Além das Histórias da Escola Dominical: Factos surpreendentes e verdades inspiradoras sobre o povo da Bíblia
Já se sentiu como se conhecesse as pessoas da Bíblia, mas apenas como personagens de uma história? Como fotografias antigas e familiares numa lareira? E se pudéssemos vê-los sob uma nova luz - como indivíduos reais, complexos e muitas vezes surpreendentes, cujas vidas estavam cheias de tanto drama, dúvida e luta como a nossa? Esta viagem é um convite para fazer isso mesmo. Exploraremos factos e estatísticas surpreendentes que dão nova vida a estas figuras antigas, revelando não só curiosidades, mas verdades poderosas sobre o incrível amor de Deus e o seu trabalho através de pessoas comuns e imperfeitas como nós.
Esta exploração irá levar-nos através de algumas das perguntas mais comuns e curiosas sobre os homens e mulheres das Escrituras. Vamos descobrir dados surpreendentes, investigar as histórias de heróis escondidos e encontrar um profundo encorajamento espiritual. Prepare-se para surpreender-se com os números, movido pelas narrativas e inspirado pela fidelidade inabalável de um Deus que tece sua grande história através da vida de seu povo.
Quem são as pessoas mais citadas na Bíblia?
A Bíblia é uma vasta biblioteca de livros e, de acordo com algumas análises, contém os nomes de mais de 3.200 indivíduos distintos. As suas histórias são contadas e recontadas, e os seus nomes aparecem centenas, até milhares, de vezes. Sem surpresa, a figura central de toda a Escritura é Jesus Cristo, a quem todo o Antigo Testamento aponta e de quem todo o Novo Testamento flui.
Quando olhamos para os personagens humanos, surge um padrão claro. A pessoa mais frequentemente mencionada na Bíblia é o Rei Davi, cujo nome aparece aproximadamente 1.139 vezes.4 Seguindo-o estão outras figuras fundamentais como Moisés, Abraão e o Apóstolo Paulo, cujas vidas definem épocas inteiras da relação de Deus com a humanidade.
| Classificação | Nome | Menção aproximada Contagem | Papel primordial na história de Deus |
|---|---|---|---|
| 1 | David | ~1,139 | O maior rei de Israel, um «homem segundo o coração de Deus» 4 |
| 2 | Moisés | ~800+ | O Legislador, Líder do Êxodo III |
| 3 | Abraão | ~250+ | O Pai da Fé, Patriarca de Israel 3 |
| 4 | José (OT) | ~246 | O Sonhador, Salvador da Família 5 |
| 5 | Paulo | ~228 | O Apóstolo dos Gentios, Autor das Epístolas 3 |
| 6 | Josué | ~219 | O Conquistador de Canaã 5 |
| 7 | Pedro | ~193 | A Rocha, Líder dos Apóstolos 5 |
| 8 | Jeremias | ~145 | O profeta choro 5 |
| 9 | Samuel | ~142 | O Profeta e o Criador de Reis 5 |
| 10 | Isaac | ~129 | O Filho da Promessa 5 |
(Nota: As contagens de referências podem variar ligeiramente entre diferentes traduções da Bíblia).5
A frequência com que estes nomes aparecem não é uma questão de acaso ou simples popularidade. Serve de roteiro para os grandes temas do plano redentor de Deus. Os nomes que preenchem as páginas das Escrituras são sinais que apontam para os momentos mais importantes da história da salvação. A história de Abraão estabelece o tema da Pacto com o seu povo. A vida de Moisés é o fundamento da vida de Deus. Direito e a santidade. O reinado de Davi introduz a promessa da eternidade de Deus Reino. E o ministério de Paulo explica o significado da Evangelho e a vida da Igreja. As próprias estatísticas da Bíblia guiam nossa atenção para os pilares de nossa fé.
Há também uma poderosa mensagem de graça embutida nestes dados. É verdadeiramente espantoso que Davi, um homem definido tanto por suas falhas morais catastróficas quanto por sua grande fé, seja o ser humano mais mencionado na Bíblia. As Escrituras não evitam sua história de adultério com Bate-Seba e o assassinato de seu marido, Urias.8 Deus não escolheu um homem perfeito para ser o herói humano do Antigo Testamento. Em vez disso, escolheu um partido. A honestidade inabalável da Bíblia sobre o pecado de Davi, colocada ao lado do seu estatuto de «homem segundo o coração de Deus», é um testemunho poderoso da natureza de Deus. Demonstra que o plano de Deus não depende da perfeição humana. A sua glória é magnificada através de pessoas remidas e imperfeitas. Esta verdade deve dar a cada crente uma esperança incrível, recordando-nos que a nossa história não é definida pelos nossos piores momentos, mas pela graça implacável e restauradora de Deus.
