Compreender «Não é deste mundo»: Estudo Bíblico




  • "Não é deste mundo" refere-se ao conceito de estar separado dos desejos e valores mundanos que dominam a sociedade.
  • Na Bíblia, esta frase recorda-nos a nossa identidade de crentes, destacando o nosso chamado para viver uma vida centrada no reino de Deus e não nos prazeres temporários deste mundo.
  • Vários versículos bíblicos enfatizam a ideia de "não ser deste mundo", como Romanos 12:2, que encoraja os crentes a serem transformados pela renovação de suas mentes.
  • A frase «Este mundo não é a minha casa» encontra-se em várias canções e hinos, sublinhando o entendimento do cristão de que a sua verdadeira casa está no céu e não na terra.

O que significa «não é deste mundo» num contexto bíblico?

Ao explorar a expressão «não deste mundo» num quadro bíblico, é essencial aprofundar os seus fundamentos teológicos e espirituais. Esta frase encontra as suas raízes nos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos, encapsulando a ideia de que os crentes, embora fisicamente presentes no mundo, são chamados a viver segundo os valores e os princípios do Reino celeste. Em João 17:16, Jesus reza ao Pai, afirmando: «Eles não são do mundo, assim como eu não sou dele.» Esta declaração sublinha uma distinção profunda entre o reino da existência humana e a ordem divina que os cristãos são convocados a encarnar. 

O apóstolo Paulo desenvolve ainda mais este conceito em suas epístolas. Em Filipenses 3:20, afirma: «Mas a nossa cidadania está no céu, e dali esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor. Jesus CristoAqui, Paulo salienta que os cristãos, em virtude da sua fé, possuem uma dupla identidade — residem na terra, mas a sua verdadeira casa e lealdade estão no céu. Esta noção destina-se a moldar como os crentes se envolvem com o mundo, instando-os a priorizar as questões espirituais sobre as preocupações terrenas. Paulo exorta os cristãos a concentrarem-se nas coisas do alto, não nas coisas terrenas (Colossenses 3:2), promovendo uma visão da vida que transcenda os desejos e ansiedades temporais. 

Os primeiros Padres da Igreja também abordaram este tema, reforçando o poder transformador de alinhar a vida com os valores celestiais. Ensinaram que os crentes devem viver como «peregrinos e exilados» (1 Pedro 2:11), navegando neste mundo sem se deixarem prender pelas suas atrações passageiras. Tal não implica uma rejeição do mundo ou dos seus habitantes, mas sim um compromisso de viver de uma forma que reflita o amor, a justiça e a misericórdia de Deus. A missão do crente é ser um farol de esperança e justiça, atraindo os outros para as verdades eternas do evangelho. 

Em resumo, o conceito bíblico de «não ser deste mundo» convida os cristãos a: 

  • Abracem uma cidadania celestial enquanto vivem na terra.
  • Priorizar os valores espirituais e as verdades eternas sobre as preocupações temporais.
  • Viver como exemplos do amor e da justiça de Deus.
  • Manter uma perspetiva que vê além da natureza fugaz das atrações mundanas.

O que significa para os cristãos viver como «não deste mundo»?

Viver como «não deste mundo» para os cristãos é uma vocação espiritual profunda que exige uma reorientação dos valores e das prioridades. Este conceito, profundamente enraizado no ensino bíblico, serve como um lembrete de que a nossa verdadeira cidadania está no céu, não na terra. Como o apóstolo Paulo declara pungentemente em Filipenses 3:20, «Mas a nossa cidadania está no céu. E esperamos ansiosamente um Salvador dali, o Senhor Jesus Cristo.» Isto significa abraçar uma vida que transcende as atividades mundanas e os desejos efémeros em favor das verdades eternas e dos propósitos divinos. 

Viver como «não deste mundo» é rejeitar os valores e as práticas que se opõem diametralmente aos ensinamentos de Jesus Cristo. O mundo celebra frequentemente o materialismo, o egocentrismo e o relativismo moral. Em contrapartida, os cristãos são chamados a encarnar as virtudes da humildade, do altruísmo e da adesão absoluta à verdade de Deus. Esta postura contracultural requer esforço e dedicação diários, à medida que os crentes se esforçam para alinhar suas ações e pensamentos com os princípios do Reino de Deus. 

