O que a Bíblia diz sobre quem não pode entrar no céu?
As Escrituras falam claramente sobre certas categorias de pessoas que, sem arrependimento e transformação, não podem entrar no Reino dos Céus. Em sua primeira carta aos Coríntios, São Paulo fornece uma lista sóbria: Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os sexualmente imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os homens que praticam a homossexualidade, nem os ladrões, nem os gananciosos, nem os bêbados, nem os injuriosos, nem os trapaceiros herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6:9-10).
Do mesmo modo, no livro de Apocalipse, encontramos outra lista: "Quanto aos covardes, aos incrédulos, aos detestáveis, aos assassinos, aos sexualmente imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte" (Apocalipse 21:8).
Psicologicamente, podemos ver como estes comportamentos representam um desalinhamento fundamental do coração humano com a vontade de Deus. Refletem um estado de ser que é incompatível com o perfeito amor e santidade do Céu. No entanto, devemos ter o cuidado de não julgar, pois somos todos pecadores que necessitam da graça de Deus.
Historicamente, a Igreja tem lidado com estes ensinamentos, procurando equilibrar o apelo à santidade com o reconhecimento da fragilidade humana. O desenvolvimento da doutrina do Purgatório, por exemplo, reflete o entendimento da Igreja de que muitas almas podem precisar de mais purificação antes de entrarem na plena presença de Deus.
É crucial notar que estas passagens não sugerem que aqueles que cometeram tais pecados estão além da redenção. São Paulo segue a sua lista com estas palavras de esperança: «E esses foram alguns de vós. Mas vós fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus" (1 Coríntios 6:11). Esta passagem recorda-nos que a redenção é sempre possível, independentemente da profundidade dos pecados. No contexto do sacrifício de Cristo, o significado profundo doAs Sete Últimas Palavras de Jesus« ressoa profundamente, salientando o perdão e a esperança. Estas declarações finais oferecem a garantia de que, mesmo em nossos momentos mais sombrios, a transformação e a graça estão ao nosso alcance.
No nosso cuidado pastoral e na nossa própria vida espiritual, apeguemo-nos sempre à esperança da redenção, mesmo quando levamos a sério as advertências da Bíblia sobre as consequências do pecado impenitente. Pois, no final, é a misericórdia e a justiça de Deus que prevalecerão, e confiamos na sua perfeita sabedoria e amor.
Há pecados específicos que impedem as pessoas de irem para o céu?
Nas passagens que examinamos anteriormente, como 1 Coríntios 6:9-10 e Apocalipse 21:8, vemos listas de pecados específicos que são incompatíveis com a herança do Reino de Deus. Estes incluem imoralidade sexual, idolatria, roubo, ganância, embriaguez, calúnia e engano, entre outros. O próprio Jesus fala da gravidade da blasfêmia contra o Espírito Santo, dizendo: «Portanto, eu vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada» (Mateus 12:31).
Psicologicamente, podemos compreender estes pecados como manifestações de um coração que está fundamentalmente afastado de Deus. Representam um estado de ser que se opõe ao amor, à santidade e à verdade que caracterizam o Reino de Deus. Cada um destes pecados, à sua maneira, distorce a imagem de Deus na qual fomos criados e prejudica a nossa relação com Ele e com os outros.
Historicamente, a Igreja tem lidado com o conceito de pecados mortais - as ações graves cometidas com pleno conhecimento e consentimento deliberado que podem nos separar de Deus se não nos arrependermos. Este ensinamento desenvolveu-se como uma forma de compreender a gravidade de certos pecados, enquanto ainda afirmava a possibilidade de arrependimento e perdão.
No entanto, temos de ter o cuidado de não cair numa mentalidade legalista que reduza a nossa fé a uma mera lista de controlo do que fazer e do que não fazer. O cerne da questão não é simplesmente evitar certas ações, mas a orientação de todo o nosso ser para Deus. Como dizia sabiamente Santo Agostinho, «Ama a Deus e faz o que quiseres.» Quando amamos verdadeiramente a Deus, os nossos desejos alinham-se com a Sua vontade e, naturalmente, afastamo-nos do pecado.
