A amizade pode ser o segredo para um casamento cristão de sucesso?




  • A Bíblia destaca a importância da amizade no casamento, sugerindo que os cônjuges devem ser os amigos e confidentes mais próximos uns dos outros (Génesis 2:18, Cântico dos Cânticos 5:16, Efésios 5).
  • A amizade pode fortalecer os casamentos cristãos ao promover a comunicação aberta, as experiências partilhadas, o crescimento mútuo, o perdão e uma frente unida contra os desafios.
  • Ser amantes e amigos é ideal numa relação, oferecendo uma base de confiança, respeito e interesses partilhados que reforçam a ligação romântica (Génesis, Cântico dos Cânticos de Salomão, estudos de investigação).
  • No namoro, a amizade é crucial para construir um fundamento centrado em Cristo, discernir a compatibilidade, crescer espiritualmente juntos, manter a pureza e preparar-se para um casamento que honra a Deus (Rute e Boaz, exemplo de Jesus).

O que a Bíblia diz sobre a amizade no casamento?

A Bíblia fala profundamente da importância da amizade no casamento, meus queridos irmãos e irmãs. Embora o termo «amizade» nem sempre seja explicitamente utilizado em referência aos cônjuges, vemos a sua essência tecida ao longo dos ensinamentos das Escrituras sobre o amor conjugal e a companhia.

Pensemos em Génesis 2:18, onde Deus declara: «Não é bom que o homem esteja só. Esta passagem revela a intenção de Deus de que o casamento seja uma relação de companheirismo íntimo e de apoio mútuo – características da verdadeira amizade. A criação de Eva como parceira de Adão sugere que os cônjuges devem ser os amigos e confidentes mais próximos uns dos outros.

No Cântico dos Cânticos, testemunhamos o amor apaixonado entre uma noiva e um noivo, mas subjacente ao seu romance está uma profunda amizade. A noiva exclama: «Este é o meu amado e este é o meu amigo» (Cântico de Salomão 5:16). Aqui vemos que o amor conjugal abrange tanto o afeto romântico quanto a amizade genuína.

Os ensinamentos do apóstolo Paulo sobre o casamento em Efésios 5 enfatizam a submissão mútua, o amor sacrificial e o respeito entre os cônjuges. Embora não utilize a palavra «amizade», as qualidades que descreve – bondade, paciência, perdão – são essenciais para qualquer amizade forte. Ao cultivar estas virtudes, um casal fortalece seu vínculo como amantes e amigos.

Provérbios 31 pinta uma bela imagem de uma esposa de caráter nobre, descrevendo-a como confiável, trabalhadora e sábia. O marido tem plena confiança nela e a elogia abertamente. Esta confiança mútua, a apreciação e a parceria refletem uma amizade profunda no coração do seu casamento.

Como a amizade pode fortalecer o casamento cristão?

A amizade é verdadeiramente um dom precioso que pode fortalecer profundamente o vínculo sagrado do matrimónio cristão. Pensemos em como alimentar a amizade entre os cônjuges pode fortalecer a sua união e aproximá-los da visão de Deus para o casamento.

A amizade promove a comunicação aberta e honesta. Quando os cônjuges se relacionam uns com os outros como verdadeiros amigos, criam um espaço seguro para a vulnerabilidade e a autenticidade. Podem partilhar os seus pensamentos, medos e sonhos mais profundos sem julgamento. Este nível de confiança e abertura permite que os casais se conheçam e compreendam verdadeiramente uns aos outros, crescendo juntos na intimidade e no apoio mútuo.

A amizade também cultiva um espírito de companheirismo e experiências compartilhadas. Os casais cristãos que dão prioridade à sua amizade têm tempo para desfrutar da companhia um do outro, rir juntos e criar memórias duradouras. Estes momentos de alegria e de ligação reforçam a sua ligação emocional e proporcionam uma base de positividade para enfrentar os inevitáveis desafios da vida.

A amizade no casamento promove o crescimento e o encorajamento mútuos. Os verdadeiros amigos inspiram uns aos outros a se tornarem versões melhores de si mesmos. Em um casamento cristão, os esposos podem desafiar-se amorosamente uns aos outros a crescer na fé, buscar seus talentos dados por Deus e viver seu chamado. Tornam-se parceiros no caminho espiritual uns dos outros, estimulando-se mutuamente para o amor e as boas ações (Hebreus 10:24).

