Quão importante é a atração inicial ao namorar?




  • A Bíblia vê a atração física como natural nas relações, mas enfatiza a beleza interior e o caráter piedoso como mais importantes.
  • Uma relação piedosa pode desenvolver-se sem atração inicial, muitas vezes crescendo a partir de amizade, valores compartilhados e ligação espiritual.
  • No namoro cristão, a atração física deve ser equilibrada com fatores como a fé partilhada, o caráter, a ligação emocional e espiritual e os objetivos de vida.
  • O amor de Deus serve de modelo para as relações, enfatizando o amor incondicional, paciente, duradouro e sacrificial em relação às atrações superficiais.

Como a Bíblia vê a atração física nas relações?

A Bíblia reconhece a atração física como uma parte natural das relações humanas, ao mesmo tempo em que enfatiza a maior importância da beleza interior e do caráter piedoso. Vemos esta perspectiva equilibrada ao longo das Escrituras.

No Cântico dos Cânticos, encontramos descrições poéticas da beleza física e da atração entre os amantes. Os noivos elogiam a aparência um do outro em detalhes vívidos, celebrando o dom da intimidade física no casamento. Isto mostra que Deus projetou nossos corpos para serem fontes de deleite e atração dentro do pacto do casamento (Herms, 1999).

Mas as Escrituras também advertem contra colocar demasiada ênfase na aparência exterior. Em 1 Samuel 16:7, ao escolher o próximo rei de Israel, Deus recorda a Samuel: «Não tenhas em conta a sua aparência nem a sua altura... O Senhor não olha para as coisas que as pessoas olham. As pessoas olham para a aparência exterior, mas o Senhor olha para o coração.» Isto ensina-nos a valorizar as qualidades interiores acima dos atributos físicos.

O apóstolo Pedro exorta as mulheres a não se concentrarem no adorno exterior, mas a cultivarem «a beleza inabalável de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor aos olhos de Deus» (1 Pedro 3:3-4). Da mesma forma, Paulo instrui os crentes a vestirem-se de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência (Colossenses 3:12).

A Bíblia apresenta uma visão matizada. Afirma a atração física como parte do bom desígnio de Deus para o casamento, salientando sempre que a verdadeira beleza vem de dentro. Nosso Senhor Jesus chama-nos a olhar para além das aparências superficiais e a valorizar o coração, o caráter e o espírito de uma pessoa acima de tudo.

Pode uma relação piedosa desenvolver-se sem atração inicial?

Embora a atração inicial possa despertar interesse, uma relação verdadeiramente piedosa é construída em bases muito mais profundas. É perfeitamente possível – e talvez até preferível – que uma relação piedosa se desenvolva gradualmente, enraizada na amizade, nos valores partilhados e na ligação espiritual, em vez de uma atração física imediata.

Considere a história de Rute e Boaz no Antigo Testamento. A sua relação não começou com a atração física, mas com a lealdade de Ruth à sua sogra Naomi e a admiração de Boaz pelo caráter de Ruth. Ao longo do tempo, à medida que conheceram os corações uns dos outros, cresceu entre eles um profundo amor e empenho.

Em nosso contexto moderno, muitos casais cristãos podem atestar relações que floresceram da amizade para o romance. Enquanto serviam juntos no ministério, estudavam a Palavra de Deus ou simplesmente partilhavam as alegrias e tristezas da vida, descobriram uma ligação poderosa que transcendia as impressões iniciais (Herms, 1999).

A nossa compreensão da atração pode evoluir à medida que amadurecemos em Cristo. O que inicialmente nos atrai para alguém pode ser bastante diferente das qualidades que passamos a valorizar ao longo do tempo. À medida que crescemos em sabedoria e discernimento, aprendemos a reconhecer e valorizar o caráter piedoso, a bondade e a profundidade espiritual - atributos que podem não ser imediatamente aparentes, mas são essenciais para uma relação duradoura e centrada em Cristo.

A atração física pode crescer à medida que a intimidade emocional e espiritual se aprofunda. Muitos casais relatam encontrar seu parceiro cada vez mais atraente à medida que se apaixonam por seu coração, mente e espírito.

