Estudo Bíblico: O que é fé?




  • Os desafios da vida, referidos como «julgamentos e tribulações», são testes de fé significativos que ajudam os crentes a crescer espiritualmente e a reforçar a sua relação com Deus.
  • As provações fazem parte do caminho cristão e servem para revelar a fé genuína, moldar o caráter e aprofundar a dependência de Deus, com a promessa do propósito divino por trás de todas as dificuldades.
  • O conforto e a força de Deus são prometidos na Bíblia em tempos difíceis, incentivando os crentes a recorrerem a Ele através da oração, das Escrituras e do apoio da comunidade.
  • A comunidade cristã desempenha um papel vital no apoio aos membros que enfrentam provações através da partilha de encargos, da oferta de conforto e da promoção da resiliência em conjunto.

Compreender os julgamentos e tribulações: Uma perspetiva cristã sobre os desafios da vida

Todos enfrentamos tempestades na vida, não é? Mas hoje quero encorajá-lo. Enfrentar os desafios da vida com fé não se trata apenas de superar; trata-se de nos tornarmos mais fortes e mais próximos de Deus! Dificuldades e tristezas fazem parte desta viagem na Terra para aqueles de nós que acreditam que existe uma forma especial, uma forma cheia de fé, de compreender e passar por estes tempos. Este artigo trata de explorar o que a Bíblia diz sobre «julgamentos e tribulações». Não se trata apenas de definições; trata-se de encontrar conforto, compreensão e muita esperança. Acredito que, ao explorarmos isso, sua fé será fortalecida e sua relação com Deus irá para um novo nível, mesmo quando o caminho parecer um pouco difícil.

O que a Bíblia realmente significa por "julgamentos e tribulações"?

Quando a Bíblia fala de «julgamentos e tribulações», está a falar de algo mais do que apenas um mau dia ou um pequeno soluço. Estes são os grandes desafios, os tempos difíceis, os momentos de sofrimento que realmente nos põem à prova.1 Estas são as experiências que colocam a nossa fé, o nosso amor, a nossa esperança e a nossa capacidade de continuar à prova.1 Há uma palavra no grego original, thlipsis, que é muitas vezes traduzido como «tribulação». Imaginem que as uvas são prensadas para fazer vinho – essa é a sensação! Fala de ser pressionado, esmagado ou espremido.4 Esse quadro ajuda-nos a compreender a intensa pressão e angústia que podemos sentir em tempos realmente difíceis, como a fome, a perseguição ou o profundo sofrimento de que a Bíblia fala sobre o fim dos tempos, muitas vezes chamado de "a grande tribulação".4

Mas aqui estão as boas notícias: do ponto de vista de Deus, estas provações e tribulações não são apenas coisas negativas a evitar. Não, muitas vezes eles são necessários para que cresçamos espiritualmente e nos tornemos tudo o que Deus nos criou para ser.2 Eles são uma parte fundamental de nossa jornada cristã, moldando-nos e aproximando-nos de nosso Pai Celestial. Estas experiências podem vir em todas as formas e tamanhos. Eles podem ser coisas externas, como pessoas que lhe dão um tempo difícil para a sua fé, lidar com a doença, perder alguém que ama ou enfrentar dificuldades financeiras. Ou podem ser batalhas internas, como lutas espirituais profundas, dúvidas incómodas ou dor emocional.2 E em nosso mundo moderno, essas provações podem até aparecer como aquelas distrações sorrateiras da tecnologia ou as mágoas únicas que os crentes enfrentam hoje, que podem testar-nos tanto quanto os desafios físicos que os primeiros cristãos enfrentaram.3

Uma coisa surpreendente que estes tempos difíceis fazem é revelar a autenticidade da nossa fé. É como quando se põe ouro no fogo para o purificar; os testes mostram de que é feita a nossa fé.3 Quando somos testados, podem vir à tona áreas em que a nossa fé pode ser um pouco instável. Isso pode ser humilhante, com a certeza de que é também uma oportunidade fantástica para crescer! Isso nos impele a voltar-nos para Jesus com um novo senso de quanto precisamos Dele e com um desejo de uma fé ainda mais forte.

E oiçam isto: a Bíblia não nos promete uma vida livre de problemas. Na verdade, ensina-nos a esperar provações como uma parte normal de andar com Deus.4 O próprio Jesus disse aos Seus seguidores: «Neste mundo tereis problemas» (João 16:33, NVI). O apóstolo Pedro disse: "Não te surpreendas quando surgirem provações ardentes, como se algo totalmente fora do comum estivesse a acontecer (1 Pedro 4:12).5 Quando compreendes que as provações são uma parte esperada deste caminho de fé, isso pode mudar tudo sobre a forma como respondes. Em vez de ficar chocado, ou cair em desespero, ou sentir que Deus o deixou, pode enfrentar dificuldades com um sentido de preparação, apoiando-se ainda mais na força de Deus e nas suas promessas. Isso nos ajuda a ver o sofrimento não como um desvio estranho ou um sinal de que Deus está perturbado como um caminho que incontáveis crentes fiéis têm andado diante de nós, e sair mais forte!

De onde vêm estas palavras «julgamento» e «tribulação» e o que podem ensinar-nos?

