O que a Bíblia diz sobre o casamento e a solteirona?
A Bíblia fala do matrimónio e da unicidade como dons de Deus, cada um com o seu próprio propósito no seu plano divino. No início, vemos que Deus criou o homem e a mulher para estarem unidos como «uma só carne» no pacto matrimonial (Génesis 2:24). Esta união é um reflexo do amor de Cristo pela Igreja, como São Paulo expressa lindamente em Efésios 5:31-32. O matrimónio é, portanto, uma vocação sagrada, abençoada por Deus como meio de santificação recíproca e para a fecundação de uma vida nova.(Köstenberger, 2011)
No entanto, nosso Senhor Jesus e São Paulo também falam do valor do celibato por causa do Reino de Deus (Mateus 19:12, 1 Coríntios 7:32-35). A unicidade permite que a pessoa seja devotada ao Senhor sem distrações, servindo-o com um coração indiviso. Vemos isso exemplificado na vida do próprio Jesus, de João Batista e de muitos santos ao longo da história.(Byun, 2015)
A chave é reconhecer que ambos os estados de vida – casados e solteiros – são caminhos de santidade quando vividos de acordo com a vontade de Deus. Nenhum dos dois é superior ao outro em um sentido absoluto. Pelo contrário, cada pessoa é chamada a discernir como Deus a convida a amá-Lo e a servi-Lo plenamente. (Köstenberger, 2011)
Devemos ter cuidado para não idolatrar o casamento como o único caminho para a felicidade e a realização. Também não devemos encarar a unicidade como uma maldição ou um sinal do desfavor de Deus. Ambos podem ser vividos com alegria e fecundidade quando colocamos Cristo no centro. O objetivo final não é o casamento ou a unicidade em si, mas a união com Deus e a edificação do seu Reino na terra.
Existe um «momento certo» para casar de acordo com as Escrituras?
Querido irmão, as Escrituras não prescrevem uma idade ou tempo específico para o casamento. Pelo contrário, eles oferecem sabedoria para nos guiar no discernimento quando podemos estar prontos para este compromisso sagrado. A ênfase está na maturidade espiritual e emocional, em vez de uma idade cronológica particular.
No Antigo Testamento, vemos exemplos de pessoas que se casam em várias fases da vida. Isaque tinha 40 anos quando se casou com Rebeca (Génesis 25:20), enquanto José provavelmente tinha 30 anos quando se casou (Génesis 41:45-46). O livro de Provérbios fala da importância de encontrar um cônjuge de caráter nobre (Provérbios 31:10-31), sugerindo que o discernimento e a sabedoria devem guiar o momento do casamento.
No Novo Testamento, São Paulo oferece orientação aos coríntios, reconhecendo que o casamento é bom, mas também destacando o valor da unicidade para o serviço dedicado ao Senhor (1 Coríntios 7:25-40). Ele aconselha que aqueles que se casam devem fazê-lo "no Senhor" (1 Coríntios 7:39), indicando a importância da fé e dos valores partilhados. (Byun, 2015)
O «momento certo» para o casamento, portanto, tem menos a ver com a idade e mais com a prontidão espiritual e a liderança de Deus. Alguns factores-chave a considerar podem incluir:
- Maturidade espiritual e um compromisso comum com Cristo
- Preparação emocional para os sacrifícios e desafios do matrimónio
- Experiência de vida e autoconhecimento suficientes
- Estabilidade financeira para sustentar uma família
- Sentimento da paz e da confirmação de Deus através da oração e de conselhos sábios
É importante recordar que o calendário de Deus pode diferir das nossas próprias expectativas ou pressões sociais. Alguns podem ser chamados a casar-se jovens, enquanto outros podem entrar em casamento mais tarde na vida. Outros ainda podem ser chamados a manter-se solteiros. Não há uma abordagem única.(Byun, 2015)
O mais importante é que procuremos a vontade de Deus com o coração aberto, confiando no seu momento e plano perfeitos para as nossas vidas. Como nos recorda Eclesiastes 3:11, «tornou tudo belo no seu tempo». Quer no casamento, quer na unicidade, a nossa vocação principal é crescer em santidade e amar mais plenamente a Deus e ao próximo.