É também crucial compreender que nenhum pecado, exceto a rejeição final da graça de Deus, está fora do alcance da misericórdia divina. O Catecismo da Igreja Católica recorda-nos que «não há limites para a misericórdia de Deus, mas quem deliberadamente se recusa a aceitar a sua misericórdia arrependendo-se, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo» (CCC 1864).
Como pastores e como companheiros peregrinos no caminho da fé, o nosso papel não é condenar, mas chamar à conversão. Temos de proclamar a gravidade do pecado e, ao mesmo tempo, apontar para as profundezas insondáveis do amor e do perdão de Deus. Encorajemo-nos mutuamente ao arrependimento contínuo e ao crescimento da santidade, recordando sempre que é a graça de Deus que nos transforma e nos torna aptos para o Céu.
Nas nossas reflexões sobre este tema, mantenhamos sempre diante de nós a imagem do filho pródigo, acolhido em casa pelo pai de braços abertos. Pois este é o coração de nosso Pai Celestial para com todos os que se voltam para Ele em arrependimento e fé.
Pode alguém perder a salvação e ser barrado do céu?
Esta pergunta aborda uma das questões mais poderosas e, por vezes, controversas da teologia cristã – a segurança da salvação. Ao explorarmos este tópico, devemos fazê-lo com humildade, reconhecendo que estamos a lidar com mistérios que têm sido debatidos por cristãos fiéis durante séculos.
A Bíblia apresenta-nos passagens que parecem apontar em direções diferentes sobre este assunto. Por um lado, temos as palavras de garantia de Jesus em João 10:28-29: «Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. O meu Pai, que mos deu, é maior do que todos, e ninguém é capaz de arrebatá-los da mão do Pai.» Isto sugere uma forte segurança na nossa salvação.
Por outro lado, encontramos advertências como as de Hebreus 6:4-6: «Pois é impossível, no caso daqueles que uma vez foram iluminados, que provaram o dom celestial, e partilharam o Espírito Santo, e provaram a bondade da Palavra de Deus e os poderes da era vindoura, e depois se afastaram, restaurá-los novamente ao arrependimento, uma vez que estão crucificando mais uma vez o Filho de Deus para seu próprio mal e mantendo-o até o desprezo.» Esta passagem parece indicar a possibilidade de perder a salvação.
Psicologicamente, podemos compreender estes ensinamentos aparentemente contraditórios como refletindo a natureza complexa da fé e do compromisso humanos. A nossa relação com Deus não é estática, mas dinâmica. Como qualquer relação, requer nutrir e pode ser negligenciado ou até mesmo rejeitado.
Historicamente, diferentes tradições cristãs têm enfatizado diferentes aspectos desta tensão. O católico, por exemplo, ensinou que o pecado mortal pode separar-nos de Deus e pôr em perigo a nossa salvação se não nos arrependermos. O Concílio de Trento declarou: "Se alguém disser que um homem uma vez justificado não pode mais pecar, nem perder a graça, e que, portanto, aquele que cai e peca nunca foi verdadeiramente justificado... seja anátema" (Sessão 6, Cânone 23).
Mas devemos ter cuidado para não cair em desespero ou ansiedade constante sobre a nossa salvação. A graça de Deus é poderosa e o seu amor por nós é inabalável. O apóstolo Paulo expressa a confiança de que «aquele que começou uma boa obra em vós a completará no dia de Jesus Cristo» (Filipenses 1:6).
Talvez possamos compreender melhor esta questão através da lente da relação. Assim como um casamento pode ser rompido através da infidelidade e rejeição persistentes, também a nossa relação com Deus pode ser interrompida se persistentemente nos afastarmos dEle. No entanto, como o pai na parábola do filho pródigo, Deus está sempre pronto para nos receber de volta de braços abertos quando voltarmos a Ele em arrependimento.