As palavras «julgamento» e «tribulação» são frequentemente utilizadas em conjunto e cada uma tem a sua própria história especial que pode ensinar-nos muito sobre o que significam para nós, como crentes. A «tribulação», em especial, tem um fundo poderoso. Chegou ao inglês por volta do século XII a partir do francês antigo e do latim da Igreja. tribulatio, que significa «perturbação, angústia, aflição».7 Esta palavra latina provém de outro verbo, tribular, que significa «oprimir, afligir».7 Os escritores cristãos tribular de uma forma especial, a pensar no seu significado original: «premir», ou obter isto, «debulhar cereais»!7 A debulha envolveu uma ferramenta chamada tribulo. Este era um trenó de madeira pesado com dentes de ferro afiados por baixo. Eles iriam arrastar isto tribulo sobre o grão colhido para separar os bons grãos da palha inútil.7

Não é uma imagem espantosa? Assim como o trenó debulha coloca intensa pressão sobre o grão para obter a parte valiosa, isso nos diz que as tribulações, mesmo que se sintam dolorosas e esmagadoras, têm um propósito divino. Deus permite-lhes ajudar a separar o que é espiritualmente valioso nas nossas vidas — como a fé genuína, um caráter refinado e a resistência — do que não é, como impurezas, crenças superficiais ou coisas mundanas a que nos apegamos demasiado. Isto liga-se diretamente ao ensino bíblico sobre o refinamento espiritual, em que Deus usa as dificuldades para purificar o seu povo. Um agricultor utiliza isso tribulo de propósito, para obter o bom grão. Da mesma forma, quando os escritores cristãos usavam este quadro, diziam que Deus permite estas pressões com um bom resultado espiritual em mente.

A palavra «trial» apareceu em inglês em meados do século XV. Proveniente de uma palavra anglo-francesa do verbo trier, que significa «tentar».7 O seu significado principal é «o ato ou o processo de ensaio, a prova por exame, a experiência, etc.».7 Isto põe verdadeiramente em evidência a ideia de que estas experiências são como um exame. Os ensaios, quando olhamos para eles desta forma, não são apenas coisas más aleatórias que estão a acontecer. Eles são compreendidos como testes de nossa fé, nosso caráter e nossa resistência. Ajudam a provar a genuinidade daquilo em que dizemos acreditar.

Esta ideia de um «julgamento» como «prova» é tão importante. Significa que, para que a nossa fé seja vista como real e forte, ela tem que ser examinada. É como se os metais preciosos fossem testados pelo fogo para provar que são puros. O apóstolo Pedro falou sobre a nossa fé ser «testada pelo fogo», para que «possa ser encontrada para resultar em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo» (1 Pedro 1:7, NVI).5 Um exame destina-se a mostrar qualidade e autenticidade. Assim, quando passamos por uma provação e saímos ainda confiantes em Deus, ela valida a nossa fé, mostrando-a verdadeira e duradoura. Juntos, estas duas palavras, «tribulação» e «julgamento», pintam um quadro de experiências difíceis que nos pressionam e nos provam, destinadas a não nos destruir para nos refinar e nos tornar mais fortes no nosso caminhar com Deus!

Por que um Deus amoroso permitiria que seus filhos passassem por julgamentos e tribulações?

Esta é uma grande questão, não é? Por que um Deus que nos ama tanto nos permitiria passar pelo sofrimento? Para nós, cristãos, temos que começar com esta verdade inabalável: Deus é bom e Deus é amor. A Bíblia promete-nos que Deus "trabalha todas as coisas em conjunto para o bem" para aqueles que O amam e são chamados de acordo com o Seu propósito (Romanos 8:28).9 Esta verdade fundamental significa que quaisquer provações e tribulações que Ele permita nas nossas vidas devem estar a servir um propósito divino que se alinha com o bem último.9 este desafio à ideia comum de que, se Deus nos ama, as nossas vidas devem ser sempre fáceis, confortáveis e livres de dor.9

Uma das principais razões pelas quais Deus permite as provações é para o nosso crescimento espiritual. O seu plano final para nós, os Seus filhos, é que «cresçamos cada vez mais à imagem do Seu Filho», Jesus Cristo (Romanos 8:29).5 Muitas vezes, são precisamente estas dificuldades e dificuldades que Deus utiliza neste processo de nos tornar santos, moldar o nosso caráter e aprofundar a nossa dependência dEle.9 É à medida que navegamos nestes desafios com fé que somos moldados para sermos mais como Jesus.

É também tão importante recordar, com um coração terno, que, embora Deus permita as provações para um propósito maior, a Bíblia também diz que Ele «não traz de bom grado aflição ou sofrimento aos filhos dos homens» (Lamentações 3:33, NVI).6 Isto diz-nos que Deus não gosta de nos ver sofrer. Permite-o por causa dos resultados espirituais incrivelmente valiosos que pode produzir. Os testes podem vir de diferentes locais: às vezes do mundo caído em que vivemos (Mateus 18:7, 1 Pedro 1:6), às vezes da oposição espiritual do inimigo (Mateus 4:1, 1 Pedro 5:8), ou mesmo às vezes como os resultados naturais de nossas próprias escolhas não tão grandes. Mas, independentemente de onde comecem, o entendimento cristão é que todas estas experiências são, em última análise, «filtradas pelas mãos de Deus para o seu santo propósito».5 Ele continua a controlar todas as circunstâncias, capaz de utilizar até as situações mais difíceis para o bem do seu povo.

