Mormonismo vs. Cristianismo: O que os separa?




  • Teologia: Os mórmons acreditam em uma divindade de três seres separados e no potencial para os seres humanos se tornarem deuses, enquanto o cristianismo tradicional ensina a Trindade e uma clara distinção Criador-criatura.
  • A Escritura e a Revelação: Os mórmons aceitam escrituras adicionais (Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios, Pérola de Grande Valor) e acreditam na revelação contínua através dos profetas modernos, enquanto o cristianismo tradicional baseia-se exclusivamente na Bíblia e considera a revelação pública completa.
  • A salvação e a vida após a morte: O mormonismo ensina múltiplos graus de glória celestial, famílias eternas e a possibilidade de progressão após a morte, enquanto o cristianismo tradicional geralmente apresenta uma dicotomia céu/inferno mais simples e enfatiza a salvação pela graça apenas através da fé.
  • Estrutura e Práticas da Igreja: A igreja mórmon tem uma estrutura centralizada liderada por um profeta vivo e pratica ordenanças únicas, como o batismo para os mortos e os casamentos no templo, enquanto as denominações cristãs tradicionais têm estruturas de liderança variadas e geralmente não realizam esses rituais específicos.
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Mormonismo e Cristianismo: Uma viagem de compreensão com a graça e a verdade

Um simpático e bem vestido jovem par de missionários toca a campainha, ansioso para partilhar uma mensagem sobre Jesus Cristo. Um vizinho, conhecido pelos seus fortes valores familiares e carácter impecável, convida a sua família para uma actividade na enfermaria. Um parente anuncia que encontrou um novo lar espiritual em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estes encontros são comuns, e muitas vezes deixam os cristãos com uma mistura de calor e perguntas profundas e persistentes. A sinceridade e a bondade de muitas pessoas mórmons são evidentes e admiráveis.1 No entanto, à medida que as conversas se aprofundam, surge uma paisagem confusa.

Este artigo destina-se a ser um guia gentil através dessa paisagem. Não é um ataque uma exploração amorosa e honesta das diferenças fundamentais entre os ensinamentos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (muitas vezes referida como a Igreja SUD ou Mormonismo) e a fé cristã histórica e bíblica. O objetivo é procurar clareza com compaixão, compreender as diferentes respostas às questões mais importantes da vida e equipar os crentes para falarem a verdade com amor.3 O desafio central que muitos cristãos enfrentam é que muitas vezes usamos as mesmas palavras — «Deus», «Jesus», «salvação», «graça» — mas descobrimos que têm significados profundamente diferentes.4 Este caminho de compreensão começa por desembaraçar este vocabulário partilhado para revelar dois caminhos muito diferentes.

Os mórmons são cristãos, e por que esta questão é tão complicada?

A questão de saber se os mórmons são cristãos é talvez o ponto de partida mais comum e mais complexo. A resposta depende inteiramente de quem é perguntado, porque as duas religiões definem o próprio termo «cristão» a partir de dois pontos de partida fundamentalmente diferentes.

O «sim» da perspetiva LDS

Do ponto de vista oficial de A Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, a resposta é um «sim» inequívoco.6 Os membros salientam que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Salvador do mundo, e o centro absoluto da sua fé e adoração.7 O próprio nome da igreja destina-se a refletir este foco centrado em Cristo.

Mas a Igreja SUD não se vê como parte da família histórica das denominações católicas, protestantes ou ortodoxas. Em vez disso, ensina-se que é o restauração De acordo com a doutrina Mórmon, após a morte dos apóstolos originais, a igreja caiu num período de apostasia universal, conhecido como a Grande Apostasia. Durante este tempo, acredita-se que doutrinas cruciais, a autoridade do sacerdócio e a "plenitude do evangelho" foram perdidas da terra.8 Não foi até a década de 1820, eles ensinam, que Deus Pai e Jesus Cristo apareceram a um jovem chamado Joseph Smith para restaurar esta verdade e autoridade perdidas, tornando a Igreja SUD a "única igreja verdadeira e viva" na face da terra hoje.9

O «não» da perspetiva cristã histórica

Para a grande maioria do cristianismo dominante, a resposta é «não». Esta conclusão não se baseia num julgamento da sinceridade ou do caráter moral de uma pessoa com base em definições teológicas fundamentais. Durante quase 2 000 anos, o termo «cristão» foi definido por um compromisso comum com um conjunto de doutrinas fundamentais e não negociáveis que foram afirmadas pela igreja primitiva e resumidas em declarações fundamentais como o Credo dos Apóstolos e o Credo de Niceia11.

A mais essencial destas doutrinas é a natureza de Deus como uma Trindade - um Deus eternamente existente em três pessoas co-iguais: Pai, Filho e Espírito Santo. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias rejeita explicitamente o Credo Niceno e a doutrina da Trindade, vendo estas formulações históricas não como uma verdade preservada como prova da «grande apostasia» que acreditam ter corrompido o cristianismo original.6 Uma vez que o mormonismo nega este e outros princípios centrais da fé histórica, como a natureza de Deus e a suficiência da Bíblia, o cristianismo dominante não o reconhece como uma denominação cristã.

