Estudo Bíblico: Onde os furúnculos são encontrados na Bíblia?




  • Os furúnculos são proeminentemente mencionados na Bíblia como aflições físicas e símbolos do juízo divino, particularmente nas pragas do Egito e no sofrimento de Jó.
  • A definição bíblica de furúnculos refere-se a feridas dolorosas na pele, muitas vezes indicando questões espirituais mais profundas e exigindo um exame cuidadoso pelos sacerdotes em Levítico.
  • Os furúnculos simbolizam a natureza corruptora do pecado, servindo como lembretes do julgamento divino, ao mesmo tempo em que ilustram oportunidades para a cura e o crescimento espiritual.
  • Os cristãos modernos podem aprender a abordar a doença com compaixão, reconhecendo-a como uma oportunidade para o desenvolvimento espiritual e enfatizando o cuidado holístico com o corpo, a mente e o espírito.

Onde estão os furúnculos mencionados na Bíblia?

Os furúnculos são mencionados em várias passagens importantes das Escrituras Sagradas, servindo como aflições literais e símbolos poderosos. Vamos explorar onde encontramos estas feridas dolorosas na Palavra de Deus.

Mais proeminentemente, os furúnculos aparecem como a sexta praga infligida ao Egito no Livro do Êxodo. À medida que o Senhor demonstrava o Seu poder ao Faraó, instruiu Moisés e Arão a pegarem em alguns punhados de fuligem da fornalha e a atirá-la para o ar, provocando a eclosão de «ferrugem infestante» em pessoas e animais em todo o Egito (Êxodo 9:8-11) (Rodrüguez et al., 2016, p. 991). Este relato vívido recorda-nos a soberania de Deus sobre a criação e a sua capacidade de utilizar até os mais pequenos elementos para realizar os seus objetivos.

No Livro de Jó, encontramos talvez a descrição mais extensa de furúnculos que afligem um indivíduo. O justo Jó é atingido por «feridas dolorosas desde as solas dos pés até à coroa da cabeça» (Jó 2:7) (Rodrèguez et al., 2016, p. 991). Este sofrimento físico intenso torna-se um elemento central na provação espiritual de Jó, pondo à prova a sua fé e conduzindo, em última análise, a um encontro poderoso com o Todo-Poderoso.

Os furúnculos também são mencionados na Lei Mosaica, especificamente em Levítico 13, onde são discutidos no contexto do diagnóstico de doenças da pele. Os sacerdotes receberam instruções detalhadas para examinar os furúnculos a fim de determinar se indicavam uma condição mais grave que exigisse isolamento (Glazov, 2003, p. 558).

Encontramos furúnculos referenciados na história da doença do rei Ezequias em 2 Reis 20 e Isaías 38. O profeta Isaías instrui que se aplique um cataplasma de figos à fervura de Ezequias, levando à sua recuperação – um lembrete de que Deus pode trabalhar através de meios de cura tanto milagrosos como naturais.

Estes relatos bíblicos de furúnculos servem não apenas como registros históricos, mas também como poderosas ilustrações do sofrimento humano, do julgamento divino e do potencial de cura e restauração através da fé. Ao refletirmos sobre estas passagens, lembremo-nos de que as nossas provações físicas podem muitas vezes levar ao crescimento espiritual e a uma confiança mais profunda na graça de Deus.

Qual é a definição bíblica de "boils"?

Para compreender a definição bíblica de furúnculos, devemos olhar atentamente para a forma como são descritos nas Escrituras e considerar o contexto em que aparecem. A Bíblia retrata os furúnculos como feridas dolorosas e inchadas na pele que muitas vezes indicam uma condição espiritual ou física mais profunda.

No texto hebraico original, a palavra utilizada para furúnculos em Êxodo e Jó é «shechin», que denota uma inflamação ou erupção da pele (Rodrèguez et al., 2016, p. 991). Este termo abrange uma série de doenças da pele, desde espinhas simples a abscessos mais graves. A descrição bíblica sugere que estas não eram meras manchas superficiais, mas feridas profundas e apodrecidas que causavam grande desconforto e angústia.