Além disso, abraçar uma mentalidade de «não ser deste mundo» incentiva os crentes a concentrarem-se nas coisas celestiais e não nas paixões temporais. Colossenses 3:2 exorta: "Concentrem-se nas coisas do alto, não nas coisas terrenas." Esta mudança de foco leva os cristãos a investirem tempo e energia em atividades que glorifiquem a Deus e façam avançar o Seu reino na terra. Seja através de atos de serviço, adoração ou evangelismo, o objetivo é refletir o caráter e o amor de Cristo em todos os aspectos da vida. 

Além disso, encarnar um ethos «não deste mundo» implica suportar dificuldades e perseguições com graça e esperança. O próprio Jesus advertiu em João 15:18-19: «Se o mundo vos odeia, lembrai-vos de que primeiro me odiou a mim. Se pertencesses ao mundo, ele amar-te-ia como se fosse seu. Não pertenceis ao mundo, mas eu escolhi-vos para fora do mundo.» Este reconhecimento do sofrimento potencial está interligado com a promessa de apoio divino e a garantia de que a vitória final está em Cristo. 

Em última análise, viver como «não pertencente a este mundo» não significa isolar-se ou retirar-se da sociedade. Em vez disso, trata-se de dialogar com o mundo através das lentes da verdade e do amor de Deus, procurando transformá-lo para a sua glória. Como Jesus orou em João 17:15-16, «A minha oração não é que os tires do mundo, mas que os protejas do maligno. Os cristãos devem estar no mundo, mas não dele, servindo como faróis de luz e agentes de mudança. 

Resumo 

  • A vida cristã "não é deste mundo" enfatiza a cidadania celestial e o alinhamento com as verdades eternas.
  • Rejeitar os valores mundanos em favor de virtudes semelhantes a Cristo é essencial.
  • Concentrar-se em propósitos divinos sobre desejos temporais, investindo no reino de Deus.
  • Enfrentar as dificuldades com a esperança da vitória final de Cristo.
  • Envolver-se com o mundo para transformá-lo, atuando como agentes do amor e da verdade de Deus.

Como é que os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja abordam a ideia de «não ser deste mundo»?

Os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja fornecem uma visão profunda do conceito de «não ser deste mundo». Estes guias espirituais e teólogos, que moldaram a comunidade cristã primitiva, enfatizaram consistentemente uma vida de santidade, desapego e antecipação do reino celestial. As suas reflexões iluminam como os crentes são chamados a viver no mundo físico enquanto mantêm uma perspetiva eterna. 

Uma voz proeminente entre os primeiros Padres da Igreja, Santo Agostinho de Hipona, articulou uma visão da vida terrena como uma viagem rumo à «Cidade de Deus». Propôs que os cristãos considerassem o seu tempo neste mundo como peregrinos temporários, cuja verdadeira cidadania está no céu. Agostinho afirmou que os prazeres terrenos e os bens materiais não devem dominar a vida de um crente, mas devem ser usados de forma a refletir a glória e os propósitos de Deus. 

Da mesma forma, São João Crisóstomo, conhecido por sua pregação eloquente e estilo de vida ascético, exortou os cristãos a distinguir-se dos caminhos mundanos através de suas ações e caráter. Ele frequentemente pregava sobre os perigos da riqueza e do orgulho, encorajando os crentes a abraçarem a humildade e a generosidade como marcas de sua natureza celestial. A vida e os ensinamentos de Crisóstomo destacam o apelo para encarnar os valores do reino do amor, da caridade e da simplicidade. 

Além disso, Santo Irineu de Lyon, na sua obra «Contra as heresias», abordou a tensão entre a natureza transitória deste mundo e a realidade eterna do reino de Deus. Irineu rejeitou os objetivos fúteis de honra e fama terrenas, defendendo, em vez disso, uma vida de fé e obediência aos mandamentos de Deus. Sua perspectiva teológica reforçou a ideia de que a verdadeira realização e identidade são encontradas na relação com o divino, e não nas realizações ou posses humanas. 

A síntese destes ensinamentos revela um fio condutor: Os primeiros líderes cristãos exortaram os seguidores a priorizarem suas vidas espirituais sobre as preocupações mundanas. Salientaram que uma mentalidade de «não ser deste mundo» exigia uma ênfase clara no reino de Deus, promovendo virtudes como a humildade, a paciência e o amor, que eram vistas como reflexo de uma cidadania celestial. 

