Está certo namorar alguém que não é virgem?




  • Deus vê a sexualidade humana como sagrada e destinada ao pacto do casamento, refletindo seu amor autodoador.
  • A Igreja ensina que o sexo pré-marital fica aquém do plano de Deus, mas enfatiza a castidade, a misericórdia e o perdão para aqueles que se arrependem.
  • É possível estabelecer uma relação piedosa com alguém que não é virgem com uma comunicação aberta, valores partilhados e empenho na pureza.
  • O perdão e a criação de limites saudáveis são essenciais para a confiança e a intimidade, guiadas pela oração, pelos ensinamentos da igreja e pelo apoio espiritual.

Como Deus vê o sexo pré-marital e a virgindade?

A visão de Deus da sexualidade humana é de amor poderoso, beleza e sacralidade. O dom da nossa sexualidade destina-se a ser um reflexo do próprio amor doador de Deus dentro da Trindade. No seu plano divino, a intimidade sexual encontra o seu pleno significado e expressão no pacto matrimonial, onde serve para unir marido e mulher e para cooperar com o poder criativo de Deus na criação de uma nova vida.

A Igreja tem ensinado constantemente que as relações sexuais fora do casamento ficam aquém do plano de Deus para o amor e a sexualidade humanos. Este ensinamento está enraizado nas Escrituras, onde encontramos numerosas exortações à pureza e à castidade. Como escreve São Paulo, «O corpo não se destina à imoralidade, mas ao Senhor, e o Senhor ao corpo» (1 Coríntios 6:13).

Mas devemos ter cuidado para não reduzir a visão de Deus sobre a sexualidade a um conjunto de proibições. Pelo contrário, o chamado à castidade antes do matrimónio é um convite a prepararmo-nos para o dom total de nós mesmos que o matrimónio exige. A virgindade, a esta luz, não é meramente a ausência de experiência sexual, mas um estado positivo de totalidade e integridade.

Ao mesmo tempo, devemos recordar que a misericórdia de Deus é infinita. Embora a atividade sexual pré-matrimonial não esteja de acordo com o plano de Deus, não coloca alguém fora do alcance do amor e do perdão de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo não veio para condenar, mas para salvar e curar. Oferece a sua graça e misericórdia a todos os que se voltam para Ele com o coração contrito.

Ao considerar a visão de Deus do sexo pré-marital e da virgindade, devemos manter em tensão tanto a beleza do seu plano para a sexualidade humana como a realidade da fraqueza e do pecado humanos. Somos chamados a defender o ideal enquanto estendemos a compaixão e a compreensão àqueles que lutam ou ficam aquém. Como já disse muitas vezes, a Igreja não é um museu para os santos, mas um hospital de campanha para os pecadores. Estamos todos num caminho de conversão, crescendo em santidade e esforçando-nos por alinhar mais plenamente as nossas vidas com a vontade de Deus.

Ainda posso ter uma relação piedosa com alguém que não seja virgem?

A resposta curta é sim, podes ter uma relação piedosa com alguém que não é virgem. A graça de Deus é poderosa e pode transformar qualquer coração que Lhe esteja aberto. O passado de uma pessoa não define o seu futuro, nem limita a capacidade de Deus para trabalhar na sua vida e através dela.

Lembrem-se das palavras de São Paulo: «Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O velho já passou. eis que o novo chegou" (2 Coríntios 5:17). Através do sacramento da Reconciliação e de um compromisso sincero de viver virtuosamente, uma pessoa pode experimentar uma poderosa cura e renovação, independentemente de suas experiências passadas.

Dito isto, construir uma relação piedosa requer intencionalidade e compromisso de ambos os parceiros. É importante ter conversas abertas e honestas sobre os vossos valores, crenças e expectativas em relação à sexualidade e castidade. Discutam como irão apoiar-se uns aos outros na vivência do seu compromisso compartilhado com a pureza e o crescimento na virtude.

Uma relação piedosa é aquela que ajuda ambos os parceiros a se aproximarem de Deus e a se tornarem as melhores versões de si mesmos. Tal pode ser alcançado com alguém que tenha tido experiências sexuais passadas, desde que esteja agora empenhado em viver de acordo com o plano de Deus para a sexualidade.