Para compreendermos verdadeiramente por que razão um Deus amoroso permite as provações, temos de ver o «bem» do ponto de vista eterno de Deus. O «bem» para o qual Deus está a trabalhar em todas as coisas, como em Romanos 8:28, é principalmente a nossa transformação espiritual, tornando-nos semelhantes a Cristo, e o nosso bem-estar eterno. Nem sempre se trata de conforto mundano, saúde perfeita ou muito dinheiro.5 A nossa ideia humana de «bem» centra-se frequentemente na felicidade imediata e na prevenção da dor. Mas a definição de Deus dá prioridade à nossa santidade e à nossa glória última. Compreender esta mudança é tão fundamental para os cristãos que estão lutando com a dor em um mundo gerido por um Deus amoroso.

Pode parecer uma contradição experimentar provas que Deus permite, especialmente quando as vemos como a sua disciplina amorosa, não é um sinal de que Ele está zangado ou nos deixou. Pode, de facto, ser uma prova poderosa do Seu amor e de que somos verdadeiramente Seus filhos! O livro de Hebreus diz: "O Senhor disciplina a quem ama e castiga a todos os que aceita como filho" (Hebreus 12:6, NVI). não o fez disciplinar-nos através de julgamentos, significaria que não éramos realmente Dele. Assim, estas experiências, embora magoadas, confirmam o nosso lugar na família de Deus e mostram que Ele está ativamente envolvido em ajudar-nos a crescer. Esta perspetiva pode mudar totalmente a forma como vemos as dificuldades, vendo-as não como rejeição, mas como o trabalho de aperfeiçoamento de um Pai amoroso que está empenhado no melhor do seu filho.

Como os cristãos podem perseverar e manter sua fé forte durante os julgamentos e tribulações?

Manter e manter a sua fé forte quando está a passar por provações e tribulações é um grande desafio. Quero dizer-lhe que a Bíblia está cheia de orientações e recursos para nos ajudar! Tudo começa com uma compreensão fundamental de quem é Deus e sua relação connosco, seus filhos.

Uma coisa fundamental é reconhecer a soberania de Deus. Isto significa saber que tudo o que acontece, quer o vejamos como bom ou mau, é ordenado ou permitido por Deus e está sob o seu controlo soberano (Lamentações 3:37-38).11 Este entendimento nem sempre tira a dor que nos dá uma rocha sólida de confiança de que Deus está no controlo, mesmo quando as coisas se sentem caóticas.

Com base nisso, somos chamados a Põe a nossa esperança firmemente no Senhor. Porque Deus é ao mesmo tempo controlável e inerentemente bom, podemos confiar-Lhe com confiança a nossa vida e as nossas lutas, esperando-Lhe calmamente a salvação e a ajuda (Lamentações 3:25-26).11

Oração é uma linha de vida absolutamente essencial durante tempos difíceis. Somos instados a ser "dedicados à oração", continuando firmes nela (Romanos 12:12).19 Isto significa derramar os nossos corações em Deus — partilhar as nossas preocupações, medos, dúvidas e incertezas — e pedir a Sua sabedoria, orientação e a força de que precisamos para suportar.20 A comunicação honesta e vulnerável com Deus é sempre bem-vinda.

Envolver-se com A Palavra de Deus É igualmente vital. Devemos mergulhar nas Escrituras, meditando ativamente nas promessas de Deus que oferecem conforto, esperança e tranquilidade.20 É importante não apenas ler a Palavra, mas acreditar nela e agir nela, usando-a como "a espada do Espírito" (Efésios 6:17) contra o desânimo e o desespero.10

Confiar no calendário de Deus e no seu grande plano é crucial, mesmo quando é difícil de compreender. Jó, no meio de um sofrimento inimaginável, declarou: «Embora me mate, contudo espero nele» (Jó 13:15, NVI).11 Esse tipo de confiança implica render-se à vontade de Deus e ao seu calendário, reconhecendo que os seus caminhos são mais elevados do que os nossos.20

A Bíblia também pede respostas que podem parecer um pouco retrógradas ao nosso pensamento natural: Agradecer e regozijar-se. Somos instruídos a «dar graças em todas as circunstâncias; porque esta é a vontade de Deus para vós em Cristo Jesus» (1 Tessalonicenses 5:18, NVI).10 Este é um ato da nossa vontade, escolhendo a gratidão mesmo na dor. Do mesmo modo, o apelo a «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Filipenses 4:4, NVI) 10 encoraja-nos a concentrarmo-nos no próprio Deus e no bem último que Ele trará, permitindo que a alegria exista ao lado da tristeza.

A viagem através dos julgamentos não se destina a ser solitária. Buscar o apoio da nossa comunidade cristã é essencial. Cercar-nos de concrentes que podem oferecer encorajamento, oração, ajuda prática e conselhos sábios nos dá força e nos lembra que não estamos sozinhos.17

Recordar a fidelidade de Deus no passado Também pode impulsionar a nossa fé atual. Refletir sobre as provações anteriores que Deus nos trouxe através, lembrando-nos de Sua provisão e orações respondidas, pode renovar nossa esperança e dar-nos certeza de Sua presença e cuidado contínuos.20 Manter um diário destes tempos pode ser uma ferramenta poderosa!