Como pastores e companheiros peregrinos, nosso papel é encorajar a perseverança na fé, o autoexame regular e a contínua volta para Deus em arrependimento e confiança. Não devemos presumir a graça de Deus nem viver em constante temor, mas sim «realizar a vossa própria salvação com temor e tremor, pois é Deus que opera em vós tanto o querer como o trabalhar para a sua boa vontade» (Filipenses 2:12-13).
Que papel desempenha a fé na determinação de quem vai para o céu?
As Escrituras são claras sobre a centralidade da fé na questão da salvação. Lemos em Efésios 2:8-9: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé. E isto não é obra tua; é o dom de Deus, não o resultado de obras, para que ninguém se possa vangloriar.» Esta passagem destaca a interação entre a graça de Deus e a nossa fé, salientando que a salvação não é algo que ganhamos, mas algo que recebemos através da fé.
O próprio Jesus sublinha a importância da fé, dizendo: «Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado» (Marcos 16:16). Esta declaração destaca o papel crítico da fé na determinação do nosso destino eterno.
Psicologicamente, a fé pode ser compreendida como uma orientação fundamental de toda a pessoa para Deus. Envolve não apenas o assentimento intelectual a certas verdades, mas uma profunda confiança e compromisso que molda todo o nosso ser. A fé transforma as nossas perceções, os nossos valores e os nossos comportamentos, alinhando-nos mais estreitamente com a vontade e o caráter de Deus.
Historicamente, a Igreja tem lidado com a natureza da fé salvadora. O Concílio de Trento, respondendo à Reforma Protestante, afirmou que a fé é necessária para a salvação, mas também enfatizou a importância do amor e das boas obras como expressões da fé viva. Isto reflete o ensinamento bíblico de que «a fé, por si só, se não tiver obras, está morta» (Tiago 2:17).
É fundamental compreender que a fé que salva não é apenas uma crença intelectual, mas uma confiança dinâmica e transformadora em Deus que se manifesta na obediência e no amor. Como escreve São Paulo, «A única coisa que conta é a fé que se expressa através do amor» (Gálatas 5:6).
Mas devemos também lembrar-nos de que a própria fé é um dom de Deus. Não a invocamos pelos nossos próprios esforços, mas respondemos à iniciativa graciosa de Deus. Como Jesus disse: «Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrair» (João 6:44).
Como pastores e companheiros peregrinos, nosso papel é nutrir e encorajar a fé em nós mesmos e nos outros. Fazemos isso através da oração, estudo das Escrituras, participação nos sacramentos e viver a nossa fé no serviço amoroso aos outros. Devemos também ser sensíveis àqueles que lutam com a dúvida, lembrando-nos do pai no Evangelho de Marcos que gritou: «Creio; Ajuda-me na minha incredulidade!" (Marcos 9:24).
Como o arrependimento afeta a elegibilidade de alguém para o céu?
O chamado ao arrependimento ecoa em todas as Escrituras. João Batista começou o seu ministério com a proclamação: "Arrependei-vos, porque o reino dos céus está próximo" (Mateus 3:2). O próprio Jesus inaugurou o seu ministério público com a mesma mensagem (Mateus 4:17). Isto sublinha a íntima ligação entre o arrependimento e a entrada no Reino de Deus.
No livro de Atos, encontramos Pedro exortando os seus ouvintes: «Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo» (Atos 2:38). Aqui, vemos o arrependimento ligado diretamente ao perdão e à recepção do Espírito Santo, ambos essenciais para a nossa salvação.
Psicologicamente, o arrependimento pode ser entendido como uma reorientação de toda a pessoa. Implica o reconhecimento da nossa pecaminosidade, um verdadeiro pesar pelos nossos pecados e uma firme determinação em mudar os nossos caminhos com a ajuda de Deus. Este processo de arrependimento alinha a nossa vontade com a vontade de Deus, preparando-nos para a vida na Sua presença.
