Qual é o significado da canela na espiritualidade cristã?




  • A canela é uma especiaria perfumada da casca interior das árvores no Cinnamomum família, cultivada principalmente em regiões tropicais como o Sri Lanka e a Indonésia.
  • Nos tempos antigos, a canela era altamente valorizada, usada em cerimónias religiosas e simbolizava a riqueza, a beleza e a devoção espiritual em todas as culturas, incluindo o Egito, a Grécia e Roma.
  • O Antigo Testamento menciona a canela como um ingrediente essencial no óleo sagrado da unção, significando seu papel sagrado e conexão com o culto, ao mesmo tempo em que destaca sua dupla natureza como preciosa e potencialmente ligada ao luxo mundano.
  • A canela continua a ser significativa no culto cristão, especialmente no uso do Santo Crisma, ligando as práticas do Antigo Testamento aos rituais modernos e enfatizando a importância da intenção nas ofertas a Deus.

É tão bom estar contigo hoje! A maioria de nós, quando pensamos em canela, pensamos em algo quente, algo reconfortante, não é? Traz à mente aqueles maravilhosos cheiros de cozimento de férias ou uma aconchegante chávena de chá que apenas o faz sentir-se bem. Mas quero dizer-vos hoje que esta especiaria familiar, aquela que está ali mesmo na vossa cozinha, tem uma história incrível e antiga, uma história que está profundamente ligada a práticas e crenças espirituais, especialmente na nossa fé cristã. Pode estar a perguntar: «Que significado especial pode ter esta especiaria quotidiana na nossa vida espiritual, na forma como adoramos a Deus?» Bem, prepare-se para descobrir algo maravilhoso! O seu percurso, desde um tesouro mais valioso do que o ouro até um símbolo poderoso da Palavra de Deus e das tradições da Igreja, mostra-nos uma bela história de fé, profunda devoção e esses incríveis encontros divinos que Deus tem para nós.

O que é canela e de onde vem?

Antes de mergulharmos em todos os maravilhosos significados espirituais, vamos apenas compreender o que esta espantosa especiaria, a canela, realmente é e onde Deus a fez crescer. A canela é uma especiaria maravilhosamente perfumada que vem da casca interior de árvores especiais, árvores do Cinnamomum Família.1 Estas árvores adoram crescer em locais tropicais, com o Sri Lanka (que muitos de vocês conhecem como Ceilão), a Indonésia, a Índia, a China e o Vietname sendo alguns dos principais locais abençoados por Deus com estas árvores.2

Não existe apenas um tipo de canela. Há um par de tipos principais que as pessoas falam sobre: um é Cinnamomum verum, e as pessoas chamam-lhe canela do Ceilão ou «canela verdadeira». É amada pelo seu sabor suave e doce. Depois, há Cinnamomum cassia, ou cassia canela, que tem um sabor mais forte e arrojado, e que é o que encontramos frequentemente nas lojas hoje em dia2. A Bíblia não aborda todos estes pormenores botânicos exatos – é provável que apenas tenha agrupado estas cascas maravilhosamente aromáticas sob o nome de «canela». Mas estas diferenças na sua origem e no seu tipo teriam desempenhado um papel no comércio antigo e na facilidade de obtenção.

A colheita de canela é um processo cuidadoso e dedicado. Trabalhadores qualificados, abençoados com o saber-fazer, descascam suavemente a casca interior dos ramos jovens da canela. Em seguida, esta fina camada de casca é preparada para secar e, à medida que seca, enrola-se naturalmente naqueles «paus» ou penas que todos reconhecemos.2 Pense nisso – a canela provém do interior casca, uma camada preciosa escondida, e é preciso um esforço real para chegar a ela. Talvez isso fosse um pequeno indício de Deus, há muito tempo, de que era algo especial, algo valioso, não apenas comum, mesmo antes de receber profundos significados espirituais. Esta forma cuidadosa de colheita demonstrou o trabalho árduo e a dedicação que se dedicavam à produção desta especiaria, e essa é parte da razão pela qual era tão valorizada no mundo antigo. Deus muitas vezes usa coisas que exigem dedicação para nos ensinar lições valiosas!

Como a canela era valorizada e usada nos tempos antigos?