Mover-se para além do rótulo

O debate sobre o rótulo «cristão» é um sintoma de uma divisão muito mais profunda. Representa um choque fundamental entre duas narrativas irreconciliáveis da história e da autoridade. Uma narrativa, a do cristianismo tradicional, acredita na fidelidade de Deus para preservar a Sua verdade e a Sua Igreja ao longo da história, guiada pelo Espírito Santo e fundamentada no registo bíblico.11 A outra narrativa, a do mormonismo, acredita numa perda completa da verdade e da autoridade que exigiu uma restauração completa através de um profeta moderno.9

Dizer «somos cristãos» do ponto de vista dos SUD é dizer «somos os apenas verdadeiro Dizer «os mórmons não são cristãos» numa perspetiva histórica é dizer «as reivindicações e doutrinas fundamentais do mormonismo estão fora da fé contínua e biblicamente definida». Para compreender verdadeiramente as diferenças, é necessário ir além do rótulo e examinar as próprias crenças fundamentais.

Adoramos o mesmo Deus e o mesmo Jesus?

No centro da divisão entre mormonismo e cristianismo está a questão mais fundamental de todas: Quem é Deus? Embora ambas as religiões utilizem os nomes «Deus Pai» e «Jesus Cristo», os seres a que estes nomes se referem são radicalmente diferentes. Esta não é uma questão de pequenos pormenores de duas concepções completamente separadas e mutuamente exclusivas da divindade.

A Natureza de Deus

No cristianismo histórico e bíblico, Deus é o Criador único, eterno e imutável de todas as coisas. Ele é um Espírito, sem um corpo físico, que sempre existiu e é a fonte de toda a realidade.14 Ele criou o universo a partir do nada.ex nihilo11 A Bíblia declara: «Antes que nascessem os montes, ou que tivésseis nascido o mundo inteiro, de eternidade a eternidade, vós sois Deus» (Salmo 90:2). É um ser necessário, ou seja, não pode não existe, e a sua natureza é imutável: "Eu, o Senhor, não mudo" (Malaquias 3:6).14

Em contraste, o Mormonismo ensina que Deus Pai, a quem chamam Elohim, é um homem exaltado com um corpo físico de carne e ossos.6 De acordo com a doutrina SUD, ele já foi um ser mortal em outro mundo que, através da obediência às leis e ordenanças, progrediu para a divindade.14 Esta crença é famosamente encapsulada em um dístico de um antigo presidente SUD, Lorenzo Snow: «Como o homem é agora, Deus já foi; como Deus é agora, o homem pode ser».15 Neste ponto de vista, Deus, o Pai, não é a fonte eterna e incriada de todas as coisas, é ele próprio um produto de um sistema pré-existente. Ele é uma divindade em uma linhagem de muitos deuses que alcançaram este estado exaltado.

Isto conduz a uma divergência filosófica poderosa. O Deus da Bíblia é soberano sobre toda a realidade. É o Legislador. O Deus do Mormonismo não é a fonte última da realidade. Em vez disso, ele está sujeito a um sistema pré-existente e impessoal de leis eternas que regem a progressão. Se Deus Pai tinha que seguir um plano para tornar-se Deus, então o plano em si é mais fundamental e poderoso do que Ele é. Não é a fonte da lei eterna, É o seu seguidor mais bem sucedido. O derradeiro "deus" neste sistema não é um ser pessoal, a "lei da progressão eterna" impessoal.

A Natureza de Jesus Cristo

Estes diferentes pontos de vista de Deus, o Pai, levam a pontos de vista igualmente diferentes de Jesus Cristo. O cristianismo afirma que Jesus é o Filho eterno de Deus, totalmente Deus e totalmente homem, um em ser e substância com o Pai.14 Ele não é um ser criado, mas existiu desde toda a eternidade. O Evangelho de João começa com esta poderosa declaração: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... sem ele nada foi feito do que foi feito" (João 1:1, 3). É o Filho unigénito e único de Deus, singular na sua natureza e no seu papel.13

O Mormonismo apresenta um Jesus diferente. No ensino SUD, Jesus, conhecido como Jeová em sua vida pré-mortal, foi o primeiro filho espiritual gerado por Deus Pai e uma Mãe Celestial.8 Nesta existência pré-terra, ele era o irmão mais velho literal de todas as outras crianças espirituais, incluindo Lúcifer (Satanás).17 Foi escolhido para ser o Salvador e, através de sua vida e expiação, progrediu para a divindade, proporcionando um caminho para outras crianças espirituais - incluindo homens mórmons dignos hoje - fazerem o mesmo.14

A Divindade vs. A Trindade

Isto leva à distinção crucial entre a "Divindade" Mórmon e a "Trindade" Cristã. Quando os cristãos falam da Trindade, eles significam um Deus que existe em três pessoas co-iguais e co-eternas: Pai, Filho e Espírito Santo. São um no ser, na substância e na essência.

Quando os mórmons usam o termo "Divindade", referem-se a um conselho de três deuses separados e distintos: Deus Pai (Elohim), Jesus Cristo (Jeová) e o Espírito Santo.6 São descritos como sendo "um" apenas no seu propósito e vontade, não no seu ser ou substância.15 Esta é uma forma de politeísmo (crença em múltiplos deuses), que se opõe diretamente ao monoteísmo (crença num só Deus) que é a base do judaísmo e do cristianismo.

A tabela a seguir fornece um resumo claro e detalhado destas diferenças fundamentais. Atua como uma chave para compreender por que todos os outros aspectos das duas fés divergem tão significativamente.

