Papa alerta contra nova corrida armamentista




O Papa Leão XIV alertou na quarta-feira para o grave perigo de uma “nova corrida armamentista global”, à medida que o tratado de armas nucleares New START entre os Estados Unidos e a Rússia chegava ao fim, exortando os líderes mundiais a não permitirem que o acordo caduque sem uma alternativa credível e eficaz.

Falando no final da sua audiência geral no Vaticano, o Papa recordou que o tratado — assinado em 2010 pelo então Presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo Presidente russo, Dmitry Medvedev — representou um passo significativo na limitação da proliferação de armas nucleares.

“Amanhã o tratado New START chega ao fim”, disse o Papa, observando que o acordo ajudou a conter os arsenais nucleares estratégicos e a reforçar a segurança internacional. Ele apelou a “todo o esforço construtivo em prol do desarmamento e da confiança mútua”, insistindo que o atual clima internacional exige uma ação urgente para evitar uma escalada.

O Papa sublinhou que o mundo deve abandonar “a lógica do medo e da desconfiança” e, em vez disso, abraçar “uma ética partilhada capaz de orientar as decisões para o bem comum e tornar a paz um património salvaguardado por todos”.

Sem um quadro de substituição, alertou, o fim do New START abre um período de crescente incerteza, levantando alarmes em toda a comunidade internacional sobre o enfraquecimento dos mecanismos de controlo de armas nucleares.

Orações pela Ucrânia em meio às dificuldades do inverno

Durante a mesma audiência, o Papa renovou também o seu apelo a orações pelo povo da Ucrânia, que, segundo ele, está a ser “duramente provado” pelos contínuos bombardeamentos russos, incluindo ataques a infraestruturas energéticas durante os meses de inverno.

Citando relatos de frio intenso e escassez generalizada de eletricidade, aquecimento e água, ele exortou os fiéis a não esquecerem o sofrimento dos civis, particularmente das crianças, dos idosos e dos mais vulneráveis. O Papa expressou gratidão pelas iniciativas de solidariedade organizadas por dioceses católicas na Polónia e noutros países que prestam assistência à população ucraniana.

A evangelização deve falar às vidas reais

Mais cedo, na sua catequese, o Papa Leão XIV refletiu sobre a missão de evangelização da Igreja, alertando contra o uso de uma linguagem “incompreensível, pouco comunicativa ou anacrónica”, que, segundo ele, torna a proclamação do Evangelho ineficaz.

Quando a Palavra de Deus se desliga das vidas concretas, das esperanças e dos sofrimentos das pessoas, explicou, perde o seu poder de chegar aos corações. O Papa encorajou a Igreja a adotar “métodos criativos” que permitam que o Evangelho se encarne na história.

Dando continuidade à sua série catequética sobre a “Dei Verbum”, a constituição do Concílio Vaticano II sobre a revelação divina, o Papa descreveu a Sagrada Escritura como um “espaço privilegiado de encontro” onde Deus continua a falar aos homens e mulheres de todas as épocas.

Alertou tanto contra as leituras fundamentalistas que ignoram os autores humanos da Escritura como contra as interpretações puramente técnicas que negam a sua origem divina, enfatizando que uma compreensão correta deve manter ambas as dimensões unidas.

“O Evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem meramente filantrópica ou social”, disse o Papa. “É a proclamação alegre da plenitude da vida e da vida eterna que Deus nos deu em Jesus.”

Esta história foi publicada pela primeira vez em duas partes pela ACI Prensa, o serviço irmão em língua espanhola da EWTN News. Foi traduzido e adaptado pela EWTN News English.

https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-warns-against-new-arms-race



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