Que Trabalhos Surpreendentes Tinham Personagens Bíblicos?
Quando pensamos nas grandes figuras da Bíblia, é fácil imaginá-las como líderes religiosos «a tempo inteiro» — pessoas que passaram todos os seus dias em oração e profecia.9 Mas a realidade é muito mais fundamentada e compreensível. A Bíblia está cheia de homens e mulheres que, assim como nós, tinham empregos diários. Eram agricultores, soldados, políticos e empresários a quem Deus chamou para servi-Lo no meio de suas vidas comuns.
Algumas das pessoas mais influentes nas Escrituras ocupavam cargos profissionais de alto nível. Daniel é um excelente exemplo. Apesar de nos lembrarmos dele como um grande profeta, sua carreira primária foi como um administrador de alto nível do governo e analista no império pagão da Babilónia.9 Seu local de trabalho era um ambiente hostil, cheio de colegas ciumentos que conspiravam contra ele, situações moralmente comprometedoras como partidos pródigos e supervisores que eram vãos e viciosos. A história de Daniel é um retrato poderoso da manutenção da fé e da integridade numa carreira secular e de alta pressão.9 Do mesmo modo, Neemias serviu como copeiro real do rei da Pérsia, uma posição de imensa influência política e confiança que aproveitou para reconstruir os muros de Jerusalém11.
A Bíblia também mostra um mundo de ofícios qualificados e empreendedorismo. O próprio Jesus era um carpinteiro, um ofício que provavelmente aprendeu com o seu pai terreno, José.10 O apóstolo Paulo, por todo o seu génio teológico e trabalho missionário, sustentou-se como um criador de tendas.11 Uma das figuras mais inspiradoras é Lídia, uma empresária de sucesso da cidade de Tiatira. Descrito como um «vendedor de roxo», ocupou-se de têxteis de luxo, um comércio rentável. Sua casa e recursos tornaram-se um centro vital para a igreja primitiva em Filipos, demonstrando que uma poderosa mulher de comércio estava sendo usada poderosamente por Deus.
Além destes papéis, as Escrituras mencionam uma série de outras ocupações humildes e incomuns. O profeta Amós era um pastor e um «apanhador de figueiras» antes de Deus o chamar.10 A Bíblia também faz referência a padeiros, barbeiros, embalsamadores, tintureiros e ferreiros, pintando um rico quadro de uma sociedade real e trabalhadora.12
A diversidade destas ocupações revela uma bela verdade sobre o chamado de Deus. O trabalho «secular» de uma pessoa não está separado da sua vida espiritual; muitas vezes é a própria arena em que a sua vocação espiritual é vivida. Deus não chamou a Daniel. fora de governo para servi-lo. Usou a integridade de Daniel em governo como uma poderosa testemunha aos reis pagãos. Ele não pediu a Lydia para abandonar o negócio dela. Ele usou seu sucesso e hospitalidade para plantar uma igreja. Os nossos locais de trabalho, seja um escritório, uma oficina ou uma sala de aula, não são espaços neutros. São cargos designados por Deus, em que as nossas competências, integridade e relações podem ser utilizadas para iluminar a glória de Deus.
Quem viveu mais e por que a vida foi tão longa?
O livro de Génesis registra vidas que são, pelos padrões modernos, simplesmente surpreendentes. Estas eras incríveis pertencem aos patriarcas que viveram antes do Grande Dilúvio, uma época em que o mundo era muito diferente. O recordista indiscutível da longevidade é Matusalém, o avô de Noé, que viveu até os 969 anos de idade.14 Ele é seguido de perto por seu pai, Jarede, e seu neto, Noé, que também viveu por mais de nove séculos.
