Mistérios Bíblicos: Por que Jesus é chamado de "filho do homem"?




  • O termo «filho do homem» é utilizado em vários contextos e tem significados diferentes. Em geral, refere-se à humanidade ou à humanidade como um todo.
  • Na Bíblia, a expressão «filho do homem» aparece tanto no Antigo como no Novo Testamento. É frequentemente usado como um título para profetas e está associado à humildade e identificação com a humanidade.
  • Jesus Cristo frequentemente se referia a si mesmo como o Filho do Homem. Este título enfatizava sua humanidade e seu propósito de identificar-se com e salvar a humanidade. Também o ligava às profecias messiânicas do Antigo Testamento.
  • Chamando Jesus de o Filho do Homem destacou seu papel como o profeta final e líder servo. Ele enfatizou sua humildade, compaixão e sacrifício, levando-o à morte e ressurreição para a salvação da humanidade.

O que significa o termo "filho do homem" na Bíblia?

O termo «Filho do Homem» é um título profundo e multifacetado utilizado extensivamente na Bíblia, que aparece tanto no Antigo como no Novo Testamento. Tem um rico significado teológico e é essencial para compreender a identidade e a missão de Jesus Cristo.

No Antigo Testamento, o «Filho do Homem» aparece frequentemente no livro de Ezequiel, onde Deus se dirige ao profeta Ezequiel como «filho do homem» mais de 90 vezes (por exemplo, Ezequiel 2:1). Neste contexto, salienta a humanidade de Ezequiel e o seu papel como representante do povo. Significa a fragilidade humana e a distinção entre o profeta e o divino.

Uma referência central do Antigo Testamento é encontrada em Daniel 7:13-14. Aqui, o termo assume um significado mais exaltado: «Na minha visão, à noite, olhei, e estava diante de mim um semelhante a um filho do homem, vindo com as nuvens do céu. Aproximou-se do Ancião dos Dias e foi levado à sua presença. Foi-lhe dada autoridade, glória e poder soberano; Todas as nações e povos de todas as línguas o adoravam. O seu domínio é um domínio eterno que não passará, e o seu reino é um reino que nunca será destruído.» Esta passagem descreve o «Filho do Homem» como uma figura celestial dotada de autoridade divina e de um reino eterno, apontando para um papel messiânico.

No Novo Testamento, Jesus refere-se frequentemente a si mesmo como o «Filho do Homem», utilizando o título mais de 80 vezes nos Evangelhos. Esta auto-designação destaca vários aspectos-chave da sua identidade e missão. Em primeiro lugar, sublinha a sua verdadeira humanidade, sublinhando que Ele participa na condição humana. Em segundo lugar, faz alusão ao seu papel de representante da humanidade, encarnando a vida humana ideal.

Além disso, a utilização de «Filho do Homem» por Jesus relaciona-se com o seu sofrimento e morte sacrificial. Em Marcos 10:45, Ele diz: "Porque mesmo o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos." Isto destaca o seu papel como servo sofredor, cumprindo as profecias do Antigo Testamento de um Messias que sofreria em nome dos outros.

Por último, o título «Filho do Homem» também significa a autoridade divina e o papel escatológico de Jesus. Em Mateus 24:30, Jesus fala do fim dos tempos, dizendo: «Então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu. E então todos os povos da terra chorarão quando virem o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.» Isto ecoa as imagens de Daniel, afirmando Jesus como o juiz e governante divino no julgamento final.

Por que Jesus se referiu a si mesmo como o "Filho do Homem"?

A escolha de Jesus de se referir a si mesmo como «Filho do Homem» é deliberada e cheia de significado. Ele serve a vários propósitos teológicos e práticos em seu ministério.

Em primeiro lugar, o título «Filho do Homem» sublinha a identificação de Jesus com a humanidade. Ao usar este termo, Jesus sublinha a sua encarnação - Deus tornar-se plenamente humano. Isto é central para a compreensão cristã da Encarnação, onde Jesus, embora totalmente divino, experimentou todos os aspectos da vida humana, incluindo o sofrimento e a morte. Hebreus 4:15 reflete isso, afirmando: "Porque não temos um sumo sacerdote que seja incapaz de ter empatia com as nossas fraquezas, mas temos um que foi tentado em todos os sentidos, assim como nós, mas ele não pecou."

