Mistérios Bíblicos: Jesus tinha uma mulher e filhos?




  • Jesus é tradicionalmente compreendido como solteiro e sem filhos, como apoiado pela Bíblia e textos históricos.
  • O Novo Testamento não menciona uma esposa ou filhos de Jesus, concentrando-se em sua missão divina e ensinamentos.
  • Teorias alternativas que sugerem que Jesus foi casado, particularmente com Maria Madalena, carecem de evidências históricas credíveis e muitas vezes dependem de textos posteriores, como os evangelhos gnósticos.
  • Compreender a vida celibatária de Jesus é importante para compreender o seu papel único no cristianismo e a natureza espiritual da sua relação com a Igreja.

A Questão dos Filhos de Jesus: Uma perspetiva cristã

Olá, amigo! Já ouviu as pessoas se perguntarem se Jesus, nosso maravilhoso Salvador, tinha uma esposa e filhos? É um pensamento que por vezes surge, talvez de um livro popular, de um filme ou de algo que viu em linha.1 para aqueles de nós que amam o Senhor, saber a verdade sobre a vida de Jesus é tão importante, não é? Porque a Sua vida espantosa e os Seus poderosos ensinamentos são a rocha sobre a qual edificamos a nossa fé! Hoje, vamos levantar a tampa desta questão. Vamos olhar para o que a Santa Palavra de Deus, a Bíblia, nos diz. Veremos o que a história tem a partilhar. E descobriremos o que o cristão guiado pelo Espírito sempre compreendeu.

É natural estar curioso sobre a vida de pessoas famosas, e Jesus é a pessoa mais influente que já caminhou nesta terra! Por vezes, essa curiosidade pode levar a ideias sobre partes «escondidas» ou «secretas» da sua vida. Estas ideias podem parecer excitantes porque parecem oferecer algo novo ou uma maneira diferente de olhar para alguém que conhecemos tão bem.1 Algumas destas teorias tentam fazer Jesus parecer como todos os outros, sugerindo que Ele tinha uma vida regular, com casamento e filhos também.4 Mas às vezes estas ideias podem perder a missão incrivelmente especial e única de Jesus, que acreditamos ser totalmente humano e totalmente Deus.5 Esta pode ser uma preocupação para os cristãos fiéis que querem alinhar estas ideias populares com o que a sua fé ensina. Quando ouvimos coisas que parecem ir contra aquilo em que sempre acreditamos, muitos de nós procuramos respostas claras e fiáveis que provenham diretamente da Bíblia e da compreensão histórica da Igreja.6 Este artigo visa trazer essa clareza, falar sobre a vida familiar de Jesus de uma forma que seja cheia de informações e respeite o nosso caminho cristão pela verdade. Prepare-se para ser abençoado!

O que a Bíblia diz sobre Jesus ter uma mulher ou filhos?

Quando procura respostas sobre Jesus, para onde vai primeiro? É isso mesmo, abre-se a Palavra de Deus, a Bíblia! O Novo Testamento – com os maravilhosos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, e todas essas cartas poderosas dos apóstolos e outros escritos – é o nosso guia número um para conhecer Jesus.

E se ler estes preciosos textos com atenção, verá que não há uma única menção de Jesus estar casado ou ter filhos.1 Não é isso alguma coisa? Os Evangelhos nos falam muito sobre a sua vida: O seu nascimento milagroso, a sua família (a sua mãe, o seu pai terreno, os seus irmãos e as suas irmãs), os seus espantosos discípulos, os seus ensinamentos que mudam a vida, os seus poderosos milagres, o seu sacrifício na cruz e a sua gloriosa ressurreição. Mas em todas estas belas histórias, não se fala de uma mulher ou de quaisquer filhos ou filhas seus. E adivinhem o quê? Mesmo livros de história fiáveis dessa altura, fora da Bíblia, não nos dão qualquer boa razão para acreditar que Jesus era casado ou tinha filhos.9

Algumas pessoas inteligentes têm dito que, se Jesus tinha Se fosse casado, provavelmente teria nos ensinado sobre o casamento e a família a partir de suas próprias experiências. Mas, embora Jesus nos tenha ensinado quão importante e santo é o casamento (como em Mateus 19:4-6), não fala dele como se partilhasse da sua própria vida conjugal. Algumas pessoas acham isto muito interessante.9

E aqui está outra coisa para elevar o seu espírito: muitos cristãos acreditam que a Bíblia é completa e dá-nos tudo o que precisamos para compreender o incrível plano de Deus para a nossa salvação.4 A Bíblia até nos adverte para não acrescentarmos nada à Palavra de Deus (Apocalipse 22:18). Assim, quando as pessoas começam a falar sobre Jesus ter uma mulher e filhos, a Bíblia não o diz, alguns vêem-no como acrescentando algo que simplesmente não existe, algo que Deus não revelou.4 Os Evangelhos mostram sempre Jesus completamente centrado na Sua missão divina, fazendo a vontade do Seu Pai Celestial, sem sinais de uma vida familiar pessoal que possa ter partilhado esse foco incrível4.

Os livros do Novo Testamento cobrem muitas partes da vida de Jesus e da Igreja primitiva. Falam da sua mãe, do seu pai terreno e até dos seus irmãos e irmãs.9 O apóstolo Paulo, nas suas cartas poderosas, fala do matrimónio e do facto de ser solteiro. Menciona mesmo que os apóstolos, como Pedro, tinham o direito de viajar com uma mulher crente (1 Coríntios 9:5).4 Pensem nisso – falam-nos mesmo de Jesus curar a sogra de Pedro (Mateus 8:14)!9 Por conseguinte, se houver pormenores como este sobre outras pessoas importantes, é quase impossível pensar que cada escritor do Novo Testamento se esqueceria de mencionar algo tão grande como Jesus ter a sua própria mulher e filhos. Esse silêncio, em todos os diferentes tipos de escritos do Novo Testamento – os Evangelhos, os Atos, as cartas, o Apocalipse – não é apenas um pequeno erro. Diz-nos fortemente que não era casado nem tinha filhos.