| Classificação | Nome do Patriarca | Idade na morte | Referência Bíblica |
|---|---|---|---|
| 1 | Matusalém | 969 anos | Gênesis 5:27 |
| 2 | Jared | 962 anos | Gênesis 5:20 |
| 3 | Noé | 950 anos | Gênesis 9:29 |
| 4 | Adão | 930 anos | Génesis 5:5 |
| 5 | Seth | 912 anos | Gênesis 5:8 |
| 6 | Kenan | 910 anos | Gênesis 5:14 |
| 7 | Enos | 905 anos | Gênesis 5:11 |
| 8 | Mahalalel | 895 anos | Gênesis 5:17 |
| 9 | Lamech | 777 anos | Gênesis 5:31 |
| 10 | Enoch | 365 Anos (Tomada por Deus) | Gênesis 5:23-24 |
A questão de saber se as pessoas realmente viveram este tempo tem sido debatida há séculos. Alguns estudiosos sugerem que estes números podem ser simbólicos ou o resultado de uma má tradução, em que a palavra para "ano" significava um período de tempo mais curto.14 Mas muitos dentro da fé cristã interpretam estas eras literalmente. Eles propõem que o ambiente pré-inundação pode ter sido muito diferente, talvez com um "cobertura de vapor de água" que protegeu a humanidade da radiação cósmica, ou que os efeitos degenerativos do pecado no corpo humano ainda não tinham acumulado na medida em que têm hoje.
Além das questões científicas, a Bíblia apresenta estas longas vidas por uma poderosa razão teológica. O encurtamento dramático da vida humana após o dilúvio constitui um poderoso marcador das consequências devastadoras do pecado. Antes do dilúvio, os homens viveram quase um milénio.15 Depois do dilúvio, as eras caíram precipitadamente. Abraão viveu até 175 anos, e Moisés viveu até 120.16 No momento em que os Salmos foram escritos, considerava-se uma vida normal de 70 ou 80 anos (Salmo 90:10).
O grande dilúvio é a linha divisória narrativa. Marca um novo começo para a humanidade, mas num mundo profundamente marcado pelo juízo do pecado. O encurtamento da vida é uma manifestação física desta nova realidade quebrada. Portanto, os incríveis tempos de vida em Génesis 5 são mais do que apenas factos estranhos; São um fraco eco do mundo como Deus originalmente o projetou, uma memória da vida mais próxima da perfeição do Jardim do Éden. Devem despertar nos nossos corações um profundo anseio pelo futuro que Deus prometeu através de Cristo - um futuro sem mais morte, onde a vida eterna que se perdeu será plena e gloriosamente restaurada.
Quais personagens da Bíblia tinham as maiores famílias?
No mundo antigo, uma família numerosa era frequentemente vista como um sinal de riqueza, influência e bênção de Deus. O mandamento bíblico de "sede fecundos e multiplicai-vos" foi levado a sério, e os patriarcas de Israel são exemplos primordiais disso. Suas árvores genealógicas eram vastas e complexas, muitas vezes envolvendo várias esposas e servos, o que era uma prática cultural comum da época.
Jacó, que foi renomeado Israel, é famoso por ser o pai dos doze filhos que se tornariam os chefes das doze tribos de Israel. A família nasceu de quatro mulheres diferentes: as suas mulheres Lia e Raquel, e os seus servos, Bila e Silpa. No total, teve doze filhos e, pelo menos, uma filha, Diná.17 Quando todo o clã de Jacó se mudou para o Egito, o agregado familiar contava com 70 pessoas, um testemunho do rápido cumprimento da promessa de Deus de o tornar uma grande nação.19
Séculos mais tarde, a casa real do rei Davi era ainda maior. A Bíblia menciona pelo menos oito de suas esposas e menciona que ele teve muitas mais, além de pelo menos dez concubinas.21 A partir dessas uniões, as Escrituras registram os nomes de dezenove filhos e uma filha, Tamar.22 Isso nem sequer conta os muitos filhos que ele provavelmente teve com suas esposas e concubinas sem nome. O próprio Davi era de uma família numerosa, com sete irmãos e duas irmãs.24
Outra figura conhecida por sua enorme família foi Gideão, o juiz que derrotou os midianitas. A Bíblia diz que ele teve 70 filhos de suas muitas esposas, bem como mais um filho, Abimeleque, nascido de sua concubina de Siquém.