CrençaCristianismo Histórico (Bíblia)Mormonismo (SUD Escrituras & Profetas)
A Natureza de DeusUm Espírito eterno, imutável. Criador de todas as coisas a partir do nada.Um dos muitos deuses. Um homem exaltado com um corpo físico que progrediu para a divindade. Organizou o mundo a partir da matéria existente.
A Natureza de JesusO Filho de Deus, eterno e incriado, uno em estar com o Pai. Único.O filho espiritual primogénito de Deus Pai e Mãe Celestial. O irmão mais velho de todos os espíritos, incluindo Lúcifer.
A Trindade/DivindadeUm Deus em três pessoas co-iguais, co-eternas (Pai, Filho, Espírito Santo).Três deuses separados e distintos (a Divindade) que estão unidos em propósito.
EscrituraA Bíblia (66 livros) é a Palavra de Deus completa, definitiva e suficiente.A Bíblia (na medida em que traduzido corretamente), o Livro de Mórmon, Doutrina & Convênios, e Pérola de Grande Valor. Um «cânone aberto» com revelação contínua.
HumanidadeCriado à imagem de Deus, mas caído e pecador, incapaz de salvar a si mesmo.Filhos espirituais pré-existentes de Deus. A Queda foi um passo necessário no plano para os seres humanos ganharem corpos e progredirem em direção à divindade.
Caminho para a SalvaçãoUm dom gratuito da graça recebido pela fé apenas na obra consumada de Jesus Cristo na cruz.Uma combinação de graça e obras. Exige fé, arrependimento, batismo e obediência às leis e ordenanças SUD para alcançar a "exaltação" (deusidade).
A vida após a morteA vida eterna no céu com Deus para os crentes, ou a separação eterna de Deus no inferno para os incrédulos.Três reinos de glória (Celestial, Terrestre, Telestial). O mais alto, o Reino Celestial, é para os mórmons dignos que podem se tornar deuses.

O que é o Livro de Mórmon e por que os cristãos não o aceitam como Escritura?

O Livro de Mórmon é o texto fundamental da Igreja SUD e a principal razão de sua existência. Compreender o que afirma ser e por que essas afirmações não são aceitas pelo cristianismo é essencial para compreender a divisão entre as duas fés.

Reivindicação SUD

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apresenta o Livro de Mórmon como «Outro Testamento de Jesus Cristo».19 Diz-se que é um registo divinamente inspirado das relações de Deus com os antigos habitantes das Américas, de aproximadamente 600 a.C. a 400 d.C. De acordo com o relato oficial, este registo foi gravado em placas de ouro por profetas antigos e foi revelado a Joseph Smith por um anjo chamado Moroni. Diz-se que Smith traduziu as placas pelo poder divino.20

O livro é considerado pelos Santos dos Últimos Dias como o "mais correto de qualquer livro na terra" e a "pedra angular" da sua religião.22 Acredita-se que restaure a "plenitude do evangelho eterno", contendo verdades "claras e preciosas" que foram perdidas ou removidas da Bíblia ao longo dos séculos.22

Preocupações cristãs e contra-argumentos

Os cristãos não aceitam o Livro de Mórmon como escritura por várias razões importantes, enraizadas na teologia, história e provas.

  • O Problema de um Cânone Fechado: A fé cristã sustenta que o cânone das Escrituras está fechado. A Bíblia apresenta-se como a revelação completa e suficiente de Deus para a salvação e a vida cristã. O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo que as Sagradas Escrituras «são capazes de vos tornar sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus» e são suficientes para tornar o crente «totalmente equipado para toda a boa obra» (2 Timóteo 3:15-17).16 O livro do Apocalipse encerra com uma advertência solene contra acrescentar ou retirar as palavras de Deus, que os cristãos historicamente entenderam aplicar ao cânone completo das Escrituras (Apocalipse 22:18-19).16
  • Falta de provas externas: Um dos maiores desafios às alegações do Livro de Mórmon é a total ausência de provas corroborantes. Apesar de descrever vastas civilizações, cidades maciças, metalurgia sofisticada e guerras épicas envolvendo milhões de pessoas, não há provas arqueológicas que apoiem a sua narrativa.23 Nenhuma cidade, pessoa ou artefatos do Livro de Mórmon foram descobertos. Uma extensa pesquisa de ADN mostrou que os antepassados dos nativos americanos modernos vieram da Ásia, não do Médio Oriente, como afirma o Livro de Mórmon.
  • Anacronismos: O livro contém numerosos anacronismos — elementos que estão fora de lugar no seu suposto contexto histórico. Menciona itens como aço, cavalos, gado, trigo e carros na América antiga, nenhum dos quais existia na era pré-colombiana de acordo com todas as provas históricas e arqueológicas credíveis.
  • Questões textuais: Uma grande bandeira vermelha para os estudiosos bíblicos é que o Livro de Mórmon contém mais de 25 mil palavras citadas diretamente da Versão King James da Bíblia do século XVII. Isso inclui passagens do Novo Testamento que foram escritas muito depois que os povos do Livro de Mórmon supostamente deixaram Jerusalém. Ele até mesmo replica erros de tradução específicos para a KJV, o que é inexplicável para um texto supostamente traduzido de placas antigas.

Na prática, embora a Igreja SUD afirme que o Livro de Mórmon apoia a Bíblia, ele funciona como a lente interpretativa final através da qual a Bíblia deve ser lida. Os líderes SUD ensinaram que a maneira mais confiável de medir a precisão de qualquer passagem bíblica é compará-la com o Livro de Mórmon e as revelações modernas.22 Isto efetivamente subordina a Bíblia, tornando-a um texto secundário que só é considerado confiável quando se alinha com as escrituras SUD. Isto inverte a abordagem do cristão, que considera a Bíblia como a autoridade final.

