
Quem são as principais figuras bíblicas que se diz terem ascendido ao céu sem morrer?
Nas sagradas escrituras, encontramos um mistério poderoso – certos indivíduos santos que foram levados ao céu sem experimentar a morte física como a conhecemos. Ao refletirmos sobre isso, duas figuras se destacam proeminentemente na narrativa bíblica: Enoque e Elias.
Enoque, descrito no livro de Gênesis, viveu antes do grande dilúvio. O texto nos diz, de forma simples, mas profunda, que “Enoque andou fielmente com Deus; e não apareceu mais, porque Deus o levou” (Gênesis 5:24). Esta passagem enigmática tem sido interpretada há muito tempo como significando que Enoque foi levado diretamente à presença de Deus sem morrer.
Elias, aquele grande profeta de Israel, nos fornece um relato ainda mais dramático. O segundo livro dos Reis relata como Elias foi levado ao céu em um redemoinho, acompanhado por carruagens e cavalos de fogo (2 Reis 2:11). Esta imagem vívida capturou a imaginação dos crentes por milênios.
Algumas tradições também incluem Moisés nesta categoria, embora sua morte seja explicitamente mencionada em Deuteronômio. O mistério que envolve seu sepultamento e posterior aparição na Transfiguração de Cristo levou alguns a especular sobre sua assunção corporal.
Psicologicamente, esses relatos falam ao nosso desejo humano profundamente enraizado de transcender a morte e alcançar uma conexão direta e não mediada com o divino. Eles oferecem esperança de que nossa jornada terrena não precise terminar sempre no vale da morte, mas possa levar diretamente à montanha da presença de Deus.
Historicamente, essas narrativas desempenharam um papel crucial na formação das compreensões judaicas e cristãs sobre a vida após a morte e a possibilidade da ressurreição corporal. Elas nos lembram de que os caminhos de Deus não são limitados pela nossa compreensão das leis naturais e que a fronteira entre o céu e a terra pode ser mais permeável do que frequentemente supomos.

O que a Bíblia diz sobre essas ascensões?
As Sagradas Escrituras, em sua sabedoria e mistério, falam dessas ascensões com uma bela economia de palavras, deixando muito para nossa reflexão orante. Consideremos o que nos é revelado sobre esses eventos extraordinários.
Para Enoque, como observamos, o relato é notavelmente breve. Gênesis nos diz que “Enoque andou fielmente com Deus; e não apareceu mais, porque Deus o levou” (Gênesis 5:24). A Carta aos Hebreus, no Novo Testamento, elabora um pouco mais, dizendo: “Pela fé, Enoque foi arrebatado, para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o arrebatara; visto que, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hebreus 11:5).
A ascensão de Elias é descrita com detalhes mais vívidos. O segundo livro dos Reis relata: “E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2 Reis 2:11). Esta cena dramática é testemunhada pelo discípulo de Elias, Eliseu, fornecendo um poderoso testemunho do evento.
Psicologicamente, esses relatos servem a múltiplos propósitos. Eles fornecem imagens concretas que nos ajudam a compreender conceitos abstratos de favor divino e a possibilidade de transcender a morte. A imagética visual da ascensão de Elias, em particular, oferece um poderoso símbolo da jornada da alma até Deus.
Historicamente, essas passagens foram interpretadas de várias maneiras. Alguns as veem como descrições literais de eventos únicos, enquanto outros as veem como expressões metafóricas de verdades espirituais. A diversidade de interpretações nos lembra da rica complexidade das sagradas escrituras e da importância de abordá-las tanto com fé quanto com razão.
Teologicamente, esses relatos afirmam o poder de Deus sobre a morte e Sua capacidade de atrair Seus servos fiéis diretamente para Sua presença. Eles prefiguram a esperança cristã da ressurreição corporal e a transformação final de toda a criação.
Em nosso contexto moderno, esses textos antigos continuam a falar aos nossos desejos mais profundos de transcendência e união com o divino. Eles nos desafiam a considerar como nós também podemos “andar com Deus” em nossas vidas diárias, preparando-nos para aquela jornada final para o abraço eterno de Deus.

Por que esses indivíduos foram escolhidos para ascender sem morrer?
A questão de por que certos indivíduos foram escolhidos para essa graça extraordinária de ascensão sem morte é uma que convida a uma reflexão profunda. Embora as Escrituras não nos forneçam razões explícitas, podemos discernir alguns insights através da consideração orante dessas vidas santas.