Como posso discernir a vontade de Deus para a minha vida em relação ao casamento?
Discernir a vontade de Deus para a sua vida, especialmente em matéria de vocação e casamento, é um caminho de fé, oração e atenção aos movimentos do Espírito Santo. É um processo que exige paciência, humildade e uma confiança profunda no plano amoroso de Deus para a sua vida.
Devemos enraizar-nos na oração e nos sacramentos. Passe um tempo em adoração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento, permitindo que o seu coração esteja calmo e receptivo à voz de Deus. Como o Papa Francisco muitas vezes nos recorda, é no silêncio que podemos ouvir o sussurro suave do chamado de Deus. A participação regular na Eucaristia e na Reconciliação fortalecerá a vossa vida espiritual e a clareza do discernimento.(Camp, 2011)
Medite na Sagrada Escritura, em especial nas passagens que falam do amor de Deus, da sua fidelidade e da sua orientação. Os Salmos são uma bela fonte de conforto e sabedoria em tempos de discernimento. Permiti que a Palavra de Deus ilumine o vosso caminho e forme os vossos desejos de acordo com a Sua vontade.(Köstenberger, 2011)
Procure o conselho de pessoas sábias e santas – talvez um diretor espiritual, um sacerdote de confiança ou amigos cristãos maduros. Eles podem oferecer informações valiosas e ajudá-lo a ver a sua situação a partir de diferentes perspetivas. Lembrem-se, Deus fala-nos muitas vezes através da sabedoria e do amor dos outros na comunidade cristã.(Camp, 2011)
Preste atenção aos desejos do seu coração. Santo Inácio de Loyola ensina que Deus muitas vezes nos fala através dos nossos desejos mais profundos e autênticos. Se sentir um desejo persistente de casar-se, explore esse desejo em oração. Ao mesmo tempo, esteja aberto à possibilidade de que Deus possa chamá-lo a um caminho diferente. A chave é levar todos os teus desejos perante o Senhor em oração honesta. (Fiand, 2013)
Considerai vossos dons, talentos e as maneiras pelas quais vos sentis mais vivos em servir a Deus e aos outros. Como estes podem ser usados no casamento? Ou podem apontar para um chamado à vida solteira ou à vocação religiosa? A vontade de Deus está muitas vezes alinhada com as formas únicas como nos dotou para contribuir para o seu Reino.
Esteja atento aos «sinais dos tempos» na sua vida. Há oportunidades ou circunstâncias que parecem levá-lo ao casamento ou à solteirona? Embora não devamos basear o nosso discernimento apenas em fatores externos, Deus utiliza frequentemente os acontecimentos da vida para nos orientar.
Pratique viver no momento presente, abraçando plenamente o seu estado actual de vida. Quer seja solteiro ou em uma relação, procure amar e servir a Deus de todo o coração agora. Esta abertura e fidelidade prepararão o vosso coração para receber a vocação que Deus vos reserva.
Por último, confiar na bondade de Deus e na oportunidade perfeita. Discernimento não é sobre tentar ansiosamente descobrir um plano oculto, mas sobre crescer em relação a um Pai amoroso que quer o que é melhor para ti. Enquanto procurais a Sua vontade, descansai na certeza de Romanos 8:28: «Sabemos que todas as coisas trabalham em conjunto para o bem daqueles que amam a Deus, que são chamados de acordo com o seu propósito.»
Quais são os potenciais benefícios espirituais de manter-se solteiro?
Embora a vocação ao casamento seja bela e santa, o estado de unicidade cristã também oferece oportunidades únicas de crescimento espiritual e de serviço ao Reino de Deus. Pensemos em alguns dos potenciais benefícios espirituais de permanecermos solteiros, lembrando-nos sempre de que cada estado de vida tem as suas próprias graças e desafios.