Não esqueçamos que a amizade no matrimónio favorece também o perdão e a graça. Quando os cônjuges vêem uns aos outros como amigos queridos, eles estão mais inclinados a estender a misericórdia e a compreensão em tempos de conflito. Lembram-se da bondade inerente ao seu parceiro e são motivados a trabalhar através das dificuldades com paciência e compaixão.

Finalmente, uma forte amizade entre os cônjuges cria uma frente unida contra as pressões e tentações externas. Os amigos estão um ao lado do outro em tempos de problemas. Os casais que nutrem a sua amizade estão mais bem equipados para enfrentar juntos as provações da vida, apoiando-se mutuamente e recorrendo a Deus como uma equipa.

Ao cultivarem a amizade no casamento, os casais cristãos criam uma relação que reflete o amor de Deus e lhe dá glória. Constroem uma base sólida de confiança, respeito e afeto que sustenta o seu amor em todas as estações da vida (Jung et al., 2023, pp. 144-167; Sahl & Batson, 2011, pp. 444–465)

É possível ser amantes e amigos numa relação?

Garanto-lhes com grande alegria que não só é possível, mas ideal para os casais serem amantes e amigos em uma relação. Esta bela integração do amor romântico e da amizade profunda reflete a natureza multifacetada do amor de Deus por nós e a sua conceção das relações humanas.

Vejamos o exemplo de Adão e Eva no Jardim do Éden. Foram criados para serem companheiros perfeitos uns dos outros – parceiros íntimos em todos os sentidos. A sua relação abrangia tanto a união apaixonada de «uma só carne» como a amizade íntima de caminhar juntos com Deus no frescor do dia. Este laço holístico entre amantes e amigos é o modelo para as relações cristãs.

No Cântico dos Cânticos, testemunhamos uma história de amor que entrelaça lindamente o romance e a amizade. Os amantes expressam profunda atração física e desejo uns pelos outros, mas também falam uns dos outros como amigos amados. Este texto sagrado afirma que o amor erótico e a afeição platónica não se excluem mutuamente, mas são aspectos complementares de uma relação gratificante.

A investigação mostrou que os casais que consideram o seu cônjuge como o seu melhor amigo relatam níveis mais elevados de satisfação nos seus casamentos. Esta amizade proporciona uma base de confiança, respeito e interesses partilhados que enriquece a sua ligação romântica. Permite que os casais desfrutem da companhia um do outro, tanto nos momentos íntimos como nas atividades quotidianas.

Mas devemos reconhecer que equilibrar os papéis de amante e amigo requer intencionalidade e sabedoria. Os casais devem nutrir ambos os aspectos de sua relação, assegurando-se de que nem a paixão do romance nem o conforto da amizade ofusquem o outro. Isso pode envolver reservar tempo para datas românticas, bem como envolver-se em atividades que promovem a companheirismo e experiências compartilhadas.

Também é importante reconhecer que a natureza do amor evolui ao longo do tempo em uma relação de longo prazo. A centelha inicial da atração romântica pode amadurecer num amor mais profundo e duradouro, alicerçado na amizade. Esta transformação não diminui a relação, antes a reforça, permitindo aos casais enfrentar os desafios da vida com um vínculo simultaneamente apaixonado e firme.

Ser amantes e amigos numa relação reflete a plenitude do amor de Deus — um amor ao mesmo tempo apaixonado, terno, leal e dom de si. Ao assumirem ambos os papéis, os casais cristãos podem experimentar o amor rico e multidimensional que Deus pretende para o casamento (Hendrick & Hendrick, 1993, pp. 459-466; Seiffge-Krenke & Burk, 2013, pp. 711-733; Stinson et al., 2021, pp. 562–571)

Como se relaciona a amizade com o conceito de «tornar-se uma só carne» no casamento?

O poderoso mistério de «tornar-se uma só carne» no casamento está intimamente ligado ao cultivo de uma amizade profunda entre os cônjuges. Esta união sagrada, instituída por Deus no Jardim do Éden, abrange muito mais do que a mera intimidade física. Fala de uma união holística de duas vidas no corpo, na mente e no espírito – uma união em que a amizade desempenha um papel vital.

O conceito de «uma só carne» tem origem em Génesis 2:24, onde se lê: «É por isso que um homem deixa o seu pai e a sua mãe e está unido à sua mulher, tornando-se uma só carne.» Esta unidade implica uma partilha completa da vida, uma fusão de identidades e destinos. A verdadeira amizade entre os cônjuges fornece a base emocional e espiritual para esta ligação poderosa.