É difícil até pôr em palavras o quanto as pessoas valorizavam a canela nos tempos antigos. Acredite ou não, houve um tempo em que era considerado mais precioso do que o ouro! 2 Quando compreendes isso, faz todo o sentido que seja escolhido para coisas sagradas, para a realeza ou para momentos de profundo e sincero significado.

Muito antes mesmo de ser mencionado na Bíblia, as civilizações antigas sabiam que a canela era algo especial:

  • Antigo Egito: Os egípcios, há muito tempo, procuravam ativamente canela para os seus rituais de embalsamamento e outras práticas religiosas.2 Era tão preciosa, que até a puseram nos túmulos dos faraós porque acreditavam que tinha qualidades especiais que podiam ajudar a preservar os falecidos.2 Esta ligação precoce com cerimónias sagradas em torno da morte e da preservação sugere uma crença de que a canela tinha um poder além do seu cheiro adorável. Estava a preparar o terreno para a sua posterior importância religiosa.
  • Roma Antiga e Grécia: Nestas culturas poderosas, a canela era um luxo altamente desejado. Usavam-no frequentemente em perfumes e queimavam-no como incenso durante as suas cerimónias religiosas.2 E não se tratava apenas da fragrância; Os romanos e os gregos também homenageavam a canela pelo que acreditavam ser suas capacidades curativas, usando-a em seus medicamentos e poções tradicionais.
  • Europa Medieval e Ásia: A alta consideração pela canela continuou através dos tempos. Na Europa medieval, era um símbolo de riqueza e alto estatuto, muitas vezes dado como um presente muito especial entre a nobreza.2 E nas culturas asiáticas, especialmente em lugares como o Sri Lanka e a Índia, onde cresceu mais abundantemente, a canela era uma parte fundamental das cerimónias espirituais e dos seus deliciosos alimentos.2

Ao longo de todos estes tempos, a canela foi um ator importante nas rotas comerciais das especiarias, moldando economias e ligando culturas distantes.1 O facto de a canela ter sido consistentemente utilizada em práticas religiosas em tantas culturas pré-cristãs diferentes — do Egito a Roma e à Grécia — mostra-nos que as pessoas sempre foram atraídas para ligar aromas poderosos, agradáveis e raros ao sagrado, ao divino. Este entendimento difundido provavelmente significava que, quando a canela foi posteriormente trazida para o culto israelita, escolhendo-a como culturalmente correta como algo adequado para propósitos sagrados, e também foi divinamente aprovada.

Mas esta forte ligação entre canela, riqueza e status também trouxe um pouco de tensão espiritual. Por um lado, a utilização de um objeto tão valioso no culto pode significar que está a dar o seu melhor a Deus, o que é uma coisa bonita. Por outro lado, por estar ligada ao luxo mundano, havia o risco de colidir com o ideal da humildade espiritual. É um tema que aparece mais tarde quando é mencionado no Livro do Apocalipse. Deus quer que ofereçamos o nosso melhor sempre com um coração humilde.

Onde o Antigo Testamento menciona a canela e qual era a sua importância?

O Antigo Testamento, a espantosa Palavra de Deus, menciona a canela em vários lugares importantes e cada um mostra-nos um lado diferente da sua importância e simbolismo na vida do antigo Israel.

  • Êxodo 30:23: Este é um grande! Aqui, o próprio Deus ordena a Moisés que utilize a «canela doce» como um dos principais ingredientes do «óleo da unção sagrada».1 Esta instrução divina eleva imediatamente a canela a um papel sagrado no culto israelita, desde o início. Quando Deus o diz, sabe que é importante!
  • Provérbios 7:17: Num cenário muito diferente, a canela é mencionada como um perfume usado por uma mulher adúltera para fazer a sua cama cheirar convidativa enquanto tenta tentar um jovem: «Perfumei a minha cama com mirra, com aloés e com canela».1 Esta passagem mostra-nos um uso mundano e sensual da canela. Destaca a sua fragrância atrativa e o seu poder de atrair pessoas – um poder que, como vemos, poderia ser utilizado para fins sagrados ou, infelizmente, para fins profanos.
  • Cântico dos Cânticos 4:14: Aqui, a canela aparece em uma lista de especiarias preciosas e exóticas em um belo jardim, que é muitas vezes visto como uma imagem do amado. O verso diz: «nard e açafrão, calamus e canela, com todas as árvores de incenso, mirra e aloés, com todas as melhores especiarias».1 Neste lugar poético, a canela contribui para uma atmosfera de puro prazer, abundância, beleza e amor profundo e poderoso. E a tradição cristã viu muitas vezes este amor, alegoricamente, como o incrível amor entre Cristo e a sua Igreja. Isto não é bonito?

