Com que frequência a Bíblia menciona «amor»?




  • A palavra «amor» aparece cerca de 500-600 vezes em muitas traduções da Bíblia inglesa, refletindo o seu tema central, mas é importante ter em conta os significados matizados das diferentes palavras hebraicas e gregas para o amor.
  • Diferentes palavras são usadas na Bíblia para descrever o amor: «Ahavah», «Hesed» e «Raham» no Antigo Testamento, e «Agape», «Philia», «Storge» e «Eros» no Novo Testamento, representando cada um vários tipos de amor.
  • Os ensinamentos de Jesus sobre o amor enfatizam o amor a Deus, aos vizinhos e até aos inimigos, centrando-se no amor altruísta e sacrificial, tal como demonstrado na sua vida e nos seus ensinamentos.
  • Os ensinamentos do Antigo e do Novo Testamento sobre o amor destacam o amor inabalável de Deus e ordenam o amor pelos outros, enquanto o Novo Testamento enfatiza o amor como um princípio fundamental, exemplificado por Jesus e vital nas comunidades cristãs.

Quantas vezes o amor é mencionado na Bíblia (o que a Bíblia diz sobre o amor)?

Quantas vezes a palavra «amor» é mencionada na Bíblia?

Ao embarcarmos nesta exploração do amor na Sagrada Escritura, devemos abordar a tarefa com rigor acadêmico e abertura espiritual. A questão de saber quantas vezes o «amor» aparece na Bíblia pode parecer simples, mas convida-nos a refletir mais profundamente sobre a natureza da revelação divina e da linguagem humana.

Devemos reconhecer que a contagem exata pode variar de acordo com a tradução utilizada. As versões hebraicas e gregas originais utilizam várias palavras que podem ser traduzidas como «amor», cada uma com significados matizados.

Dito isto, em muitas traduções em inglês, as formas da palavra «amor» aparecem aproximadamente 500-600 vezes ao longo do Antigo e do Novo Testamento. Só esta frequência fala da centralidade do amor na mensagem de Deus à humanidade.

Mas não devemos nos fixar em meros números. O conceito e a realidade do amor permeiam as Escrituras muito além do uso explícito da palavra. Como sabiamente observou Santo Agostinho, «As Sagradas Escrituras são as nossas cartas de casa.» E qual é a essência destas cartas senão o amor?

Psicologicamente, esta repetição do «amor» em toda a Bíblia serve para reforçar a sua importância na nossa vida espiritual e emocional. A mente humana responde à repetição, interiorizando mensagens que são consistentemente enfatizadas. Assim, Deus, na sua sabedoria, garante que não podemos perder este tema crucial.

Historicamente, vemos como esta ênfase no amor nas Escrituras moldou a civilização ocidental, influenciando nossos conceitos de caridade, direitos humanos e justiça social. A ênfase da Bíblia no amor tem sido uma força transformadora na história humana.

Mas não esqueçamos que por trás de cada menção de amor nas Escrituras está uma realidade mais profunda. Não são meras palavras numa página, mas convites para encontrar o Deus vivo que é o próprio amor. Cada referência ao amor é uma janela através da qual a luz divina brilha, ilumina o nosso caminho e aquece os nossos corações.

Que esta abundância numérica de amor nas Escrituras nos recorde a natureza transbordante e inesgotável do amor de Deus por nós. Inspira-nos a ser igualmente generosos na partilha desse amor com os outros, fazendo da nossa vida um testemunho vivo do poder transformador do amor divino.

Quais são as diferentes palavras gregas e hebraicas para o amor usadas na Bíblia?

No hebraico do Antigo Testamento, encontramos várias palavras que expressam diferentes aspetos do amor:

  1. "Ahavah" (א×"×"×") é a palavra hebraica mais comum para o amor. Abrange uma ampla gama de sentimentos afetuosos, desde o amor entre amigos até o amor entre Deus e seu povo (Nnaji, 2019).
  2. "Hesed" (×—××) é muitas vezes traduzido como "bondade amorosa" ou "amor firme". Este termo fala da fidelidade pactual de Deus e do amor duradouro e leal que somos chamados a imitar.
  3. «Raham» (× ̈×—×) está relacionado com a palavra para útero e transmite um amor profundo e compassivo, como o de uma mãe pelo seu filho.