O relato em Levítico fornece mais informações sobre como os furúnculos eram compreendidos nos tempos bíblicos. Os sacerdotes foram instruídos a examinar cuidadosamente os furúnculos, à procura de sinais de infecção mais profunda ou do potencial de impureza cerimonial (Glazov, 2003, p. 558). Esta abordagem meticulosa demonstra que os furúnculos eram vistos como mais do que apenas doenças físicas; eram potenciais indicadores do estado espiritual ou da relação com Deus.

No Novo Testamento, embora o termo específico «caldeira» não seja utilizado, encontramos referências a várias doenças da pele que provavelmente incluíam fervura. A palavra grega «helkos», utilizada na parábola do homem rico e de Lázaro (Lucas 16:20-21), é frequentemente traduzida como «graves» e pode muito bem ter incluído furúnculos entre outras aflições da pele.

Do ponto de vista médico, agora compreendemos os furúnculos como infecções bacterianas de folículos pilosos ou glândulas oleosas, muitas vezes causadas por Staphylococcus aureus. Este conhecimento moderno aumenta a nossa apreciação das descrições bíblicas, mostrando com que precisão as Escrituras retrataram estas condições dolorosas (Rodrèguez et al., 2016, p. 991).

A definição bíblica de furúnculos ultrapassa a mera descrição física. Nas Escrituras, os furúnculos são frequentemente apresentados como manifestações visíveis de realidades espirituais mais profundas - seja como sinais de julgamento divino, testes de fé ou oportunidades de cura e restauração. Lembram-nos que o nosso bem-estar físico e espiritual está intimamente ligado, e que Deus está preocupado com todos os aspectos das nossas vidas, desde o estado das nossas almas até à condição da nossa pele.

Qual é o significado simbólico dos furúnculos na Bíblia?

O significado simbólico dos furúnculos na Bíblia é rico e em camadas, oferecendo-nos informações poderosas sobre a condição humana e a nossa relação com Deus. Consideremos com oração o significado mais profundo destas dolorosas aflições, tal como são retratadas na Sagrada Escritura.

Os furúnculos muitas vezes simbolizam o julgamento ou castigo divino. No relato do Êxodo, a praga dos furúnculos demonstra o poder de Deus sobre as divindades egípcias associadas à cura e serve como um sinal visível do seu desagrado com o coração endurecido de Faraó (Wotton, 2008). Isto lembra-nos que o pecado e a rebelião contra Deus podem ter consequências tangíveis e dolorosas em nossas vidas.

Mas devemos ser cautelosos para não simplificar demasiado este simbolismo. O Livro de Jó desafia a noção de que todo o sofrimento é um resultado directo do pecado. Os furúnculos de Jó, em vez de serem um castigo, tornam-se um cadinho para refinar a sua fé. Simbolizam a natureza misteriosa do sofrimento e a oportunidade que este representa para aprofundar a nossa confiança na soberania de Deus (Rodríguez et al., 2016, p. 991).

Os furúnculos também podem simbolizar a natureza corruptora do próprio pecado. Assim como uma fervura ferve debaixo da pele antes de entrar em erupção, o pecado muitas vezes cresce escondido dentro de nós, eventualmente manifestando-se de formas visíveis e dolorosas. Estas imagens convidam-nos a examinar os nossos corações e a procurar a cura de Deus para as infeções espirituais invisíveis que nos afligem.

No contexto mais amplo das doenças de pele bíblicas, os furúnculos contribuem para o simbolismo da impureza e da separação da comunidade. As instruções detalhadas em Levítico para diagnosticar e lidar com as condições da pele refletem a importância da santidade e a necessidade de pureza espiritual e física na aproximação a Deus (Glazov, 2003, p. 558).

No entanto, a Bíblia também oferece esperança através deste simbolismo. A cura dos furúnculos, como se vê na história do rei Ezequias, pode representar a misericórdia e o poder restaurador de Deus. Recorda-nos que nenhuma condição está além da capacidade de cura de Deus, seja física ou espiritual.

O sofrimento causado pelos furúnculos pode simbolizar o poder transformador da dor na nossa viagem espiritual. Assim como muitas vezes uma fervura deve ser lançada para drenar e curar, às vezes as nossas experiências mais dolorosas são os próprios meios pelos quais Deus realiza o nosso crescimento e purificação.

O simbolismo dos furúnculos nas Escrituras nos convida a refletir sobre a complexa interação entre o pecado, o sofrimento, o julgamento e a cura em nossas vidas. Desafia-nos a examinar os nossos corações, a afastar-nos dos nossos pecados e a confiar no poder último de Deus para nos purificar e restaurar, tanto de corpo como de alma.

