
Qual é a definição bíblica de amor de acordo com 1 Coríntios 13?
O belo hino ao amor em 1 Coríntios 13 oferece-nos uma definição poderosa e inspiradora do verdadeiro amor cristão. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, pinta para nós um quadro vívido de amor que vai muito além de mero sentimento ou emoção. Este amor – ágape em grego – é um amor altruísta e sacrificial que reflete a própria natureza de Deus. Este tipo de amor é o fundamento do amor bíblico e do matrimónio, e é caracterizado pela paciência, bondade, humildade e perdão. É um amor que busca o bem maior da outra pessoa, mesmo quando é difícil ou custoso. Nos nossos relacionamentos, tanto românticos como platónicos, que nos esforcemos por incorporar este tipo de amor como um reflexo do amor de Deus por nós. Este tipo de amor estende-se também ao aspeto íntimo e físico do matrimónio, como Paulo ensina em 1 Coríntios 7. O amor no matrimónio abrange não apenas a conexão emocional e espiritual, mas também a realização sexual no matrimónio. Esta compreensão holística do amor reflete a intenção de Deus para que o matrimónio seja uma união de corpo, alma e espírito, onde o amor é expresso de várias formas para nutrir e fortalecer o vínculo conjugal. Como cristãos, que continuemos a procurar e a cultivar este amor profundo e abrangente em todos os nossos relacionamentos.
Paulo começa por enfatizar a importância suprema do amor, dizendo-nos que, sem ele, até os dons espirituais e atos de devoção mais impressionantes não têm sentido. Ele descreve então as qualidades deste amor divino:
“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não desonra os outros, não é egoísta, não se irrita facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com o mal, mas alegra-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4-7)(Stanley et al., 2013)
Este amor não é passivo, mas ativo e duradouro. É marcado pela paciência e bondade, humildade e altruísmo. Recusa-se a contabilizar erros ou guardar rancores. Em vez disso, procura continuamente o bem dos outros, protegendo, confiando, esperando e perseverando em todas as circunstâncias.
Paulo conclui declarando que “o amor nunca falha” (1 Cor 13:8). Enquanto outros dons espirituais e o conhecimento humano passarão, o amor permanece eterno. É a maior de todas as virtudes, superando até a fé e a esperança.
Esta definição bíblica de amor desafia-nos a ir além das nossas inclinações naturais e a amar como Deus nos ama. Chama-nos a uma entrega radical que espelha o sacrifício de Cristo na cruz. À medida que nos esforçamos por incorporar este amor divino nas nossas vidas e relacionamentos, participamos na própria vida da Trindade, pois, como nos diz São João, “Deus é amor” (1 João 4:8).(Tanquerey, 2000)
Rezemos pela graça de crescer neste amor perfeito, que é o coração do Evangelho e a essência da nossa vocação cristã. Que as nossas vidas sejam testemunhos vivos do poder transformador do amor de Deus no nosso mundo.

Como Jesus exemplifica o amor perfeito na Bíblia?
Em Jesus Cristo vemos a personificação perfeita do amor divino. Ao longo dos Evangelhos, Nosso Senhor revela-nos as profundezas do amor de Deus pela humanidade e mostra-nos como amar uns aos outros como Ele nos amou.
Jesus exemplifica o amor perfeito através da Sua encarnação. Ao assumir a nossa natureza humana, o Filho eterno de Deus demonstra um amor que nos alcança na nossa fraqueza e fragilidade. Como São João expressa belamente: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (João 1:14). Este mistério da Encarnação revela um Deus que não permanece distante, mas entra plenamente na nossa experiência humana por amor a nós.(Sheed, 2014)
Ao longo do Seu ministério terreno, Jesus mostra consistentemente compaixão e cuidado pelos que estão à margem da sociedade – os pobres, os doentes, os pecadores. Ele toca nos leprosos, acolhe as crianças, perdoa as prostitutas e janta com os cobradores de impostos. Ao fazê-lo, Ele revela um amor que não conhece fronteiras e não exclui ninguém. Como Ele diz aos Seus discípulos: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Marcos 2:17).(Sheed, 2014)
Jesus ensina-nos que o verdadeiro amor envolve sacrifício e serviço. Ele lava os pés dos Seus discípulos, dando-lhes um exemplo de serviço humilde (João 13:1-17). Ele diz-lhes: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). E Ele cumpre estas palavras através da Sua paixão e morte na cruz – o ato supremo de amor sacrificial para a salvação do mundo.(Paul & Okonkwo, 2011)
Mesmo da cruz, Jesus exemplifica o amor perfeito ao perdoar os Seus carrascos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Nisto, Ele mostra-nos um amor que supera o ódio e a violência com misericórdia e perdão.
