
Que versículos da Bíblia abordam diretamente a ansiedade e a preocupação?
O nosso amoroso Pai no céu conhece bem os fardos e as ansiedades que pesam sobre os nossos corações. Ao longo da Sagrada Escritura, encontramos palavras de conforto e exortação para lançar as nossas preocupações sobre o Senhor.
Talvez a passagem mais conhecida que aborda a ansiedade se encontre nas palavras do nosso Senhor Jesus no Evangelho de Mateus: “Portanto, vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, pelo que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes?” (Mateus 6:25)(Goodacre, 2021). Aqui, o nosso Salvador lembra-nos de confiar no cuidado providencial de Deus.
O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, oferece este belo conselho: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7)(Rosenblatt, 2021). Que promessa poderosa – que a paz de Deus guardará os nossos corações e mentes!
Nos Salmos, encontramos muitos versículos que falam ao coração ansioso. “Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado” (Salmo 55:22). E ainda: “Quando a ansiedade era grande dentro de mim, as tuas consolações trouxeram alegria à minha alma” (Salmo 94:19).
O apóstolo Pedro também nos encoraja, dizendo: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7). Que conforto saber que o nosso Deus cuida profundamente de cada um de nós!
Lembremo-nos também das palavras do profeta Isaías: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaías 26:3). Aqui vemos que a confiança em Deus é o antídoto para as nossas preocupações.
Deixai que estes versículos penetrem profundamente nos vossos corações. Meditai neles, orai com eles e permiti que o Espírito Santo vos ministre a paz de Deus através da Sua Palavra viva. Pois, verdadeiramente, como disse Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).

Como Jesus ensina sobre a ansiedade nos Evangelhos?
O nosso Senhor Jesus, na Sua infinita sabedoria e compaixão, aborda a tendência humana para a ansiedade com gentileza e firmeza. Os Seus ensinamentos sobre este assunto são particularmente evidentes no Sermão da Montanha, conforme registado no Evangelho de Mateus.
Em Mateus 6:25-34, Jesus oferece um poderoso discurso sobre a preocupação e a ansiedade(Goodacre, 2021). Ele começa por instruir os Seus discípulos: “Portanto, vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, pelo que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, pelo que haveis de vestir” (Mateus 6:25). O nosso Senhor reconhece que estas necessidades básicas tornam-se frequentemente fontes de ansiedade para nós.
Jesus usa então exemplos da natureza para ilustrar o cuidado de Deus: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?” (Mateus 6:26). Aqui, o nosso Salvador lembra-nos do nosso imenso valor aos olhos de Deus e da Sua provisão fiel.
Ele continua: “E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mateus 6:28-29). Através destas imagens vívidas, Jesus convida-nos a confiar no cuidado abundante de Deus.
O nosso Senhor aponta também a inutilidade da preocupação: “E qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6:27). Ele encoraja-nos a reconhecer que a ansiedade não resolve os nossos problemas nem prolonga as nossas vidas.
Jesus conclui este ensinamento com uma exortação poderosa: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:33-34). Aqui, Ele redireciona o nosso foco das preocupações terrenas para as prioridades eternas.
No Evangelho de Lucas, Jesus reforça este ensinamento: “Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, não podeis fazer as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (Lucas 12:25-26). Ele acrescenta então: “Não busqueis o que haveis de comer ou beber, e não andeis inquietos... Mas buscai o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Lucas 12:29,31).
Levemos a peito estes ensinamentos do nosso Senhor. Ele convida-nos a uma vida de confiança, não de ansiedade; de fé, não de medo. Jesus chama-nos a mudar o nosso foco do temporal para o eterno, das nossas preocupações para a fidelidade de Deus. Ao fazê-lo, encontraremos a paz que excede todo o entendimento, que só Cristo pode dar.

O que a Bíblia diz sobre as causas profundas da ansiedade?