A unicidade pode proporcionar uma liberdade especial para dedicar-se totalmente ao Senhor. Como São Paulo escreve em 1 Coríntios 7:32-34, "O solteiro está ansioso pelos assuntos do Senhor, como agradar ao Senhor; mas o homem casado está ansioso por assuntos mundanos, como agradar à sua mulher, e os seus interesses estão divididos.» Esta atenção indivisa às coisas de Deus pode levar a uma relação profunda e íntima com Cristo.(Byun, 2015)
A unicidade permite muitas vezes uma maior flexibilidade no serviço aos outros e na resposta ao apelo de Deus. Sem as responsabilidades do cônjuge e dos filhos, pode-se estar mais disponível para empenhar-se no ministério, no trabalho missionário ou no serviço aos pobres e marginalizados. Esta liberdade pode ser um poderoso testemunho do amor de Cristo e da realidade do seu Reino.(Fiand, 2013)
A vida individual pode favorecer uma dependência mais profunda de Deus e da comunidade cristã. Embora tal possa parecer inicialmente difícil, pode conduzir a uma experiência poderosa da provisão de Deus e da riqueza das amizades espirituais. À medida que se aprende a encontrar a sua identidade e segurança primárias em Cristo, e não numa relação humana, pode desenvolver-se uma profunda maturidade espiritual.
A unicidade proporciona oportunidades únicas para a autorreflexão e o crescimento pessoal. O tempo e o espaço que, de outra forma, poderiam ser dedicados ao cônjuge e à família podem ser usados para a oração, o estudo e o cultivo das virtudes. Esta atenção centrada na vida espiritual pode conduzir a grandes progressos na santidade (Fiand, 2013).
Para alguns, a individualidade pode permitir um compromisso mais radical com a simplicidade e o desapego das preocupações mundanas. Isto pode libertar a pessoa para viver mais plenamente para o Reino de Deus, abraçando um estilo de vida de generosidade e confiança na providência divina.
A vida individual também pode ser um poderoso testemunho da suficiência de Cristo e da realidade da fecundidade espiritual que não depende da procriação física. Aponta para a realidade escatológica onde, como ensina Jesus, não haverá casamento (Mateus 22:30).(Byun, 2015)
A individualidade pode cultivar uma empatia particular e disponibilidade para com os outros que podem estar sozinhos ou a lutar. A única pessoa, depois de ter experimentado o seu próprio caminho de encontrar a realização em Cristo sozinho, pode oferecer conforto único e sabedoria aos outros.
Estes benefícios são potenciais, não garantias. Viver uma vida única espiritualmente frutuosa requer intencionalidade, graça e uma entrega contínua à vontade de Deus. Nem sempre é fácil, mas pode ser um caminho de grande alegria e crescimento espiritual.
Lembremo-nos de que, seja casado ou solteiro, nosso chamado final é amar a Deus com todo o nosso coração, alma, mente e força, e amar o nosso próximo como a nós mesmos. A unicidade, quando abraçada como um dom de Deus, pode ser uma bela maneira de viver este mandamento e testemunhar o amor de Cristo no mundo.
Como posso encontrar contentamento em Cristo, solteiro ou casado?
A busca do contentamento está no centro da nossa viagem espiritual, independentemente do nosso estado de vida. Quer nos encontremos solteiros ou casados, nossa realização mais profunda vem de nossa relação com Jesus Cristo. Pensemos em como podemos nutrir este contentamento nEle.
