
Quais são os sete selos descritos no Livro do Apocalipse?
Os sete selos, encontrados nos capítulos 6-8 do Apocalipse, representam uma série de julgamentos que se desenrolam à medida que Cristo, o Cordeiro de Deus, abre um rolo selado com sete selos.
O imaginário dos selos teria sido familiar ao público do primeiro século de João. Nos tempos antigos, documentos importantes eram frequentemente selados para garantir sua autenticidade e manter seu conteúdo em segredo até o momento apropriado. Aqui, João usa esse imaginário para transmitir o desenrolar do plano de Deus para os tempos do fim.
Os quatro primeiros selos, quando abertos, liberam os famosos “Quatro Cavaleiros do Apocalipse” (Ap 6:1-8). Esses cavaleiros em cavalos branco, vermelho, preto e amarelo-pálido simbolizam conquista, guerra, fome e morte, respectivamente. Reconheço como essas imagens tocam nossos medos mais profundos sobre o sofrimento humano e a mortalidade.
O quinto selo revela as almas dos mártires clamando por justiça (Ap 6:9-11). Esta imagem poderosa fala ao nosso senso inato de justiça e à necessidade psicológica de vindicação diante da perseguição.
O sexto selo traz distúrbios cósmicos – terremotos, sol escurecido, lua cor de sangue e estrelas caindo (Ap 6:12-17). Esses eventos cataclísmicos refletem a tendência humana de associar os tempos do fim a fenômenos naturais dramáticos.
O sétimo selo, quando aberto, introduz um período de silêncio no céu e transita para as sete trombetas (Ap 8:1-2). Esse silêncio cria uma sensação de antecipação e temor, preparando psicologicamente o leitor para o que está por vir.
Em nosso mundo moderno, onde muitas vezes nos sentimos sobrecarregados por crises globais e desafios pessoais, a mensagem dos sete selos nos chama a manter a esperança e a fé. Ela nos encoraja a ver nossas lutas atuais à luz do propósito maior de Deus para a humanidade e a criação.

O que representam as sete trombetas no Apocalipse?
Historicamente, as trombetas tinham grande significado na cultura israelita antiga. Eram usadas para anunciar eventos importantes, convocar pessoas para assembleias e sinalizar em batalha. Ao usar esse imaginário, João recorre a uma rica tradição que teria ressoado profundamente com seu público.
As quatro primeiras trombetas trazem desastres ecológicos afetando a terra, o mar, a água doce e os corpos celestes (Ap 8:7-12). Notei como essas imagens de catástrofe ambiental tocam nossos medos primordiais sobre a fragilidade do nosso mundo e nossa dependência da natureza.
A quinta e a sexta trombetas liberam forças demoníacas que atormentam e matam (Ap 9:1-19). Essas imagens vívidas e perturbadoras falam às nossas ansiedades mais profundas sobre o mal e o sofrimento. Elas nos desafiam a confrontar a realidade da guerra espiritual e as consequências de se afastar de Deus.
A sétima trombeta, ao contrário das outras, anuncia a vinda do reino de Deus (Ap 11:15-19). Esta trombeta final transforma a série de uma narrativa de julgamento para uma de esperança e redenção definitiva.
Ao contemplarmos essas trombetas, devemos lembrar que seu propósito não é meramente prever eventos futuros, mas nos chamar à fidelidade e ao arrependimento no presente. Elas nos lembram que nossas ações têm consequências, tanto para nós mesmos quanto para o mundo ao nosso redor.
Em nosso contexto moderno, onde enfrentamos desafios globais como mudanças climáticas, guerra e injustiça social, a mensagem das trombetas permanece relevante. Elas nos chamam a estar atentos aos sinais dos nossos tempos, a reconhecer a urgência da nossa missão como cristãos e a trabalhar pela reconciliação e cura em nosso mundo.

O que acontece quando a sétima trombeta é tocada no Apocalipse?
Quando o sétimo anjo toca sua trombeta, vozes altas no céu proclamam: “O reino do mundo tornou-se o reino do nosso Senhor e do seu Messias, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15). Esta declaração representa o culminar de toda a história humana, o momento em que a soberania de Deus é plena e finalmente estabelecida.