Ao mergulharmos nas Escrituras para compreender as causas profundas da ansiedade, devemos abordar este tópico com humildade e compaixão, reconhecendo que a ansiedade pode advir de várias fontes – algumas espirituais, algumas psicológicas e algumas fisiológicas.
O Bíblia aponta frequentemente para uma falta de confiança em Deus como causa fundamental da ansiedade. No livro de Provérbios, lemos: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5). Quando confiamos apenas no nosso próprio entendimento e força, tornamo-nos vulneráveis à preocupação e ao medo.
O Apóstolo Paulo, na sua carta aos Filipenses, sugere que a ansiedade pode surgir quando falhamos em levar as nossas preocupações a Deus em oração. Ele escreve: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6)(Rosenblatt, 2021). Isto implica que a ansiedade pode advir de uma falta de comunicação com o nosso Pai Celestial.
Nos Evangelhos, Jesus aborda frequentemente a ansiedade como resultado de prioridades mal colocadas. Em Mateus 6:33, Ele diz: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Quando nos focamos demasiado nas preocupações mundanas e não o suficiente nas questões espirituais, podemos encontrar-nos propensos à ansiedade(Goodacre, 2021).
A Bíblia também reconhece que circunstâncias de vida difíceis podem contribuir para a ansiedade. Vemos isto na vida do Rei David, que frequentemente expressava as suas ansiedades nos Salmos. No Salmo 55:4-5, ele escreve: “O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores de morte caíram sobre mim. Temor e tremor vieram sobre mim, e o horror me cobriu.” Aqui, vemos que mesmo aqueles que estão próximos de Deus podem experimentar ansiedade devido a situações desafiantes.
As Escrituras reconhecem que o pecado e a culpa podem ser causas profundas da ansiedade. No Salmo 38:4, David lamenta: “A minha culpa me ultrapassa como um fardo pesado demais para suportar.” O pecado não confessado e a culpa não resolvida podem pesar fortemente nos nossos corações, levando à ansiedade e ao sofrimento.
A Bíblia também sugere a ligação entre a saúde física e o bem-estar mental. Em Provérbios 17:22, lemos: “O coração alegre é um bom remédio, mas o espírito abatido seca os ossos.” Isto sugere que os nossos estados físicos e emocionais estão interligados, e que uma saúde debilitada pode contribuir para a ansiedade.
Por último, as Escrituras reconhecem a realidade da batalha espiritual. O Apóstolo Pedro avisa: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Isto lembra-nos que alguma ansiedade pode ter raízes espirituais, à medida que enfrentamos a oposição do inimigo das nossas almas.
Ao considerarmos estas perspetivas bíblicas sobre as causas profundas da ansiedade, abordemos esta questão com compaixão e compreensão. Lembremo-nos de que a ansiedade é uma questão complexa, muitas vezes com múltiplos fatores contribuintes. Ao procurarmos abordar a ansiedade nas nossas vidas e nas vidas dos outros, que o façamos com sabedoria, amor e confiança na graça de Deus. Lembremo-nos também de que, nos nossos esforços para abordar a ansiedade, não devemos ignorar o impacto do ressentimento. A Bíblia oferece uma perspetiva clara e perspicaz sobre o ressentimento, reconhecendo a sua natureza destrutiva e enfatizando a importância do perdão e da graça. Ao esforçarmo-nos por abordar a ansiedade, consideremos também a perspetiva bíblica sobre o ressentimento e o papel que este pode desempenhar ao contribuir para esta questão complexa. Abordemos tanto a ansiedade como o ressentimento com a mesma compaixão, compreensão e confiança na orientação de Deus.

Que figuras bíblicas lutaram contra a ansiedade e o que podemos aprender com elas?
A Bíblia, na sua honestidade poderosa, apresenta-nos muitas figuras que lutaram contra a ansiedade e o medo. As suas histórias oferecem-nos conforto e lições valiosas à medida que enfrentamos as nossas próprias ansiedades.