No caso de Enoque, a Bíblia enfatiza sua fidelidade. Somos informados de que ele “andou fielmente com Deus” (Gênesis 5:24). Esta frase sugere uma intimidade com o Divino, uma vida vivida em constante consciência da presença de Deus. Psicologicamente, poderíamos ver Enoque incorporando o que Carl Jung chamaria de “Self” – a totalidade da psique em harmonia com o divino.
Elias, por outro lado, é apresentado como um profeta de zelo e poder inigualáveis. Seu ministério foi marcado por confrontos dramáticos com as forças da idolatria e da injustiça. Sua ascensão pode ser vista como uma afirmação divina de seu papel profético e um sinal do triunfo final da justiça de Deus.
Historicamente, tanto Enoque quanto Elias passaram a ser vistos como figuras que transcenderam as fronteiras normais entre o céu e a terra. Em algumas tradições judaicas e cristãs, pensava-se que eles tinham papéis especiais no drama escatológico, talvez retornando como testemunhas antes do julgamento final.
De uma perspectiva teológica, poderíamos entender essas ascensões como sinais do amor e poder gratuitos de Deus. Elas nos lembram de que Deus não está limitado pelas leis da natureza como as entendemos e que a graça divina pode se manifestar de maneiras extraordinárias.
Ser escolhido para esse destino único não implica superioridade moral sobre outros que experimentam a morte. Em vez disso, essas ascensões servem como sinais de esperança para todos os crentes, apontando para a possibilidade da união final com Deus.
Em nosso contexto moderno, podemos ver esses relatos como convites para considerar como nós também somos “escolhidos” por Deus – não necessariamente para ascensões dramáticas, mas para vidas de testemunho fiel e serviço. Cada um de nós é chamado a “andar com Deus” à sua própria maneira, cultivando aquela intimidade com o Divino que caracterizou a vida de Enoque e aquela coragem profética exemplificada por Elias.
O “porquê” dessas ascensões permanece um mistério, escondido na sabedoria inescrutável de Deus. No entanto, elas continuam a nos inspirar, desafiando-nos a viver vidas dignas de nosso chamado, sempre prontos para aquela jornada final para a presença de Deus, seja através da morte ou por algum meio mais extraordinário.

Existem tradições não bíblicas sobre outras pessoas que ascenderam ao céu vivas?
, o conceito de ascensão ao céu sem experimentar a morte não é exclusivo da tradição judaico-cristã. À medida que expandimos nosso olhar para além das fronteiras de nossos próprios textos sagrados, encontramos uma vasta rede de narrativas semelhantes em várias culturas e sistemas de crenças.
Na tradição islâmica, por exemplo, encontramos a história da jornada noturna do Profeta Muhammad, conhecida como Mi’raj. De acordo com este relato, Muhammad foi transportado de Meca para Jerusalém e então ascendeu através dos sete céus, tudo em uma única noite. Embora isso seja geralmente entendido como uma ascensão espiritual em vez de corporal, compartilha temas com os relatos bíblicos que discutimos.
A mitologia hindu nos fornece vários exemplos de ascensão. O deus Krishna, por exemplo, diz-se ter ascendido à sua morada celestial em sua forma física. Da mesma forma, algumas tradições falam de grandes iogues que alcançaram a imortalidade física e a capacidade de transcender a existência terrena à vontade.
No folclore chinês, encontramos histórias de imortais taoístas que alcançaram a transcendência física através de práticas espirituais e meios alquímicos. O conceito de ‘shénshou’ ou ‘ascensão espiritual’ é um tema recorrente nessas tradições.
Psicologicamente, esses relatos diversos falam a um desejo humano universal por transcendência e imortalidade. Eles refletem nosso desejo profundamente enraizado de superar as limitações de nossa existência física e alcançar um estado de união com o divino ou a ordem cósmica.
Historicamente, essas narrativas têm sido frequentemente associadas a indivíduos de grande realização espiritual ou àqueles que se acredita terem uma missão divina especial. Elas servem para distinguir essas figuras e sublinhar seu status único dentro de suas respectivas tradições.
É fascinante observar como esses vários relatos de ascensão, embora difiram em suas especificidades, frequentemente compartilham elementos comuns. Muitos envolvem alguma forma de intervenção divina, uma separação do reino terreno e uma jornada através de esferas celestiais.