| Patriarca | Esposas/Concubinas | Crianças nomeadas | Referências Bíblicas |
|---|---|---|---|
| Jacó | 4 Esposas/Servas | 12 filhos, 1 filha | Génesis 29-30, 35 18 |
| Gideon | Muitas mulheres, 1 concubina | 71 filhos | Juízes 8 25 |
| David | 8+ mulheres, 10+ concubinas | 19+ filhos, 1+ filha | 2 Samuel, 1 Crónicas 22 |
Embora estas famílias numerosas fossem um sinal da bênção da aliança de Deus, a Bíblia é inabalavelmente realista quanto ao facto de serem também epicentros da rutura humana. Estas famílias complexas e poligâmicas eram muitas vezes cheias de ciúmes amargos, rivalidade e violência. A família de Jacó foi dilacerada pela rivalidade entre as suas mulheres, que levou os seus filhos a venderem o seu irmão José como escravo. A casa de David foi destruída pela violação da sua filha Tamar pelo seu meio-irmão Amnon, o que levou ao assassinato de Amnon pelo seu outro meio-irmão Absalão, que liderou uma violenta rebelião contra o próprio David22. Após a morte de Gideão, o seu filho Abimeleque assassinou 70 dos seus meio-irmãos numa tentativa implacável de obter o poder (Juízes 9).
A Bíblia não apresenta estas famílias como modelos idílicos. Apresenta-os como eram: confuso, complicado e pecaminoso. Isto serve a um poderoso propósito teológico. Demonstra que a fidelidade de Deus às suas promessas não depende da perfeição moral ou da estabilidade do seu povo. Prometeu a Abraão uma grande nação e fê-la passar pela família fraturada de Jacó. Prometeu a Davi um trono eterno e estabeleceu-o através da sua casa violenta e traiçoeira. É um poderoso lembrete de que Deus é um especialista em desenhar linhas retas com paus tortos, e que nossas próprias histórias confusas não estão fora do alcance de seu propósito redentor.
Quais são algumas histórias poderosas de heróis bíblicos menos conhecidos?
Para cada figura famosa como Moisés ou Davi, a Bíblia contém dezenas de histórias sobre indivíduos menos conhecidos que se intensificaram em momentos críticos para desempenhar um papel central no plano de Deus. Estes são os heróis desconhecidos, as pessoas das margens cuja coragem e fé mudaram o curso da história. Suas histórias revelam que Deus deleita-se em usar as pessoas mais inesperadas para cumprir a sua vontade.28
Alguns destes heróis são conhecidos pela sua coragem e esperteza surpreendentes. No livro dos Juízes, encontramos Ehud, um canhoto da tribo de Benjamim. Num mundo dominado por soldados destros, a sua singularidade era a sua maior arma. Escondeu um punhal na coxa direita, um lugar onde os guardas nunca pensariam em procurar. Ganhar uma audiência privada com o opressor rei Eglon, Ehud usou seu punhal escondido para assassinar o tirano e libertar Israel.
Jael, garantiu uma vitória para Israel através de um acto chocante de bravura. Quando o temível general inimigo Sísera procurou refúgio na sua tenda, acalmou-o para dormir com hospitalidade e, em seguida, conduziu uma estaca de tenda através do seu templo, derrotando sozinho um grande inimigo do povo de Deus.28
Talvez um dos atos de coragem mais importantes, mas esquecidos, tenha sido realizado por Jeoseba, Uma princesa de Judá. Quando sua própria mãe perversa, a rainha Atalia, entrou em fúria para assassinar toda a família real e tomar o trono, Jeoseba arriscou sua vida para resgatar seu sobrinho recém-nascido, Joás. Ao escondê-lo durante seis anos, ela salvou o último herdeiro sobrevivente do trono do rei Davi, preservando a linhagem sagrada da qual o Messias viria um dia.28
Outros heróis desconhecidos são recordados pela sua sabedoria e fé. O filhas de Zelofeade—Mahlah, Noah, Hoglah, Milcah e Tirzah — eram cinco irmãs que se encontravam numa situação difícil. Quando seu pai morreu sem filhos, a lei da época significava que sua família perderia a herança. Em vez de aceitarem isso, ousada e respeitosamente pediram a Moisés por seus direitos. O seu corajoso apelo à justiça era tão convincente que o próprio Deus instruiu Moisés a mudar a lei, estabelecendo um novo e importante precedente para a dignidade e os direitos das mulheres em Israel.