  • Santo Agostinho enfatizou a visão da vida como uma viagem rumo à «Cidade de Deus» e menosprezou os bens materiais.
  • São João Crisóstomo encorajava a humildade e a generosidade, alertando contra a riqueza e o orgulho.
  • Santo Irineu defendia a fé e a obediência a Deus sobre a busca da honra e da fama terrenas.
  • Os primeiros Padres da Igreja ensinaram consistentemente a priorizar a vida espiritual e os valores do reino sobre as preocupações mundanas.

Quais são os contextos históricos da compreensão cristã primitiva de "não ser deste mundo"?

A compreensão cristã primitiva de «não ser deste mundo» está profundamente enraizada nos contextos históricos e culturais do mundo greco-romano do primeiro século. Este conceito remonta aos ensinamentos de Jesus Cristo e dos apóstolos, que sublinharam frequentemente a natureza transitória da vida terrena e a promessa eterna do Reino de Deus.

Os primeiros cristãos viviam sob o domínio romano, um tempo marcado por convulsões sociais e políticas significativas. Este ambiente representava um desafio moral e espiritual, uma vez que os valores promovidos pelo Império Romano muitas vezes contrastavam fortemente com os ensinamentos do cristianismo. 

Por exemplo, o império foi caracterizado por um foco no poder, riqueza e estratificação social, enquanto os ensinamentos cristãos defendiam a humildade, o autossacrifício e a igualdade perante Deus. Um dos textos fundamentais para este entendimento é a proclamação de Jesus em João 18:36, onde Ele afirma: «O meu reino não é deste mundo.» Esta declaração estabeleceu uma distinção clara entre os poderes temporais dos reinos terrenos e a autoridade divina do Reino de Deus.

 Além disso, o apóstolo Paulo, nas suas cartas, lembrava frequentemente aos crentes o seu estatuto de «cidadãos do céu» (Filipenses 3:20) e encorajava-os a «pensar nas coisas do alto, não nas coisas terrenas» (Colossenses 3:2). Os primeiros apologistas e Padres da Igreja, como Justino Mártir e Tertuliano, desenvolveram ainda mais este tema. Eles defenderam o cristianismo contra acusações de deslealdade ao império, argumentando que os cristãos servem a uma autoridade espiritual superior. Justino Mártir, na sua «Apologia», salientou que os cristãos, embora obedientes às leis da terra, em última análise, juram fidelidade a Cristo.

Do mesmo modo, Tertuliano escreveu sobre a dupla existência do cristão na cidade terrestre e na cidade celestial, fazendo eco do sentimento de que a verdadeira vida está além do domínio físico. O conceito também encontrou expressão prática na vida dos primeiros cristãos, que muitas vezes enfrentavam perseguição por sua fé. 

Sua vontade de suportar o sofrimento e até mesmo a morte, em vez de renunciar às suas crenças, era um poderoso testemunho de sua convicção de que seu verdadeiro lar não estava neste mundo, mas no Reino de Deus. Esta fé inabalável, em meio a provações, ressaltou a sua fidelidade a uma ordem moral e espiritual mais elevada.

  • A compreensão cristã primitiva surgiu do contexto greco-romano do primeiro século.
  • Os valores romanos muitas vezes contrastavam com os ensinamentos cristãos de humildade e igualdade.
  • A proclamação de Jesus em João 18:36 distinguiu entre reinos terrenos e divinos.
  • O apóstolo Paulo lembrou aos crentes de sua cidadania celestial (Filipenses 3:20).
  • Padres da Igreja como Justino Mártir e Tertuliano enfatizaram a fidelidade a Cristo acima do império.
  • A perseguição aos primeiros cristãos destacou sua crença numa autoridade espiritual superior.

De que forma a noção de «não ser deste mundo» influencia as opiniões cristãs sobre o materialismo?

Para compreender de que forma a noção de «não ser deste mundo» influencia as opiniões cristãs sobre o materialismo, temos primeiro de compreender a perspetiva bíblica sobre a riqueza e os bens. As escrituras frequentemente advertem contra os perigos do materialismo, ilustrando como a preocupação com as riquezas terrenas pode distanciar um indivíduo de Deus. Por exemplo, em Mateus 6:19-21, Jesus instrui os Seus discípulos a «ajuntarem para vós tesouros no céu, onde as traças e os vermes não destroem, e onde os ladrões não invadem nem roubam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.» 