A perseverança vem de confiar na força de Cristo. A declaração do apóstolo Paulo, «Eu posso fazer todas as coisas através de Cristo que me fortalece» (Filipenses 4:13, NVI), é uma pedra angular da resistência cristã.9 É o seu poder, e não o nosso, que nos permite resistir e vencer.

A forma bíblica de perseverar não consiste apenas em resistir passivamente, ranger os dentes e esperar que a tempestade passe. Não, envolve um envolvimento ativo e multifacetado com Deus através de uma série de disciplinas espirituais: Oração, imergir-nos na Palavra, ação de graças, comunhão, e conscientemente escolher confiar.10 Nossa fé permanece forte não por evitar a luta, envolvendo-se ativamente com Deus e seus recursos durante todo o caminho da provação. Esta perseverança ativa demonstra bem a interação entre o controlo soberano de Deus e a nossa responsabilidade humana. Somos chamados a agir, a orar, a confiar e a empenhar-nos, precisamente porque acreditamos num Deus soberano que controla e opera todas as coisas para o nosso bem. A sua soberania não anula as nossas ações; em vez disso, fornece a base e a motivação definitivas para eles!

O que os Padres da Igreja Primitiva ensinaram sobre os julgamentos, o sofrimento e a perseguição?

Os primeiros Padres da Igreja, os sábios teólogos e líderes que ajudaram a moldar o pensamento cristão logo a seguir aos apóstolos, tinham algumas coisas poderosas a dizer sobre provações, sofrimento e perseguição. Os seus ensinamentos, muitas vezes nascidos de tempos de intensas dificuldades, oferecem-nos sabedoria intemporal quando enfrentamos dificuldades.

Uma mensagem coerente que encontrará é a seguinte: O sofrimento é uma oportunidade para o crescimento espiritual e para o desenvolvimento da virtude.. Maximos, o Confessor, um teólogo brilhante do século VII, não via apenas o sofrimento como algo mau que acontece porque vivemos num mundo caído. Ele via-o como uma oportunidade dada por Deus para o avanço moral e espiritual. Ele ensinou que, através do sofrimento, podemos voltar o nosso coração mais para Deus, crescendo em virtudes como a compaixão e a gratidão.22 Esta perspetiva destaca realmente como o sofrimento tem o potencial, dado por Deus, de nos transformar. para Desenvolva qualidades espirituais maravilhosas.

Agostinho de Hipona, que viveu nos séculos IV e V, falou muito sobre a realidade do sofrimento. Sabia que as pessoas justas passam frequentemente por tempos difíceis, o que pode realmente ajudar a evitar que nos apeguemos demasiado aos confortos temporários deste mundo, aprofundando assim a nossa virtude.24 Salientou que a virtude que só é praticada quando as coisas são fáceis é suscetível de ser superficial e não duradoura. Agostinho disse que o sofrimento muitas vezes mostra a verdadeira diferença entre as pessoas boas e as pessoas más: As mesmas dificuldades que provam, purificam e esclarecem o bem podem condenar, arruinar e destruir os ímpios. Na aflição, os bons rezam e louvam a Deus, Embora os ímpios detestem a Deus e blasfememem.24 Ele também reconheceu que mesmo as pessoas boas podem merecer algum sofrimento por causa de suas falhas menores ou porque não tentaram amorosamente corrigir os pecados dos outros.24 Agostinho lutou com a forma como o jugo de Jesus poderia ser "fácil" e seu fardo "leve" (Mateus 11:28-30), quando os cristãos claramente enfrentam provações severas. Ele encontrou a resposta na renovação interior dada pelo Espírito Santo e no gosto do descanso espiritual, que suaviza as dificuldades terrenas ao concentrar nossos corações nas recompensas eternas.25

João Crisóstomo, a partir dos séculos IV e V, enfatizou que O sofrimento não pode prejudicar a verdadeira virtude de uma pessoa. Argumentou que problemas externos como a pobreza, a doença ou a perda de bens não podem prejudicar a virtude fundamental de alguém que vive uma vida sóbria e piedosa, porque a verdadeira virtude é interna.26 Crisóstomo apontou Jó como exemplo. Apesar de suportar um sofrimento inimaginável orquestrado por Satanás, Jó não foi privado da sua virtude; em vez disso, a sua virtude foi aumentada e provada!26 Ele também contrastou as promessas de descanso futuro de Deus com a atual realidade da tribulação para os crentes, destacando a fé inabalável de Abraão, mesmo quando os mandamentos de Deus pareciam contradizer as suas promessas.27 Os ensinamentos de Crisóstomo incentivam-nos a concentrar-nos no nosso bem-estar espiritual interno, que permanece intocável por provações externas, oferecendo uma poderosa fonte de resiliência.

Para muitos cristãos primitivos, O martírio era visto como o último testemunho de sua fé e uma poderosa maneira de unir-se a Cristo.. Inácio de Antioquia, que viveu nos séculos I e II, estava a caminho de ser martirizado em Roma, e na verdade expressou um desejo ardente por isso! Ele viu isso como uma grande bênção e uma oportunidade incrível para "chegar a Deus" e tornar-se um "discípulo perfeito". Ele escreveu famosamente sobre querer ser "o grão de Deus, e eu sou moído pelos dentes de animais selvagens, para que eu possa ser encontrado pão puro". de CristoEsta perspetiva revela uma devoção extraordinária, em que o sofrimento e a morte por Cristo são abraçados como o ato último de O seguir.