Em segundo lugar, "Filho do Homem" serve como uma humilde auto-designação. Ao contrário de títulos como «Messias» ou «Filho de Deus», que implicam diretamente divindade e realeza e podem ter implicações políticas que podem levar a mal-entendidos entre os seus contemporâneos, «Filho do Homem» tem menos carga política. Ele permitiu que Jesus revelasse sua identidade progressivamente e evitasse confrontos prematuros com as autoridades.

Em terceiro lugar, ao usar «Filho do Homem», Jesus alude à profecia messiânica em Daniel 7:13-14, ligando a sua missão a esta poderosa visão de uma figura divina que tem autoridade sobre todas as nações. Isto iria ressoar com aqueles familiarizados com as Escrituras judaicas e ajudá-los a compreender a sua autoridade divina e papel escatológico.

Além disso, o título «Filho do Homem» sublinha o papel de Jesus no sofrimento e na redenção. Em passagens como Marcos 8:31, Jesus prediz o seu sofrimento e morte utilizando este título, dizendo: «O Filho do Homem deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos mestres da lei, e deve ser morto e depois de três dias ressuscitar.» Isto reflete o motivo de servo sofredor encontrado em Isaías e liga a identidade de Jesus àquele que suportaria os pecados de muitos.

Por último, o título «Filho do Homem» destaca o futuro regresso de Jesus e o seu papel no julgamento final. Jesus utiliza este termo para descrever a sua segunda vinda e o estabelecimento final do reino de Deus. Em Mateus 25:31-32, Ele diz: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, e todos os anjos com ele, assentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão perante ele.»

Qual é a ligação entre o "Filho do Homem" e a Profecia em Daniel 7:13-14?

A ligação entre o «Filho do Homem» e a profecia em Daniel 7:13-14 é fundamental para compreender todo o significado deste título. Na visão de Daniel, o «Filho do Homem» é uma figura celestial que se aproxima do Ancião dos Dias (Deus) e recebe domínio eterno, glória e um reino.

Esta passagem é crítica por várias razões:

Esperança messiânica: Daniel 7:13-14 moldou as expectativas messiânicas judaicas, retratando o Messias como uma figura divina com um reino eterno. Esta visão teria sido familiar aos contemporâneos de Jesus e proporcionou um quadro para a compreensão da autoridade divina e do reino universal do Messias.

Autoridade divina e a realeza: Nesta profecia, ao «Filho do Homem» é concedida autoridade, glória e poder soberano. Todos os povos e nações O adoram, indicando-Lhe o estatuto divino. Ao referir-se a si mesmo como o «Filho do Homem», Jesus identifica-se com esta profecia, afirmando a sua autoridade divina e o seu papel como Rei eterno.

Função escatológica: O «Filho do Homem» em Daniel é fundamental para os eventos escatológicos (fim dos tempos). A utilização do título por Jesus liga-o a estas expectativas escatológicas, salientando o seu papel no julgamento final e no estabelecimento do reino eterno de Deus. Isto é evidente em passagens como Mateus 24:30 e Mateus 25:31, onde Jesus fala do seu regresso em glória.

Ligação ao sofrimento e à redenção: Embora a visão de Daniel «Filho do Homem» enfatize a glória e o domínio, Jesus expande esta compreensão ao incorporar o tema do sofrimento. Liga o título de «Filho do Homem» ao seu sofrimento e morte iminentes, que são necessários para a redenção da humanidade. Esta fusão de glória e sofrimento remodela as expectativas messiânicas dos Seus seguidores.

Como é que os primeiros Padres da Igreja interpretaram o título «Filho do Homem»?

Os primeiros Padres da Igreja forneceram informações teológicas ricas sobre o título «Filho do Homem», salientando a sua importância na cristologia e na soteriologia (o estudo da salvação).

Ireneu: Irineu destacou o título de «Filho do Homem» para sublinhar a verdadeira humanidade e divindade de Jesus. Em «Contra as heresias», argumentou que Jesus, enquanto «Filho do Homem», recapitula (soma) toda a humanidade em si mesmo, restaurando o que se perdeu em Adão. Isto sublinha a ideia de Jesus como o segundo Adão, que inverte os efeitos da queda.