A canela era vista no Antigo Testamento como uma «especiaria muito preciosa».3 Era um símbolo de riqueza, estatuto, luxo, beleza e, de certas formas especiais, devoção espiritual.1 Incluindo-a em coisas sagradas, como o óleo da unção, mostrava a consagração e a natureza agradável das ofertas dedicadas a Deus.

Assim, o Antigo Testamento dá-nos uma espécie de imagem dupla da canela: é sagrado e altamente valorizado no culto a Deus, está também ligado ao luxo mundano e mesmo à atração da tentação. Isto não é necessariamente uma contradição, amigos. Mostra apenas que uma coisa poderosa e valiosa pode ser usada para o bem ou para o mal. O seu significado moral advém da forma como é utilizado e do coração por detrás da sua utilização. As qualidades naturais da especiaria, como a sua fragrância e o seu valor, são neutras; o seu peso espiritual provém das nossas escolhas e dos mandamentos de Deus.

E aqui está outra coisa em que pensar: o facto de a canela ter sido encontrada na Palestina — uma especiaria trazida de terras longínquas como a Índia e o Ceilão (que agora chamamos Sri Lanka) 1 — mostra-nos que o antigo Israel estava surpreendentemente ligado ao resto do mundo, mesmo nos seus rituais mais sagrados. Para o óleo sagrado da unção do Tabernáculo, um ingrediente fundamental foi o comércio internacional! Isto recorda-nos subtilmente que as provisões de Deus e os seus objetos sagrados podem envolver pessoas de todo o mundo a trabalhar em conjunto e que o caráter sagrado nem sempre está ligado apenas às coisas locais. O alcance de Deus é global!

Para ajudá-lo a vê-lo claramente, aqui está uma pequena visão geral de onde a Bíblia fala principalmente sobre canela:

LivroVersículoContexto diretoSignificado/Utilização implícito
Êxodo30:23Óleo da Santa UnçãoSagrado, Consagração, Santidade
Provérbios7:17Perfumar uma cama (sedução)Luxo, Alento, Sensualidade
Cântico dos Cânticos4:14Jardim das especiarias (amado)A beleza, o deleite, a preciosidade, o amor
Revelação18:13Carga da Babilónia (Novo Testamento)Mercadoria valiosa, luxo mundial

Qual é a importância da canela no óleo da santa unção (Êxodo 30)?

O papel desempenhado pela canela no óleo sagrado da unção, como Deus o expôs no capítulo 30 de Êxodo, é absolutamente central para o seu significado espiritual no Antigo Testamento. Deus deu a Moisés uma receita específica e divina para este óleo sagrado. Ordenou-lhe que utilizasse «canela doce» ( ⁇ - ⁇ , qinnemon besem) – 250 shekels! 1 Era uma quantidade muito grande, o que mostrava o quão importante era nesta mistura sagrada.

A canela era uma das quatro especiarias aromáticas surpreendentes misturadas com azeite. Aqui está a receita completa que Deus deu:

  • Mirra pura (500 shekels)
  • Canela doce (250 shekels)
  • Calamus perfumado (ou cana) (250 siclos)
  • Cassia (500 shekels)
  • Azeite (um hin, que é de cerca de 4-7 litros) 1

O objetivo deste óleo sagrado da unção era tão poderoso. Foi usado para ungir o Tabernáculo (aquele santuário portátil), todos os seus móveis sagrados, incluindo a Arca da Aliança, e para consagrar Arão e os seus filhos como sacerdotes, distinguindo-os para o serviço especial de Deus.1 Esta unção marcou-os como "santíssimos", mostrando a sua dedicação ao Senhor e a sua mudança do uso comum para um propósito sagrado.10 Assim, a canela desempenhou um papel vital neste ato de tornar as coisas santas, esta santificação. As medidas exatas que Deus deu para a canela e as outras especiarias sugerem uma ordem divina e uma real intencionalidade na adoração. Isso implica que, quando nos aproximamos de Deus e separamos as coisas para o seu serviço, precisamos seguir cuidadosamente as suas instruções, não apenas criar os nossos próprios métodos com base no que preferimos. Deus honra a obediência!