Após a Sua ressurreição, Jesus continua a demonstrar o Seu amor infalível pelos Seus discípulos. Ele encontra-os no seu medo e dúvida, oferecendo paz e segurança. A Pedro, que O tinha negado, Jesus oferece perdão e restauração, confiando-lhe o cuidado do Seu rebanho (João 21:15-19).
De todas estas formas, Jesus revela-nos o amor perfeito do Pai e mostra-nos como amar uns aos outros. O Seu exemplo desafia-nos a ir além das nossas inclinações naturais e a amar até os nossos inimigos. Como Ele nos diz: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:44-45).
Contemplemos o amor perfeito de Cristo e peçamos a graça de O imitar nas nossas próprias vidas. Que possamos, como Jesus, tornar-nos sinais vivos do amor de Deus no nosso mundo, estendendo a mão com compaixão a todos, especialmente aos que mais precisam de misericórdia e esperança.

Quais são os diferentes tipos de amor mencionados nas Escrituras?
As Sagradas Escrituras falam-nos de amor de muitas formas ricas e variadas. Embora a língua inglesa utilize frequentemente a palavra única “love” para abranger muitos conceitos diferentes, as línguas bíblicas originais oferecem-nos uma compreensão mais matizada dos diferentes tipos de amor que existem na experiência humana e no nosso relacionamento com Deus.
Na língua grega do Novo Testamento, encontramos quatro palavras principais para amor, cada uma com o seu significado distinto:
- Ágape (ἀγάπη): Esta é a forma mais elevada de amor, frequentemente descrita como amor divino ou incondicional. É altruísta e sacrificial, buscando o bem do outro sem expectativa de retorno. Este é o amor que Deus tem por nós e que somos chamados a ter por Deus e uns pelos outros. Como São Paulo descreve belamente em 1 Coríntios 13, o amor ágape é paciente, bondoso e duradouro.(Morrow, 2016)
- Philia (φιλία): Esta palavra refere-se ao amor entre amigos. É um amor caloroso e afetuoso baseado no respeito mútuo e em experiências partilhadas. Vemos este amor exemplificado na amizade entre David e Jónatas no Antigo Testamento, e nos relacionamentos de Jesus com os Seus discípulos.
- Storge (στοργή): Embora não seja explicitamente usado no Novo Testamento, este termo refere-se ao amor familiar, particularmente o afeto natural entre pais e filhos. É um amor protetor e carinhoso que vemos refletido no cuidado de Deus pelo Seu povo.
- Eros (ἔρως): Este termo, que não é usado no Novo Testamento, mas é encontrado nas traduções gregas do Antigo Testamento, refere-se ao amor romântico ou sexual. Embora possa ser distorcido pelo pecado, o eros no seu contexto adequado é um dom de Deus, celebrado no Cântico dos Cânticos e afirmado no sacramento do matrimónio.(Morrow, 2016)
Estes diferentes tipos de amor não são inteiramente separados, mas frequentemente sobrepõem-se e entrelaçam-se nos nossos relacionamentos. Por exemplo, um matrimónio forte incluirá idealmente elementos de ágape, philia, storge e eros.
No hebraico do Antigo Testamento, encontramos outras palavras que enriquecem a nossa compreensão do amor. A palavra “ahavah” (אהבה) é usada para descrever tanto o amor humano como o amor da aliança de Deus pelo Seu povo. O termo “chesed” (חסד), frequentemente traduzido como “amor constante” ou “bondade amorosa”, fala do amor fiel e cumpridor da aliança de Deus que perdura apesar das falhas humanas.