E esta compreensão enquadra-se perfeitamente na mensagem constante do Novo Testamento sobre a identidade única de Jesus e a sua missão divina. O seu propósito declarado era fazer completamente a vontade de Deus (João 17:4).9 Os seus ensinamentos muitas vezes colocam as ligações espirituais mesmo acima dos laços familiares. Lembram-se quando Ele disse que quem faz a vontade de seu Pai que está nos céus é seu irmão, irmã e mãe (Mateus 12:48-50)? 1 E a sua vida na terra? Foi marcado pela simplicidade, até mesmo pelos sem-abrigo. Ele disse: «As raposas têm covis e as aves do céu têm ninhos, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mateus 8:20).9 Viver assim, sempre em movimento, teria tornado tão difícil cuidar de uma família da forma habitual. Poderia até ter parecido irresponsável pelos padrões que o apóstolo Paulo mais tarde falou, sobre prover a sua própria família (1 Timóteo 5:8).9 Toda esta imagem de uma vida completamente dedicada a uma missão divina encaixa-se muito melhor com Ele ser solteiro do que com Ele ter as responsabilidades de um marido e pai. Para nós, cristãos, o facto de a Bíblia não mencionar Jesus ter filhos também nos lembra que a Escritura tem tudo o que precisamos para a nossa fé e salvação.4 Acreditamos que a Bíblia nos dá toda a sabedoria de que precisamos para a salvação e nos prepara para toda a boa obra que Deus tem para nós (2 Timóteo 3:15-17).4 Se ter filhos fosse uma parte grande e não mencionada da vida de Jesus, poderia fazer-nos pensar que a Bíblia está a perder algo importante. Mas a visão cristã tradicional é que a Bíblia está completa para o propósito divino de Deus. Assim, o silêncio sobre Jesus ter filhos apenas reforça a nossa compreensão de que este detalhe não é essencial para saber quem Ele era, o que fez ou como encontrar a salvação. Diz-nos que as teorias sobre isso são apenas ideias extras, além do que Deus nos mostrou.

Se Jesus tivesse uma família, os Evangelhos não os mencionariam?

A ideia de que os Evangelhos teriam certamente mencionado a mulher e os filhos de Jesus, se Ele os tivesse, torna-se ainda mais forte quando vemos quem está falado nestes relatos surpreendentes. Os escritores do Evangelho não hesitaram em partilhar pormenores sobre a família de Jesus e as famílias dos seus seguidores. Só tens de abrir o teu coração e ver!

Os Evangelhos falam frequentemente da preciosa mãe de Jesus, Maria, e do seu pai terreno, José.9 Eles até nomeiam os seus irmãos: Tiago, José (ou José), Simão e Judas. E mencionam-se também as suas irmãs, ainda que não pelo nome (Mateus 13:55-56; Marcos 6:3).9 E não pára por aí! O Novo Testamento também fala das famílias dos apóstolos. Por exemplo, os Evangelhos falam-nos de Jesus curando a sogra de Pedro, o que mostra claramente que Pedro era casado (Mateus 8:14).9 O livro de Atos menciona mesmo a irmã e o sobrinho do apóstolo Paulo (Atos 23:16).9

Assim, com todos estes dados familiares incluídos, é uma pergunta justa a fazer: Por que razão a mulher ou os filhos de Jesus – que teriam sido tão incrivelmente importantes na sua vida – seriam completamente excluídos? Se Jesus tivesse uma mulher e filhos, estes teriam sido tão importantes, não apenas para Ele pessoalmente, mas também para todos os Seus primeiros seguidores. Faz todo o sentido que tivessem sido mencionados, tal como se registam outras ligações familiares que eram indiscutivelmente menos centrais.1 O pensamento de que «algo tão importante como um cônjuge e filhos teria merecido, pelo menos, uma menção» está realmente relacionado com a forma como habitualmente compreendemos que pormenores são incluídos quando as pessoas escrevem sobre alguém tão importante.1

E pensem nisto: Os escritores do Novo Testamento eram geralmente muito cuidadosos para identificar as pessoas claramente, especialmente se pudesse haver alguma confusão. Por exemplo, há várias mulheres maravilhosas chamadas Maria que desempenham grandes papéis nos Evangelhos: Maria, a mãe de Jesus, Maria Madalena, Maria de Betânia (irmã de Marta e Lázaro) e Maria, a esposa de Clopas.4 Os escritores usam pequenas descrições como «Magdalena» ou «a mãe de Tiago e José» para deixar claro a que Maria se referem. Se Maria Madalena, ou qualquer outra mulher, tivesse sido a esposa de Jesus, é quase certo que os escritores do Evangelho teriam utilizado a forma mais clara e óbvia de o dizer: «a mulher de Jesus».4 Isso teria sido muito importante para evitar qualquer confusão, especialmente com tantas Marias por perto! O facto de nenhuma mulher no Novo Testamento ser chamada isso é um grande sinal de que tal casamento não existiu. O silêncio dos Evangelhos sobre isto, quando o comparamos com os detalhes que faça falar de outras famílias, torna altamente improvável que Jesus tivesse uma esposa ou filhos que os escritores do Evangelho simplesmente esqueceram de mencionar. A Palavra de Deus é intencional, amigo!

Quem eram os «irmãos e irmãs de Jesus» mencionados na Bíblia?

A Bíblia fala de «irmãos» e «irmãs» de Jesus. Podias tê-lo lido! Por exemplo, em Mateus 13:55-56, as pessoas na sua cidade natal de Nazaré perguntaram: «Não é este o filho do carpinteiro? A sua mãe não se chama Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas não são? E não estão todas as suas irmãs connosco?» (Vocês também podem ver Marcos 6:3). Estes versículos levaram a diferentes entendimentos em nossa família cristã sobre quem eram estas pessoas. É importante recordar que este debate diz respeito aos irmãos de Jesus ou a outros parentes próximos, e não à questão de saber se o próprio Jesus teve filhos.

Existem três formas principais de as pessoas compreenderem estes «irmãos» (em grego, adelphoi) e «irmãs» (em grego, adelphai):

  • Literal (Meia-)Siblings: Esta ideia, às vezes chamada de visão helvídica, sugere que Tiago, José, Simão, Judas e suas irmãs eram os verdadeiros filhos de Maria e José, nascidos depois de Jesus.13 Se este fosse o caso, Jesus teria sido seu meio-irmão mais velho, partilhando a mesma mãe, Maria. Este é um entendimento comum em muitas tradições protestantes e pressupõe que Maria não permaneceu virgem toda a sua vida após o nascimento milagroso de Jesus.
  • Passo-Siblings: Esta visão, conhecida como a visão epifaniana, sugere que os «irmãos» e as «irmãs» de Jesus eram filhos de José de um casamento anterior.13 Se José fosse viúvo quando estava noivo de Maria, estes indivíduos teriam sido irmãos de Jesus. Esta ideia apoia a crença na virgindade perpétua de Maria (o ensinamento de que ela permaneceu virgem durante toda a sua vida). Um estudioso inteligente chamado Richard Bauckham pensa que esta visão é historicamente possível.
  • Primos: Este ponto de vista, famosamente apoiado por São Jerónimo e conhecido como o ponto de vista Hieronymian, argumenta que os "irmãos" e "irmãs" de Jesus eram realmente seus primos.12 Eles podem ter sido os filhos da irmã de Maria, que às vezes é pensado para ser Maria, a esposa de Clopas (João 19:25). Esta interpretação também apoia a virgindade perpétua de Maria e tornou-se a visão tradicional na Igreja Católica Romana.