Jethro, sogro de Moisés. Como um estranho, ele foi capaz de ver o que Moisés não podia: que o grande líder estava queimando-se para tentar julgar todas as disputas entre o povo. Jetro ofereceu conselhos sábios e práticos para delegar autoridade, criando um sistema de governação que salvou o ministério de Moisés e trouxe ordem à nação.28
Um belo padrão emerge destas histórias: A escolha deliberada de Deus de utilizar pessoas que foram negligenciadas ou marginalizadas pela sua sociedade. Ele escolheu um homem canhoto, mulheres num mundo patriarcal, um estranho de outra tribo. Em cada caso, o que pode ter sido visto como uma fraqueza tornou-se a própria ferramenta que Deus usou para a vitória. A canhotidade de Ehud constituiu o elemento surpresa. O estatuto de mulher de Jael na sua tenda fê-la parecer não ameaçadora. A perspetiva externa de Jethro deu-lhe uma clareza única. Este é um princípio fundamental do reino de Deus, como o apóstolo Paulo escreveria mais tarde: «Deus escolheu as coisas tolas do mundo para envergonhar os sábios; Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes» (1 Coríntios 1:27). Quando Deus usa instrumentos improváveis, Ele recebe toda a glória, provando que a vitória é Dele, não nossa. Se alguma vez se sentir desqualificado ou sem importância, lembre-se destes heróis. Deus não olha para um currículo; Olha para o coração. A mesma coisa que pensas que te faz fraco pode ser a qualidade exata que Ele quer usar para a sua glória.
Os famosos heróis da Bíblia lutaram com a fé e a dúvida?
É um equívoco comum que os grandes heróis da Bíblia eram gigantes espirituais que nunca vacilaram em sua fé. A verdade, porém, é que as páginas das Escrituras estão cheias de um «camião cheio de duvidosos», e Deus acolhe cada um deles.33 As suas histórias não são histórias de certeza perfeita, mas de luta com Deus, de perguntas difíceis e de encontrar a fé no meio do medo e da incerteza.
Tomás, um dos doze discípulos de Jesus, é conhecido por «Duvidar de Tomé». Mas este rótulo não faz justiça à sua história. Era um homem a sofrer a morte brutal do seu amado mestre. A sua declaração, «Se não vir as marcas de unhas nas suas mãos... não acreditarei», não era apenas o grito de um céptico, mas de um coração partido que não suportava a esperança de novo. Quando Jesus lhe apareceu, não repreendeu Tomé; Convidou-o a tocar suas feridas. Nesse momento, a dúvida de Tomás dissolveu-se numa das confissões de fé mais poderosas de toda a Escritura: "Meu Senhor e meu Deus!" (João 20:28).34
O Antigo Testamento também está cheio de duvidadores. Gideon foi encontrado pelo anjo do Senhor escondido num lagar, a debulhar trigo em segredo, porque estava aterrorizado com os inimigos de Israel. Quando Deus o chamou de «guerreiro poderoso», a resposta de Gideão estava cheia de dúvidas quanto à presença de Deus e à sua própria capacidade. Testou repetidamente a Deus, pedindo sinais milagrosos com um velo de lã antes de confiar no chamado de Deus.34 Mesmo
Abraão e Sara, o pai e a mãe da fé, riram-se da promessa de Deus de que teriam um filho na sua extrema velhice. Parecia biologicamente impossível, uma promessa que desafiava toda a lógica e a experiência.35
Até mesmo os profetas mais poderosos tiveram momentos de profundo desespero. Depois de sua vitória triunfante sobre os profetas de Baal no Monte Carmelo, o poderoso profeta Elias fugiu para salvar a vida da rainha Jezabel. Caiu debaixo de uma árvore, queimou-se e aterrorizou-se, e pediu a Deus que o deixasse morrer.34
Pedro, a "rocha", que, num momento de medo da sua própria vida, negou veementemente até mesmo conhecer Jesus três vezes.34
Em cada uma destas histórias, a resposta de Deus à dúvida não é a ira ou o castigo, mas a paciência, a presença e a graça. Mostra a Thomas as suas feridas. Dá sinais a Gideão. Enfrenta gentilmente o riso de Sarah, mas continua a cumprir a sua promessa. Ele envia um anjo para alimentar e consolar um Elias desesperado. Jesus amorosamente restaura um Pedro a chorar. Isto revela uma verdade poderosa: A dúvida honesta, quando trazida a Deus, não é um assassino da fé, mas um refém da fé. Pode ser uma porta para uma relação mais autêntica e testada com Deus. Com efeito, no capítulo final do Evangelho de Mateus, como Jesus ressuscitado dá à Grande Comissão, a Bíblia observa que os discípulos O adoraram, «mas alguns duvidaram» (Mateus 28:17). Jesus não esperou que as suas dúvidas desaparecessem. Ele enviou-os de qualquer maneira.33 Se estás lutando contra a dúvida, estás em boa companhia. As suas perguntas não o desqualificam. Traga-os a Deus. Ele vos encontrará onde estiverdes, não com ira, mas com graça, e vos conduzirá a uma fé mais forte do que antes.
