realidade momento a momento de comunhão com o Deus vivo. Não é entusiasmante?

O que os primeiros Pais da Igreja ensinaram sobre altares e adoração cristã?

Aqueles primeiros líderes do cristianismo, aqueles a quem frequentemente chamamos Padres da Igreja, que escreveram nos séculos logo após os apóstolos, continuaram a compreender a adoração cristã de formas que incluíam o sacrifício e a ideia de um altar. Os seus ensinamentos mostram-nos uma ponte clara e bela desde as ideias do Antigo Testamento sobre o sacrifício, passando pelo seu cumprimento surpreendente em Cristo, até às práticas de adoração dos primeiros cristãos, especialmente no que diz respeito à Eucaristia (que também conhecemos como Comunhão ou Ceia do Senhor).

A Eucaristia como Sacrifício:

Desde o início, a Eucaristia foi descrita como um “sacrifício”.

  • A Didaquê (por volta de 70 d.C.): Este guia cristão primitivo diz aos crentes para “Reunirem-se no dia do Senhor, partir o pão e oferecer a Eucaristia; mas primeiro confessem as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro”. Liga diretamente esta oferta cristã àquela profecia em Malaquias 1:11, 14 sobre uma oferta pura sendo feita a Deus entre todas as nações.⁴⁶ Também ecoa o que Jesus ensinou em Mateus 5:23-24 sobre reconciliar-se com os outros antes de oferecer a sua dádiva no altar.
  • Papa Clemente I (por volta de 80 d.C.): Na sua carta aos Coríntios, Clemente fala sobre presbíteros (anciãos ou sacerdotes) que “ofereceram irrepreensível e santamente os seus sacrifícios”, referindo-se aos seus deveres na liderança do culto.⁴⁶
  • Inácio de Antioquia (por volta de 110 d.C.): Inácio enfatizou realmente a unidade da Igreja em torno do bispo e da Eucaristia. Ele exortou os crentes a “observarem uma Eucaristia comum; pois há apenas um Corpo do nosso Senhor Jesus Cristo, e apenas um cálice de união com o Seu Sangue, e um único altar de sacrifício — assim como há também apenas um bispo”.⁴⁶ Isto mostra claramente uma compreensão primitiva de que a Eucaristia era um ato sacrificial singular e central realizado num altar.
  • João Crisóstomo (por volta de 387-392 d.C.): Que teólogo poderoso! Crisóstomo descreveu a Eucaristia em termos tão vívidos e sacrificiais. Ele falou de ver “o Senhor imolado e deitado sobre o altar, e o sacerdote curvado sobre aquele sacrifício a orar”.³⁷ Ele chamou à mesa da comunhão “esta mesa… Cristo, morto por nós, a vítima sacrificial que é colocada sobre ela!”.⁴⁶ Crisóstomo também deixou claro que, embora o sacrifício seja oferecido diariamente, é uma “lembrança” da morte única e irrepetível de Cristo, não um sacrifício novo de cada vez. É o mesmo sacrifício único tornado presente.⁴⁶

Estes ensinamentos mostram-nos que a Igreja primitiva não via a Eucaristia apenas como uma refeição simbólica para lembrar Jesus. Eles viam-na como um poderoso sacrifício espiritual — uma re-apresentação incruenta e uma forma de participar na oferta única de Cristo na cruz.

Altares Cristãos Primitivos (Estruturas Físicas e Como lhes Chamavam):

No início, os cristãos adoravam frequentemente em casas privadas (chamamos-lhes igrejas domésticas).⁴ Mas, por volta do século III d.C., a mesa onde celebravam a Eucaristia começou a ser claramente pensada como um altar.⁴

  • Do que eram feitos e como eram: Os primeiros altares cristãos eram geralmente feitos de madeira e pareciam mesas domésticas comuns.⁴ Podemos até ver imagens deles em frescos nas catacumbas romanas.⁴⁹ Com o tempo, especialmente depois de o cristianismo se tornar legal no século IV e os cristãos começarem a construir edifícios dedicados à igreja (basílicas), os altares de pedra tornaram-se cada vez mais comuns no Ocidente.⁴
  • Ligação aos Túmulos dos Mártires: Algo muito importante aconteceu: começaram a construir altares sobre os túmulos dos mártires ou a colocar as suas relíquias (restos sagrados) debaixo do altar.⁴ Este costume pode ter sido inspirado em Apocalipse 6:9 (“vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por causa da palavra de Deus”). Ligava teologicamente o sacrifício supremo de Cristo, o testemunho sacrificial dos mártires pela sua fé e o sacrifício eucarístico contínuo da Igreja.³⁷ Era como dizer que a Igreja é construída sobre o fundamento do sacrifício de Cristo, e os santos ecoam e participam nisso.
  • As Palavras que Usavam: Os primeiros cristãos eram cuidadosos com as palavras que usavam. O termo grego trapeza Kyriou (“mesa do Senhor”, de 1 Coríntios 10:21) era comum.⁴⁹ A palavra thysiastērion (uma palavra grega para um lugar de sacrifício, usada em Hebreus 13:10 e para altares do Antigo Testamento) também era usada para o altar cristão, para distingui-lo dos altares pagãos, que eram frequentemente chamados de bōmos (uma palavra que os cristãos evitavam).⁴⁹ Em latim, usavam palavras como altare e mensa (mesa). São Cipriano fez uma distinção clara, chamando ao altar cristão altare Dei (altar de Deus) e aos altares pagãos aras diaboli (altares do diabo).⁴⁹

Os ensinamentos e práticas destes Padres da Igreja mostram um forte sentido tanto de continuidade do que Deus tinha começado como de transformação. Eles viram o sistema sacrificial do Antigo Testamento cumprido em Cristo, e acreditavam que este único sacrifício era tornado presente e acessível aos crentes na Eucaristia, que eles entendiam como um santo sacrifício oferecido sobre um altar. Esta perspectiva histórica ajuda-nos hoje a apreciar as raízes profundas da nossa compreensão da Comunhão e a sacralidade que tem sido associada ao culto cristão desde os seus primeiros dias.

Toda a história bíblica dos altares, de Génesis a Apocalipse, revela o compromisso inabalável de Deus em colmatar o fosso criado pelo pecado e estabelecer um relacionamento connosco, o Seu povo. Esta iniciativa divina, sempre demonstrada através do sacrifício e da presença, convida-nos a oferecer as nossas vidas de volta a Ele em culto consagrado. Ao compreender o significado dos altares, podemos obter uma compreensão mais rica da incrível história redentora de Deus, da profundidade do sacrifício de Cristo e do nosso próprio apelo contínuo para viver como adoradores dedicados num mundo que precisa desesperadamente de ver a presença de Deus tornada real. Acredite, receba e viva!



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