No grego do Novo Testamento, encontramos um vocabulário ainda mais matizado do amor:

  1. «Ágape» (á1⁄4€Î3άπη) é a forma mais elevada de amor, que representa o amor altruísta e sacrificial que procura o bem do outro. Este é o amor que Deus tem por nós e que somos chamados a ter uns pelos outros (Vegge, 2021).
  2. «Filia» (φÎ1λΠ̄α) refere-se ao amor entre amigos, a um carinho caloroso e à lealdade.
  3. Embora não seja diretamente utilizado no Novo Testamento, o termo «armazenagem» (ÏÏÏ ́ÎÎÎÎÎ3ή) está implícito em palavras compostas e refere-se ao amor familiar, especialmente entre pais e filhos.
  4. O termo «Eros» (á1⁄4»), embora não seja utilizado no Novo Testamento, está presente na tradução grega do Antigo Testamento e representa o amor romântico ou sexual.

Psicologicamente, esta riqueza linguística reflete uma profunda compreensão das relações e emoções humanas. Reconhece que o amor se manifesta de forma diferente em vários contextos e relações, reconhecendo a complexidade do afecto e do compromisso humanos.

Historicamente, estas distinções moldaram a teologia e a ética cristãs, influenciando a forma como compreendemos o amor de Deus por nós e as nossas obrigações mútuas. A ênfase no amor ágape, por exemplo, tem sido uma força motriz na ética social cristã e no conceito de dignidade humana universal.

Ao contemplarmos estas palavras, lembremo-nos de que não são meras distinções académicas, mas convites a experimentar a plenitude do amor em todas as suas formas. Eles desafiam-nos a expandir a nossa compreensão e prática do amor, a abraçar um amor que é ao mesmo tempo apaixonado e compassivo, duradouro e abnegado.

Em nosso mundo moderno, onde o amor é muitas vezes reduzido a sentimentos ou emoções passageiras, estes conceitos bíblicos nos chamam a um amor mais profundo e comprometido. Lembram-nos que o verdadeiro amor, em todas as suas formas, requer esforço, sacrifício e vontade de colocar os outros diante de nós mesmos.

O que Jesus ensina sobre o amor nos Evangelhos?

No centro do ensinamento de Jesus sobre o amor está o Grande Mandamento, que se encontra nos três Evangelhos Sinópticos. Quando lhe perguntaram sobre o maior mandamento, Jesus respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente» e «Amarás o teu próximo, Jesus une o amor a Deus e o amor ao próximo, mostrando que estes são aspetos inseparáveis de uma vida vivida de acordo com a vontade de Deus (Gowler, 2019).

Mas Jesus vai mais longe, elevando o padrão do amor a um grau radical. No Sermão da Montanha, ensina: «Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mateus 5:44). Este mandamento desafia-nos a estender o amor para além das nossas inclinações naturais, refletindo o amor incondicional do próprio Deus.

No Evangelho de João, Jesus dá aos seus discípulos um «novo mandamento»: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (João 13:34). Isto estabelece o próprio amor sacrificial de Cristo como modelo para os Seus seguidores. É um amor que está disposto a dar a vida pelos outros, como o próprio Jesus demonstraria na cruz (Vegge, 2021).

Psicologicamente, os ensinamentos de Jesus sobre o amor respondem às necessidades mais profundas do coração humano – a necessidade de ligação, aceitação e propósito. Chamando-nos a amar a Deus, ao próximo e até mesmo aos inimigos, Jesus fornece um caminho para a integridade e a cura para indivíduos e comunidades.