O «teste» da verdade: Sentimento vs. facto

O principal método de verificação oferecido pela Igreja SUD não é uma prova histórica, mas uma experiência subjetiva, espiritual. Os missionários encorajam os investigadores a ler o Livro de Mórmon e depois orar, perguntando a Deus se é verdade. Tal baseia-se num versículo do próprio livro conhecido como «Promessa de Moróni», que diz que Deus «manifestar-vos-á a verdade, pelo poder do Espírito Santo» (Moroni 10:4). Esta confirmação é frequentemente descrita como uma «queima no peito» ou um sentimento de paz23.

Esta abordagem é fundamentalmente diferente do padrão bíblico da verdade. A fé cristã não se baseia em sentimentos privados, que podem ser enganosos em acontecimentos públicos, verificáveis e históricos — principalmente a vida, a morte e a ressurreição corporal de Jesus Cristo. A Bíblia encoraja os crentes a "testar tudo" (1 Tessalonicenses 5:21) e a examinar todos os ensinamentos contra a medida estabelecida das Escrituras, como fizeram os bereanos (Atos 17:11).

Como a visão mórmon da Bíblia difere da visão cristã?

O oitavo artigo de fé da Igreja SUD afirma: «Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus na medida em que é traduzida corretamente».25 Embora esta afirmação possa parecer razoável à primeira vista, a frase qualificativa «na medida em que é traduzida corretamente» é a chave para compreender um fosso profundo e intransponível entre os pontos de vista mórmon e cristão das Escrituras.

A visão SUD: Um texto corrompido e incompleto

Na prática, a Igreja SUD ensina que a Bíblia tem sido significativamente corrompida ao longo do tempo. A narrativa oficial é que, após a morte dos apóstolos originais, uma "grande e abominável igreja" removeu deliberadamente verdades "claras e preciosas" do texto bíblico.19 Como resultado, a Bíblia, tal como existe hoje, é vista como um documento defeituoso e incompleto, insuficiente por si só para a salvação.22

Este ponto de vista fomenta um ceticismo profundo em relação à fiabilidade da Bíblia. O ex-profeta SUD Joseph Fielding Smith ensinou que, com o Livro de Mórmon e outras escrituras SUD como guia, «não é difícil discernir os erros da Bíblia».22 Isto significa que, sempre que uma passagem bíblica contradiz a doutrina mórmon, presume-se que a Bíblia é o texto errado. Esta perspectiva é uma necessidade fundamental para toda a fé Mórmon. Sem uma Bíblia quebrada e pouco fiável, não haveria necessidade de uma «restauração» das verdades perdidas, não haveria necessidade de o Livro de Mórmon a corrigir e não haveria necessidade de um profeta moderno como Joseph Smith produzir novas escrituras. A doutrina de uma Bíblia corrompida cria um vácuo teológico que o Mormonismo se posiciona para preencher.

Para corrigir estes erros detetados, Joseph Smith produziu a sua própria «Versão Inspirada» da Bíblia, vulgarmente conhecida como a Tradução de Joseph Smith (JST). Esta não era uma tradução de manuscritos antigos, mas um processo de reescrever a Versão King James através do que ele alegou ser revelação divina, acrescentando, removendo e alterando milhares de versos.11 Isto levanta uma questão para muitos cristãos: Se a KJV padrão é tão corrupta, por que a Igreja SUD continua a usá-la como sua Bíblia oficial, e por que grandes porções dela são citadas textualmente no Livro de Mórmon?

A visão cristã: Uma palavra fiável e suficiente

Em contraste, o cristianismo histórico tem uma visão elevada das Escrituras. Os cristãos acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada, autorizada e suficiente.16 O apóstolo Paulo escreve que «toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e treinar em justiça» (2 Timóteo 3:16). O próprio Jesus tinha as Escrituras do Antigo Testamento na mais alta consideração, citando-as como a Palavra de Deus autoritária e afirmando: "A Escritura não pode ser quebrada" (João 10:35).22

Enquanto os cristãos reconhecem os desafios da tradução e a existência de variantes copistas menores no vasto número de manuscritos antigos, o campo acadêmico da crítica textual dá forte confiança de que a Bíblia que temos hoje é uma representação notavelmente precisa e confiável dos escritos originais. Crucialmente, nenhuma doutrina central da fé cristã é prejudicada por quaisquer variantes textuais. A mensagem do amor de Deus, da divindade de Cristo e da salvação pela graça através da fé é afirmada de forma esmagadora e consistente em toda a tradição manuscrita. A Bíblia não é uma "carta morta" que precisa ser corrigida dos profetas modernos, a Palavra viva e ativa de Deus (Hebreus 4:12).22

Qual é o Caminho para a Salvação no Mormonismo vs. Cristianismo?

Talvez nenhuma diferença entre o mormonismo e o cristianismo tenha consequências pessoais mais poderosas do que a resposta à pergunta «O que devo fazer para ser salvo?» As duas religiões apresentam dois evangelhos fundamentalmente diferentes, um centrado apenas na graça e o outro numa combinação de graça e obras para a exaltação.

