
Como posso rejeitar alguém e, ao mesmo tempo, demonstrar amor e compaixão semelhantes aos de Cristo?
Ao enfrentar a difícil tarefa de rejeitar alguém, devemos lembrar que, no centro dos ensinamentos de Cristo, está o amor – amor a Deus e amor ao próximo. Mesmo em momentos de rejeição, somos chamados a incorporar este amor.
Rejeitar com compaixão semelhante à de Cristo é reconhecer a dignidade e o valor inerentes à pessoa à nossa frente. É vê-la como Deus a vê – um filho amado, digno de respeito e bondade. Quando abordamos a rejeição a partir desta perspectiva, as nossas palavras e ações podem ser infundidas com gentileza e cuidado.
Considere a forma como Cristo interagiu com aqueles que a sociedade rejeitava. Ele não evitou conversas difíceis, mas abordou-as com ternura e compreensão. Nós também podemos lutar por este equilíbrio entre honestidade e compaixão.
Em termos práticos, isto pode significar escolher as nossas palavras cuidadosamente, falar com um tom caloroso e dedicar tempo para ouvir e reconhecer os sentimentos da outra pessoa. Significa ser claro na nossa comunicação enquanto afirmamos o valor da pessoa.
Lembre-se, a rejeição não nega o amor. Podemos dizer “não” a um pedido ou relacionamento enquanto dizemos “sim” a tratar a pessoa com dignidade. Ao fazê-lo, refletimos o amor incondicional de Cristo, que nos ama não pelo que fazemos ou deixamos de fazer, mas simplesmente porque somos Seus filhos.
Demonstrar amor semelhante ao de Cristo na rejeição significa colocar o bem-estar da outra pessoa em primeiro lugar. Significa considerar como podemos suavizar o impacto, oferecer encorajamento ou fornecer apoio, mesmo quando temos de dizer não. Desta forma, a rejeição torna-se não um ato de afastamento, mas uma oportunidade para demonstrar a profundidade e a amplitude do amor cristão.

O que a Bíblia diz sobre recusar pessoas ou dizer não?
As Escrituras oferecem-nos uma sabedoria poderosa sobre a delicada questão de recusar pessoas ou dizer não. Embora a Bíblia não utilize explicitamente a linguagem moderna de “rejeição”, ela fornece-nos princípios e exemplos que podem guiar as nossas ações nestas situações.
Vemos na vida de Jesus um modelo de estabelecimento de limites com amor. Cristo, na Sua infinita compaixão, não disse sim a todos os pedidos ou exigências que Lhe foram feitos. Em Marcos 1:35-38, encontramos Jesus a retirar-se das multidões para orar e, depois, a decidir seguir para outras aldeias em vez de regressar àqueles que O procuravam. Isto ensina-nos que dizer não pode, por vezes, ser necessário para cumprir o nosso propósito ou chamado maior.
As Escrituras também nos lembram da importância da honestidade no nosso discurso. Em Mateus 5:37, Jesus instrui: “Seja o vosso ‘Sim’, ‘Sim’, e o vosso ‘Não’, ‘Não’.” Isto chama-nos a ser claros e verdadeiros na nossa comunicação, mesmo quando isso significa recusar alguém.
No entanto, esta honestidade deve ser sempre temperada com bondade. Efésios 4:15 encoraja-nos a falar “a verdade em amor”. Quando temos de dizer não, somos chamados a fazê-lo de uma forma que edifique em vez de destruir.
A Bíblia também oferece exemplos de indivíduos piedosos que recusaram pedidos. Em Atos 21:13-14, Paulo rejeita gentil, mas firmemente, os apelos dos seus amigos para não ir a Jerusalém. Ele fá-lo com respeito e explicação, demonstrando que podemos discordar ou negar pedidos enquanto mantemos os relacionamentos.
As Escrituras ensinam-nos a considerar as necessidades dos outros acima das nossas (Filipenses 2:3-4). Este princípio pode guiar-nos na forma como abordamos a rejeição, encorajando-nos a considerar o impacto das nossas palavras e ações na outra pessoa.
A mensagem abrangente de amor da Bíblia deve informar a forma como recusamos as pessoas. 1 Coríntios 16:14 instrui: “Façam tudo com amor.” Isto inclui a difícil tarefa de dizer não ou rejeitar alguém.