Embora a atração inicial possa ser um presente, não é um pré-requisito para uma relação piedosa. O que mais importa é um compromisso comum com Cristo, o respeito mútuo e o cultivo do amor, tal como descrito em 1 Coríntios 13 – paciente, gentil, não egoísta, mas sempre protetor, confiante, esperançoso e perseverante.

Que papel a atração física deve desempenhar no namoro cristão?

A atração física, sem dúvida, desempenha um papel no namoro cristão, mas deve ser vista numa perspetiva adequada e em equilíbrio com outros fatores, mais cruciais.

Devemos reconhecer que a atração física é uma parte natural das relações humanas. Deus criou-nos como seres holísticos – corpo, mente e espírito. Ele projetou o casamento para incluir a intimidade física, e um grau de atração mútua pode contribuir para uma relação conjugal saudável (Herms, 1999).

Mas a atração física não deve ser a base principal ou única para perseguir uma relação de namoro. Como seguidores de Cristo, somos chamados a olhar além das aparências exteriores e a valorizar o coração, o caráter e as qualidades espirituais de um parceiro em potencial. Provérbios 31:30 nos lembra: "O encanto é enganoso e a beleza é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor deve ser louvada.»

No namoro cristão, a atração física deve ser considerada juntamente com – e , secundária a – fatores mais importantes, tais como: Quando se trata de namoro cristão, é importante lembrar que a atração física é apenas uma peça do puzzle. Embora não haja problema em sentir-se fisicamente atraído por alguém, o foco deve ser, em última análise, encontrar um parceiro que partilhe os seus valores, crenças e objetivos. O O papel da atração física numa relação cristã não deve ofuscar a importância da ligação emocional, da compatibilidade espiritual e do respeito mútuo. Estes fatores são o que, em última análise, contribuem para a profundidade e longevidade de uma relação, e deve ser dada prioridade sobre a atração superficial.

  1. Fé e compromisso com Cristo
  2. Valores e objectivos de vida compatíveis
  3. Ligação emocional e espiritual
  4. Carácter e integridade
  5. Capacidade de comunicar e resolver conflitos

A atração física pode servir como uma faísca inicial de interesse, mas não deve ser o combustível que sustenta a relação. O amor verdadeiro e duradouro é construído sobre alicerces mais profundos.

Devemos ser cautelosos em permitir que a atração física obscureça nosso julgamento ou nos leve à tentação. Como Paulo exorta em 1 Tessalonicenses 4:3-5, «É da vontade de Deus que sejais santificados: que deves evitar a imoralidade sexual; que cada um de vós aprenda a controlar o seu próprio corpo de uma forma que seja santa e honrosa, não numa luxúria apaixonada como os pagãos, que não conhecem a Deus.»

Em termos práticos, tal significa estabelecer limites adequados nas relações de namoro, centrando-se em conhecer os corações e as mentes uns dos outros e procurar a orientação de Deus ao longo de todo o processo. A atração física deve ser reconhecida, mas não elevada acima da compatibilidade espiritual e emocional.

O papel da atração física no namoro cristão deve ser complementar – e não ofuscar – os aspetos mais profundos e significativos de uma relação enraizada no amor de Cristo.

Como os cristãos podem equilibrar a valorização da beleza interior com o reconhecimento da atração física?

Encontrar o equilíbrio certo entre valorizar a beleza interior e reconhecer a atração física é uma tarefa delicada, mas importante, na nossa caminhada de fé e nas nossas relações.

Devemos ancorar-nos na verdade de que Deus olha para o coração (1 Samuel 16:7). Este também deve ser o nosso foco principal. Somos chamados a cultivar e valorizar a beleza interior – qualidades como a bondade, a gentileza, a paciência e um espírito que teme ao Senhor. Estes são os atributos que refletem verdadeiramente a imagem de Cristo em nós e nos outros (Herms, 1999).

Ao mesmo tempo, não precisamos negar ou suprimir a nossa apreciação natural pela beleza física. Deus é o autor de toda a beleza, e Ele nos criou com a capacidade de reconhecê-la e desfrutá-la. A chave é manter esta apreciação no seu devido lugar e perspetiva.

