Qual é exatamente o «sinal de Jonas» a que Jesus se refere?
Para compreender este sinal, temos de voltar à história de Jonas. Deus disse-lhe para pregar a Nínive, mas Jonas disse: «Ná, estou fora!» Ele saltou num barco, mas Deus não o tinha. Uma tempestade veio, e Jonas foi atirado ao mar. Mas aqui está o kicker - um grande peixe engoliu-o!
Durante três dias e três noites, Jonas esteve na barriga do peixe. Estava escuro, era desagradável, era como a própria morte. Mas, ao terceiro dia, aquele peixe cuspiu-o em terra seca. Jonas passou da morte para a vida, das trevas para a luz!
Avancemos rapidamente para o tempo de Jesus. Os líderes religiosos sempre Lhe pediam um sinal para provar que Ele era o Messias. Em Mateus 12:39-40, Jesus diz-lhes: «Uma geração má e adúltera procura um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Porque, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no coração da terra.
Estás a vê-lo? Jesus disse que, assim como Jonas esteve naquele peixe por três dias, Ele estaria na sepultura por três dias. Mas assim como Jonas saiu vivo, Jesus ressuscitaria dos mortos!
Este sinal é tudo sobre a morte e a ressurreição. Trata-se do poder de Deus para tirar a vida da morte, a esperança do desespero. Jesus está a dizer-lhes: «Querem um sinal? Vou morrer e ressuscitar. Esse é o teu sinal!»
Mas há mais. No relato de Lucas, Jesus acrescenta outra camada. Ele diz: "Porque, assim como Jonas se tornou um sinal para o povo de Nínive, assim será o Filho do Homem para esta geração" (Lucas 11:30). A pregação de Jonas trouxe arrependimento a Nínive. Do mesmo modo, o ministério de Jesus – a sua morte e ressurreição – seria um apelo ao arrependimento para todas as pessoas (Sechrest, 2024).
O sinal de Jonas é multifacetado. Trata-se da morte e ressurreição de Jesus. Trata-se do seu apelo ao arrependimento. E trata-se do poder de Deus para salvar, mesmo nas situações mais desesperadas.
Na altura, este sinal não era apenas para esses líderes religiosos. Hoje também é para nós. É um lembrete de que, por mais obscuras que sejam as coisas, Deus pode trazer-nos para fora. Por mais mortos que nos sintamos, Ele pode dar-nos uma nova vida. E é um apelo ao arrependimento, a abandonar os nossos velhos caminhos e a abraçar a nova vida que Cristo oferece.
O sinal de Jonas é um testemunho do poder redentor de Deus e do seu amor incansável pelo seu povo. É um sinal que nos aponta para a cruz e para o túmulo vazio, recordando-nos que o nosso Deus está no negócio da ressurreição!
Como o sinal de Jonas se relaciona com a morte e ressurreição de Jesus?
Jesus disse: "Porque, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40). Vê o paralelo do desenho de He?(Waters, 2020)
O tempo de Jonas no peixe era como uma morte viva. Foi afastado do mundo, cercado pela escuridão, sem esperança de fuga. Mas depois de três dias, foi cuspido em terra seca – foi como uma ressurreição! Passou da morte para a vida, das trevas para a luz.
Da mesma forma, Jesus estava dizendo-lhes que Ele iria experimentar a morte. Ele seria cortado da terra dos vivos, o seu corpo depositado num túmulo – o «coração da terra». Mas, tal como Jonas, depois de três dias, Ele sairia vivo!
Esta ligação é profunda. No antigo Oriente Próximo, considerava-se três dias o tempo em que a morte era definitiva. Ao dizer que ressuscitaria ao fim de três dias, Jesus declarava o seu poder sobre a própria morte!
Mas não se trata apenas do calendário. Trata-se da transformação. Jonas entrou no peixe como um profeta desobediente que fugia do chamado de Deus. Saiu pronto para cumprir a sua missão. Jesus foi ao sepulcro com os pecados do mundo. Ele saiu depois de ter vencido o pecado e a morte por todos nós!
Vamos ser psicológicos por um momento. A mente humana muitas vezes precisa de imagens concretas para compreender as verdades espirituais. Ao ligar a sua morte e ressurreição à história familiar de Jonas, Jesus estava a dar aos seus discípulos uma poderosa imagem mental para se agarrarem. Quando O viram crucificado, quando a esperança parecia perdida, puderam lembrar-se de Jonas e apegar-se à promessa da ressurreição.