Temos de nos ancorar na poderosa verdade do amor incondicional de Deus por nós. Como São Paulo nos lembra, nada pode separar-nos do amor de Deus em Cristo Jesus (Romanos 8:38-39). Este amor não depende do nosso estado civil ou de qualquer circunstância externa. Quando interiorizamos verdadeiramente esta realidade, ela torna-se uma fonte de alegria e paz que transcende a nossa situação de vida.(Köstenberger, 2011)
Cultive uma rica vida de oração que lhe permita experimentar a intimidade com Cristo. Passai tempo em adoração silenciosa, permitindo que Sua presença vos encha e satisfaça os mais profundos anseios de vosso coração. Como dizia Santo Agostinho, "Os nossos corações estão inquietos até que descansem em Ti, Senhor." A participação regular nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, alimentará a tua alma e fortalecerá a tua ligação a Cristo e à Sua Igreja. (Camp, 2011)
Pratique diariamente a gratidão pelas bençãos da sua vida, grandes e pequenas. O contentamento flui frequentemente de um coração que reconhece e aprecia os dons de Deus. Quer sejam solteiros ou casados, há alegrias e oportunidades únicas em cada estado. Concentre-se nestas bênçãos em vez do que percebe que lhe falta. (Fiand, 2013)
Envolva-se no serviço aos outros, permitindo que o amor de Cristo flua através de você. Quando nos concentramos nas necessidades dos outros e procuramos ser um canal do amor de Deus, muitas vezes encontramos o nosso próprio coração cheio no processo. Este foco exterior pode ajudar a aliviar os sentimentos de solidão ou descontentamento.
Cultivar amizades significativas e comunidade dentro do Corpo de Cristo. Não estamos destinados a caminhar sozinhos, e o apoio e o amor dos irmãos crentes podem ser uma grande fonte de alegria e contentamento. Quer sejamos solteiros ou casados, todos precisamos da riqueza da fraternidade cristã.(Byun, 2015)
Prosseguir o crescimento pessoal e o desenvolvimento dos dons dados por Deus. Envolva-se em atividades que lhe tragam alegria e lhe permitam expressar sua criatividade. Lembrem-se que o vosso valor e propósito não são definidos pelo vosso estado de relacionamento, mas pela vossa identidade como filhos amados de Deus.
Pratique a entrega e confie no plano de Deus para a sua vida. Muitas vezes, o contentamento surge quando lançamos as nossas próprias expectativas e calendários, confiando que o calendário e a sabedoria de Deus são perfeitos. Como nos encoraja Provérbios 3:5-6: "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não confies no teu próprio discernimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.»
Por fim, mantenha-se uma perspectiva eterna. A nossa realização final será encontrada no Céu, onde experimentaremos a perfeita união com Deus. Quer sejamos casados ou solteiros nesta vida, somos todos chamados a esta última "festa das bodas do Cordeiro" (Apocalipse 19:9). Que esta esperança seja uma âncora para a sua alma.
Lembrem-se de que o contentamento não é a ausência de desejo ou luta, mas a presença de Cristo no meio de nossas circunstâncias. É um fruto do Espírito que cresce à medida que permanecemos nele. Quer vos chame ao casamento ou à solteira, sabei que a Sua graça vos basta, e o Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza (2 Coríntios 12:9).
Que possais encontrar em Cristo a paz que excede todo o entendimento, guardando o vosso coração e a vossa mente (Filipenses 4:7). E que a vossa vida, solteira ou casada, seja um testemunho radiante do amor todo-satisfatório de nosso Senhor Jesus Cristo.
Sou chamado ao celibato se não tiver encontrado um cônjuge até uma certa idade?
O apelo ao celibato não é determinado pela idade ou pelas circunstâncias, mas por uma profunda vocação pessoal de Deus. Não é um estado padrão para aqueles que ainda não se casaram, mas um chamado positivo por direito próprio.
Lembremo-nos de que o nosso valor e propósito não são definidos pelo nosso estado civil, mas pela nossa identidade como filhos amados de Deus. Cada um de nós tem um caminho único na vida, moldado pelo plano de amor de Deus. Alguns são chamados ao matrimónio, outros ao celibato e, para muitos, este chamamento pode tornar-se claro em diferentes fases da vida.
O apóstolo Paulo fala do celibato como um dom (1 Coríntios 7:7), e não como um prémio de consolação para aqueles que não se casaram. É uma vocação especial que permite dedicar-se mais plenamente a Deus e ao serviço dos outros. Mas este chamado não é para todos, e não deve ser assumido simplesmente porque se atingiu uma certa idade sem casar-se.
Discernir a própria vocação – seja ao casamento ou ao celibato – é um processo de oração, reflexão e abertura à orientação de Deus. Envolve ouvir os desejos mais profundos do seu coração, examinar os seus dons e as formas como se sente chamado a servir, e procurar a sabedoria dos mentores espirituais.