Aqui estão algumas formas práticas de encontrar este equilíbrio:

  1. Priorize o carácter: Ao considerar um potencial parceiro ou avaliar sua atração por alguém, conscientemente dê mais peso ao caráter, à fé e à forma como tratam os outros do que à aparência física.
  2. Cultive a beleza interior: Concentre-se em desenvolver a sua própria beleza interior e caráter semelhante a Cristo. À medida que cresce nestas áreas, é provável que se torne mais sintonizado em reconhecer e valorizar estas qualidades noutras.
  3. Redefinir a atratividade: Expanda a sua definição do que torna alguém atraente. Inclua qualidades como a compaixão, a integridade e o coração de um servo, juntamente com atributos físicos.
  4. Pratique a gratidão: Graças a Deus por todas as formas de beleza, tanto interior como exterior. Isso pode ajudar a promover uma apreciação equilibrada sem enfatizar o físico.
  5. Guarda o teu coração e a tua mente: Esteja atento às influências mediáticas que podem distorcer a sua perceção de beleza ou atratividade. Procure alinhar as suas normas com os valores de Deus e não com os ideais mundanos.
  6. Procure a sabedoria: Ore por discernimento nesta área. Peça a Deus para ajudá-lo a ver os outros como Ele os vê e a valorizar o que Ele valoriza.
  7. Tenham paciência: Reconheça que a atração pode crescer ao longo do tempo à medida que conhece o coração e o caráter de alguém. Não descarte relações potenciais apenas com base em impressões físicas iniciais.

A verdadeira beleza é multifacetada. Da mesma forma que admiramos uma obra-prima tanto pela sua aparência exterior como pela profundidade do significado que transmite, também podemos apreciar toda a pessoa – corpo, mente e espírito – como uma bela criação de Deus. Ao manter nosso foco em Cristo e procurar amar como Ele ama, podemos navegar neste equilíbrio com a graça e a sabedoria.

É pecaminoso considerar a aparência física ao procurar um cônjuge?

Esta é uma pergunta que perturba muitos corações fiéis. Deixe-me assegurar-lhe, não é inerentemente pecaminoso considerar a aparência física ao procurar um cônjuge. Mas, como muitos aspectos de nossa caminhada com Cristo, a chave está em nossas motivações, prioridades e o peso que damos a diferentes fatores.

Deus nos criou como seres inteiros - corpo, mente e espírito. Ele projetou o casamento para incluir a intimidade física, e um grau de atração física pode contribuir para uma relação conjugal saudável. O Cântico de Salomão nas Escrituras celebra a beleza física dos noivos, mostrando que apreciar a aparência do cônjuge pode ser uma coisa boa e que honra a Deus (Herms, 1999).

Mas devemos ter cuidado para não elevar a aparência física acima das qualidades mais importantes. Se tomarmos decisões sobre um potencial cônjuge principalmente com base na aparência, corremos o risco de cair na armadilha da vaidade e da superficialidade. Como nos recorda sabiamente Provérbios 31:30, «o encanto é enganoso e a beleza fugaz; mas a mulher que teme ao Senhor deve ser louvada.»

Considere estes pontos:

  1. Motivação: Refletir sobre a razão pela qual está a considerar a aparência física. É por um desejo genuíno de atração mútua no casamento, ou é impulsionado pelo orgulho ou pela necessidade de status?
  2. Prioridade: Onde está a aparência física na tua lista de qualidades desejadas num cônjuge? Se estiver no topo, poderá ter de reavaliar as suas prioridades à luz das Escrituras.
  3. Saldo: Busque uma visão holística da pessoa, considerando sua fé, caráter, valores e compatibilidade ao lado da atração física.
  4. Perspetiva a longo prazo: Lembre-se de que a aparência física altera-se ao longo do tempo. Uma relação construída unicamente sobre a atração está num terreno instável.
  5. Influência cultural: Esteja ciente de como os padrões culturais de beleza podem influenciar as suas preferências e procure alinhar os seus valores com a perspetiva de Deus.
  6. Auto-reflexão: Considere como gostaria de ser avaliado por um potencial cônjuge. Queres que eles priorizem a tua aparência sobre o teu caráter e a tua fé?
  7. Orientação de Deus: Ore por sabedoria e discernimento nesta área. Peça a Deus para ajudá-lo a ver potenciais parceiros como Ele os vê.