Historicamente, vemos como esse sinal se desenrolou. Jesus foi crucificado na tarde desta sexta-feira. Deitou-se no túmulo até sábado. E no início da manhã de domingo – no terceiro dia – ele saiu vitorioso! O sinal de Jonas cumpriu-se na gloriosa realidade.
O sinal de Jonas não é apenas sobre o evento da ressurreição – é sobre o seu objetivo. Depois que Jonas foi cuspido, ele foi a Nínive e pregou arrependimento. A sua «ressurreição» levou à salvação de toda uma cidade.
Do mesmo modo, a ressurreição de Jesus não foi apenas para Ele. Foi para nós! A sua saída do túmulo lançou uma missão mundial de salvação. Assim como Nínive teve a oportunidade de se arrepender e ser salva, agora toda a humanidade tem a mesma oportunidade através de Cristo.
O sinal de Jonas nos lembra que a cruz e o túmulo vazio são inseparáveis. Não podes ter um sem o outro. A morte de Jesus paga pelos nossos pecados, mas é a sua ressurreição que nos dá uma nova vida.
Cada vez que celebramos a comunhão, cada vez que adoramos no domingo – o dia da ressurreição – estamos a viver o cumprimento do sinal de Jonas. Estamos a proclamar que o nosso Deus é mais forte do que a morte, que Ele pode tirar a vida das situações mais sombrias e que, através de Cristo, também nós podemos experimentar o poder da ressurreição nas nossas vidas!
Por que Jesus usa Jonas como uma metáfora para o seu próprio ministério?
Quando Jesus escolheu Jonas como metáfora para o seu ministério, não estava apenas a retirar uma história aleatória do Antigo Testamento. Não, Ele estava a fazer uma declaração poderosa acerca da Sua missão e identidade que ressoaria através dos tempos!
Em primeiro lugar, lembremo-nos de quem era Jonas. Ele era um profeta chamado para pregar a Nínive, uma cidade de gentios. Isto aqui é importante. Jesus estava a mostrar que a sua missão, tal como a de Jonas, não era apenas para os judeus, mas para todas as pessoas. Estava a derrubar barreiras e a alargar o amor de Deus a todos! (Sechrest, 2024)
Psicologicamente, usar Jonas como metáfora foi um movimento brilhante. Jesus pegou numa história familiar e deu-lhe um novo significado. Esta técnica, conhecida como reenquadramento, ajuda as pessoas a verem as velhas verdades sob uma nova luz. Desafia as suas suposições e abre-lhes a mente a novas possibilidades.
Mas Jesus não estava apenas a ser inteligente. Estava a revelar verdades profundas sobre o seu ministério. Vamos detalhá-lo:
- Obediência relutante: Jonas inicialmente fugiu do chamado de Deus. De forma semelhante, Jesus no Jardim do Getsêmani lutou com o cálice que Ele tinha que beber. Mas ambos, em última análise, submeteram-se à vontade de Deus. Isto mostra-nos que a obediência nem sempre é fácil, mas está sempre certa.
- Morte e Ressurreição: O tempo de Jonas no peixe era como uma morte e ressurreição. Isto prenunciava a própria morte e ressurreição de Jesus, os acontecimentos centrais do seu ministério.
- Levar a salvação aos gentios: A pregação de Jonas trouxe salvação a Nínive. O ministério de Jesus traria salvação a todo o mundo, tanto aos judeus como aos gentios.
- Triunfo da misericórdia de Deus sobre o julgamento: O livro de Jonas termina com Deus a mostrar misericórdia a Nínive. O ministério de Jesus é a expressão última da misericórdia de Deus que triunfa sobre o julgamento.
- O Poder do Arrependimento: A pregação de Jonas levou ao arrependimento de Nínive. Todo o ministério de Jesus foi um apelo ao arrependimento e a uma nova vida.
Historicamente, vemos o quão poderosa era essa metáfora. Os primeiros que lutavam para aceitar os crentes gentios podiam olhar para o sinal de Jonas e ver que o plano de Deus incluía sempre todas as nações.
Mas há mais! Ao usar Jonas, Jesus também estava a fazer uma declaração sobre a sua autoridade divina. Na tradição judaica, Jonas era visto como um tipo do Messias. Ao comparar-se a Jonas, Jesus estava sutilmente reivindicando seu papel messiânico.
