O que significa «muitos são chamados, poucos são escolhidos» na Bíblia?
No Evangelho de Mateus, encontramos as palavras profundas e desafiadoras de nosso Senhor: «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» (Mateus 22:14). Esta frase conclui a Parábola da Festa do Casamento, uma parábola que nos convida a refletir profundamente sobre a nossa resposta ao generoso convite de Deus para o Reino dos Céus.
Na parábola, um rei prepara um banquete de casamento para seu filho e envia seus servos para convidar os convidados. Inicialmente, os convidados se recusam a vir, alguns até maltratam e matam os servos. O rei então estende o convite a todos os que seus servos podem encontrar, bons e maus, enchendo a sala de banquetes. No entanto, quando o rei entra para ver os convidados, ele encontra um homem que não usa roupas de casamento e ordena que ele seja lançado na escuridão.
Esta parábola ensina-nos várias lições importantes:
- O convite universal de Deus:O convite do rei representa o apelo de Deus a toda a humanidade para entrar no Reino dos Céus. Este apelo estende-se a todos, sem exceção, demonstrando a generosidade sem limites do amor e da misericórdia de Deus.
- Resposta humana:As respostas variadas ao convite do rei ilustram como as pessoas reagem ao chamado de Deus. Uns ignoram-na, outros rejeitam-na abertamente, enquanto outros aceitam-na mas não a levam a sério.
- Preparação e preparação:As vestes nupciais simbolizam a justiça e a nova vida que somos chamados a abraçar como seguidores de Cristo. O homem sem roupa de casamento representa aqueles que respondem ao chamado de Deus, mas não se preparam adequadamente para viver de acordo com a vontade de Deus.
- Julgamento Divino:A inspeção do rei aos convidados e a expulsão do convidado despreparado nos lembram que a entrada no Reino dos Céus requer mais do que apenas uma resposta positiva inicial; Necessita de uma vida transformada pela graça e comprometida com os ensinos de Cristo.
A frase «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» sublinha a realidade de que, embora o apelo de Deus seja alargado a todos, ser escolhido exige uma resposta sincera e uma verdadeira transformação. É um apelo a viver a nossa fé com integridade, humildade e amor, reconhecendo que a nossa participação no banquete divino é simultaneamente um dom e uma responsabilidade.
Ao ponderarmos estas palavras de Jesus, perguntemo-nos como estamos a responder ao chamado de Deus. Estamos a preparar-nos com as «roupas de casamento» da justiça e da santidade? Estamos a viver a nossa fé de uma forma que reflete o nosso compromisso com Cristo e os Seus ensinamentos? Abracemos o convite com alegria e seriedade, sabendo que, através da graça de Deus, podemos estar entre os escolhidos.
Resumo:
- A frase conclui a parábola da festa de casamento (Mateus 22:14).
- Representa o apelo universal de Deus a toda a humanidade para que entre no Reino dos Céus.
- As respostas variadas destacam a importância da prontidão e da transformação genuína.
- Enfatiza viver a nossa fé com integridade, humildade e amor.
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Como os teólogos interpretam a frase «Muitos são chamados, poucos são escolhidos»?
A frase «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» suscitou uma reflexão profunda e interpretações variadas entre os teólogos. Esta exploração ajuda-nos a compreender a interação entre a graça divina e a resposta humana no caminho da fé.
1. Soberania e Graça Divinas:
Alguns teólogos, em especial da tradição reformada, sublinham a soberania e a graça de Deus. Sugerem que, embora o apelo de Deus à salvação seja alargado a muitos, apenas alguns são escolhidos de acordo com a sua vontade divina. Este ponto de vista destaca o mistério da graça de Deus e a realidade de que a nossa salvação é, em última análise, um dom de Deus, e não algo que podemos ganhar.
2. O livre-arbítrio e a responsabilidade humana:
Outros teólogos destacam o papel do livre-arbítrio e da responsabilidade humana. Alegam que o apelo de Deus é genuinamente universal e que a escolha depende da forma como as pessoas respondem a esse apelo. Esta interpretação sublinha a necessidade do arrependimento, da fé e do compromisso de viver de acordo com os mandamentos de Deus. Chama-nos a participar ativamente na nossa salvação através das nossas escolhas e ações.