A santidade deste óleo foi ferozmente protegida por regras rigorosas. Era proibido para qualquer uso comum ou pessoal. Êxodo 30:32 diz claramente: "Sobre a carne do homem não será derramada" para as coisas do dia-a-dia.10 E os israelitas foram proibidos de copiar a fórmula para qualquer outro uso.7 Se alguém quebrasse estas regras, eles seriam "cortados do seu povo".11 Estas regras enfatizavam poderosamente a santidade exclusiva do azeite e a santidade absoluta de Deus. Serviram também de teste à obediência dos israelitas – honrariam os mandamentos de Deus? 10

Teologicamente, a inclusão da preciosa canela no óleo de unção era vista como representando a riqueza e pureza necessárias no culto e serviço a Deus.1 As suas maravilhosas qualidades aromáticas eram também simbólicas da natureza agradável de uma vida completamente consagrada ao Senhor.1 Entendeu-se que o ato de ungir com este óleo infundido com canela transformava efetivamente o estatuto dos objetos e das pessoas, tornando-os «mais sagrados».11 Isto sugere uma crença de que a sacralidade poderia ser tangivelmente transferida através de um meio divinamente ordenado, e a canela estava ali, contribuindo para este poder transformador.

A designação exclusiva deste óleo pelo Antigo Testamento para sacerdotes e objetos sagrados, proibindo a sua utilização em «estrangeiros» ou para fins comuns 7, destaca realmente o conceito de separação e santidade no âmbito da Antiga Aliança. Mas esta exclusividade também belamente prepara o cenário para nós compreendermos a Nova Aliança, onde a unção do Espírito Santo se torna disponível para nós. todos crentes (1 João 2:20) 10, e os próprios crentes são descritos como o templo de Deus (1 Coríntios 3:16-17).7 Isto mostra um desenvolvimento tão maravilhoso no plano de Deus! A unção física restrita com óleo carregado de canela foi um prenúncio de uma unção espiritual universal que Deus tem para vós e para mim hoje. É algo com que nos entusiasmamos!

Que simbolismo espiritual podemos compreender da canela no óleo de unção?

A tradição cristã, cheia de sabedoria, muitas vezes procurou significados simbólicos mais profundos nos elementos do culto do Antigo Testamento. Eles viam-nas como prenúncio das verdades do Novo Testamento, especialmente a incrível pessoa e obra de nosso Senhor Jesus Cristo. E as especiarias naquele óleo sagrado de unção, incluindo a nossa amiga canela, têm sido assuntos ricos para este tipo de compreensão espiritual. Deus ama dar-nos imagens e símbolos!

Uma forma poderosa de olhar para ele é ver as especiarias tipologicamente – o que significa ligá-las a aspetos do ministério de Cristo e da vida cristã. O quadro que se segue, extraído de fontes como a interpretação 8 de Witness Lee, dá-nos um vislumbre de alguns destes significados simbólicos surpreendentes:

EspeciariasQuantidade (Êxodo 30\)Interpretação simbólica tradicionalLigação a Cristo/Vida Espiritual
Mirra (flutuante)500 shekelsPreciosa morte de Cristo, amargura do sofrimento, curaO sofrimento de Cristo e a morte expiatória; cura das «secreções erradas» do pecado.
Canela (fragrância)250 siclosSweetness & eficácia da morte de Cristo, estimula o coraçãoJoy & vitalidade espiritual do sacrifício de Cristo; Pureza no culto; A Agradabilidade de Cristo.
Calamus (desambiguação)250 siclosRessurreição de Cristo (ressuscitar de um lugar pantanoso)A vitória de Cristo sobre a morte e a sua capacidade de resistir em circunstâncias difíceis.
Cassia500 shekelsPower & eficácia da ressurreição de Cristo, repelente do malO poder de Cristo para vencer o mal e resistir a qualquer ambiente; proteção contra os danos espirituais.
Azeite1 hinBase para as especiarias, símbolo do Espírito SantoO poder capacitador do Espírito Santo, que une todas as virtudes de Cristo aos crentes.