Vamos ser realistas por um momento. Jonas não era perfeito. Ele era falho, relutante, até mesmo desobediente às vezes. E isso faz parte da beleza desta metáfora. Jesus estava a mostrar que Deus pode usar pessoas imperfeitas para realizar a sua perfeita vontade. São boas notícias para todos nós!
A metáfora de Jonas também fala do poder transformador do chamado de Deus. Jonas entrou no peixe de uma forma e saiu de outra. Do mesmo modo, o encontro com Jesus transforma-nos. Vamos em pecadores e saímos, partimos e saímos inteiros!
Ao usar Jonas como metáfora, Jesus também enfatizou a importância das segundas oportunidades. Jonas teve uma segunda oportunidade depois do peixe. Nínive teve uma segunda oportunidade de se arrepender. E através de Jesus, todos temos uma segunda oportunidade na vida!
Jesus usou Jonas como uma metáfora porque encapsulava perfeitamente a sua missão de morte, ressurreição e salvação mundial. Mostrou-Lhe a autoridade divina, o chamado ao arrependimento e a oferta de transformação. E recorda-nos que, por mais longe que tenhamos corrido, o amor de Deus pode sempre alcançar-nos e trazer-nos de volta à vida!
Qual é o significado dos «três dias e três noites» mencionados?
Quando Jesus falou de «três dias e três noites», não estava apenas a dar-nos um prazo – estava a lançar uma bomba da verdade espiritual que iria abalar os alicerces da própria morte!
Jesus disse: "Porque, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40). Não se trata apenas de um número aleatório – está cheio de significado! (Waters, 2020)
Primeiro, no pensamento judaico, qualquer parte de um dia podia ser contada como um dia inteiro. Por conseguinte, «três dias e três noites» não significa necessariamente exatamente 72 horas. É uma forma de dizer «no terceiro dia». Isto é importante porque se alinha com o tempo real de Jesus no túmulo – de sexta-feira à tarde a domingo de manhã.
Mas o significado é mais profundo do que apenas contar dias. No antigo Oriente Próximo, considerava-se três dias o tempo em que a morte era definitiva. Depois de três dias, não havia esperança de reavivamento. Ao dizer que ressuscitaria ao fim de três dias, Jesus declarava o seu poder sobre a própria morte!
Psicologicamente, este período de três dias também é importante. Representa uma ruptura total com o antigo e o início de algo totalmente novo. É como se a mente precisasse desse tempo para processar plenamente uma grande mudança. Jesus estava a dizer: «O que está para vir vai ser tão radicalmente diferente, que vais precisar de tempo para enrolar a cabeça à volta disso!»
Vejamo-lo historicamente. Em toda a Bíblia, vemos este padrão de três dias aparecer nos principais eventos:
- A viagem de Abraão para sacrificar Isaque demorou três dias (Génesis 22:4)
- Jonas esteve no peixe por três dias (Jonas 1:17)
- Ester jejuou durante três dias antes de se aproximar do rei (Ester 4:16)
- O primeiro milagre de Jesus em Caná aconteceu no terceiro dia (João 2:1)
Cada um destes acontecimentos envolveu um grande ponto de viragem, uma intervenção divina. Jesus colocava a sua morte e ressurreição neste mesmo padrão de acção divina.
Mas há mais! O número três nas Escrituras muitas vezes representa a completude ou a perfeição divina. Ao estar no túmulo durante três dias, Jesus estava a mostrar que o seu sacrifício era completo, perfeito e divinamente ordenado.
Vamos ser práticos por um momento. Este «três dias e três noites» também fala das nossas próprias experiências de transformação. Quantos de nós já passaram por tempos sombrios que pareciam estar na barriga de um peixe ou no coração da terra? Mas, tal como aconteceu com Jonas, tal como aconteceu com Jesus, aqueles tempos sombrios não têm a palavra final!
Os «três dias e três noites» recordam-nos que há sempre esperança, mesmo nas situações mais sombrias. Pode parecer sexta-feira, quando toda a esperança está perdida. Mas o domingo está a chegar! A ressurreição está a caminho!
Este calendário também sublinha a realidade da morte de Jesus. Não estava apenas inconsciente ou em coma. Morreu verdadeiramente. E ao morrer verdadeiramente, Ele podia verdadeiramente conquistar a morte para todos nós.