3. A Igreja e os Sacramentos:
Na teologia católica, a frase é muitas vezes compreendida dentro do contexto da Igreja e dos sacramentos. A Igreja ensina que através dos sacramentos, particularmente o batismo, todos são chamados a fazer parte do Corpo de Cristo. Contudo, ser escolhido implica um compromisso mais profundo de viver a graça sacramental recebida. Trata-se de uma contínua conversão e fidelidade aos ensinamentos da Igreja.
4. Conversão Contínua e Santidade:
Os teólogos contemporâneos sublinham muitas vezes a necessidade de uma contínua conversão e santidade. Eles vêem a frase como um chamado à transformação contínua, onde ser escolhido não é um evento único, mas uma viagem ao longo da vida de aproximar-se de Deus. Esta perspectiva ressoa com os ensinamentos do Papa Francisco, que frequentemente fala sobre a importância de uma fé dinâmica e viva, caracterizada pela misericórdia, a compaixão e o compromisso com a justiça.
Em todas estas interpretações, surge um fio condutor: o apelo para responder ao convite de Deus com um coração sincero e transformado. Recorda-nos que, embora a graça de Deus seja dada livremente, a nossa resposta a essa graça deve ser de fé e empenho ativos.
Ao refletirmos sobre esta frase, lembremo-nos de como estamos vivendo nosso chamado para sermos discípulos de Cristo. Estamos a abraçar a graça de Deus e a permitir-lhe transformar as nossas vidas? Estamos empenhados no caminho da conversão contínua e da santidade? Procuremos estar entre aqueles que não só são chamados, mas também escolhidos, vivendo a nossa fé com integridade e amor.
Resumo:
- Os teólogos oferecem interpretações variadas, enfatizando a graça divina e a resposta humana.
- Alguns destacam a soberania de Deus e o mistério da graça.
- Outros concentram-se no livre arbítrio humano e na necessidade de arrependimento e fé.
- Os pontos de vista contemporâneos enfatizam a conversão contínua e a santidade.
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O que significa ser "chamado" de acordo com a Bíblia?
Na Bíblia, ser «chamado» significa um convite de Deus a entrar numa relação com Ele e a participar na Sua missão divina. Este conceito é ricamente tecido ao longo das Escrituras, destacando tanto a universalidade do apelo de Deus como a resposta pessoal que exige.
1. Apelo Universal à Salvação:
A Bíblia revela que o apelo de Deus à salvação se estende a toda a humanidade. No Antigo Testamento, os profetas falavam frequentemente do apelo de Deus ao seu povo, convidando-o a regressar a Ele e a viver de acordo com o seu pacto. Isaías 55:1-3, por exemplo, é um belo convite de Deus para vir e receber as suas bênçãos livremente. No Novo Testamento, Jesus estende esta chamada através de seus ensinamentos e parábolas, enfatizando que o Reino dos Céus está aberto a todos os que respondem com fé.
2. Apelo pessoal ao discipulado:
Ser chamado também tem uma dimensão pessoal. O apelo de Jesus aos seus discípulos é um excelente exemplo disso. Quando Jesus chamou Pedro, André, Tiago e João, convidou-os a deixar suas vidas anteriores e segui-lo (Mateus 4:18-22). Este chamado ao discipulado não foi apenas um convite a seguir um conjunto de ensinamentos, mas a entrar numa relação pessoal com Jesus, a aprender d'Ele e a ser transformado pelo seu amor.
3. Apelo à Santidade e à Missão:
O chamado de Deus inclui um convite à santidade e à participação na sua missão. Nas Epístolas, Paulo frequentemente fala sobre ser chamado à santidade. Por exemplo, em 1 Tessalonicenses 4:7, Paulo escreve: «Porque Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade.» Este apelo à santidade é um apelo a viver de uma forma digna do Reino de Deus, refletindo o seu amor e graça nas nossas vidas.
