O que a Bíblia diz sobre o adultério?




  • O adultério é uma traição significativa que afeta profundamente a identidade pessoal, a segurança e a fé espiritual dos cristãos.
  • A Bíblia apresenta o adultério como uma violação de um pacto sagrado, com graves consequências pessoais, relacionais e espirituais.
  • Jesus redefiniu o adultério enfatizando as intenções do coração, tornando os pensamentos luxuriosos tão graves como os atos físicos de infidelidade.
  • A restauração após o adultério é possível através do perdão e do arrependimento, destacando o poder redentor de Deus tanto para o traído como para o traidor.

Um Coração Traído: O que a Bíblia diz sobre o adultério, a cura e a esperança

A descoberta do adultério parece uma morte. Trata-se de uma traição que atinge o cerne da identidade, da segurança e da esperança de uma pessoa. Para um cristão, esta dor é muitas vezes ampliada por um sentimento de crise espiritual, uma violação de um pacto feito não apenas diante dos amigos e da família, mas diante do próprio Deus. A dor é uma «dor branca quente, como ser esfaqueado no coração e torcer a lâmina que nunca desaparece sem a cura sobrenatural de Deus».1

Infelizmente, este desgosto não é uma tragédia rara. As estatísticas sugerem que a infidelidade é chocantemente comum, mesmo dentro da igreja. Um estudo concluiu que 25% dos casamentos experimentam pelo menos um incidente de infidelidade, enquanto outro jornal informou que 70% de todos os americanos se envolvem em alguma forma de caso durante sua vida conjugal.1 Estes números confirmam o que muitos pastores e conselheiros sabem muito bem: O corpo de Cristo não está imune a este pecado devastador.

Quando um casamento é destruído pela infidelidade, pode parecer que não há caminho a seguir. O caminho está cheio de perguntas, pesar e confusão. Onde está Deus nisto? O que diz verdadeiramente a sua Palavra? Há alguma esperança de cura? Este artigo é uma viagem ao coração das Escrituras para encontrar essas respostas. É um guia para o traído, o traidor e para todos os casais que desejam construir um casamento sobre o alicerce sólido da verdade de Deus. A Bíblia não evita a feiúra do adultério, mas também não nos deixa sem esperança poderosa e vivificante. Oferece um caminho através das trevas, não da condenação, mas da luz, da verdade e do poder radical e restaurador do Evangelho.

O que a Bíblia quer dizer com "adultério"?

No centro da lei de Deus para as relações está um mandamento claro e solene, um dos Dez Mandamentos dados a Moisés no Monte Sinai: "Não cometerás adultério" (Êxodo 20:14).2 Esta proibição é enunciada de forma tão simples, sem qualquer necessidade de explicação elaborada, porque o seu significado central foi profundamente compreendido: É uma violação do vínculo sagrado do casamento.3 Para compreender plenamente o seu peso, mas devemos olhar para como este conceito se desdobra em toda a Escritura, desde a sua definição legal no Antigo Testamento até o seu poderoso significado espiritual no Novo.

A compreensão original: Termos hebraicos e gregos

A palavra hebraica usada para adultério no Antigo Testamento é nā’ap.4 Este termo refere-se, na maioria das vezes, à infidelidade conjugal, ou "traição" ao cônjuge.7 Mas os profetas também usavam

nā’ap num sentido figurado poderoso para descrever a infidelidade de Israel a Deus através da adoração de ídolos. Este adultério espiritual pôs em evidência o profundo sentimento de traição pessoal de Deus quando o povo do seu pacto se voltou para outros deuses.6 No Novo Testamento, a palavra grega é

moicheia (o substantivo para adultério) e seu verbo relacionado, moichaō.4 Como sua contraparte hebraica, refere-se diretamente à infidelidade conjugal.

Adultério no Antigo Testamento: Uma Questão de Pacto e Propriedade

No código jurídico do antigo Israel, a definição de adultério era bastante específica. Referia-se a relações sexuais entre qualquer homem (casado ou não) e uma mulher casada ou noiva de outro homem.9 O pecado era visto principalmente como um crime contra o marido da mulher. Tal deveu-se ao facto de, nessa cultura patriarcal, a lei estar profundamente preocupada com a proteção da integridade da linhagem familiar e dos direitos sucessórios12. Um caso de adultério poderia introduzir um filho de outro homem na família, comprometendo assim a linhagem e os bens do marido.

Devido a este foco, as relações sexuais entre um homem casado e uma mulher solteira, embora ainda consideradas um pecado (fornicação), não carregavam a acusação legal ou a severa pena de adultério.8 Esta distinção destaca uma grande mudança na compreensão que ocorre com os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.