Lembro-me de como esse imaginário teria ressoado com o público do primeiro século de João, vivendo sob a sombra do Império Romano. A promessa de um reino que duraria mais e superaria todos os poderes terrenos oferecia esperança àqueles que enfrentavam perseguição e incerteza.
A resposta a esta proclamação é notável. Os vinte e quatro anciãos prostram-se e adoram a Deus (Ap 11:16-17). Este ato de adoração sublinha a resposta apropriada à vitória final de Deus – gratidão humilde e louvor.
Psicologicamente, esta cena toca nossos desejos mais profundos por justiça, resolução e o triunfo do bem sobre o mal. Ela oferece a garantia de que as lutas e injustiças deste mundo não são a palavra final e que o governo perfeito de Deus prevalecerá finalmente.
O soar da sétima trombeta também desencadeia uma série de eventos. O templo de Deus no céu é aberto, revelando a arca da sua aliança (Ap 11:19). Esta imagem poderosa simboliza o cumprimento das promessas de Deus e a revelação plena da Sua presença entre o Seu povo.
Acompanhando esses eventos estão “relâmpagos, estrondos, trovões, um terremoto e uma forte chuva de granizo” (Ap 11:19). Esses fenômenos, que lembram a aparição de Deus no Monte Sinai, significam o julgamento divino e o poder impressionante da presença de Deus.
Em nosso mundo moderno, onde muitas vezes nos sentimos sobrecarregados pelas complexidades das questões globais e desafios pessoais, a mensagem da sétima trombeta nos chama a manter uma perspectiva eterna. Ela nos encoraja a viver na esperançosa antecipação do reino de Deus, enquanto participamos ativamente de sua realização através de nossas obras de amor, justiça e misericórdia.

Como os selos e as trombetas se relacionam com a profecia dos tempos do fim?
No contexto mais amplo da escatologia – o estudo das últimas coisas – os selos e as trombetas desempenham um papel crucial na descrição dos eventos que levam ao estabelecimento final do reino de Deus. Eles formam parte de uma narrativa maior que inclui o retorno de Cristo, o julgamento final e a criação de um novo céu e uma nova terra.
Historicamente, as interpretações dessas profecias variaram amplamente. Alguns as veem como descrevendo eventos que se desenrolarão em um futuro literal, enquanto outros as veem como representações simbólicas de realidades espirituais contínuas. Outros ainda as interpretam como referindo-se a eventos no primeiro século ou ao longo da história da igreja. Devo notar que cada uma dessas abordagens tem uma longa tradição dentro do pensamento cristão.
Psicologicamente, as profecias dos tempos do fim frequentemente evocam emoções fortes – medo, antecipação, esperança ou até mesmo ceticismo. O imaginário dramático dos selos e das trombetas toca nossas ansiedades mais profundas sobre catástrofes globais e nosso desejo por intervenção divina em um mundo conturbado.
Os selos e as trombetas, em sua descrição de julgamentos e calamidades, nos lembram que o estabelecimento do reino de Deus envolve um confronto com as forças do mal. Eles nos desafiam a examinar nossas próprias vidas e nossa sociedade à luz da justiça de Deus e do chamado ao arrependimento.
Ao mesmo tempo, essas profecias oferecem esperança. Elas nos asseguram que, apesar das aparências, Deus está no controle da história e triunfará finalmente sobre tudo o que se opõe à Sua vontade. A sétima trombeta, em particular, aponta-nos para a consumação alegre do plano de Deus.
Em nosso contexto moderno, onde enfrentamos crises globais que podem parecer apocalípticas em escala, a mensagem dos selos e das trombetas permanece relevante. Elas nos lembram de estar atentos aos sinais dos nossos tempos, de trabalhar pela justiça e reconciliação e de manter uma perspectiva eterna em meio aos problemas temporais.

Qual é o significado de Apocalipse 9:6 sobre as pessoas que buscam a morte?
Devo notar que tal linguagem extrema não era incomum na literatura apocalíptica do mundo antigo. Era frequentemente usada para transmitir a severidade do julgamento divino e a profundidade da angústia humana. Mas isso não diminui o poder e o significado da imagem que João apresenta.
Psicologicamente, este versículo toca em alguns de nossos medos mais profundos e questões existenciais mais poderosas. A ideia de um sofrimento tão intenso que a morte parece preferível, mas mesmo esse alívio é negado, fala dos limites da resistência humana e da natureza do desespero. Ele nos desafia a considerar o que poderia levar uma pessoa a tais extremos e o que significa quando nem mesmo a morte oferece uma saída.
