
O Papa Leão XIV saúda os peregrinos na audiência geral de quarta-feira na Praça de São Pedro, quarta-feira, 25 de junho de 2025 / Crédito: Daniel Ibáñez/CNA
Cidade do Vaticano, 25 de junho de 2025 / 07:15 (CNA).
O Papa Leão XIV abordou na quarta-feira o que chamou de “cansaço de viver” como uma das doenças que afligem a sociedade moderna, e exortou os fiéis reunidos na Praça de São Pedro a enfrentar a realidade com a graça de Jesus.
“Uma doença muito difundida no nosso tempo é o cansaço de viver: a realidade parece-nos demasiado complexa, pesada, difícil de enfrentar”, disse o Papa na sua última audiência geral de quarta-feira antes da pausa de verão, durante a qual se espera que reduza a sua agenda e compromissos públicos durante todo o mês de julho.
“E assim desligamo-nos, adormecemos, na ilusão de que, ao acordar, as coisas serão diferentes. Mas a realidade tem de ser enfrentada e, juntamente com Jesus, podemos fazê-lo bem”, disse o Papa.

O pontífice continuou o seu ciclo de catequese sobre a esperança, concentrando-se nos relatos evangélicos das curas milagrosas de Jesus. Destacou dois milagres específicos como “sinais de esperança”: a cura da filha de Jairo — sendo Jairo um chefe da sinagoga que implorou humildemente a Jesus que salvasse a sua filha moribunda — e a cura da mulher anónima que sofria de hemorragias há doze anos.
Para ilustrar o seu ponto de vista, Leão recordou como Jairo, ao ser informado de que a sua filha tinha morrido e que não devia incomodar mais o mestre, manteve a sua fé e continuou a esperar.
O Evangelho de Marcos conta como Jesus disse: “Menina, eu te ordeno, levanta-te!” e a criança levantou-se e começou a andar. Para o Papa, este gesto de Jesus mostra que ele “não só cura todas as doenças, mas também desperta da morte”.
“Porque para Deus, que é a vida eterna, a morte corporal é como um sono. A verdadeira morte é a morte da alma — e é essa que devemos temer verdadeiramente”, acrescentou.

O Papa também elogiou a grande coragem da mulher com hemorragias, que — apesar de estar condenada a permanecer escondida e isolada — se aproximou de Jesus.
“Por vezes, também nós podemos ser vítimas do julgamento dos outros, que presumem colocar-nos um manto que não é nosso. E então sofremos e não conseguimos sair disso”, disse.
Leão enfatizou a fé da mulher: “Esta mulher, silenciosa e anónima, vence os seus medos, toca o coração de Jesus com as suas mãos, consideradas impuras por causa da sua doença”, disse aos milhares de peregrinos reunidos na praça na quarta-feira, apesar das temperaturas escaldantes.
“Cada vez que realizamos um ato de fé dirigido a Jesus, estabelece-se um contacto com ele e, imediatamente, a sua graça sai dele”, disse.

Leão lamentou que muitas pessoas apenas toquem a superfície da fé em Jesus “sem acreditar verdadeiramente no seu poder”, enquanto os seus corações estão noutro lugar. No entanto, salientou, “de uma forma secreta e real”, a graça chega até nós e transforma lentamente a vida a partir de dentro.
Antes de iniciar a catequese, o Papa Leão XIV saudou os peregrinos durante meia hora e abençoou muitas crianças.
Lançou então um desafio: “Quando os nossos filhos estão em crise e precisam de alimento espiritual, sabemos como lho dar? E como podemos, se nós próprios não somos alimentados pelo Evangelho?”
Concluiu com um lembrete poderoso: “Na vida há momentos de desilusão e desânimo, e há também a experiência da morte. Aprendamos com aquela mulher, com aquele pai: vamos a Jesus. Ele pode curar-nos, ele pode reviver-nos. Ele é a nossa esperança!”
A audiência geral de quarta-feira começou meia hora mais cedo do que o habitual devido à agenda preenchida do Papa, que incluiu a apresentação de uma catequese aos bispos e um encontro com um grupo de seminaristas do norte de Itália.
