
Vista de Eremo delle Carceri, Assis, Itália, julho de 2025. / Crédito: Emma Silvestri
Assis, Itália, 27 de julho de 2025 / 07:00 am (CNA).
Todos conhecem a Basílica de São Francisco em Assis, o local de sepultamento do fundador da ordem franciscana, bem como a basílica que abriga a Porciúncula. Mas poucos conhecem o Eremo delle Carceri, uma ermida escondida nas montanhas, rodeada de árvores — um local de silêncio onde o próprio «Poverello» se retirou para rezar.

Em cada estação, uma multidão interminável aglomera as majestosas entradas das Basílicas Superior e Inferior em Assis, na região da Úmbria da Itália. Milhares de turistas pisam os paralelepípedos da cidade medieval com suas fachadas de pedra pálida. Enquanto isso, a apenas cinco quilómetros do centro, acima da cidade, a atmosfera é completamente diferente: Aqui reinam o silêncio e a solidão. Isto é o que Francisco e seus companheiros procuraram no início do século XIII.
No final de uma subida sinuosa, nas encostas do Monte Subasio a uma altitude de cerca de 800 metros (cerca de 2.625 pés), o primeiro frade franciscano ergueu um pequeno eremitério aninhado na vegetação. Neste lugar sagrado, ainda não há chifres de carro, vendedores de recordações, restaurantes — apenas pássaros que acolhem as almas que vêm rezar.

No século XV, São Bernardino de Siena esculpiu um convento sobre o que tinha sido a retirada de Francisco do ruído do mundo. Assim, o refúgio original criado por Francisco cresceu sala a sala, tornando-se um mosteiro multinível — mas ainda marcado pela rusticidade e austeridade.
No claustro de entrada, os peregrinos podem ver o «Bem de Francisco», que marca o local onde se diz que a água surgiu na sequência de um milagre de Francisco. Em seguida, podem entrar numa pequena sala que serviu de refeitório dos monges, com a sua simples mesa longa e bancos de madeira sem adornos. Continuando ao longo do caminho, os visitantes encontram a mesma simplicidade no pequeno coro, onde apenas 10 pessoas podem caber nas estreitas barracas de madeira.

Uma cama de pedras
Nesta ermida, cujas janelas se abrem para a floresta, tudo aponta para a humildade. As portas e aberturas são tão pequenas que é preciso curvar-se para entrar, fazer-se pequeno. O caminho continua através de escadas estreitas esculpidas na rocha, formando um labirinto pontilhado com claraboias, descendo mais profundamente na montanha até chegar à Gruta de São Francisco (grotta di San Francesco), o coração do convento.
Aqui, o fundador dos franciscanos retirava-se, passando as noites sozinho em meditação com Deus. Atrás de um corrimão de madeira, pode-se inclinar e ver a sua invulgar «cama» — sem lençóis, sem moldura, nem mesmo um colchão. O «Poverello» de Assis repousava sobre a pedra dura e cinzenta, mais um sinal da renúncia e mortificação que abraçou.

Junto à gruta do santo encontra-se um pequeno oratório onde os frades da comunidade primitiva rezavam. Francisco não foi o único a procurar uma vida de sacrifício. Acima do convento, na floresta, ainda se encontram as grutas de outros irmãos, como Ruffino e Leo.

O carvalho que ouviu Francisco
Embora a natureza tenha mudado ao longo dos últimos 800 anos e incontáveis estações tenham passado, resta à sombra do convento na encosta da montanha uma árvore do tempo de São Francisco. Este carvalho, autenticado como medieval, tem agora um tronco torcido por séculos, mas a sua casca ainda testemunha silenciosamente a pregação do santo padroeiro da Itália às aves, como diz a lenda.
Perto desta árvore centenária, três estátuas comemoram o amor especial de São Francisco pela natureza. Mostra-se o santo deitado de costas, com as mãos atrás da cabeça, a olhar para as estrelas — uma atitude que reflete o seu famoso «Cântico das Criaturas», no qual Francisco cantou: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a lua e as estrelas. Nos céus tu os formaste, brilhantes, preciosos e belos!»

A poucos passos de distância, dois primeiros frades franciscanos, Leão e Junípero, são retratados. Leo, o ancião, traça o Big and Little Dipper no chão, medindo a distância entre o polegar e o indicador para calcular a posição da Estrela do Norte. O jovem Juniper aponta para a mesma estrela com admiração.
A dupla simboliza a harmonia entre fé e razão, e a Estrela do Norte — «um guia seguro para encontrar a direção certa» — simboliza o Evangelho, «que guia infalivelmente aqueles que o seguem», explica um sinal no mosteiro.