Consideremos primeiro o profeta Elias. Após a sua grande vitória sobre os profetas de Baal no Monte Carmelo, Elias caiu numa profunda ansiedade quando ameaçado pela Rainha Jezabel. Em 1 Reis 19:4, lemos que ele “caminhou um dia pelo deserto, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte.” De Elias, aprendemos que mesmo as grandes vitórias espirituais não nos tornam imunes à ansiedade. Vemos também o cuidado terno de Deus por Elias, providenciando-lhe descanso, alimento e um sussurro suave de segurança.
O Rei David, o homem segundo o coração de Deus, expressava frequentemente as suas ansiedades nos Salmos. No Salmo 55:4-5, ele clama: “O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores de morte caíram sobre mim. Temor e tremor vieram sobre mim, e o horror me cobriu.” No entanto, no mesmo Salmo, ele afirma: “Mas eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará” (Salmo 55:16). David ensina-nos a importância da expressão honesta dos nossos medos a Deus, aliada a uma confiança inabalável na Sua salvação.
O Apóstolo Paulo, apesar da sua fé incrível e zelo missionário, não estava livre da ansiedade. Em 2 Coríntios 11:28, ele fala da sua “preocupação diária com todas as igrejas.” O exemplo de Paulo lembra-nos que a ansiedade pode por vezes advir de um profundo cuidado e preocupação pelos outros. No entanto, Paulo dá-nos também o antídoto em Filipenses 4:6-7, encorajando-nos a levar as nossas ansiedades a Deus em oração(Rosenblatt, 2021).
Vemos a ansiedade na vida de Ana, que estava profundamente angustiada pela sua incapacidade de conceber um filho. Em 1 Samuel 1:15, ela descreve-se como “uma mulher atribulada de espírito.” A história de Ana ensina-nos a derramar os nossos corações perante Deus em oração, mesmo na nossa angústia mais profunda.
Até o nosso Senhor Jesus, na Sua natureza humana, experimentou uma profunda angústia no Jardim do Getsémani. Mateus 26:37-38 diz-nos: “Começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte.” A experiência de Jesus lembra-nos que a ansiedade e a tristeza não são pecados em si mesmas, mas parte da experiência humana num mundo caído.
Jeremias, frequentemente chamado o “profeta chorão”, expressava frequentemente as suas ansiedades e tristezas. Em Jeremias 20:18, ele lamenta: “Por que saí da madre para ver trabalho e tristeza, e para que os meus dias se consumam na confusão?” No entanto, Jeremias permaneceu fiel ao seu chamamento, ensinando-nos que podemos servir a Deus mesmo no meio das nossas ansiedades.
O que podemos aprender destas figuras bíblicas? Primeiro, que a ansiedade é uma experiência humana comum, mesmo para aqueles que estão mais próximos de Deus. Segundo, que a honestidade perante Deus sobre os nossos medos não é apenas aceitável, mas encorajada. Terceiro, que a ansiedade não precisa de nos paralisar ou impedir de cumprir o chamamento de Deus nas nossas vidas. E, finalmente, que Deus está sempre presente, sempre a cuidar, sempre pronto a confortar-nos e a fortalecer-nos nos nossos momentos de maior ansiedade.
Ganhemos coragem com estes exemplos, sabendo que não estamos sozinhos nas nossas lutas, e que a graça de Deus nos basta, tal como bastou para estes homens e mulheres fiéis de outrora.

Como o amor e o cuidado de Deus por nós abordam as nossas ansiedades?
No próprio coração da nossa fé reside a verdade poderosa do amor imensurável de Deus por cada um de nós. Este amor, tão belamente manifestado na vida, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo, é a resposta definitiva para as nossas ansiedades e medos mais profundos.
As Escrituras asseguram-nos repetidamente do cuidado amoroso de Deus. Como o Apóstolo Pedro nos encoraja: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7). Este convite para lançar as nossas ansiedades sobre Deus está enraizado na realidade reconfortante do Seu cuidado por nós. Não é que Deus apenas tolere as nossas preocupações; Ele convida-nos ativamente a levá-las até Ele porque Ele se preocupa genuinamente com o nosso bem-estar.