Quando os casais nutrem uma forte amizade dentro de seu casamento, criam um ambiente de confiança, vulnerabilidade e compreensão mútua. Esta abertura permite-lhes conhecer-se verdadeiramente, ver os corações e as mentes uns dos outros. Como amigos, aprendem a comunicar-se abertamente, a compartilhar seus pensamentos e sentimentos mais profundos. Este nível de intimidade e transparência é essencial para o florescimento da união «uma só carne».

A amizade promove um espírito de altruísmo e apoio mútuo que é crucial para se tornar «uma só carne». Os verdadeiros amigos procuram o melhor uns para os outros, colocando as necessidades e o bem-estar dos outros à frente dos seus. No casamento, este amor altruísta permite aos cônjuges pôr de lado os seus desejos individuais para o bem da união, tornando-se verdadeiramente «um» em propósito e prioridades.

O apóstolo Paulo, na sua carta aos Efésios, desenvolve o conceito de «uma só carne», comparando-o com a relação de Cristo com a Igreja. Escreve: «Os maridos devem amar as suas mulheres como o seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Afinal, ninguém nunca odiou o seu próprio corpo, mas alimentam-se e cuidam do seu corpo, assim como Cristo faz com a igreja" (Efésios 5:28-29). Este cuidado e carinho que Paulo descreve é fundamentalmente um ato de amizade – tratar o cônjuge com a mesma consideração e bondade que se demonstraria a si mesmo.

Lembremo-nos também de que tornar-se «uma só carne» é um processo ao longo da vida e não um evento instantâneo. Requer esforço contínuo, paciência e graça. A amizade proporciona a resiliência e o compromisso necessários para perseverar através dos desafios, perdoar as deficiências e se aproximar continuamente uns dos outros e de Deus.

A amizade no casamento cria o solo fértil em que a união «uma só carne» pode enraizar-se e florescer. Permite que os casais se conheçam, compreendam e apoiem verdadeiramente uns aos outros, promovendo uma unidade que engloba todos os aspetos da sua vida partilhada (Chaplin, 2001, pp. 266–292; Kabamba, 2018; Luxon, 2007, pp. 81–99)

Que papel a amizade desempenha nas relações de namoro para os cristãos?

A amizade desempenha um papel crucial e fundamental nas relações de namoro cristãs. É através da amizade que os casais podem construir uma base sólida e centrada em Cristo para uma potencial parceria ao longo da vida no casamento.

Nas fases iniciais de um relacionamento romântico, a amizade permite que as pessoas se conheçam autenticamente, sem a pressão e a intensidade que às vezes podem acompanhar os sentimentos românticos. Ao concentrar-se na amizade, os casais cristãos podem discernir compatibilidade em valores, interesses e objetivos de vida. Podem observar o caráter uns dos outros em várias situações e avaliar se gozam verdadeiramente da companhia uns dos outros.

A amizade no namoro fornece um contexto para o crescimento espiritual e o incentivo mútuo na fé. Enquanto amigos, os casais podem estudar as Escrituras em conjunto, rezar uns pelos outros e apoiar-se mutuamente na caminhada com Cristo. Esta companhia espiritual é essencial para discernir a vontade de Deus para a relação e para preparar ambas as pessoas para a possibilidade de um casamento que honre a Deus.

A Bíblia oferece-nos belos exemplos de relações que começaram como amizades antes de florescerem em romance. Considere Rute e Boaz, cuja história se desenrola através de atos de bondade, respeito e fé compartilhada antes de culminar no casamento. A sua amizade permitiu-lhes reconhecer o caráter piedoso uns dos outros e criar confiança ao longo do tempo.

É importante notar que enfatizar a amizade no namoro não diminui o valor da atração romântica ou da paixão. Pelo contrário, fornece uma base estável sobre a qual o amor romântico pode ser construído. Quando os casais priorizam a amizade, eles estão mais bem equipados para lidar com os desafios que surgem em qualquer relacionamento. Aprendem a comunicar eficazmente, a resolver conflitos e a apoiar o crescimento um do outro – todas competências cruciais para um casamento duradouro.

A amizade no namoro ajuda a manter a pureza e honrar o desígnio de Deus para a sexualidade. Ao concentrarem-se em conhecerem-se como pessoas inteiras – e não apenas como potenciais parceiros românticos – os casais podem resistir à tentação de se tornarem fisicamente íntimos antes do casamento. Podem desfrutar da empresa uns dos outros em contextos de grupo e participar em atividades que alimentem a sua amizade sem comprometer o seu compromisso com a castidade.