4. Chamado a servir e amar:
Ser chamado significa também ser convidado a servir os outros e a viver o amor de Cristo. Na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37), Jesus ilustra que o nosso chamado inclui amar o próximo como a nós mesmos e agir com compaixão e misericórdia. Este apelo ao serviço é um aspeto essencial da vida cristã, uma vez que somos chamados a ser instrumentos do amor de Deus no mundo.
Em essência, ser "chamado" no sentido bíblico é receber um convite de Deus que engloba a salvação, o discipulado, a santidade e o serviço. É um chamado a entrar numa relação transformadora com Deus e a participar na sua obra redentora no mundo.
Ao considerarmos o nosso próprio apelo, reflitamos sobre a forma como estamos a responder ao convite de Deus. Estamos abraçando a plenitude deste chamado em nossas vidas, esforçando-nos para viver em santidade e servir os outros com amor? Procuremos responder ao apelo de Deus com o coração aberto, permitindo que a sua graça nos transforme e nos guie na sua missão.
Resumo:
- Ser «chamado» significa o convite de Deus para uma relação e a sua missão.
- Inclui um chamado universal à salvação e um chamado pessoal ao discipulado.
- Trata-se de um apelo à santidade, que reflete o amor e a graça de Deus.
- Engloba um apelo para servir os outros e viver o amor de Cristo.
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O que significa ser "escolhido" de acordo com a Bíblia?
Ser "escolhido" na Bíblia refere-se a ser selecionado por Deus para um propósito específico, missão ou relação. Este conceito está enraizado na soberania e graça de Deus e tem implicações significativas para aqueles que são escolhidos.
1. Escolhido pela Grace:
Ao longo das Escrituras, a ideia de ser escolhido está estreitamente ligada à graça de Deus. No Antigo Testamento, Israel é descrito como o povo escolhido de Deus, não por causa dos seus próprios méritos, mas por causa do amor e da promessa de Deus (Deuteronómio 7:6-8). Esta eleição pela graça é um tema fundamental, salientando que a escolha de Deus é um ato de amor e favor divinos.
2. Escolhido para a Missão:
Ser escolhido muitas vezes implica ser separado para uma determinada missão ou objectivo. No Novo Testamento, os apóstolos foram escolhidos por Jesus para serem os seus seguidores mais próximos e para cumprirem a sua missão (João 15:16). Esta escolha envolvia um chamado a testemunhar, a pregar o Evangelho e a servir os outros em nome de Deus.
de Cristo. Os escolhidos não são apenas destinatários do favor de Deus, mas também participantes do seu plano redentor.
3. Escolhido para a Santidade:
O chamado a ser escolhido inclui um chamado à santidade e santificação. Paulo escreve aos Efésios: «Ele escolheu-nos nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele» (Efésios 1:4). Este versículo salienta que ser escolhido envolve uma transformação à semelhança de Cristo, viver uma vida que reflete a santidade e a justiça de Deus.
4. Escolhido para a Comunidade:
Ser escolhido também coloca os indivíduos dentro de uma comunidade de crentes. Pedro escreve: «Mas tu és uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo para a sua própria possessão» (1 Pedro 2:9). Este aspeto coletivo de ser escolhido sublinha que a seleção de Deus traz os indivíduos para uma identidade comunitária com o objetivo comum de declarar os seus louvores e viver os valores do seu Reino.
5. Escolhido entre os desafios:
A narrativa bíblica também mostra que ser escolhido não isenta a pessoa de provações e desafios. José, escolhido por Deus para salvar a sua família e muitos outros, sofreu muito antes de cumprir o seu propósito (Génesis 37-50). Da mesma forma, os apóstolos enfrentaram a perseguição e o martírio. Escolher-se muitas vezes envolve um caminho marcado tanto pelo propósito divino quanto pelas dificuldades humanas.
Ser escolhido, portanto, é uma experiência profunda e humilhante. É um apelo a abraçar a graça de Deus, a participar na Sua missão, a buscar a santidade, a unir-se a uma comunidade de fé e a enfrentar fielmente os desafios que acompanham esta seleção divina.