Como os furúnculos eram vistos como uma forma de punição na Bíblia?

A Bíblia apresenta os furúnculos como um poderoso símbolo do castigo divino, particularmente no Antigo Testamento. Esta dolorosa aflição serviu como um lembrete visceral do julgamento de Deus contra o pecado e a desobediência.

Mais proeminentemente, vemos furúnculos como a sexta praga infligida ao Egito no Livro do Êxodo. O Senhor instruiu Moisés e Arão a tirarem alguns punhados de fuligem de uma fornalha e a lançarem para o ar, causando «fervuras infestantes». para(#)(#)(#) eclodiram sobre os homens e os animais em toda a terra" (Êxodo 9:9). Esta praga demonstrou o poder de Deus sobre os deuses e magos egípcios, que não puderam apresentar-se diante de Moisés devido aos seus próprios furúnculos (Êxodo 9:11). (Rodríguez et al., 2016, p. 991)

Do mesmo modo, no Livro de Jó, testemunhamos o justo Jó afligido por «feridas dolorosas desde as solas dos pés até à coroa da cabeça» (Jó 2:7) como parte do seu sofrimento intenso. Embora os furúnculos de Jó não constituíssem uma punição direta para o pecado, simbolizavam as profundezas do sofrimento humano e testavam a fé de Jó na bondade de Deus (Rodrèguez et al., 2016, p. 991).

Historicamente, nossos antepassados viam tais aflições como sinais claros de desprazer divino. A natureza visível e dolorosa dos furúnculos tornou-os uma manifestação tangível do juízo de Deus. Este entendimento persistiu durante séculos, com muitos a interpretar surtos súbitos de doenças de pele como punição por pecados individuais ou comunitários. (Herbella et al., 2023)

Mas, ao refletirmos sobre estes relatos bíblicos, temos de nos lembrar de que o objetivo último de Deus não era apenas a transformação do castigo e a redenção. As pragas no Egito conduziram à libertação dos israelitas, enquanto o sofrimento de Jó aprofundou a sua relação com Deus. Como cristãos, somos chamados a ver além da superfície do sofrimento para discernir o plano maior de Deus para o nosso crescimento espiritual e o cumprimento da sua vontade divina.

Que lições espirituais podemos aprender com as histórias bíblicas que envolvem furúnculos?

Os relatos bíblicos que envolvem furúnculos oferecem poderosas lições espirituais que ressoam com o nosso caminho de fé hoje. Estas histórias, embora muitas vezes desafiadoras, revelam verdades importantes sobre a nossa relação com Deus e com os nossos semelhantes.

Estas narrativas nos ensinam a humildade. O súbito aparecimento de furúnculos dolorosos, como visto na praga sobre o Egito, lembra-nos de nossa fragilidade humana e dependência de Deus. Em nosso mundo moderno, onde muitas vezes nos orgulhamos dos avanços médicos e da autossuficiência, estas histórias nos chamam de volta a uma postura de humildade perante nosso Criador. Eles ecoam as palavras de São Paulo: «Quando sou fraco, então sou forte» (2 Coríntios 12:10). (Rodrèguez et al., 2016, p. 991)

A história de Jó oferece uma poderosa lição de perseverança e fé durante o sofrimento. Apesar de estar coberto de feridas dolorosas, Jó manteve sua integridade e confiança em Deus. O seu exemplo desafia-nos a permanecer firmes na nossa fé, mesmo quando enfrentamos dificuldades inexplicáveis. Lembra-nos que o nosso sofrimento pode ter um propósito além da nossa compreensão, potencialmente aprofundar a nossa relação com Deus e refinar o nosso caráter. (Rodríguez et al., 2016, p. 991)

Estes relatos ensinam-nos sobre a natureza do pecado e as suas consequências. Os furúnculos infligidos aos egípcios serviram como um lembrete visível da corrupção espiritual invisível causada por sua opressão aos israelitas. Isto leva-nos a examinar as nossas próprias vidas e comunidades, considerando como as nossas ações podem estar a causar danos aos outros ou a separar-nos da vontade de Deus.