Em todos estes ensinamentos, encontramos um apelo ao equilíbrio – ser honesto, mas gentil; claro, mas compassivo; firme nos nossos limites, mas suave na nossa abordagem. Este é o caminho de Cristo, e é o caminho que somos chamados a seguir, mesmo em momentos de rejeição.

Como posso ser honesto na minha rejeição sem ser desnecessariamente ofensivo?
O desafio de ser honesto na rejeição enquanto se evita mágoas desnecessárias é um desafio que requer grande sabedoria e compaixão. É um equilíbrio delicado, semelhante a caminhar numa corda bamba, onde devemos apoiar-nos na orientação do Espírito Santo para navegar este caminho com graça.
A honestidade, na sua forma mais pura, não pretende ferir, mas iluminar. Quando abordamos a rejeição com esta mentalidade, podemos estruturar as nossas palavras de forma a dizer a verdade enquanto honramos a dignidade da outra pessoa. Não se trata de suavizar a verdade, mas de apresentá-la de uma forma que possa ser recebida.
Devemos examinar os nossos próprios corações. As nossas motivações são puras? Estamos a rejeitar por amor e necessidade genuína, ou por egoísmo ou medo? Quando as nossas intenções estão enraizadas no amor, até as verdades difíceis podem ser expressas com gentileza.
Em termos práticos, ser honesto sem ferir desnecessariamente envolve frequentemente focar nos nossos próprios sentimentos ou circunstâncias, em vez de criticar a outra pessoa. Por exemplo, em vez de dizer: “Tu não és bom o suficiente”, pode-se dizer: “Não sinto que sejamos a combinação certa”. Isto desloca o foco das suas supostas falhas para as suas próprias necessidades ou sentimentos.
É também importante reconhecer os sentimentos da outra pessoa e a dificuldade da situação. Isto demonstra empatia e ajuda a suavizar o impacto da rejeição. Pode dizer: “Compreendo que isto possa ser dececionante e lamento qualquer dor que isto cause”.
Lembre-se, a honestidade não exige que partilhemos todos os pensamentos ou razões. Podemos ser verdadeiros sem divulgar detalhes que possam causar mágoas desnecessárias. O objetivo é comunicar claramente enquanto se demonstra respeito e cuidado pelos sentimentos da outra pessoa.
O momento e o ambiente também desempenham um papel crucial. Escolha um momento privado, dê à pessoa a sua atenção total e permita tempo para que ela processe e responda. Isto demonstra respeito e pode ajudar a mitigar a dor da rejeição.
Por último, ofereça esperança ou encorajamento sempre que possível. Isto pode significar destacar as qualidades positivas da pessoa ou expressar confiança no seu futuro. Mesmo na rejeição, podemos ser uma fonte de elevação e apoio.
Em tudo isto, lembremo-nos das palavras de São Paulo em Colossenses 4:6: “Que a vossa conversa seja sempre cheia de graça, temperada com sal.” Que as nossas palavras, mesmo na rejeição, sejam preenchidas com a graça e o amor de Cristo.

É aceitável rejeitar alguém, ou os cristãos devem sempre dizer sim?
Esta questão toca num aspeto fundamental da nossa jornada cristã – o equilíbrio entre amor e limites, entre serviço e autocuidado. É uma questão que exige que nos aprofundemos nos ensinamentos da nossa fé e no exemplo deixado pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
Deixem-me ser claro: não só é aceitável que os cristãos rejeitem alguém ou digam não por vezes, como também pode ser necessário e até virtuoso fazê-lo. A nossa fé não nos chama a ser capachos ou a aquiescer a todas as exigências que nos são feitas. Pelo contrário, chama-nos ao discernimento, à sabedoria e à gestão do nosso tempo, recursos e energia.
Considere a vida de Jesus. Embora Ele fosse infalivelmente compassivo, Ele não disse sim a todos os pedidos. Ele retirou-se das multidões para orar (Lucas 5:16), recusou-se a realizar milagres sob demanda (Mateus 12:38-39) e até repreendeu Pedro quando necessário (Mateus 16:23). Jesus demonstrou que dizer não pode, por vezes, ser a resposta mais amorosa e que mais honra a Deus.