Se vos encontrardes solteiros mais tarde na vida, isso não significa necessariamente que sejais chamados ao celibato permanente. O tempo de Deus nem sempre é o nosso tempo, e Ele pode ter planos para o casamento no vosso futuro. O mais importante é que continuem a crescer na fé, no amor e no serviço, permanecendo abertos à vontade de Deus para a vossa vida, independentemente da forma que possa assumir.
Lembrem-se, quer sejam casados ou solteiros, a nossa principal vocação é amar a Deus e amar o nosso próximo. Concentrem-se em viver plenamente este chamado em seu estado atual de vida, confiando que Deus os guiará em seu tempo perfeito.
Como posso continuar a honrar a Deus em minhas relações como uma única pessoa?
Honrar a Deus em nossas relações é um belo chamado para todos os cristãos, independentemente de seu estado civil. Enquanto pessoa única, tem uma oportunidade única de refletir o amor de Cristo de diversas formas.
Cultive a sua relação com Deus. Esta é a base de todas as outras relações. Passe um tempo em oração, meditação nas Escrituras e adoração. Permita que o amor de Deus encha o seu coração, para que possa transbordar nas suas interacções com os outros.
Nas vossas amizades, esforçai-vos por encarnar os frutos do Espírito: O amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio (Gálatas 5:22-23). Seja uma fonte de incentivo e apoio aos que o rodeiam. Pratique a escuta activa e a empatia, mostrando um cuidado genuíno pelas alegrias e lutas dos seus amigos.
Nas relações românticas, mantenha a pureza de coração e ação. Tratar os potenciais parceiros com respeito e dignidade, reconhecendo-os como filhos de Deus. Sejam honestos com as vossas intenções e valores. Procure construir relações que estejam enraizadas no crescimento mútuo na fé e na virtude.
Lembrem-se também da importância da comunidade. Envolva-se ativamente em sua igreja e comunidade de fé. Ofereça os seus dons e talentos ao serviço dos outros. Isto não só honra a Deus, mas também proporciona oportunidades para ligações significativas e crescimento pessoal.
Nas suas relações familiares, seja uma fonte de amor e apoio. Honrem seus pais, como os mandamentos instruem. Se tiver irmãos ou família alargada, nutrir essas relações com cuidado e atenção.
Em todas as suas relações, pratique o perdão e procure a reconciliação quando surgirem conflitos. Isto reflete o coração do Evangelho e honra o perdão de Deus para connosco.
Finalmente, usem a unicidade como uma oportunidade para a missão e o serviço. Pode ter mais flexibilidade para se voluntariar, envolver-se no ministério ou apoiar aqueles que precisam. Usando generosamente o vosso tempo e recursos, honrais a Deus e edificais o Seu reino.
Lembrai-vos de que honrar a Deus nas relações não é sobre perfeição, mas sobre esforço sincero e um coração voltado para Ele. Quando tropeçamos, voltamo-nos para a sua misericórdia e graça, procurando sempre crescer no amor e na santidade.
Que as suas relações sejam um testemunho do amor de Deus e uma fonte de alegria e crescimento para si e para os que o rodeiam.
Que papel a Igreja deve desempenhar no apoio aos solteiros cristãos?
A Igreja tem um papel vital a desempenhar para apoiar e nutrir todos os seus membros, incluindo aqueles que são solteiros. A comunidade de fé deve ser um local de acolhimento, inclusão e nutrição espiritual para todos, independentemente do estado civil.
A Igreja deve afirmar a dignidade e o valor das pessoas solteiras. Muitas vezes, há uma suposição tácita de que o casamento é o único caminho para uma vida cristã cumprida. Isto não é assim. A Igreja deve ensinar e demonstrar claramente que a unicidade, temporária ou permanente, é um estado de vida válido e valioso. Devemos reconhecer as contribuições únicas que pessoas solteiras fazem ao Corpo de Cristo e à sociedade em geral.