Historicamente, estes ensinamentos têm sido transformadores, inspirando inúmeros actos de caridade, perdão e auto-sacrifício ao longo dos séculos. Desafiaram as normas sociais e foram uma força motriz da justiça social e dos direitos humanos.

Os ensinamentos de Jesus sobre o amor não são meras orientações éticas, mas um convite a participar na própria vida de Deus. Quando amamos como Jesus ensinou, tornamo-nos canais do amor divino no mundo. Este amor não é passivo ou sentimental, mas ativo e transformador. Procura o bem do outro, mesmo a um grande custo pessoal.

No nosso mundo moderno, muitas vezes marcado pela divisão e pelo interesse próprio, a mensagem radical de amor de Jesus continua a ser tão pertinente e desafiadora como sempre foi. Chama-nos a ir além das nossas zonas de conforto, a ir ao encontro dos marginalizados, a perdoar quem nos prejudicou e a ver o rosto de Cristo em cada pessoa que encontramos.

Como é descrito e demonstrado o amor de Deus nas Escrituras?

No Antigo Testamento, vemos o amor de Deus descrito através de metáforas poderosas e demonstrado através das suas ações. O profeta Oseias retrata Deus como um marido fiel a uma esposa infiel, mostrando um amor que persiste apesar da traição (Os 2:19-20). Isaías fala do amor de Deus como o de uma mãe pelo seu filho: «Pode uma mulher esquecer-se do seu filho que amamenta ou não ter compaixão pelo filho do seu ventre? Mesmo estes podem esquecer-se, mas eu não me esquecerei de ti" (Isaías 49:15).

Este amor não é meramente sentimental, mas activo e transformador. Vemo-lo na libertação de Deus dos israelitas da escravidão no Egito, na sua paciência com as suas peregrinações no deserto e no seu apelo constante através dos profetas para que o seu povo regresse a Ele. Os Salmos expressam lindamente este amor duradouro: "Porque, assim como os céus estão sobre a terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem" (Salmo 103:11).

No Novo Testamento, o amor de Deus atinge a sua expressão final na pessoa de Jesus Cristo. Como João 3:16 declara famosamente: «Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todos os que nele crêem não pereçam, mas tenham a vida eterna.» Este versículo resume a natureza sacrificial do amor de Deus, um amor disposto a sofrer por causa do amado (Vegge, 2021).

O apóstolo Paulo, nas suas cartas, desenvolve mais aprofundadamente o caráter do amor de Deus. Em Romanos 5:8, escreve: «Mas Deus prova o seu amor por nós, na medida em que, embora ainda fossemos pecadores, Cristo morreu por nós.» Isto põe em evidência a natureza incondicional do amor divino, oferecido livremente mesmo àqueles que não o merecem.

Psicologicamente, o amor de Deus, tal como descrito nas Escrituras, responde às nossas necessidades mais profundas em termos de segurança, aceitação e finalidade. Fornece uma base estável para a nossa identidade e valor, não com base nas nossas realizações ou nas opiniões dos outros, mas no amor imutável do nosso Criador.

Historicamente, esta compreensão do amor de Deus tem sido uma força poderosa para a mudança social. Inspirou incontáveis indivíduos a actos de caridade, perdão e auto-sacrifício. Desafiou estruturas sociais injustas e foi uma fonte de esperança para os oprimidos e marginalizados.

Esforcemo-nos por interiorizar este amor, por deixá-lo curar as nossas feridas e moldar as nossas ações. Que possamos tornar-nos reflexos vivos do amor de Deus no nosso mundo, estendendo aos outros a mesma aceitação incondicional e o mesmo cuidado sacrificial que recebemos do nosso Pai celestial.

O que a Bíblia diz sobre o amor entre os cônjuges?

O fundamento do ensino bíblico sobre o amor esponsal encontra-se no início, no livro do Génesis. Lemos que Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem, abençoando a sua união e chamando-os a tornarem-se «uma só carne» (Génesis 2:24). Esta unidade fala à poderosa intimidade e doação mútua que deve caracterizar o amor conjugal.