As histórias do martírio de Policarpo (séculos I e II) e de outros primeiros mártires salientam igualmente as suas mentes nobres, a sua paciência e o seu profundo amor por Cristo.30 Sofreram torturas horríveis, mas os relatos dizem que pareciam «ausentes do corpo» ou que «o Senhor estava ao seu lado e comungava com eles». O fogo dos seus carrascos pareceu-lhes «fixe» porque o seu foco estava fixado em escapar do fogo eterno e em obter as recompensas eternas à espera daqueles que o suportassem.30 Estes mártires encaravam o sofrimento por Cristo não como uma tragédia como um privilégio e uma forma de partilhar os seus sofrimentos.32

A resposta geral do Igreja Primitiva à Perseguição Foi marcado pela fé, coragem e amor. Eles continuaram a pregar o Evangelho corajosamente, mesmo quando enfrentavam ameaças de prisão ou morte, e oravam por seus perseguidores, assim como Jesus ensinou (Mateus 5:44).32

De todas estas diferentes vozes dos Padres da Igreja, uma compreensão consistente vem através de: o sofrimento, especialmente quando é suportado por Cristo ou com fé, não é inútil. Serve para propósitos espirituais mais elevados, incluindo o desenvolvimento da virtude, o caráter purificador, ser um poderoso testemunho do Evangelho, ou alcançar uma união mais profunda com Deus.22 Os primeiros mártires e os Padres da Igreja constantemente extraíram imensa força de olhar para a eternidade, pesando seu sofrimento temporário contra a promessa de recompensas eternas ou a realidade do castigo eterno.25 Esta esperança inabalável no futuro mudou radicalmente a forma como viam sua dor presente, dando-lhes extraordinária resiliência. Isto sugere que uma esperança forte e viva nas realidades eternas é uma ajuda poderosa para suportar as dificuldades actuais. Por último, a ideia de participar nos sofrimentos de Cristo e tornar-se mais semelhante a Ele através das provações é especialmente clara nos seus escritos sobre o martírio e a perseguição, mostrando que o sofrimento foi compreendido não apenas para o crescimento pessoal, para uma identificação mais profunda com o nosso Salvador sofredor.28

Que promessas e conforto Deus oferece na Bíblia aos que passam por tempos difíceis?

A Bíblia está absolutamente cheia de promessas e garantias do conforto de Deus, da sua presença e da sua força para aqueles de nós que atravessamos tempos difíceis. Estes compromissos divinos oferecem um consolo e uma esperança tão poderosos quando enfrentamos provações e tribulações.

A promessa fundamental é a de A presença inabalável de Deus. Em Isaías 41:10 (NIV), Deus declara: "Portanto, não temais, porque eu estou convosco; não vos assusteis, porque eu sou o vosso Deus».21 O Salmo 46:1 (NIV) descreve ainda Deus como «o nosso refúgio e força, uma ajuda sempre presente na angústia».21 E o próprio Jesus assegurou aos seus discípulos a sua presença contínua, dizendo: «Certamente estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos» (Mateus 28:20, NIV).32 Saber que não estais sozinhos no vosso sofrimento pode ser um conforto imenso.

Com a sua presença, Deus prometeu A sua força e o seu poder de sustentação. Isaías 41:10 (NIV) continua: «Reforçar-vos-ei e ajudar-vos-ei; Eu vos sustentarei com a minha justa mão direita».21 Isto é ecoado na afirmação confiante do apóstolo Paulo em Filipenses 4:13 (NIV): «Posso fazer tudo isto através daquele que me dá força».21 Esta promessa garante-nos que não temos de contar com os nossos próprios recursos limitados para o conseguir.

Deus oferece-lhe também o seu divino paz mesmo no meio da turbulência. O apóstolo Paulo orou: «O próprio Senhor da paz vos conceda a paz em todos os tempos e em todos os sentidos» (2 Tessalonicenses 3:16, NVI).21 Jesus disse aos seus discípulos: «Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Eu não vos dou como o mundo vos dá. Não se turbe o vosso coração, nem tenhais medo» (João 14:27, NVI).18 Não se trata apenas da ausência de conflitos; é um sentimento profundo e permanente de bem-estar que está enraizado em Deus.

Para aqueles que estão cansados e sobrecarregados, Jesus faz um convite a encontrar Descanso Nele. «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11:28-29, NVI).18

Também podemos ter conforto em saber que Deus ouve os nossos gritos. O Salmo 145:18-19 (NIV) proclama: «O Senhor está perto de todos os que o invocam... ouve o seu clamor e salva-os».18 Esta certeza de que somos ouvidos valida as nossas orações e oferece esperança de ajuda ou sustento divinos.