Ao longo das Escrituras, vemos que a forma mais elevada de amor – ágape – não é meramente um sentimento, mas uma escolha e um compromisso. É exemplificado perfeitamente no amor de Deus por nós, demonstrado supremamente no sacrifício de Cristo na cruz. Como nos diz São João: “Nisto consiste o amor: não em termos amado a Deus, mas em ter Ele nos amado e enviado o Seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados” (1 João 4:10).(Tanquerey, 2000)
Demos graças pelas muitas dimensões do amor que Deus teceu na experiência humana. E esforcemo-nos, com a graça de Deus, por crescer no amor ágape – aquele amor altruísta e sacrificial que reflete a própria natureza de Deus. Pois é amando como Deus ama que cumprimos a nossa vocação mais elevada como Seus filhos.

Como o amor de Deus pela humanidade difere do amor humano?
Quando contemplamos o amor de Deus pela humanidade, encontramo-nos perante um mistério tão poderoso e belo que supera a nossa compreensão humana. No entanto, na Sua grande misericórdia, Deus revelou-nos algo da natureza do Seu amor, particularmente através da encarnação, vida, morte e ressurreição do Seu Filho, Jesus Cristo.
O amor de Deus pela humanidade é fundamentalmente diferente do amor humano de várias formas principais:
Primeiro, o amor de Deus é incondicional e não merecido. Como São Paulo nos lembra: “Deus demonstra o Seu amor por nós nisto: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5:8). Ao contrário do amor humano, que é frequentemente baseado na atratividade ou no valor do amado, Deus ama-nos não por causa de quem somos ou do que fizemos, mas por causa de quem Ele é. O Seu amor precede qualquer ação ou mérito da nossa parte.(Tanquerey, 2000)
Em segundo lugar, o amor de Deus é perfeito e imutável. O amor humano, mesmo no seu melhor, é imperfeito e sujeito a mudanças. Podemos arrefecer nas nossas afeições ou falhar com aqueles que amamos. Mas, como declara o profeta Jeremias, o amor de Deus é eterno: “Amei-te com um amor eterno; atraí-te com bondade infalível” (Jeremias 31:3). O amor de Deus por nós permanece constante, independentemente da nossa resposta ou valor.(Church, 2000)
Em terceiro lugar, o amor de Deus é sacrificial de uma forma que supera o amor humano. Embora os humanos sejam capazes de grande sacrifício por aqueles que amam, o amor de Deus levou-O a dar o Seu único Filho pela salvação do mundo. Como o próprio Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). Na cruz de Cristo, vemos a expressão máxima do amor sacrificial – um amor disposto a suportar o sofrimento extremo pelo bem do amado.(Paul & Okonkwo, 2011)
Em quarto lugar, o amor de Deus é transformador. Não só nos perdoa, mas também nos capacita a tornarmo-nos mais semelhantes a Cristo. Como escreve São João: “Vede que grande amor o Pai nos concedeu, que fôssemos chamados filhos de Deus!” (1 João 3:1). O amor de Deus não nos aceita apenas como somos; ele eleva-nos, chamando-nos a participar da própria natureza divina.
Finalmente, o amor de Deus é infinito e inesgotável. O amor humano, por mais profundo que seja, tem limites. Mas não há fim para a profundidade e amplitude do amor de Deus. Como reza São Paulo, que possamos “compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, e conhecer este amor que excede todo o conhecimento” (Efésios 3:18-19).
Ao refletirmos sobre a poderosa diferença entre o amor de Deus e o amor humano, que sejamos preenchidos com admiração e gratidão. Abramos os nossos corações para receber este amor divino mais plenamente, permitindo que ele nos transforme e transborde para aqueles que nos rodeiam. Pois é ao experimentar e partilhar o amor de Deus que cumprimos o nosso propósito mais profundo e encontramos a nossa maior alegria.

O que significa “amar o próximo como a si mesmo”?
O mandamento de “amar o próximo como a si mesmo” está no próprio coração da mensagem do Evangelho. É um apelo que ecoa por todas as Escrituras, desde o Antigo Testamento (Levítico 19:18) até aos ensinamentos de Jesus, que o identificou como o segundo maior mandamento, a par do amor a Deus (Marcos 12:31).