O nosso Senhor Jesus, nos Seus ensinamentos, enfatiza a provisão amorosa de Deus para as nossas necessidades. Ele lembra-nos: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?” (Mateus 6:26)(Goodacre, 2021). Esta bela imagem tranquiliza-nos quanto ao nosso imenso valor aos olhos de Deus. Se Deus cuida das aves, quanto mais não cuidará Ele de nós, os Seus filhos amados?
O Salmista expressa belamente o cuidado íntimo de Deus: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Salmo 34:18). Nos nossos momentos de maior ansiedade, quando nos sentimos mais quebrantados e esmagados, Deus aproxima-se de nós com a Sua presença reconfortante.
O amor de Deus também aborda as nossas ansiedades ao proporcionar-nos a Sua paz. Como Paulo escreve: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7)(Rosenblatt, 2021). Esta paz não é apenas a ausência de problemas, mas a presença do próprio Deus, guardando os nossos corações e mentes contra o ataque da ansiedade.
O amor de Deus dá-nos uma nova perspetiva sobre as nossas ansiedades. O Apóstolo Paulo lembra-nos: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28). Esta segurança ajuda-nos a ver as nossas ansiedades à luz do propósito maior de Deus, confiando que até as nossas lutas podem ser usadas para o bem nas Suas mãos amorosas.
O cuidado de Deus por nós é também expresso através do dom do Espírito Santo, o nosso Consolador e Ajudador. Jesus prometeu: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (João 14:26-27). A presença do Espírito Santo nas nossas vidas é um lembrete constante do amor e cuidado de Deus, trazendo paz e orientação em tempos de ansiedade.
Finalmente, lembremo-nos de que a expressão suprema do amor de Deus – o sacrifício do Seu Filho para a nossa salvação – aborda as nossas ansiedades mais profundas sobre a vida, a morte e a eternidade. Como Paulo declara triunfantemente: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Romanos 8:31-32).
À luz deste amor magnífico, tenhamos coragem. As nossas ansiedades, embora reais e por vezes avassaladoras, não são, em última análise, páreo para o amor perfeito do nosso Pai Celestial. À medida que crescemos na nossa compreensão e experiência do Seu amor, que possamos ver os nossos medos diminuir e a nossa confiança aumentar. Pois, verdadeiramente, como nos lembra o Apóstolo João: “No amor não há medo. Antes, o perfeito amor lança fora o medo” (1 João 4:18).

Que princípios bíblicos podem ajudar os cristãos a gerir a ansiedade na vida quotidiana?
O nosso Pai amoroso conhece bem as ansiedades e preocupações que sobrecarregam os nossos corações nesta vida terrena. Contudo, Ele não nos deixa sem orientação e conforto. A Palavra de Deus oferece-nos uma rica sabedoria para gerir as nossas ansiedades diárias.
Devemos lembrar-nos do terno convite do nosso Senhor: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Quando a ansiedade ameaça sobrecarregar-nos, o nosso primeiro recurso deve ser sempre recorrer a Jesus em oração. Como nos exorta São Pedro, devemos “lançar sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7)(Stanley et al., 2013). Que bela imagem isto evoca – imagine-se literalmente a levantar o peso pesado das suas preocupações e a lançá-lo sobre os ombros fortes de Cristo, que está pronto para as apanhar por si. Medite na Sua preocupação amorosa por si, que pode parecer boa demais para ser verdade, mas que é a realidade mais profunda do coração de Deus(Stanley et al., 2013).
Em segundo lugar, A Escritura ensina-nos a enraizar as nossas mentes e corações em verdades eternas em vez de preocupações temporais. O nosso Senhor lembra-nos: “Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (Mateus 6:25). Ao fixarmos o nosso olhar no Reino de Deus e na Sua justiça, ganhamos a perspetiva correta sobre os nossos problemas terrenos.