Ao considerarmos essas tradições não bíblicas, somos lembrados da rica diversidade da experiência espiritual humana. Ao mesmo tempo, podemos discernir fios comuns que nos unem em nossa busca por significado e transcendência. Essas histórias, quer as aceitemos literalmente ou as vejamos como metafóricas, falam à nossa condição humana compartilhada e à nossa esperança universal por algo além de nossa existência terrena.
Em nosso mundo moderno e globalizado, a consciência dessas diversas tradições pode enriquecer nossa própria jornada de fé. Elas nos convidam a refletir sobre as muitas maneiras pelas quais os humanos conceituaram a relação entre o divino e o humano, o temporal e o eterno. Enquanto permanecemos fundamentados em nossas próprias crenças, podemos apreciar a beleza e a sabedoria encontradas em outras tradições, promovendo um espírito de diálogo e compreensão mútua.

Qual é o significado teológico dessas ascensões?
O significado teológico dessas ascensões é poderoso e estratificado. Elas tocam em alguns dos aspectos mais fundamentais de nossa fé e de nossa compreensão do relacionamento de Deus com a humanidade.
Essas ascensões afirmam a realidade de um reino transcendente além do nosso mundo físico. Elas testemunham a existência do céu não apenas como um conceito abstrato, mas como uma realidade tangível na qual os seres humanos podem entrar. Isso reforça nossa esperança na promessa da vida eterna e no destino final dos fiéis.
Esses relatos demonstram o poder de Deus sobre a morte. Ao levar Enoque e Elias diretamente para o céu, Deus mostra que Ele não está limitado pela ordem natural da vida e da morte como a entendemos. Isso prefigura a crença cristã na ressurreição e a vitória final sobre a morte proclamada no Novo Testamento.
De uma perspectiva cristológica, essas ascensões prefiguram a ascensão de Jesus Cristo. Elas nos preparam, em certo sentido, para o mistério ainda maior do Filho de Deus que desceria do céu, assumiria a carne humana e então ascenderia novamente ao Pai. As ascensões de Enoque e Elias tornam-se, assim, parte da grande narrativa da história da salvação.
Psicologicamente, esses relatos falam aos nossos desejos mais profundos de união com Deus. Eles oferecem esperança de que tal união seja possível, não apenas após a morte, mas potencialmente como o culminar de uma vida vivida em estreita comunhão com o Divino. Eles nos desafiam a considerar como podemos “andar com Deus” em nossas próprias vidas.
Em termos de teologia bíblica, essas ascensões sublinham o tema da eleição divina. Deus escolhe certos indivíduos para papéis ou experiências especiais, não por causa de sua superioridade inerente, mas como sinais de Sua graça e como parte de Seu plano maior de revelação.
Esses relatos contribuem para nossa compreensão da natureza dos seres humanos. Eles sugerem que não somos meramente criaturas físicas, mas temos uma dimensão espiritual capaz de existir na presença de Deus. Isso se alinha com a visão bíblica dos humanos como criados à imagem de Deus.
Em nosso contexto moderno, essas narrativas antigas continuam a nos desafiar e inspirar. Elas nos lembram de que nossa fé não é apenas sobre vida ética ou assentimento intelectual a doutrinas, mas sobre um relacionamento transformador com um Deus vivo que pode invadir nosso mundo de maneiras inesperadas.
Essas ascensões nos apontam para nosso próprio destino final – aquele momento em que, seja através da morte ou do retorno de Cristo, nós também seremos totalmente unidos a Deus. Elas nos inspiram a viver agora à luz dessa esperança, permitindo que a realidade do céu molde nossa existência terrena.

Como essas ascensões se relacionam com a ascensão de Jesus?
As ascensões de Enoque e Elias prefiguraram a ascensão de Cristo de maneiras importantes. Elas demonstraram o poder de Deus de superar a morte e trazer os fiéis para sua presença celestial. Esses eventos nutriram a esperança entre o povo de Deus de que a morte não era o fim. Mas Enoque e Elias ainda eram homens imperfeitos que precisavam da graça de Deus para ascender. Suas ascensões foram eventos excepcionais que não alteraram fundamentalmente a condição humana (“Interpretations of Jesus’ Resurrection in the Early Church,” 2024; Woodger, 2016).
