
Vista aérea do palácio papal de Castel Gandolfo, perto de Roma. O palácio apostólico é um complexo de edifícios servidos durante séculos como residência de verão para o papa e com vista para o Lago Albano. / Crédito: Stefano Tammaro/Shutterstock
Sala de Imprensa de Roma, 26 de junho de 2025 / 06:00 am (CNA).
Castel Gandolfo prepara-se para receber o Papa Leão XIV no dia 6 de julho. A imponente villa papal nesta cidade às margens do Lago Albano, um palácio fortificado do século XVII, foi convertida em museu para turistas em 2016 por decisão do Papa Francisco.
Embora apenas algumas salas estejam abertas ao público, elas exibem vestimentas litúrgicas pertencentes a papas anteriores, bem como seus retratos.
O pontífice argentino não fez as malas para ir lá no verão, como os seus antecessores, mas ficou no quarto 201, no segundo andar da Casa de Santa Marta, no Vaticano, onde habitualmente residia.
«Ele [Francisco] fez muito pela cidade, abrindo as portas da residência papal e dos jardins... Mas agora, Leão XIV voltará à cidade a sua ligação diária com o papa: o Angelus, as visitas, o contacto com as pessoas. Queremos experimentar tudo isso de novo», disse o presidente da Câmara, Alberto de Angelis, ao ACI Prensa, parceiro de notícias em língua espanhola da CNA.
Um local de descanso, oração e estudo para os papas
Castel Gandolfo tem sido durante séculos um local de descanso, oração e estudo para os papas. Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI passaram seus verões lá, rezaram o Angelus dominical e se misturaram com os habitantes da cidade.
O regresso de Leão XIV marca o início de uma nova era, que procura recuperar aquela dimensão de proximidade e de presença pastoral: «Não queremos olhar para o passado com nostalgia, mas sim para o futuro. E o regresso do Papa dá-nos esperança. O coração da cidade regressa», afirmou De Angelis.
Embora muitos se lembrem do palácio apostólico de Castel Gandolfo como a tradicional residência de verão dos papas, Leão XIV ficará noutra estrutura dentro do complexo do Vaticano.
«O Papa não ficará no museu. Ficará numa terceira estrutura. Tal permitirá um equilíbrio entre a abertura ao turismo e a utilização residencial», explicou o presidente da câmara em referência à Villa Barberini, um edifício histórico que também faz parte do complexo pontifício, o que permitirá que os museus permaneçam abertos ao público.
O presidente da câmara não conseguiu esconder a sua grande alegria com a decisão de Leão XIV de reviver a tradição de aí residir durante os meses de verão.
«Desde 1628, os papas vivem em Castel Gandolfo. Uns mais, outros menos, mas a sua presença tem sido constante. Trata-se de uma cidade habituada à vida quotidiana do Papa», explicou.

Uma cidade que se prepara para receber o Papa
A última vez que Castel Gandolfo recebeu um papa por um período de tempo foi durante o pontificado de Bento XVI, que também o escolheu como residência temporária após sua renúncia em 2013. Consequentemente, o povo de Castel Gandolfo, especialmente os mais jovens, estão muito animados.
«Muitos cresceram durante esta década de ausência papal e não têm uma ideia clara do que significa ter o papa fisicamente entre nós», observou o presidente da câmara. Mas isso está a começar a mudar: «Estão em curso trabalhos; aumentámos a presença das autoridades responsáveis pela aplicação da lei e reorganizámos determinados espaços; há uma certa excitação na atmosfera.»
E não se trata apenas de uma questão logística. «Estamos ansiosos pelo regresso dos guardas suíços, que não estão em Castel Gandolfo há 12 anos», afirmou. «Trata-se de um valor simbólico e identitário fundamental. Em todas as fotografias históricas da cidade, Castel Gandolfo é mostrado com os guardas suíços. A presença do Papa faz parte do nosso ADN», acrescentou De Angelis.
Boas-vindas calorosas e planos em andamento
O dia 6 de julho será especial. Tal como confirmado pelo presidente da câmara, de manhã o papa rezará o Angelus na Praça de São Pedro e, à tarde, deslocar-se-á a Castel Gandolfo, onde as autoridades municipais planearam uma cerimónia oficial de boas-vindas.
«Queremos que se sinta em casa», afirmou o presidente da câmara: «Estamos a consultar as pessoas à sua volta para descobrir do que gosta. Queremos surpreendê-lo. Não nos podemos dar ao luxo de fazer figura de parvos. Queremos conhecê-lo, não pelo que os outros dizem, mas descobri-lo por nós mesmos. Falar com ele, cumprimentá-lo... E, esperemos, pedir-lhe que esteja connosco durante todo o ano.»
Para o efeito, a cidade está a trabalhar intensamente no planeamento da segurança, da mobilidade e da acessibilidade. «Estamos a trabalhar com uma empresa de engenharia para desenvolver um plano de segurança para todo o centro histórico, incluindo as ruas circundantes. Tudo isto deve ser feito respeitando as medidas de segurança sem perturbar a vida quotidiana da cidade», observou. No entanto, o presidente da câmara não pode esconder a sua esperança de que esta estadia — que, por enquanto, será limitada a algumas semanas em julho e agosto — seja prorrogada.
«Esperamos — e desejamos — que não se trate apenas de uma visita de verão. Esta é a sua segunda cidade depois de Roma e, tal como Roma, queremos competir... queremos-o aqui mais do que em Roma, obviamente», acrescentou.
Esta história Foi publicado pela primeira vez pela ACI Prensa, parceira noticiosa da CNA em língua espanhola. Foi traduzido e adaptado pela CNA.