Historicamente, a Igreja sempre enfatizou a importância do arrependimento. O sacramento da Reconciliação, por exemplo, proporciona um meio formal para expressar o nosso arrependimento e receber o perdão de Deus. A prática da penitência, embora às vezes incompreendida, destina-se a nos ajudar no processo de nos afastarmos do pecado e em direção a Deus.
É fundamental compreender que o arrependimento não é um acontecimento único, mas um processo contínuo na vida cristã. À medida que crescemos na nossa fé e compreensão, tornamo-nos mais conscientes da nossa pecaminosidade e da nossa necessidade da graça de Deus. Este arrependimento contínuo é parte de nossa santificação, o processo pelo qual somos santificados e aptos para o céu.
Mas devemos ter cuidado para não ver o arrependimento como uma obra pela qual ganhamos a nossa salvação. Pelo contrário, é a nossa resposta à iniciativa graciosa de Deus. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «a conversão é, antes de mais, uma obra da graça de Deus, que faz regressar a Ele o nosso coração» (Catecismo da Igreja Católica, 1432).
A parábola do Filho Pródigo ilustra lindamente o poder do arrependimento. Quando o filho «chegou a si próprio» e regressou ao pai, foi recebido de braços abertos e restabelecido no seu lugar na família. Esta é uma imagem poderosa de como nosso Pai Celestial responde ao nosso arrependimento.
Como pastores e companheiros peregrinos, devemos encorajar um espírito de arrependimento contínuo em nós mesmos e nos outros. Tal implica um autoexame regular, uma vontade de reconhecer as nossas falhas e uma constante orientação para a misericórdia de Deus. Devemos também estar prontos a estender o perdão aos outros, recordando que também nós necessitamos do perdão de Deus.
O que Jesus ensinou sobre quem não entrará no Reino dos Céus?
Os ensinamentos de Jesus sobre quem não entrará no reino dos céus são simultaneamente desafiadores e esclarecedores. Chamam-nos a uma profunda auto-reflexão e a um exame sincero das nossas vidas e corações.
Nos Evangelhos, encontramos vários casos em que Jesus fala diretamente daqueles que serão excluídos do Reino dos Céus. Talvez um dos mais impressionantes é encontrado em Mateus 7:21-23, onde Jesus diz: «Nem todos os que me dizem: Senhor, Senhor!» entrarão no reino dos céus, mas apenas aqueles que fazem a vontade do meu Pai que está nos céus.» (Bullock, 2022)
Esta passagem revela uma verdade poderosa – que a mera profissão verbal de fé não é suficiente. Jesus salienta a importância de alinhar as nossas ações com a vontade de Deus. Vejo neste ensino um chamado à integridade, para garantir que nossas expressões externas de fé sejam acompanhadas por uma transformação interior do coração e da mente.
Jesus fala também da exclusão daqueles que não têm compaixão e não cuidam dos outros. Em Mateus 25:31-46, na parábola das ovelhas e dos bodes, Ele se identifica com os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os nus, os doentes e os presos. Aos que negligenciam estes "menos destes" é dito: "Apartai-vos de mim, vós que sois amaldiçoados, para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos." (Bullock, 2022)
Este ensinamento ressalta a ligação inseparável entre o amor de Deus e o amor ao próximo. Desafia-nos a ver Cristo em cada pessoa, especialmente naqueles que são marginalizados ou sofrem. Psicologicamente, isso exige o desenvolvimento da empatia e uma vontade de ir além de nossas zonas de conforto para servir aos outros.
No Sermão da Montanha, Jesus também adverte que «se a vossa justiça não exceder a dos fariseus e dos mestres da lei, não entrareis no reino dos céus» (Mateus 5:20). (Bullock, 2022) Este não é um apelo à mera observância exterior das regras, mas a uma justiça mais profunda e sincera que flui de uma relação genuína com Deus.