Em contraste, a ascensão de Jesus foi o culminar de sua missão salvífica. Tendo conquistado o pecado e a morte através de sua paixão e ressurreição, Cristo ascendeu à direita do Pai em sua natureza humana glorificada. Este não foi simplesmente um evento individual, mas um com significado cósmico. Como Deus-homem, a ascensão de Jesus abriu o caminho para que toda a humanidade fosse unida a Deus (Harris, 2014, pp. 201–215; “Interpretations of Jesus’ Resurrection in the Early Church,” 2024).
Psicologicamente, podemos ver como as ascensões anteriores prepararam o povo de Deus para receber a revelação plena de Cristo. Elas despertaram a imaginação religiosa e cultivaram uma fé expectante. No entanto, a ascensão de Jesus vai além, abordando nossos desejos mais profundos de reconciliação com Deus e triunfo sobre a morte.
Historicamente, observamos como a Igreja primitiva reconheceu a ascensão de Jesus como única e definitiva. Os apóstolos a pregaram como parte integrante do mistério pascal e uma fonte de esperança para os crentes. A afirmação do credo de que Cristo “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai” tornou-se um princípio central da fé (Harris, 2014, pp. 201–215; Henry & Swart, 2021).
Embora as ascensões do Antigo Testamento fossem sinais que apontavam para o futuro, a ascensão de Cristo é a realidade para a qual elas apontavam. É a base da nossa esperança e o modelo para a nossa própria glorificação futura. Como São Agostinho expressou belamente: “Ele ascendeu sozinho, ele desce com muitos”. Alegremo-nos neste mistério que une o céu e a terra!

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre ascensões ao céu sem morrer?
Os Padres da Igreja geralmente viam as ascensões de Enoque e Elias como eventos históricos com profundo significado espiritual. Eles viam essas ascensões como prefigurações da própria ascensão de Cristo e como sinais do poder de Deus sobre a morte. Santo Ireneu, por exemplo, escreveu que Enoque e Elias foram “transladados” e permanecem preservados por Deus como um testemunho da possibilidade da ressurreição da carne.
Mas os Padres tiveram o cuidado de distinguir entre essas ascensões do Antigo Testamento e a ascensão única de Cristo. Eles ensinaram que, enquanto Enoque e Elias foram arrebatados pelo poder de Deus, Cristo ascendeu pelo Seu próprio poder divino. Santo Agostinho enfatizou que a ascensão de Cristo não foi meramente uma elevação física, mas uma exaltação espiritual à direita do Pai.
Psicologicamente, podemos ver como os Padres usaram esses relatos de ascensão para abordar o profundo desejo humano de imortalidade e união com Deus. Eles os apresentaram como sinais de esperança, mas sempre direcionando a esperança final dos fiéis para a obra redentora de Cristo.
Historicamente, observamos os Padres lidando com várias interpretações dessas ascensões. Alguns, como Tertuliano, especularam que Enoque e Elias foram preservados em um paraíso terreno. Outros, como São Jerônimo, viam-nos como tendo sido levados diretamente para o céu. No entanto, todos concordavam que sua glorificação final aguardava a segunda vinda de Cristo.
Os Padres também usaram esses relatos para ensinar lições morais e espirituais. Orígenes, por exemplo, via a ascensão de Elias como simbólica da jornada da alma para Deus através da purificação e iluminação. Santo Ambrósio traçou paralelos entre a ascensão de Elias e a ascensão espiritual do fiel através da virtude e da contemplação.
É importante notar que os Padres não encorajavam os fiéis a buscar a ascensão física para si mesmos. Em vez disso, ensinavam que a nossa “ascensão” nesta vida é espiritual – crescer em santidade e aproximar-se de Deus através da fé, esperança e amor. Eles viam o batismo e a Eucaristia como meios pelos quais os fiéis já participam misticamente da morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

É possível que as pessoas hoje ascendam ao céu sem morrer?
Esta questão toca em mistérios profundos da fé e do desejo humano. Ao considerá-la, devemos abordá-la com humildade, reconhecendo os limites da nossa compreensão enquanto confiamos na sabedoria e no amor infinitos de Deus.
Da perspectiva da nossa fé católica, não esperamos que ascensões físicas ao céu sem morrer ocorram na nossa era atual. Os exemplos de Enoque e Elias nas Escrituras, e a gloriosa ascensão de nosso Senhor Jesus, foram eventos únicos na história da salvação. Eles servem como sinais e prefigurações, não como modelos a serem regularmente repetidos (“Interpretations of Jesus’ Resurrection in the Early Church,” 2024; Woodger, 2016).