Mas é crucial abordar esta situação com sabedoria e discernimento. Considere se o seu namorado passou por uma conversão genuína e mostra verdadeiro remorso por ações passadas. Procure provas de crescimento e um desejo sincero de viver castamente agora. Rezem juntos, assistam à Missa juntos e encorajem uns aos outros em suas viagens de fé.

Lembrem-se também de que uma relação piedosa não é construída sobre a perfeição, mas sobre o amor mútuo, o respeito, o perdão e o compromisso comum de seguir a Cristo. Muitas vezes sublinho que a Igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas, mas de pecadores perdoados que procuram a santidade.

No vosso caminho juntos, concentrai-vos em construir uma base sólida de amizade, confiança e fé partilhada. Que a vossa relação seja um testemunho do amor transformador e da graça de Deus. Com Deus no centro, e com o compromisso mútuo de viver virtuosamente, podemos construir uma relação bela e piedosa que O glorifica.

Devo acabar com o meu namorado porque ele não é virgem?

Esta é uma decisão profundamente pessoal que requer discernimento orante. Seria imprudente para mim ou para qualquer outra pessoa dar-lhe uma simples resposta «sim» ou «não». Em vez disso, encorajo-vos a refletir profundamente sobre a vossa relação, os vossos valores e as vossas esperanças para o futuro, procurando sempre a orientação de Deus através da oração.

Lembrai-vos de que todos nós somos pecadores e necessitamos da misericórdia de Deus. Como já disse muitas vezes, «Quem sou eu para julgar?» O passado do seu namorado não o define, nem determina necessariamente o curso da sua relação. O mais importante é quem ele é agora, como cresceu a partir de suas experiências e seu atual compromisso de viver uma vida de virtude.

Considere as seguintes perguntas:

  • O seu namorado mostrou arrependimento genuíno pelas suas acções passadas?
  • Ele está empenhado em viver castamente agora e no futuro?
  • Partilha os mesmos valores e a mesma visão para a sua relação e potencial futuro casamento?
  • A vossa relação aproxima-vos de Deus e ajuda-vos a crescer em santidade?
  • Consegue ver-se a construir uma vida em conjunto baseada no respeito mútuo, na confiança e na fé partilhada?

Se as respostas a estas perguntas forem positivas, então sua falta de virgindade não precisa ser uma razão para acabar com a relação. Muitos casamentos bonitos e centrados em Cristo foram construídos entre parceiros onde um ou ambos tiveram experiências sexuais anteriores.

Mas se descobrir que não pode ultrapassar este problema, se lhe causa grande angústia ou ressentimento, ou se está a afetar seriamente a sua capacidade de confiar nele, então pode ser sensato reconsiderar a relação. A paz de espírito e o bem-estar emocional são importantes.

É também fundamental examinar o seu próprio coração. Os seus sentimentos estão enraizados numa preocupação genuína de viver o plano de Deus para a sexualidade, ou são mais sobre ciúmes, insegurança ou um desejo de controlo? Seja honesto consigo mesmo acerca das suas motivações.

Lembre-se também de que a separação não é a única opção se estiver a debater-se com esta questão. Pode-se pensar em reservar algum tempo para orar e refletir. Também pode procurar orientação de um conselheiro espiritual de confiança ou considerar o aconselhamento de casais para trabalhar através dos seus sentimentos em conjunto.

Esta decisão deve ser feita entre ti, o teu namorado e Deus. Rezem por sabedoria e discernimento. Escutai os sussurros do Espírito Santo. Confiai que Deus deseja a vossa felicidade e santidade, e que Ele vos guiará se permanecerdes abertos à Sua vontade.

Seja qual for a sua decisão, aborde a situação com compaixão, tanto para si como para o seu namorado. Deixem que as vossas ações sejam guiadas pelo amor, não pelo medo ou julgamento. E lembre-se de que o plano de Deus para a sua vida é um plano de esperança e um futuro, independentemente do caminho que esta relação específica percorre.

Como lidar com os sentimentos de ciúme ou insegurança em relação ao seu passado?

Os sentimentos de ciúme e insegurança são emoções humanas naturais, especialmente quando confrontados com as experiências passadas de um ente querido. No entanto, é importante abordar estes sentimentos de forma saudável e construtiva, em consonância com a nossa fé e os nossos valores cristãos.