Concentremo-nos nisso canela perfumada. Alguns sábios comentadores vêem-no como uma representação do doçura e eficácia da morte de Cristo.8 Tal como a canela tem esse sabor distinto e agradável e até se acreditava que dava um pequeno impulso a um coração fraco, os efeitos do sacrifício de Cristo são vistos como espiritualmente edificantes, trazendo alegria e nova vida a todos os que acreditam.8 Isto oferece uma forma tão poderosa e esperançosa de olhar para as coisas! Enquanto a mirra no azeite aponta claramente para o sofrimento e amargura da morte de Cristo, a canela destaca o doce e vivificante resultado deste sacrifício por ti e por mim. São boas notícias!

Para além deste simbolismo centrado em Cristo, a presença da canela no azeite fala ao Pureza e santidade A preciosidade e a deliciosa fragrância de Deus refletem a beleza e a santidade que nós, como crentes, somos chamados a viver, com o próprio Cristo sendo a última oferta pura e santa. A qualidade aromática da canela, juntamente com as outras especiarias, também simboliza o Natureza agradável de uma vida consagrada oferecido a Deus.1 Isto liga-se tão lindamente à ideia do Novo Testamento de que o sacrifício de Cristo era um «aroma doce» a Deus (Efésios 5:2).13 Deus se compraz quando Lhe oferecemos a nossa vida!

Aqui está outro pensamento fascinante: alguns ligam a raiz hebraica da palavra para canela, qinnamon, à ideia de «erigir» ou «levantar-se». Este ponto de vista sugere que a canela simboliza Cristo como o construtor da casa de Deus (que és tu e eu!) e o seu reino, que se mantém firme e forte contra toda a corrupção do mundo.13 Isto associa a sua utilização na consagração do Tabernáculo (casa de Deus no Antigo Testamento) a Cristo que constrói a Igreja (casa espiritual de Deus no Novo Testamento). Mostra uma continuidade maravilhosa no incrível plano de Deus!

Estas interpretações simbólicas traçam frequentemente linhas diretas entre as qualidades físicas da canela — a sua doce fragrância, o seu efeito estimulante percebido, o seu elevado valor — e conceitos espirituais profundos, como a doçura do sacrifício de Cristo, a nova vida espiritual e a preciosidade de uma vida santa. Tal reflete um belo entendimento teológico em que o mundo criado por Deus, em toda a sua beleza e qualidades únicas, pode refletir verdades divinas e aspetos do caráter incrível de Deus. Deus fala-nos através da sua criação!

Como a canela aparece no Novo Testamento?

A canela faz uma aparição muito notável, embora apenas direta, no Novo Testamento, e está no poderoso Livro do Apocalipse.

A principal referência é Apocalipse 18:13. Aqui, a canela figura entre as cargas e mercadorias valiosas dessa grande e decadente cidade denominada «Babilónia, a grande».1 Esta lista faz parte de um lamentável lamento pela queda da Babilónia e inclui toda uma série de bens de luxo: especiarias, incenso, mirra, incenso, vinho, azeite, linho fino, pérolas, metais preciosos, madeiras exóticas e até, arrepiantemente, «escravos, isto é, almas humanas».1

In this dramatic picture, cinnamon’s inclusion really emphasizes its continued high economic value and its strong connection with worldly wealth, opulence, and the excesses of a corrupt global trading system.¹ The fall of Babylon serves as a divine judgment against materialism, against unjust business, and against the pride that so often comes with that kind of wealth.¹ Cinnamon, as part of this list of luxuries, symbolizes earthly riches that can lead people away from spiritual integrity. Ele destaca o vazio final de colocar a nossa confiança em bens materiais em vez de em Deus.1 Deus quer que confiemos nEle, não nas coisas deste mundo.

Comentários interpretativos, como o de John Gill, apontam que a canela foi historicamente usada para deleite, prazer e perfumação. Eles traçam um paralelo com a sua menção em Provérbios 7:17, nesse contexto de sedução.15 De uma forma mais mística ou alegórica de compreensão, esta ligação é estendida para significar a corrupção moral e financeira de "Babilónia" (que os comentaristas muitas vezes vêem como representando Roma, com o seu vasto império e, por vezes, formas decadentes).15 Alguns comentaristas, como Brightman, até sugeriram que a "canela, odores e incenso" listada poderia estar a insinuar a sua má utilização em ambientes eclesiásticos dentro do sistema corrupto da Babilónia. Isto aponta para instituições religiosas que se tinham tornado demasiado emaranhadas em poder e riqueza mundanos15. Isso é um aviso para que todos nós mantenhamos o nosso foco em Deus.