A Bíblia ressalta que Deus preocupa-se profundamente com os seus filhos. Pedro encoraja-nos a «Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele cuida de vós» (1 Pedro 5:7, NVI).18 Jesus ilustrou esta ternura ao salientar que nem mesmo um pardal cai no chão sem que o nosso Pai saiba, e que os cabelos da nossa cabeça estão todos contados (Mateus 10:29-31).18

Deus é descrito como a última fonte de Conforto em todos os nossos problemas. Paulo louva a Deus como «o Pai da compaixão e o Deus de todo o conforto, que nos conforta em todos os nossos problemas» (2 Coríntios 1:3-4, NVI).15 Este conforto é para todos os tipos de aflição e está sempre disponível.

Há também a promessa de Restauração e força depois de um período de sofrimento. Pedro escreve: «E o Deus de toda a graça, que vos chamou para a sua glória eterna em Cristo, depois de terdes sofrido um pouco, ele mesmo vos restaurará e vos fará fortes, firmes e firmes» (1 Pedro 5:10, NVI).18 Isto aponta para o fim do sofrimento e para uma obra divina de renovação.

Deus oferece a esperança de A VITÓRIA E A VIDA ETERNA. O sofrimento neste mundo é temporário e deve levar-nos a aguardar a vida eterna oferecida através de Cristo.3 Jesus declarou: «Neste mundo tereis tribulações. Mas animem-se; Eu venci o mundo» (João 16:33, NVI).2 Esta vitória sobre o pecado, a morte e o mundo constitui o pano de fundo de todas as nossas provações terrenas. E o Salmo 23 dá-nos uma bela imagem de os cuidados do Pastor, mostrando a orientação, a provisão, a proteção e o conforto de Deus, mesmo quando caminhamos «pelo vale mais escuro».18

Estas promessas não são apenas palavras numa página; são frequentemente expressas em termos ativos, salientando um Deus que está relacionado com o seu povo no seu sofrimento: «I Will reforçar,» «Ele ouve,» «Ele confortos,» «I sou convosco».18 Isto põe em evidência um Deus ativo e empenhado, que ministra ao seu povo. Um aspeto importante do conforto que Deus proporciona, tal como visto em 2 Coríntios 1:3-4, é que se destina a ser transmitido. Os crentes que recebem o conforto de Deus são então equipados e chamados a confortar os outros, criando um ciclo de compaixão na comunidade e dando mais propósito às suas próprias experiências de sofrimento.15 É igualmente importante notar que a paz de Deus é frequentemente prometida no interior a situação difícil («em todos os momentos e em todos os sentidos», João 14:27 «Não se turbe o vosso coração»), em vez de ser uma remoção imediata de Esta distinção é crucial para gerir as nossas expectativas e encontrar contentamento na graça sustentadora de Deus, mesmo quando as nossas circunstâncias externas continuam a ser difíceis.

Qual é o papel da comunidade cristã quando os membros enfrentam julgamentos e tribulações?

A nossa comunidade cristã desempenha um papel incrivelmente importante no apoio aos seus membros enquanto navegamos pelas provações e tribulações. A Bíblia nos dá instruções claras para este cuidado mútuo, enfatizando que não estamos destinados a sofrer sozinhos.

O apóstolo Paulo estabelece um princípio fundamental em Gálatas 6:2 (NIV): «Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo».17 Este mandamento põe em evidência a responsabilidade partilhada no seio da nossa família cristã de ajudar a aliviar as dificuldades e as lutas dos nossos irmãos crentes. Significa envolver-se ativamente e oferecer apoio. Esta interligação é novamente demonstrada em 1 Coríntios 12:26 (NIV), que diz: «Se uma parte sofre, toda a parte sofre com ela».17 Quando um de nós está a sofrer de dor ou aflição, toda a comunidade sente-o e deve responder com empatia e preocupação partilhada. Esta solidariedade também é expressa em Romanos 12:15 (NIV): «Alegrai-vos com os que se regozijam; lamentar com os que choram».17 Isto exige uma verdadeira empatia, entrando nas tristezas dos outros com conforto e companhia. Estas instruções são normalmente encontradas em cartas escritas às igrejas locais, destacando a responsabilidade específica de nossas comunidades cristãs organizadas de cuidar dos membros que sofrem.17

Uma parte fundamental do apoio da comunidade é consolando-nos uns aos outros. Uma vez que recebemos o poderoso conforto de Deus nas nossas próprias aflições, estamos equipados de forma única e somos chamados a estender esse mesmo conforto aos outros que sofrem (2 Coríntios 1:3-4).15 Isto cria uma dinâmica em que o sofrimento não é uma experiência isolada, mas uma viagem partilhada, com o conforto que flui de Deus através do Seu povo para os necessitados.

Este apoio muitas vezes exige formas práticas. Pequenos grupos dentro de uma igreja podem ser uma rede primária de cuidados durante tempos difíceis, proporcionando ajuda real, um ouvido atento, oração e um sentimento de pertencimento que ajuda a curar.17 A comunidade mais ampla oferece encorajamento, oração coletiva, conselhos sábios daqueles que podem ter passado por provações semelhantes, e esse lembrete vital de que a pessoa que sofre não está sozinha em sua luta.20