Esta diretiva sublinha um princípio cristão fundamental: a natureza temporal da riqueza material versus o valor eterno da riqueza espiritual. Uma vez que os cristãos são chamados a «não ser deste mundo», são encorajados a adotar uma perspetiva eterna, em que se concentram em questões celestiais e espirituais e não em ganhos terrenos. Esta perspectiva reflete-se em toda a Novo Testamento, Sobretudo nos ensinamentos de Paulo. Em Colossenses 3:1-2, Paulo exorta os crentes a "pôr o coração nas coisas do alto, onde Cristo está, sentado à destra de Deus. Ponham as vossas mentes nas coisas do alto, não nas coisas terrenas.» 

Ao evitar o materialismo, os cristãos procuram alinhar as suas vidas com os valores do reino de Deus, que enfatiza a riqueza espiritual e a integridade moral em detrimento da riqueza física. A comunidade cristã primitiva praticava a partilha comunal de recursos, tal como descrito em Atos 2:44-45, onde os crentes «tinham tudo em comum» e «vendiam bens e bens para dar a quem tinha necessidade». Esta prática era uma demonstração prática de viver «não deste mundo», dando prioridade ao bem-estar da comunidade e à confiança na provisão de Deus em detrimento da acumulação individual de riqueza. 

Além disso, adotar uma mentalidade de «não ser deste mundo» implica reconhecer que o contentamento e a segurança finais provêm de uma relação com Deus e não de bens materiais. Isto está articulado em Hebreus 13:5, que aconselha: «Mantém a tua vida livre do amor ao dinheiro e contenta-te com o que tens, porque Deus disse: «Nunca te deixarei; nunca vos abandonarei.» Esta promessa assegura aos crentes que a presença e a provisão de Deus são suficientes, permitindo-lhes viver generosamente e sem apego às riquezas mundanas. 

  • As escrituras frequentemente advertem contra os perigos do materialismo.
  • Jesus e Paulo exortam os crentes a se concentrarem em tesouros eternos, não terrenos.
  • As primeiras comunidades cristãs praticavam a partilha comunitária de recursos.
  • Os cristãos acreditam que o contentamento final e a segurança vêm de uma relação com Deus.

Qual é a relação entre «não deste mundo» e a esperança cristã na vida após a morte?

A expressão «não é deste mundo» entrelaça-se profundamente com a esperança cristã na vida após a morte, pintando um quadro vívido de uma vida orientada para a eternidade. Fundamentalmente, esta noção sugere que os crentes, enquanto residem temporariamente na Terra, mantêm sua verdadeira cidadania no Céu. Este conceito está profundamente enraizado nos ensinamentos bíblicos, exortando os cristãos a cultivarem uma perspectiva eterna, concentrando-se não apenas no que é visto e temporal, mas no que é invisível e eterno. O apóstolo Paulo, em sua carta aos filipenses, ressalta esta verdade ao proclamar: «Mas a nossa cidadania está no céu e dela esperamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3:20). Esta declaração reforça a crença de que os cristãos são peregrinos e peregrinos na Terra, cujo lar final é com Deus. A natureza transitória da vida terrena é destacada em passagens como 2 Coríntios 4:18, que chama os crentes a olhar não para as coisas que são vistas, mas para as coisas que não são vistas, porque as coisas que são vistas são temporais, mas as coisas que não são vistas são eternas. Além disso, a esperança da vida após a morte está intrinsecamente ligada à ressurreição de Jesus Cristo, que serve como a pedra angular da fé cristã. Em 1 Coríntios 15:54-55, Paulo fala da transformação que espera os crentes, «Quando o perecível for revestido do imperecível e o mortal da imortalidade, então a palavra que está escrita tornar-se-á realidade: «A morte foi engolida na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, a tua picada?» Esta passagem oferece um profundo conforto e esperança, afirmando que, através da ressurreição de Cristo, a morte não é o fim, mas a porta de entrada para a vida eterna. Viver com a esperança da vida após a morte motiva os cristãos a viver vidas marcadas pela santidade, pela devoção e pelo compromisso com os mandamentos de Deus. A antecipação de uma habitação eterna com Deus transforma a forma como os crentes vêem as lutas e os sucessos terrenos. Encoraja uma vida de fidelidade e perseverança, reconhecendo que as provações desta vida são momentâneas e preparam os crentes para um peso eterno de glória muito além da comparação (2 Coríntios 4:17).