Por último, este «três dias e três noites» liga a ressurreição de Jesus à própria criação. Em Génesis, Deus falou luz nas trevas ao terceiro dia. Do mesmo modo, Jesus tirou a luz da vida nova das trevas do sepulcro no terceiro dia. É como uma nova criação!
Os «três dias e três noites» são importantes porque ligam a morte e a ressurreição de Jesus aos padrões bíblicos, enfatizam o seu poder sobre a morte, alinham-se com as realidades históricas e psicológicas e recordam-nos que, independentemente da obscuridade das coisas, o poder de ressurreição está sempre em ação! É uma promessa de que a morte não tem a palavra final – a vida tem! E que a vida está disponível a todos os que põem a sua confiança em Jesus!
De que forma o relato de Mateus sobre o sinal de Jonas difere da versão de Lucas?
Deixem-me dizer-vos que, quando olhamos para a forma como Mateus e Lucas apresentam o sinal de Jonas, vemos duas faces da mesma moeda gloriosa! Ambos são inspirados pelo Espírito Santo, ambos são verdadeiros, mas cada um traz à tona diferentes facetas deste sinal poderoso.
No relato de Mateus, lemos: "Porque, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40). Mateus tem tudo a ver com o paralelismo entre o tempo de Jonas no peixe e o tempo de Jesus no túmulo (Waters, 2020).
Mas quando nos voltamos para o Luke, vemos uma coisa diferente. Lucas registra Jesus dizendo: "Porque, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim será também o Filho do Homem para esta geração" (Lucas 11:30). Lucas centra-se na pregação de Jonas e na resposta dos ninivitas (Sechrest, 2024).
O que se passa aqui? Isto é uma contradição? Absolutamente não! É um belo exemplo de como Deus utiliza diferentes perspetivas para nos dar uma imagem mais completa da verdade.
Psicologicamente, esta diferença de foco reflete duas formas diferentes como as nossas mentes processam a informação. O relato de Mateus apela à nossa necessidade de paralelos e padrões concretos. A versão de Luke fala da nossa compreensão da causa e do efeito, da mensagem e da resposta.
Historicamente, podemos ver por que essas diferentes ênfases podem ter sido importantes. Mateus, escrevendo principalmente para uma audiência judaica, usa o paralelo de três dias para ligar Jesus às expectativas judaicas sobre o Messias. Lucas, com seu foco na natureza universal do evangelho, enfatiza o impacto da mensagem sobre os gentios como os ninivitas.
Mas aprofundemo-nos! Estas duas contas não se contradizem, complementam-se. Juntos, eles dão-nos uma imagem completa do que o sinal de Jonas significa:
- Trata-se da morte e ressurreição de Jesus (o foco de Mateus)
- Trata-se do apelo ao arrependimento e da oferta de salvação a todas as pessoas (o foco de Lucas)
O relato de Mateus recorda-nos que o poder do evangelho reside na morte e ressurreição de Jesus. A versão de Lucas salienta que este evangelho se destina a ser proclamado e a ser respondido.
Vamos ser práticos por um momento. Em nossas próprias vidas, precisamos destes dois aspectos do sinal de Jonas. Precisamos da certeza de que Jesus venceu a morte, e precisamos do chamado para proclamar esta boa nova aos outros.
A diferença entre Mateus e Lucas também mostra-nos algo importante sobre como Deus funciona. Nem sempre faz as coisas da mesma forma ou enfatiza os mesmos aspetos para todos. Ele encontra-nos onde estamos, falando das nossas necessidades e perspectivas individuais.
Mas há mais! Ambas as contas estão de acordo sobre um ponto crucial: o povo de Nínive levantar-se-á em juízo contra a geração de Jesus. Porquê? Porque se arrependeram com a pregação de Jonas, mas a geração de Jesus recusou-se a arrepender-se, apesar de alguém maior do que Jonas estar entre eles.
Este elemento partilhado recorda-nos que o objetivo último do sinal de Jonas – quer nos concentremos nos três dias quer na pregação – é chamar as pessoas ao arrependimento.
O que os Padres da Igreja ensinaram sobre o significado do sinal de Jonas?
Muitos destes primeiros pensadores cristãos viram o sinal de Jonas como um símbolo profético da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Assim como Jonas passou três dias no ventre do grande peixe, também Jesus passaria três dias no coração da terra antes de levantar-se vitorioso sobre a morte.