Reconheça seus sentimentos sem julgar. Não há problema em sentir-se magoado, ciumento ou inseguro. Estas emoções muitas vezes resultam de um lugar de amor e um desejo de uma ligação especial e única com o seu parceiro. Traga estes sentimentos a Deus em oração. Como o salmista escreve: «Derrama o teu coração diante dele; Deus é um refúgio para nós» (Salmo 62:8).

Em seguida, tente compreender a raiz desses sentimentos. Está preocupado em estar à altura dos parceiros do passado? Tem medo que o seu namorado possa compará-lo aos outros? Está preocupado com a força da sua ligação emocional? Identificar os medos específicos subjacentes ao seu ciúme pode ajudá-lo a resolvê-los de forma mais eficaz.

Lembre-se de que as experiências passadas do seu namorado não diminuem a singularidade e o valor da sua relação. Cada relação é distinta, e o amor que partilhas não é diminuído pelo que veio antes. Como muitas vezes recordo aos fiéis, o amor de Deus por cada um de nós é pessoal e único – e também pode ser o amor entre parceiros.

Também é crucial praticar o perdão – tanto do seu namorado como de si mesmo por estes sentimentos difíceis. O perdão está no centro da nossa fé, como Jesus nos ensinou a orar: «Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofendem» (Mateus 6:12). O perdão não significa esquecer ou fingir que o passado não aconteceu, mas sim optar por abandonar o ressentimento e seguir em frente apaixonados.

Comunique-se aberta e honestamente com o seu namorado sobre os seus sentimentos. Evite a linguagem acusatória, mas expresse as suas inseguranças e peça-lhe apoio e tranquilidade. Esta vulnerabilidade pode, na verdade, fortalecer a sua ligação e construir uma maior intimidade.

Concentre-se em construir confiança e criar experiências positivas em conjunto. Envolva-se em atividades que fortaleçam sua ligação emocional e espiritual. Ore em conjunto, estude as Escrituras ou participe nas atividades da igreja como um casal. Estas experiências partilhadas podem ajudar a reforçar a natureza especial da sua relação.

Trabalhe na construção da sua auto-estima e sentido de valor, independentemente da sua relação. Lembre-se de que o seu valor provém de ser um filho amado de Deus, não do seu estado de relacionamento ou da sua história sexual. Como nos recorda São Paulo, «Não sabeis que o vosso corpo é em vós um templo do Espírito Santo, que tendes da parte de Deus?» (1 Coríntios 6:19).

Se considerar que estes sentimentos são avassaladores ou persistentes, não hesite em procurar ajuda. Falar com um conselheiro espiritual, conselheiro ou terapeuta de confiança pode fornecer ferramentas valiosas para gerir estas emoções.

Por fim, confie a sua relação a Deus. Orem por sua orientação, sabedoria e paz. Confiai que Ele pode curar feridas, acalmar medos e fortalecer o vosso amor. Como digo muitas vezes: «Não tenhamos medo de dizer «sim» a Jesus, de encontrar a nossa alegria em fazer a sua vontade e de entregar todo o nosso coração ao amor de Deus e do próximo.»

Lembrai-vos de que o crescimento no amor e na santidade é um caminho. Tenha paciência consigo mesmo e com o seu namorado enquanto navega nestas emoções complexas em conjunto.

Como é o perdão nesta situação?

O perdão está no coração da nossa fé cristã. É um dom poderoso que recebemos de Deus, e que somos chamados a estender aos outros. No contexto da vossa relação, o perdão não é um acontecimento único, mas um processo contínuo de cura, crescimento e amor.

É importante compreender o que é o perdão e o que não é. O perdão não significa esquecer o que aconteceu ou fingir que não importava. Não desculpa o comportamento nem elimina todas as consequências. Em vez disso, o perdão é uma decisão de libertar o ressentimento e o desejo de retribuição. Trata-se de libertar-se do fardo da raiva e permitir que a graça curativa de Deus funcione no seu coração e na sua relação.