Adultério no Novo Testamento: Violação da personalidade e da União «One-Flesh»

O Novo Testamento revela uma poderosa evolução teológica, movendo a compreensão do adultério de um crime centrado na propriedade para uma violação profundamente pessoal e pactual. Jesus redefiniu radicalmente os termos do debate. Em Marcos 10:11-12, declara: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra mulher comete adultério. contra ela. Se divorciar-se do marido e casar com outro homem, comete adultério».2

Foi uma declaração revolucionária. Pela primeira vez, a mulher é explicitamente designada como vítima direta da infidelidade do marido. O pecado já não é visto apenas como uma violação dos direitos de propriedade de outro homem; é um pecado direto «contra ela». Este ensinamento eleva a dignidade tanto do marido como da mulher, centrando o pecado na sagrada união «uma só carne» que Deus estabeleceu na criação (Génesis 2:24).1 Os escritos do apóstolo Paulo ecoam esta compreensão mútua da fidelidade no pacto matrimonial, em que o marido e a mulher pertencem um ao outro (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:2-4).2 Esta perspetiva do Novo Testamento refuta qualquer tentativa de minimizar a infidelidade de uma pessoa casada, independentemente do estado civil da outra pessoa envolvida. O ato em si é uma traição ao pacto, um pecado contra o próprio cônjuge e um pecado contra Deus.

Aspecto Compreensão do Antigo Testamento Compreensão do Novo Testamento
Definição Principalmente um homem a ter relações sexuais com a mulher ou noiva de outro homem.12 Qualquer infidelidade sexual por uma pessoa casada, homem ou mulher.11
Quem é o Injuriado? Principalmente o marido da mulher adúltera.12 O esposo, Deus e o eu.9
Preocupação principal Proteger a linhagem, os direitos de propriedade e a ordem social.12 Proteger a santidade do pacto de uma só carne e a pureza do coração.1
Textos-chave Levítico 20:10, Deuteronómio 22:22 Mateus 5:28, Marcos 10:11-12, Hebreus 13:4

Por que Deus leva o adultério tão a sério?

A condenação do adultério pela Bíblia é severa e inabalável. Está listado entre os pecados mais graves, aninhado nos Dez Mandamentos entre as proibições contra o homicídio e o roubo.7 Para compreender por que Deus leva este pecado tão a sério, devemos olhar além do ato físico para as poderosas realidades espirituais que viola. O adultério não é apenas violar uma regra. é um ataque à própria natureza da aliança, da intimidade e do caráter de Deus.

Violação de um pacto sagrado

Na Bíblia, o casamento é muito mais do que um contrato social ou um arranjo pessoal. É um pacto santo. O profeta Malaquias fala da mulher como «parceira, esposa do vosso pacto matrimonial» (Malaquias 2:14).15 Este pacto é uma promessa solene feita não só entre um homem e uma mulher, mas perante Deus como testemunha e garante final. O adultério destrói este voto sagrado. A pessoa infiel «deixa a companheira da sua mocidade e esquece-se da aliança do seu Deus» (Provérbios 2:17).15 Ao fazê-lo, tornam-se mentirosos, violando a sua promessa ao cônjuge e ao próprio Deus, que ordenou a união.15

Esta compreensão do adultério como o último ato anti-pacto é central para a sua gravidade. A principal forma de Deus relacionar-se com o Seu povo ao longo das Escrituras é através de um pacto — uma promessa vinculativa, exclusiva e fiel. Os profetas utilizam repetidamente a metáfora da infidelidade conjugal para descrever o pecado mais poderoso de Israel: Quebrar o seu pacto com Deus, voltando-se para os ídolos.7 Quando uma pessoa comete adultério, está agindo, da forma mais pessoal e dolorosa, o próprio pecado de traição que define a rebelião contra Deus. Isto explica a profunda ferida espiritual que o adultério inflige. espelha a traição que Deus sente de seu próprio povo infiel.7

Uma distorção da imagem de Deus

Deus concebeu a união «uma só carne» do casamento como um retrato vivo e respirável de uma realidade divina: a relação entre Cristo e a sua igreja.13 O apóstolo Paulo, em Efésios 5, desvenda este mistério, chamando os maridos a amarem as suas mulheres «tal como Cristo amou a igreja e se entregou por ela».17 O casamento destina-se a refletir o amor apaixonado, fiel e doador de Deus por um mundo observador.

Adultério mars esta bela imagem. Apresenta uma imagem distorcida e falsa do caráter de Deus. Em vez de refletir fidelidade, demonstra traição. Em vez de amor autodoador, demonstra luxúria que serve a si mesmo. Ao quebrar o pacto matrimonial, o adúltero distorce a mensagem evangélica que o casamento foi projetado para proclamar.13

Um Pecado Contra o Próprio Corpo

Num ensino único e poderoso, o apóstolo Paulo declara que o pecado sexual é fundamentalmente diferente dos outros pecados. Escreve: «Fugi da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que uma pessoa comete estão fora do corpo, mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo» (1 Coríntios 6:18).1 Isto porque, para o crente, o corpo não é apenas seu. É um «templo do Espírito Santo» e as suas partes são «membros do próprio Cristo» (1 Coríntios 6:19, 15).2 Tomar este corpo, que foi santificado e unido a Cristo, e uni-lo a alguém fora do pacto matrimonial é um poderoso ato de contaminação. É tomar algo santo e profaná-lo, unindo um membro de Cristo a uma prostituta.