Quais são os temas mais importantes que Jesus ensinou?
Os ensinamentos de Jesus Cristo são o coração da fé cristã. Enquanto falava sobre inúmeros temas, vários temas principais correm como um fio de ouro através de seus sermões e parábolas, formando a base de sua mensagem ao mundo.
O tema mais comum no ensino de Jesus era a Reino de Deus, uma frase que aparece mais de 50 vezes nos Evangelhos.37 Este não era um reino político ou terreno que pudesse ser encontrado em um mapa. Em vez disso, Jesus falou da regra e do reinado dinâmicos de Deus — uma realidade que está presente agora nos corações dos crentes e virá na sua plenitude final no futuro. Ao concentrar-se constantemente no Reino de Deus, Jesus ensinou seus seguidores a levantar os olhos das preocupações temporárias deste mundo e fixá-los em verdades e valores eternos.37
Jesus também foi radicalmente honesto acerca da Custo do Discipulado. Ele nunca cobriu de açúcar o que significava segui-lo. Deixou claro que isso exigiria uma entrega total, sacrifício e uma vontade de «carregar a cruz».37 Este ensinamento desafiador foi concebido para separar as multidões casuais e milagrosas daqueles que estavam verdadeiramente comprometidos com ele. Força cada crente a examinar seus próprios motivos e a contar o custo do que significa ser um verdadeiro discípulo de Cristo.
Talvez o resumo mais querido do ensino de Jesus sobre o caráter de um cidadão do reino seja o Bem-aventuranças, Encontrado no Sermão da Montanha (Mateus 5). Estas oito afirmações apresentam uma definição radical e contracultural do que significa ser abençoado ou verdadeiramente feliz.39 Jesus declarou que a verdadeira bênção não se encontra no poder ou na riqueza, mas na humildade («pobres de espírito»), na capacidade de ensinar («os mansos»), num profundo desejo de Deus («fome e sede de justiça»), na compaixão («os misericordiosos»), na integridade interior («os puros de coração») e em ser agentes de reconciliação («os pacificadores»).39
O fio condutor que une todos os ensinamentos de Jesus é um enfoque revolucionário no coração interno sobre a observância religiosa externa. Ele sempre ensinou que o que importa para Deus não é apenas o que fazemos, mas por que o fazemos. No Sermão da Montanha, ele ampliou a ordem «Não matarás» para incluir a ira no coração, e «Não cometerás adultério» para incluir a luxúria no coração. Ele repreendeu os líderes religiosos de seu tempo por estarem obcecados com regras externas, embora seus corações estivessem longe de Deus. A principal preocupação de Jesus era a transformação do coração. Esta é a essência do "novo pacto" que ele veio estabelecer - um escrito não em tábuas de pedra, mas no coração do seu povo.
A arqueologia provou que quaisquer personagens da Bíblia realmente existiam?
Enquanto a fé cristã repousa no testemunho das Escrituras e na obra do Espírito Santo, não em provas arqueológicas, é sempre emocionante e confirmativo da fé quando as descobertas históricas se alinham com o registro bíblico. Nas últimas décadas, um conjunto crescente de provas forneceu uma verificação externa da existência de numerosas pessoas mencionadas na Bíblia, fundamentando a narrativa sagrada numa história real e tangível.
Um dos principais investigadores neste campo, o académico da Universidade de Purdue Lawrence Mykytiuk, desenvolveu um método rigoroso para identificar figuras bíblicas em inscrições antigas.40 Para confirmar uma identidade, o seu sistema requer três pontos de contacto: o nome numa inscrição autêntica deve corresponder ao nome bíblico, o período de tempo e o local devem corresponder e deve existir, pelo menos, outro identificador específico, como o título da pessoa ou o nome do pai. Esta metodologia rigorosa ajuda a excluir falsificações e identidades erradas.40
Utilizando esta abordagem cuidadosa, Mykytiuk confirmou a existência de 53 indivíduos específicos Esta lista não se limita aos reis famosos. Inclui:
- Categoria: Reis de Israel e Judá, como o rei Acabe, cuja participação na Batalha de Qarqar está registada no Monólito de Kurkh, um antigo artefacto assírio.40
- Funcionários estrangeiros, como Tattenai, um governador persa mencionado no livro de Esdras, e dois altos funcionários babilónicos que serviram sob o rei Nabucodonosor II.41
- Um escriba real, Elisama, que serviu ao rei Jeoiaquim de Judá. Numa descoberta incrível, um pequeno selo de barro (uma bula) com o seu nome e título, «Elishama, servo do rei», foi encontrado perto de Jerusalém, confirmando a sua existência exatamente como descrito em Jeremias 36.29.