Como cristãos, somos chamados a ser bons administradores daquilo que Deus nos confiou. Isto inclui o nosso tempo, os nossos talentos e os nossos recursos emocionais e físicos. Dizer sim a tudo não só nos esgotaria, como também poderia impedir-nos de cumprir o chamado específico que Deus colocou nas nossas vidas.
Dizer sempre sim pode permitir comportamentos prejudiciais nos outros ou levar-nos a situações que comprometem os nossos valores ou bem-estar. É importante lembrar que o verdadeiro amor cristão não consiste em agradar a todos, mas em procurar o que é verdadeiramente melhor para os outros e para nós mesmos à luz da vontade de Deus.
Mas isto não nos dá licença para sermos egoístas ou insensíveis nas nossas rejeições. Quando dizemos não, deve ser feito com oração, consideração cuidadosa e compaixão. Devemos esforçar-nos por oferecer alternativas ou apoio sempre que possível e tratar sempre a outra pessoa com respeito e bondade.
Em Eclesiastes 3:1, somos lembrados de que “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Isto inclui um tempo para dizer sim e um tempo para dizer não. Discernir entre estes tempos faz parte do nosso crescimento na maturidade cristã.
Como posso rejeitar alguém preservando a sua dignidade e autoestima?
Quando enfrentamos a tarefa de rejeitar alguém, devemos abordá-la com o máximo cuidado e reverência pela pessoa humana à nossa frente. Cada indivíduo é criado à imagem de Deus, imbuído de dignidade e valor inerentes que nenhuma rejeição pode diminuir. O nosso desafio, então, é comunicar o nosso comunicar o nosso “não” de uma forma que afirme esta verdade fundamental.
Devemos enraizar as nossas ações no amor – não a emoção passageira, mas o amor profundo e duradouro que procura o bem do outro. Este amor reconhece que preservar a dignidade de alguém na rejeição não consiste em poupá-lo de toda a dor, mas em tratá-lo com o respeito e a compaixão que merece como filho de Deus.
Em termos práticos, isto significa estar atento às nossas palavras, tom e linguagem corporal. Fale gentilmente, mantenha contacto visual e, se apropriado, ofereça um gesto de conforto. Estes pequenos atos podem transmitir respeito e cuidado mesmo quando entregamos notícias difíceis.
É crucial separar a pessoa da rejeição. Deixe claro que o seu “não” é para um pedido ou situação específica, não uma rejeição da pessoa em si. Pode dizer: “Embora eu não possa concordar com isto, saiba que valorizo você e o nosso relacionamento.”
A honestidade é importante, mas a bondade também. Ofereça uma explicação breve e verdadeira para a sua rejeição sem entrar em detalhes ofensivos. Foque nas suas próprias limitações ou circunstâncias em vez de falhas percebidas na outra pessoa.
Reconheça os seus sentimentos e a coragem que pode ter sido necessária para se colocar numa posição vulnerável. Esta validação pode ajudar muito a preservar o seu sentido de valor. Pode dizer: “Agradeço a sua abertura e honestidade ao partilhar isto comigo.”
Sempre que possível, ofereça alternativas ou expresse a sua disposição para apoiá-los de outras formas. Isto mostra que, embora esteja a dizer não a uma coisa, não os está a rejeitar totalmente.
Lembre-se, preservar a dignidade de alguém também significa respeitar a sua privacidade. Evite discutir a rejeição com outros, a menos que seja absolutamente necessário, e não de uma forma que possa embaraçar ou humilhar a pessoa.
Finalmente, no espírito dos ensinamentos de Cristo, ore pela pessoa que está a rejeitar. Peça o conforto e a orientação de Deus para ela, e sabedoria para si mesmo ao lidar com a situação com graça.
Em tudo isto, inspiremo-nos nas palavras de São Paulo em Romanos 12:10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” Mesmo na rejeição, podemos honrar a outra pessoa, afirmando o seu valor e dignidade como filhos amados de Deus.

Quais são algumas formas gentis de recusar um interesse romântico dentro da comunidade da igreja?
Navegar por interesses românticos dentro das nossas comunidades de fé requer grande cuidado, sabedoria e compaixão. Quando temos de recusar o interesse romântico de alguém, somos chamados a fazê-lo com gentileza e respeito, sempre atentos à preservação da dignidade da outra pessoa e da harmonia da nossa família na igreja.