Uma força destrutiva e poluente

As próprias palavras utilizadas para adultério em línguas antigas carregam um sentimento de contaminação. A raiz latina, adulterare, significa «poluir».7 As Escrituras falam de adultério que polui a terra (Jeremias 3:9) e contamina o leito sagrado do casamento (Hebreus 13:4).2 Mas a destruição mais grave está reservada à pessoa que comete o ato. O livro de Provérbios adverte com arrepiante clareza: «Mas o homem que comete adultério não tem sentido; Quem quer que o faça, destrói-se a si mesmo» (Provérbios 6:32).2 O patriarca Jó descreveu-o como um «fogo que consome até à destruição e eliminaria todo o meu aumento» (Jó 31:12).15 É um ato de suicídio espiritual, uma autodestruição poderosa e devastadora.

De que forma os ensinamentos de Jesus alteraram a nossa compreensão do adultério?

Quando Jesus abordou o tema do adultério em seu Sermão da Montanha, não abrandou a ordem. Intensificou-o. Ele tomou a proibição de uma questão de ação exterior e levou-a profundamente para o mundo interior do coração humano. Ao fazê-lo, ele expôs a inadequação de uma justiça puramente legalista e chamou seus seguidores a um novo padrão radical de pureza.

Do Ato Exterior à Atitude Interior

Jesus começou por reconhecer a compreensão comum da lei: "Ouvistes que foi dito: 'Não cometerás adultério'" (Mateus 5:27).2 Os líderes religiosos de Seu tempo, os escribas e fariseus, concentraram-se na meticulosa obediência externa. Enquanto uma pessoa evitasse o ato físico, podia considerar-se justa.13 Mas Jesus despedaçou esta autoconfiança com Suas próximas palavras: «Mas digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mateus 5:28).2

Este ensino teria sido totalmente chocante para os seus ouvintes. Jesus equiparou um desejo pecaminoso — um pensamento privado — ao pecado do próprio adultério, que era uma ofensa capital nos termos da lei.14 Revelou que a preocupação de Deus não é apenas com as nossas ações, mas com a fonte dessas ações: os nossos corações. Este ensino era uma ferramenta diagnóstica divina, destinada a quebrar o orgulho da justiça própria. Por este novo e mais elevado padrão, quem pode alegar ser inocente? O objetivo de Jesus não era simplesmente dar uma nova regra, mas revelar uma verdade universal: Todos pecaram e ficaram aquém, e todos estão em necessidade desesperada de uma justiça que vem de fora de si mesmos.14 Seu ensino foi concebido para esmagar nosso orgulho e levar-nos a reconhecer nossa necessidade de um Salvador.

A diferença fundamental entre a luxúria e a atração

É vital compreender o que Jesus estava — e não estava — a dizer. Ele não condenava a apreciação natural, dada por Deus, da beleza ou o simples ato de encontrar alguém atraente. A frase grega original, prós para epithymēsai, implica uma ação deliberada e intencional: procurando a fim de 14 É a diferença entre um olhar passageiro e um olhar intencional. É o pecado de "olhar", de envolver a imaginação para fantasiar e objetivar outra pessoa, despojando-a de sua dignidade como portadora de imagem de Deus e reduzindo-a a um objeto para a própria gratificação.14 A luxúria é inerentemente egocêntrica, o oposto do amor autodoador que o casamento deve encarnar.22

Um apelo radical para lutar contra o pecado

Jesus seguiu este poderoso ensino com uma declaração de hipérbole chocante: «Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e joga-o fora... E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-o e joga-o fora» (Mateus 5:29-30).13 Jesus não ordenava a automutilação. Usava uma linguagem dramática e inesquecível para ilustrar a seriedade mortal do pecado e as medidas radicais necessárias para combatê-lo. A batalha pela pureza é uma feroz guerra espiritual. Devemos estar dispostos a tomar medidas extremas, decisivas e até dolorosas para remover das nossas vidas qualquer coisa que nos leve à tentação - seja uma relação, um hábito mediático ou um percurso profissional.23

O adultério, o divórcio e a santidade da aliança

Jesus também ligou o adultério diretamente à questão do divórcio. Ele ensinou que um homem que se divorcia de sua mulher por qualquer outra razão que não a imoralidade sexual.porneia) «torna-a vítima de adultério, e todo aquele que se casa com uma mulher divorciada comete adultério» (Mateus 5:32).2 Este ensinamento revela a poderosa permanência do pacto matrimonial aos olhos de Deus. Um divórcio ilegítimo não dissolve verdadeiramente o vínculo de «uma só carne», o que significa que um novo casamento subsequente é, aos olhos de Deus, uma relação adúltera.3 Os ensinamentos de Jesus sobre o adultério, a luxúria e o divórcio apontam todos para a mesma verdade: O padrão de Deus para o casamento é o da fidelidade absoluta à aliança, a começar pela pureza do coração.

Quais são as consequências devastadoras do adultério?

A Bíblia não cobre as consequências do adultério. Apresenta-o como um pecado com consequências catastróficas que se arrastam para fora, causando destruição a todos os níveis: pessoais, relacionais, familiares e eternos. Enquanto a graça e o perdão são sempre possíveis, as feridas infligidas pela infidelidade são profundas e muitas vezes deixam cicatrizes permanentes.