Mas o que significa verdadeiramente amar o nosso próximo como a nós mesmos? Refletamos sobre este apelo poderoso:
Primeiro, devemos compreender que este mandamento pressupõe um amor-próprio saudável. Somos criados à imagem de Deus e, como tal, temos dignidade e valor inerentes. Amar-nos adequadamente significa reconhecer esta dignidade dada por Deus e cuidar de nós mesmos como filhos amados de Deus. É a partir deste fundamento de amor-próprio saudável que somos chamados a estender o amor aos outros.(Tanquerey, 2000)
Amar o nosso próximo como a nós mesmos significa tratar os outros com o mesmo cuidado, respeito e consideração que desejaríamos para nós mesmos. Chama-nos a ver a dignidade inerente em cada pessoa, independentemente da sua origem, crenças ou circunstâncias. Como o Papa Francisco tem lembrado frequentemente, somos chamados a construir uma “cultura do encontro” onde vemos e valorizamos verdadeiramente cada pessoa que encontramos.
Este amor não é meramente um sentimento, mas um compromisso ativo de procurar o bem do outro. Envolve ações concretas de bondade, compaixão e serviço. Como São Tiago nos lembra: “a fé por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2:17). Amar o próximo significa estar atento às suas necessidades e responder com generosidade e autossacrifício quando necessário.(Paul & Okonkwo, 2011)
Importante, Jesus expande a nossa compreensão de quem é o nosso “próximo” através de parábolas como a do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37). O nosso próximo não é apenas quem é como nós ou está perto de nós, mas inclui até aqueles que podem ser considerados inimigos. Somos chamados a um amor radical que derruba barreiras de preconceito e se estende até àqueles que podem não nos amar em retorno.
Amar o nosso próximo como a nós mesmos também requer que pratiquemos o perdão e a misericórdia. Assim como esperamos perdão quando falhamos, somos chamados a estender esse mesmo perdão aos outros. Como Jesus ensina na Oração do Senhor, pedimos a Deus que “perdoe as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mateus 6:12).
Este mandamento desafia-nos a crescer em empatia e compaixão. Chama-nos a ouvir verdadeiramente os outros, a tentar compreender as suas experiências e perspetivas, e a responder com bondade e compreensão. Significa alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram (Romanos 12:15).
Finalmente, amar o nosso próximo como a nós mesmos significa preocupar-se com o seu bem-estar espiritual, bem como com as suas necessidades materiais. Somos chamados a partilhar as boas novas do amor de Deus com os outros, a rezar por eles e a encorajá-los na sua própria jornada de fé.
Compreendo que procura respostas detalhadas a estas importantes questões sobre o amor a partir de uma perspetiva cristã. Farei o meu melhor para fornecer respostas ponderadas ao estilo do Papa Francisco, focando-me nos pontos-chave sem elaborações desnecessárias. Permita-me abordar cada questão por sua vez:

Como podemos cultivar o fruto do amor em nossas vidas?
Para cultivar o fruto do amor, devemos primeiro reconhecer que o amor é um dom de Deus, não algo que possamos fabricar por conta própria. Como nos recorda São Paulo, o amor é o primeiro e maior fruto do Espírito (Gálatas 5, 22-23).
Nutrimos este dom divino através da oração, da meditação sobre as Escrituras e da participação nos sacramentos. Ao abrirmos os nossos corações à graça de Deus, permitimos que o Seu amor flua através de nós. A contemplação regular do amor sacrificial de Cristo na cruz pode inspirar-nos a amar mais profunda e abnegadamente.
Em termos práticos, cultivamos o amor colocando-o em ação. Pequenos atos de bondade, perdão e serviço aos outros são as sementes das quais o amor cresce. Devemos ser intencionais em ver Cristo em cada pessoa que encontramos, especialmente naquelas que são difíceis de amar. À medida que nos esforçamos para amar os que parecem não merecer, a nossa capacidade de amar expande-se.