Nesta situação, o perdão pode parecer:

  1. Reconhecer a mágoa: Reconheça que as ações passadas do seu namorado lhe causaram dor. Não há problema em admitir isto a si próprio e a ele.
  2. Escolher deixar ir: Tomar a decisão consciente de não manter seu passado contra ele. Isto não significa que nunca se sinta magoado ou inseguro, mas que não utilizará o seu passado como arma ou o trará constantemente para o envergonhar.
  3. Vendo-o como Deus o vê: Tente ver o seu namorado através da lente da misericórdia de Deus. Lembre-se de que, em Cristo, Ele é uma nova criação (2 Coríntios 5:17). A sua identidade não é definida pelos seus erros do passado, mas pelo seu actual compromisso com Cristo e convosco.
  4. Oração pela cura: Peça a Deus para curar todas as feridas no seu coração e na sua relação. Ore pela graça de perdoar totalmente e amar incondicionalmente.
  5. Restabelecer a confiança: O perdão abre a porta para a reconstrução da confiança. Isto requer tempo e esforço de ambos os parceiros. Tenha paciência com este processo.
  6. Crescer em conjunto: Use isto como uma oportunidade para aprofundar a sua comunicação, fortalecer a sua fé juntos, e crescer na virtude como um casal.
  7. Ampliar a misericórdia no dia-a-dia: O perdão não tem apenas a ver com os grandes problemas, mas também com as pequenas irritações diárias. Pratique o perdão em todos os aspetos da sua relação.

Lembrai-vos de que o perdão não é fraqueza. Requer muita força e coragem. Como muitas vezes recordo aos fiéis, «Perdoar é não esquecer. O perdão muda a forma como nos recordamos. Converte a maldição numa bênção.»

Também é crucial perdoar-se por quaisquer sentimentos de ciúme, insegurança ou ressentimento que possa ter. Seja gentil consigo mesmo enquanto navega nestas emoções complexas.

Se acharem difícil perdoar, não se desencorajem. Volte-se para o sacramento da Reconciliação, onde pode experimentar o perdão de Deus e receber a graça de perdoar os outros. Medite no perdão de Cristo na cruz e peça forças para imitar o seu amor misericordioso.

O perdão na sua situação implica também confiar no plano de Deus para a sua relação. Significa acreditar que Deus pode tirar o bem desta situação, usando-a para fortalecer o seu amor e aprofundar a sua fé.

Finalmente, lembre-se de que o perdão não é um destino, mas uma viagem. Pode haver momentos em que as feridas antigas ressurgem ou quando o perdão parece desafiador. Nestes momentos, renova o teu compromisso de perdão, procura a graça de Deus e recorda as palavras de Nosso Senhor: «Porque, se perdoardes aos outros as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós» (Mateus 6:14).

Meu Deus vos abençoe com Sua paz enquanto percorreis este caminho de perdão e amor. Confiai na Sua infinita misericórdia e deixai-a fluir através de vós para os outros. A sua capacidade de perdoar é um belo reflexo do amor de Deus no mundo.

Como podemos estabelecer limites físicos saudáveis na nossa relação a avançar?

Estabelecer limites físicos saudáveis na vossa relação é uma tarefa sagrada e importante. Requer comunicação aberta, respeito mútuo e um compromisso compartilhado de honrar a Deus e uns aos outros. Comece por ter uma conversa honesta com o seu namorado acerca dos seus valores, expectativas e preocupações. Lembre-se de que «o amor nasce do pulsar do coração de Deus» (Jovem, 2001, pp. 80-96), e é através deste amor que podemos lidar com estas questões delicadas.

Refletir juntos sobre os ensinamentos da nossa fé a respeito da santidade do corpo humano e da beleza da intimidade no matrimónio. Discuta o que as expressões físicas de afeto se sentem apropriadas e confortáveis para ambos nesta fase da sua relação. Talvez concorde em limitar o contacto físico a dar as mãos e abraços breves, reservando expressões mais íntimas para o casamento.

É fundamental estabelecer pistas verbais e não-verbais claras para comunicar os seus limites no momento. Por exemplo, pode concordar com uma frase ou gesto específico que sinaliza quando um de vós se sente desconfortável ou deseja abrandar. Lembre-se de que o verdadeiro amor «suporta todas as coisas, crê em todas as coisas, espera em todas as coisas, suporta todas as coisas» (1 Coríntios 13:7). Tal inclui respeitar os limites uns dos outros com paciência e compreensão.

Considere a criação de estruturas de responsabilização para apoiar o seu compromisso com estes limites. Isto pode envolver partilhar as suas intenções com amigos de confiança ou familiares que podem oferecer encorajamento e lembretes suaves. Poderá também encontrar forças para orar em conjunto, pedindo a orientação e a graça de Deus para honrar o seu compromisso com a pureza.