Jesus também fala do perigo da riqueza e do materialismo. Em Mateus 19:24, afirma: «É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que alguém rico entrar no reino de Deus.» (Bullock, 2022) Este ensinamento recorda-nos as potenciais armadilhas espirituais da abundância material e a necessidade de dar prioridade à riqueza espiritual em detrimento das posses terrenas.
Jesus adverte contra o espírito implacável. Em Mateus 6:15, Ele diz: «Mas se não perdoardes aos outros os seus pecados, o vosso Pai não perdoará os vossos pecados.» (Bullock, 2022) Este ensinamento destaca a natureza recíproca do perdão e o seu papel crucial na nossa vida espiritual.
Exorto-vos a refletir sobre estes ensinamentos não com medo, mas com um espírito de humilde auto-exame. As palavras de Jesus sobre a exclusão do Reino não se destinam a desencorajar-nos, mas a despertar-nos para a seriedade do nosso caminho espiritual e para a necessidade de uma verdadeira transformação.
Jesus ensina que aqueles que não entrarão no reino dos céus incluem aqueles que professam a fé sem vivê-la, aqueles que negligenciam as necessidades dos outros, aqueles que confiam na justiça superficial, aqueles que são escravizados pela riqueza e aqueles que se recusam a perdoar. Estes ensinamentos chamam-nos a uma fé que é ativa no amor, fundamentada na humildade e expressa em compaixão por todos.
Os não-cristãos são automaticamente excluídos do céu?
Esta pergunta aborda um poderoso mistério do amor e da justiça de Deus. Embora a Igreja sempre tenha proclamado a necessidade da fé em Cristo para a salvação, devemos abordar este tema com humildade, reconhecendo a vastidão da misericórdia de Deus e as limitações da nossa compreensão.
Vejamos as palavras de Jesus em João 14:6: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.» (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Esta afirmação afirma o papel central de Cristo na salvação. Mas devemos ter cuidado para não interpretar isso de uma forma excessivamente estreita ou exclusivista.
O Concílio Vaticano II, no seu documento Lumen gentium, oferece uma perspetiva importante: «Aqueles que, sem culpa própria, não conhecem o Evangelho de Cristo ou o seu, mas que, no entanto, procuram Deus com um coração sincero e, movidos pela graça, tentam, nas suas ações, fazer a sua vontade como a conhecem através dos ditames da sua consciência – também eles podem alcançar a salvação eterna.»
Este ensinamento recorda-nos que a graça de Deus opera de formas que podem ser invisíveis para nós. Reconhece a possibilidade de salvação para aqueles que não aceitaram explicitamente a Cristo, mas que vivem de acordo com a luz que receberam.
Do ponto de vista psicológico, temos de ter em conta os fatores complexos que influenciam as crenças religiosas de uma pessoa – contexto cultural, experiências pessoais, acesso à informação e processos cognitivos individuais. Seria simplista supor que todos os não-cristãos rejeitaram deliberadamente a Cristo.
Historicamente, a Igreja primitiva também se deparou com esta questão. Justino Mártir, escrevendo no século II, falou do «logos spermatikos» ou «semente da Palavra» presente em todas as culturas, sugerindo que a verdade e a bondade encontradas fora da fé cristã explícita podiam ser vistas como preparação para o Evangelho.
Mas também devemos ser claros que isto não significa que todas as religiões são caminhos iguais para a salvação. A Igreja continua a proclamar o papel salvífico único e universal de Cristo. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento para a salvação de toda a humanidade... Por conseguinte, não poderiam ser salvos aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada como necessária por Deus através de Cristo, recusariam entrar nela ou permanecer nela».
Exorto-vos a reflectir sobre esta questão não com espírito de juízo para com os outros, mas com gratidão pelo dom da fé que recebemos e com o compromisso de partilhar a Boa Nova com todos. Temos de confiar na justiça e na misericórdia de Deus, reconhecendo que o juízo final pertence unicamente a Ele.