No contexto da quinta trombeta, esse sofrimento está ligado à liberação de gafanhotos do Abismo, que recebem poder para atormentar as pessoas. Este imaginário recorre ao Antigo Testamento, onde os gafanhotos eram frequentemente associados ao julgamento divino. Aqui, os gafanhotos não destroem a vegetação, mas infligem dor às pessoas que não têm o selo de Deus em suas testas.
O significado desta passagem é de múltiplas camadas. Em um nível, serve como um aviso sobre as consequências de rejeitar a Deus e alinhar-se com o mal. Ela pinta um quadro nítido de um mundo onde a influência restritiva de Deus é removida, permitindo que os efeitos plenos do pecado e da rebelião se manifestem.
Mas devemos ser cautelosos ao interpretar esta passagem de forma muito literal ou aplicá-la a eventos históricos específicos. Seu propósito não é satisfazer nossa curiosidade sobre tormentos futuros, mas transmitir verdades espirituais sobre a natureza do mal e a importância de permanecer fiel a Deus.
Em nosso contexto moderno, podemos ver ecos deste versículo no desespero que frequentemente acompanha a depressão grave, o vício ou outras formas de sofrimento intenso. Como cuidadores pastorais, devemos ser sensíveis àqueles que se sentem presos em situações aparentemente sem esperança, oferecendo-lhes a compaixão e a esperança encontradas em Cristo.
Este versículo deve nos mover à gratidão pela misericórdia de Deus e a um compromisso renovado com a partilha do evangelho. Ele nos lembra da realidade da guerra espiritual e das altas apostas envolvidas em nossas escolhas. Apeguemo-nos, portanto, à esperança que temos em Cristo, que venceu a morte e oferece a vida eterna a todos os que n'Ele creem.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre as trombetas no Apocalipse?
Irineu, escrevendo no século II, via as trombetas como parte de uma série de julgamentos divinos que precederiam os tempos do fim. Ele acreditava que esses julgamentos visavam trazer o arrependimento e a purificação dos fiéis. Da mesma forma, Hipólito, no início do século III, interpretou as trombetas como sinais do julgamento iminente de Deus sobre o mundo.
Orígenes, conhecido por suas interpretações alegóricas, via as trombetas como simbólicas de verdades espirituais, em vez de eventos futuros literais. Ele acreditava que elas representavam a proclamação da sabedoria divina que exporia e julgaria os pecados da humanidade. Essa abordagem influenciou interpretações alegóricas posteriores do Apocalipse.
No século IV, Vitorino de Pettau forneceu um dos primeiros comentários completos sobre o Apocalipse. Ele via as trombetas como representando várias provações e tribulações que a Igreja enfrentaria ao longo da história. Essa abordagem histórica para interpretar o Apocalipse tornar-se-ia influente nos séculos posteriores.
Psicologicamente, podemos ver como essas primeiras interpretações refletiam a luta da Igreja para dar sentido ao sofrimento e à perseguição. As trombetas, como avisos e julgamentos, forneceram uma estrutura para entender os desafios enfrentados pelos primeiros cristãos e ofereceram esperança de que Deus traria justiça finalmente.
Embora os primeiros Padres da Igreja concordassem sobre o significado das trombetas como comunicações divinas, eles nem sempre concordavam sobre os significados específicos ou o momento desses eventos. Essa diversidade de interpretação nos lembra da riqueza e complexidade das Escrituras, e da necessidade de humildade em nossas próprias interpretações.
Encorajo-o a abordar esses primeiros ensinamentos com respeito pelo seu contexto histórico e percepções espirituais. Ao mesmo tempo, devemos lembrar que nossa compreensão das Escrituras está sempre crescendo, guiada pelo Espírito Santo e pela tradição viva da Igreja.
Aprendamos com o foco dos primeiros Padres no arrependimento e na preparação espiritual. Quer vejamos as trombetas como eventos históricos, realidades espirituais ou ocorrências futuras, sua mensagem central permanece relevante: somos chamados a ser vigilantes, fiéis e sempre prontos para responder à voz de Deus em nossas vidas.
Que nosso estudo dessas interpretações antigas aprofunde nossa fé e nos inspire a viver mais plenamente como testemunhas do amor e da verdade de Cristo em nosso mundo hoje.