A Igreja deve proporcionar oportunidades para os solteiros crescerem na fé e na comunidade. Isso pode incluir grupos de estudo bíblico, reuniões de oração ou eventos sociais que não são exclusivamente focados em casais ou famílias. Criar espaços onde as pessoas solteiras possam conectar-se com os outros, partilhar as suas experiências e apoiar-se mutuamente na sua jornada de fé é crucial.
O cuidado pastoral dos solteiros é outro aspecto importante. Os líderes da Igreja devem ser sensíveis aos desafios e alegrias únicos da vida individual. Devem oferecer orientação espiritual, aconselhamento e apoio que abordem as necessidades específicas dos solteiros, como lidar com a solidão, discernir a vocação ou navegar nas relações.
A Igreja também pode desempenhar um papel em ajudar os solteiros a descobrir e usar seus dons no serviço à comunidade. Ao encorajar os solteiros a assumirem papéis de liderança, participarem do ministério e se envolverem em projetos de serviço, a Igreja não só se beneficia de seus talentos, mas também ajuda os solteiros a encontrarem propósito e pertencimento.
A Igreja deve estar atenta à linguagem usada nos sermões, nos ensinamentos e na vida comunitária. Assegurar que os exemplos e as ilustrações nem sempre se centram no casamento e na vida familiar, mas também incluem as experiências de pessoas solteiras.
Para os solteiros que desejam o casamento, a Igreja pode fornecer apoio na forma de programas de orientação, onde os casais podem oferecer orientação e sabedoria. Mas isso deve ser feito com sensibilidade, nunca pressionando solteiros ou fazendo-os sentir que seu estado atual está de alguma forma faltando.
A Igreja deve também abordar as necessidades práticas que os solteiros podem enfrentar. Tal poderá incluir a oferta de seminários de planeamento financeiro, a criação de redes de apoio para famílias monoparentais ou a organização de ajuda prática para as pessoas que vivem sozinhas.
O papel da Igreja é ser uma família para todos os seus membros, casados e solteiros. Deve ser um lugar onde todos se sintam valorizados, apoiados e capacitados a viver plenamente a sua fé. Ao abraçar e apoiar os seus membros individuais, a Igreja torna-se um reflexo mais verdadeiro do corpo diverso e belo de Cristo.
Como posso lidar com a solidão e os desejos insatisfeitos como uma única pessoa?
A experiência da solidão e dos desejos não realizados é um desafio poderoso que muitos enfrentam, especialmente aqueles que são solteiros. Sabei que não estais sozinhos nestes sentimentos, e que Deus está convosco nas vossas lutas.
É importante reconhecer e aceitar estes sentimentos. A solidão e os desejos não realizados são experiências humanas naturais. Eles não diminuem o teu valor ou a tua fé. Traga estes sentimentos a Deus em oração honesta. Os Salmos dão-nos belos exemplos de derramar o nosso coração a Deus, expressando tanto as nossas alegrias como as nossas tristezas.
Procure aprofundar a sua relação com Deus. Em tempos de solidão, lembrem-se de que nunca estão verdadeiramente sozinhos. Deus promete: «Nunca vos deixarei, nem vos abandonarei» (Hebreus 13:5). Cultivar práticas que o ajudem a experimentar a presença de Deus – a oração, a meditação das Escrituras, o culto e o tempo na natureza podem ser formas de estabelecer uma ligação com a Presença Divina.
Embora Deus seja a nossa realização final, Ele também nos criou para a ligação humana. Nutre ativamente os teus relacionamentos com a família, amigos e a tua comunidade de fé. Sejam intencionais na construção de amizades profundas e significativas. Estas ligações podem proporcionar apoio, alegria e um sentimento de pertença.
Envolva-se em atividades que lhe tragam alegria e realização. Perseguir as tuas paixões, desenvolver os teus talentos e encontrar formas de servir os outros. Muitas vezes, quando nos concentramos em usar nossos dons para abençoar os outros, encontramos nossos próprios corações erguidos.
Procure aconselhamento ou orientação espiritual. Um profissional treinado pode fornecer apoio e orientação valiosos à medida que navega nestes sentimentos e trabalha para o bem-estar emocional e espiritual.