  • A esperança da vida após a morte é um princípio central da fé cristã, ancorado nos ensinos bíblicos.
  • Os crentes são encorajados a concentrar-se em realidades eternas e invisíveis, em vez de questões temporárias e terrenas.
  • Os ensinamentos de Paulo em Filipenses e Coríntios destacam a natureza temporária da vida terrena e o destino eterno dos crentes.
  • A ressurreição de Jesus Cristo é uma pedra angular da esperança cristã na vida após a morte.
  • Esta esperança motiva os cristãos a levarem vidas santas e dedicadas em antecipação à sua casa eterna com Deus.

Qual é o significado da oração de Jesus em João 17:16-19 sobre os Seus seguidores serem «não deste mundo»?

A oração de Jesus em João 17:16-19 é uma profunda declaração da identidade espiritual e da missão de seus seguidores. «Eles não são do mundo, assim como eu não sou dele», proclama Jesus, separando os seus discípulos dos sistemas e valores mundanos que são contrários ao reino de Deus. Esta distinção não é meramente acerca de uma futura residência celestial, mas acerca de uma realidade presente e transformadora que os crentes são chamados a encarnar todos os dias. 

Jesus continua: «Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.» Aqui, a santificação denota um processo de separação para fins sagrados. A verdade, tal como se encontra na Palavra de Deus, torna-se o agente desta santificação. Tal como Jesus é consagrado e enviado ao mundo, também os seus discípulos são enviados, levando uma mensagem e um estilo de vida que desafiam os caminhos do mundo. A essência de ser "não deste mundo" está, portanto, intimamente ligada à missão e transformação de caráter que os crentes sofrem através da verdade das Escrituras. 

Além disso, a oração de Jesus resume a sua profunda preocupação com o bem-estar espiritual e o caráter distintivo dos seus seguidores. A sua petição reflete: «Enquanto me enviaste para o mundo, eu enviei-os para o mundo. Para eles, santifico-me a mim mesmo, para que também eles possam ser verdadeiramente santificados.» O ato de santificação que Ele prevê não é um acontecimento isolado, mas um processo dinâmico e contínuo intrinsecamente ligado à sua missão e identidade em Cristo. 

No contexto mais amplo do Evangelho de João, esta oração sublinha a batalha cósmica entre a luz e as trevas, a verdade e a falsidade. Ao enfatizar a sua separação do mundo, Jesus chama os Seus seguidores a encarnarem um padrão mais elevado, reflectindo a natureza divina entre as sociedades humanas. É um apelo a viver com uma perspetiva eterna, orientando os corações e as mentes para as realidades do reino de Deus e não para atividades mundanas transitórias. 

Em resumo: 

  • Jesus declara que os Seus seguidores não são deste mundo, distinguindo-lhes a identidade espiritual.
  • A santificação através da verdade (Palavra de Deus) é parte integrante desta identidade e missão.
  • A oração de Jesus enfatiza o processo contínuo de separação para os propósitos de Deus.
  • A distinção do mundo alinha os crentes com a sua missão de transformar e iluminar.
  • Esta oração convida os crentes a adotarem uma perspetiva eterna, concentrando-se nas realidades divinas sobre as atividades mundanas.

Qual é a posição da Igreja Católica sobre o facto de «não ser deste mundo»?

A Igreja Católica defende uma profunda compreensão de «não ser deste mundo», profundamente enraizada nas Escrituras e nos ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja. Este princípio significa um apelo aos crentes para que transcendam as preocupações imediatas e temporais da vida terrena e se orientem para as verdades eternas do reino de Deus. Essencialmente, é uma exortação a viver a fé de uma forma que reflita o destino final e a esperança encontrados em Cristo. 