O Apóstolo Paulo oferece-nos esta poderosa exortação: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7). Aqui vemos a ligação vital entre oração, gratidão e paz. Ao levarmos as nossas necessidades perante Deus com corações agradecidos, abrimo-nos para receber a Sua paz transcendente.
Por último, não nos esqueçamos do poder da comunidade em carregar os fardos uns dos outros. Como Paulo instrui: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2). Quando a ansiedade nos oprime, não precisamos de sofrer sozinhos. O corpo de Cristo é chamado a apoiar e elevar uns aos outros em tempos de aflição(Stanley et al., 2013).
Em todas estas coisas, lembre-se de que o nosso Deus está perto, Ele é poderoso para salvar, e o Seu amor por si é inabalável. Que estes princípios bíblicos sejam uma lâmpada para os seus pés enquanto navega pelas ansiedades da vida diária, mantendo sempre os seus olhos fixos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé.

Como é que a esperança da vida eterna impacta a perspetiva de um cristão sobre a ansiedade?
A esperança gloriosa da vida eterna que temos em Cristo Jesus é um poderoso antídoto para as ansiedades e medos que nos assolam neste mundo temporal. Esta esperança não é um mero desejo, mas uma âncora firme para as nossas almas, fundamentada na ressurreição do nosso Senhor e nas Suas promessas para nós.
O Apóstolo Paulo lembra-nos: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4:17-18). Esta perspetiva eterna transforma a forma como vemos os nossos problemas atuais(Tanquerey, 2000). Quando fixamos os nossos olhos na promessa da vida eterna, as nossas ansiedades atuais, embora não insignificantes, são colocadas no seu devido contexto.
Considere como esta esperança afetou os primeiros cristãos. Apesar de enfrentarem perseguição, dificuldades e incertezas, estavam cheios de uma alegria e paz que confundiam os seus opressores. A sua esperança na ressurreição e na vida futura deu-lhes coragem para enfrentar até o martírio com serenidade. Como Tertuliano observou famosamente: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja.”
Esta esperança da vida eterna também nos liberta da tirania das preocupações mundanas que frequentemente alimentam as nossas ansiedades. O nosso Senhor ensina-nos: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu” (Mateus 6:19-20). Quando acreditamos verdadeiramente na realidade da vida eterna, somos libertados da busca ansiosa por segurança e estatuto temporal(Tanquerey, 2000; Xvi, n.d.).
A promessa da vida eterna lembra-nos da vitória final de Deus sobre tudo o que nos causa medo e ansiedade. A própria morte, essa grande fonte de pavor humano, foi conquistada por Cristo. Como São Paulo declara triunfantemente: “Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:54-55). À luz disto, até as nossas ansiedades mais profundas perdem o seu poder sobre nós.
No entanto, sejamos claros – esta esperança não significa que nunca experimentaremos ansiedade ou que os nossos medos são de alguma forma não espirituais. Até o nosso Senhor Jesus experimentou angústia no Jardim do Getsémani. Pelo contrário, a esperança da vida eterna dá-nos um quadro para compreender e gerir as nossas ansiedades. Lembra-nos que as nossas lutas atuais não são o fim da história(Burke-Sivers, 2015; Xvi, n.d.).
À medida que caminhamos por esta vida com os seus muitos cuidados, apeguemo-nos às palavras de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, ó Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti.” A nossa paz e segurança supremas não se encontram na ausência de problemas terrenos, mas na presença do nosso Deus eterno e na promessa da vida eterna com Ele. Que esta esperança seja uma fonte de conforto e coragem para todos vós, meus amados filhos em Cristo.

O que ensina a Igreja Católica sobre a ansiedade e a preocupação?
A Igreja Católica, como uma mãe amorosa, compreende bem as ansiedades e preocupações que afligem os seus filhos nesta peregrinação terrena. Os seus ensinamentos sobre este assunto estão enraizados nas palavras de Cristo e na sabedoria dos séculos, oferecendo-nos tanto conforto como orientação.