O aparecimento da canela em Apocalipse 18 dá-nos um poderoso contraste teológico com o seu uso sagrado em Êxodo 30. No Êxodo, é divinamente ordenado para fins sagrados, separado para Deus. Em Revelação, é um emblema de um sistema mundano condenado. Isto não significa que a canela em si seja intrinsecamente boa ou má. O que nos mostra é que mesmo os materiais designados por Deus para uso santo podem ser tomados e tornar-se simbólicos de sistemas corruptos e mundanos que se opõem ao reino de Deus. O valor natural ou agradável de algo não o impede de ser mal utilizado. Tem tudo a ver com o coração e a intenção.

A longa lista de bens em Apocalipse 18, incluindo canela trazida do Oriente, realmente fundamenta esta imagem apocalíptica nas realidades económicas reais do Império Romano, que era a potência mundial dominante quando o Livro do Apocalipse foi escrito. Isso torna a crítica ao materialismo e à exploração ainda mais poderosa porque refletia o verdadeiro comércio e os luxos da época. O agrupamento da canela com outros itens frequentemente utilizados no culto — especiarias, incenso, mirra e incenso — reforça ainda mais a crítica se estes forem vistos como sendo distorcidos pela mundanidade da Babilónia. Talvez seja um aviso contra as práticas religiosas que se preocupam mais com o espetáculo exterior e a riqueza do que com a genuína pureza espiritual. Deus olha para o coração!

Embora não encontremos toneladas de comentários diretos e pormenorizados especificamente sobre a canela dos principais Padres da Igreja em resumos facilmente acessíveis, a sua forma geral de olhar para os elementos rituais do Antigo Testamento, incluindo as especiarias sagradas, dá-nos uma compreensão maravilhosa. Os Padres da Igreja tipicamente procuravam significados centrados em Cristo ou verdades espirituais mais profundas nestas práticas do Antigo Testamento. Eles os viram através das lentes de como foram cumpridos na Nova Aliança, em Jesus! 18

Interpretações Tipológicas da Unção de Especiarias de Óleo:

O pensamento cristão primitivo, e as tradições que cresceram a partir dele, muitas vezes interpretavam os ingredientes do óleo da santa unção tipologicamente. Isto significa que viram estes elementos do Antigo Testamento como «tipos» ou prenúncios de Cristo, do Espírito Santo ou de aspetos da nossa vida cristã. Por exemplo, uma interpretação posterior que reflete esta abordagem tipológica sugere que as três principais especiarias — mirra, calamus e canela — podem representar as três pessoas da Trindade, ou talvez Deus, anjos, e com o próprio óleo simbolizando o Espírito Santo que vive nos crentes19. Embora este exemplo específico não seja diretamente de um famoso Pai primitivo, mostra-nos o tipo de pensamento simbólico que usaram. Estavam sempre à procura de Jesus nas escrituras!

Significado da Fragrância e Intenção na Adoração:

São João Crisóstomo, um Pai da Igreja muito influente do século IV, partilhou algumas ideias importantes sobre ofertas.

  • Quando ele falou sobre uma oferta do Antigo Testamento para uma mulher suspeita de adultério, que não o fez incluem petróleo e incenso, Crisóstomo observou que os ausência Significava uma situação de dor e desastre.20 Isto implica que, quando elementos perfumados como óleo, incenso (e, por extensão, canela em outros contextos sagrados) eram presente, significaria normalmente bênção, alegria e aceitação de Deus. Deus ama uma oferta alegre e perfumada do coração!
  • Isto é muito importante, amigos: Crisóstomo enfatizou que Deus olha primariamente para a intenção e estado espiritual do adorador, não apenas no próprio dom material. Argumentou que o incenso (e outras ofertas perfumadas) poderiam tornar-se uma «abominação» para Deus se oferecido com um coração impuro ou por pessoas que Deus rejeitara devido à sua desobediência.21 Este princípio é absolutamente vital: O valor espiritual de especiarias como a canela na adoração depende do coração da pessoa que as oferece. A especiaria em si não tem poder mágico. O seu significado provém do seu uso ordenado por Deus e do coração fiel de quem participa. Tem sempre a ver com o coração!

Continuidade Litúrgica e Santo Crisma:

A Igreja primitiva continuou a prática de usar óleos sagrados e perfumados em suas cerimónias, mais notavelmente o Santo Crisma.