A palavra grega adelfos (irmão) e o seu plural adelphoi normalmente, os irmãos do sexo masculino do(s) mesmo(s) progenitor(es). Mas nos tempos antigos, a palavra também podia ser usada mais amplamente para falar sobre outros parentes próximos, como primos, sobrinhos ou até mesmo meio-irmãos. Isto foi especialmente verdadeiro em lugares onde o aramaico influenciou a língua grega, o que foi o caso dos Evangelhos.12 Por exemplo, Abraão chamou seu sobrinho Lot de "irmão" (Gênesis 13:8, 14:14 na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento).

Não importa qual destas ideias um leitor cristão sente que é mais convincente, nenhuma delas significa que o próprio Jesus era casado ou tinha filhos. Toda a discussão sobre os «irmãos e irmãs» de Jesus tem a ver com descobrir quem eram os outros membros da sua família e, muitas vezes, relaciona-se com diferentes crenças sobre Maria, especialmente a sua virgindade perpétua12. Não nos dá qualquer prova de que Jesus teve os seus próprios filhos.

O facto de pessoas como Tiago, conhecido como «irmão do Senhor», se terem tornado líderes importantes na igreja primitiva de Jerusalém é muito conhecido12. Pense nisto: se Jesus tivesse sido pai de filhos, é bem possível que estes filhos, em vez de seus irmãos ou primos, pudessem ter sido procurados para a liderança ou dado um estatuto especial na comunidade cristã primitiva, porque eram seus filhos diretos. Os registros históricos da Igreja primitiva falam sobre os parentes de Jesus (às vezes chamados de Desposyni, que significa «pertencentes ao Senhor»), sendo respeitados, estes eram membros da sua família, como irmãos ou primos, e não os seus próprios filhos.15 A sua liderança baseava-se na sua fé e no seu testemunho de Jesus, e não em serem os seus filhos diretos. Isto apenas destaca mais uma vez que não há tradição ou registo de Jesus ter filhos seus. Deus tem um plano e tudo está na sua Palavra!

O que os Padres da Igreja Primitiva ensinaram sobre o estado civil e a família de Jesus?

Os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja – esses teólogos, bispos e escritores sábios e influentes dos primeiros séculos imediatamente após os apóstolos – dão-nos uma visão tão preciosa do que a família cristã primitiva acreditava sobre Jesus. Quando olhamos para o que escreveram sobre a vida e a família de Jesus, começa a brilhar uma imagem muito clara!

A tradição cristã primitiva, tal como a vemos nos escritos destes Padres da Igreja, mostra sempre Jesus como solteiro e celibatário.10 Não há grandes escritos destes primeiros líderes que indiquem que Jesus era casado ou tinha filhos.10 O seu silêncio sobre esta questão, especialmente quando falavam tanto sobre outras partes da vida e dos ensinamentos de Jesus, diz realmente alguma coisa. Estavam muito mais próximos do tempo dos apóstolos e trabalhavam arduamente para definir e defender as crenças cristãs contra todos os tipos de ideias e desafios diferentes.

Por exemplo, Eusébio, um historiador da Igreja muito importante do início do século IV, escreveu sobre os parentes de Jesus. Mencionou pessoas como Tiago, «irmão do Senhor», e Simeão, filho de Clopas, identificando-os como primos de Jesus que se tornaram líderes na Igreja primitiva.12 O que Eusébio escreveu mostra uma compreensão precoce da família mais vasta de Jesus que não inclui qualquer menção à sua própria mulher ou filhos.

Depois, há São Jerónimo, um estudioso brilhante do final do século IV e início do século V. Argumentou famosamente que os «irmãos de Jesus» mencionados nos Evangelhos eram, na verdade, seus primos12. Escreveu muito para defender o ensinamento da virgindade perpétua de Maria contra pessoas como Helvídio, que alegava que Maria tinha outros filhos com José após o nascimento de Jesus20. A opinião de Jerónimo tornou-se super influente, especialmente na Igreja Ocidental. Os seus argumentos eram todos sobre o círculo familiar imediato de Jesus e sempre no entendimento de que o próprio Jesus era celibatário.

Santo Agostinho, outro gigante da fé da mesma época, escreveu muito sobre as crenças cristãs, incluindo obras maravilhosas sobre o casamento. De bono coniugali – «Sobre o bem do casamento») e da virgindade (De sancta virginitate – «On Holy Virginity»).21 Todos os seus escritos se enquadram no entendimento cristão estabelecido de que Jesus era celibatário. A teologia de Agostinho sustentava o celibato como um chamado elevado e santo, com o próprio Cristo como o exemplo perfeito. Contra Faustum Manichaeum ("Contra Fausto, o Maniqueu"), Agostinho defendeu a verdadeira compreensão cristã da vida de Jesus contra outros pontos de vista, incluindo os que poderiam ter contestado as crenças tradicionais sobre Ele.23 Sermões sobre Lições do Novo Testamento 24 e De consensu evangelistarum ("Sobre a Harmonia dos Evangelhos") 26 explicam a vida de Jesus sem qualquer indício de que ele era casado ou tinha uma família própria.

O termo Desposyni (do grego, que significa «pertencente ao mestre» ou «o povo do Senhor») foi utilizado na Igreja primitiva para falar sobre os parentes de sangue de Jesus.15 Historiadores cristãos primitivos como Hegesipo (cujos escritos Eusébio salvou para nós) mencionaram os Desposyni. Eles eram respeitados nas primeiras comunidades cristãs e, por vezes, tinham papéis de liderança devido à sua ligação familiar com Jesus.15 Mas estes indivíduos eram parentes de Jesus — tal como os seus irmãos ou primos — e não os seus próprios filhos. O estudioso Richard Bauckham salienta que estes parentes se viam como servos do Senhor, não como uma espécie de líderes da «Dinastia Jesus».15 As autoridades romanas chegaram mesmo a questionar alguns dos desposyni sobre a sua linhagem familiar, pois eram vistos como pessoas piedosas, não como pessoas que tentavam agarrar o poder terreno.18

O facto de os Padres da Igreja terem afirmado consistentemente o celibato de Jesus é historicamente tão importante. Eram eles que seguiam os ensinamentos dos apóstolos e estavam ocupados em esclarecer a doutrina cristã e corrigir o que viam como ideias erradas, incluindo várias crenças gnósticas.2 Se houvesse uma tradição real e ortodoxa de Jesus ser casado e ter filhos, pode-se ter certeza de que eles a teriam mencionado, apoiado ou debatido. Em vez disso, os seus escritos apoiam o seu celibato e explicam os seus «irmãos» de uma forma que se coaduna com esta compreensão. Este testemunho histórico é uma resposta forte a ideias muito mais tarde ou especulativas. A Igreja primitiva estava tão concentrada na definição da natureza divina e humana de Cristo (que mais tarde foi oficializada em grandes concílios eclesiásticos como Calcedónia). Se Jesus tivesse filhos, teria sido uma grande questão teológica para se falar! 29 Perguntas sobre a sua natureza — fossem divinas, parcialmente divinas, ou apenas humanas? — teriam certamente surgido e sido discutidas apaixonadamente pelos Padres da Igreja.29 O facto de não vermos estes debates específicos nos seus escritos sobre a vida de Jesus própria as crianças sugerem ainda que a ideia de Ele ter filhos não fazia parte da tradição que recebiam ou pensavam ser um problema real. A verdade de Deus mantém-se firme, amigo!