A comunidade é também essencial. Ao participar ativamente na vida da Igreja e ao rodearmo-nos de outros crentes, criamos um ambiente onde o amor pode florescer. Na comunidade, temos oportunidades tanto de dar como de receber amor, aprendendo com o exemplo dos nossos irmãos e irmãs em Cristo.
Finalmente, devemos ser pacientes connosco próprios e com os outros. O amor é uma jornada de crescimento que dura toda a vida. Tropeçaremos e falharemos por vezes, mas o amor de Deus está sempre lá para nos levantar e colocar novamente no caminho certo. Com humildade e perseverança, podemos continuar a crescer no amor ao longo das nossas vidas.
(Bulthuis, 2013; Kellenbach, 2004; Magezi, 2019)

Como o amor bíblico difere dos conceitos mundanos de amor?
O amor bíblico, enraizado na natureza de Deus, contrasta fortemente com muitas noções mundanas de amor. Enquanto o mundo equipara frequentemente o amor a emoções fugazes ou à autogratificação, o amor bíblico caracteriza-se pelo altruísmo, compromisso e sacrifício.
A palavra grega “ágape”, usada no Novo Testamento para descrever o amor de Deus, representa um amor que é incondicional e que se entrega a si mesmo. Este amor não se baseia no mérito de quem o recebe, mas no caráter de quem ama. Procura o bem maior do outro, mesmo a um grande custo pessoal.
O amor mundano é frequentemente transacional – “amo-te porque” ou “amo-te se”. O amor bíblico, contudo, é transformador. Não depende do que podemos obter dos outros, mas do que podemos dar. Chama-nos a amar até os nossos inimigos, um conceito que parece insensato pelos padrões mundanos.
O amor bíblico não é apenas um sentimento, mas uma ação. É paciente, bondoso, não é invejoso nem orgulhoso, não é arrogante nem rude. Não insiste no seu próprio caminho, não se irrita nem guarda ressentimentos, não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade (1 Coríntios 13, 4-7). Esta descrição desafia as nossas inclinações naturais e chama-nos a um padrão mais elevado.
Enquanto o amor mundano procura frequentemente a gratificação instantânea, o amor bíblico está disposto a suportar dificuldades e a adiar a recompensa. É fiel e perseverante, espelhando o amor constante de Deus pelo Seu povo ao longo da história.
O amor bíblico encontra a sua expressão perfeita na pessoa de Jesus Cristo, que deu a Sua vida por nós. Este amor sacrificial forma a base da nossa fé e estabelece o padrão para a forma como somos chamados a amar os outros.
(Bulthuis, 2013; Good et al., 2015; Magezi, 2019)

Como podemos crescer em nosso amor por Deus?
Crescer no nosso amor por Deus é uma jornada de toda a vida que requer intencionalidade e graça. Devemos reconhecer que a nossa capacidade de amar a Deus é, ela própria, uma resposta ao Seu amor prévio por nós. Como escreve São João: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4, 19).
Para aprofundar o nosso amor por Deus, devemos priorizar a nossa relação com Ele. Isto significa reservar tempo regular para a oração, não como um dever, mas como uma oportunidade para uma comunhão íntima. Na oração, abrimos os nossos corações a Deus, partilhando as nossas alegrias, tristezas e desejos mais profundos. Também escutamos, permitindo que Deus nos fale através da Sua Palavra e no silêncio dos nossos corações.
Estudar as Escrituras é outro aspeto crucial para crescer no amor por Deus. À medida que nos imergimos na narrativa bíblica, obtemos uma imagem mais clara do caráter de Deus e do Seu grande amor pela humanidade. Os salmos, em particular, podem ensinar-nos a expressar o nosso amor por Deus tanto nos momentos de alegria como de tristeza.
Participar nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, permite-nos experimentar o amor de Deus de uma forma tangível. Ao recebermos o corpo e o sangue de Cristo, somos atraídos para uma união mais profunda com Ele e com todo o Corpo de Cristo.
O serviço aos outros, especialmente aos pobres e marginalizados, é também um meio de crescer no amor por Deus. Como Jesus ensinou, tudo o que fazemos ao mais pequeno dos nossos irmãos e irmãs, fazemo-lo a Ele (Mateus 25, 40). Ao servir os outros, participamos no próprio amor de entrega de Deus.
