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Topo, da esquerda para a direita: S. Catarina de Siena, S. João Paulo II, Sagrado Coração de Jesus, S. Margarida Maria Alacoque, S. Francisco de Sales. Em baixo, da esquerda para a direita: S. John Henry Newman, S. Gertrudes de Helfta, S. Teresinha de Lisieux e S. Tomás de Aquino. / Crédito: Brooklyn Museum, Domínio público, via Wikimedia Commons; Gov.pl, CC BY 3.0 PL, via Wikimedia Commons; Leiloeira São Domingos, Domínio público, via Wikimedia Commons; Corrado Giaquinto, Domínio público, via Wikimedia Commons; Giovanni Battista Lucini, Domínio público, via Wikimedia Commons; Herbert Rose Barraud, Domínio público, via Wikimedia Commons; Domínio público via Wikimedia Commons; Céline Martin, CC0, via Wikimedia Commons; Carlo Crivelli, Domínio público, via Wikimedia Commons
Cidade do Vaticano, 1 de novembro de 2024 / 04:00 (CNA).
A nova encíclica do Papa Francisco sobre o Sagrado Coração de Jesus está repleta de testemunhos dos santos da oração e da devoção ao coração de Cristo ao longo dos séculos.
Dilexit Nos, que significa “Ele nos amou”, descreve como a devoção ao coração de Cristo “reaparece no caminho espiritual de muitos santos” e como, em cada um, a devoção assume novos matizes. Os santos mais citados na encíclica são S. Teresinha de Lisieux, S. Margarida Maria Alacoque, S. Francisco de Sales, S. Vicente de Paulo e S. João Paulo II, mas mais de duas dezenas de santos são citados ao todo.
A encíclica explica como as descrições dos Padres da Igreja sobre o lado ferido de Cristo como a fonte da vida da graça começaram mais tarde a ser associadas ao seu coração, especialmente na vida monástica.
Acrescenta que “a devoção ao coração de Cristo ultrapassou lentamente as paredes dos mosteiros para enriquecer a espiritualidade de santos mestres, pregadores e fundadores de congregações religiosas, que a espalharam depois até aos confins da terra”.
Aqui estão 20 santos devotos do Sagrado Coração, conforme descrito pela nova encíclica do Papa:

S. Francisco de Sales (1567–1622)
S. Francisco de Sales sentiu-se profundamente comovido pelas palavras de Jesus: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Escreve na “Introdução à Vida Devota” que as provações comuns da vida — como “as peculiaridades cansativas de um marido ou de uma esposa” ou uma dor de cabeça ou de dentes — quando aceites com amor, “são muito agradáveis à bondade de Deus”. Nas suas cartas, Francisco escreveu sobre o coração aberto de Cristo, vendo-o como um convite a habitar dentro e a confiar totalmente na graça de Deus, descrevendo-o como “um coração no qual todos os nossos nomes estão escritos”.
“Certamente é uma fonte de profunda consolação saber que somos amados tão profundamente pelo Nosso Senhor, que nos carrega constantemente no seu coração”, disse ele numa homilia da Quaresma a 20 de fevereiro de 1622.

S. John Henry Newman (1801–1890)
S. John Henry Newman escolheu “Cor ad cor loquitur” (“O coração fala ao coração”) como o seu lema, uma frase retirada de uma carta de S. Francisco de Sales. Ele experimentou o Sagrado Coração de Cristo de forma mais poderosa na Eucaristia, onde sentiu o coração de Jesus “a bater ainda por nós” e rezou: “Ó, fazei o meu coração bater com o vosso coração. Purificai-o de tudo o que é terreno, de tudo o que é orgulhoso e sensual, de tudo o que é duro e cruel, de toda a perversidade, de toda a desordem, de toda a morte. Enchei-o tanto de vós, que nem os acontecimentos do dia nem as circunstâncias do tempo tenham poder para o perturbar, mas que no vosso amor e no vosso temor ele possa ter paz”.

S. Margarida Maria Alacoque (1647–1690)
S. Margarida Maria Alacoque é talvez a santa mais associada ao Sagrado Coração de Jesus devido a uma série de aparições de Cristo em Paray-le-Monial, França. Na primeira mensagem que Alacoque recebeu, descreveu como o Senhor “pediu o meu coração, que eu lhe pedi para levar, o que ele fez e depois colocou-me no seu próprio coração adorável, do qual me fez ver o meu como um pequeno átomo consumido na fornalha ardente do seu próprio”. Em mensagens subsequentes, “revelou-me as maravilhas inefáveis do seu puro amor e a que extremos o levou a amar a humanidade” e como “o seu puro amor, com o qual ama os homens até ao fim” é recebido com “apenas ingratidão e indiferença”.
Alacoque escreveu numa das suas cartas: “É necessário que o divino coração de Jesus substitua de alguma forma o nosso; que só ele viva e trabalhe em nós e por nós; que a sua vontade… trabalhe absolutamente e sem qualquer resistência da nossa parte; e finalmente que os seus afetos, pensamentos e desejos ocupem o lugar dos nossos, especialmente o seu amor, para que ele seja amado em si mesmo e por nossa causa. E assim, sendo este coração amável o nosso tudo em todos, podemos dizer com S. Paulo que já não vivemos as nossas próprias vidas, mas é ele quem vive dentro de nós”.