E as reivindicações dos Evangelhos Gnósticos ou de outros textos antigos?

Às vezes pode-se ouvir afirmações de que Jesus era casado ou tinha filhos, e estas ideias vêm de textos fora do nosso precioso Novo Testamento, especialmente de um grupo de escritos conhecidos como os evangelhos gnósticos. É tão importante para nós, cristãos, compreendermos o que são estes textos e como os sábios os veem.

Os evangelhos gnósticos, como o Evangelho de Filipe, o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Maria e uma pequena peça controversa chamada «Evangelho da Esposa de Jesus», são uma coleção de escritos que, na sua maioria, provêm do século II d.C. e ainda mais tarde.2 Pensem nisso! Isto significa que foram escritos muitos, muitos anos, mesmo séculos, depois dos nossos amados Evangelhos canónicos de Mateus, Marcos, Lucas e João, que sabemos serem do século I.28 Estes textos gnósticos mostram uma grande variedade de crenças que se enquadram no grande guarda-chuva do «gnosticismo». O gnosticismo era um movimento religioso e filosófico diversificado que tinha algumas coisas em comum com o cristianismo primitivo, mas era muito diferente nos seus principais ensinamentos28.

As principais crenças gnósticas muitas vezes incluíam a ideia de que a salvação vem através de algum tipo de conhecimento secreto.gnosis) em vez de apenas pela fé ou pela graça de Deus. Muitos grupos gnósticos tinham uma visão dualista do mundo, pensando que o mundo material e os nossos corpos físicos eram maus ou não tão bons, criados por um deus menor, embora o mundo espiritual fosse visto como bom.28 Isto levou-os muitas vezes a ideias diferentes sobre a natureza de Jesus. Alguns gnósticos não se sentiam confortáveis com a ideia de que Jesus tinha um verdadeiro corpo humano que podia sentir fraqueza. Em vez disso, sugeriram que apenas apareceu Eles também tendiam a separar Jesus de suas raízes judaicas e do Deus do Antigo Testamento, a quem às vezes viam como um ser menor ou mesmo defeituoso.28

Um texto que causou bastante agitação foi o «Evangelho da Esposa de Jesus». Este pequeno pedaço de papiro, do tamanho de um cartão de crédito, foi mostrado ao público em 2012 e tinha as palavras: «Jesus disse-lhes: «Minha mulher...»».2 Uau, podem imaginar que recebeu muita atenção dos meios de comunicação social! Mas imediatamente, os estudiosos começaram a fazer perguntas sobre se era real, porque ninguém sabia de onde vinha, e tinha outras coisas estranhas sobre isso. Após muita investigação científica e académica, concluíram com um elevado grau de certeza que o «Evangelho da Esposa de Jesus» é uma falsificação moderna e não um documento antigo.2

Outro texto gnóstico que as pessoas frequentemente citam é o Evangelho de Filipe. Este texto chama Maria Madalena de «companheiro» de Jesus e diz que Jesus «a amava mais do que todos os discípulos» e «a beijava com frequência».2 Algumas pessoas consideraram estas frases como significando que tinham uma relação romântica ou conjugal. Mas, segurem-se, os estudiosos apontam alguns detalhes muito importantes:

  • A palavra traduzida por «companheiro» é a palavra grega koinonos, que significa um associado, um parceiro ou um colega discípulo. Não é a palavra grega habitual para «esposa» ou «cônjuge».37
  • Em muitos escritos gnósticos, um «beijo» era um ato simbólico. Representava a passagem do conhecimento espiritual ou do discernimento divino de um professor para um discípulo. Não se tratava necessariamente de romance ou de afeto físico.36 Na verdade, alguns grupos gnósticos pensavam que todas as relações sexuais físicas eram más devido à sua visão negativa do corpo material.33

Os principais estudiosos e historiadores bíblicos, aqueles que realmente sabem as suas coisas, geralmente não pensam que os evangelhos gnósticos são fontes confiáveis para factos históricos sobre a vida de Jesus de Nazaré.2 Estes textos foram escritos muito mais tarde do que os nossos Evangelhos do Novo Testamento e mostram principalmente as crenças teológicas e práticas dos grupos gnósticos que os fizeram nos séculos II, III e IV. São valiosas para compreender todas as diferentes ideias nos primeiros tempos cristãos e os desafios que a crescente Igreja ortodoxa enfrentou para não acertar os detalhes históricos do ministério terreno de Jesus. Os evangelhos gnósticos não foram incluídos no nosso Novo Testamento por várias boas razões: foram escritos mais tarde, os seus ensinamentos eram frequentemente contrários à tradição apostólica transmitida nas igrejas e não eram amplamente aceites ou utilizados pela comunidade cristã primitiva em geral, como eram os nossos quatro Evangelhos canónicos.28

Quando as pessoas usam textos gnósticos como prova de um Jesus casado, muitas vezes esquecem estas grandes diferenças na visão de mundo e na teologia. Tirar frases sobre uma «esposa» ou «beijo» do seu contexto teológico gnóstico específico — que pode ser simbólico ou refletir uma compreensão muito diferente de Jesus e da salvação — e dar-lhes um toque moderno e romântico pode ser muito enganador. O facto de os académicos terem provado que o «Evangelho da Esposa de Jesus» era falso é também um grande lembrete de que temos de ter cuidado e verificar as coisas histórica e textualmente antes de aceitar afirmações sensacionais, especialmente as que desafiam séculos do que entendemos. Isto mostra como é importante que os cristãos usem o discernimento, baseando-se em provas sólidas em vez de ideias não comprovadas ou marginais.

Embora a imagem gnóstica de Maria Madalena como uma discípula espiritualmente avançada que recebeu ensinamentos especiais de Jesus seja interessante e mostre o seu papel importante em alguns dos primeiros grupos cristãos 35, tal não significa que tenham sido casados. Ajuda-nos a ver Maria Madalena como uma figura-chave no cristianismo primitivo, separada destas teorias infundadas sobre ela ser a esposa de Jesus. Atenhamo-nos à verdade que Deus revelou, amigo!

Jesus casou-se com Maria Madalena, como algumas teorias sugerem?