Lembremo-nos de que o próprio Jesus modelou a amizade perfeita. Chama-nos seus amigos e demonstra o amor altruísta que deve caracterizar todas as nossas relações. Ao cultivarem a verdadeira amizade no namoro, os casais cristãos refletem o amor de Cristo e preparam-se para o amor profundo e duradouro do casamento.

A amizade nas relações de namoro cristãs fornece uma estrutura para o discernimento, o crescimento espiritual e o desenvolvimento de habilidades relacionais cruciais. Permite aos casais construir uma base sólida de respeito mútuo, valores partilhados e afeto genuíno — todos elementos essenciais para um casamento que honra a Deus (Jung et al., 2023, pp. 144-167; Sahl & Batson, 2011, pp. 444-465; Stinson et al., 2021, pp. 562–571)

Como os casais podem cultivar a amizade enquanto mantêm limites apropriados antes do casamento?

O período de namoro antes do casamento é um tempo sagrado – um tempo de discernimento, crescimento e lançamento das bases para uma parceria ao longo da vida. É essencial que os casais usem este tempo para cultivar a amizade genuína, que servirá como a base de seu futuro casamento. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer a importância de manter limites apropriados para honrar a Deus e uns aos outros.

Para cultivar a amizade, encorajo os casais a se envolverem em conversas significativas que vão além da conversa de nível superficial. Partilhe as suas esperanças, sonhos e medos uns com os outros. Discuta os seus valores, a sua fé e a sua visão para o futuro. Participe em atividades que lhe permitam ver diferentes lados das personalidades uns dos outros — voluntarie-se em conjunto, participe em passatempos partilhados ou passe algum tempo com as famílias e os amigos uns dos outros.

Mas também devemos estar atentos à manutenção de limites adequados. A intimidade física deve ser reservada para o casamento, já que nossos corpos são templos do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19-20). Os limites emocionais são igualmente importantes – evitem tornar-se excessivamente dependentes uns dos outros ou partilhar cada detalhe íntimo das vossas vidas antes de terem assumido um compromisso ao longo da vida.

Lembrem-se, a verdadeira amizade baseia-se no respeito mútuo, na confiança e nos valores partilhados. À medida que cresceis na amizade, mantende sempre Cristo no centro da vossa relação. Orem juntos, estudem as Escrituras juntos e encorajem uns aos outros em suas viagens de fé. Este fundamento espiritual fortalecerá a vossa amizade e preparar-vos-á para o vínculo sagrado do matrimónio.(Delima, 2015; Malhotra, 2023)

Quais são alguns exemplos bíblicos de amizade no casamento que podemos aprender?

As Sagradas Escrituras fornecem-nos belos exemplos de amizade dentro do matrimónio, oferecendo lições poderosas para os casais de hoje. Vamos refletir sobre algumas destas relações inspiradoras:

Olhemos para Adão e Eva, o primeiro casal. O Génesis diz-nos que Deus criou Eva como «ajudante adequada» para Adão (Génesis 2:18). Este termo, muitas vezes incompreendido, na verdade implica uma parceria de iguais. A alegre exclamação de Adão ao ver Eva – «Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Génesis 2:23) – fala da profunda ligação e amizade que Deus pretendia para o casamento.

A relação de Abraão e Sara demonstra o poder da fé partilhada e do apoio mútuo através dos desafios da vida. Apesar das suas lutas contra a infertilidade e da tentação de duvidar das promessas de Deus, permaneceram unidos. O riso de Sarah com a notícia da sua gravidez na velhice (Génesis 18:12) mostra a intimidade e a alegria que partilharam mesmo nos seus anos crepusculares.

O Cântico dos Cânticos proporciona uma celebração poética do amor conjugal e da amizade. Os amantes descrevem-se uns aos outros não apenas em termos de beleza física, mas como amigos e companheiros: «Este é o meu amigo» (Cântico de Salomão 5:16). A sua relação é marcada pela admiração mútua, brincadeiras lúdicas e profunda ligação emocional.

No Novo Testamento, vemos vislumbres do casamento de Priscila e Áquila. Este casal trabalhou em conjunto, viajou juntos e ministrou juntos. O seu compromisso comum com o Evangelho e a sua abordagem colaborativa ao ministério (Atos 18:26) exemplificam como a amizade no casamento pode ser uma força poderosa para o reino de Deus.