Cristianismo: A Salvação da Graça Sozinha

O Evangelho bíblico é uma mensagem de graça radical. Ensina que a salvação é um dom gratuito de Deus, oferecido à humanidade pecadora não com base no mérito ou nas obras unicamente através da fé na obra consumada de Jesus Cristo14. A Bíblia é clara ao afirmar que «todos pecaram e estão aquém da glória de Deus» (Romanos 3:23) e que a pena pelo pecado é a morte. Porque a humanidade é incapaz de salvar-se, Deus em seu amor enviou seu Filho, Jesus, para viver uma vida perfeita e morrer na cruz, pagando a penalidade pelos nossos pecados.

A salvação é recebida por confiar apenas em Jesus. O apóstolo Paulo resume famosamente estas boas novas: "Porque pela graça sois salvos, pela fé - e isto não vem de vós mesmos, é dom de Deus - não pelas obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9).23 As boas obras não são o meio de salvação, mas o belo e necessário

resultado de um coração transformado pela graça de Deus. A garantia de salvação do cristão não se baseia no seu próprio desempenho no desempenho perfeito de Cristo em seu nome.

Mormonismo: Obras para a Exaltação

O mormonismo redefine tanto a "salvação" como a "graça". Ensina uma forma de salvação universal ou "geral", o que significa que, por causa da expiação de Cristo, quase todos serão ressuscitados e receberão um grau de glória em um dos três reinos celestiais.10 Mas o objetivo final de um Mórmon fiel não é apenas ser salvo para alcançar a "exaltação" - também chamada de "vida eterna" ou "deus" - no Reino mais elevado, ou Celestial.10

Esta exaltação não é um dom gratuito. Deve ser conquistada através da obediência estrita a todas as leis e ordenanças do evangelho Mórmon.16 Uma escritura SUD frequentemente citada para explicar isso é 2 Néfi 25:23, que afirma: "...porque sabemos que é pela graça que somos salvos,

Depois de tudo o que podemos fazerNeste sistema, «tudo o que podemos fazer» inclui a fé em Cristo, o arrependimento, o batismo por uma pessoa com autoridade no sacerdócio SUD, receber o Espírito Santo, o dízimo, guardar a «Palavra de Sabedoria» (um código de saúde) e participar fielmente nas ordenanças do templo.10

Tal cria uma distinção crítica na forma como a «graça» é entendida. No cristianismo, a graça é o favor imerecido que salva uma pessoa. No mormonismo, a graça é melhor compreendida como um poder capacitador divino que ajuda uma pessoa a fazer as obras necessárias para ganhar sua própria exaltação. A graça, na visão SUD, só faz a diferença depois que um indivíduo esgotou seus próprios esforços para ser perfeitamente obediente.

A experiência vivida de dois evangelhos

Esta diferença doutrinária cria experiências vividas muito diferentes. Muitos dos que deixaram a Igreja Mórmon falam do pesado fardo do perfeccionismo e da constante ansiedade de nunca se sentirem «dignos» ou suficientemente bons para merecerem a plena aprovação de Deus27. Um antigo membro, Beth Lundgreen, descreveu o devastador impacto emocional: «Não tive outra escolha senão culpar-me porque Deus e a Igreja são perfeitos. Não é de surpreender que, depois de décadas de sentimento de inutilidade e de ficar aquém das minhas expectativas de Deus, me tenha tornado extremamente deprimido e suicida».27

Em contraste pungente, muitos que deixam este sistema e encontram o evangelho bíblico da graça descrevem um poderoso senso de liberdade e alegria. Falam do alívio de descansar na obra acabada de Cristo. Um ex-mórmon partilhou a sua experiência num testemunho poderoso: «Descobri esta coisa incrível chamada graça... Apenas pensei que era isso? É isso? Tudo o que tenho de fazer é aceitar Jesus?... É tão libertador. É a melhor coisa de sempre».29 Outro expressou uma relação pessoal recém-descoberta com Deus: «Estando fora do mormonismo, disse Deus numa semana mais do que disse Deus como mórmon durante toda a minha vida... Para poder ter uma relação pessoal com ele que nunca tive antes».30

Por que os mórmons acreditam em profetas modernos?

Uma característica definidora de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a sua crença em profetas vivos e revelação contínua. Esta doutrina é central para a sua afirmação de ser a igreja restaurada de Deus na terra e cria uma estrutura de autoridade fundamentalmente diferente da do cristianismo bíblico.

A Doutrina da Revelação Contínua

O mormonismo baseia-se no princípio de que a comunicação de Deus com a humanidade não cessou com a conclusão da Bíblia31. Eles acreditam num «cânone aberto», o que significa que novas escrituras podem ser adicionadas às obras-padrão (a Bíblia, o Livro de Mórmon, a Doutrina e os Pactos e a Pérola de Grande Valor)17.

Central para esta crença é o papel do Presidente da Igreja SUD. É considerado um «profeta, vidente e revelador» vivo, com o mesmo cargo e autoridade que profetas bíblicos como Moisés, Isaías ou Pedro.31 Ensina-se que recebe revelação diretamente de Jesus Cristo para fornecer orientação, clarificar doutrina e liderar a igreja no mundo moderno. Os membros da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze Apóstolos também são sustentados como profetas, videntes e reveladores.

Isso cria uma forte cultura de obediência à liderança da igreja. Os membros são ensinados desde tenra idade a «seguir o profeta», com a garantia de que ele é o porta-voz de Deus na terra e nunca desviará a igreja33.