A pena do Antigo Testamento: Um sinal de gravidade mortal

De acordo com a lei civil e religiosa dada à nação de Israel, o castigo por adultério era a morte tanto para o homem quanto para a mulher envolvidos (Levítico 20:10; Deuteronômio 22:22).28 Esta severa penalidade ressalta o quão grave Deus via este pecado. Era visto como uma ameaça fundamental à saúde e santidade da comunidade da aliança. Enquanto os cristãos de hoje não estão sob esta antiga lei teocrática, sua existência nas Escrituras serve como um testamento permanente para a natureza inerentemente mortal do adultério.

Destruição pessoal e espiritual

A vítima mais imediata do adultério é o próprio adúltero. O livro de Provérbios é implacável em suas advertências sobre a natureza autodestrutiva deste pecado. Declara que aquele que comete adultério «não tem sentido» e «destrui a sua própria alma» (Provérbios 6:32).19 O patriarca Jó descreveu-o como um «fogo que consome até à destruição» (Jó 31:12), destacando o seu poder arruinador e que tudo consome.15

Esta destruição manifesta-se de várias formas:

  • Perda de Honra: O adultério traz uma «ferida e desonra» e uma «reprovação» que não serão facilmente eliminadas (Provérbios 6:33).31 Pode levar anos de fidelidade comprovada para uma pessoa reconstruir uma reputação e ser considerada suficientemente «desculpada» para liderar na igreja (1 Timóteo 3:7).15
  • Cegueira espiritual: O ato de adultério separa a pessoa da luz de Cristo, levando-a a um mundo de trevas espirituais e engano (Provérbios 5:20).33
  • Bondage: O que começa como uma busca de prazer rapidamente torna-se uma forma de escravatura. O adúltero é apanhado "nas cordas do seu pecado" (Provérbios 5:22).31

Devastação Relacional e Familiar

A dor infligida ao cônjuge traído é imensurável. É uma poderosa violação da confiança, uma quebra do laço humano mais profundo.13 Esta traição repercute-se no exterior, causando imensos danos a toda a unidade familiar.

Talvez as vítimas mais trágicas e sub-discutidas de adultério sejam as crianças. Quando um progenitor é infiel, pode infligir uma ferida profunda e duradoura na alma de uma criança. A investigação e os testemunhos revelam uma lista de consequências dolorosas:

  • Trauma emocional: As crianças experimentam intensos sentimentos de confusão, raiva, abandono e traição. A sensação de segurança é despedaçada.34
  • Questões de confiança: Testemunhar os principais modelos de vida que quebram a confiança mais sagrada pode dificultar-lhes a formação de relações saudáveis e confiantes no futuro.35
  • Uma crise de fé: Esta é uma vítima escondida. Para uma criança criada num lar cristão, o adultério dos pais pode criar uma poderosa crise espiritual. A pessoa que os ensinou sobre a fidelidade de Deus foi profundamente infiel. Isto pode levar a uma quebra de confiança não apenas nos pais, mas em todo o sistema de crenças que representavam, causando uma perda de fé no Próprio Deus.36 A inconsistência entre a mensagem bíblica e as ações dos pais pode alterar a identidade.37
  • Impacto geracional: A dor cria frequentemente «ondulações geracionais», uma vez que as crianças de casas destruídas são mais suscetíveis de lutar contra a ansiedade, problemas comportamentais e o divórcio na sua própria vida adulta38.

Consequências eternas

O Novo Testamento é extremamente claro acerca das apostas eternas do pecado impenitente. O apóstolo Paulo adverte a igreja de Corinto de que «os iníquos não herdarão o reino de Deus» e enumera explicitamente os adúlteros nesta categoria (1 Coríntios 6:9-10).2 O livro de Hebreus adverte igualmente que «Deus julgará o adúltero e todos os sexualmente imorais» (Hebreus 13:4).19 Embora o perdão esteja disponível através do arrependimento e da fé em Cristo, um estilo de vida de adultério impenitente é prova de que uma pessoa não O conheceu verdadeiramente.3

O que é um «caso emocional» e é também um pecado?

No nosso mundo moderno e digitalmente interligado, um novo termo entrou no nosso vocabulário: o «caso emocional». Refere-se a uma relação em que uma pessoa desenvolve um vínculo emocional profundo e íntimo com outra pessoa que não o seu cônjuge, mesmo que a relação nunca se torne física. Embora a Bíblia não utilize este termo exato, os seus princípios mostram claramente que este tipo de relação constitui uma violação perigosa e pecaminosa do pacto matrimonial.

Definir o caso emocional

Um caso emocional acontece quando investe energia emocional, intimidade e apoio que pertencem legitimamente ao seu cônjuge numa relação com outra pessoa40. Trata-se de dar pedaços do seu coração42.