É igualmente importante notar que esta questão não deve levar-nos à complacência nos nossos esforços de evangelização. A Grande Comissão dada por Cristo (Mateus 28:19-20) continua a ser uma tarefa central da Igreja. Somos chamados a anunciar o Evangelho a todas as nações, convidando todos à plenitude da vida em Cristo.
Embora a Igreja afirme a necessidade de Cristo para a salvação, ela não ensina que todos os não-cristãos são automaticamente excluídos do céu. A graça de Deus funciona de forma misteriosa e confiamos na sua perfeita justiça e misericórdia. A nossa tarefa é viver e partilhar a nossa fé com amor e convicção, respeitando sempre a dignidade e a liberdade dos outros e deixando o juízo final a Deus.
O que a Bíblia diz sobre o julgamento e sua relação com a entrada no céu?
A Bíblia fala extensivamente sobre o julgamento e a sua relação com a entrada no céu, apresentando-nos uma compreensão poderosa e em camadas da justiça e da misericórdia de Deus. Este ensinamento chama-nos a uma reflexão séria sobre as nossas vidas e escolhas.
Temos de reconhecer que o julgamento é parte integrante do plano de Deus. Como o apóstolo Paulo escreve em Romanos 14:10, "Porque todos estaremos perante o tribunal de Deus." (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Este julgamento universal é aprofundado em Apocalipse 20:12: «E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e abriram-se livros. Abriu-se outro livro, que é o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, tal como registado nos livros." (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144)
Estas passagens lembram-nos que as nossas ações nesta vida têm consequências eternas. Psicologicamente, esta compreensão pode servir como um poderoso motivador para o comportamento ético e o crescimento espiritual. Mas devemos ter cuidado para não deixar que isso leve a uma escrupulosidade ou medo doentio, mas sim a um sentido maduro de responsabilidade perante Deus.
O próprio Jesus fala muitas vezes sobre o julgamento, particularmente em relação à entrada no reino dos céus. Em Mateus 25:31-46, Ele descreve o julgamento final em termos de como tratamos «o menor destes» – os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os nus, os doentes e os presos. (Bullock, 2022) Este ensinamento salienta que o nosso tratamento dos outros, especialmente dos mais vulneráveis, será um critério fundamental no julgamento de Deus. Este conceito está em consonância com os temas bíblicos mais amplos da compaixão e da misericórdia, em que os crentes são chamados a refletir o amor de Deus nas suas interações com os outros. Além disso, o Significado do número 5 nas Escrituras muitas vezes representa a graça e o favor de Deus, sugerindo que os nossos atos de bondade podem não só influenciar o julgamento, mas também ser uma extensão da graça que nos foi concedida. Em última análise, este ensinamento ilustra a profunda interligação de nossas ações e os padrões divinos pelos quais seremos medidos.
Mas devemos também lembrar-nos das palavras de Jesus em João 3:17: «Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para salvar o mundo através dele.» (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Isto recorda-nos que o desejo último de Deus é a nossa salvação, não a nossa condenação. O julgamento que enfrentamos não é arbitrário ou caprichoso, mas baseia-se na nossa resposta ao amor e à graça de Deus.
O apóstolo Paulo fornece mais informações em 1 Coríntios 3:12-15, onde fala de um julgamento das obras dos crentes: «Se alguém construir sobre esta fundação com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, o seu trabalho será mostrado pelo que é, porque o Dia o trará à luz. Será revelado com fogo, e o fogo testará a qualidade do trabalho de cada pessoa.» (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Isto sugere um aspeto purificador do julgamento de Deus, onde as nossas obras imperfeitas são refinadas.
Exorto-vos a considerar estes ensinamentos não com medo, mas com um espírito de humilde autoexame e confiança na misericórdia de Deus. A realidade do julgamento deve inspirar-nos a viver com integridade, compaixão e fé, esforçando-nos sempre por alinhar as nossas vidas com a vontade de Deus.