Ao refletirmos sobre o que significa ser escolhido, consideremos como estamos a viver este chamado nas nossas próprias vidas. Estamos a abraçar a graça, a missão, a santidade, a comunidade e a perseverança que o ser escolhido implica? Procuremos viver como povo escolhido de Deus, fiel ao seu propósito e transformado pelo seu amor.
Resumo:
- Ser escolhido envolve ser escolhido por Deus para uma finalidade ou relação específica.
- É um acto de graça divina, não baseado no mérito humano.
- Inclui um apelo à missão, à santidade e à participação no plano redentor de Deus.
- Coloca os indivíduos numa comunidade de crentes e muitas vezes envolve desafios duradouros.
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Como é que o conceito de ser «escolhido» se relaciona com a graça e a salvação de Deus?
O conceito de ser «escolhido» está profundamente interligado com os temas da graça e da salvação de Deus, revelando as profundezas do amor e da misericórdia de Deus. Destaca a relação dinâmica entre a iniciativa divina e a resposta humana no caminho da fé.
1. A Graça como a Fundação:
No coração de ser escolhido está a graça imerecida de Deus. Efésios 2:8-9 nos lembra: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé. E isto não é obra tua; é o dom de Deus, e não o resultado de obras, para que ninguém se glorie.» Esta graça é o fundamento sobre o qual se constrói a nossa escolha. É a iniciativa de Deus, o seu apelo amoroso a nós, que nos conduz a uma relação com Ele. Somos escolhidos não por causa dos nossos méritos, mas por causa do seu amor e misericórdia infinitos.
2. A salvação como um presente:
A salvação é apresentada na Bíblia como um dom que decorre da graça de Deus. Ser escolhido por Deus significa ser convidado a receber este dom da salvação. Romanos 8:29-30 fala da obra predestinadora de Deus, «Para aqueles a quem Ele predestinou, Ele também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho... e para aqueles a quem Ele predestinou, Ele também chamou, e para aqueles a quem Ele chamou, Ele também justificou, e para aqueles a quem Ele justificou, Ele também glorificou.» Esta passagem mostra a ligação sem descontinuidades entre ser escolhido e o processo de salvação, culminando na glorificação com Cristo.
3. A transformação através da graça:
Ser escolhido implica uma transformação que se torna possível através da graça de Deus. Em 2 Coríntios 5:17, Paulo escreve: «Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O velho já passou. eis que chegou o novo.» Esta transformação é simultaneamente um privilégio e uma responsabilidade. Como pessoas escolhidas, somos chamados a viver vidas que reflitam a graça que recebemos, encarnando o amor, a compaixão e a santidade de Deus.
4. Um apelo à missão:
A nossa escolha implica também um apelo à missão. Tal como Jesus escolheu os apóstolos para realizar a sua obra na terra, também nós somos escolhidos para sermos as suas mãos e pés no mundo. Mateus 28:19-20, a Grande Comissão, estende esta missão a todos os crentes: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os... ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei.» Ser escolhido significa participar ativamente na missão redentora de Deus.
5. Garantia e Esperança:
O conceito de ser escolhido fornece aos crentes segurança e esperança. Saber que somos escolhidos por Deus, amados e chamados por Ele, dá-nos confiança na nossa salvação. Ela tranquiliza-nos da Sua presença constante e do Seu compromisso de levar a cabo a Sua obra em nós (Filipenses 1:6).
Ao contemplarmos a relação entre ser escolhido, a graça de Deus e a salvação, sejamos cheios de gratidão e de um compromisso renovado para viver o nosso chamado com fidelidade e alegria. Abracemos com humildade o dom da salvação e permitamos que a graça de Deus nos transforme, guiando-nos na nossa missão de partilhar o seu amor com o mundo.
Resumo:
- Ser escolhido está enraizado na graça imerecida de Deus.
- A salvação é um dom que decorre da graça de Deus e da nossa escolha.
- A transformação através da graça é um aspecto fundamental de ser escolhido.
- Ser escolhido envolve um apelo à missão e fornece segurança e esperança.