A Perspetiva Cristã sobre a Revelação

O Cristianismo Bíblico ensina que, enquanto Deus continua a guiar, consolar e falar aos crentes pessoalmente através do Espírito Santo, o ofício de profeta - no sentido de alguém que entrega uma nova revelação pública, autoritária, para toda a igreja - cessou com a era apostólica. O livro de Hebreus começa por fazer esta distinção clara: «No passado, Deus falou muitas vezes aos nossos antepassados através dos profetas e, nestes últimos dias, falou-nos de várias formas pelo seu Filho» (Hebreus 1:1-2).

A fé cristã sustenta que o cânone das Escrituras está fechado. A Bíblia é a fonte de autoridade completa e final para a doutrina e a prática. A fé foi "de uma vez por todas confiada aos santos" (Judas 1:3). Não há necessidade de uma nova revelação para estabelecer a doutrina, porque a revelação definitiva de Deus já foi dada na pessoa e obra de Jesus Cristo, conforme registado no Novo Testamento.

A crença em um profeta vivo cria um sistema de autoridade evolutiva que é estranho ao cristianismo bíblico. Porque o profeta atual é acreditado para receber revelação obrigatória, seus pronunciamentos podem alterar, reinterpretar ou mesmo reverter os ensinamentos de profetas ou escrituras passadas. Isto aconteceu em várias ocasiões importantes na história dos SUD, como o Manifesto de 1890 que pôs fim à prática da poligamia e a revelação de 1978 que estendeu o sacerdócio aos homens negros.9 Do ponto de vista cristão, isto torna a verdade eterna instável e sujeita às declarações de um líder humano, em vez de estar ancorada na imutável Palavra de Deus.

O que acontece dentro dos templos mórmons e por que são mantidos sagrados?

Para os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, os templos são os lugares mais sagrados da Terra. Eles são distintos das capelas onde os serviços semanais de domingo são realizados. Embora as capelas estejam abertas ao público, os templos só são acessíveis a membros de boa reputação que tenham sido entrevistados pelos seus líderes locais e que tenham recebido uma «recomendação do templo».35 Dentro destes templos, são realizadas cerimónias sagradas, chamadas ordenanças, que os mórmons acreditam serem essenciais para a exaltação.

As principais ordenanças do templo

As ordenanças mais importantes realizadas nos templos SUD não são encontradas na Bíblia e são exclusivas do mormonismo.

  • Batismo para os Mortos: Esta é uma prática onde os membros vivos da igreja são batizados por imersão como procuradores de seus antepassados falecidos e outros que morreram sem receber um batismo mórmon. A Igreja SUD ensina que isso dá aos mortos a oportunidade de aceitar o evangelho no mundo espiritual.
  • Dotação: A investidura é uma longa cerimônia em que os membros fazem uma série de pactos (promessas sagradas) com Deus. Estes incluem pactos de obediência, sacrifício, castidade e consagração de todo o seu tempo e recursos à Igreja SUD.38 A cerimónia envolve uma apresentação ritualizada do plano de salvação e o ensino de apertos de mão secretos, nomes, sinais e sinais que, de acordo com o ensino SUD, são necessários para passar por sentinelas angélicas e entrar na presença de Deus no Reino Celestial.35 Como parte da investidura, os participantes recebem e comprometem-se a usar roupas íntimas especiais, muitas vezes chamadas de "vestuário-templo", para o resto das suas vidas.38
  • Vedantes: Nas selagem dos templos, um homem e uma mulher são casados não só «até que a morte os separe», mas também «pelo tempo e por toda a eternidade».37 O objetivo é criar uma unidade familiar eterna que possa continuar a existir e a procriar na vida após a morte. As crianças nascidas de um casal selado «nascem no pacto», enquanto outras crianças podem ser seladas aos pais numa cerimónia separada35.

Estas ordenanças do templo são a aplicação prática da teologia única do mormonismo. São as "obras" essenciais necessárias para alcançar o mais alto nível de salvação. Sem o dom e a selagem do templo, acredita-se que o caminho para a exaltação e a divindade esteja bloqueado. Isto torna a frequência ao templo e a "dignidade" um foco central da vida de um mórmon devoto.

Perspectivas e Preocupações Cristãs

Do ponto de vista cristão bíblico, há várias preocupações sérias com as práticas do templo mórmon.

  • Falta de Base Bíblica: O Novo Testamento não fornece nenhuma base para qualquer uma dessas cerimónias. O batismo pelos mortos não é uma prática da igreja primitiva. Jesus ensinou explicitamente que não há casamento na ressurreição (Mateus 22:30), contradizendo a ideia de selagem eterna.35 O evangelho da graça não exige rituais secretos, apertos de mão ou senhas para a salvação.
  • Segredo: Embora os mórmons descrevam as cerimónias do templo como «sagradas, não secretas», o facto de os participantes jurarem nunca discutir os detalhes específicos dos pactos e das fichas fora do templo é preocupante para muitos cristãos.23 Jesus conduziu o seu ministério abertamente, afirmando: «Falei abertamente ao mundo... Não disse nada em segredo» (João 18:20).23
  • Paralelos maçónicos: Historiadores têm documentado as semelhanças marcantes entre a cerimónia de investidura SUD e os rituais da Maçonaria. Joseph Smith tornou-se mestre maçom apenas sete semanas antes de apresentar a cerimónia de investidura de Nauvoo. Muitos dos elementos - incluindo o vestuário especial, aventais, apertos e sinais secretos, penalidades e representações simbólicas - têm paralelos diretos nos ritos maçónicos.39 Esta ligação histórica mina a alegação de que o dom era um rito antigo restaurado pela revelação divina.