A Igreja lembra-nos que um certo nível de preocupação com as nossas vidas e responsabilidades é natural e até necessário. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Todos experimentam medo e ansiedade. A apreensão do mal ou do infortúnio é, em si mesma, moralmente neutra” (CIC 1765)(Church, 2000). É quando a preocupação se torna excessiva ou paralisante que se torna problemática.
Mas a Igreja também nos ensina que a ansiedade e a preocupação excessivas podem ser uma forma de desconfiança na providência de Deus. Como explica o Catecismo: “Quando é excessiva e irracional, a ansiedade torna-se um vício oposto à virtude da esperança” (CIC 2091)(Church, 2000). Somos chamados a cultivar uma profunda confiança no cuidado de Deus por nós, mesmo no meio das incertezas da vida.
A Igreja encoraja-nos a combater a ansiedade através da oração, dos sacramentos e de atos de caridade. Em particular, a Eucaristia é uma poderosa fonte de força e paz. Como São João Paulo II expressou belamente: “Na Eucaristia, o nosso Deus mostrou o amor ao extremo, invertendo todos aqueles critérios de poder que demasiadas vezes governam as relações humanas e afirmando radicalmente o critério do serviço” (Ecclesia de Eucharistia, 28).
A Igreja ensina-nos a ver as nossas ansiedades à luz das realidades eternas. O Concílio Vaticano II lembra-nos: “É perante a morte que o enigma da condição humana se torna mais agudo… Todos os esforços da tecnologia, embora úteis ao extremo, não podem acalmar a ansiedade do indivíduo(#) (Gaudium et Spes, 18)(McBrien, 1994). Só a fé em Cristo e a esperança da vida eterna podem verdadeiramente superar os nossos medos mais profundos.
Ao mesmo tempo, a Igreja reconhece que a ansiedade pode, por vezes, ser uma condição médica que requer ajuda profissional. Não há contradição entre procurar essa ajuda e confiar na graça de Deus. Como o Papa Bento XVI observou sabiamente: “A Igreja Católica sempre esteve aberta à investigação médica e psicológica… Ciência e fé não se opõem uma à outra” (Discurso ao Conselho Pontifício para os Agentes de Saúde, 2010).
A Igreja também nos ensina o valor da comunidade ao lidar com a ansiedade. Não fomos feitos para carregar os nossos fardos sozinhos. Como membros do Corpo de Cristo, somos chamados a apoiar e elevar uns aos outros. A prática da direção espiritual e o Sacramento da Reconciliação podem ser particularmente úteis para abordar as nossas preocupações e medos num contexto de fé(Wainwright, 2006).
Finalmente, a Igreja lembra-nos do poder transformador de entregar as nossas ansiedades a Deus. Como São Padre Pio disse belamente: “Reza, espera e não te preocupes. A preocupação é inútil. Deus é misericordioso e ouvirá a tua oração.” Este não é um apelo à passividade, mas a uma confiança ativa na providência de Deus.
Tenhamos coragem nas palavras do nosso Senhor Jesus: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). A Igreja, ecoando o seu Divino Fundador, chama-nos não a uma vida livre de toda a preocupação, mas a uma vida onde as nossas ansiedades são transformadas pela fé, esperança e amor. Que todos possamos encontrar conforto e força nestes ensinamentos, e que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os nossos corações e mentes.

O que ensinam os Padres da Igreja sobre a ansiedade e a preocupação?
A sabedoria dos Padres da Igreja sobre o tema da ansiedade e preocupação é um tesouro rico que continua a nutrir-nos e a guiar-nos hoje. Estes primeiros líderes cristãos, baseando-se na Escritura e nas suas próprias experiências espirituais profundas, oferecem-nos perspetivas poderosas sobre como enfrentar as ansiedades da vida com fé e coragem.