Lembra-te que o teu valor não é determinado pelo estado da tua relação. Tu és infinitamente valioso e amado por Deus, assim como tu és. Concentre-se em crescer na virtude, no caráter e na fé. Estas são as verdadeiras medidas de uma vida bem vivida.
Para desejos não realizados, em especial o desejo de casamento, é importante mantê-los de mãos abertas. Traga-os a Deus em oração, mas também esteja aberto a como Deus pode estar trabalhando em sua vida agora mesmo. Às vezes, nossos desejos mais profundos são realizados de formas inesperadas.
Pratique a gratidão pelas bençãos da sua vida. Isso pode ajudar a mudar seu foco do que lhe falta para a abundância que tem. Todos os dias, tente identificar coisas específicas pelas quais agradece.
Finalmente, lembre-se de que as estações de solidão e os desejos não realizados podem ser momentos de grande crescimento espiritual. Eles podem aprofundar a nossa dependência de Deus e a nossa empatia pelos outros que lutam. Permita que estas experiências suavizem o seu coração e aumentem a sua compaixão.
É errado procurar ativamente o casamento ou devo apenas esperar pelo tempo de Deus?
Esta pergunta toca o delicado equilíbrio entre a ação humana e a providência divina. Não é errado desejar o casamento ou tomar medidas para encontrar um cônjuge. Deus muitas vezes opera através de nossas ações e decisões. Mas esta procura deve ser equilibrada com a confiança no calendário e no plano de Deus para a sua vida.
Prosseguir ativamente o casamento pode envolver vários passos positivos. Pode significar estar aberto a conhecer novas pessoas, participar em atividades sociais ou utilizar vias adequadas para estabelecer contactos com potenciais parceiros que partilhem os seus valores. Pode também envolver o crescimento pessoal – trabalhar para se tornar o tipo de pessoa com quem se espera casar.
Mas esta busca deve basear-se na oração e no discernimento. Buscai a orientação de Deus na vossa busca. Peça-Lhe para conduzi-lo à pessoa certa e preparar seu coração para o casamento. Esteja aberto à sua direção, que às vezes pode conduzi-lo de maneiras inesperadas.
Lembre-se de que «perseguir ativamente» não significa procurar desesperadamente ou comprometer os seus valores. Significa ser intencional e aberto, ao mesmo tempo que continua a confiar no plano de Deus. O seu foco principal deve estar sempre em crescer em sua relação com Deus e tornar-se a pessoa que Ele o chamou a ser.
É igualmente importante manter uma perspetiva saudável. Embora o casamento possa ser uma bela vocação, não é o único caminho para uma vida realizada. Não deixes que a procura do casamento se torne um ídolo ou o único foco da tua vida. Continuai a investir na vossa fé, nas vossas amizades, no vosso trabalho e no vosso crescimento pessoal.
Esperar no tempo de Deus não significa inação passiva. Significa viver ativamente ao máximo a sua vida atual, crescer na fé e no caráter, mantendo-se simultaneamente aberto à liderança de Deus. Significa confiar que o plano de Deus para a sua vida é bom, mesmo que não corresponda ao seu calendário ou às suas expectativas.
Se se sentir chamado a casar, é conveniente tomar medidas nesse sentido. Mas faça-o com uma atitude de abertura e entrega à vontade de Deus. Esteja disposto a ajustar os seus planos se sentir que Deus o conduz de forma diferente.
Lembrem-se das palavras de Provérbios 3:5-6: Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento; Sujeitai-vos a ele em todos os vossos caminhos, e ele endireitará os vossos caminhos.» Este equilíbrio de confiança e ação é fundamental.
Quer procurem ativamente o casamento ou esperem, o mais importante é manter o coração centrado em Deus. Buscai em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça, e confiai que Ele proverá todas as vossas necessidades - incluindo o desejo de companhia - no Seu tempo perfeito.
Que possais encontrar paz e alegria no vosso caminho, sabendo que sois amados e guiados por um Deus que deseja o vosso bem último.
Bibliografia:
Ajibade, B. O., & Mwalillanda, P. (2024). Foste