É também importante notar que, embora a Bíblia fale de um julgamento final, também ensina que aqueles que acreditam em Cristo já passaram da morte para a vida (João 5:24). (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Isto dá-nos uma poderosa esperança e segurança, mesmo enquanto continuamos a trabalhar a nossa salvação com medo e tremor (Filipenses 2:12).
A Bíblia apresenta o julgamento como uma realidade que todos enfrentarão, intimamente ligada à nossa entrada no céu. Baseia-se na nossa resposta à graça de Deus, manifestada na nossa fé e nas nossas obras. Embora isto deva inspirar uma vida cuidadosa, não deve levar ao medo, pois confiamos na misericórdia de Deus revelada em Cristo. Portanto, vivamos todos os dias à luz da eternidade, procurando amar a Deus e ao próximo com todo o nosso coração, alma, mente e força.
O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre quem não vai para o céu?
Os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja sobre quem não irá para o céu fornecem-nos uma visão poderosa da compreensão cristã primitiva da salvação e do julgamento. Seus escritos, embora diversificados, oferecem uma ênfase consistente na importância da fé, do arrependimento e da vida justa.
Um dos temas mais proeminentes nos escritos dos Padres da Igreja é a exclusão dos pecadores impenitentes do céu. Santo Inácio de Antioquia, escrevendo no início do século II, advertiu que «aqueles que corrompem as famílias não herdarão o reino de Deus.» Afirmou ainda: «Se alguém anda de acordo com uma doutrina estrangeira, não é de Cristo, nem participa da sua paixão.» Isto sublinha a importância da vida moral e da adesão à verdadeira doutrina.
São Justino Mártir, em seu primeiro pedido de desculpas, escreveu extensivamente sobre aqueles que seriam excluídos do céu. Afirmou: «Foi-nos ensinado que só podem visar a imortalidade os que viveram uma vida santa e virtuosa perto de Deus.» Mencionou especificamente que «os injustos, os intemperantes e os que não acreditam em Deus» enfrentariam o castigo eterno em vez de entrarem no céu.
Psicologicamente, podemos ver nestes ensinamentos um reconhecimento do poder transformador da fé e da natureza destrutiva do pecado persistente. Os Padres compreenderam que a salvação não envolve apenas a crença, mas uma reorientação fundamental da vida para Deus.
São Irineu de Lião, na sua obra «Contra as heresias», sublinhou que aqueles que rejeitam a verdade de Deus e persistem em falsos ensinamentos não entrariam no céu. Ele escreveu: «Aqueles que não obedecem à verdade, mas são obedientes à injustiça, receberão a condenação que merecem.» Isto destaca a preocupação da Igreja primitiva em manter a pureza doutrinária e a crença de que abraçar a heresia pode levar à exclusão da salvação.
Mas os Padres da Igreja também enfatizaram a misericórdia de Deus e a possibilidade de arrependimento. São Clemente de Alexandria escreveu: «As punições de Deus são salvíficas e disciplinares, conduzindo à conversão e escolhendo antes o arrependimento do que a morte de um pecador.» Isto sugere uma visão do julgamento divino como, em última análise, restaurador e não meramente punitivo.
Exorto-vos a considerar estes ensinamentos não como uma causa de medo, mas como um convite ao auto-exame sincero e ao crescimento na fé. As palavras dos Padres da Igreja recordam-nos a seriedade das nossas escolhas e a importância de vivermos a nossa fé de forma autêntica.
É também crucial compreender estes ensinamentos no seu contexto histórico. A Igreja primitiva enfrentava a perseguição e o desafio de manter a sua identidade num ambiente hostil. A sua forte linguagem sobre a exclusão do céu serviu muitas vezes para reforçar os limites da comunidade cristã e encorajar a fidelidade entre os crentes.
Devemos lembrar-nos de que, embora os Padres da Igreja forneçam informações valiosas, seus escritos não são considerados infalíveis. Os seus ensinamentos devem ser sempre interpretados à luz da plena revelação de Cristo e da contínua orientação do Espírito Santo na Igreja.