Uma das mais importantes descobertas é a inscrição de Tel Dan, uma laje de pedra do século IX a.C. que contém a frase «Casa de David». Embora esta inscrição data de cerca de um século depois de o rei David ter vivido, fornece fortes provas não bíblicas de que uma dinastia real que remonta a uma figura histórica chamada David era conhecida pelos inimigos de Israel40.
Este crescente conjunto de evidências arqueológicas refuta poderosamente a alegação de que a Bíblia é apenas uma coleção de mitos. Demonstra que os escritores bíblicos não estavam a criar um mundo de fantasia. estavam a gravar eventos que ocorreram no mundo real, povoados por pessoas reais cujos nomes estão agora a ser redescobertos em artefactos antigos. Embora estes resultados não «provem» as verdades teológicas da Bíblia, apoiam fortemente a sua fiabilidade histórica. São um lembrete emocionante de que o Deus da nossa fé não é um Deus de «era uma vez», mas um Deus que age de forma decisiva na história humana real e verificável.
Qual é a coisa mais curta que alguém já disse na Bíblia?
Uma das peças mais famosas das trivias bíblicas diz respeito ao versículo mais curto da Bíblia. Na maioria das traduções para o inglês, este versículo é João 11:35, que contém apenas duas palavras simples: «Jesus chorou».8 Com apenas nove letras, é uma maravilha de brevidade.
Mas a resposta torna-se um pouco mais complicada quando olhamos para as línguas originais. No texto grego do Novo Testamento, «Jesus chorou» ( ⁇ δάκρυσεν ⁇ ⁇ ησο ⁇ ς) tem, na verdade, 16 letras. Um versículo mais curto em grego é 1 Tessalonicenses 5:16, «Alegrai-vos sempre», que tem apenas 14 letras.43 Se nos voltarmos para o Antigo Testamento hebraico, podemos encontrar um versículo ainda mais curto. Em 1 Crónicas 1:25, a lista dos nomes «Eber, Peleg, Reu» contém apenas nove letras no original hebraico (quando escrito sem vogais).43
Embora os pormenores técnicos sejam interessantes, o poderoso significado espiritual de «Jesus chorou» torna-o o mais poderoso e memorável destes versos curtos. Estas duas palavras são muito mais do que apenas trivia; Contêm um universo de verdades teológicas. A cena é o túmulo do querido Lázaro de Jesus. Jesus sabe que, em poucos momentos, ordenará a Lázaro que saia do sepulcro, vivo e bem. Porque é que Ele está a chorar?
Jesus não chora por desespero desesperado. Ele está a chorar de profunda e sincera empatia. Ele vê a dor crua das irmãs de Lázaro, Maria e Marta, e a Bíblia diz que Ele estava "profundamente comovido em espírito e perturbado" (João 11:33). Ele está a entrar totalmente no seu sofrimento. As suas lágrimas são uma resposta visceral à dor e ao desgosto que o pecado e a morte desencadearam no mundo que Ele criou.
Nestas duas palavras, vemos o belo mistério da Encarnação. O Filho de Deus todo-poderoso, aquele que detém as chaves da vida e da morte, é também um homem plenamente humano que sente a nossa tristeza tão profundamente que o leva às lágrimas. Este versículo é uma das janelas mais claras para o coração compassivo de Deus. Assegura-nos que o nosso Deus não está distante, desprendido ou insensível. Ele é Emanuel, «Deus connosco» — connosco na nossa alegria e, mais poderosamente, connosco na nossa dor. Se alguma vez sentiu que Deus está longe de seu sofrimento, agarre-se a estas duas palavras. Antes de trazer a ressurreição, Ele senta-se conosco na nossa dor. As tuas lágrimas não são invisíveis para Ele. Ele também os gritou.
Como a Bíblia Católica Difere em Personagens e Histórias?
Para os cristãos que procuram compreender toda a amplitude de sua herança de fé, é útil compreender as diferenças entre as Bíblias usadas nas tradições protestantes e católicas. Estas diferenças estão enraizadas na história e envolvem não só o número de livros, mas também a compreensão da forma como a revelação de Deus foi transmitida.