Mas devemos ser cautelosos para não simplificar demasiado a relação entre o sofrimento e o pecado. O próprio Jesus advertiu contra tais suposições quando encontrou um homem nascido cego (João 9:1-3). Em vez disso, estas histórias convidam-nos a abordar o sofrimento com compaixão e discernimento, procurando a sabedoria e a presença de Deus em todas as circunstâncias.

Por fim, os relatos bíblicos de furúnculos e outras aflições apontam-nos para o poder curativo e restaurador de Deus. Prenunciam o ministério de cura de Cristo e a restauração final prometida na Nova Criação. Como escreve São Paulo, «não vale a pena comparar os nossos sofrimentos atuais com a glória que será revelada em nós» (Romanos 8:18).

Como as pessoas nos tempos bíblicos tratavam ou lidavam com os furúnculos?

Meus queridos fiéis, nos tempos bíblicos, o tratamento dos furúnculos e de outras aflições da pele era uma questão complexa que envolvia tanto os remédios físicos como as práticas espirituais. A abordagem dos nossos antepassados à cura estava profundamente interligada com a sua fé e compreensão do papel de Deus na saúde e na doença.

No antigo Israel, o principal recurso para lidar com doenças de pele era o código levítico. O Livro de Levítico fornece instruções detalhadas para os sacerdotes examinarem e diagnosticarem várias condições da pele, incluindo furúnculos (Levítico 13). Este processo envolveu uma observação cuidadosa ao longo do tempo e muitas vezes resultou em isolamento temporário para evitar a propagação de condições potencialmente contagiosas. (Rodríguez et al., 2016, p. 991)

Os tratamentos físicos para os furúnculos nos tempos bíblicos eram relativamente limitados pelos padrões atuais. Uma abordagem comum foi a aplicação de um cataplasma feito a partir de figos. Vemos este método mencionado na história da doença do rei Ezequias: «Então Isaías disse: «Prepara um cataplasma de figos.» Fizeram-no e aplicaram-no à fervura, e ele recuperou» (2 Reis 20:7). Esta utilização de remédios naturais reflete a antiga compreensão da provisão de Deus através da criação (Rodríguez et al., 2016, p. 991)

Além dos tratamentos físicos, as pessoas nos tempos bíblicos deram grande ênfase às práticas espirituais ao lidar com aflições como furúnculos. A oração foi uma resposta fundamental à doença, como visto em numerosos salmos e narrativas ao longo das Escrituras. Os fiéis clamavam a Deus por cura, muitas vezes acompanhada de atos de arrependimento e purificação.

Em alguns casos, procurar a cura envolvia visitar locais sagrados ou indivíduos que se acreditava terem poderes de cura especiais. Por exemplo, as pessoas viajavam para a piscina de Betesda em Jerusalém, acreditando que suas águas tinham propriedades curativas (João 5:1-9). Esta prática reflete a antiga crença na ligação entre locais físicos e presença divina.

A compreensão da etiologia da doença nos tempos bíblicos diferiu significativamente da nossa perspectiva científica moderna. Muitas doenças, incluindo condições de pele, eram frequentemente atribuídas ao castigo divino ou à influência demoníaca. Esta crença moldou a forma como as pessoas abordavam o tratamento, muitas vezes combinando remédios físicos com rituais espirituais de limpeza e expiação.

O que os Padres da Igreja ensinaram sobre o significado dos furúnculos nas Escrituras?

Muitos dos Padres, incluindo Santo Agostinho e São Jerónimo, interpretaram os furúnculos como símbolos do pecado e das suas consequências. Assim como os furúnculos fervem debaixo da pele antes de irromperem dolorosamente, também o pecado cresce dentro de nós, corrompendo-nos as almas até que se manifeste de formas nocivas. Os Padres ensinavam que o sofrimento exterior causado pelos furúnculos refletia a corrupção espiritual interior do pecado.

Mas também viram esperança nesta aflição. São João Crisóstomo, refletindo sobre o sofrimento de Jó, ensinou que os furúnculos podem ser um meio de purificação e crescimento espiritual. Ele argumentou que, assim como o ouro é refinado pelo fogo, também os fiéis podem ser purificados através de provações físicas. A paciência e a fé demonstradas por aqueles que sofrem de furúnculos podem servir como um poderoso testemunho da graça de Deus.