Quantos capítulos existem no Livro do Apocalipse?
O Livro do Apocalipse, também conhecido como o Apocalipse de João, consiste em 22 capítulos. Este número, embora aparentemente simples, carrega consigo uma profundidade de significado e importância que nos convida a refletir sobre a natureza da revelação divina e a experiência humana de encontrar a palavra de Deus.
Historicamente, devemos lembrar que a divisão dos textos bíblicos em capítulos não é original dos autores inspirados. Este sistema foi desenvolvido muito mais tarde, no século XIII, por Stephen Langton, Arcebispo de Canterbury. Mas o fluxo natural e a estrutura do Apocalipse prestam-se bem a essa divisão, sugerindo uma sabedoria divina que transcende a organização humana.
Os 22 capítulos do Apocalipse levam-nos numa jornada espiritual, desde as cartas às sete igrejas nos capítulos iniciais, passando por visões de adoração celestial, conflito cósmico e julgamento divino, até à gloriosa culminação no novo céu e na nova terra. Esta progressão espelha, de muitas formas, a jornada da alma humana, desde as suas lutas terrenas até ao seu destino celestial.
a estrutura do Apocalipse, com as suas imagens vívidas e temas recorrentes, parece concebida para envolver não apenas o nosso intelecto, mas também as nossas emoções e os nossos desejos espirituais mais profundos. A repetição dos setes – sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete taças – cria um ritmo que fala à nossa necessidade humana de padrão e significado face ao caos e à incerteza da vida.
O número 22 em si carrega significado na numerologia bíblica. No alfabeto hebraico, existem 22 letras, que alguns dos primeiros escritores cristãos viam como simbólicas da plenitude da revelação divina. Assim como o alfabeto hebraico podia expressar todas as palavras, também o Apocalipse expressa a totalidade da mensagem de Deus para a humanidade.
Encorajo-o a abordar estes 22 capítulos não como uma mera coleção de visões proféticas, mas como uma mensagem cuidadosamente elaborada de esperança e encorajamento. Cada capítulo baseia-se no anterior, criando uma tapeçaria de verdade divina que fala às necessidades mais profundas do coração humano.
Lembremo-nos de que, embora as divisões em capítulos nos ajudem a navegar neste texto complexo, a mensagem do Apocalipse transcende estas estruturas feitas pelo homem. O verdadeiro poder deste livro não reside na sua organização, mas no seu conteúdo – a revelação de Jesus Cristo e o plano final de Deus para a criação.
Ao estudarmos o Apocalipse, que possamos abordar cada capítulo com reverência e abertura, permitindo que o Espírito fale connosco através tanto das grandes visões como dos mais pequenos detalhes. Que possamos ver nestes 22 capítulos não apenas um roteiro de eventos futuros, mas um espelho no qual podemos examinar as nossas próprias vidas e o nosso relacionamento com Deus.
Que o nosso envolvimento com os 22 capítulos do Apocalipse aprofunde a nossa fé, fortaleça a nossa esperança e nos inspire a viver mais plenamente como testemunhas do amor de Cristo no nosso mundo hoje.

Qual é o significado do número sete no Apocalipse?
O número sete aparece com uma frequência impressionante ao longo do Apocalipse, formando uma espinha dorsal simbólica para grande parte da estrutura e das imagens do livro. Encontramos sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete taças e muitos outros exemplos deste número. Esta repetição não é mera coincidência, mas um uso deliberado de linguagem simbólica para transmitir verdades espirituais poderosas.
Na numerologia bíblica, o sete é frequentemente associado à completude, perfeição e plenitude da obra de Deus. Esta compreensão está enraizada na narrativa da criação em Génesis, onde Deus completa a Sua obra em sete dias. Ao usar extensivamente o número sete, o autor do Apocalipse sinaliza-nos que o plano de Deus para a criação e redenção é completo e perfeito.
Psicologicamente, a repetição do sete ao longo do Apocalipse serve para criar uma sensação de ordem e estrutura no meio de visões caóticas e muitas vezes assustadoras. Isto pode ser visto como uma resposta a uma necessidade humana fundamental de significado e padrão face às incertezas e desafios da vida. A estrutura setenária fornece um quadro que nos ajuda a navegar pelo simbolismo complexo do livro.