Uma das ideias que continua a aparecer e a receber muita atenção é que Jesus era casado com Maria Madalena, e talvez até tenham tido filhos. Esta ideia despertou realmente a imaginação das pessoas, sobretudo devido a romances populares como o de Dan Brown. O Código Da Vinci 2, e até mesmo livros anteriores que foram apresentados como histórias verdadeiras, como O Santo Sangue e o Santo Graal.2

Mas oiçam atentamente: Apesar do quão popular esta ideia é em alguns lugares, não há absolutamente nenhuma evidência histórica credível dos primeiros séculos do cristianismo - não nos nossos preciosos Evangelhos canónicos, e não nos escritos dos primeiros Padres da Igreja - para apoiar a alegação de que Jesus foi casado com Maria Madalena.1 No Novo Testamento, Maria Madalena é mostrada como uma seguidora proeminente e devota de Jesus. Foi uma das mulheres maravilhosas que apoiaram o seu ministério (Lucas 8:2-3), esteve lá na sua crucificação (Mateus 27:55-56) e foi uma das primeiras a vê-lo depois da sua gloriosa ressurreição (João 20:11-18).35 Mas nunca foi identificada como esposa de Jesus.

Como falamos anteriormente, referências em textos gnósticos como o Evangelho de Filipe são muitas vezes retiradas de seu contexto real. A palavra «companheiro» (koinonos) utilizado para Maria Madalena nesse texto não significa um cônjuge, e o «beijo» aí mencionado refere-se provavelmente a uma partilha espiritual de conhecimentos, e não a um afeto romântico.2

Muitas das teorias que sugerem um casamento entre Jesus e Maria Madalena, e uma linhagem deles, na verdade, dependem de lendas medievais e até mesmo falsificações modernas. Por exemplo, algumas histórias tentam traçar uma suposta linhagem familiar de Jesus e Maria Madalena através da França medieval, muitas vezes conectando-se a lendas sobre Maria Madalena deixar a Terra Santa e estabelecer-se em um lugar chamado Provença.3 Os historiadores geralmente vêem essas histórias como "fraudes piedosas" - contos devocionais feitos na Idade Média - ou invenções posteriores que não têm base histórica.3 O Santo Sangue e o Santo Graal e O Código Da Vinci é uma coisa chamada "Prioritário de Sião", supostamente uma sociedade secreta que protege esta linhagem. Mas adivinhem o quê? Investigações mostraram que o Priorado de Sião, como estes livros o descrevem, era uma farsa do século XX, inventada na França na década de 1950.

A esmagadora concordância entre os eruditos bíblicos, historiadores e teólogos é que a teoria de Jesus estar casado com Maria Madalena não é verdadeira e não tem apoio histórico credível.2 O erudito do Novo Testamento Bart Ehrman, por exemplo, em seu livro A Verdade e a Ficção em O Código Da Vinci, analisa cuidadosamente e desmistifica as alegações históricas feitas no romance de Brown, incluindo o suposto casamento42. Do mesmo modo, as alegações feitas em 2007 sobre o «Túmulo de Talpiot» em Jerusalém, sugerindo que segurava as caixas de osso (ossários) de Jesus, «Mariamne» (que proponentes ligados a Maria Madalena) e um suposto filho «Judah», foram amplamente rejeitadas por arqueólogos e estudiosos como mera especulação e não convincentes.3

A razão pela qual a teoria do casamento Jesus-Maria Madalena continua muitas vezes se resume a um padrão: Interpretar mal textos incertos, usar fontes que foram desacreditadas ou estão muito atrasadas, e tecer lendas não relacionadas em uma história emocionante de história oculta ou conspiração. Esta história sugere muitas vezes que a Igreja escondeu esta «verdade».6 Para algumas pessoas, esta teoria não é realmente um facto histórico, mas sim um desafio às visões cristãs tradicionais sobre a sexualidade, o papel das mulheres ou a autoridade da Igreja.1 É tão importante para nós, cristãos, estarmos cientes destas razões subjacentes e conhecermos a diferença entre a procura histórica real e as conjecturas fictícias ou orientadas pela agenda. Infelizmente, estas teorias do casamento infundadas também podem ofuscar o genuíno trabalho erudito para compreender o verdadeiro papel histórico e a importância de Maria Madalena como uma das principais discípulas do cristianismo primitivo. O seu papel está nos Evangelhos e merece ser reconhecido, separado de qualquer ligação conjugal inventada com Jesus.35 Vamos celebrar a verdade que Deus nos deu!

Quais eram as expectativas judaicas para o casamento e a família no tempo de Jesus?

Para obter uma melhor imagem da vida de Jesus, é muito útil pensar no que os judeus da Palestina do século I acreditavam sobre o casamento e a família. E, eles esperavam especificamente que o Messias se casasse e tivesse filhos? Vamos explorar isto de coração aberto!

De um modo geral, o casamento era um grande negócio e altamente esperado para os homens na sociedade judaica do século I. Os ensinamentos dos rabinos, que estavam se desenvolvendo durante este tempo, muitas vezes enfatizavam que o casamento era um dever religioso. Porquê? Principalmente para ter filhos, para continuar a linhagem familiar e para manter o povo judeu.44 Era comum os homens casarem-se no final da adolescência ou no início dos vinte anos.44 Alguns rabinos até ensinaram que um homem não era verdadeiramente um homem completo até se casar! 44

Mas ser celibatário (ficar solteiro) não era completamente desconhecido ou condenado no judaísmo do século I. Houve exceções à regra geral do casamento:

  • Os essénios: Este era um grupo judaico que vivia na época de Jesus. Eles eram conhecidos por suas práticas religiosas devotas, e alguns destes estão escritos nos Manuscritos do Mar Morto. Acredita-se que certas comunidades de Essenes praticavam o celibato como parte do seu compromisso com a pureza ritual e porque esperavam o fim dos tempos ou a vinda do Messias46. Isto mostra-nos que um estilo de vida celibatário, escolhido por razões religiosas, era uma opção reconhecida por alguns judeus na altura.
  • Celibato profético: Havia também uma tradição de certos profetas no Antigo Testamento, como Elias e Jeremias, serem solteiros.46 O seu celibato era muitas vezes visto como ligado à natureza exigente da sua obra profética ou como um acto simbólico relacionado com a sua mensagem. João Batista, que veio antes de Jesus, também parece ter vivido uma vida celibatária no deserto.46
  • Exceções rabínicas para estudo: Mesmo escritos rabínicos posteriores reconheceram raras exceções para o celibato. Por exemplo, o rabino Ben Azzai teria ficado solteiro para que pudesse dedicar-se completamente ao estudo da Torá.49

Sobre as expetativas messiânicas: o povo judeu no século I tinha diversas esperanças de que uma ideia comum era a antecipação de um Messias que seria descendente do rei Davi.50 Esperava-se que este Messias davídico fosse um grande líder — um rei que restauraria o reino de Israel, libertaria o povo do domínio estrangeiro (que era o domínio romano na época), reconstruiria o Templo em Jerusalém, se necessário, e introduziria uma era de justiça, paz e conhecimento generalizado de Deus.50 O pacto que Deus fez com Davi incluía a promessa de uma dinastia eterna através da sua «semente» ou descendentes (2 Samuel 7:11-16).53 Esta promessa de uma dinastia contínua sugeriria naturalmente que o rei messiânico se casaria e teria filhos para manter a sua linhagem familiar.