Esteja atento a situações que possam desafiar a sua determinação. Planeie datas e atividades que minimizem a tentação e se concentrem na construção da intimidade emocional e espiritual. Envolva-se em projetos de serviço em conjunto, assista a eventos da igreja ou desfrute de passeios pela natureza onde possa conversar e aproximar-se sem distrações físicas.

Lembre-se de que a definição de limites não tem a ver com restrições, mas sim com a criação de um espaço seguro e nutritivo para que o seu amor floresça de acordo com o plano de Deus. Enquanto navegam nesta jornada juntos, sejam gentis consigo mesmos e uns com os outros. Se tropeçar, procure perdão, aprenda com a experiência e volte a comprometer-se com seus valores compartilhados. «Ao desenvolver constantemente a capacidade de amar consciente e incondicionalmente, é possível transcender os problemas de uma parceria monogâmica» (Marrazzo et al., 2010, pp. 335-339).

Que o Espírito Santo vos guie neste processo, fortalecendo a vossa determinação e aprofundando o vosso amor uns pelos outros e por Deus.

Devo divulgar meu próprio histórico sexual (se houver) ao meu namorado?

A questão da divulgação da história sexual é uma questão profundamente pessoal que exige um discernimento e uma oração cuidadosos. Embora a honestidade e a transparência sejam componentes vitais de uma relação saudável, devemos também considerar o momento e a forma como essas informações sensíveis são partilhadas.

Refletir sobre as suas motivações para querer divulgar esta informação. É por um desejo de intimidade e confiança mais profundas? Ou talvez de um local de culpa ou de uma necessidade de tranquilização? Lembre-se de que «o amor deve estar no centro do exercício dos dons espirituais» (Marrazzo et al., 2010, pp. 335-339), o que inclui o dom da sua história pessoal.

Se se sentir chamado a partilhar as suas experiências passadas, considere as seguintes orientações:

  1. Rezem por sabedoria e discernimento. Peça ao Espírito Santo que oriente as suas palavras e prepare tanto o seu coração como o do seu namorado para receber esta informação com amor e compreensão.
  2. Escolha a hora e o local adequados. Esta conversa deve ocorrer num ambiente privado e confortável, onde ambos se sintam seguros e sem pressa.
  3. Seja honesto, mas não demasiado detalhado. Partilhe as verdades essenciais das suas experiências sem se deter em pormenores que possam causar dor ou ciúmes desnecessários.
  4. Enquadre sua divulgação no contexto de sua viagem de fé. Explique como estas experiências moldaram os seus valores atuais e o seu compromisso com a sua relação com Deus e com o seu namorado.
  5. Esteja preparado para a reação do seu namorado. Poderá necessitar de tempo para processar esta informação. Ofereça-lhe espaço para fazer perguntas e expressar seus sentimentos.
  6. Enfatize o seu compromisso com a sua relação atual e os seus valores partilhados a avançar.

Recorde-se que «a Igreja, a Família de Deus, a comunidade do amor, conduz à hermenêutica de que, em África, deve tornar-se Luz de Deus e Luz dos homens no meio do nosso mundo em construção» (Stake et al., 2020). Do mesmo modo, a sua relação deve ser um farol do amor e do perdão de Deus.

Mas se decidir não divulgar a sua história neste momento, isso também é uma escolha válida. Não é obrigado a partilhar todos os detalhes do seu passado se não sentir que é necessário ou benéfico para a sua relação atual. O mais importante é o seu compromisso de viver de acordo com o plano de Deus para o amor e a sexualidade a partir de agora.

Se estais a lutar contra a culpa ou a vergonha relacionadas com o vosso passado, exorto-vos a procurar o Sacramento da Reconciliação. Recorda que a misericórdia de Deus é infinita e que Ele se alegra com o teu desejo de viver uma vida de virtude e amor.

A decisão de divulgar a sua história sexual deve ser feita em oração e com consideração para a saúde geral e o crescimento do seu relacionamento. Confiai na orientação do Senhor e sabei que o Seu amor por vós é incondicional e sempre presente, independentemente do vosso passado ou da vossa decisão nesta matéria.