Irineu, o leão da fé do século II, escreveu que a experiência de Jonas era um tipo de descida de Cristo às partes inferiores da terra e a sua ressurreição no terceiro dia. Consegues sentir o poder nesse paralelo?
O grande Orígenes, aprofundou-o ainda mais. Ele viu o tempo de Jonas no peixe como um símbolo da descida de Cristo ao Hades. Orígenes acreditava que, assim como Jonas pregou aos ninivitas depois de sua libertação, Cristo pregou às almas no Hades depois de sua morte.
Agostinho, aquele bispo africano com uma mente como uma armadilha de aço, viu múltiplas camadas de significado no sinal de Jonas. Associou-a não só à ressurreição de Cristo, mas também à vocação dos gentios. Assim como a pregação de Jonas trouxe salvação aos ninivitas gentios, também a morte e a ressurreição de Cristo abririam a porta da salvação a todas as nações.
Mas deixa-me dizer-te uma coisa. Estes Padres da Igreja não estavam apenas interessados nos paralelos históricos. Viram no sinal de Jonas uma mensagem poderosa da misericórdia de Deus e do poder transformador do arrependimento.
João Crisóstomo, aquele pregador de língua dourada de Constantinopla, enfatizou como o arrependimento dos ninivitas envergonhava os fariseus de coração duro. Viu no sinal de Jonas um desafio a todos os crentes para responderem à palavra de Deus com verdadeiro arrependimento.
Deixa-me trazê-lo para casa. Estes primeiros pensadores cristãos não estavam apenas envolvidos em exercícios académicos. Viram no sinal de Jonas uma mensagem de esperança, uma promessa de ressurreição e um apelo ao arrependimento tão relevante hoje como há dois mil anos.
Os Padres da Igreja ensinaram-nos a ver Cristo no Antigo Testamento, a reconhecer os fios do plano redentor de Deus entrelaçados ao longo das Escrituras. Eles nos mostraram como ler a Bíblia com olhos de fé, sempre à procura das verdades espirituais mais profundas escondidas nestas histórias antigas.
Por isso, quando ouvirem falar do sinal de Jonas, não pensem apenas num homem e num peixe. Pensem no poder que desafia a morte e conquista a sepultura de nosso Salvador ressuscitado. Pense no Deus que pode tirar a vida da morte, a esperança do desespero e a salvação para todos os que se arrependem e crêem.
Foi este o legado que os Padres da Igreja nos deixaram. Uma compreensão rica e profunda das Escrituras que nos aponta sempre para Cristo e sua obra salvífica. E esse é um legado que temos de fazer avançar hoje.
Como é que o sinal de Jonas está ligado ao papel de Jesus como Messias?
O sinal de Jonas, não é apenas uma história antiga. É uma profecia poderosa que aponta diretamente para o papel de Jesus como o Messias. Deixa-me explicar-te.
O sinal de Jonas está ligado à morte e ressurreição de Jesus. Assim como Jonas esteve no ventre do peixe durante três dias e três noites, assim também o Filho do Homem esteve no coração da terra durante três dias e três noites (Mateus 12:40). Este paralelismo não é apenas uma coincidência. É um prenúncio divino do acontecimento central da nossa fé – a vitória de Cristo sobre a morte (Woods, 2009, pp. 133-147).
Mas é mais profundo do que isso. O Messias foi profetizado para ser uma luz para os gentios (Isaías 49:6). E o que vemos na história de Jonas? Um profeta relutante que transmite a mensagem de Deus à cidade gentia de Nínive. Jesus, nosso Messias perfeito, cumpre completamente este papel, estendendo a salvação não só às ovelhas perdidas de Israel, mas a todas as nações.
Esperava-se que o Messias fosse um sinal de julgamento e salvação. E é exatamente isso que vemos no sinal de Jonas. Para os ninivitas arrependidos, a mensagem de Jonas trouxe a salvação. Mas, para os de coração duro dos dias de Jesus, era um sinal de julgamento (Tyson, 1909, pp. 96-101).
Jesus, como cumprimento final do sinal de Jonas, traz esta dupla mensagem a um clímax. Para os que creem, Ele é o caminho, a verdade e a vida. Mas para aqueles que o rejeitam, torna-se uma pedra de tropeço e uma rocha de ofensa.