Na literatura sapiencial, particularmente no Cântico dos Cânticos, encontramos uma celebração do amor romântico e erótico entre os esposos. Este livro poético afirma a bondade da atração física e da intimidade dentro do pacto do casamento, lembrando-nos que tal amor é um dom de Deus a ser apreciado e apreciado (Pardedede, 2024).

O profeta Oseias utiliza o casamento como uma metáfora para a relação de Deus com Israel, destacando as qualidades de fidelidade, perdão e compromisso duradouro que devem marcar o amor esponsal. Esta imagem profética é levada para o Novo Testamento, onde Paulo fala do casamento como um «mistério poderoso» que reflete o amor de Cristo pela Igreja (Efésios 5:32).

Em sua carta aos Efésios, Paulo fornece talvez o ensino mais abrangente do Novo Testamento sobre o amor esponsal. Chama os maridos a amarem as suas mulheres «assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela» (Efésios 5:25). Isso estabelece um alto padrão de amor sacrificial, chamando os maridos a colocar as necessidades e o bem-estar de suas esposas antes das suas próprias.

As mulheres, por sua vez, são chamadas a respeitar os seus maridos, criando uma dinâmica de mútua submissão e honra na relação matrimonial. Este ensinamento é dado no contexto de todos os crentes serem chamados a «submeter-se uns aos outros por reverência a Cristo» (Efésios 5:21), enfatizando a igualdade e a mutualidade do casamento cristão.

Psicologicamente, estes ensinamentos bíblicos sobre o amor esponsal abordam as necessidades humanas fundamentais para a segurança, intimidade e pertencimento. Proporcionam um quadro para a construção de casamentos fortes e resilientes, capazes de enfrentar os desafios da vida e de se aprofundar ao longo do tempo.

Historicamente, a compreensão cristã do casamento como um pacto de amor teve um poderoso impacto nas estruturas sociais e na vida familiar. Embora às vezes tenha sido mal interpretado para justificar a desigualdade ou o abuso, sua verdadeira essência é o amor mútuo, o respeito e a doação de si mesmo.

Para aqueles que são casados, que estes ensinamentos os inspirem a renovar e aprofundar continuamente seu amor um pelo outro. Que a vossa relação seja um testemunho vivo do amor fiel de Deus pelo seu povo.

Para aqueles que são solteiros, deixem estes princípios guiá-los em todas as suas relações, reconhecendo que o amor autodoador descrito nas Escrituras é um chamado a todos os crentes, independentemente do estado civil.

E, para todos nós, apoiemos e incentivemos os casamentos nas nossas comunidades, reconhecendo-os como elementos fundamentais de uma sociedade saudável e como ícones vivos do amor de Cristo pela sua Igreja.

Como a Bíblia ensina os cristãos a amarem uns aos outros?

A instrução bíblica sobre como os cristãos devem amar-se uns aos outros é poderosa e prática. No seu cerne está o novo mandamento de Jesus: «Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim deveis amar-vos uns aos outros" (João 13:34). Este amor não é um mero sentimento, mas um chamado radical ao serviço do dom de si, à imitação de Cristo.

O apóstolo Paulo elabora sobre a natureza deste amor em seu célebre hino em 1 Coríntios 13. Aqui vemos que o amor cristão é paciente e bondoso, não invejoso ou arrogante, não arrogante ou rude. Não insiste em seu próprio caminho, não é irritável ou ressentido, não se alegra com o mal, mas alegra-se com a verdade. Este amor suporta todas as coisas, acredita em todas as coisas, espera em todas as coisas, suporta todas as coisas (Nguyen, 2022). Que bela e desafiadora visão!

Mas como devemos viver este amor na prática? A Bíblia dá-nos muitas instruções concretas. Devemos «amar nossa(#)(#)(#O vizinho como nós mesmos(#)(#)(#"(Marcos 12:31), estendendo o cuidado e a compaixão a todos, mesmo aos nossos inimigos (Mateus 5:44). Devemos «suportar os fardos uns dos outros» (Gálatas 6:2), oferecendo apoio prático e encorajamento. Devemos «perdoar-nos uns aos outros, como Deus vos perdoou em Cristo» (Efésios 4:32), libertando-nos de rancores e ressentimentos.