Como abordar possíveis diferenças espirituais em relação à sexualidade?

Abordar as diferenças espirituais em relação à sexualidade requer muita paciência, compreensão e um compromisso de crescer juntos na fé. É natural que dois indivíduos tenham perspetivas diferentes moldadas pelas suas experiências únicas e viagens espirituais. Mas, à medida que navega nestas diferenças, lembre-se de que «o amor e a aculturação emocional ajudaram-nos a superar as barreiras linguísticas» (Stake et al., 2020) em casais interculturais e, do mesmo modo, o amor e o crescimento espiritual podem ajudá-lo a superar as diferenças de compreensão.

Comece por criar um espaço seguro e sem julgamentos para um diálogo aberto acerca das suas crenças e valores em relação à sexualidade. Ouçam-se uns aos outros com o coração aberto, procurando compreender em vez de convencer. Lembrem-se das palavras de São Tiago: «Sê rápido a ouvir, tardio a falar» (Tiago 1:19). Esta abordagem permite o respeito mútuo e cria um ambiente onde ambos se sentem ouvidos e valorizados.

Em seguida, explorem os fundamentos das vossas crenças em conjunto. Estudar as Escrituras e os ensinamentos da Igreja sobre a sexualidade e o casamento. Refletir sobre passagens como 1 Coríntios 7, que discute a intimidade conjugal, ou o Cântico dos Cânticos, que celebra a beleza do amor conjugal. Discuta como estes ensinamentos ressoam com cada um de vós e como podem guiar a vossa relação.

Considere procurar orientação a partir de recursos espirituais confiáveis. «A Igreja, a Família de Deus, a comunidade do amor, leva à hermenêutica de que, em África, deve tornar-se Luz de Deus e Luz dos homens no meio do nosso mundo em construção» (Stake et al., 2020). Neste espírito, explore livros, artigos ou podcasts de fontes católicas respeitáveis que abordam a sexualidade a partir de uma perspectiva de fé. Esta experiência de aprendizagem partilhada pode ajudá-lo a desenvolver uma linguagem e uma compreensão comuns.

Se descobrir que as suas diferenças são importantes, pode ser benéfico procurar aconselhamento de um padre ou de um terapeuta católico qualificado que possa ajudá-lo a lidar com estas questões. Eles podem fornecer informações valiosas e ferramentas para conciliar as vossas perspectivas no âmbito da nossa fé.

Lembre-se de que o crescimento espiritual é uma viagem ao longo da vida. Sejam pacientes uns com os outros e consigo mesmos enquanto trabalham através destas diferenças. Rezem juntos, pedindo ao Espírito Santo orientação, sabedoria e unidade na compreensão do plano de Deus para a sexualidade.

É igualmente importante concentrar-se nos domínios em que concorda. Talvez ambos valorizem a santidade do casamento, a importância do respeito mútuo ou o desejo de honrar a Deus na vossa relação. Construa estes valores partilhados enquanto trabalha através das suas diferenças.

Se um de vós tiver uma base de fé mais forte no que diz respeito à sexualidade, considere como pode apoiar e incentivar amorosamente o crescimento do outro sem ser crítico ou exigente. Como nos recorda São Paulo, «o conhecimento incha, mas o amor edifica» (1 Coríntios 8:1).

Por fim, lembre-se de que a sua relação não é definida apenas pelos seus pontos de vista sobre a sexualidade. Nutre outros aspetos da tua ligação espiritual – reza em conjunto, assiste à Missa em conjunto, participa em atos de serviço e partilha as alegrias da tua fé. Estas experiências partilhadas podem reforçar o seu vínculo e proporcionar um contexto mais amplo para abordar as suas diferenças.

Abordar as diferenças espirituais em relação à sexualidade é uma oportunidade de crescimento, tanto individualmente quanto como casal. Abordem esta viagem com humildade, amor e um desejo sincero de compreender a vontade de Deus para as vossas vidas. Confiai que, à medida que O buscais juntos, Ele vos guiará para uma compreensão mais profunda e unificada do Seu belo plano para o amor e a sexualidade.

Que papel devem os líderes ou mentores da igreja desempenhar em guiar-nos através desta questão?