Qual é a posição oficial da Igreja Católica sobre o mormonismo?

O católico como o maior corpo cristão do mundo, emitiu decisões formais sobre sua relação com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sua posição fornece um exemplo claro de como uma tradição enraizada em credos históricos e sucessão apostólica vê as reivindicações do mormonismo.

A decisão sobre o batismo: Inválido

Em 2001, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) do Vaticano, então chefiada pelo Cardeal Joseph Ratzinger (que mais tarde se tornaria o Papa Bento XVI), emitiu uma resposta formal à questão de saber se os batismos mórmons são válidos. A resposta foi um «Negativo» definitivo42, o que significa que a Igreja Católica não reconhece um batismo realizado na Igreja SUD como um batismo cristão válido.

A principal razão para esta decisão é a diferença fundamental na doutrina de Deus. A CDF explicou que, embora os mórmons utilizem a fórmula trinitária — «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» — as palavras não significam a mesma coisa.42 O Pai, o Filho e o Espírito Santo no mormonismo não são as três pessoas do único Deus de crença cristã são três deuses separados que formam uma «divindade».45 Por conseguinte, a Igreja Católica concluiu que um batismo mórmon não é uma invocação da Trindade, mas de uma divindade politeísta.44

A CDF chegou ao ponto de afirmar que as diferenças doutrinárias são tão poderosas que o mormonismo não pode sequer ser considerado uma heresia cristã (uma versão distorcida do cristianismo). Em vez disso, os seus ensinamentos têm uma «matriz completamente diferente».46 Uma vez que a compreensão mórmon de Deus é diferente, a intenção do ministro que realiza o batismo não pode ser «fazer o que a Igreja faz», o que é um requisito para um sacramento válido.

Implicações práticas e outras preocupações

Esta decisão tem consequências práticas importantes. Qualquer mórmon que deseje converter-se ao catolicismo deve ser batizado, já que seu batismo SUD anterior é considerado nulo.43 A decisão também afeta como a Igreja vê os casamentos entre católicos e mórmons, que são tratados como casamentos entre um cristão batizado e uma pessoa não batizada.46

Em 2008, o Vaticano deu o passo adicional de instruir todas as dioceses católicas em todo o mundo a negar à Sociedade Genealógica de Utah da Igreja SUD o acesso aos registos batismais paroquiais48. Esta diretiva foi emitida para bloquear a prática mórmon do «batismo pelos mortos» póstumo. A carta do Vaticano referia-se a esta prática como uma «prática prejudicial» e afirmava que a Igreja não podia cooperar com as «práticas erróneas» da Igreja SUD fornecendo os nomes dos católicos falecidos para o rebatismo por procuração47.

Se usamos as mesmas palavras, por que é tão confuso falar com nossos amigos mórmons?

Uma das frustrações mais comuns que os cristãos expressam depois de falar com missionários mórmons ou amigos é um sentimento de confusão. A conversa parece andar em círculos, e apesar de usar o mesmo vocabulário religioso, ambas as partes muitas vezes se afastam sentindo-se incompreendidas. Este problema de «mesmas palavras, dicionários diferentes» constitui um obstáculo fundamental a uma comunicação clara.4

Histórias diferentes, significados diferentes

A raiz da confusão é que as palavras têm significados diferentes porque estão incorporadas em duas histórias abrangentes completamente diferentes, ou "metanarrativas", sobre Deus, a humanidade e o propósito da vida.5

  • A história bíblica: A Bíblia conta a história da Criação, Queda, Redenção e Restauração. Deus cria um mundo bom, a humanidade rebela-se e cai no pecado, Deus inicia um plano de redenção através de Israel que culmina na pessoa e obra de Jesus Cristo, e Ele promete uma futura restauração de todas as coisas.
  • A história Mórmon: O Mormonismo conta a história da Existência Pré-mortal, Testes Mortais e Progressão Eterna. Todos os seres humanos existiram como filhos espirituais de pais celestiais antes do nascimento, vieram à terra para ganhar um corpo e serem testados, e depois da morte prosseguirão para um dos três reinos de glória, com o objetivo final de progredir para a divindade como o Pai.

Como as histórias fundamentais são diferentes, os termos-chave dentro delas necessariamente têm significados diferentes. «Salvação» na história bíblica significa ser resgatado de Pecado e Morte por A obra redentora de Cristo. "Salvação" na história Mórmon muitas vezes significa ser ressuscitado ou ter a oportunidade para trabalhar para divindade. As palavras são as mesmas, o contexto narrativo que lhes dá significado é totalmente diferente.

Metas desalinhadas na conversa

Outra fonte de frustração decorre de objetivos desalinhados. Muitas vezes, um cristão entra em uma conversa com o objetivo de esclarecer a doutrina e corrigir o que vê como erro teológico, apelando à lógica e à evidência bíblica.3 Em contraste, os missionários mórmons são frequentemente treinados para compartilhar um testemunho simples e encorajar o ouvinte a procurar uma confirmação pessoal, emocional ou espiritual de sua verdade através da oração.23 Uma pessoa está a tentar ter um debate teológico; o outro está a tentar facilitar uma experiência espiritual. Isto leva a conversas onde nenhuma das partes se sente ouvida.51

Conselhos Práticos para Melhores Conversas

Navegar nestas conversas requer paciência, sabedoria e amor.