Não é pecado reconhecer e apreciar a aparência física ao procurar um esposo. Mas torna-se problemático se lhe dermos uma importância indevida ou permitirmos que ofusque as qualidades que verdadeiramente importam num casamento piedoso – fé, caráter e um compromisso comum com Cristo.

Lembrem-se das palavras do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5:16-17: «Portanto, a partir de agora não consideramos ninguém do ponto de vista mundano... Por conseguinte, se alguém está em Cristo, a nova criação chegou: O velho desapareceu, o novo está aqui!» Esforcemo-nos por ver potenciais cônjuges através dos olhos de Cristo, valorizando sobretudo a sua identidade como novas criações n'Ele.

Como os cristãos podem evitar colocar demasiada ênfase na atração inicial?

É natural e bom experimentar a atração, porque Deus nos criou como seres capazes de profundo amor e ligação. No entanto, devemos ser cautelosos para não deixar a centelha fugaz da atração inicial nos cegar para as qualidades mais profundas e duradouras que formam o fundamento de uma relação centrada em Cristo.

Para nos precavermos contra o excesso de atracção inicial, devemos primeiro cultivar um espírito de discernimento e paciência. Como nos recorda São Paulo, «o amor é paciente, o amor é bondoso» (1 Coríntios 13:4). Esta paciência aplica-se não só ao nosso tratamento dos outros, mas também ao processo de conhecer o coração e o caráter de alguém.

Procurar desenvolver amizades e ligações baseadas em valores partilhados, na fé e no respeito mútuo. Tire um tempo para observar como uma pessoa trata os outros, como lida com as dificuldades e como vive a sua fé na vida diária. Estas observações revelarão muito mais sobre seu caráter do que qualquer faísca inicial de atração.

A verdadeira beleza vem de dentro. Como o Senhor disse a Samuel: «O Senhor não olha para as coisas que as pessoas olham. As pessoas olham para a aparência exterior, mas o Senhor olha para o coração» (1 Samuel 16:7). Esforce-se para ver os outros como Deus os vê, olhando além das atrações do nível da superfície para os dons e qualidades únicas que cada pessoa possui.

Envolva-se em oração e reflexão regulares, pedindo a Deus que guie o seu coração e a sua mente. Procure conselhos de mentores espirituais de confiança ou de amigos cristãos maduros que possam oferecer perspetivas e sabedoria. Eles podem ver coisas que tu não vês e podem ajudar-te a manter uma visão equilibrada.

Por fim, concentre-se no seu próprio crescimento espiritual e na relação com Deus. Quanto mais profundamente enraizados estiverem no amor de Cristo, menor será a probabilidade de serem influenciados por atrações superficiais. À medida que crescerdes na fé e no caráter, sereis naturalmente atraídos por outros que compartilham os vossos valores e compromisso com Cristo.

Que qualidades espirituais são mais importantes do que a atração física em um parceiro potencial?

Embora a atração física possa ser um dom em um relacionamento, são as qualidades espirituais que verdadeiramente refletem a imagem de Deus em uma pessoa e fornecem a base para uma parceria duradoura e centrada em Cristo. Consideremos algumas destas qualidades espirituais essenciais.

Em primeiro lugar, há uma fé profunda e genuína em Deus. Um parceiro em potencial que ama verdadeiramente o Senhor de todo o coração, alma, mente e força (Marcos 12:30) terá uma base sólida sobre a qual construir uma relação. Esta fé deve ser evidente no seu dia-a-dia, nas suas escolhas e prioridades.

Intimamente relacionada com a fé está a qualidade da maturidade espiritual. Procure alguém que esteja a crescer ativamente na sua relação com Deus, que estude as Escrituras, se envolva em oração e procure aplicar os princípios bíblicos na sua vida. Um crente maduro estará mais bem equipado para enfrentar os desafios da vida com graça e sabedoria.