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Quais são alguns equívocos comuns acerca de Mateus 22:14?
A frase «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» (Mateus 22:14) conduz frequentemente a vários equívocos que podem obscurecer o seu verdadeiro significado. Estes mal-entendidos podem resultar de interpretações culturais, teológicas e pessoais que não se alinham com o contexto bíblico mais amplo ou com as intenções do ensino de Jesus.
1. Favoritismo Divino:
Um equívoco comum é que a frase sugere favoritismo divino, onde Deus arbitrariamente escolhe alguns indivíduos para a salvação, enquanto exclui outros. Esta interpretação pode levar a crer que o amor e o convite de Deus são limitados. No entanto, a parábola da festa de casamento, onde esta frase aparece, ilustra o apelo inclusivo de Deus a toda a humanidade. O convite do rei é alargado a todos, simbolizando o desejo de Deus de que todos façam parte do seu Reino. A distinção entre os chamados e os escolhidos põe em evidência a responsabilidade humana de responder ao convite de Deus.
2. A predestinação sem a intervenção humana:
Outro equívoco é que a frase apoia uma visão determinista da predestinação, onde o livre-arbítrio humano não desempenha nenhum papel na salvação. Alguns podem interpretar «poucos são escolhidos» como significando que apenas um grupo predestinado será salvo, independentemente das suas ações ou escolhas. No entanto, a parábola enfatiza a importância da resposta individual e da preparação. O homem sem vestes nupciais, que é expulso, representa aqueles que não conseguem viver a sua fé de forma autêntica e responsável.
3. Aceitação superficial:
Outro mal-entendido é a ideia de que apenas aceitar o convite é suficiente para ser escolhido. Este ponto de vista ignora a necessidade de uma aceitação genuína e transformadora do apelo de Deus. A veste nupcial na parábola simboliza a justiça e a nova vida que os crentes devem abraçar. Ser escolhido envolve mais do que apenas uma aceitação inicial. exige um compromisso contínuo e uma vida que reflita os valores do Reino dos Céus.
4. Exclusividade do convite à apresentação de propostas:
Alguns acreditam que a chamada em si é exclusiva, limitada a um grupo específico ou a pessoas escolhidas. No entanto, a parábola sublinha a natureza universal do chamado de Deus. O convite é alargado a «bons e maus», indicando que todos são convidados a participar no Reino de Deus. O desafio está em como os indivíduos respondem a este chamado, se se preparam adequadamente para fazer parte do banquete divino.
5. Interpretação errónea da prontidão:
Finalmente, há um equívoco sobre o que significa estar preparado ou merecer o convite. Alguns podem interpretar as roupas do casamento literalmente, sem o significado simbólico. O vestuário nupcial representa uma vida transformada pela graça de Deus, caracterizada pela justiça e obediência. Não se trata de aparências externas, mas da transformação interior e do compromisso de viver de acordo com a vontade de Deus.
Compreender esses equívocos nos ajuda a compreender a verdadeira mensagem de Jesus em Mateus 22:14. Chama-nos a uma resposta sincera e sincera ao convite universal de Deus, salientando a necessidade de uma vida que reflita a sua graça e justiça.
Resumo:
- O equívoco do favoritismo divino ignora o apelo universal de Deus.
- A predestinação sem ação humana ignora a importância da resposta individual.
- A aceitação superficial negligencia a necessidade de um compromisso e transformação contínuos.
- A crença na exclusividade da chamada desconsidera o convite universal.
- A interpretação literal da prontidão perde o significado simbólico da retidão e da transformação interior.
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Como diferentes denominações cristãs interpretam a frase «Muitos são chamados, poucos são escolhidos»?
As denominações cristãs oferecem diversas interpretações de «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos», refletindo os seus quadros teológicos e entendimentos da salvação, da graça e da responsabilidade humana.