Devemos abordar esta situação delicada com oração, pedindo a orientação de Deus para falar a verdade em amor. Quando chegar o momento de ter esta conversa difícil, escolha um ambiente privado onde possa falar abertamente sem embaraço. Comece por afirmar o valor da outra pessoa e o valor que atribui à sua amizade. Expresse gratidão pelo seu interesse, reconhecendo que é preciso coragem para ser vulnerável em assuntos do coração.
Depois, com bondade e clareza, explique que não partilha dos mesmos sentimentos românticos ou sentido de chamado para um relacionamento. Seja honesto, mas não duro. Evite dar falsas esperanças ou fazer promessas sobre o futuro que não pode cumprir. Em vez disso, afirme o seu desejo de manter uma comunhão cristã calorosa como irmãos e irmãs em Cristo.
Nos dias e semanas que se seguem, esteja atento aos sentimentos da outra pessoa. Dê-lhes espaço se necessário, mas não se afaste completamente. Continue a tratá-los com calor e respeito nos ambientes da igreja. Ore pela sua cura e para que Deus os conduza à pessoa certa no Seu tempo. Ao lidar com esta situação com graça, pode ajudar a preservar a unidade dentro do Corpo de Cristo e modelar o amor semelhante ao de Cristo, mesmo em circunstâncias difíceis.
Lembre-se de que todos estamos numa jornada de crescimento. A rejeição, embora dolorosa, pode ser uma oportunidade para o amadurecimento espiritual quando abordada com fé e compaixão. Que o Espírito Santo guie as suas palavras e ações enquanto navega nesta situação sensível com amor e sabedoria.

Como posso rejeitar o pedido ou convite de alguém sem prejudicar o nosso relacionamento?
Nas nossas vidas diárias, deparamo-nos frequentemente com situações em que temos de recusar pedidos ou convites daqueles que nos rodeiam. Isto pode ser um desafio, uma vez que desejamos manter relações positivas, respeitando simultaneamente os nossos próprios limites e restrições. No entanto, com oração, sabedoria e um cuidado genuíno pelos outros, podemos navegar nestas águas de uma forma que preserve e até fortaleça as nossas ligações.
Quando confrontado com um pedido ou convite que tem de recusar, comece por examinar o seu coração. As suas razões são sólidas e justas? Está a agir por egoísmo ou por necessidade genuína? Leve isto à oração, pedindo ao Espírito Santo que guie o seu discernimento e purifique as suas intenções.
Uma vez clara a sua decisão, aborde a conversa com empatia e bondade. Expresse gratidão sincera pelo convite ou por ter sido lembrado para o pedido. Reconheça o valor do que está a ser oferecido. Depois, explique as suas razões para recusar de uma forma que seja honesta, mas não ofensiva. Concentre-se nas suas próprias circunstâncias ou limitações, em vez de quaisquer falhas percebidas na oferta deles.
Por exemplo, pode dizer: “Estou profundamente sensibilizado por ter pensado em mim para esta oportunidade. O seu trabalho nesta área é muito importante. Infelizmente, os meus compromissos atuais impedem-me de aceitar, mas quero que saiba o quanto aprecio a sua consideração.”
Se for apropriado, ofereça uma alternativa de como poderá ajudar ou apoiá-los, mesmo que seja simplesmente prometer rezar pelo seu empreendimento. Isto demonstra que valoriza a relação e que não os está a rejeitar como pessoa.
Após a conversa, faça um acompanhamento com um gesto gentil – talvez uma nota de encorajamento ou um pequeno ato de serviço – para reforçar o laço da sua relação. Continue a mostrar interesse nas atividades deles e interaja calorosamente quando os vir.
Lembre-se de que as relações saudáveis envolvem tanto dar como receber, mas também o respeito pelos limites de cada um. Ao comunicar com amor, honestidade e respeito, pode manter o precioso dom da amizade mesmo quando tem de dizer não. Que o Senhor o abençoe com sabedoria e graça em todas as suas interações.

Qual deve ser o papel da oração no processo de rejeitar alguém?
A oração é o próprio batimento cardíaco da nossa vida cristã, o fôlego das nossas almas. Em todas as coisas, especialmente em assuntos delicados de relações humanas, devemos recorrer à oração como o nosso primeiro e constante recurso. Quando confrontado com a difícil tarefa de rejeitar alguém, seja em questões de romance, pedidos ou qualquer outro contexto, a oração deve permear cada passo do processo.