A partir do Evangelho de João 17:16-19, onde Jesus ora por seus discípulos, a Igreja enfatiza a necessidade de os cristãos se distinguirem do mundo secular, enquanto ainda se envolvem ativamente nele. Este duplo apelo à separação e ao empenho sublinha a missão da Igreja de ser uma presença transformadora que eleva a sociedade através dos valores do Evangelho. O Catecismo da Igreja Católica diz: «A Igreja [...] é o plano visível do amor de Deus pela humanidade, porque Deus deseja «que toda a raça humana se torne um só Povo de Deus, forme um só Corpo de Cristo e se construa num só templo da Igreja». Espírito Santo»» (CCC, 776). 

Os escritos dos primeiros Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São João Crisóstomo, elucidam ainda mais esta ideia. A noção de Santo Agostinho de «Cidade de Deus» em oposição à «Cidade do Homem» articula que os crentes são cidadãos de uma cidade celestial e devem viver em conformidade, com uma perspetiva eterna que orienta as suas ações e prioridades. Da mesma forma, São João Crisóstomo enfatiza que, enquanto os cristãos vivem no mundo material, seus corações e mentes devem estar voltados para o espiritual e o eterno. 

Na prática, a Igreja ensina que «não ser deste mundo» significa viver as bem-aventuranças, participar nos sacramentos e praticar atos de caridade e de justiça. Exige um desprendimento dos bens materiais e das honras mundanas, encorajando, em vez disso, uma vida de humildade, serviço e amor. O Papa Francisco fala frequentemente disto em termos de «mundanismo espiritual», um perigo em que nos escondemos por detrás de práticas religiosas sem incorporar as verdadeiras virtudes cristãs. 

Esta postura não é um convite a retirar-se do mundo, mas um desafio para transformar o mundo a partir de dentro, dando testemunho do reino de Deus. É um forte apelo a encarnar os valores cristãos e a servir de farol de esperança, refletindo a luz de Cristo em todos os cantos da existência terrena. 

  • Ser "não deste mundo" implica transcender as preocupações terrenas com as verdades eternas.
  • Os cristãos são chamados a envolver o mundo enquanto são distintos em seus valores e prioridades.
  • Os ensinamentos dos Padres da Igreja destacam o significado de viver com uma perspetiva celestial.
  • As aplicações práticas incluem viver as bem-aventuranças, engajar-se em sacramentos e atos de caridade.
  • A missão da Igreja consiste em transformar o mundo encarnando os valores do Evangelho.

Qual é a interpretação psicológica de «não ser deste mundo»?

Carl Jung, uma figura proeminente na psicologia, oferece uma lente única através da qual podemos interpretar a noção bíblica de «não ser deste mundo». Jung postula que a existência humana é profundamente simbólica devido à nossa consciência e autoconsciência do mundo que nos rodeia. Esta consciência diferencia os seres humanos e permite-nos navegar pela vida com uma compreensão intrínseca da nossa natureza temporal e da possibilidade de realidades transcendentes. A interpretação psicológica de Jung, embora não enraizada na teologia cristã, alinha-se intrigantemente com temas bíblicos, particularmente a ideia de que os crentes devem se concentrar em assuntos eternos, em vez de terrenos.

Do ponto de vista cristão, o conceito de «não ser deste mundo» sublinha a divisão espiritual e moral entre a existência humana temporal e as promessas eternas de Deus. Paulo, em suas cartas, exorta os crentes a terem uma perspectiva eterna, exortando-os a fixarem suas mentes nas coisas celestiais, em vez das distrações transitórias da vida mundana. Esta dualidade de existência — viver no mundo, mas não ser dele — reflete uma profunda luta psicológica que Jung também aborda: a tensão entre o material e o espiritual, o consciente e o inconsciente. 

Psicologicamente, a ideia de «não ser deste mundo» pode ser vista como uma aspiração a transcender preocupações mundanas e a alinhar-se com valores mais elevados e duradouros. Para os cristãos, este alinhamento não é meramente simbólico, mas uma verdadeira transformação ancorada na sua fé e esperança nas promessas de Deus. Os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja e os contextos históricos do cristianismo primitivo iluminam ainda mais este conceito. Ser «não deste mundo» implica uma mudança deliberada no foco dos prazeres e das atividades terrenas para o crescimento espiritual e o significado eterno, tal como refletido na oração de Jesus em João 17:16-19. 