1. Interpretação Católica Romana:
A Igreja Católica ensina que, embora o apelo de Deus à salvação seja universal, ser escolhido envolve uma resposta pessoal à graça de Deus, muitas vezes mediada através dos sacramentos. Os católicos acreditam que através do batismo, os indivíduos são iniciados na comunidade cristã e recebem a graça santificante. No entanto, manter-se em estado de graça requer contínua conversão e adesão aos ensinamentos da Igreja. A frase ressalta a necessidade de viver uma vida de santidade e participar da vida sacramental da Igreja.
2. Interpretação ortodoxa oriental:
A Igreja Ortodoxa Oriental compartilha semelhanças com o catolicismo, enfatizando a sinergia entre a graça divina e o livre-arbítrio humano. A ortodoxia ensina que o chamado de Deus é estendido a todos, mas ser escolhido envolve um processo contínuo de theosis, ou tornar-se mais semelhante a Deus através da cooperação com a Sua graça. Este processo é facilitado pela vida sacramental, pela oração e pelas práticas ascéticas. A frase ressalta a importância da vigilância espiritual e da busca da santidade.
3. Interpretações protestantes:
Dentro do protestantismo, as interpretações variam significativamente:
- Tradição Reformada (Calvinismo):Os calvinistas interpretam a frase através da doutrina da predestinação, onde Deus, em sua soberania, escolheu os eleitos para a salvação. Esta escolha não se baseia no mérito humano, mas apenas na vontade de Deus. O chamado à salvação é estendido amplamente, mas apenas os eleitos respondem positivamente e são finalmente salvos.
- Tradição Arminiana:Os arminianos enfatizam o livre-arbítrio humano e o alcance universal do chamado de Deus. Eles acreditam que, enquanto Deus chama todos à salvação, os indivíduos devem escolher livremente aceitar esse chamado. Ser escolhido depende da resposta à graça de Deus, destacando o papel da responsabilidade humana no processo de salvação.
- Tradições Evangélicas e Batistas:Estas tradições muitas vezes enfatizam a conversão pessoal e uma decisão por Cristo. Ensinam que muitos são chamados através da pregação do Evangelho, mas ser escolhido envolve a decisão de um indivíduo de aceitar Jesus como Salvador e Senhor. Esta aceitação conduz a uma vida transformada e a um discipulado ativo.
4. Interpretação anglicana:
A tradição anglicana oferece uma visão equilibrada, reconhecendo tanto a soberania de Deus como a responsabilidade humana. Os anglicanos afirmam que Deus chama todas as pessoas para a salvação, mas os indivíduos devem responder através da fé e obediência. A frase destaca a seriedade do discipulado e a necessidade de uma vida que reflita o compromisso de fé.
Todas estas interpretações sublinham a importância de uma resposta sincera e empenhada ao apelo de Deus. A frase «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» desafia os crentes a examinarem o seu próprio caminho de fé e a garantirem que vivem de acordo com a vontade de Deus.
Resumo:
- As tradições católicas romanas e ortodoxas orientais enfatizam a sinergia entre a graça e o livre-arbítrio, o que exige uma conversão contínua.
- A tradição reformada se concentra na predestinação, com Deus escolhendo os eleitos.
- A tradição arminiana destaca o chamado universal e o livre-arbítrio humano.
- As tradições evangélicas e batistas enfatizam a conversão pessoal e a decisão por Cristo.
- A tradição anglicana equilibra a soberania de Deus e a responsabilidade humana.
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O que os Padres da Igreja dizem sobre o significado de Mateus 22:14?
São João Crisóstomo, nas suas homilias sobre Mateus, recorda-nos que este ditado vem no final da parábola do banquete nupcial. Explica que os «muitos» que são chamados se referem a todos os convidados a participar no reino de Deus, enquanto os «poucos» que são escolhidos são aqueles que respondem de todo o coração a esse convite (Chrysostom, 2004). Crisóstomo salienta que o apelo de Deus é dirigido a todos, mas nem todos o aceitam ou cumprem as suas exigências. Escreve: «Porque o chamado era da graça; Por que, então, Ele castiga? Porque mesmo depois do chamado e de tão grande honra, continuaram a ser maus.» (Chrysostom, 2004)
Santo Agostinho, nas suas reflexões sobre a predestinação e a graça, vê neste versículo uma recordação da misteriosa eleição de Deus. Ele ensina que, embora o chamado do evangelho vá para muitos, é Deus quem, em última análise, escolhe e predestina alguns para a salvação (Agostinho, 2002). No entanto, Agostinho tem o cuidado de afirmar a responsabilidade humana, escrevendo que aqueles que não são escolhidos "perecem contra a vontade de Deus, que não se pode dizer que Deus tenha feito a morte" (Agostinho, 2002).