  • Um «escritor da igreja primitiva» (citado numa fonte moderna) descreveu lindamente o perfume do crisma — que historicamente incluía mirra e, por vezes, canela ou aromáticos semelhantes — como «o cheiro da Páscoa, a graça de Deus olfativamente encarnada!».22 Uau! Isto destaca um reconhecimento precoce do poder simbólico da fragrância nos sacramentos cristãos. Eles compreenderam que os nossos sentidos podem ligar-nos à graça de Deus.
  • A mesma fonte observa que a mirra, juntamente com a canela, eram os principais ingredientes no óleo da santa unção usado por Moisés. Isto liga diretamente a prática do Antigo Testamento aos óleos sacramentais cristãos posteriores usados em ritos como o batismo, a confirmação e a ordenação.22 Isto mostra uma cosmovisão sacramental onde os elementos físicos, divinamente aprovados, podem ser canais ou símbolos poderosos da graça divina e das realidades espirituais. Deus pode usar o físico para tocar o espiritual!

Interpretações de Cântico dos Cânticos:

O Cântico de Salomão, onde a canela é listada como uma especiaria preciosa 1, foi muitas vezes interpretado alegoricamente pelos Padres da Igreja. Em geral, viam-no como uma imagem do profundo amor de Deus por Israel ou, mais comumente, do incrível amor de Cristo pela Igreja – por nós! Dentro deste entendimento, as preciosas especiarias mencionadas, incluindo a canela, contribuiriam para a riqueza e beleza deste amor divino. Simbolizariam a preciosidade e o prazer da relação entre Deus/Cristo e o seu povo amado. Que belo retrato do amor de Deus por ti!

Uma nota de precaução:

Também é bom recordar um ponto de precaução de uma discussão sobre a fénix mítica. Embora a canela seja frequentemente mencionada em várias tradições antigas do mito da fénix, Clemente de Roma, um dos primeiros Pais Apostólicos, apenas nomeou o incenso e a mirra em sua recontagem.23 Isto sugere que nem todas as ligações simbólicas possíveis foram feitas por cada Pai da Igreja. Devemos ter cuidado para não assumir significados simbólicos altamente específicos ou universais para a canela em todos os seus escritos, a menos que o digam explicitamente.

Os Padres da Igreja aproximaram-se de elementos do Antigo Testamento, como as especiarias do óleo da unção, com um modo de compreensão que buscava seu cumprimento em Cristo e na Nova Aliança. A sua ênfase na intenção do adorador dá-nos uma lente crítica para compreender o verdadeiro significado de qualquer elemento ritual. A adoção pela Igreja primitiva de óleos perfumados como o crisma para os sacramentos mostra uma continuidade de compreensão de que Deus pode utilizar elementos físicos e sensoriais para transmitir significado espiritual e graça. Deus é tão bom para nos encontrar de maneiras que podemos compreender e experimentar!

Sim, absolutamente! A canela, ou pelo menos a bela tradição de usar especiarias perfumadas como Deus instruiu no Êxodo, tem sido uma parte do culto cristão e da liturgia. Mais notavelmente, vemos isso na preparação e uso do Santo Crisma. As instruções de Deus têm um modo de viver através dos tempos!

Santo Crisma (Óleo Sagrado da Unção):

Esta é a forma mais direta e importante que tem continuado.

  • Igreja Ortodoxa Oriental: O Santo Crisma é um óleo sagrado que é consagrado pelo Patriarca Ecuménico (ou o chefe de uma igreja autocéfala), geralmente na Quinta-feira Santa. E adivinhem o quê? A sua receita baseia-se intencionalmente nas instruções que Deus deu a Moisés em Êxodo 30:23-24. It explicitly includes “sweet-smelling cinnamon” along with other fragrant essences and olive oil.²⁴ This Chrism is used for the sacrament of Chrismation (which comes after baptism), anointing people to receive the “seal of the gift of the Holy Spirit.” The use of Chrism goes all the way back to early Christianity, with the oldest recorded list of its materials (which they still use today!) coming from the 8th century.²⁵ that shows a remarkable and unbroken liturgical continuity, spanning thousands of years! Os caminhos de Deus perduram!
  • Igreja Católica: De forma semelhante, na tradição católica, o crisma é um óleo sagrado abençoado pelo bispo durante a Semana Santa (na Missa do Crisma). It’s used in the sacraments of Baptism, Confirmation, and Holy Orders (when priests and bishops are ordained), and also for consecrating new churches and altars.²² Historical recipes for Chrism have also included fragrant spices, and some early Church writers explicitly linked its use back to the anointing oil of Moses, which, as we know, contained cinnamon and myrrh.²² The distinct aroma of Chrism when it’s used in these ceremonies is considered very major. Um dos primeiros escritores chegou mesmo a descrevê-lo como «o cheiro da Páscoa, a graça de Deus olfativamente encarnada!».22 Que pensamento poderoso – cheirar a graça de Deus!