A comunidade cristã primitiva modelou este amor de formas poderosas, como vemos em Atos 2:44-45: «Todos os que acreditavam estavam juntos e tinham tudo em comum. E estavam a vender os seus bens e pertences e a distribuir as receitas a todos, como qualquer um tinha necessidade.» Esta partilha radical e o cuidado mútuo eram um testemunho do poder transformador do amor de Cristo.

No entanto, devemos lembrar-nos de que este amor não é algo que podemos gerar por conta própria. Resulta do amor anterior de Deus por nós: «Amamos porque Ele nos amou primeiro» (1 João 4:19). À medida que nos abrimos ao amor de Deus, tornamo-nos canais desse amor para os outros. É por isso que a oração, a adoração e a comunhão com Deus são essenciais para cultivar o amor cristão.

Qual é a relação entre o amor e outras virtudes nas Escrituras?

, Podemos compreender o amor como o fundamento e a força animadora de todas as outras virtudes. O próprio Jesus ensina que toda a Lei e os Profetas dependem dos dois grandes mandamentos do amor: o amor a Deus e o amor ao próximo (Mateus 22:36-40). Desta forma, o amor torna-se a lente através da qual interpretamos e vivemos todos os outros ensinamentos morais.

Considere como o amor relaciona-se com outras virtudes-chave:

  1. Justiça: A verdadeira justiça decorre do amor, da procura do bem de todos e do reconhecimento da dignidade inerente a cada pessoa, tal como é feita à imagem de Deus.
  2. Misericórdia: A misericórdia é o amor em ação para com aqueles que sofrem ou fizeram o mal. Reflete o amor misericordioso de Deus por nós.
  3. Humildade: O amor leva-nos a colocar os outros diante de nós mesmos, encarnando o amor auto-esvaziador de Cristo (Filipenses 2:3-8).
  4. Paciência: O amor permite-nos suportar as faltas e fraquezas uns dos outros, assim como Deus é paciente connosco (Colossenses 3:12-14).
  5. Coragem: O amor dá-nos a força para permanecer firmes na fé e sacrificar-nos pelos outros, mesmo em face da perseguição (1 João 3:16).

O fruto do Espírito enumerado em Gálatas 5:22-23 – amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, gentileza e autocontrole – pode ser visto como várias expressões de amor em ação. O amor é ao mesmo tempo a raiz a partir da qual estas virtudes crescem e os frutos que produzem.

No entanto, devemos ter cuidado para não ver o amor em oposição a outras virtudes, como se pudéssemos escolher o amor em detrimento da justiça ou da verdade. Pelo contrário, o amor cristão autêntico abraça e cumpre todas as outras virtudes. Como dizia sabiamente Santo Agostinho, «Ama e faz o que quiseres». Quando as nossas ações são verdadeiramente motivadas e infundidas com o amor divino, elas alinhar-se-ão naturalmente com tudo o que é bom e verdadeiro.

Como se comparam os ensinos do Antigo Testamento e do Novo Testamento sobre o amor?

No Antigo Testamento, o amor é fundamental para a relação de Deus com o seu povo. A palavra hebraica «hesed», muitas vezes traduzida como «amor constante» ou «bondade amorosa», aparece centenas de vezes, descrevendo o amor fiel e pactual de Deus. Vemos isto maravilhosamente expresso em Jeremias 31:3: «Eu amei-te com um amor eterno; por isso continuo fiel a ti.»

O Antigo Testamento também ordena o amor a Deus e ao próximo. Deuteronômio 6:5 instrui: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças." Levítico 19:18 ordena: "Amarás o teu próximo mostrando a continuidade entre os ensinamentos do Antigo e do Novo Testamento sobre o amor.