Mas não devemos limitar a nossa compreensão de “ascensão” a termos meramente físicos. Num sentido espiritual, todos somos chamados a ascender ao céu – não escapando da morte, mas morrendo para o pecado e ressuscitando para uma nova vida em Cristo. Através do batismo, já iniciamos esta ascensão. A cada dia, à medida que crescemos na fé e na santidade, aproximamo-nos da nossa casa celestial (Henry & Swart, 2021).
Psicologicamente, o desejo de ascender ao céu sem morrer reflete frequentemente o nosso medo natural da morte e o desejo de imortalidade. No entanto, a nossa fé ensina-nos a não procurar escapar da nossa condição mortal, mas a encontrar significado nela através da união com a própria morte e ressurreição de Cristo. O nosso objetivo não é evitar a morte, mas transformá-la numa passagem para a vida eterna.
Historicamente, vemos como alguns interpretaram mal as Escrituras ou seguiram falsos ensinamentos nas tentativas de alcançar a ascensão corporal. No entanto, o testemunho consistente da Igreja tem sido que a nossa jornada para o céu nesta vida é principalmente espiritual. Ascendemos através da oração, dos sacramentos e das obras de amor – não através de fenómenos físicos extraordinários.
Dito isto, devemos permanecer sempre abertos às obras misteriosas de Deus. Embora não esperemos nem busquemos ascensões físicas, sabemos que, com Deus, tudo é possível. A vida dos santos mostra-nos como Deus pode realizar maravilhas além da nossa imaginação. No entanto, até os maiores santos abraçaram a morte como o ato final de conformidade com Cristo.
No nosso mundo moderno, com os seus avanços tecnológicos, alguns podem sonhar em alcançar a imortalidade através de meios humanos. Como pastores e psicólogos, devemos ajudar as pessoas a canalizar este desejo para a sua verdadeira realização em Deus. O nosso destino não é uma mera existência sem fim, mas a comunhão eterna com a Trindade.
Queridos irmãos e irmãs, todos somos chamados a ascender ao céu. Esta ascensão começa nas profundezas dos nossos corações e será completada quando Cristo retornar em glória. Fixemos os nossos olhos em Jesus, que foi antes de nós, e confiemos na Sua promessa de que, para onde Ele foi, esperamos segui-Lo.

Como as diferentes denominações cristãs interpretam esses relatos de ascensão?
Na tradição católica, vemos estas ascensões como eventos históricos com um poderoso significado espiritual. Vemos as ascensões de Enoque e Elias como prefigurações da de Cristo, e enfatizamos a ascensão de Cristo como parte integrante do mistério pascal. O Catecismo ensina que a ascensão de Cristo marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celestial de Deus e a Sua exaltação como Senhor de toda a criação (Harris, 2014, pp. 201–215; “Interpretations of Jesus’ Resurrection in the Early Church,” 2024).
Muitas denominações protestantes, particularmente aquelas da tradição evangélica, tendem a interpretar estes relatos de forma mais literal. Frequentemente enfatizam a natureza milagrosa dos eventos e a sua demonstração do poder de Deus sobre a morte. Alguns veem nestes relatos um modelo para o futuro “arrebatamento” dos fiéis, embora esta interpretação não seja universalmente aceite (Woodger, 2016).
Os cristãos ortodoxos orientais, tal como os católicos, veem a ascensão de Cristo como um evento soteriológico crucial. Enfatizam particularmente como ela completa a deificação da natureza humana em Cristo, abrindo o caminho para a theosis ou divinização da humanidade. As ascensões de Enoque e Elias são vistas como prenúncios deste mistério.
As tradições protestantes liberais interpretam frequentemente estes relatos de forma mais simbólica. Podem vê-los como expressões mitológicas de verdades espirituais, em vez de eventos históricos literais. Desta perspetiva, as ascensões representam a aspiração humana pela transcendência e união com o divino.
As tradições pentecostais e carismáticas tendem a colocar grande ênfase nos relatos da ascensão, particularmente na de Cristo. Frequentemente destacam a ligação entre a ascensão de Cristo e o derramamento do Espírito Santo, vendo-a como um modelo para o empoderamento espiritual dos fiéis.