Historicamente, vemos que os primeiros intérpretes cristãos, como Agostinho de Hipona, reconheceram o significado especial do sete no Apocalipse. Eles viam-no como representando a totalidade do tempo – a união do divino (representado pelo número três) com o mundo criado (representado pelo número quatro). Esta interpretação sublinha a mensagem do livro de que o plano de Deus abrange toda a criação e toda a história.
Encorajo-o a ver neste uso repetido do sete uma mensagem de esperança e segurança. Face à perseguição e incerteza, os primeiros cristãos que receberam esta revelação teriam encontrado conforto no simbolismo da completude e perfeição divinas. Hoje, nós também podemos tirar força deste lembrete de que o plano de Deus é abrangente e, em última análise, vitorioso.
A estrutura setenária do Apocalipse convida-nos a uma contemplação mais profunda da natureza e da obra de Deus. Cada conjunto de sete – sejam as igrejas, selos, trombetas ou taças – oferece uma faceta diferente da ação divina no mundo. À medida que meditamos sobre estes, somos atraídos para uma compreensão mais poderosa do amor, da justiça e dos propósitos finais de Deus para a criação.
Lembremo-nos também de que, embora o sete signifique completude, isso não implica que a nossa compreensão seja completa. O rico simbolismo do Apocalipse continua a produzir novos conhecimentos à medida que o estudamos em oração e em comunidade com outros crentes. O número sete, na sua plenitude, lembra-nos de que há sempre mais para descobrir sobre o amor e os propósitos de Deus.
Que a nossa reflexão sobre o significado do sete no Apocalipse nos inspire a confiar mais profundamente no plano perfeito de Deus, a procurar a plenitude de vida que Cristo oferece e a participar mais plenamente na obra contínua de redenção de Deus no nosso mundo.

Como os cristãos devem interpretar a linguagem simbólica no Apocalipse?
A natureza simbólica da linguagem do Apocalipse tem sido reconhecida desde os primeiros dias da Igreja. As imagens vívidas de bestas, números e eventos cósmicos têm cativado e desafiado os leitores durante séculos. Encorajo-o a abordar este simbolismo não como um código a ser decifrado, mas como uma tapeçaria de verdade divina a ser contemplada e internalizada.
Devemos lembrar-nos de que o propósito do simbolismo do Apocalipse não é obscurecer a verdade, mas revelá-la de uma forma que transcende as limitações da linguagem literal. Assim como Jesus usou parábolas para transmitir realidades espirituais poderosas, também o Apocalipse usa símbolos para comunicar verdades que estão além da nossa experiência comum.
Historicamente, devemos reconhecer que grande parte do simbolismo do Apocalipse se baseia na rica tradição da literatura apocalíptica judaica. Os leitores originais estariam familiarizados com muitos destes símbolos e as suas conotações. Como leitores modernos, devemos esforçar-nos por compreender este contexto histórico e cultural para melhor apreender os significados pretendidos.
Psicologicamente, o uso de símbolos no Apocalipse envolve não apenas o nosso intelecto, mas também as nossas emoções e imaginação. Esta abordagem multifacetada à comunicação pode levar a uma compreensão mais profunda e holística da mensagem divina. Os símbolos evocam frequentemente respostas emocionais poderosas, ajudando-nos a internalizar as verdades que representam.
Ao interpretar estes símbolos, devemos ser cautelosos com dois extremos. Por um lado, devemos evitar uma interpretação excessivamente literal que falha em reconhecer a natureza simbólica da linguagem. Por outro lado, devemos estar atentos a interpretações que são tão alegóricas que perdem o contacto com o contexto histórico e a mensagem pretendida do texto.
Em vez disso, encorajo-o a adotar uma abordagem equilibrada que considere vários princípios fundamentais:
- Interprete os símbolos à luz do seu contexto bíblico e histórico.
- Procure explicações para os símbolos dentro do próprio Apocalipse.
- Considere como os símbolos se relacionam com a mensagem e os temas gerais do livro.
- Reconheça que alguns símbolos podem ter múltiplas camadas de significado.
- Seja humilde nas suas interpretações, reconhecendo que o significado completo de alguns símbolos pode permanecer misterioso.