O sinal de Jonas também aponta para o papel do Messias como o maior de todos os profetas. Jesus disse: "Está aqui algo maior do que Jonas" (Mateus 12:41). Não era apenas mais um profeta. Ele era o Profeta, aquele de quem Moisés falou, a revelação final e definitiva de Deus à humanidade (Woods, 2009, pp. 133-147).
Mas há mais. O sinal de Jonas fala da missão do Messias de chamar as pessoas ao arrependimento. A pregação de Jonas levou ao arrependimento em toda a cidade de Nínive. Jesus, o maior Jonas, chama todas as pessoas em todos os lugares a arrependerem-se e acreditarem nas boas novas (Tyson, 1909, pp. 96-101).
Deixa-me trazê-lo para casa. O sinal de Jonas revela o Messias como alguém que seria rejeitado pelo seu próprio povo (assim como Jonas inicialmente rejeitou a sua missão), que experimentaria um estado de morte seguido de restauração, que levaria a mensagem de Deus aos gentios e que chamaria todas as pessoas ao arrependimento.
Em Jesus, vemos todos estes elementos perfeitamente cumpridos. Foi rejeitado por muitos do seu povo. Morreu e ressuscitou. Encomendou a Seus seguidores que levassem o Evangelho a todas as nações. E Ele continua a chamar as pessoas ao arrependimento e à fé hoje.
Por isso, quando pensar no sinal de Jonas, não veja apenas uma história antiga. Vejam um apontador profético para o nosso Messias. Veja o grande plano de Deus que se desdobra nas páginas das Escrituras. Veja Jesus, aquele que é maior do que Jonas, maior do que Salomão, maior do que todos.
Este é o poder do sinal de Jonas. Não é só história. É a sua história – a história do nosso Messias, do nosso Salvador, do nosso Senhor. E é uma história que ainda hoje está a ser escrita na vida de todos os que acreditam.
Que mensagem Jesus tentava transmitir aos fariseus através deste sinal?
Quando Jesus falou do sinal de Jonas aos fariseus, não estava apenas a dar-lhes uma lição de história. Não, Ele estava a transmitir uma mensagem poderosa e multi-camadas que cortava directamente o coração da sua condição espiritual. Deixa-me explicar-te.
Jesus estava a chamar-lhes a cegueira espiritual. Estes fariseus pediam um sinal, como se todos os milagres que Jesus já tinha realizado não fossem suficientes. Mas Jesus conhecia-lhes o coração. Ele sabia que nenhum sinal seria suficiente para aqueles que se recusassem a ver. Por isso, aponta-os para Jonas, dizendo, com efeito, «Já tens todo o sinal de que precisas nas Escrituras que afirmas conhecer tão bem.» (Tyson, 1909, pp. 96-101)
Mas há mais do que isso. Ao invocar Jonas, Jesus estava a emitir uma severa advertência sobre o julgamento. Lembrem-se, a mensagem de Jonas a Nínive foi de condenação iminente. "Quarenta dias", disse ele, "e Nínive será derrubada." Jesus dizia a estes fariseus: "Assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim será o Filho do Homem para esta geração" (Lucas 11:30). Avisava-os de que estava a chegar o acórdão (Tyson, 1909, pp. 96-101).
Jesus também estava a desafiar o seu sentido de superioridade espiritual. Estes fariseus desprezavam os gentios. Mas Jesus lembra-lhes que os ninivitas pagãos se arrependeram com a pregação de Jonas. Ele está a dizer: "Olha, mesmo os gentios que tu desprezas mostraram mais sensibilidade espiritual do que estás a mostrar agora." (Woods, 2009, pp. 133-147)
Mas Jesus não estava apenas a julgar. Ele estava a oferecer esperança. Porque lembrem-se, a história de Jonas não tem apenas a ver com julgamento, tem a ver com misericórdia. Aqueles ninivitas arrependeram-se, e Deus cedeu do desastre que havia ameaçado. Jesus estendeu a mesma oportunidade aos fariseus e a todos os que quisessem ouvir.