Orígenes: Orígenes via o «Filho do Homem» como uma ponte entre a humanidade e a divindade. Acreditava que este título afirmava o papel de Jesus na encarnação da natureza humana, ao mesmo tempo que possuía autoridade divina. Orígenes também associou o «Filho do Homem» ao papel de Jesus no julgamento, com base nos aspetos escatológicos da visão de Daniel.

Atanásio: Atanásio, em sua defesa contra o arianismo, utilizou o «Filho do Homem» para afirmar a plena humanidade de Jesus, essencial para a doutrina da Encarnação. Ele argumentou que Jesus tinha que ser verdadeiramente humano para redimir a humanidade. Por conseguinte, o título de «Filho do Homem» foi crucial para compreender como Jesus poderia representar a humanidade na sua vida, morte e ressurreição.

Agostinho: Agostinho interpretou o «Filho do Homem» como enfatizando tanto a humildade de Jesus como o seu papel exaltado na redenção e no julgamento. Considerou que o título destacava a capacidade de Jesus de simpatizar com a fraqueza humana, ao mesmo tempo que possuía a autoridade para julgar o mundo, como se pode ver nos seus escritos sobre os Salmos e os Evangelhos.

Como diferentes denominações cristãs compreendem o título "Filho do Homem"?

Diferentes denominações cristãs, embora unidas na sua reverência por Jesus como «Filho do Homem», trazem perspetivas e ênfases variadas a este título com base nas suas tradições teológicas.

Catolicismo romano: A Igreja Católica considera que o «Filho do Homem» é fundamental para compreender a dupla natureza de Jesus como plenamente Deus e plenamente homem. A teologia católica salienta o aspeto sacrificial da missão de Jesus, destacando a forma como o «Filho do Homem» veio servir e dar a sua vida como resgate para muitos. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) integra este título nos seus ensinamentos sobre a Encarnação, o Mistério Pascal e o Juízo Final.

Ortodoxia Oriental: A teologia ortodoxa oriental também afirma Jesus como o «Filho do Homem», salientando o seu papel na teose (divinização). A Igreja Ortodoxa vê Jesus como o «Filho do Homem» que preenche o fosso entre Deus e a humanidade, permitindo que os seres humanos participem na natureza divina. Este título faz parte integrante da vida litúrgica e sacramental da tradição ortodoxa, sublinhando a humanidade e a divindade de Jesus.

Protestantismo: Categoria: Denominações protestantes

, incluindo as tradições luterana, reformada e evangélica, destacam o «Filho do Homem» no contexto da obra redentora de Jesus e do seu papel de mediador perfeito entre Deus e a humanidade. Este título é frequentemente discutido em relação à justificação, santificação e escatologia, com um forte foco na exegese bíblica e no cumprimento profético em Daniel.

Pentecostalismo e Movimentos Carismáticos: As tradições pentecostais e carismáticas enfatizam o «Filho do Homem» em relação ao poder e à autoridade de Jesus, particularmente no seu ministério de cura, libertação e profecia. Estes movimentos centram-se frequentemente nos aspetos milagrosos da vida de Jesus, considerando que o «Filho do Homem» incorpora o poder divino acessível aos crentes através do Espírito Santo.

Resumo:

  • O termo «Filho do Homem» enfatiza a humanidade e a divindade de Jesus, inspirando-se nas referências do Antigo e do Novo Testamento.
  • Jesus usou o título para ligar-se à humanidade, destacar seu papel no sofrimento e na redenção e enfatizar sua autoridade divina.
  • A profecia de Daniel 7:13-14 liga o «Filho do Homem» às expectativas messiânicas e ao significado escatológico.
  • Os primeiros Padres da Igreja, como Irineu, Orígenes, Atanásio e Agostinho, forneceram informações teológicas sobre este título.
  • Diferentes denominações cristãs compreendem o «Filho do Homem» de formas que se alinham com as suas tradições teológicas, salientando vários aspetos da missão e da identidade de Jesus.

Que papel desempenha o «Filho do Homem» na teologia escatológica (fim dos tempos)?