Há vários sinais-chave de alerta de que uma amizade está a cruzar a linha para um caso emocional:

  • Segredo: Encontra-se a esconder as suas conversas, mensagens de texto ou a extensão da sua relação do seu cônjuge. O sigilo é um indicador claro de que a relação é questionável.43
  • Partilha íntima: Começas a confiar nesta outra pessoa sobre as tuas lutas pessoais, sonhos e até mesmo os problemas do teu casamento - coisas que estás relutante em partilhar com o teu cônjuge.43
  • Comparação e crítica: Começa a comparar o seu cônjuge desfavoravelmente com o facto de se concentrar nas deficiências do seu cônjuge e na forma como esta outra pessoa parece «compreendê-lo» melhor.45
  • Antecipação: Aguarda o seu tempo com esta pessoa mais do que o seu tempo com o seu cônjuge. Tornam-se a primeira pessoa a quem se quer dizer quando algo de bom ou de mau acontece.44

Por que os assuntos emocionais são pecaminosos

Os ensinamentos de Jesus deixam claro que o pecado começa no coração muito antes de manifestar-se na ação física. Um caso emocional é um poderoso «adultério do coração».46 Viola os princípios fundamentais do casamento de várias formas:

  • Viola o princípio de «saída e clivagem»: O casamento exige que o marido e a mulher deixem todas as outras relações numa posição secundária e se «abram» exclusivamente um ao outro. Um caso emocional reverte isso, criando uma lealdade primária com um estranho.
  • É uma forma de idolatria: Muitas vezes, um caso emocional começa por causa da solidão, necessidades não satisfeitas ou um desejo de validação.41 A outra pessoa torna-se um ídolo funcional - uma fonte de conforto, afirmação e realização que deve ser procurada primeiro de Deus e depois alimentada dentro do pacto matrimonial. Em vez de levar suas mágoas a Deus, a pessoa se volta para um salvador humano. Este é um padrão clássico de idolatria, um culto secreto que não pode manter-se à luz da verdade.
  • É um caminho para o adultério físico: Os assuntos emocionais raramente são inofensivos e raramente permanecem puramente emocionais. A combinação de intimidade emocional, sigilo e atração natural é uma «receita potente» que quase inevitavelmente conduz ao adultério físico43. Testemunhos pessoais revelam frequentemente que um caso físico devastador começou com conversas «inocentes» e «passos de bebé» de ligação emocional49.

Para se protegerem deste pecado insidioso, os casais devem estar vigilantes. Requer honestidade radical, limites claros e um compromisso de nutrir a intimidade emocional. no interior o casamento, assegurando que os laços mais profundos do coração são reservados para aquele com quem estão vinculados.

O casamento pode ser restaurado depois do adultério?

Quando o adultério destrói um casamento, a dor pode parecer final. A confiança é quebrada, o pacto é violado, e o futuro parece sombrio. Perante tal devastação, coloca-se inevitavelmente a questão: A cura é sequer possível? Será que o casamento pode ser restaurado? A resposta da Bíblia é uma resposta retumbante, embora não fácil, sim. A restauração não é garantida, e nunca é simples, mas com Deus, é sempre possível.

A Fundação da Esperança: O caráter redentor de Deus

Toda a história da Bíblia é a história da busca incansável de Deus e da restauração do seu povo infiel. É um Deus que «cura os de coração partido e cura as suas feridas» (Salmo 147:3).38 O profeta Jeremias regista o apelo de Deus ao seu povo adúltero, Israel: "Volta, Israel incrédulo", diz o Senhor, "já não franzirei a testa contra ti, porque sou fiel" (Jeremias 3:12).

Este caráter redentor é mais poderosamente ilustrado no livro de Oseias. Deus ordena ao profeta Oseias que se case com uma mulher chamada Gomer, que é repetidamente infiel a ele. Deus então ordena a Oseias para ir e comprá-la de volta de sua vida de prostituição e restaurá-la como sua esposa. Este drama doloroso e real foi um sermão vivo, concebido para mostrar a Israel a profundidade do amor apaixonado e teimoso de Deus por eles, a sua noiva adúltera (Os 3:1).38 Se Deus puder restabelecer a sua relação com o seu povo infiel, pode habilitar um marido e uma mulher a fazerem o mesmo.

Os dois milagres da restauração

O caminho para a restauração não é uma fórmula; É um milagre. Na verdade, requer dois milagres distintos, mas interligados, capacitados pelo Espírito Santo.52

  1. O Milagre do Perdão: O cônjuge traído deve fazer o que lhe parecer impossível: Perdoa-me. Este perdão não é um sentimento, mas uma decisão. É um milagre que só é possível quando a pessoa ferida se torna oprimida pela magnitude do perdão de Deus para com ela em Cristo. Como ordena Efésios 4:32, devemos perdoar-nos « uns aos outros, como Deus vos perdoou em Cristo».52
  2. O Milagre do Arrependimento: O marido infiel também deve experimentar um milagre: Arrependimento sincero e verdadeiro. Isto é mais do que apenas arrependimento por ter sido apanhado. É uma tristeza profunda e piedosa que leva a um ódio ao pecado e a uma volta para a fidelidade total. Este arrependimento deve ser associado à longa paciência, já que o cônjuge infiel aceita humildemente que reconstruir a confiança é um processo longo e árduo que não pode ser apressado ou exigido.52

Testemunho do Evangelho

Embora a Bíblia permita o divórcio em caso de imoralidade sexual (Mateus 19:9), nunca o ordena.38 Quando um casal escolhe o difícil caminho da reconciliação, seu casamento torna-se um dos testemunhos mais poderosos do evangelho imaginável. Num mundo que prega a autoproteção e a despojamento, um casamento restaurado declara que o poder da cruz é maior do que a dor da traição. É um ato de guerra espiritual contra o inimigo que procura destruir o que Deus uniu.54 A sua história torna-se um sermão vivo, demonstrando aos seus filhos e à sua comunidade que a graça de Deus é verdadeiramente suficiente para tornar novas todas as coisas.38 Testemunhos pessoais de casais que percorreram este caminho confirmam que não só um casamento pode sobreviver, mas pode emergir mais forte, mais íntimo e mais centrado em Cristo do que antes da crise.55

Como perdoar uma mulher que foi infiel?