Embora o papel de um rei muitas vezes envolva ter uma família e herdeiros, as profecias específicas sobre o Messias concentravam-se mais em suas ações, seu caráter (como governar com sabedoria e justiça) e a natureza de seu reino, em vez de dizer especificamente que ele era um rei. deve casar e ter filhos.50 Não havia uma profecia específica que afirmasse: «O Messias terá mulher e filhos», da mesma forma que havia profecias sobre a sua linhagem davídica ou o seu papel na restauração de Israel. É igualmente importante recordar que as expectativas messiânicas judaicas do século I eram variadas; alguns concentraram-se num Messias triunfante e real (Messias ben David), enquanto outros também falaram de uma figura sofredora (Messias ben Yosef).51 Nenhuma destas expectativas judaicas tradicionais correspondia perfeitamente à pessoa e obra de Jesus, como os cristãos O compreendem, especialmente a Sua morte e ressurreição como uma expiação pelo pecado.55

Assim, embora o casamento fosse a norma na sociedade, a existência de indivíduos e grupos celibatários no judaísmo, como os essénios ou figuras como João Batista, significa que, se Jesus escolhesse ser celibatário, não teria sido completamente sem precedentes ou impossível de compreender no seu contexto cultural. Isto vai contra os argumentos que sugerem Jesus deve casaram-se simplesmente porque Ele era um homem judeu daquele tempo.43

A expectativa messiânica de um rei davídico estabelecer uma dinastia duradoura poderia implicar casamento e filhos para a continuação física dessa linhagem. Mas Jesus falou do seu reino como "não sendo deste mundo" (João 18:36).56 Uau! Isto muda tudo, mudando a compreensão da «dinastia» de uma linha puramente física e hereditária para uma linha espiritual. O Novo Testamento apresenta a Igreja como a «noiva» espiritual de Cristo e os crentes como filhos de Deus através da fé nEle, formando uma nova família espiritual. Assim, a parte "dinástica" da profecia messiânica pode ser entendida como sendo cumprida espiritualmente através da comunidade de crentes, e não através de Jesus ter filhos físicos. Deus tem sempre um plano maior, não tem?

Por que Jesus pode ter escolhido manter-se celibatário?

De um coração e compreensão cristãos, existem várias razões bonitas e interligadas que explicam por que Jesus provavelmente permaneceu solteiro e não teve filhos. Estas razões estão tão profundamente ligadas à sua pessoa única, à sua missão divina e à própria natureza do Reino que Ele veio estabelecer. Abramos os nossos corações a esta sabedoria!

  • Unicidade de Propósito e Devoção Indivisa: A vida de Jesus nesta terra foi completamente dedicada a cumprir a vontade de Deus e a realizar a incrível obra da salvação.9 Pensem nisso: as responsabilidades e os afetos profundos que advêm do casamento e da criação de uma família criariam naturalmente interesses e prioridades divididos. Seu celibato permitiu-lhe concentrar-se com devoção completa e sem distrações em Sua incrível missão.9 O apóstolo Paulo mais tarde falou sobre este mesmo princípio em 1 Coríntios 7:32-35, observando que uma pessoa solteira pode concentrar-se nas coisas do Senhor, como agradar ao Senhor, enquanto uma pessoa casada também está preocupada com as coisas mundanas, como agradar ao cônjuge.9
  • Estilo de vida itinerante e a falta de uma casa: Jesus levava uma vida tão exigente, sempre a viajar e a ministrar, muitas vezes sem um lugar permanente para chamar de casa. Ele mesmo disse: "As raposas têm covis e as aves do céu têm ninhos; o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mateus 8:20; Lucas 9:58).9 Este estilo de vida em movimento e materialmente simples teria tornado extremamente difícil, se não impossível, prover e proteger a mulher e os filhos da forma habitual.9
  • Conhecimento da sua morte sacrificial: Os Evangelhos mostram-nos que Jesus sabia que tinha vindo a sofrer e morrer uma morte sacrificial pelos pecados de toda a humanidade (ver Marcos 8:31, por exemplo).56 Se tivesse casado e gerado filhos, Ele teria conscientemente escolhido deixar para trás uma viúva e filhos órfãos, causando-lhes uma dor e dificuldades tão profundas - uma situação que Ele teria previsto e certamente queria evitar.56
  • Evitar um Reino Terreno e Questões Dinásticas: Se Jesus tivesse casado e tido filhos, poderia facilmente ter levado as pessoas a compreenderem mal o Seu reino como um reino terreno, com os Seus filhos vistos como herdeiros de um trono.56 Isto poderia ter criado problemas políticos e discussões sobre quem governaria a seguir, distraindo todos da natureza espiritual do Reino de Deus que Ele proclamou (João 18:36).
  • A Igreja como a sua noiva espiritual: Esta é uma razão teológica verdadeiramente poderosa para o celibato de Jesus: A sua relação única com a Igreja. No Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo (como Efésios 5:25-32), a Igreja é descrita como a Noiva de Cristo.56 O celibato de Jesus pode ser visto como Ele reservando-se inteiramente para este casamento espiritual e eterno com o seu povo. Um casamento humano pode ter obscurecido ou diminuído o poderoso significado desta união espiritual.
  • Exemplo de Celibato para o Reino: O próprio Jesus falou acerca daqueles que escolhem o celibato para um propósito mais elevado: «Pois há eunucos que nasceram assim, e há eunucos que foram feitos eunucos por outros — e há aqueles que escolhem viver como eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isto deve aceitá-lo» (Mateus 19:12).33 A sua própria vida de celibato pode ser entendida como o exemplo último deste estado dedicado. Não é uma ordem para todos os Seus seguidores um apelo especial para que alguns sirvam a Deus com uma atenção indivisa33.
  • Antecipar a Vida da Ressurreição: Jesus ensinou que, na era vindoura, na ressurreição, as pessoas «não se casam nem se dão em casamento são como anjos no céu» (Mateus 22:30).11 A sua vida celibatária na terra pode ser vista como um belo sinal que aponta para esta realidade última e para a nova ordem do Reino eterno de Deus, onde a nossa relação com Deus será a coisa mais importante de todas57.

Assim, o celibato de Jesus não é visto pela tradição cristã como apenas Ele não sendo casado. É vista como uma escolha positiva e significativa, profundamente ligada à sua identidade e ao seu trabalho redentor. Permitiu um enfoque inigualável no estabelecimento do reino de Deus e previu a união final entre Cristo e o local onde os crentes se tornam parte da incrível família espiritual de Deus11.