A orientação dos líderes e mentores da igreja pode ser um recurso inestimável à medida que navegamos pelas complexidades do nosso relacionamento e pelas questões que cercam a sexualidade. Estas pessoas sábias, enraizadas na fé e na experiência, podem oferecer orientação espiritual, conselhos práticos e uma perspetiva que se alinha com os ensinamentos da nossa Igreja.

Lembrai-vos de que procurar orientação é um sinal de força e sabedoria, não de fraqueza. Como as Escrituras nos dizem: "Onde não há orientação, cai um povo, mas em abundância de conselheiros há segurança" (Provérbios 11:14). Ao envolver líderes ou mentores da Igreja, estais a convidar a sabedoria da Igreja e a experiência daqueles que percorreram este caminho à vossa frente.

Os líderes da Igreja, como o seu pároco ou um diácono de confiança, podem fornecer orientação espiritual baseada no ensino católico. Podem ajudá-lo a compreender a perspetiva da Igreja sobre a sexualidade, a castidade e a santidade do casamento. Estes líderes também podem oferecer o Sacramento da Reconciliação, proporcionando um caminho para a cura e a renovação, se necessário. Recorde-se que «A Igreja, a Família de Deus, a comunidade do amor, leva à hermenêutica de que, em África, deve tornar-se Luz de Deus e Luz dos homens no meio do nosso mundo em construção» (Stake et al., 2020). Neste espírito, os líderes da igreja podem ajudar a iluminar o amor de Deus e o plano para a sua relação.

Os mentores, especialmente os casais que exemplificam uma relação forte e cheia de fé, podem oferecer conselhos práticos e partilhar as suas próprias experiências. Eles podem fornecer informações sobre como navegaram em desafios semelhantes e mantiveram seu compromisso uns com os outros e com Deus. Tal como lemos, «Os casais que possuem um certo nível de autoconsciência podem manter a sua individualidade e independência, tendo simultaneamente uma intimidade emocional forte, genuína e não ameaçadora» (Stake et al., 2020). Os mentores podem ajudá-lo a desenvolver esta autoconsciência e orientá-lo na construção de uma base sólida para o seu relacionamento.

Ao procurar orientação, considere a seguinte abordagem:

  1. Rezem juntos pelo discernimento na escolha dos mentores ou líderes certos a serem abordados.
  2. Seja aberto e honesto acerca da sua situação, preocupações e perguntas. Lembre-se de que estes indivíduos estão lá para ajudar, não para julgar.
  3. Ouça ativamente os seus conselhos, mas sinta-se à vontade para fazer perguntas e procurar esclarecimentos.
  4. Refleti juntos sobre a orientação que recebeis, discutindo como ela ressoa com a vossa própria compreensão e sentimentos.
  5. Considere participar de programas patrocinados pela Igreja para casais, como aconselhamento pré-marital ou oficinas de relacionamento, mesmo que o casamento ainda não esteja no horizonte.

Mas é importante manter limites adequados. Embora os líderes e mentores da igreja possam fornecer uma orientação valiosa, as decisões finais sobre o vosso relacionamento devem ser tomadas por vós e pelo vosso parceiro, guiados pela oração e pelo discernimento.

Lembre-se também que estes líderes e mentores são humanos e podem ter os seus próprios preconceitos ou limitações. Medii sempre os seus conselhos contra os ensinamentos da Igreja e o vosso próprio discernimento orante.

Por fim, considerai como podeis usar esta experiência para crescer não só como casal, mas também como membros activos da vossa comunidade de fé. Talvez, no futuro, também possam servir como mentores para outros casais que enfrentam desafios semelhantes.

Ao envolver líderes e mentores da igreja na vossa jornada, estais a abraçar o aspecto comunitário da nossa fé. Vós estais a permitir que o Corpo de Cristo vos sustente e guie. Confiem neste processo, permaneçam abertos à sabedoria partilhada e mantenham sempre os vossos corações sintonizados com a orientação suave do Espírito Santo. Que a vossa relação seja um testemunho do amor de Deus e um farol de esperança para os outros na vossa comunidade.

Como podemos construir confiança e intimidade em nosso relacionamento, apesar das experiências sexuais passadas?

Construir confiança e intimidade na sua relação, especialmente à luz de experiências sexuais passadas, é um caminho que exige paciência, compreensão e um profundo compromisso com o amor de Deus. Recorde-se que «o amor nasce do pulsar do coração de Deus» (Jovem, 2001, pp. 80-96), e é através deste amor divino que podemos superar as nossas fragilidades humanas e construir relações que reflitam a sua glória.