A Igreja Católica ensina que a revelação divina de Deus chega até nós através de um único «depósito de fé», que é transmitido de duas formas: A Sagrada Escritura (a Bíblia escrita) e a Sagrada Tradição.44 Isto não significa acrescentar à Bíblia tradições feitas pelo homem. Pelo contrário, a Sagrada Tradição é entendida como a fé viva dos Apóstolos, que foi transmitida oralmente e através de suas ações, e foi preservada pela Igreja sob a orientação do Espírito Santo. Tanto a Escritura como a Tradição são vistas como fluindo da mesma fonte divina, e a autoridade de ensino da Igreja (o Magistério) está encarregada de interpretar fielmente este depósito de fé.44
Isto leva a uma diferença no cânone do Antigo Testamento. As Bíblias católicas contêm sete livros que não são encontrados na maioria das Bíblias protestantes: Tobit, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Siraque e Baruque, bem como alguns aditamentos aos livros de Ester e Daniel.47 Os católicos referem-se a estes como os livros «Deuterocanónicos» (que significa «segundo cânone»), enquanto os protestantes frequentemente os chamam de «Apócrifos». Estes livros foram incluídos na Septuaginta, a antiga tradução grega do Antigo Testamento que foi amplamente utilizada por Jesus e pelos primeiros cristãos49.
Estes livros apresentam aos leitores novos personagens e histórias poderosas de fé:
- Tobit: Esta é uma história comovente sobre um homem justo chamado Tobit que se torna cego, e uma jovem chamada Sarah que é atormentada por um demónio. Em resposta às suas orações, Deus envia o anjo Rafael, disfarçado de humano, para acompanhar o filho de Tobit, Tobias, numa viagem. A história termina com Tobit e Sarah sendo curados e suas famílias unidas.48
- Judith: Esta é a história heróica de uma piedosa e bela viúva chamada Judith. Quando o exército assírio sitia sua cidade, ela toma o assunto em suas próprias mãos. Ela entra corajosamente no acampamento inimigo, encanta o general inimigo Holofernes e, quando ele está bêbado, mata-o, salvando seu povo da destruição.
- Os Macabeus: Os livros de 1 e 2 Macabeus são relatos históricos da revolta judaica contra o império grego no século II aC. Estão cheios de histórias de valor militar e fidelidade religiosa. Um dos relatos mais famosos é o martírio de uma mãe e dos seus sete filhos, que optaram por morrer em vez de desobedecer à lei de Deus, uma história poderosa que desenvolve explicitamente a crença judaica na ressurreição dos mortos48.
Embora os cristãos possam vir de tradições com diferentes cânones bíblicos, compreender os livros deuterocanônicos pode enriquecer a fé de todos os crentes. Estes livros fornecem um contexto histórico e teológico inestimável para o mundo em que Jesus viveu. Ajudam a colmatar o fosso de 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamentos, descrevendo a turbulência política e os desenvolvimentos religiosos — como a ascensão dos fariseus e uma clara crença na vida após a morte — que moldaram a cultura que Jesus e os apóstolos conheciam. A leitura da coragem de Judite ou da fidelidade dos mártires macabeus dá-nos uma imagem mais completa da «grande nuvem de testemunhas» (Hebreus 12, 1) que nos precedeu, recordando-nos que a família de Deus é ampla e diversificada.
Conclusão
As pessoas da Bíblia são mais do que apenas nomes em uma página ou personagens em contos antigos. São um álbum familiar de fé, cheio de indivíduos falhos, assustados e fiéis, cujas vidas testemunham o poder e a graça de Deus. As suas estatísticas e histórias não são apenas «factos divertidos»; São janelas para o coração de um Deus que usa consistentemente o ordinário para fazer o extraordinário, o fraco para envergonhar o forte e o partido para mostrar a sua glória.
Dos espantosos tempos de vida dos patriarcas aos surpreendentes trabalhos diários dos profetas e apóstolos, vemos um Deus que está intimamente envolvido nos detalhes reais e confusos da vida humana. Nas histórias de heróis desconhecidos como Jael e Jeosheba, vemos um Deus que capacita os esquecidos. Nas lutas de duvidadores como Tomé e Gideão, vemos um Salvador que nos encontra não com condenação, mas com compaixão. E na vida de Davi, o ser humano mais mencionado e profundamente falho nas Escrituras, vemos um retrato deslumbrante de uma graça que é maior do que os nossos maiores pecados.