S. Claude de La Colombière (1641–1682)
S. Claude de La Colombière foi um padre jesuíta francês e confessor de S. Margarida Maria Alacoque. Ajudou a desenvolver a devoção ao Sagrado Coração, combinando as experiências de S. Margarida Maria com a abordagem contemplativa de S. Inácio de Loyola. Claude meditou sobre a atitude de Cristo para com aqueles que procuravam prendê-lo e matá-lo: “O seu coração está cheio de amarga tristeza; toda a paixão violenta é desencadeada contra ele e toda a natureza está em tumulto, mas, no meio de toda esta confusão, de todas estas tentações, o seu coração permanece firmemente dirigido a Deus”.

S. Gertrudes de Helfta (1256–1302)
S. Gertrudes de Helfta, uma mística cisterciense, escreve sobre um momento de oração em que encostou a cabeça no coração de Cristo e ouviu o seu coração a bater. Ela refletiu que o “doce som daquelas batidas cardíacas foi reservado para os tempos modernos, para que, ao ouvi-las, o nosso mundo envelhecido e morno possa ser renovado no amor de Deus”.

S. Matilde de Hackeborn (1241–1298)
S. Matilde, outra mística cisterciense, partilhava a devoção íntima de S. Gertrudes ao coração de Jesus. A encíclica lista-a entre “várias mulheres santas, [que] ao contarem as suas experiências de encontro com Cristo, falaram de descansar no coração do Senhor como a fonte da vida e da paz interior”.

S. Vicente de Paulo (1581–1660)
S. Vicente de Paulo enfatizou que “Deus pede principalmente o nosso coração”, ensinando que os pobres podem ter mais mérito ao dar com “maior amor” do que aqueles que têm riqueza e podem dar mais. Ele exortou os seus confrades a “encontrarem no coração de Nosso Senhor uma palavra de consolação para o pobre doente”. As constituições da sua congregação sublinham que “pela mansidão herdamos a terra. Se agirmos assim, conquistaremos as pessoas para que se voltem para o Senhor. Isso não acontecerá se tratarmos as pessoas com dureza ou rispidez”. Para ele, encarnar o “coração do Filho de Deus” significava ir a toda a parte em missão e levar o calor do amor de Cristo aos que sofrem e aos pobres.

S. Catarina de Siena (1347–1380)
S. Catarina de Siena escreveu que os sofrimentos do Senhor são impossíveis de compreender para nós, mas o coração aberto de Cristo permite-nos ter um encontro pessoal vivo com o seu amor ilimitado. O “Diálogo sobre a Divina Providência” de Catarina regista uma conversa que ela teve com Deus, na qual ele lhe disse: “Desejei revelar-te o segredo do meu coração, permitindo-te vê-lo aberto, para que possas compreender que te amei muito mais do que poderia ter-te provado pelo sofrimento que outrora suportei”.

S. João Paulo II (1920–2005)
S. João Paulo II descreveu o coração de Cristo como “a obra-prima do Espírito Santo” e viu-o como fundamental para construir uma “civilização do amor”. Numa audiência geral no primeiro ano do seu pontificado, João Paulo II falou sobre “o mistério do coração de Cristo” e partilhou que “ele fala-me desde a minha juventude”. Ao longo do seu pontificado, ensinou que “o coração do Salvador convida-nos a regressar ao amor do Pai, que é a fonte de todo o amor autêntico”.
“Os homens e mulheres do terceiro milénio precisam do coração de Cristo para conhecer a Deus e a si mesmos; precisam dele para construir a civilização do amor”, disse João Paulo II em 1994.

S. Bernardo de Claraval (1090–1153)
S. Bernardo pregou sobre a importância de amar Jesus com “o afeto pleno e profundo de todo o teu coração”. Descreveu o lado trespassado de Cristo como uma revelação do derramamento do amor do Senhor a partir do seu coração compassivo. No ano 1072, pregou: “Aqueles que o crucificaram trespassaram as suas mãos e pés… Uma lança passou pela sua alma até à região do seu coração. Já não é incapaz de ter piedade da minha fraqueza. As feridas infligidas no seu corpo revelaram-nos os segredos do seu coração; permitem-nos contemplar o grande mistério da sua compaixão”.

S. Boaventura (1221–1274)
S. Boaventura apresenta o coração de Cristo como a fonte dos sacramentos e da graça. No seu tratado “Lignum Vitae”, Boaventura escreveu que no sangue e na água que fluem do lado ferido de Cristo, o preço da nossa salvação flui “da fonte escondida do seu coração, permitindo que os sacramentos da Igreja confiram a vida da graça e, assim, sejam, para aqueles que vivem em Cristo, como um cálice cheio da fonte viva que brota para a vida eterna”.