Orígenes oferece uma perspetiva interessante, sugerindo que existem diferentes níveis de ser "chamado" e "escolhido". Ele escreve que se pode ser "chamado para ser um apóstolo", mas não necessariamente "escolhido para ser um apóstolo", usando o exemplo de Judas (Agostinho, 1968). Isto recorda-nos a natureza contínua da nossa resposta ao apelo de Deus.
Os Padres da Igreja sublinham sistematicamente tanto o apelo universal de Deus à graça como a necessidade de uma resposta humana. Eles advertem contra a presunção, lembrando-nos que ser "chamado" através do batismo ou da adesão à Igreja não é uma garantia de salvação final. Como diz São Cirilo de Alexandria, «nem todos os israelitas pertencem verdadeiramente a Israel — pelo contrário, os filhos da promessa são considerados descendentes» (Jerome, 2010).
Em tudo isto, queridos amigos, vemos uma tensão entre a escolha soberana de Deus e o livre arbítrio humano. Os Padres não resolvem plenamente este mistério, mas chamam-nos a confiar na justiça e na misericórdia de Deus, a responder generosamente ao seu apelo e a perseverar na fé. Sejamos gratos pelo apelo de Deus nas nossas vidas e esforcemo-nos por estar entre os «escolhidos» através da nossa resposta fiel à Sua graça.
Como é que os estudiosos bíblicos reconciliam o conceito de «muitos são chamados, poucos são escolhidos» com a ideia do amor universal de Deus e do desejo de que todos sejam salvos?
Primeiro, devemos afirmar sem hesitação que Deus verdadeiramente deseja a salvação de todas as pessoas. Como São Paulo escreve a Timóteo, Deus «deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Esta vontade salvífica universal de Deus é uma verdade fundamental da nossa fé (Placher, 2015). O desafio consiste em compreender como isto se relaciona com as palavras de Jesus sobre os «poucos» que são escolhidos.
Muitos estudiosos enfatizam que a parábola da festa de casamento, que conclui com este ditado, não se destina a especificar o número de salvos versus condenados. Pelo contrário, destaca a importância de responder ao convite de Deus e de viver de acordo com ele (Chrysostom, 2004). Os «escolhidos» são aqueles que não só ouvem a chamada, mas agem em conformidade com ela, vestindo-se de justiça (Chrysostom, 2004).
Alguns teólogos, como Karl Barth, propuseram que, em Cristo, todos foram escolhidos, quer o saibam ou não. Contudo, esta visão enfrenta desafios bíblicos e lógicos (Bray, 2014). É importante manter tanto a oferta universal de salvação de Deus como a realidade da liberdade humana de a aceitar ou rejeitar.
Outros estudiosos apontam que os conceitos de "chamar" e "escolher" nas Escrituras são complexos. Há diferentes níveis de chamada e de escolha, desde a chamada geral que se dirige a todos, às vocações específicas dos indivíduos, à escolha final de quem persevera na fé (Agostinho, 1968; Chrysostom, 2004). Esta compreensão multifacetada pode ajudar-nos a ver que o apelo de Deus é, de facto, universal, mesmo que nem todos respondam da mesma forma.
Devemos também considerar o contexto pastoral do ensino de Jesus. As suas palavras sobre os «poucos» escolhidos podem destinar-se a desafiar a complacência e a encorajar um esforço sério na vida espiritual, em vez de fazer uma declaração definitiva sobre o número de salvos (Crisóstomo, 2004).