A ideia de Jesus como o «novo Adão» (1 Coríntios 15:45) acrescenta outra camada maravilhosa a este entendimento.65 O primeiro casamento de Adão com Eva levou ao nascimento físico da raça humana. O Novo Adão, Jesus Cristo, através da sua morte sacrificial (lembrem-se de que, do seu lado trespassado na cruz, jorrava sangue e água, muitas vezes vistos como símbolos do Batismo e da Eucaristia, que dão à luz espiritual a Igreja 65) e do seu «casamento» espiritual com os filhos espirituais — ou seja, nós, crentes que nascemos na família de Deus através da fé! Nesta perspetiva, o celibato físico de Jesus põe em evidência a natureza espiritual desta nova criação e da nova família que Ele veio estabelecer. A sua escolha do celibato, numa cultura que valorizava verdadeiramente o matrimónio e os filhos, mostra também quão radical era o Reino que Ele proclamou, onde as prioridades espirituais e a devoção a Deus podem mesmo preceder normas culturais profundas.44 O papel de Jesus como grande Sumo Sacerdote (como descrito na Carta aos Hebreus) também se encaixa perfeitamente com o seu celibato, mostrando a sua dedicação total a Deus e a sua obra única como ponte entre Deus e a humanidade.48 O seu celibato pode ser visto como parte do seu autoesvaziamento (kenosis) e da sua oferta completa de si mesmo, livre de outros laços terrenos, a fim de estabelecer a nova aliança. O plano de Deus não é espantoso?

Quais são as implicações teológicas se Jesus teve filhos?

Embora todos os bons sinais históricos e bíblicos apontem para o facto de Jesus não ter filhos, é útil perguntar: E se o fizesse? Pensar nisto ajuda-nos a ficar ainda mais claros sobre as nossas crenças cristãs fundamentais acerca da Sua natureza surpreendente e da Sua missão divina.

Algumas pessoas podem dizer que, porque Jesus era totalmente humano, Ele poderia ter casado e ter tido filhos, uma vez que estas são coisas humanas naturais a fazer.29 E, deste ponto de vista, o casamento e ter filhos são coisas boas que Deus criou, pelo que o casamento com Jesus não teria sido um pecado em si mesmo.29 Se Jesus tivesse tido filhos, estes filhos teriam sido totalmente humanos. Não teriam sido «meio-deuses» ou parcialmente divinos, não senhor.29 A natureza divina de Jesus, uma vez que o Filho de Deus é único para Ele, resultado da Encarnação — Deus tornar-se homem. A divindade não é algo que possa ser transmitido através de genes como a cor dos olhos.29 Assim, quaisquer filhos de Jesus teriam herdado a sua natureza humana e, tal como todos os outros seres humanos, teriam nascido necessitando de salvação.29

Mas a ideia de Jesus ter uma mulher e filhos levanta algumas grandes questões teológicas acerca da sua missão e de quem Ele é:

  • Impacto na Missão e na Dedicação de Cristo: Um pensamento importante é que uma família terrena teria dividido o foco e a dedicação de Jesus.6 Os Evangelhos mostram-no completamente empenhado em fazer a vontade do Pai e trazer o Reino de Deus.6 As responsabilidades de ser marido e pai teriam naturalmente competido com as exigências da Sua missão única e transformadora do mundo. Esta imagem de uma lealdade dividida não se coaduna muito com a imagem do Novo Testamento da sua devoção singular e total.
  • A Igreja como a sua noiva única: A teologia cristã fala sobre a Igreja como a Noiva de Cristo, por quem Ele deu a própria vida (Efésios 5:25-32).6 Se Jesus tivesse uma esposa terrena, poderia tornar esta metáfora espiritual profunda um pouco confusa ou diminuir o seu poder e exclusividade. O seu celibato é visto como perfeitamente adequado ao seu papel de único e único Esposo da Igreja.
  • Credibilidade do ensino e da tradição cristãs: Imagine-se se descobrisse que Jesus fiz ter filhos e que este facto foi de alguma forma perdido ou escondido pela Igreja durante dois mil anos! Pode levar muitas pessoas a questionarem-se sobre quão confiáveis são a tradição cristã e a interpretação da Bíblia noutras crenças realmente importantes.6 Pode fazer com que essas teorias de que a Igreja escondeu ativamente verdades sobre Jesus pareçam mais credíveis, como afirmam algumas histórias populares.6

Embora alguns teólogos sugiram que provar que Jesus se casou não mudaria fundamentalmente a nossa compreensão central dele como plenamente Deus e totalmente homem, ou a sua capacidade de ser o nosso Salvador 29, a maior agitação teológica seria provavelmente a história da sua missão única e consumidora e da sua relação esponsal exclusiva com a Igreja. A forma como a sua vida se encaixa tão perfeitamente com o seu propósito revelado viria a ser questionada.

Esta ideia de «e se Jesus tivesse filhos» também nos ajuda a compreender melhor a forma como as naturezas divina e humana de Jesus são compreendidas. Reforça o verdadeiro ensinamento cristão, oficializado no Concílio de Calcedónia (já em 451 d.C.), de que Jesus tinha «duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação», tudo numa só pessoa.30 Ter filhos é um ato humano. Portanto, qualquer criança seria humana, não divina. Isto apenas sublinha que a Encarnação do Filho de Deus foi um acontecimento único, irrepetível, não um novo modo de transmitir a divindade.29

A crença cristã tradicional de que Jesus não era casado e não tinha filhos baseia-se no silêncio consistente das Escrituras e da tradição da Igreja primitiva. Não é principalmente porque pensamos que o casamento teria sido impossível para Ele enquanto ser humano. Pelo contrário, o seu celibato é visto como profundamente adequado à sua pessoa única, à sua missão inigualável e ao seu papel de Redentor da humanidade e Esposo da Igreja. A preocupação de que «se a Igreja estava errada a este respeito, em que mais está errada?» mostra que não se trata apenas de um pormenor biográfico. Afeta a nossa confiança nas fontes e tradições que moldaram a crença cristã durante séculos.6 Apeguemo-nos à verdade revelada por Deus!

Por que é importante para os cristãos se Jesus teve filhos?

A questão de saber se Jesus teve filhos é muito mais do que apenas um enigma histórico para nós, cristãos. toca o próprio coração de nossa fé e como compreendemos nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Vamos ver porque é que isto é tão importante.