S. João Eudes (1601–1680)
S. João Eudes escreveu os próprios da Missa do Sagrado Coração e foi um ardente defensor da devoção. Dilexit Nos descreve como S. João Eudes convenceu o bispo da Diocese de Rennes, em França, a aprovar a celebração da festa do “Adorável Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo”, a primeira vez que tal festa foi oficialmente autorizada na Igreja. No ano seguinte, mais cinco bispos em França autorizaram a celebração da festa nas suas dioceses.

S. Carlos de Foucauld (1858–1916)
S. Carlos de Foucauld fez da sua missão consolar o Sagrado Coração de Jesus, adotando uma imagem da cruz plantada no coração de Cristo como o seu emblema. Consagrou-se ao coração de Cristo, acreditando que devia “abraçar todos os homens e mulheres” como o coração de Jesus. Fez uma promessa em 1906 de “deixar o coração de Jesus viver em mim, para que já não seja eu quem vive, mas o coração de Jesus que vive em mim, como ele viveu em Nazaré”.

S. Tomás de Aquino (1225–1274)
S. Tomás de Aquino escreveu que a expressão “coração de Cristo” pode referir-se à Sagrada Escritura, “que dá a conhecer o seu coração”. A encíclica cita a exposição teológica de S. Tomás de Aquino sobre o Evangelho de S. João, na qual escreveu que, sempre que alguém “se apressa a partilhar vários dons da graça recebidos de Deus, água viva flui do seu coração”.

S. Teresinha de Lisieux (1873–1897)
S. Teresinha de Lisieux sentia um vínculo íntimo com o coração de Jesus. Aos 15 anos, podia falar de Jesus como aquele “cujo coração bate em uníssono com o meu”. Uma das suas irmãs tomou como nome religioso “Irmã Maria do Sagrado Coração”, e o mosteiro onde Teresinha entrou era dedicado ao Sagrado Coração. Escreveu numa carta a um padre: “Desde que me foi dada a graça de compreender também o amor do coração de Jesus, admito que ele expulsou todo o medo do meu coração. A lembrança das minhas faltas humilha-me, leva-me a nunca depender da minha força, que é apenas fraqueza, mas esta lembrança fala-me de misericórdia e de amor ainda mais”.

S. João da Cruz (1542–1591)
S. João da Cruz via a imagem do lado trespassado de Cristo como um convite à união plena com o Senhor. Na sua poesia, retratou Cristo como um veado ferido, consolado pela alma que se volta para ele. João procurou explicar que, na experiência mística, o amor infinito de Cristo ressuscitado “condescende” para nos permitir, através do coração aberto de Cristo, experimentar um encontro de amor verdadeiramente recíproco.

S. Ambrósio (340–397)
A encíclica cita repetidamente S. Ambrósio, que ofereceu uma reflexão sobre Jesus como a fonte de “água viva”. Escreveu: “Bebei de Cristo, pois ele é a rocha que faz jorrar uma torrente de água. Bebei de Cristo, pois ele é a fonte da vida. Bebei de Cristo, pois ele é o rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. Bebei de Cristo, pois ele é a nossa paz. Bebei de Cristo, pois do seu lado flui água viva”.

S. Agostinho (354–430)
S. Agostinho “abriu o caminho para a devoção ao Sagrado Coração como o lugar do nosso encontro pessoal com o Senhor”, segundo Dilexit Nos. “Para Agostinho, o lado ferido de Cristo não é apenas a fonte da graça e dos sacramentos, mas também o símbolo da nossa união íntima com Cristo, o cenário de um encontro de amor”. Nos seus “Tratados sobre o Evangelho de João”, Agostinho reflete sobre como, quando João, o discípulo amado, se reclinou no peito de Jesus na Última Ceia, ele aproximou-se do lugar secreto da sabedoria.

S. Inácio de Loyola (1491–1556)
Nos seus “Exercícios Espirituais”, S. Inácio encoraja os que fazem retiros a contemplar o lado ferido do Senhor crucificado para entrar no coração de Cristo. Inácio fundou a Companhia de Jesus, também conhecida como os Jesuítas, que promove a devoção ao coração divino de Jesus há mais de um século. A companhia foi consagrada ao Sagrado Coração de Jesus em 1871.

S. Daniel Comboni (1831–1881)
S. Daniel Comboni via o coração de Jesus como a fonte de força para o seu trabalho missionário em África. Fundou os Filhos do Sagrado Coração de Jesus, hoje conhecidos como Missionários Combonianos do Coração de Jesus, bem como as Irmãs Missionárias Combonianas. O santo missionário disse uma vez: “Este coração divino, que se deixou trespassar pela lança de um inimigo para derramar através dessa ferida sagrada os sacramentos pelos quais a Igreja foi formada, nunca deixou de amar”.
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