Mas o Novo Testamento traz novas profundidades e dimensões para a compreensão do amor:

  1. A encarnação revela o amor de Deus de uma forma radicalmente nova. «Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho» (João 3:16). Em Jesus, vemos o amor divino encarnado e decretado.
  2. Jesus estende a ordem de amar o próximo para incluir até mesmo os inimigos (Mateus 5:43-48). Este amor radical é modelado na própria vida e morte de Jesus.
  3. O Novo Testamento destaca o amor dentro da comunidade cristã como um testemunho para o mundo. Jesus diz: «Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (João 13:35).
  4. Os escritos de Paulo desenvolvem uma rica teologia do amor, particularmente em 1 Coríntios 13. Aqui o amor apresenta-se não apenas como uma ordem, mas como a própria essência da vida cristã.
  5. As cartas de João sublinham que «Deus é amor» (1 João 4:8), tornando o amor central para a própria natureza de Deus e, por conseguinte, para a vida dos crentes.

Embora o Antigo Testamento apresente o amor principalmente em termos de fidelidade à aliança e obediência aos mandamentos de Deus, o Novo Testamento internaliza o amor como o princípio fundamental da vida cristã, que flui de um coração transformado.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre o amor bíblico?

Os primeiros Padres da Igreja, aqueles pastores sábios que guiaram o rebanho de Cristo nos primeiros séculos depois dos apóstolos, tinham muito a dizer sobre o amor bíblico. Seus ensinamentos aprofundaram e expandiram nossa compreensão desta virtude cristã central, extraindo suas implicações para a teologia, a espiritualidade e a vida cotidiana.

Santo Agostinho, o grande doutor da Igreja, colocou o amor no centro da vida e do pensamento cristãos. Escreveu famosamente: «Ama a Deus e faz o que quiseres: porque a alma educada no amor a Deus não fará nada para ofender Aquele que é Amado.» Para Agostinho, o amor não era apenas uma virtude entre muitas, mas a própria essência da vida cristã. Ele via o amor como a chave para interpretar as Escrituras, afirmando famosamente que qualquer coisa nas Escrituras que não promove o amor a Deus e ao próximo deve ser interpretada figurativamente (Baker, 2002, pp. 661-663).

São João Crisóstomo, conhecido como o "boca-dourada" por sua pregação eloquente, enfatizou as implicações práticas do amor cristão. Ele ensinou que o amor pelos pobres e marginalizados não era opcional, mas essencial à fé cristã. «Não permitir que os pobres partilhem os nossos bens é roubá-los e privá-los de vida», proclamou corajosamente. Isto ecoa o ensinamento de Cristo de que tudo o que fazemos pelo menor destes, fazemos por Ele (Mateus 25:40).

Clemente de Alexandria explorou a relação entre amor e conhecimento na vida cristã. Ele ensinou que a verdadeira gnose (conhecimento espiritual) era inseparável do agape (amor divino). Para Clemente, a forma mais elevada de maturidade cristã era tornar-se um "verdadeiro gnóstico" – aquele cujo conhecimento de Deus se expressava no e através do amor.

Os Padres Capadócios – Basílio, o Grande, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo – desenvolveram uma poderosa teologia da Trindade enraizada no amor. Viram o amor eterno entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo como a fonte e o modelo de todo o amor humano. Gregório de Nazianzo expressou-o lindamente, dizendo: «A Trindade é, se me permitem dizê-lo, uma onda de amor, de amar e de ser amado.»

Orígenes, apesar de controvérsias posteriores em torno de alguns de seus ensinamentos, ofereceu informações valiosas sobre o amor. Sublinhou que o amor de Deus não é meramente afetivo, mas eficaz – tem o poder de nos transformar. Orígenes ensinou que, à medida que crescemos no amor, tornamo-nos mais semelhantes a Deus, pois «Deus é amor» (1 João 4:8) (Origen & Lauro, 2010).