Finalmente, cultivar a gratidão pode aumentar significativamente o nosso amor por Deus. Ao contarmos regularmente as nossas bênçãos e reconhecermos Deus como a fonte de todos os bons dons, desenvolvemos uma apreciação mais profunda pelo Seu amor e bondade.
(Arce, 2024; Flanigan, 2009; Nuurrochman, 2017)

Quais são as consequências de falhar em amar de acordo com as Escrituras?
As Escrituras são claras ao afirmar que o amor não é opcional para os seguidores de Cristo – é a própria essência da nossa fé. Falhar em amar tem consequências graves, tanto para o nosso relacionamento com Deus quanto para os nossos relacionamentos com os outros.
A falta de amor prejudica o nosso relacionamento com Deus. Como escreve São João: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4:8). Quando falhamos em amar, distanciamo-nos da própria natureza de Deus e limitamos a nossa capacidade de experimentar a Sua presença e graça nas nossas vidas.
Falhar em amar também impacta o nosso testemunho perante o mundo. Jesus disse que o mundo saberia que somos Seus discípulos pelo nosso amor uns pelos outros (João 13:35). Quando falhamos em amar, representamos mal a Cristo e potencialmente afastamos os outros da fé.
A nível pessoal, a falta de amor leva ao endurecimento do coração. Pode gerar amargura, ressentimento e isolamento. O apóstolo Paulo adverte que, sem amor, até os nossos dons e realizações espirituais mais impressionantes não têm valor (1 Coríntios 13:1-3).
As Escrituras também ensinam que o modo como tratamos os outros, especialmente os vulneráveis, tem consequências eternas. Na parábola das ovelhas e dos bodes (Mateus 25:31-46), Jesus indica que os nossos atos de amor (ou a falta deles) para com “estes pequeninos” serão um critério de julgamento.
Falhar em amar rouba-nos a alegria e a realização que advêm de viver como Deus pretendia. O amor não é apenas um mandamento, mas um caminho para uma vida abundante. Quando retemos o amor, privamo-nos a nós próprios e aos outros da riqueza da conexão humana genuína e do reflexo do amor divino nos nossos relacionamentos.
(Jauncey & Strodl, 2018; Morgan, 2020; Stevenson, 2008)

Como a compreensão do amor de Deus impacta nossa capacidade de amar os outros?
Compreender o amor de Deus é transformador. Ele fornece a base e o modelo para o nosso amor pelos outros. À medida que compreendemos a profundidade, a amplitude e a natureza incondicional do amor de Deus por nós, somos capacitados e inspirados a estender esse mesmo amor àqueles que nos rodeiam.
Primeiro, reconhecer que somos profundamente amados por Deus, apesar das nossas falhas e erros, liberta-nos da necessidade de conquistar o amor ou provar o nosso valor. Esta segurança no amor de Deus permite-nos amar os outros mais livremente e incondicionalmente, sem esperar nada em troca.
O amor de Deus também estabelece o padrão de como devemos amar. Em Cristo, vemos um amor que é sacrificial, perdoador e que se estende até aos inimigos. Ao contemplarmos este amor divino, particularmente como demonstrado na cruz, somos desafiados a amar de formas que vão além das nossas inclinações naturais.
Compreender o amor de Deus ajuda-nos a ver os outros como Ele os vê – como portadores da Sua imagem, dignos de amor e respeito, independentemente das suas ações ou estatuto. Esta perspectiva pode mudar radicalmente a forma como interagimos com as pessoas, especialmente com aquelas que poderíamos naturalmente ignorar ou desprezar.
Experimentar o amor de Deus enche-nos com um amor que transborda para os outros. Não amamos a partir dos nossos próprios recursos limitados, mas da fonte abundante do amor de Deus dentro de nós. Como escreve São João: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
Finalmente, compreender o amor de Deus dá-nos esperança e perseverança em amar os outros, mesmo quando é difícil. Saber que o amor de Deus nunca falha encoraja-nos a continuar a amar, mesmo quando não vemos resultados imediatos ou quando o nosso amor não é retribuído.
(Good et al., 2015; Magezi, 2019; Ray, 2004)