Santo Agostinho, esse grande doutor da Igreja, compreendeu bem a inquietação do coração humano. Ele escreveu famosamente: “Fizeste-nos para Ti, ó Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti.” Agostinho reconheceu que as nossas ansiedades derivam frequentemente de desejos e apegos mal colocados. Ele ensinou que a verdadeira paz não vem da ausência de problemas, mas de ordenar corretamente os nossos amores, com Deus no centro(McBrien, 1994).
São João Crisóstomo, conhecido como o “boca de ouro” pela sua eloquência, exortou os crentes a confiar na providência de Deus mesmo perante as incertezas da vida. Ele escreveu: “As águas subiram e tempestades severas estão sobre nós, mas não tememos o afogamento, pois estamos firmemente sobre uma rocha. Que o mar enfureça, não pode quebrar a rocha. Que as ondas subam, não podem afundar o barco de Jesus.” Crisóstomo lembra-nos que a nossa segurança não está na estabilidade mundana, mas em Cristo, a nossa rocha(Willis, 2002).
Os Padres do Deserto, esses pioneiros monásticos, tinham muito a dizer sobre o combate aos pensamentos ansiosos. Por exemplo, Evágrio Pôntico identificou a preocupação como um dos oito pensamentos malignos que assolam a mente humana. Ele e outros desenvolveram práticas de vigilância e oração para combater estes pensamentos, ensinando-nos a importância de guardar as nossas mentes e corações(Willis, 2002).
São Basílio Magno enfatizou a futilidade da preocupação excessiva, ecoando os ensinamentos de Cristo. Ele escreveu: “Se estamos ansiosos pelas necessidades da vida, não acreditamos que Deus as suprirá para nós… A ansiedade é uma doença perigosa da alma; desgasta os seus poderes e oprime-a.” Basílio encoraja-nos a cultivar uma profunda confiança no cuidado de Deus por nós(Franklin, n.d.; Gambero, 2019).
São Gregório de Nissa, no seu clássico espiritual “A Vida de Moisés”, ensina-nos a ver a nossa jornada através das ansiedades da vida como um processo de crescimento espiritual. Ele escreve: “O conhecimento de Deus é uma montanha íngreme e difícil de escalar — a maioria das pessoas mal chega à sua base.” Gregório encoraja-nos a perseverar na fé, mesmo quando o caminho é difícil e causa ansiedade.
Clemente de Alexandria oferece uma perspetiva poderosa sobre a autossuficiência que nos pode ajudar a combater a ansiedade. Ele escreve: “Aqueles que se preocupam com a sua salvação devem tomar isto como o seu primeiro princípio: que, embora toda a criação seja nossa para usar, ela é feita para o bem da autossuficiência, que qualquer um pode obter com poucas coisas.” Clemente lembra-nos que a verdadeira segurança não vem da abundância de bens, mas do contentamento em Deus(Finn, 2013).
Santo Inácio de Antioquia, escrevendo aos Romanos enquanto enfrentava o martírio, demonstra a paz que vem da confiança total na vontade de Deus. Ele diz: “Agora começo a ser um discípulo… Que o fogo e a cruz, bandos de feras, ossos partidos, desmembramento… venham sobre mim, contanto que eu alcance Jesus Cristo.” Inácio mostra-nos que, mesmo perante perigo extremo, a fé pode superar a ansiedade.
Estes ensinamentos dos Padres lembram-nos que a ansiedade e a preocupação não são desafios novos, mas desafios com os quais os crentes têm lidado ao longo dos tempos. Chamam-nos a enraizar as nossas vidas profundamente na fé, a praticar a vigilância sobre os nossos pensamentos, a confiar profundamente na providência de Deus e a encontrar a nossa segurança suprema apenas em Cristo.
Encontremos conforto nas palavras de São Cipriano de Cartago: “Tudo o que um homem tem em superfluidade é devido aos pobres… Devemos colocar a nossa esperança não na incerteza da riqueza, mas no Deus vivo, que nos dá ricamente todas as coisas para desfrutar.” Que esta sabedoria dos Padres nos guie enquanto navegamos pelas ansiedades do nosso próprio tempo, mantendo sempre os nossos olhos fixos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé.