Do ponto de vista psicológico, podemos observar como estas interpretações variadas refletem diferentes formas de lidar com o mistério da morte e a esperança da vida eterna. Alguns encontram conforto numa compreensão mais literal, enquanto outros ressoam com uma abordagem mais simbólica.
Historicamente, vemos como estas diferentes interpretações se desenvolveram em resposta a várias preocupações teológicas, culturais e pastorais. No entanto, em todas as tradições, os relatos da ascensão servem para nutrir a fé e a esperança na vitória final de Deus sobre a morte.
As Catholics, while holding firm to our understanding, we can appreciate the insights offered by other traditions. All of us, in our diverse ways, are striving to grasp the powerful mystery of O plano de Deus for human destiny. Let us continue to reflect on these sacred accounts together, always seeking deeper understanding and unity in Christ.
Que esperança essas histórias de ascensão oferecem aos crentes hoje?
As histórias da ascensão que encontramos nas Escrituras oferecem uma fonte de esperança para os crentes no nosso mundo moderno. Estes relatos falam aos desejos mais profundos do coração humano e iluminam o destino glorioso para o qual Deus nos chama a todos.
Estas histórias garantem-nos que a morte não é o fim. As ascensões de Enoque e Elias, e supremamente a de nosso Senhor Jesus, demonstram o poder de Deus sobre a morte e o Seu desejo de nos trazer para a comunhão eterna com Ele. Num mundo frequentemente marcado pelo desespero e pela falta de sentido, esta esperança de vida eterna dá um propósito poderoso à nossa jornada terrena (“Interpretations of Jesus’ Resurrection in the Early Church,” 2024; Woodger, 2016).
Psicologicamente, estes relatos abordam o nosso medo inato da morte e da separação. Oferecem uma visão de plenitude e pertença definitivas que nos pode sustentar através das provações da vida. Quando contemplamos a ascensão de Cristo, somos lembrados de que o nosso verdadeiro lar está com Deus e que todos os fragmentos das nossas vidas serão um dia reunidos na Sua presença.
As histórias da ascensão também oferecem esperança ao revelar a dignidade e o destino da natureza humana. A ascensão de Cristo, em particular, mostra-nos que a nossa humanidade não é algo de que se deva escapar, mas algo a ser transformado e glorificado. Isto dá-nos esperança enquanto lutamos com as nossas limitações e fraquezas, sabendo que, em Cristo, a nossa humanidade foi exaltada à direita do Pai (Harris, 2014, pp. 201–215; Henry & Swart, 2021).
Estes relatos inspiram esperança ao mostrar-nos que o céu e a terra não estão irrevogavelmente separados. O Cristo ascendido permanece intimamente ligado à Sua Igreja através do Espírito Santo. Isto dá-nos esperança de que as nossas orações são ouvidas, que a graça divina está disponível para nós e que podemos experimentar antecipações da alegria celestial mesmo nesta vida.
Para os crentes que enfrentam perseguição ou sofrimento, as histórias da ascensão oferecem a esperança de uma vindicação e recompensa finais. Assim como Elias foi arrebatado após enfrentar oposição, e como Cristo ascendeu após a Sua paixão, também nós podemos confiar que a nossa fidelidade será honrada por Deus, mesmo que nem sempre reconhecida pelo mundo.
Estes relatos também nutrem a esperança ao apontar para a conclusão do plano de Deus para a criação. A ascensão de Cristo não é apenas sobre a Sua exaltação individual, mas sobre o início de uma nova criação. Esta dimensão cósmica da esperança encoraja-nos a trabalhar pela transformação do nosso mundo, sabendo que os nossos esforços fazem parte do propósito maior de Deus.
Finalmente, as histórias da ascensão oferecem esperança ao lembrar-nos da intercessão contínua de Cristo por nós e do Seu retorno prometido. Como nosso Sumo Sacerdote ascendido, Jesus apresenta continuamente as nossas necessidades ao Pai. E a Sua ascensão é o prelúdio do Seu retorno glorioso, quando todas as coisas serão feitas novas.
Queridos irmãos e irmãs, bebamos profundamente da fonte de esperança que estas histórias da ascensão oferecem. Que elas fortaleçam a nossa fé, inspirem o nosso amor e nos impulsionem para a frente na nossa jornada de peregrinos para o nosso verdadeiro lar na presença de Deus.