O título «Filho do Homem» desempenha um papel significativo na teologia escatológica (fim dos tempos), refletindo a autoridade divina de Jesus e o seu papel no julgamento final e no estabelecimento do reino eterno de Deus. Este título, particularmente no contexto de Daniel 7:13-14 e do Novo Testamento, sublinha as funções messiânicas e apocalípticas de Jesus.

Juiz de escatologia: Nos Evangelhos, Jesus utiliza frequentemente o título «Filho do Homem» quando fala do seu futuro papel no julgamento. Mateus 25:31-32 diz: «Quando o Filho do homem vier na sua glória, e todos os anjos com ele, assentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações serão reunidas perante ele, e ele separará as pessoas umas das outras como um pastor separa as ovelhas dos bodes.» Esta passagem destaca a autoridade de Jesus para julgar os vivos e os mortos, um tema central nas expectativas escatológicas.

Regresso à Glória: O «Filho do Homem» está também associado à Segunda Vinda de Cristo. Em Mateus 24:30, Jesus descreve a sua volta: «Então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu. E então todos os povos da terra chorarão quando virem o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.» Esta imagem ecoa a visão de Daniel e enfatiza a glória divina de Jesus e o cumprimento das profecias messiânicas no fim dos tempos.

Estabelecimento do Reino de Deus: O papel escatológico do «Filho do Homem» inclui o estabelecimento do reino eterno de Deus. Apocalipse 14:14 apresenta uma visão do «Filho do Homem» com uma coroa e uma foice, simbolizando a colheita da terra, uma imagem do julgamento divino e o culminar do plano redentor de Deus.

Resumo:

  • O "Filho do Homem" é o juiz escatológico, que separa os justos dos ímpios (Mateus 25:31-32).
  • O "Filho do Homem" voltará em glória, cumprindo as profecias do fim dos tempos (Mateus 24:30).
  • O «Filho do Homem» estabelece o reino eterno de Deus, tal como descrito no Apocalipse.

O que os contemporâneos de Jesus entendiam pelo termo «Filho do Homem»?

A compreensão do termo «Filho do Homem» entre os contemporâneos de Jesus variou, influenciada pela literatura apocalíptica judaica, pelas expectativas messiânicas e pelo uso linguístico comum.

Literatura apocalíptica judaica: Muitos dos contemporâneos de Jesus estavam familiarizados com as visões apocalípticas de Daniel, onde o «Filho do Homem» é descrito como uma figura celestial a quem Deus deu autoridade e domínio (Daniel 7:13-14). Esta associação com a autoridade divina e a esperança escatológica moldou as suas expectativas de um libertador messiânico que estabeleceria o reino de Deus.

Esperanças messiânicas: Enquanto alguns esperavam que o «Filho do Homem» fosse uma figura messiânica poderosa e vitoriosa que libertaria Israel da opressão, outros tinham uma visão mais matizada influenciada por várias interpretações das Escrituras Hebraicas. A diversidade das expectativas messiânicas significava que o termo poderia evocar diferentes respostas, que vão desde a antecipação de um salvador político a um redentor espiritual.

Utilização linguística comum: Na linguagem corrente, «filho do homem» poderia simplesmente significar «ser humano». Enfatizava a humanidade e a mortalidade de uma pessoa. Quando Jesus usou este título, podia ter sido percebido como enfatizando a sua solidariedade com a humanidade e o seu papel como um humano representativo.

Utilização única de Jesus: A aplicação de «Filho do Homem» por Jesus era distintiva. Ao combinar temas de humanidade, sofrimento e autoridade divina, Ele cumpriu e redefiniu as expectativas contemporâneas. Seu uso do título muitas vezes perplexo Seu público, levando-os a uma reflexão mais profunda sobre sua identidade e missão.

Resumo:

  • A familiaridade com a visão de Daniel influenciou a compreensão do «Filho do Homem» como uma figura celestial e autorizada.
  • As expectativas messiânicas variavam, com alguns antecipando um libertador político e outros um redentor espiritual.
  • A utilização comum do termo «filho do homem» destacou a mortalidade humana e a solidariedade para com a humanidade.
  • Jesus combinou de forma única a humanidade, o sofrimento e a autoridade divina no uso do título.