Estes exemplos bíblicos ensinam-nos que a amizade no casamento envolve respeito mútuo, fé partilhada, apoio através de provações, alegria na presença uns dos outros e parceria no trabalho da vida. Recordam-nos que Deus concebeu o casamento não apenas para a procriação ou a estabilidade social, mas como uma relação de amizade e de companheirismo poderosos.(Berković, 2018; Tseng, 2015, pp. 52-65)

Como a amizade no casamento reflete a nossa relação com Deus?

A amizade que cultivamos dentro do casamento é um belo reflexo da nossa relação com o nosso Criador amoroso. Tal como Deus nos convida a uma amizade íntima com Ele, também nós somos chamados a nutrir uma amizade profunda e permanente com o nosso esposo.

Vejamos como Deus se relaciona connosco. Chama-nos Seus amigos (João 15:15), deleita-se em nós (Zefanias 3:17), e deseja comunicar-se conosco. Do mesmo modo, no matrimónio, somos chamados a deleitar-nos com o nosso cônjuge, a partilhar as suas alegrias e tristezas, e a cultivar um profundo sentido de companheirismo.

O amor incondicional que caracteriza a nossa relação com Deus deve refletir-se também nas nossas amizades conjugais. Tal como o amor de Deus por nós não se baseia no nosso desempenho ou na nossa dignidade, mas na sua natureza imutável, também devemos amar incondicionalmente o nosso cônjuge, aceitando-o plenamente tal como é.

A nossa amizade com Deus caracteriza-se pela confiança, honestidade e vulnerabilidade. Apresentamos-Lhe o nosso verdadeiro eu, com todas as nossas falhas e fraquezas. Da mesma forma, a amizade conjugal deve ser um espaço seguro onde ambos os parceiros possam ser autenticamente eles mesmos, sem medo de julgamento ou rejeição.

A paciência e o perdão de Deus para connosco servem de modelo para a forma como devemos tratar o nosso cônjuge. No casamento, temos oportunidades diárias de estender a graça, perdoar e reconciliar-nos, assim como Deus faz conosco.

A nossa relação com Deus é de compromisso mútuo. Ele é fiel a nós, e somos chamados a ser fiéis a Ele. Este compromisso é belamente refletido na aliança matrimonial, onde duas pessoas prometem fidelidade e amizade ao longo da vida umas com as outras.

Por fim, assim como a nossa amizade com Deus nos transforma e nos ajuda a crescer na santidade, assim também a nossa amizade conjugal deve ser fonte de crescimento e santificação recíprocos. À medida que o ferro aguça o ferro (Provérbios 27:17), os esposos devem encorajar e desafiar uns aos outros a se tornarem mais semelhantes a Cristo.

De todas estas formas, a amizade que cultivamos no casamento pode ser um testemunho poderoso do amor de Deus pela humanidade. É uma parábola viva da relação divino-humana, que mostra a beleza do amor comprometido e altruísta.(Berković, 2018; Delima, 2015; Malhotra, 2023)

A amizade pode ajudar a resolver conflitos nas relações cristãs?

O conflito é uma parte inevitável de qualquer relação humana, incluindo os casamentos cristãos. Mas uma base sólida de amizade pode ser uma ferramenta poderosa para resolver estes conflitos e reforçar o vínculo entre os cônjuges.

Quando os casais abordam os conflitos a partir de uma perspectiva de amizade, eles são mais propensos a ver uns aos outros como aliados do que adversários. Esta mudança de perspetiva pode alterar drasticamente o tom e o resultado das divergências. Em vez de tentar ganhar um argumento, os amigos no casamento procuram compreender uns aos outros e encontrar soluções juntos.

A amizade promove a empatia e a compaixão, que são cruciais na resolução de conflitos. Quando realmente conhecemos e cuidamos de nosso cônjuge como um amigo, somos mais propensos a considerar seus sentimentos, necessidades e perspectivas durante os desentendimentos. Esta empatia pode ajudar a desanuviar as tensões e abrir caminho a um diálogo mais construtivo.

A confiança construída através da amizade fornece uma rede de segurança durante os conflitos. Quando os cônjuges confiam nas intenções e no empenho mútuos na relação, podem abordar os diferendos com menos defensividade e mais abertura. Eles sabem que o conflito não é uma ameaça à sua relação, mas uma oportunidade de crescimento e compreensão mais profunda.

As experiências compartilhadas e as piadas internas que vêm com a amizade também podem ajudar a difundir a tensão durante os conflitos. Uma referência humorística e oportuna a uma memória partilhada pode quebrar o gelo e lembrar os casais da sua ligação, mesmo em meio a desacordos.