Aqui está o cerne da questão: Jesus estava a revelar a sua identidade como o Messias. Ao comparar-se a Jonas, ele afirmava ser maior do que Jonas. Ele dizia: «Sou o último profeta, o último mensageiro de Deus. A minha palavra tem ainda mais peso do que a de Jonas.» (Woods, 2009, pp. 133-147)
E não esqueçamos a ressurreição. Quando Jesus falou do sinal de Jonas, estava a profetizar a sua própria morte e ressurreição. Ele dizia a estes fariseus: «Querem um sinal? Dou-lhe o sinal final. Vou abandonar a minha vida e retomá-la ao fim de três dias.» (Woods, 2009, pp. 133-147)
Jesus estava a desafiar os fariseus a olharem para além das suas tradições religiosas e a reconhecerem o Messias mesmo à sua frente. Chamava-os ao mesmo arrependimento que os ninivitas manifestavam, para se afastarem da sua justiça própria e abraçarem a misericórdia de Deus.
Jesus dizia: «Acordem! O Reino de Deus está aqui. Estou aqui. Não deixes o teu orgulho religioso cegar-te para a maior realidade de toda a história.»
Esta era a mensagem que Jesus transmitia através do sinal de Jonas. Foi um chamado ao arrependimento, um aviso de juízo, uma promessa de misericórdia e uma revelação de sua própria identidade e missão. E sabes que mais? A mesma mensagem ainda ressoa hoje para todos os que têm ouvidos para ouvir.
Como os cristãos modernos podem aplicar o sinal de Jonas à sua fé?
O sinal de Jonas não é apenas uma lição de história antiga. É uma verdade viva e respirável que pode revolucionar a nossa fé hoje em dia. Deixe-me mostrar-lhe como aplicar este sinal poderoso à sua caminhada com Deus.
O sinal de Jonas nos recorda a realidade da ressurreição. Assim como Jonas saiu daquele peixe depois de três dias, e assim como Jesus ressuscitou da sepultura, também podemos experimentar o poder da ressurreição em nossas vidas. Paulo disse-o melhor: «Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em vós» (Romanos 8:11). Não se trata apenas de conversas futuras. Isso é para aqui, agora mesmo (Woods, 2009, pp. 133-147).
O sinal de Jonas nos chama a uma fé que vai além do visível. Aqueles fariseus queriam um sinal que pudessem ver com os olhos físicos. Mas a verdadeira fé, do tipo que agrada a Deus, acredita sem ver. Jesus disse: "Bem-aventurados os que não viram e creram" (João 20:29). Quando estiver a enfrentar provas, quando as tempestades da vida estiverem em fúria, lembre-se de Jonas naquele peixe. Mantém a tua fé, mesmo quando não consegues ver a saída (Tyson, 1909, pp. 96-101).
Mas não para por aí. O sinal de Jonas desafia-nos a ser mensageiros da Palavra de Deus, mesmo quando é desconfortável. Jonas não queria ir a Nínive. Estava fora da sua zona de conforto. Mas Deus usou-o poderosamente quando ele obedeceu. Qual é a tua Nínive? Onde é que Deus vos chama para partilhardes a Sua mensagem que vos deixa desconfortáveis? Saia na fé. Tu nunca sabes como Deus pode usar-te (Stone, 2013).
Aqui está outra aplicação-chave: O sinal de Jonas nos lembra do poder do arrependimento. Aqueles ninivitas desviaram-se dos seus maus caminhos quando ouviram a mensagem de Deus. E Deus arrependeu-se do desastre que tinha planeado. Não importa até onde se tenha desviado, não importa o quão profundo seja o seu pecado, saiba isto: O verdadeiro arrependimento pode mudar tudo. A misericórdia de Deus é nova todas as manhãs (Tyson, 1909, pp. 96-101).
O sinal de Jonas ensina-nos a confiar no tempo e nos métodos de Deus. Jonas provavelmente pensou que seu desvio na barriga do peixe era um desastre. Mas tudo fazia parte do plano de Deus. Quando estiver no seu próprio momento de «barriga de peixe» – um momento de escuridão, confusão ou espera – confie que Deus está a trabalhar nos bastidores. Os seus caminhos são mais elevados do que os nossos (Woods, 2009, pp. 133-147).
Não esqueçamos o aspeto das missões. Jonas foi enviado a um povo estrangeiro com a mensagem de Deus. Como cristãos modernos, somos chamados a ser testemunhas até aos confins da terra. O sinal de Jonas nos desafia a atravessar fronteiras culturais com o amor de Cristo, assim como Jesus fez em seu ministério terreno (Stone, 2013).