O fruto do Espírito, como descrito em Gálatas 5:22-23, fornece uma excelente estrutura para avaliar as qualidades espirituais: «Mas o fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a tolerância, a bondade, a bondade, a fidelidade, a gentileza e o autocontrolo.» Estas qualidades refletem uma vida transformada pelo amor de Deus e são essenciais para a construção de uma relação forte e amorosa.

A humildade é outra qualidade espiritual crucial. Uma pessoa humilde reconhece sua dependência de Deus, está aberta ao crescimento e à correção e trata os outros com respeito e bondade. A humildade permite a intimidade genuína e o apoio mútuo em uma relação.

A compaixão e o coração de um servo são belas qualidades que refletem o amor de Cristo. Procure alguém que demonstre cuidado genuíno pelos outros, que esteja disposto a servir e sacrificar, e que tenha um coração para os necessitados. Estas qualidades enriquecerão não só a vossa relação, mas também a vossa vida e ministério partilhados.

Integridade e honestidade são fundamentais para a confiança em qualquer relação. Uma pessoa íntegra vive de forma coerente com as suas crenças e valores professados, mesmo quando é difícil. São verdadeiras e fiáveis, criando um ambiente seguro para o amor florescer.

Por fim, considere a qualidade do perdão. Somos todos seres imperfeitos, e a capacidade de perdoar e buscar a reconciliação é crucial para qualquer relação duradoura. Um espírito de perdão reflete a graça de Deus e permite a cura e o crescimento face a conflitos e erros inevitáveis.

Lembre-se de que estas qualidades espirituais não são apenas uma lista de verificação para avaliar os outros, mas virtudes que todos devemos nos esforçar para cultivar em nossas próprias vidas, através da graça de Deus e do poder do Espírito Santo.

Como o amor de Deus por nós informa como devemos ver a atração nas relações?

O amor de Deus por nós é o modelo e a base perfeitos para todas as relações humanas, incluindo as românticas. Compreender e experimentar o amor de Deus pode moldar profundamente a nossa visão da atração e guiar-nos para relações mais saudáveis e mais gratificantes.

Consideremos a natureza incondicional do amor de Deus. Como nos diz São João: «Isto é amor: não que amássemos a Deus, mas que Ele nos amasse e enviasse o seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados» (1 João 4:10). O amor de Deus por nós não se baseia na nossa atratividade, realizações ou dignidade, mas no seu próprio caráter de amor. Isso deve nos inspirar a olhar além das atrações do nível da superfície e procurar amar os outros com uma profundidade semelhante e aceitação incondicional.

O amor de Deus é também paciente e duradouro. O salmista declara: «O seu amor dura para sempre» (Salmo 136). Nas nossas relações, isto recorda-nos que o verdadeiro amor vai além da atracção inicial e da paixão. Chama-nos a cultivar a paciência, o compromisso e a perseverança nas nossas relações, mesmo quando a centelha inicial de atração pode vacilar.

O amor de Deus por nós é transformador. Muda-nos de dentro para fora, como escreve São Paulo: «E todos nós, que com rostos desvelados contemplamos a glória do Senhor, somos transformados à sua imagem com glória cada vez maior» (2 Coríntios 3:18). Em nossas relações, isso sugere que a atração não deve ser estática, mas deve aprofundar-se e evoluir à medida que crescemos juntos na fé e no amor.

O amor de Deus é também sacrificial, como demonstrado de forma mais poderosa no sacrifício de Jesus Cristo. «É assim que sabemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós» (1 João 3:16). Este amor sacrificial deve informar nossa visão da atração, lembrando-nos de que o verdadeiro amor não é egoísta, mas está disposto a colocar as necessidades da outra pessoa em primeiro lugar.

O amor de Deus por nós é íntimo e pessoal. Ele conhece-nos completamente, como diz o salmista: «Tu me sondaste, Senhor, e tu me conheces» (Salmo 139:1). Esta intimidade deve inspirar-nos a procurar ligações mais profundas e significativas nas nossas relações, indo além das atrações de nível superficial para conhecer e compreender verdadeiramente os nossos parceiros.