Alguns Padres, como Orígenes, viam os furúnculos como uma forma de castigo divino, destinado a corrigir e guiar os fiéis de volta à justiça. Chamaram a atenção para a praga dos furúnculos no Êxodo como prova do poder de Deus para utilizar as aflições físicas para fins espirituais. No entanto, enfatizaram que tal castigo sempre foi motivado pelo amor, destinado à salvação final das almas.

É importante ressaltar que os Padres também ensinaram que os cristãos devem responder aos que sofrem com compaixão e cuidado, vendo neles a imagem do Cristo sofredor. São Basílio Magno, em particular, enfatizou a importância de ministrar aos doentes como um dever cristão fundamental.

Os Padres da Igreja ensinaram-nos a ver, para além da realidade física dos furúnculos, o seu significado espiritual mais profundo, sempre atentos aos propósitos redentores de Deus (Rodrèguez et al., 2016, p. 991; Wet, 2020, p. 13).

Há alguma figura bíblica importante que sofria de furúnculos?

Ao explorarmos as Escrituras, encontramos várias figuras importantes que suportaram a aflição dos furúnculos, cada uma oferecendo-nos poderosas lições de fé e perseverança.

O exemplo mais proeminente é, sem dúvida, Jó, este modelo de paciência e fidelidade. O Livro de Jó diz-nos que foi atingido por «fervuras dolorosas desde a sola do pé até à coroa da cabeça» (Jó 2:7). Esta aflição fazia parte das duras provações que Jó suportou, pondo à prova a sua fé até aos seus próprios limites. No entanto, através de tudo isso, Jó manteve sua integridade e confiança em Deus, oferecendo-nos um exemplo inspirador de fé inabalável em face de imenso sofrimento (Rodrèguez et al., 2016, p. 991).

Também vemos furúnculos como parte das pragas que Deus enviou sobre o Egito. O Êxodo 9:10 descreve como «os furúnculos infestantes eclodiram nas pessoas e nos animais» em toda a terra. Esta praga afetou até os magos da corte de Faraó, demonstrando o poder de Deus sobre toda a autoridade humana e a futilidade de resistir à sua vontade.

Embora não seja explicitamente mencionado como sofrendo de furúnculos, a doença do rei Ezequias em 2 Reis 20 é frequentemente interpretada pelos estudiosos como possivelmente envolvendo furúnculos. O texto fala de uma «caldeira» (singular) que foi tratada com um cataplasma de figos. A oração fervorosa de Ezequias pela cura e a resposta misericordiosa de Deus oferecem-nos uma lição poderosa sobre a eficácia da petição fiel.

No Novo Testamento, embora não nomeado especificamente, alguns estudiosos sugeriram que o «espinho na carne» que atormentava o apóstolo Paulo (2 Coríntios 12:7-9) pode ter sido uma condição crónica da pele, possivelmente envolvendo furúnculos. A aceitação por Paulo desta aflição como um meio de confiar mais plenamente na graça de Deus constitui um poderoso exemplo de encontrar força na fraqueza.

Estas figuras bíblicas nos lembram que mesmo os mais fiéis podem sofrer aflições físicas. As suas histórias ensinam-nos que essas provações podem ser oportunidades de crescimento espiritual, demonstrações do poder de Deus e ocasiões para aprofundar a nossa confiança na graça divina. No seu sofrimento e fé, vemos reflexos do próprio sofrimento de Cristo e do poder redentor que detém para toda a humanidade (Rodríguez et al., 2016, p. 991; Wet, 2020, p. 13).

Como os furúnculos se relacionam com outras aflições físicas mencionadas na Bíblia?

Ao contemplarmos as várias aflições físicas mencionadas na Sagrada Escritura, vemos que os furúnculos ocupam um lugar importante entre eles, muitas vezes inter-relacionados com outras condições, tanto de forma literal como simbólica.

Os furúnculos são frequentemente mencionados juntamente com outras condições da pele. Em Levítico 13, encontramos descrições pormenorizadas de várias doenças da pele, incluindo furúnculos, que foram coletivamente denominadas «tsara’at» em hebraico. Este termo, muitas vezes mal traduzido como «lepra», abrangia uma série de aflições cutâneas que tornavam uma pessoa ritualmente impura. A ligação entre estas condições destaca a importância da integridade da pele nos conceitos bíblicos de saúde e nas leis de pureza ritual (Wet, 2020, p. 13).