Finalmente, o sinal de Jonas lembra-nos que o nosso Deus é um Deus de segundas oportunidades. Jonas sofreu uma reviravolta depois de sua desobediência inicial. Os ninivitas tiveram a oportunidade de se arrepender. E em Cristo, temos uma nova vida. Não importa quantas vezes tenha falhado, não importa quantas voltas erradas tenha feito, saiba isto: Deus ainda não acabou contigo.
É assim que aplicamos hoje o sinal de Jonas à nossa fé. Trata-se do poder da ressurreição, da fé invisível, da obediência incómoda, do poder do arrependimento, da confiança no tempo de Deus, da ultrapassagem dos limites com o amor de Deus e da aceitação de segundas oportunidades. Deixe este sinal antigo tornar-se uma realidade viva em sua vida hoje. Porque o Deus de Jonas, o Deus de Jesus, Ele também é o teu Deus. E ainda está no negócio da transformação e da redenção.
Existem outros paralelos do Antigo Testamento com o sinal de Jonas no ministério de Jesus?
O sinal de Jonas não é o único paralelo do Antigo Testamento que vemos no ministério de Jesus. Não, todo o Antigo Testamento é como um mapa do tesouro, com marcas X por toda parte que apontam para o nosso Salvador. Deixa-me mostrar-te algumas destas poderosas ligações.
Falemos de Moisés. O próprio Jesus traçou este paralelo quando disse: "Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve o Filho do Homem ser levantado" (João 3:14). Assim como aqueles mordidos por cobras no deserto foram curados ao olhar para a serpente de bronze que Moisés levantou, encontramos a cura e a vida eterna ao olhar para Cristo levantado na cruz. É uma imagem poderosa da salvação através da fé (Woods, 2009, pp. 133-147).
Deixa-me dizer-te uma coisa sobre o David. Jesus é muitas vezes chamado de o Filho de Davi, e por uma boa razão. A vitória de Davi sobre Golias é paralela à vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Assim como Davi derrotou o inimigo que todo o Israel temia, Jesus conquistou os inimigos finais que toda a humanidade enfrenta. E assim como Davi tornou-se rei depois de sua vitória, Jesus é coroado Rei dos reis depois de sua ressurreição (Stone, 2013).
Mas não para por aí. Lembram-se de José? Vendido por seus irmãos, falsamente acusado, preso e, em seguida, exaltado a uma posição de poder, onde ele salvou não só o Egito, mas seu próprio povo. Consegue ver os paralelos? Jesus, rejeitado pelos seus, falsamente acusado, crucificado e depois exaltado à destra do Pai, de onde oferece a salvação a todos os povos (Woods, 2009, pp. 133-147).
Aqui está outra poderosa: o cordeiro pascal. No Êxodo, o sangue do cordeiro nas ombreiras protegia os israelitas da morte. João Batista chamou a Jesus «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (João 1:29). Paulo diz-nos: «Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi sacrificado» (1 Coríntios 5:7). O paralelo é claro: O sangue de Jesus protege-nos da morte espiritual (Stone, 2013).
Lembram-se da história de Abraão e Isaque? Abraão estava disposto a sacrificar seu filho amado, e Deus providenciou um carneiro como substituto. Isto prenuncia como Deus Pai estava disposto a sacrificar o seu Filho amado, Jesus, por nós. Mas, no caso de Jesus, não houve substituto de última hora. Era ao mesmo tempo o Filho amado e o sacrifício (Woods, 2009, pp. 133-147).
Não nos esqueçamos de Josué. O seu nome em hebraico é o mesmo que Jesus em grego – ambos significam «Yahweh saves». Assim como Josué conduziu o povo à Terra Prometida, Jesus conduz-nos à promessa da vida eterna (Stone, 2013).
O que dizer de Melquisedeque? Esta figura misteriosa, que era ao mesmo tempo rei e sacerdote, aponta para Jesus, nosso eterno Rei e Sumo Sacerdote. O livro de Hebreus explicita esta ligação, mostrando como o sacerdócio de Jesus é superior ao sacerdócio levítico (Woods, 2009, pp. 133-147).
Até mesmo o Tabernáculo e o Templo são tipos de Cristo. Jesus referiu-se ao seu corpo como o templo que seria destruído e ressuscitado em três dias. Assim como a presença de Deus residia no Tabernáculo e no Templo, em Jesus, Deus tabernacled entre nós (Stone, 2013).