  • Crie amizades genuínas: O diálogo significativo raramente acontece em um único encontro à porta. Cresce a partir da confiança e da relação. O objetivo de qualquer conversa não deve ser «ganhar» um argumento para «colocar uma pedra no sapato» — dar-lhes uma coisa clara, gentil e verdadeira para pensar mais tarde.52
  • Defina cuidadosamente os termos: Em vez de assumir um significado partilhado, faça perguntas delicadas e esclarecedoras. «É uma palavra interessante. Pode ajudar-me a compreender o que significa «graça» para si?» ou «Quando fala em tornar-se semelhante a Deus, como é que isso se parece?», o que pode abrir a porta para explicar o significado bíblico de uma forma não conflituosa53.
  • Conte a melhor história: Em vez de ficar preso no debate das definições, concentre-se em partilhar a história bíblica da graça de Deus. Partilhe o seu testemunho pessoal do que o dom gratuito da salvação de Cristo significa para si. Uma história convincente de graça é muitas vezes mais poderosa do que uma lista de contrapontos doutrinários.

O que podemos aprender com as histórias daqueles que deixaram o mormonismo?

Ouvir as histórias daqueles que se afastaram do Mormonismo oferece uma perspectiva poderosa e profundamente humana sobre as doutrinas e a cultura da Igreja SUD. Deixar uma fé altamente exigente e abrangente raramente é uma decisão fácil. Muitas vezes, envolve uma enorme dor pessoal, a perda de todo o mundo social e espiritual e relações fraturadas com a família e os amigos27. Estas histórias não devem ser abordadas com um sentimento de triunfo, com uma compaixão poderosa e um desejo de compreender.

Temas comuns em suas viagens

Embora cada história seja única, vários temas poderosos emergem repetidamente nos testemunhos dos ex-santos dos últimos dias.

  • O fardo esmagador do perfeccionismo: Muitos descrevem uma vida passada a lutar por um padrão inatingível de "dignidade". O sistema baseado em obras de ganhar exaltação conduz frequentemente a sentimentos profundos de vergonha, ansiedade, depressão e à sensação constante de que se é um fracasso aos olhos de Deus e da igreja.27
  • A Libertadora Descoberta da Graça: Um tema central que altera a vida é a descoberta do evangelho bíblico da graça. Os ex-membros falam com emoção esmagadora sobre o alívio e a alegria de aprender que a salvação é um dom gratuito, que Jesus é suficiente e que sua relação com Deus não depende de seu próprio desempenho impecável.29 Esta descoberta é muitas vezes descrita como um véu a ser levantado ou um peso pesado a ser removido.
  • Uma Crise de Honestidade e Confiança: Para muitos, a viagem começa com uma crise de fé enraizada na história. Descobrem informações sobre o passado da Igreja — como a prática de poligamia de Joseph Smith, os relatos múltiplos e contraditórios da sua «Primeira Visão» ou a falta de provas do Livro de Mórmon — que contradizem diretamente a narrativa simplificada e promotora da fé ensinada pela Igreja. Tal conduz frequentemente a um sentimento de traição e a uma perda de confiança na honestidade da instituição28.
  • A dor de ser incompreendido: Uma fonte profunda de mágoa para muitos que partem é a forma como a sua decisão é muitas vezes interpretada por familiares e amigos crentes. É-lhes frequentemente dito que «nunca tiveram realmente um testemunho», «foram preguiçosos», «só queriam pecar» ou foram «enganados por Satanás». O seu percurso intelectual e espiritual sincero, muitas vezes angustiante, é descartado, o que invalida toda a sua experiência de vida dentro da fé58.

O que isto significa para a comunidade cristã

Estas histórias oferecem lições inestimáveis para os cristãos que desejam ministrar com amor e eficácia aos seus vizinhos mórmons.

  • Ser um porto seguro: A igreja cristã deve ser um local de refúgio para os que questionam ou abandonam o mormonismo. Precisam de uma comunidade que ofereça amor incondicional, apoio e aceitação, livre do julgamento e da pressão que estão a deixar para trás.
  • Compreenda a profundidade da perda: Uma pessoa que abandona o mormonismo não está apenas a mudar igrejas. estão muitas vezes a perder a sua identidade, a sua comunidade, a sua estrutura familiar e toda a sua visão do mundo. Tenham paciência com o seu processo de pesar, ira e confusão.27
  • Apontem gentilmente a Jesus: A mensagem mais convincente e curativa que a igreja pode oferecer é o evangelho simples, belo e verdadeiro da graça. As histórias dos ex-mórmons confirmam que esta mensagem é «o poder de Deus para a salvação». É a resposta ao peso das obras, o bálsamo para uma consciência ferida e a fonte de uma relação verdadeira e pessoal com o Deus vivo.

Um Pensamento Final Sobre a Graça e a Verdade

Compreender as profundas diferenças entre o mormonismo e o cristianismo bíblico não é um exercício de superioridade intelectual. Trata-se de uma questão de significado eterno, enraizada num amor pela verdade de Deus e num amor genuíno pelas pessoas. O chamado para os crentes é manter estas duas coisas em perfeito equilíbrio: ser claro e firme acerca da verdade do evangelho, enquanto estende a graça do evangelho a todos. Isto significa construir amizades genuínas, ouvir com empatia e estar sempre pronto, com gentileza e respeito, a partilhar a razão da esperança que está dentro de nós — uma esperança que não se encontra nas nossas próprias obras apenas na obra consumada de Jesus Cristo.

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