Por último, o amor de Deus por nós é santo. Busca o nosso bem mais elevado e chama-nos à justiça. Como lemos em Efésios 1:4, «Porque nos escolheu nele, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis aos seus olhos.» Este aspeto do amor de Deus deve guiar-nos a prosseguir relações puras e santas, em que a atração não é meramente física, mas engloba um compromisso comum com a piedade e o crescimento espiritual.

À luz do amor de Deus, somos chamados a encarar a atração não como um fim em si mesma, mas como um início potencial de um caminho rumo a um amor mais profundo e mais semelhante ao de Cristo. Procuremos relações que reflitam a beleza, a profundidade e o poder transformador do amor de Deus por nós.

A oração e o discernimento espiritual podem ajudar a guiar os sentimentos de atração?

A oração e o discernimento espiritual são ferramentas poderosas que podem ajudar a guiar nossos sentimentos de atração e nos levar a relacionamentos que honram a Deus e contribuem para o nosso crescimento espiritual. Vamos explorar como estas práticas espirituais podem iluminar o nosso caminho em questões do coração.

A oração, em sua essência, é a comunicação íntima com Deus. É neste espaço sagrado que podemos levar nossos sentimentos, dúvidas e desejos perante nosso Pai amoroso. Como lemos em Filipenses 4:6-7, «Não andeis ansiosos por coisa alguma, mas em todas as situações, pela oração e pela súplica, com ação de graças, apresentai os vossos pedidos a Deus. E a paz de Deus, que transcende toda a compreensão, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.» Através da oração, podemos procurar a sabedoria e a orientação de Deus relativamente às nossas atrações e relações.

Na oração, podemos pedir a Deus que nos revele a verdadeira natureza de nossos sentimentos. Estão enraizadas no cuidado genuíno e no respeito pela outra pessoa, ou baseiam-se em desejos superficiais ou egoístas? Podemos pedir a graça de ver os outros como Deus os vê, olhando para além das aparências exteriores para o coração.

O discernimento espiritual, intimamente ligado à oração, é a capacidade de perceber e compreender verdades espirituais. Implica ouvir os sussurros suaves do Espírito Santo e alinhar os nossos pensamentos e sentimentos com a vontade de Deus. Como lemos em 1 Coríntios 2:14, «A pessoa sem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, mas considera-as loucura, e não pode compreendê-las porque são discernidas apenas através do Espírito».

Através do discernimento espiritual, podemos obter clareza sobre nossas atrações. Podemos começar a reconhecer padrões nas nossas atrações – somos constantemente atraídos por pessoas que partilham os nossos valores e a nossa fé, ou sentimo-nos atraídos por pessoas que nos podem afastar do nosso caminho espiritual? O discernimento pode nos ajudar a compreender estes padrões e fazer escolhas mais sábias.

O discernimento espiritual pode ajudar-nos a diferenciar entre paixão e amor genuíno e honrador de Deus. Pode revelar-nos se a nossa atração se baseia numa apreciação profunda do caráter e da fé da outra pessoa, ou apenas em emoções passageiras ou apelo físico.

Para cultivar este discernimento, temos de mergulhar nas Escrituras, pois é através da Palavra de Deus que aprendemos a reconhecer a sua voz e a compreender a sua vontade. Como nos diz Hebreus 4:12, «Porque a palavra de Deus está viva e ativa. Mais nítida do que qualquer espada de dois gumes, penetra até mesmo na divisão da alma e do espírito, das articulações e da medula; julga os pensamentos e as atitudes do coração.»

Também é benéfico procurar conselhos de crentes maduros que possam oferecer sabedoria e perspetiva. Provérbios 15:22 recorda-nos que «os planos falham por falta de aconselhamento, mas, com muitos conselheiros, são bem-sucedidos». Estes mentores de confiança podem ajudar-nos a ver pontos cegos no nosso pensamento e fornecer informações valiosas com base nas suas próprias experiências e viagens espirituais.