O perdão em face do adultério é um dos mandamentos mais difíceis de toda a Escritura. A ferida é tão profunda, a traição tão pessoal, que o próprio pensamento de perdoar pode sentir-se como uma negação da justiça e uma traição de si mesmo. No entanto, o apelo da Bíblia ao perdão é claro, coerente e central para a vida cristã. Compreender o que é o perdão bíblico - e o que não é - é o primeiro passo para esta cura milagrosa.

O perdão é uma ordem, não uma emoção

A Escritura apresenta o perdão não como uma resposta emocional, mas como um acto decisivo da vontade, um acto de obediência a Deus. A advertência de Jesus em Mateus 6:15 é gritante: «se não perdoardes aos outros os seus pecados, o vosso Pai não perdoará os vossos pecados».58 O apóstolo Paulo repete-o, ordenando-nos que «perdoemos como o Senhor vos perdoou» (Colossenses 3:13).58 Este mandamento não depende de a outra pessoa o «merecer» ou de nós «sentirmos» como ele. É um requisito para todos os que receberam o imensurável perdão de Deus.

O que é o perdão e o que não é

Grande parte da luta com o perdão vem de um mal-entendido do que isso implica.

  • O perdão não é esquecer. A memória da traição pode permanecer, mas o perdão opta por não se deter nela ou usá-la como uma arma.
  • O perdão não é desculpar o pecado. Não significa dizer: «Não foi nada de mais.» Reconhece todo o peso e a dor do pecado58.
  • O perdão não é a restauração imediata da confiança. A confiança é recuperada durante um longo período de fidelidade comprovada. O perdão é uma decisão feita pelos traídos. A confiança é uma resposta ao comportamento do traidor.52
  • O perdão é uma decisão de libertar o seu direito à vingança pessoal. É conscientemente escolher deixar de lado a amargura e o desejo de punir a pessoa que o magoou.58

O perdão como ato de fé na justiça de Deus

A principal barreira ao perdão é a profunda necessidade de justiça. O coração grita: «Isto não é justo! Não podem simplesmente safar-se desta situação!» O perdão bíblico não ignora este grito; Responde-lhe apontando para o único Juiz verdadeiro e justo. Quando perdoamos, não estamos a desfazer a dívida. Estamos a transferi-lo das nossas próprias mãos para as mãos de Deus. Estamos a fazer uma declaração de fé, dizendo: «Este pecado é tão grave, esta ferida tão profunda, que só Deus pode tratá-lo com justiça.» Estamos a confiar-lhe o resultado, recordando a sua promessa em Romanos 12:19: «É minha obrigação vingar-me; Eu retribuirei», diz o Senhor».60

Este acto de transferência liberta o cônjuge traído do peso esmagador e impossível de ser o juiz, júri e carcereiro. Permite-lhes ser honestos sobre a natureza horrível do pecado, ao mesmo tempo que são obedientes ao mandamento de Deus de perdoar. Não se trata de uma fraqueza; É um acto de poderosa força espiritual.

O Caminho para o Perdão

A viagem do perdão é um processo, muitas vezes longo e doloroso. Começa por reconhecer toda a extensão da ferida e levar essa dor crua a Deus na oração.60 Exige que o cônjuge infiel ofereça uma confissão plena e genuína, e exige que o cônjuge traído seja honesto sobre os seus próprios sentimentos de raiva e mágoa para evitar que uma «raiz de amargura» se instale (Hebreus 12:15).62 E porque a dor pode ressurgir uma e outra vez, o perdão deve tornar-se uma escolha diária, por vezes de hora a hora — um constante regresso ao pé da cruz, onde recordamos a razão última que podemos perdoar: Porque Cristo, ainda que fôssemos seus inimigos, perdoou-nos.58

Qual é a postura da Igreja Católica em relação ao adultério?

O ensinamento da Igreja Católica sobre o adultério é claro, firme e profundamente enraizado na sua compreensão do casamento como um sacramento sagrado e indissolúvel. A posição oficial encontra-se detalhada no Catecismo da Igreja Católica (CCC), que apresenta o adultério não só como um pecado grave, mas também como uma injustiça poderosa que atinge os fundamentos da família e da sociedade.

O adultério como um mal absoluto e a injustiça

O Catecismo define o adultério como «infidelidade conjugal», que ocorre quando duas pessoas, pelo menos uma das quais é casada com outra pessoa, se envolvem em relações sexuais.27 Fazendo eco do ensinamento de Jesus no Sermão da Montanha, a Igreja condena mesmo o «adultério de mero desejo» e afirma que o Sexto Mandamento e o Novo Testamento «proíbem absolutamente o adultério» (CIC 2380).27

A Igreja enquadra o adultério principalmente como uma «injustiça» (CCC 2381).27 Esta linguagem jurídica e pactual sublinha as violações específicas envolvidas. Adúltero:

  • Falhar no seu compromisso, Quebrar o contrato em que se baseia o casamento.
  • Prejudica o sinal da aliança, que o vínculo conjugal representa.