À medida que nos envolvemos com o simbolismo do Apocalipse, devemos ter sempre em mente a mensagem central do livro: o triunfo final do amor e da justiça de Deus em Cristo. Os símbolos servem esta mensagem e devem ser interpretados de formas que iluminem, em vez de obscurecerem, esta verdade central.
Lembremo-nos também de que os Padres da Igreja, na sua sabedoria, viram nos símbolos do Apocalipse não apenas previsões de eventos futuros, mas verdades relevantes para a vida espiritual dos crentes em todas as épocas. Nós também devemos procurar entender como estes símbolos falam à nossa própria jornada espiritual e aos desafios que enfrentamos no nosso tempo.
Que o nosso estudo da linguagem simbólica do Apocalipse aprofunde a nossa fé, expanda a nossa imaginação espiritual e nos aproxime do Deus que nos fala através destas imagens poderosas. Abordemos esta tarefa com reverência, humildade e uma vontade de sermos transformados pelas verdades que estes símbolos transmitem.

Que esperança o Apocalipse oferece aos crentes em meio aos seus terríveis avisos?
Embora seja verdade que o Apocalipse contém avisos severos e descrições vívidas de julgamento, estas não são a sua última palavra. Em vez disso, servem como um pano de fundo contra o qual o triunfo do amor de Deus e a vitória final de Cristo brilham ainda mais intensamente. Os avisos terríveis não pretendem incutir medo, mas despertar-nos para a realidade do mal e a urgência do nosso chamado à fidelidade.
Psicologicamente, podemos entender como a justaposição de avisos e esperança no Apocalipse responde às nossas necessidades humanas mais profundas. Em tempos de sofrimento e perseguição, como os enfrentados pelos primeiros cristãos, o espírito humano anseia pela garantia de que a justiça prevalecerá e que as nossas lutas não são em vão. O Apocalipse fornece esta garantia em abundância.
A esperança oferecida pelo Apocalipse é estratificada e poderosa. Ela assegura-nos a vitória final de Cristo sobre todo o mal. A imagem vívida do Cordeiro que foi morto, mas que permanece vitorioso (Apocalipse 5:6), lembra-nos de que o aparente triunfo do mal no nosso mundo é temporário. O sacrifício e a ressurreição de Cristo são a garantia da vitória final.
O Apocalipse oferece a esperança da presença de Deus com o Seu povo. A bela visão da Nova Jerusalém nos capítulos 21-22 pinta um quadro de comunhão íntima entre Deus e a humanidade. “Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens” (Apocalipse 21:3) é uma promessa que fala ao nosso desejo mais profundo de conexão e pertença.
O Apocalipse proporciona esperança ao assegurar aos crentes que a sua fidelidade e sofrimento não são ignorados por Deus. As orações dos santos são retratadas como subindo diante do trono de Deus (Apocalipse 8:4), e aqueles que foram martirizados pela sua fé são honrados e consolados (Apocalipse 6:9-11). Isto lembra-nos de que nenhum ato de fidelidade, por mais pequeno que seja, é insignificante aos olhos de Deus.
Historicamente, vemos como esta mensagem de esperança sustentou os crentes através de tempos de perseguição e dificuldade. Os primeiros cristãos, enfrentando o poder do Império Romano, encontraram força na garantia do Apocalipse de que os poderes deste mundo acabariam por se curvar diante de Cristo.
Encorajo-o a agarrar-se a esta esperança enquanto navega pelos desafios do nosso próprio tempo. Deixe que as promessas do Apocalipse o lembrem de que, por mais terríveis que as nossas circunstâncias possam parecer, o amor e a justiça de Deus prevalecerão. Que esta esperança o inspire a perseverar na fé e a ser uma testemunha do amor de Cristo no mundo.
Lembremo-nos de que a esperança oferecida no Apocalipse não é apenas para um futuro distante, mas tem implicações para as nossas vidas aqui e agora. Chama-nos a viver como cidadãos da Nova Jerusalém mesmo enquanto caminhamos pelas ruas das nossas cidades terrenas. Desafia-nos a alinhar as nossas vidas com os valores do reino de Deus, a sermos agentes do Seu amor e justiça nas nossas comunidades.
Que a esperança do Apocalipse encha os vossos corações de alegria e coragem. Que vos fortaleça para enfrentar os desafios da vida com fé e para aguardar com ansiedade o dia em que Deus fará novas todas as coisas.