Como alguém pode assegurar-se de que está no caminho para o céu de acordo com os ensinamentos bíblicos?
A questão de como assegurar-se de que se está no caminho para o céu é de extrema importância, tocando o âmago do nosso caminho de fé. Embora devamos sempre recordar que a salvação é, em última análise, um dom da graça de Deus, a Bíblia fornece orientações claras sobre a forma como podemos responder a esta graça e viver de uma forma que conduza à vida eterna.
A Bíblia enfatiza a centralidade da fé em Jesus Cristo. Como lemos em João 3:16, «Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, que quem nele crê não perecerá, mas terá a vida eterna.» (Bullock, 2022) Esta fé, mas não é apenas um assentimento intelectual, mas uma confiança transformadora que molda toda a nossa vida.
O apóstolo Paulo elabora sobre isto em Efésios 2:8-9: «Porque é pela graça que fostes salvos, através da fé — e isto não vem de vós mesmos, é dom de Deus — não pelas obras, para que ninguém se possa gloriar.» (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Isto recorda-nos que a nossa salvação não é conquistada através dos nossos próprios esforços, mas é um dom gracioso de Deus que recebemos através da fé.
Mas esta fé deve ser acompanhada de arrependimento. Jesus começou o seu ministério público com o seguinte apelo: "Arrependei-vos, porque o reino dos céus está próximo" (Mateus 4:17). (Bullock, 2022) O arrependimento envolve um genuíno afastamento do pecado e uma reorientação de nossas vidas para Deus. Psicologicamente, isso pode ser compreendido como uma poderosa mudança em nossos valores, prioridades e comportamentos.
A Bíblia também ensina que a verdadeira fé será evidenciada pelas boas obras. Como Tiago escreve, «A fé por si só, se não for acompanhada de ação, está morta» (Tiago 2:17). (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Isto não significa que ganhamos a nossa salvação através de obras, mas sim que a fé genuína produz naturalmente bons frutos nas nossas vidas.
Jesus salienta a importância do amor – tanto para Deus como para o próximo – como essencial para aqueles que procuram a vida eterna. Quando lhe perguntaram sobre o maior mandamento, respondeu: «Ama o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente.» Este é o primeiro e maior mandamento. O segundo é como ele: «Ama o teu vizinho 2022)
Exorto-vos a refletir sobre estes ensinamentos não como uma lista de verificação a ser completada, mas como um convite a uma relação profunda e transformadora com Deus. O caminho para o céu não tem a ver com a perfeição, mas sim com o progresso – um crescimento contínuo na fé, no amor e na santidade.
É também crucial recordar o papel da Igreja no nosso percurso. Cristo estabeleceu a Igreja como um meio de graça, fornecendo-nos os sacramentos, o ensino da Palavra e o apoio da comunidade dos crentes. A participação regular na vida da Igreja é vital para o nosso crescimento espiritual e a nossa perseverança.
Devemos cultivar uma vida de oração e disciplina espiritual. Como Paulo nos exorta, «rezai continuamente, dai graças em todas as circunstâncias» (1 Tessalonicenses 5:17-18). (Tannehill & Fitzmyer, 2000, p. 144) Esta comunhão contínua com Deus ajuda-nos a permanecer alinhados com a Sua vontade e a crescer na nossa fé.
Por último, devemos sempre confiar na misericórdia e na graça de Deus. Embora nos esforcemos para viver fielmente, sabemos que ficaremos aquém. O caminho para o céu não consiste em alcançar a perfeição através dos nossos próprios esforços, mas em receber humildemente o perdão de Deus e permitir que a Sua graça nos transforme.
De acordo com os ensinamentos bíblicos, para estar no caminho para o céu, deve-se ter fé em Jesus Cristo, arrepender-se dos pecados, viver uma vida de amor e boas obras, participar na vida do cultivar uma vida de oração e sempre confiar na misericórdia de Deus.
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