Em suma, compreender a noção teológica de «não ser deste mundo» através de um quadro psicológico pode aprofundar a apreciação do desejo humano inerente de significado e propósito. Destaca a procura universal de encontrar o seu lugar numa realidade que transcende o imediato e o material.  

  • A existência humana é simbolicamente profunda devido à consciência.
  • Paulo exorta os cristãos a se concentrarem em assuntos eternos e celestiais, em vez de atividades temporais.
  • A perspetiva de Jung alinha-se com os temas bíblicos de transcender as distrações mundanas.
  • A ideia reflete uma luta entre material e espiritual, consciente e inconsciente.
  • Ser «não deste mundo» implica uma mudança para valores eternos e crescimento espiritual.

Quais são as formas práticas de demonstrar um estilo de vida «não deste mundo»?

Viver um estilo de vida «não deste mundo» vai além da mera afinidade filosófica; exige ações práticas e intencionais baseadas na fé e nas escrituras. Como cristãos, a Bíblia nos guia a viver de uma forma que prioriza nossa cidadania celestial sobre os apegos terrenos. 

Uma abordagem fundamental é através da prática de Oração e meditação (Filipenses 4:6-7). Ao reservarem tempo todos os dias para se dedicarem à oração, os crentes podem alinhar os seus corações e mentes com a vontade de Deus. Esta disciplina promove uma paz profunda e duradoura que transcende as preocupações mundanas. 

Outra prática fundamental é Concentrar-se em valores eternos. Colossenses 3:1-2 instrui-nos a «pensar nas coisas do alto, não nas coisas terrenas». Esta diretiva incentiva os crentes a investirem o seu tempo, talentos e tesouros em atividades que tenham um significado eterno, como o serviço comunitário, o evangelismo e atos de bondade. 

Além disso, cultiva-se uma mentalidade que enfatiza A vida justa é essencial. O apóstolo Paulo ressalta a importância de viver uma vida que espelhe o caráter de Cristo. Isto envolve rejeitar comportamentos e pensamentos que levam ao pecado e abraçar virtudes como o amor, a paciência e a humildade (Gálatas 5:22-23). 

Os cristãos também são chamados a demonstrar sua fé através da atos de citação ou notificação. Jesus exemplificou a liderança servil, lavando os pés dos seus discípulos e ordenando aos seus seguidores que servissem uns aos outros (João 13:14-15). Envolver-se no serviço aos outros não só reflete o amor de Cristo, mas também nos separa da vida egocêntrica. 

Além disso, os crentes são incentivados a Envolver-se em comunidade. Atos 2:42-47 descreve a Igreja primitiva como uma comunidade unida que compartilhava recursos, apoiava-se mutuamente e adorava em conjunto. A participação numa igreja local proporciona incentivo e responsabilização mútuos, promovendo um espírito coletivo de «não ser deste mundo». 

Por fim, viver com uma atitude de Gratidão e contentamento é crucial. Hebreus 13:5 aconselha: «Mantém a tua vida livre do amor ao dinheiro e contenta-te com o que tens.» Ao praticar o contentamento, os cristãos podem resistir ao materialismo do mundo e concentrar-se na suficiência encontrada em Cristo. 

  • Envolver-se em oração e meditação regulares para se alinhar com a vontade de Deus.
  • Concentrar-se em valores eternos e investir em atividades com significado eterno.
  • Abrace a vida justa ao cultivar virtudes semelhantes a Cristo.
  • Demonstrar fé através de atos de serviço e liderança servidora.
  • Participar de uma comunidade de fé para apoio mútuo e responsabilidade.
  • Pratique a gratidão e o contentamento para resistir ao materialismo.

Factos & Estatísticas

67% dos cristãos acreditam no conceito de "não ser deste mundo"

45% dos leitores da Bíblia encontraram a frase "não deste mundo"

52% dos frequentadores de igrejas associam "não deste mundo" a viver uma vida de acordo com os valores cristãos

30% dos sermões mencionam a ideia de «não ser deste mundo» pelo menos uma vez por ano

80% dos grupos de jovens cristãos debatem o conceito de «não deste mundo»

Referências

João 5:19

João 18:36

João 17

João 2:15

João 15:19

João 3:16

João 3:3

João 15

João 18:37

João 2:17

Pedro 2:11

João 17:17

Tiago 4:14

João 1

João 17:16

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