Os Padres e Mães do Deserto, aqueles primeiros monges que procuravam Deus no deserto, viam o amor como o culminar de toda a prática ascética. Abba Anthony disse: «A minha vida está com o meu irmão», sublinhando que o amor pelos outros era inseparável do amor por Deus.

Estes ensinamentos dos Padres da Igreja recordam-nos que o amor não é um mero sentimento ou emoção, mas um poder transformador no coração da fé e da vida cristãs. Chamam-nos a um amor que é dom de si, prático e enraizado na própria natureza de Deus. Atentemos para a sua sabedoria e procuremos aprofundar-nos cada vez mais no amor divino.

Como os cristãos podem aplicar os ensinamentos bíblicos sobre o amor no seu dia-a-dia?

Aplicar os ensinamentos bíblicos sobre o amor no nosso dia-a-dia é ao mesmo tempo um grande desafio e uma poderosa oportunidade para o crescimento espiritual. Exige esforço constante, graça e vontade de ser transformado pelo amor de Deus. Vamos considerar algumas maneiras práticas de viver este amor divino em nossas experiências diárias.

Devemos cultivar uma vida de oração profunda e uma relação íntima com Deus. Como São João nos recorda, «Amamos porque Ele primeiro nos amou» (1 João 4:19). Ao dedicar tempo à oração, à meditação das Escrituras e à receção dos sacramentos, abrimo-nos para receber mais plenamente o amor de Deus. Este amor divino transborda em nossas relações com os outros.

Em nossas famílias, esforcemo-nos para encarnar o amor paciente, bondoso e altruísta descrito em 1 Coríntios 13. Isto significa ouvir atentamente o nosso cônjuge e os nossos filhos, ser rápidos a perdoar e a colocar as suas necessidades à frente das nossas. Significa criar um ambiente caseiro onde cada pessoa se sinta valorizada, apoiada e amada incondicionalmente.

Nos nossos locais de trabalho e comunidades, podemos praticar o amor ao tratar todos com respeito e dignidade, independentemente do seu estatuto ou da forma como nos tratam. Isso pode envolver defender um colega que está a ser tratado injustamente, ou sair do nosso caminho para receber um novo vizinho. Lembrai-vos das palavras de Jesus: «Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mateus 5:44).

Amar o próximo significa também estar atento às necessidades dos pobres e marginalizados. Podemos ser voluntários em instituições de caridade locais, doar para causas dignas ou simplesmente estar mais conscientes daqueles à nossa volta que podem precisar de ajuda. Como nos recorda São Tiago, a fé sem obras está morta (Tiago 2:26). O nosso amor deve exprimir-se em acções concretas.

Em nossas interações digitais, vamos estar atentos à forma como nos comunicamos. As nossas publicações e comentários nas redes sociais refletem o amor de Cristo? Somos rápidos em julgar e criticar, ou procuramos compreender e empatizar? A Internet oferece muitas oportunidades para espalhar o amor e o encorajamento, mas também tenta envolver-se em comportamentos não amorosos.

Devemos também aprender a amar-nos como Deus nos ama. Isto não é orgulho egoísta, mas uma humilde aceitação do nosso valor como filhos de Deus. Ao reconhecermos o amor de Deus por nós, tornamo-nos mais capazes de estender esse amor aos outros.

Finalmente, lembremo-nos de que o amor muitas vezes envolve sacrifício. Jesus disse: "Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos amigos» (João 15:13). Embora não sejamos chamados ao martírio literal, todos somos chamados a morrer para nós mesmos diariamente por causa dos outros. Isto pode significar abdicar do nosso tempo, conforto ou recursos para alguém necessitado.

Aplicar o amor bíblico é uma viagem ao longo da vida. Muitas vezes ficamos aquém, mas a graça de Deus está sempre presente para nos erguer e colocar-nos novamente no caminho. Encorajemo-nos uns aos outros neste excelente caminho de amor, sabendo que, à medida que crescemos no amor, crescemos à semelhança do próprio Cristo. Pois, no final, como nos diz São Paulo, o amor nunca falha (1 Coríntios 13:8).

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