É fundamental reconhecer que as experiências passadas não definem o valor de uma pessoa nem a sua capacidade de amar. O nosso Deus é um Deus de segundas oportunidades, de renovação e de transformação. Como nos recorda São Paulo: «Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O velho já passou. eis que o novo chegou" (2 Coríntios 5:17). Aceite esta verdade para si mesmo e para o seu parceiro.

Para construir a confiança, a comunicação aberta e honesta é fundamental. Crie um espaço seguro onde ambos possam partilhar os seus sentimentos, medos e esperanças sem julgamento. Isso pode incluir discutir quaisquer inseguranças ou preocupações que surjam devido a experiências passadas. Lembre-se de que «os casais que possuem um certo nível de autoconsciência podem manter a sua individualidade e independência, ao mesmo tempo que têm uma intimidade emocional forte, genuína e não ameaçadora» (Stake et al., 2020). Cultive esta autoconsciência através da reflexão e da partilha.

O perdão desempenha um papel fundamental na construção da confiança. Se houver sentimentos de mágoa ou traição relacionados a experiências passadas, trabalhe através dessas emoções em conjunto. Busque a graça de Deus para perdoar e receber o perdão. Este processo pode ser profundamente curativo e pode fortalecer a sua ligação.

A intimidade não é apenas física. abrange também ligações emocionais, intelectuais e espirituais. Concentre-se em desenvolver estes aspectos da sua relação:

  1. Intimidade emocional: Partilhe os seus sonhos, medos e vulnerabilidades. Pratique a escuta ativa e a empatia.
  2. Intimidade intelectual: Envolva-se em conversas significativas sobre sua fé, valores e objetivos. Estudai as Escrituras em conjunto e discuti a sua aplicação nas vossas vidas.
  3. Intimidade espiritual: Rezem juntos regularmente. Assistir à missa e participar das atividades da igreja como um casal. Partilhe os seus pontos de vista espirituais e apoiem o percurso de fé uns dos outros.

Lembrem-se que a verdadeira intimidade cresce ao longo do tempo e constrói-se sobre uma base de confiança, respeito e valores partilhados. «Ao desenvolver constantemente a capacidade de amar consciente e incondicionalmente, é possível transcender os problemas de uma parceria monogâmica» (Marrazzo et al., 2010, pp. 335-339). Este desenvolvimento consciente do amor requer esforço, compromisso e graça.

É igualmente importante estabelecer limites claros que honrem o seu compromisso de castidade e respeito mútuo. Estes limites podem ajudar a criar uma sensação de segurança e confiança, permitindo que a sua relação floresça sem a pressão da intimidade física antes do casamento.

Considere envolver-se em atividades que construam confiança e intimidade de maneiras não sexuais. Isso pode incluir servir juntos na sua comunidade, partilhar passatempos ou embarcar em retiros espirituais como um casal. Estas experiências partilhadas podem aprofundar a sua ligação e criar memórias duradouras.

Se se depararem com problemas de confiança ou intimidade relacionados com experiências passadas, não hesitem em procurar ajuda profissional. Um terapeuta ou conselheiro católico pode fornecer ferramentas e informações valiosas para ajudá-lo a lidar com estes desafios.

Enfim, ancorai vossa relação no amor de Cristo. Lembrem-se de que o vosso amor uns pelos outros é um reflexo do amor de Deus pela Sua Igreja. À medida que crescem em suas relações uns com os outros, concentrem-se também em aprofundar suas relações individuais com Deus. Uma base espiritual forte fornecerá a força e a graça necessárias para superar quaisquer obstáculos.

Construir confiança e intimidade é uma viagem ao longo da vida. Abraçai este processo com alegria, sabendo que cada passo vos aproxima uns dos outros e de Deus. Que a vossa relação seja um testemunho do poder transformador do amor de Deus, mostrando ao mundo que as experiências passadas não têm de impedir o belo futuro que Ele planeou para vós. Confiai na Sua orientação, apoiai-vos na Sua força e deixai que o vosso amor uns pelos outros seja um exemplo brilhante da Sua graça em acção.

Bibliografia:

Agunbiade, O., & Ayotunde, T. (

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