Os furúnculos também se relacionam com outras aflições como parte do julgamento ou castigo divino. Em Deuteronômio 28:27, os furúnculos estão listados entre as maldições por desobediência, ao lado de outras condições como tumores, crostas e coceira. Este agrupamento sugere que os furúnculos eram vistos como parte de uma categoria mais ampla de sofrimentos físicos que poderiam resultar do pecado ou do desprazer divino.

No Novo Testamento, vemos ligações entre furúnculos e outras formas de sofrimento no ministério de cura de Jesus e dos apóstolos. Embora os furúnculos não sejam especificamente mencionados, a categoria geral de doenças da pele está incluída nas «várias doenças» que Jesus curou (Mateus 4:23). Isto sugere que os furúnculos, como outras aflições físicas, eram vistos como condições que o Messias iria abordar, apontando para a natureza holística da cura divina.

Curiosamente, o tratamento dos furúnculos às vezes se relaciona a outras práticas de cura bíblicas. Por exemplo, a utilização de um cataplasma de figo para tratar a fervura de Ezequias (2 Reis 20:7) é paralela a outros casos de remédios naturais nas Escrituras, como a utilização de fel de peixe por Tobit para curar a cegueira (Tobias 11:11-13).

Como outras aflições físicas na Bíblia, os furúnculos muitas vezes têm um significado espiritual além de seu significado literal. Assim como a cegueira pode simbolizar a ignorância espiritual e a claudicação pode representar a fraqueza moral, os furúnculos podem representar a manifestação exterior da corrupção interior ou do pecado.

De todas estas maneiras, os furúnculos estão totalmente relacionados a outras aflições físicas nas Escrituras, fazendo parte de uma compreensão bíblica mais ampla da saúde, da doença, do julgamento divino e da cura. Recordam-nos que o nosso bem-estar físico e espiritual está profundamente interligado e que o poder de cura de Deus se estende a todos os aspetos do nosso ser (Rodríguez et al., 2016, p. 991; Wet, 2020, p. 13).

O que os cristãos modernos podem aprender a partir da perspectiva bíblica sobre os furúnculos e as doenças?

A perspectiva bíblica sobre os furúnculos e as doenças oferece-nos lições poderosas como cristãos modernos, orientando a nossa compreensão do sofrimento, da cura e da nossa relação com Deus e uns com os outros.

Aprendemos que as aflições físicas, incluindo os furúnculos, não são necessariamente castigos pelo pecado pessoal. Embora a Bíblia às vezes apresente a doença como consequência da desobediência, o exemplo de Jó nos ensina que os indivíduos justos também podem sofrer. Isso deve nos advertir contra julgar os outros que estão doentes e nos lembrar de abordar todos os que sofrem com compaixão e apoio, em vez de condenação.

A visão bíblica nos encoraja a ver a doença como uma oportunidade para o crescimento espiritual. Tal como Paulo com o seu «espinho na carne», podemos aprender a encontrar força nas nossas fraquezas, permitindo que as nossas provações físicas aprofundem a nossa confiança na graça de Deus. Esta perspectiva pode transformar a nossa experiência da doença do mero sofrimento numa viagem de requinte espiritual.

A visão holística da Bíblia sobre a saúde recorda-nos que o nosso bem-estar físico, espiritual e emocional está interligado. Da mesma forma que as leis levíticas ligavam a limpeza física à pureza espiritual, também nós devemos reconhecer a importância de cuidar de nós mesmos - corpo, mente e espírito - como parte do nosso discipulado cristão.

Os relatos bíblicos da cura, seja através da intervenção divina ou de meios naturais (como o cataplasma de Ezequias), ensinam-nos a abordar a cura com fé e ação prática. Devemos orar fervorosamente pela cura, enquanto também fazemos uso do conhecimento médico e dos recursos que Deus providenciou.

Os aspectos comunitários da doença e da cura nas Escrituras nos lembram de nossa responsabilidade de cuidar dos doentes entre nós. Tal como Jesus e os apóstolos ministraram aos aflitos, também nós somos chamados a ser agentes do amor curativo de Deus nas nossas comunidades.

Por último, a perspetiva bíblica sobre a doença aponta-nos para a esperança última de cura e restauração completas no reino de Deus. Embora possamos experimentar a cura nesta vida, aguardamos com expectativa o dia em que, como promete Apocalipse 21:4, Deus «enxugará todas as lágrimas dos seus olhos.

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