O uso contínuo e explícito da canela (ou uma mistura de aromáticos preciosos semelhantes com base na fórmula do Êxodo) no Santo Crisma por estes grandes ramos do cristianismo realmente destaca um profundo respeito pelos precedentes bíblicos em rituais cristãos fundamentais. Estão a honrar a Palavra de Deus!

Incenso:

Embora o incenso e a mirra sejam mais conhecidos como os principais ingredientes do incenso, as qualidades aromáticas poderosas e agradáveis da canela tornam-na um componente maravilhoso para misturas de incenso.

  • Apocalipse 18:13 enumera «canela, especiarias, incenso, mirra, incenso», todos juntos, como mercadorias valiosas.1 Alguns comentadores interpretaram este agrupamento como possivelmente referindo-se a itens que poderiam ser utilizados em «perfumes e censuras utilizados em igrejas». Isto implica que a canela poderia ter feito parte dessas misturas, mesmo que fosse no contexto do sistema «babilónico» que está a ser criticado15.
  • Embora nem sempre faça parte das receitas tradicionais da liturgia da igreja, algumas práticas espirituais históricas e modernas (fora dos serviços formais da igreja) incluem canela em incenso ou misturas de incenso para fins como purificação, proteção e clareza espiritual.26 Uma fonte dá mesmo uma receita de incenso que inclui canela juntamente com incenso, sândalo e bagas de zimbro.27

Presença simbólica noutros rituais/itens:

  • Kollyva (Tradição Ortodoxa Oriental): A canela é muitas vezes um ingrediente no Kollyva. Trata-se de um prato doce feito principalmente a partir de grãos de trigo cozidos, misturados com ingredientes como passas, frutos de casca rija, sementes de romã, açúcar e especiarias, incluindo canela.28 O Kollyva é preparado para serviços comemorativos para quem já faleceu e é rico em simbolismo. O trigo representa a morte e a ressurreição (como uma semente que «morre» para trazer nova vida), e a doçura (incluindo a da canela) pode simbolizar a doçura da vida eterna ou a doce memória do ente querido. A canela tem muitas vezes a forma de um monte para se assemelhar a uma sepultura e é decorada com uma cruz.28 Aqui, a canela contribui para um alimento ritual que tem um significado profundo relacionado com a memória, a dor e a maravilhosa esperança cristã de ressurreição. Mesmo na tristeza, há doçura e esperança em Deus!

A dimensão olfativa do culto — a utilização intencional de especiarias perfumadas como a canela no crisma e, potencialmente, em algumas tradições de incenso — é tão importante, amigos. Sugere que a espiritualidade cristã, historicamente, procurou envolver múltiplos sentidos. O objetivo é criar toda uma experiência do sagrado que não seja apenas intelectual ou doutrinal, mas também experiencial, emocionalmente ressonante e capaz de evocar um sentido tangível da presença de Deus e da Sua bênção. Deus quer nos encontrar em cada parte do nosso ser!

A canela aponta para além de si mesma. A sua fragrância, o seu valor histórico e as suas diversas utilizações em contextos sagrados tornam-se lentes através das quais podemos contemplar a santidade de Deus, a preciosidade do sacrifício de Cristo, a obra santificadora do Espírito Santo e a natureza poderosa do verdadeiro culto. Não é o tempero em si que é adorado o Deus que ordenou o seu uso e as realidades espirituais que veio a significar. Esta complexidade e natureza em camadas são o que dão à canela a sua relevância duradoura na imaginação espiritual cristã. Deus é tão bom, e Ele pode usar até mesmo uma especiaria simples para ensinar-nos verdades poderosas! Acreditem nisso hoje!

Mais informações sobre Christian Pure

Inscreva-se agora para continuar a ler e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar a ler

Partilhar com...