  • Compreender a natureza e a missão únicas de Jesus: Conhecer a verdade sobre a vida familiar de Jesus está diretamente ligado à compreensão de quem Ele era e do que veio fazer por nós.6 A visão tradicional, a que enche os nossos corações de paz, é que o seu celibato foi uma parte fundamental da sua missão única como Filho de Deus. Permitiu-lhe dedicar-se completamente à vontade do Pai e estabelecer a sua família espiritual, a Igreja.9 Se Ele tivesse uma família terrena, isso poderia mudar a forma como vemos as suas prioridades e a própria natureza do seu trabalho incrível.
  • A Autoridade e a Suficiência das Escrituras: Para a maioria de nós, cristãos, a Bíblia é a Palavra inspirada e autorizada de Deus. Dá-nos tudo o que precisamos para a nossa fé e vida, especialmente quando se trata de salvação.4 Uma vez que as Escrituras são silenciosas sobre Jesus ter uma esposa ou filhos, e até nos advertem para não acrescentarmos ao que está escrito (Apocalipse 22:18), aceitar tais alegações baseadas em fontes posteriores, não bíblicas ou especulativas pode parecer que está a minar a autoridade e a integridade da nossa preciosa Bíblia.4
  • A base da fé na verdade: A nossa fé cristã destina-se a ser construída sobre a verdade — a verdade revelada nas Escrituras e apoiada por um testemunho histórico fiável.7 É por isso que é tão importante para nós, crentes, conhecer a diferença entre ensinamentos bem fundamentados e ideias ou teorias que simplesmente não têm provas credíveis.9 Isto significa que temos de usar um discernimento cuidadoso, especialmente hoje em dia, quando a desinformação pode propagar-se tão facilmente5.
  • O exemplo de Cristo e a vocação cristã: A vida de Jesus é um belo modelo para todos os seus seguidores. Suas escolhas, incluindo seu celibato, têm profundo significado teológico. Embora o casamento seja celebrado como um caminho bom e santo para a maioria, o celibato de Jesus mostra-nos que não é a única forma de encontrar a realização ou servir a Deus. A sua vida demonstra temas como o amor sacrificial, a devoção singular ao reino de Deus e o valor de diferentes vocações, incluindo o celibato em prol do reino (Mateus 19:12).11 Compreender o seu celibato enriquece a nossa compreensão cristã do casamento e da unicidade como formas válidas e honrosas de viver para Deus.
  • Impacto na compreensão de Cristo (Cristologia): Tal como já falámos, embora alguns possam argumentar que Jesus ter filhos não contradiz a sua natureza divina e humana 29, o entendimento cristão tradicional é que o seu celibato é profundamente adequado ao seu papel único de Redentor, Sumo Sacerdote e Noivo da Igreja.6 A introdução de uma família terrena poderia criar alguma tensão com estes entendimentos teológicos estabelecidos sobre quem Ele é e o que fez.
  • Combater a desinformação e defender a fé: Em um mundo onde todos os tipos de afirmações sobre Jesus são feitas, e algumas delas vão contra o ensino cristão histórico, ter respostas claras e baseadas em evidências ajuda-nos a compreender nossa fé mais profundamente. Ajuda-nos a partilhá-lo com confiança e precisão com os outros.

A questão de Jesus ter filhos toca o âmago da sua identidade. Era Ele sobretudo uma figura terrena cujo principal legado podia ser visto em termos de uma linhagem familiar física? Ou o seu significado primário e eterno encontra-se na sua filiação divina, na sua obra expiatória na cruz, na sua ressurreição gloriosa e na sua liderança espiritual contínua da Igreja? A tradição cristã e as Escrituras dizem esmagadoramente que é este último, amigo!56 Os seus «descendentes» são entendidos como espirituais — todos nós que nascemos na família de Deus através da fé nEle (João 1:12-13).

Para nós, leitores cristãos, este debate não é apenas um exercício académico; trata-se também do nosso bem-estar espiritual. Trata-se de manter uma compreensão clara e biblicamente fundamentada de Jesus, que é o centro da nossa fé e da nossa relação com Deus.6 As histórias especulativas podem causar confusão ou preocupação. Fornecer respostas claras e bem fundamentadas com base nas Escrituras e no ensino cristão histórico ajuda-nos a navegar nessas afirmações e fortalece a nossa confiança na compreensão tradicional de Jesus.7 Afirma que a nossa fé é construída sobre uma rocha sólida, não sobre as areias movediças da especulação. A visão tradicional do celibato de Jesus enquadra-se de forma tão bela numa vasta gama de outras crenças cristãs fundamentais — a sua missão única, a Igreja como sua noiva, a natureza do seu Reino e o seu exemplo de vida consagrada. Introduzir uma família terrena, embora não impossível para um ser humano, criaria pontos de atrito com este quadro teológico estabelecido, exigindo grandes ajustes na forma como sua vida e trabalho são compreendidos. Regozijemo-nos com a clareza que Deus dá!

Conclusão: O foco ininterrupto do Filho de Deus

depois de analisar atentamente os relatos bíblicos, os ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja e a natureza das provas históricas, a conclusão consistente a que chegaram os principais estudos e tradições cristãs é que Jesus Cristo não casou nem teve filhos.2 É uma verdade que traz paz aos nossos corações! O Novo Testamento, a nossa principal fonte para a vida de Jesus, não faz qualquer menção a uma mulher ou filhos. Este silêncio é incrivelmente importante, especialmente quando consideramos todos os pormenores que faz acerca de outros aspectos da sua família e das famílias dos seus seguidores.

Estas teorias podem sugerir que Jesus era casado, muitas vezes com Maria Madalena, e tinha filhos? Eles tendem a confiar em textos escritos muito, muito mais tarde, como os evangelhos gnósticos. E estes textos, como vimos, não são considerados historicamente fiáveis para pormenores sobre a vida terrena de Jesus.2 Muitas destas teorias tornaram-se populares por livros de ficção ou alegações apresentadas como história que simplesmente não resistem quando sábios estudiosos as examinam.

A vida de Jesus, tal como é mostrada nos nossos preciosos Evangelhos canónicos e compreendida através de séculos de fé cristã, foi uma vida de devoção singular e ininterrupta à Sua missão divina. Qual era a missão? Para revelar Deus Pai, para pregar a vinda do Reino de Deus, para oferecer a sua vida como um sacrifício pelos pecados de toda a humanidade, e para vencer a morte através de sua ressurreição gloriosa! A sua «família», no sentido mais profundo e duradouro, é a Igreja, ou seja, todos nós que, pela fé, nos tornamos filhos de Deus e membros da sua maravilhosa casa (Mateus 12:48-50; João 1:12-13).1

O nosso foco cristão, mantém-se firmemente em Jesus Cristo: A sua pessoa, os seus ensinos, a sua morte expiatória e a sua gloriosa ressurreição. Estas são as verdades claramente testificadas nas Escrituras, e são o fundamento da nossa esperança e salvação cristãs, não detalhes especulativos acerca de alguma suposta família terrena oculta. O celibato de Jesus não é entendido como uma negação da sua humanidade plena como uma afirmação poderosa da natureza única e abrangente da sua missão divina e da sua relação espiritual com todos os que nele acreditam. A sua vida demonstra um compromisso inabalável com a vontade do Pai e a redenção da humanidade, que é a verdadeira fonte de vida e de esperança para o mundo inteiro. Vamos celebrar hoje esta verdade espantosa!

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