Quais são alguns equívocos comuns sobre o título «Filho do Homem»?

Equívoco: Enfatiza apenas a humanidade de Jesus: Um equívoco comum é que o título «Filho do Homem» apenas enfatiza a humanidade de Jesus, distinguindo-o de títulos divinos como «Filho de Deus». Embora destaque a sua humanidade, também abrange a sua autoridade divina e o seu papel escatológico, como se vê em Daniel 7:13-14 e nos ensinamentos de Jesus.

Equívoco: É inferior a outros títulos: Alguns acreditam que «Filho do Homem» é um título inferior ou menos significativo em comparação com «Messias» ou «Filho de Deus». No entanto, a utilização de «Filho do Homem» por Jesus é deliberada e rica de significado, abrangendo tanto a sua experiência humana como a sua missão divina. É um título abrangente que integra o seu papel como profeta, sacerdote e rei.

Equívoco: Não era um título messiânico: Outro equívoco é que "Filho do Homem" não era um título messiânico reconhecido na tradição judaica. Embora não estivesse tão frequentemente associada às expectativas messiânicas como o «Messias», a literatura apocalíptica, em especial Daniel, proporcionou um quadro em que o «Filho do Homem» tinha conotações messiânicas e divinas claras.

Resumo:

  • O «Filho do Homem» salienta tanto a humanidade de Jesus como a autoridade divina.
  • O título não é inferior, mas abrange a missão abrangente de Jesus.
  • «Filho do Homem» tem conotações messiânicas enraizadas na literatura apocalíptica judaica.

Qual é a posição da Igreja Católica no título «Filho do Homem»?

A Igreja Católica considera que o título de «Filho do Homem» é crucial para compreender a identidade e a missão de Jesus Cristo. Os ensinamentos da Igreja integram este título na sua cristologia, salientando tanto a humanidade como a divindade de Jesus.

A Humanidade e a Divindade: O Catecismo da Igreja Católica (CCC) explica que o título «Filho do Homem» destaca a verdadeira humanidade de Jesus, essencial para o seu papel de mediador entre Deus e a humanidade (CCC 480). Ele ressalta que Jesus, embora totalmente divino, participou plenamente da vida e da experiência humanas.

Servo sofredor: A Igreja também liga o «Filho do Homem» ao motivo de servo sofredor em Isaías. Este título reflete a missão de Jesus de sofrer e morrer pela salvação da humanidade, cumprindo as profecias do Antigo Testamento e demonstrando a profundidade do amor de Deus (CCC 601).

Função escatológica: Na escatologia católica, o «Filho do Homem» é visto como o juiz dos vivos e dos mortos. A Igreja ensina que Jesus voltará em glória para julgar todas as pessoas e estabelecer seu reino eterno, como destacado no Credo Niceno e várias doutrinas da Igreja (CIC 668-677).

Resumo:

  • A Igreja Católica considera que o «Filho do Homem» enfatiza a humanidade e a divindade de Jesus (CCC 480).
  • Liga o título ao papel de Jesus como servo sofredor e redentor (CCC 601).
  • A Igreja ensina que o «Filho do Homem» regressará como juiz escatológico (CIC 668-677).

Qual é a interpretação psicológica do título «Filho do Homem»?

Psicologicamente, o título «Filho do Homem» pode ser interpretado de várias formas, refletindo o seu impacto na identidade humana, na empatia e na compreensão espiritual.

Identificação com a Humanidade: O título «Filho do Homem» sublinha a solidariedade de Jesus para com a humanidade, promovendo um sentimento de identificação e ligação. Os crentes podem relacionar-se com Jesus como alguém que compreende plenamente as experiências, emoções e lutas humanas. Esta identificação pode proporcionar conforto e segurança, sabendo que Jesus participa do sofrimento e da alegria humanos.

Empatia e compaixão: Ao destacar a humanidade de Jesus, o título incentiva os crentes a cultivarem a empatia e a compaixão. Compreender Jesus como o «Filho do Homem» que viveu profundamente a vida humana pode inspirar os cristãos a ter empatia com os outros, seguindo o seu exemplo de amor e serviço.