Em última análise, queridos amigos, temos de manter em tensão a verdade do amor universal de Deus e a realidade da liberdade humana. A graça de Deus é oferecida a todos, mas não se sobrepõe ao nosso livre arbítrio. Como ensina o Catecismo, «Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes no seu imediatismo. Por conseguinte, quando estabelece o seu plano eterno de «predestinação», inclui nele a resposta livre de cada um à sua graça» (CIC 600).
Confiemos na vastidão da misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, levemos a sério a nossa responsabilidade de responder ao seu apelo. Que possamos viver de tal forma que encorajemos os outros a reconhecer e aceitar o convite de Deus para a salvação. E lembremo-nos sempre de que o juízo final pertence apenas a Deus, cujo amor e sabedoria excedem em muito o nosso entendimento.
Que papel desempenha o livre arbítrio no conceito de ser «chamado» e «escolhido»?
Primeiro, devemos afirmar que o livre-arbítrio é um dom precioso de Deus, uma parte essencial do que significa ser criado à sua imagem. Como o Catecismo nos recorda, "a liberdade é o poder, enraizado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, e assim realizar ações deliberadas sob a própria responsabilidade" (CCC 1731) (McBrien, 1994, n.d.). Esta liberdade é fundamental para a nossa dignidade de pessoas humanas e para a nossa capacidade de amar a Deus e ao próximo.
No contexto de ser «chamado» e «escolhido», o livre-arbítrio desempenha um papel crucial. O apelo de Deus estende-se a todos – é universal e incondicional. Como vemos na parábola da festa de casamento, o convite é estendido amplamente (Bray, 2014; Placher, 2015). Mas o nosso livre arbítrio entra em jogo na forma como respondemos a esse apelo. Aceitamos o convite? Vestimos a roupa do casamento? Vivemos de acordo com as exigências do evangelho?
Os Padres da Igreja, na sua sabedoria, reconheceram esta interação entre a graça divina e a liberdade humana. Santo Agostinho, que refletiu profundamente sobre estas questões, insistiu que, embora a graça de Deus seja necessária para a salvação, não se sobrepõe ao nosso livre arbítrio. Escreveu: «Quem vos criou sem vós não vos justificará sem vós» (Parsons, 2014). A nossa cooperação com a graça é essencial.
Ao mesmo tempo, devemos ter cuidado para não cair no erro do pelagianismo, que enfatiza excessivamente a capacidade humana à custa da graça divina. O nosso livre arbítrio foi enfraquecido pelo pecado e precisamos constantemente da graça de Deus para escolher o bem (Placher, 2015). Como nos recorda São Paulo, «é Deus que opera em vós tanto o querer como o trabalhar para o seu beneplácito» (Filipenses 2:13).
Ser «escolhido», no sentido bíblico, não se trata de Deus selecionar arbitrariamente uns e rejeitar outros. Pelo contrário, refere-se àqueles que, pela graça de Deus e pela sua própria resposta livre, perseveram na fé e no amor (Bray, 2014). O nosso livre arbítrio desempenha um papel neste processo de santificação, uma vez que optamos continuamente por cooperar com a graça de Deus nas nossas vidas.
Queridos amigos, lembremo-nos de que nossa liberdade encontra sua expressão mais plena não em fazer o que quisermos, mas em escolher livremente amar a Deus e seguir sua vontade. Como bem disse Santo Agostinho, a verdadeira liberdade não é a capacidade de pecar, mas a bem-aventurada incapacidade de pecar que advém de estarmos tão firmemente enraizados no amor de Deus que já não queremos afastar-nos d'Ele (História da Igreja Cristã Complete Eight Volumes In One, n.d.).
Na nossa vida quotidiana, exercitemos o nosso livre arbítrio para responder generosamente ao apelo de Deus. Escolhamos, uma e outra vez, vestir as vestes nupciais da justiça, viver de acordo com o evangelho e amar a Deus e ao próximo. E façamo-lo com humildade, sempre conscientes da nossa necessidade da graça e da misericórdia de Deus.
Que o Espírito Santo nos guie a usar bem a nossa liberdade, para que possamos ser "chamados" e "escolhidos" em Cristo, para a glória de Deus Pai. Amém.