A amizade no casamento também incentiva o perdão e a reconciliação. Os amigos são mais propensos a dar um ao outro o benefício da dúvida, a pedir desculpas sinceramente quando causaram danos e a estender o perdão graciosamente. Esta vontade de perdoar e reconciliar é essencial para mover os conflitos do passado e impedir que o ressentimento se enraíze.

O hábito de passar tempo de qualidade em conjunto e de se envolver numa comunicação aberta – características da verdadeira amizade – pode, em primeiro lugar, evitar que surjam muitos conflitos. Quando os casais compartilham regularmente seus pensamentos, sentimentos e preocupações uns com os outros, os mal-entendidos são menos propensos a apodrecer e crescer em questões maiores.

Como podem os esposos dar prioridade à amizade no meio das exigências da vida familiar e do ministério?

As exigências da vida familiar e do ministério podem ser esmagadoras, muitas vezes deixando pouco tempo ou energia para alimentar a amizade no coração de um casamento. No entanto, é precisamente nestas estações agitadas que manter e aprofundar a amizade conjugal torna-se mais crucial. Permitam-me algumas reflexões sobre como os esposos podem priorizar sua amizade em meio a estas demandas.

Devemos reconhecer que priorizar a amizade conjugal não é um luxo, mas uma necessidade. É a fonte de onde retiramos força para as nossas outras responsabilidades. Como Jesus retirou-se para lugares tranquilos para comunicar-se com o Pai (Lucas 5:16), também os esposos devem criar intencionalmente espaço para sua relação.

Uma forma prática de fazer isso é estabelecer um tempo regular e ininterrupto em conjunto. Esta pode ser uma noite de encontro semanal, uma caminhada diária, ou mesmo apenas alguns minutos de conversa significativa a cada dia. A chave é a consistência e a intencionalidade. Durante estes tempos, concentrem-se na ligação como amigos – partilhem os vossos pensamentos, sonhos e preocupações, riam juntos e desfrutem simplesmente da companhia uns dos outros.

No meio das responsabilidades familiares, envolva o seu esposo nas alegrias e desafios da paternidade. Vejam-se como uma equipa, apoiando-se e encorajando-se mutuamente. Partilhe a carga de tarefas domésticas, abordando-as não como fardos, mas como oportunidades de trabalhar ao lado do seu melhor amigo.

Para os que estão no ministério, lembrem-se de que o vosso casamento é, ele próprio, um ministério – um testemunho vivo do amor de Deus. Convide o seu cônjuge para o seu trabalho onde for apropriado, partilhando a sua paixão e permitindo-lhe apoiar-te e encorajar-te. Ao mesmo tempo, esteja atento à manutenção de limites saudáveis entre o trabalho ministerial e a vida familiar.

Cultivar interesses e passatempos partilhados. Estes proporcionam oportunidades naturais de ligação e criam um reservatório de experiências partilhadas para aproveitar durante os tempos mais movimentados. Mesmo que o tempo seja limitado, pequenos gestos de reflexão – uma nota amorosa, um mimo favorito, um abraço caloroso – podem alimentar a sua amizade diariamente.

Use a tecnologia sabiamente para manter-se ligado. Uma mensagem de texto ou chamada rápida durante o dia pode ajudar a manter a intimidade emocional quando a proximidade física não é possível. Mas esteja ciente de que a tecnologia não substitui a interação cara-a-cara.

Por fim, e mais importante, centrai a vossa amizade na vossa fé comum. Orem juntos regularmente, estudem as Escrituras juntos e encorajem uns aos outros em seu crescimento espiritual. À medida que se aproximarem de Deus individualmente e como casal, inevitavelmente se aproximarão um do outro. Além disso, procure oportunidades de comunhão com outros crentes em sua comunidade. Isto pode ajudá-lo fazer amigos cristãos na tua área, reforçar ainda mais o seu vínculo através de experiências e apoio partilhados. Lembrem-se, uma forte rede de indivíduos que partilham as mesmas ideias pode proporcionar encorajamento e responsabilização à medida que navegam juntos na vossa jornada espiritual.

Lembrem-se de que, ao priorizarem sua amizade conjugal, vocês não estão negligenciando seus outros deveres, mas sim equipando-se para cumpri-los de forma mais eficaz. Uma forte amizade conjugal proporciona a estabilidade, a alegria e a força necessárias para enfrentar as exigências da vida familiar e do ministério com graça e resiliência. (Delima, 2015; Malhotra, 2023; Sibley et al., 2015, pp. 183-203)

Bibliografia:

Uma Sociedade Ordenada por Deus: Eng

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