Modelo para a Humanidade: O «Filho do Homem» serve de modelo para um comportamento humano ideal e para o crescimento espiritual. A vida de Jesus como «Filho do Homem» exemplifica virtudes como a humildade, a obediência e o amor sacrificial. Psicologicamente, isso pode motivar os crentes a aspirar a estas virtudes em suas próprias vidas.

Integração do Humano e Divino: O título também apoia a integração dos aspectos humanos e divinos da espiritualidade. Reconhecer Jesus como totalmente humano e totalmente divino encoraja uma abordagem holística da fé, onde as experiências humanas são valorizadas e vistas como parte integrante do crescimento espiritual.

Resumo:

  • O título «Filho do Homem» promove a identificação com a humanidade de Jesus, proporcionando conforto e segurança.
  • Incentiva a empatia e a compaixão, inspirando os crentes a seguirem o exemplo de Jesus.
  • Jesus como «Filho do Homem» serve de modelo para um comportamento humano ideal e para o crescimento espiritual.
  • O título apoia a integração dos aspectos humanos e divinos da espiritualidade.

«Filho do Homem» vs. «Filho de Deus»: Qual é a diferença?

«Filho do Homem» e «Filho de Deus» são dois títulos que Jesus usa frequentemente para se referir a si mesmo no Novo Testamento. Embora possam parecer semelhantes, têm conotações diferentes e enfatizam diferentes aspetos da identidade de Jesus.

O «Filho do Homem» sublinha a natureza humana de Jesus. O título identifica-o com a humanidade e ressalta seu papel como o Servo Sofredor. «Filho do Homem» também ecoa o uso no Livro de Daniel, que se refere a uma figura celestial a quem Deus dá autoridade e domínio. O título: "Filho do Homem" era uma referência a uma profecia encontrada em Daniel 7:13-14: Vi nas visões noturnas, e eis que, com as nuvens do céu, apareceu um semelhante a um filho do homem, que veio ao Ancião dos Dias e foi apresentado diante dele.

«Filho de Deus», por outro lado, sublinha a divindade de Jesus. É um título que o identifica como o divino Filho de Deus, igual a Deus na natureza e na autoridade. «O Filho de Deus também sublinha o papel de Jesus como Salvador do mundo, que veio resgatar a humanidade do pecado e da morte.

o termo «Filho do Homem» é um título rico e sofisticado que Jesus utiliza para se referir a si mesmo no Novo Testamento. Sublinha a sua humanidade, divindade, autoridade e papel como o Servo Sofredor. É um termo que nos convida a meditar sobre o mistério de Jesus, aquele que é ao mesmo tempo totalmente humano e totalmente divino.

Factos & Estatísticas

  • Ocorrências na Bíblia: O termo «Filho do Homem» aparece 107 vezes no Antigo Testamento e mais de 80 vezes no Novo Testamento.
  • Utilização por Jesus: Jesus utiliza o título de «Filho do Homem» mais do que qualquer outra autodesignação, salientando a sua importância para a compreensão da sua identidade e missão.
  • Referências do Antigo Testamento: O termo «Filho do Homem» é frequentemente utilizado em Ezequiel (mais de 90 vezes) e, nomeadamente, em Daniel 7:13-14.
  • Significado Eschatológico: O «Filho do Homem» é fundamental para a escatologia do Novo Testamento, em especial nos Evangelhos e no Apocalipse, destacando o papel de Jesus no julgamento final e no estabelecimento do reino de Deus.
  • Influência histórica: A interpretação de «Filho do Homem» influenciou significativamente a teologia cristã, a cristologia e a escatologia ao longo da história da Igreja, desde os primeiros Padres da Igreja até aos debates teológicos contemporâneos.
  • Arte e Iconografia: O «Filho do Homem» é um tema comum na arte cristã, frequentemente retratado em cenas de julgamento e na Segunda Vinda, refletindo o seu significado escatológico.

Referências

Mateus 26:64

Mateus 12:8

João 5:27

Marcos 8:31

Marcos 2:10

Marcos 10:45

João 1:14

Lucas 9:58

Daniel 7:13-14

Lucas 7:34

Marcos 2:24

Mateus 22:30

Mateus 8:20

Marcos 13:26

João 12:34

Marcos 8:38

Lucas 17:24

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