Lembre-se de que a oração e o discernimento espiritual não são acontecimentos de uma só vez, mas práticas contínuas. Exigem paciência, persistência e vontade de ouvir e obedecer. À medida que levais consistentemente os vossos sentimentos de atracção perante Deus e procurais a Sua orientação, descobrireis que as vossas percepções e escolhas se tornam mais alinhadas com a Sua vontade.

Como os cristãos podem buscar relações puras e santas enquanto ainda reconhecem a atração física?

Prosseguir relações puras e santas, reconhecendo simultaneamente a atração física, é um equilíbrio delicado, mas exequível através da graça de Deus e dos nossos esforços sinceros. Vamos refletir sobre como podemos percorrer este caminho com sabedoria e integridade.

Devemos reconhecer que a atração física é uma parte natural da experiência humana, criada pelo próprio Deus. No Cântico dos Cânticos, vemos uma bela celebração da atração física no contexto de uma relação amorosa e comprometida. Mas somos chamados a dispensar este dom de forma responsável, sempre atentos à nossa vocação superior em Cristo.

Para perseguir a pureza, devemos começar por renovar a nossa mente, como nos exorta São Paulo: "Não vos conformeis com o padrão deste mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Romanos 12:2). Esta renovação implica alinhar conscientemente os nossos pensamentos e desejos com a vontade de Deus, encarando os outros não como objetos de atração, mas como criados à sua imagem.

Passos práticos podem ajudar nesta viagem. Defina limites claros nas suas relações, tanto físicas como emocionais. Estes limites devem refletir o seu compromisso de honrar a Deus e respeitar a dignidade da outra pessoa. Discuta estes limites de forma aberta e honesta com o seu parceiro, apoiando-se mutuamente na sua manutenção.

Cultive uma vida espiritual rica que vá além do simples seguir-regra. Envolva-se profundamente com as Escrituras, a oração e a comunidade cristã. À medida que cresceis na vossa relação com Deus, descobrireis que os vossos desejos e prioridades naturalmente se alinham mais estreitamente com os Dele. Este crescimento espiritual irá informar e orientar a sua abordagem às relações e atração física.

Pratique a virtude da castidade, que não é apenas abstinência, mas uma integração positiva da nossa sexualidade em toda a nossa pessoa. A castidade nos permite apreciar a beleza dos outros sem objetificá-los, experimentar a atração sem ser controlado por ela. Como afirma lindamente o Catecismo da Igreja Católica, «a castidade significa a integração bem-sucedida da sexualidade na pessoa e, por conseguinte, a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual» (Catecismo da Igreja Católica, 2337).

Quando se sente atraído por alguém, canalize essa energia para conhecê-lo como uma pessoa inteira – o seu caráter, a sua fé, os seus sonhos e lutas. Procurar construir uma amizade baseada no respeito mútuo e nos valores partilhados antes de considerar uma relação romântica.

Responsabilizar-se perante amigos de confiança ou mentores que possam oferecer apoio, orientação e, quando necessário, correção amorosa. Provérbios 27:17 recorda-nos: «Assim como o ferro afia o ferro, também uma pessoa afia a outra.» Esta responsabilização pode ajudá-lo a manter-se fiel ao seu compromisso com a pureza.

Lembrem-se de que a pureza não se trata apenas de evitar o pecado, mas de procurar activamente a santidade. Procurem maneiras de servir os outros juntos, de crescer na fé juntos, de encorajar uns aos outros em suas jornadas espirituais. Estas experiências partilhadas podem aprofundar a sua ligação de maneiras que vão muito além da atração física.

Por último, seja paciente e confie no calendário de Deus. A nossa sociedade muitas vezes apressa as relações, mas há beleza e sabedoria em levar as coisas devagar, permitindo que a intimidade emocional e espiritual se desenvolva ao lado da atração física. Como Isaías 40:31 nos encoraja: «Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças. Voarão sobre asas como águias, correrão e não se cansarão, andarão e não se desfalecerão.»

Perseguir relações puras e santas é uma viagem de crescimento, que requer graça, esforço e perseverança. Mas é uma viagem que vale a pena empreender, que conduz a relações mais profundas e mais gratificantes que refletem verdadeiramente o amor de Deus e Lhe trazem glória.

Bibliografia:

Akhtar, M., Gunasekaran,

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