Transgride os direitos do outro cônjuge.

  • Prejudica a instituição do casamento e prejudica o bem-estar das crianças, que necessitam da união estável dos pais.27

A indissolubilidade do casamento e do divórcio

A posição católica é singularmente moldada pelo seu ensinamento de que um matrimónio sacramental válido é, pela sua própria natureza, indissolúvel. O que Deus uniu, nenhum ser humano pode separar-se. Consequentemente, a Igreja vê o divórcio civil como uma «grave ofensa à lei natural» porque afirma quebrar este vínculo inquebrável (CCC 2384).27

Isto leva a uma conclusão dura em relação ao novo casamento. Considera-se que uma pessoa que obtém um divórcio civil e entra numa nova união se encontra num estado de «adúltero público e permanente» (CCC 2384).27 Não se trata de um julgamento severo sobre as pessoas, mas de uma consequência lógica da crença de que o primeiro vínculo conjugal permanece intacto aos olhos de Deus. Esta posição explica por que, ao contrário de muitas denominações protestantes, a Igreja Católica não permite o novo casamento após o divórcio, a menos que o primeiro casamento tenha sido canonicamente declarado nulo (anulação), que é uma determinação de que um casamento sacramental válido nunca existiu em primeiro lugar.

Todo este quadro — definindo o adultério como uma injustiça e o novo casamento como adultério permanente — provém de uma teologia sacramental profundamente enraizada, em que o vínculo matrimonial é uma realidade objetiva e ontológica criada por Deus e defendida pela Igreja.

Que medidas práticas podemos tomar para provar o nosso casamento?

Embora nenhum casamento seja verdadeiramente «à prova de problemas» — uma vez que o pecado é sempre uma possibilidade para as pessoas caídas — os casais podem e devem tomar medidas práticas intencionais para construir uma fortaleza de proteção em torno do seu pacto. Não se trata de viver com medo ou legalismo; trata-se de viver com sabedoria. Com base nos princípios bíblicos e na experiência duramente conquistada de inúmeros conselheiros e casais, podemos identificar estratégias-chave para salvaguardar um casamento da ameaça da infidelidade.

Princípio 1: Construir Sebes e Limites Sábios

Numa cultura que muitas vezes valoriza as amizades casuais e a autonomia pessoal, a ideia de estabelecer limites estritos pode parecer restritiva. Mas, de um ponto de vista bíblico, estes limites não são prisões, mas barreiras de segurança, construídas não por falta de confiança, mas a partir de uma compreensão sábia da subtileza da tentação67. O adultério raramente começa com um salto dramático; começa com pequenos compromissos e «passos de bebé».49 Casais sábios chegam a acordo sobre sebes claras:

  • Evite situações ambíguas: Faça com que seja uma regra não estar sozinho com uma pessoa do sexo oposto, especialmente em ambientes privados, como um carro ou um escritório a portas fechadas. Se uma reunião for necessária, mantenha a porta aberta ou se reúna em um espaço público.17
  • Guarde as suas conversas: Não partilhe lutas pessoais íntimas ou problemas conjugais com um amigo do sexo oposto. Esse nível de vulnerabilidade está reservado ao seu cônjuge, a um homossexual de confiança ou a um conselheiro.67
  • Manter o profissionalismo: Evite namoriscar, mesmo que "inocentemente". Tenha cuidado com o contacto físico e vista-se de forma modesta e profissional, de modo a não enviar sinais involuntários67.

Princípio 2: Cultivar a Honestidade Radical e a Responsabilização

O pecado prospera na escuridão do segredo. A defesa mais poderosa contra ela é a luz da verdade.

  • Adotar uma política de «ausência de segredos»: Crie uma cultura de transparência no seu casamento. Isso pode incluir compartilhar senhas e dar um ao outro acesso aberto a telefones e contas de redes sociais. O objetivo não é vigiar uns aos outros, mas viver de tal forma que não haja nada a esconder25.
  • Confesse a tentação imediatamente: Se sentir uma atração ou atração emocional por outra pessoa, traga-a imediatamente para a luz. Confesse-o ao seu cônjuge e a um parceiro de confiança, maduro e responsável pelo mesmo sexo. Reconhecer a tentação a priva de seu poder secreto e alista aliados em sua luta pela pureza.25

Princípio 3: Intencionalmente nutrir o laço conjugal

Um caso muitas vezes enraíza-se no solo de um casamento negligenciado. A melhor defesa é um ataque forte: Investir de forma proativa e consistente na sua relação.

  • Priorize o seu marido: O seu casamento deve ser a sua prioridade humana número um — acima da sua carreira, dos seus passatempos, dos seus filhos e até dos seus próprios filhos72.
  • Investir tempo e comunicação: O tempo é a moeda do amor.25 Programe tempo regular e protegido para falar, divertir-se e conectar-se emocional e espiritualmente.
  • Satisfazer as necessidades uns dos outros: Aprenda o que faz o seu cônjuge sentir-se amado, respeitado e acarinhado, e depois trabalhe ativamente para satisfazer essas necessidades. Isso inclui nutrir uma relação sexual saudável e mutuamente satisfatória. O apóstolo Paulo adverte os casais para não se privarem uns dos outros, «para que Satanás não vos tente por causa da vossa falta de domínio próprio» (1 Coríntios 7:5).25

Princípio 4: Guarda o teu coração e a tua mente

A batalha final pela fidelidade não é travada no quarto ou na sala de reuniões, mas no coração e na mente.