Comece por levar a situação perante o Senhor em humilde súplica. Peça a sabedoria de Salomão, a compaixão de Jesus e a orientação do Espírito Santo. Reze por clareza de mente e pureza de coração, para que as suas motivações possam estar alinhadas com a vontade de Deus. Peça a graça de ver a outra pessoa como Deus a vê – um filho amado de valor imensurável.
Enquanto se prepara para a conversa, reze pelas palavras certas para dizer a verdade com amor. Peça ao Senhor que prepare tanto o seu coração como o coração da outra pessoa, para que possa haver compreensão e paz, apesar do potencial para sentimentos feridos. Reze pela força para ser honesto e claro, evitando a tentação de oferecer falsas esperanças ou mensagens pouco claras devido a um desejo mal colocado de evitar o desconforto.
Durante a própria conversa, mantenha uma atitude de oração interior. Peça ao Espírito Santo que guie as suas palavras e ações, para o ajudar a ouvir com empatia e a responder com graça. Reze pela capacidade de permanecer calmo e compassivo, mesmo que a outra pessoa reaja com raiva ou dor.
Após a conversa, continue em oração. Ofereça ações de graças pela presença e orientação de Deus através do momento difícil. Reze pela cura e paz da outra pessoa, para que possa encontrar conforto no amor de Deus. Peça a graça de cumprir quaisquer compromissos que tenha assumido e de manter limites apropriados daqui para a frente.
Nos dias e semanas que se seguem, persista em elevar tanto a si próprio como à outra pessoa em oração. Peça ao Senhor que tire o bem desta situação desafiante, que aprofunde a sua fé e a deles, e que fortaleça os laços da comunidade cristã apesar das desilusões humanas.
Lembre-se de que a oração não é apenas palavras ditas, mas uma orientação constante do coração para Deus. Ao imergir todo o processo de rejeição na oração, convidamos a graça transformadora de Deus até para as interações humanas mais difíceis. Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e mentes enquanto navegam nestas águas desafiantes com amor e fé.

Como posso rejeitar alguém e, ainda assim, deixar a porta aberta para uma amizade futura?
A nossa jornada pela vida está repleta de relações complexas e interações delicadas. Quando nos encontramos na posição de ter de rejeitar alguém, seja um convite romântico ou um pedido de envolvimento, somos chamados a agir com clareza e compaixão. O nosso objetivo deve ser honrar a verdade dos nossos sentimentos ou circunstâncias, preservando ao mesmo tempo a preciosa possibilidade de uma amizade futura.
Para alcançar este equilíbrio delicado, devemos primeiro abordar a situação com um coração cheio de caridade. Lembre-se de que a pessoa à sua frente é um filho amado de Deus, merecedor de dignidade e respeito. Mesmo enquanto se prepara para dar notícias que podem causar dor, mantenha no seu coração um desejo genuíno pelo bem-estar e felicidade deles.
Quando chegar o momento de ter esta conversa difícil, escolha as suas palavras com cuidado. Seja claro e honesto sobre a sua decisão de rejeitar a proposta ou pedido deles, mas faça-o com gentileza. Evite linguagem dura ou detalhes desnecessários que possam causar mágoa adicional. Em vez disso, concentre-se em expressar gratidão pelo interesse ou convite deles, reconhecendo a coragem que foi necessária para o contactar.
Por exemplo, pode dizer: “Sinto-me verdadeiramente honrado por ter pensado em mim desta forma. A sua amizade significa muito para mim. Embora não me sinta chamado a seguir uma relação romântica (ou a assumir este compromisso), valorizo profundamente a nossa ligação e espero que possamos continuar a apoiar-nos como amigos.”
É importante ser claro sobre os seus limites daqui para a frente, mas também expressar abertura para manter uma relação positiva. Pode sugerir tirar algum tempo e espaço para permitir a cura emocional, mas também expressar a sua esperança de uma amizade contínua no futuro, quando ambos se sentirem prontos.
Nas semanas e meses que se seguem, esteja atento a oportunidades para demonstrar a sua sinceridade ao valorizar a amizade. Pequenos gestos de bondade – uma saudação amigável, uma pergunta atenciosa sobre a vida deles ou uma oferta de apoio em oração – podem ajudar a reconstruir a confiança e o conforto ao longo do tempo.