A Bíblia destaca o Necessidade de pertencer a uma comunidade para cumprir estes mandamentos. É quase impossível obedecer a ordens como carregar os fardos uns dos outros se nos mantivermos desligados de um corpo local de crentes17. O desígnio de Deus para o Seu povo inclui a nossa dependência uns dos outros, especialmente em tempos de fraqueza e sofrimento. Participar de uma comunidade de fé é essencial não só para o apoio em tempos difíceis, mas também para crescer na compreensão e aplicação da fé. Crenças e práticas batistas. Juntos, os crentes podem encorajar uns aos outros em suas jornadas espirituais e responsabilizar uns aos outros na vivência de sua fé. Em última análise, esta interligação ajuda a reforçar a Igreja no seu conjunto, promovendo um espírito de amor e serviço que reflete os ensinamentos de Cristo. Além de promover a responsabilização, uma comunidade proporciona um espaço para os crentes explorarem e aprofundarem a sua compreensão de várias perspetivas teológicas, incluindo: Crenças e práticas luteranas. O envolvimento com pontos de vista diversos enriquece a experiência de fé e alarga a nossa compreensão coletiva da Palavra de Deus. Ao compartilhar insights e experiências, os membros podem ajudar uns aos outros a percorrer seus caminhos espirituais e crescer em sua relação com Cristo.

A igreja destina-se a ser um refúgio para aqueles que estão sofrendo.Deve ser um lugar seguro onde os indivíduos possam ser vulneráveis, encontrar aceitação e receber o apoio espiritual, emocional e às vezes físico necessário para perseverar.

A forte ênfase bíblica em «uns aos outros» no que diz respeito ao sofrimento mostra claramente que o desígnio de Deus é que nós, crentes, naveguemos juntos pelas dificuldades. Esta abordagem comunitária ajuda a diminuir o poderoso sentimento de isolamento que muitas vezes vem com a dor e o sofrimento.15 Tentar passar pelo sofrimento sozinho vai contra este padrão bíblico. O próprio ato de apoiar uns aos outros através de provações serve para fortalecer os laços dentro de nossa comunidade cristã. À medida que os membros praticam o cuidado mútuo, passamos a conhecer e amar uns aos outros mais profundamente, fomentando a genuína interdependência que Deus pretendia para o Corpo de Cristo.17 Esta experiência compartilhada de sofrimento e apoio torna-se um fogo que forja mais profunda unidade e amor. As cartas do Novo Testamento direcionam estes mandamentos para o cuidado mútuo aos corpos eclesiais locais, enfatizando o papel específico e intencional das comunidades cristãs organizadas no ministério aos seus membros, em vez de deixar tal apoio apenas às amizades informais.17

Há alguma diferença entre os nossos julgamentos pessoais e a «Grande Tribulação» mencionada na Bíblia?

Como cristãos, ouvimos frequentemente a palavra «tribulação» de duas formas diferentes: há as provações pessoais e as dificuldades que enfrentamos na nossa vida quotidiana, e depois há a «Grande Tribulação», que é um período específico de intenso sofrimento mencionado na profecia bíblica. Compreender a diferença entre estes é realmente importante para ter uma visão cristã equilibrada.

«tribulação» geral, ou seja, os nossos julgamentos pessoais, inclui todas as dificuldades comuns, sofrimentos, angústias e perseguições que nós, como crentes, podemos enfrentar durante toda a nossa vida, e que a Igreja enfrentou ao longo da história.34 Estas provações vêm em todos os tipos de formas e tamanhos. Podem vir de muitos lugares, como a doença, a perda, as lutas financeiras, a oposição à nossa fé ou as batalhas espirituais internas. Embora sejam dolorosas, Deus usa estas tribulações pessoais para o nosso crescimento espiritual, para refinar a nossa fé e para desenvolver o caráter de Cristo.35 A palavra grega thlipsis (que significa sofrimento ou angústia) é usado em muitas passagens do Novo Testamento para descrever estes tipos de experiências (por exemplo, Romanos 5:3, João 16:33).

«A Grande Tribulação», por outro lado, refere-se a um acontecimento único e futuro na cronologia de Deus. É descrito como um período específico de problemas, caos e calamidade à escala mundial, que será diferente de tudo o que já foi visto antes, muito além do sofrimento humano comum34. Este período está frequentemente associado ao facto de os julgamentos de Deus serem derramados num mundo rebelde, à ascensão e ao reinado de uma figura conhecida como o Anticristo e a uma série de acontecimentos catastróficos que levaram à Segunda Vinda de Jesus Cristo. As principais passagens bíblicas que descrevem ou sugerem a Grande Tribulação incluem Mateus 24 (especialmente os versículos 21 e 29), Daniel 9:27, Daniel 12:1 e grande parte do Livro do Apocalipse (particularmente os capítulos 6-19).34 Muitos estudiosos da Bíblia acreditam que durará sete anos, com base nas profecias do Livro de Daniel.34

Segue-se um pequeno quadro para ajudar a ver algumas distinções fundamentais:

CaracterísticaTestes Pessoais & TribulaçõesA grande tribulação
Significado Primário/NaturezaDificuldades gerais, sofrimentos, dificuldades, perseguiçõesPeríodo específico, sem precedentes, de intenso caos global, julgamento divino, perseguição
Âmbito de aplicação/Quem é afetadoIndivíduos, famílias, comunidades locais, a Igreja historicamenteO mundo inteiro, "habitantes da terra" (Ap 3:10) 36
Tempo/DuraçãoOcorrem ao longo da vida de um crente e da história da igreja; duração variadaEvento futuro específico de fim dos tempos; muitas vezes interpretado como sete anos 34
Exemplos Bíblicos/Passagens-chaveOs sofrimentos de Jó, as dificuldades de Paulo (2 Coríntios 11), João 16:33, Rm 5:3Mateus 24:21-29, Dan 9:27, Dan 12:1, Rev 6-19
Propósito Divino Primário (como geralmente compreendido)Teste a fé, produza o caráter, o crescimento espiritual, a santificaçãoDerramar a ira de Deus sobre um mundo rebelde, purificar Israel, levar alguns ao arrependimento 34