  • Faça um pacto com os olhos: Como Jó, tome uma decisão consciente de não olhar concupiscentemente para outro (Jó 31:1).23 Isso significa afastar-se ativamente da pornografia e de outras formas de tentação visual que objetivam os outros e envenenam a alma.73
  • Sejam implacáveis com a tentação: Atende ao apelo radical de Jesus para «abrir os olhos». Esteja disposto a tomar medidas drásticas para eliminar qualquer fonte de tentação na sua vida, quer se trate de uma amizade, de um programa de televisão ou de uma conta nas redes sociais25.
  • Mantenha-se perto de Deus: A salvaguarda final é uma relação vibrante e pessoal com Jesus Cristo. Um coração que está verdadeiramente satisfeito nEle é muito menos propenso a vaguear à procura de prazeres menores.

Que esperança oferece o Evangelho tanto para os traídos como para os traidores?

Depois da devastação do adultério, o caminho a seguir pode parecer impossivelmente escuro. Para aquele que foi infiel, o peso da culpa e da vergonha pode ser esmagador. Para aquele que foi traído, a dor e a amargura podem parecer consumistas. Nesta escuridão, as soluções humanas ficam aquém. Só o evangelho de Jesus Cristo oferece uma esperança suficientemente forte para curar as feridas mais profundas e suficientemente poderosa para fazer novas todas as coisas.

Esperança para quem foi infiel

Se cometeu adultério, pode sentir que está além da graça de Deus. Mas a Bíblia conta uma história diferente.

  • A esperança do perdão: A história da mulher apanhada no próprio ato de adultério é uma pedra angular da esperança cristã (João 8:1-11). Seus acusadores estavam prontos para condená-la, mas Jesus, o único com o direito de fazê-lo, ofereceu graça em vez disso. Não a ignorou, Deu-lhe o nome e chamou-a para uma nova vida, dizendo: «Nem eu te condeno... Vai agora e deixa a tua vida de pecado».30 Esta mesma graça te é oferecida.
  • A esperança de uma nova identidade: O apóstolo Paulo, depois de incluir os adúlteros entre os que não herdarão o reino de Deus, oferece aos crentes esta promessa de tirar o fôlego: «E é isso que alguns de vós eram. Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Coríntios 6:11).3 Em Cristo, a vossa identidade já não é «adúltera». É «lavada», «santificada», «justificada». O vosso pecado não tem a palavra final; Jesus fá-lo.

Esperança para quem foi traído

Se foste traído, o teu coração está partido. O evangelho encontra-te naquele lugar de dor poderosa.

  • A esperança da presença de Deus: Não estás sozinho no teu sofrimento. A Escritura promete que «o Senhor está próximo dos quebrantados de coração e salva os que são esmagados em espírito» (Salmo 34:18).38 O próprio Deus conhece a dor da traição mais intimamente do que qualquer ser humano, tendo sido abandonado pelo seu próprio povo. Ele vê as tuas lágrimas e aproxima-se de ti na tua dor.
  • A esperança da justiça de Deus: Vocês podem libertar o fardo incapacitante da amargura e a necessidade de vingança, porque Deus é um Deus justo que promete corrigir todos os erros. Podeis confiar n'Ele para ser o Juiz perfeito, libertando-vos para buscar a cura.60
  • A esperança da cura divina: Deus é aquele que «cura os de coração partido e cura as suas feridas» (Salmo 147:3).38 Esta cura pode ou não incluir a restauração do vosso casamento, mas inclui sempre a restauração da vossa alma. Ele pode pegar nos pedaços despedaçados do teu coração e da tua vida e criar algo belo a partir das cinzas.

A esperança final: Um Coração Satisfeito em Jesus

O ensino bíblico sobre o adultério aponta-nos numa direção: a nossa desesperada necessidade de Jesus. Passos práticos e limites sábios são bons e necessários, mas a única proteção verdadeiramente duradoura contra um coração errante é um coração totalmente cativado por um amor maior. A raiz do adultério é a procura da vida, da validação e do prazer fora do perfeito desígnio de Deus48. O evangelho oferece a única satisfação verdadeira para esse anseio.

A cruz é onde a traição final da humanidade encontrou o amor final de Deus. É o único lugar onde a justiça perfeita e a misericórdia infinita abraçam-se. Para os infiéis, é a fonte do perdão completo. Para os traídos, é a fonte do poder sobrenatural de perdoar. E para cada pessoa, é o convite a encontrar a nossa alegria mais profunda, a nossa identidade mais verdadeira e a nossa satisfação mais poderosa, não numa relação humana falível, mas no amor perfeito e infalível de Jesus Cristo. Uma alma que bebe profundamente do seu rio de delícias não irá à procura de água em cisternas partidas e envenenadas.74 Esta é a esperança final e a salvaguarda final para cada coração.

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