Lembre-se de que a verdadeira amizade é um dom de Deus, construído sobre o respeito mútuo, a compreensão e o cuidado pelo bem-estar um do outro. Ao rejeitar com bondade e deixar a porta aberta para uma ligação futura, honra tanto a verdade do seu próprio coração como a dignidade inerente da outra pessoa. Que o Espírito Santo o guie em todas as suas interações, ajudando-o a ser um instrumento do amor e da paz de Deus no mundo.

Existem exemplos nas Escrituras de pessoas piedosas que rejeitaram outras e com as quais podemos aprender?
As Sagradas Escrituras são uma rica fonte de sabedoria e orientação para todos os aspetos das nossas vidas, incluindo a questão delicada de rejeitar os outros. Embora a Bíblia não utilize a linguagem moderna de “rejeição”, podemos encontrar vários exemplos de pessoas piedosas a estabelecer limites ou a recusar pedidos de formas que oferecem lições valiosas para nós hoje.
Um exemplo comovente vem da vida do próprio Jesus. No Evangelho de Marcos, capítulo 10, lemos sobre o jovem governante rico que se aproxima de Jesus, perguntando o que deve fazer para herdar a vida eterna. Jesus, olhando para ele, amou-o e convidou-o a vender tudo o que tinha, dar aos pobres e segui-Lo. Quando o jovem se foi embora triste, incapaz de aceitar este apelo, Jesus não o perseguiu nem comprometeu a Sua mensagem. No entanto, vemos que a resposta inicial de Jesus foi de amor, e o Seu convite permaneceu aberto, mesmo enquanto permitia que o jovem fizesse a sua própria escolha.
A partir disto, aprendemos a importância de responder aos outros com amor, mesmo quando temos de dizer não. Vemos também que, por vezes, a rejeição pode ser necessária para o crescimento espiritual de ambas as partes. A posição firme de Jesus desafiou o jovem a examinar as suas prioridades e abriu a porta para uma transformação futura.
Outro exemplo instrutivo vem do livro dos Atos, capítulo 16. Paulo e os seus companheiros planeavam pregar a palavra na Ásia, mas lemos que “o Espírito Santo os proibiu”. Mais tarde, tentaram entrar na Bitínia, “mas o Espírito de Jesus não lho permitiu”. Aqui vemos uma rejeição divina de planos humanos, redirecionando os apóstolos para onde eram verdadeiramente necessários. Isto ensina-nos a importância de procurar a orientação de Deus nas nossas decisões e de estar abertos ao Seu redirecionamento, mesmo quando isso significa dizer não a oportunidades aparentemente boas.
No Antigo Testamento, encontramos a história de Noemi e Rute. Quando Noemi decidiu regressar a Belém após a morte do seu marido e filhos, instou as suas noras a regressarem ao seu próprio povo. Enquanto Rute escolheu ficar com Noemi, Orfa beijou a sua sogra e regressou a casa. As ações de Noemi aqui demonstram uma forma altruísta de rejeição, priorizando o que ela acreditava ser melhor para as jovens mulheres em detrimento do seu próprio conforto e apoio potenciais.
Estes exemplos bíblicos ensinam-nos vários princípios importantes: agir com amor mesmo na rejeição, procurar a orientação de Deus nas nossas decisões, permitir aos outros a liberdade de fazerem as suas próprias escolhas e, por vezes, rejeitar por preocupação altruísta com o bem-estar do outro.
À medida que enfrentamos situações em que temos de rejeitar os outros, voltemo-nos para estes exemplos bíblicos em busca de orientação. Que possamos, como Jesus, agir sempre a partir de um lugar de amor. Que possamos, como Paulo, permanecer abertos à direção do Espírito Santo. E que possamos, como Noemi, considerar o verdadeiro bem-estar dos outros, mesmo quando nos custa pessoalmente. Desta forma, até os nossos atos de rejeição podem tornar-se oportunidades para o crescimento, a transformação e o testemunho do amor de Deus no mundo.
Bibliografia:
Abdelkarim, A., Abdelfattah, I., Mirkovic, J., Kocic, G., Alexopoulos, C., Jurinjak, Z., Ramalheira, F., Moreno, M. C