É importante saber que os cristãos têm diferentes Interpretações sobre a Grande Tribulação, especialmente sobre quando ocorrerá o «arrebatamento» (quando os crentes são arrebatados para se encontrarem com o Senhor). Alguns acreditam que a Igreja será retirada da terra. antes este período de sete anos começa (que é uma visão pré-tribulação).35 Outros acreditam que a Igreja passará por parte dela (visão da meia tribulação) ou por toda ela (visão pós-tribulação), ou que "A Grande Tribulação" se refere ao intenso sofrimento dos crentes ao longo de toda a era da igreja, atingindo o seu auge no final.34

O A grande tribulação Muitas vezes é entendido como um tempo em que a ira justa de Deus é derramada sobre um mundo que O rejeitou.34 Algumas interpretações também a vêem como um tempo especificamente para quebrar a vontade rebelde da nação de Israel e trazer um remanescente à salvação, e para chamar o mundo ao arrependimento através de julgamentos esmagadores.35

O mal-entendido da diferença entre nossas provações pessoais e A Grande Tribulação às vezes pode levar ao medo desnecessário ou levar-nos a aplicar mal a profecia bíblica aos eventos atuais. Se confundirmos cada sofrimento pessoal intenso ou crise mundial com o início de A Grande Tribulação, isso pode causar muita ansiedade quanto ao fim dos tempos ou levar a suposições especulativas sobre a cronologia de Deus. Portanto, diferenciar claramente estes conceitos é pastoralmente importante para manter uma fé sólida e firme.

Independentemente da sua visão específica sobre o fim dos tempos, o caráter espiritual que é forjado nas nossas provações pessoais — fé, esperança, perseverança e confiança em Deus — é o que verdadeiramente nos prepara para qualquer futuro que Deus tenha planeado.35 As disciplinas espirituais que desenvolvemos ao suportar provações comuns e pessoais são as mesmas de que necessitaríamos para enfrentar qualquer sofrimento futuro intenso. O foco para nós, como crentes, deve ser sempre ser sermos fiéis hoje, crescermos para sermos mais como Cristo e confiarmos no cuidado soberano de Deus, em vez de sermos consumidos pelos detalhes precisos ou pelo momento dos acontecimentos futuros.35 Quer estejamos a enfrentar provações pessoais ou (de acordo com alguns pontos de vista) potencialmente aspetos da Grande Tribulação no futuro, a promessa da proteção final de Deus para a Sua própria, ou a Sua graça sustentadora através dela, continua a ser um tema constante nas Escrituras35.

Conclusão: Encontrar força e esperança em todas as estações

Este caminho de fé cristã é aquele que inevitavelmente incluirá períodos de provações e tribulações. Mas quero que sejas encorajado! Estas experiências, embora muitas vezes dolorosas e desafiadoras, não são desprovidas de um poderoso propósito divino. Tal como explorámos, Deus utiliza estas dificuldades para refinar a nossa fé, tornando-a mais genuína e mais preciosa do que o ouro. Servem para construir o caráter piedoso, cultivando a perseverança, que, por sua vez, produz uma esperança que nunca desapontará, porque está enraizada no amor inabalável de Deus. As provações têm essa incrível capacidade de atrair-nos para uma relação mais profunda e íntima com Deus, despojando-nos de nossa autoconfiança e promovendo uma poderosa dependência de Sua graça e força. Além disso, o conforto e a sabedoria que adquirimos ao navegar pelas nossas dificuldades pessoais equipam-nos de forma única, enquanto cristãos, para ministrar aos outros que sofrem, criando um belo ciclo de compaixão na nossa comunidade de fé.

Através de cada tempestade, o amor inabalável de Deus, a sua presença permanente e as suas poderosas promessas servem de âncoras para as nossas almas. Ele não nos deixa, a seus filhos, a enfrentar sozinhos a adversidade, mas oferece-lhes a sua força, a sua paz e o seu consolo. A nossa comunidade cristã desempenha também um papel tão vital, oferecendo uma rede de apoio, de oração e de encargos partilhados, recordando-nos a cada um de nós que fazemos parte de uma família mais vasta.

A perspectiva cristã acerca das provações e tribulações é de uma esperança transbordante. Embora o sofrimento seja uma realidade presente, vemo-lo através das lentes da bondade soberana de Deus e da sua vitória final sobre o pecado e a morte através de Jesus Cristo. Como o apóstolo Paulo escreveu, «Pois considero que os sofrimentos deste tempo presente não são dignos de serem comparados com a glória que será revelada em nós» (Romanos 8:18, NVI).10 Esta perspetiva eterna capacita-nos, como crentes, a suportar as dificuldades presentes com coragem e firmeza, confiantes na promessa de glória futura e no amor infalível do nosso Pai Celestial. Os teus melhores dias ainda estão pela frente!

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