A Pedra Antes do Túmulo de Jesus: Quão grande era?




  • A pedra usada para selar o túmulo de Jesus era provavelmente uma grande pedra em forma de disco esculpida em calcário local, pesando entre 1 a 2 toneladas. Servia tanto para propósitos práticos, como dissuadir ladrões de sepulturas, quanto para propósitos simbólicos, representando a finalidade da morte que Jesus superaria através da ressurreição.
  • José de Arimateia, possivelmente assistido por outros, rolou a pedra na frente do túmulo de Jesus depois de seu enterro. A selagem do túmulo pode ter incluído medidas de segurança adicionais, como selos romanos, para evitar adulterações, refletindo a ansiedade dos oponentes de Jesus.
  • Os Evangelhos descrevem a remoção da pedra como um ato divino, com um anjo rolando-a, significando a ressurreição de Jesus. Este acontecimento é visto como um símbolo do poder de Deus sobre a morte, quebrando a barreira entre a vida e a morte, e convidando os crentes a testemunhar a ressurreição.
  • Os primeiros Padres da Igreja interpretaram a remoção da pedra como um símbolo da transição da Antiga Aliança para a Nova, a vitória sobre o pecado e a morte, e um desafio à incredulidade humana. Eles enfatizaram a remoção da pedra como um chamado à fé e à transformação, encorajando os crentes a abraçar o poder da ressurreição em suas vidas.

Que tipo de pedra foi utilizada para selar o túmulo de Jesus?

Os túmulos daquela época eram tipicamente selados com grandes pedras em forma de disco esculpidas em calcário local. Este calcário, abundante na região, era macio o suficiente para ser facilmente trabalhado, mas durável o suficiente para servir a sua finalidade solene. Podemos imaginar esta pedra pálida, talvez tingida de tonalidades de creme ou cinzento, em pé como sentinela silenciosa diante da entrada do local de descanso do Senhor.

Psicologicamente, a utilização de uma pedra tão substancial revela a finalidade com que os seguidores de Jesus viram a sua morte. Na sua dor e desespero, esta pesada barreira representava a divisão aparentemente intransponível entre a vida e a morte. No entanto, como sabemos, nenhuma pedra – por mais maciça que seja – poderia conter o poder do amor de Deus e o milagre da Ressurreição.

Historicamente, devemos considerar também os aspectos práticos. A pedra precisava ser grande e pesada o suficiente para deter os ladrões de túmulos, uma preocupação comum naquele tempo e lugar. Também serviu para proteger o corpo dos animais. A forma do disco permitiu que ele fosse enrolado no lugar, um design eficiente que vemos repetido em muitos túmulos do período.

Fico impressionado com a forma como esta pedra simboliza os obstáculos que muitas vezes colocamos entre nós e a graça de Deus. Como as mulheres que se aproximaram do túmulo naquela primeira manhã de Páscoa, também nós podemos perguntar-nos: «Quem nos fará rolar a pedra?» (Marcos 16:3). No entanto, temos de confiar que o amor de Deus pode superar qualquer barreira, tal como o anjo afastou sem esforço esta grande pedra (Goodacre, 2021, pp. 134-148; Kloner, 1999, pp. 22-76)

Quão pesada era a pedra que cobria a entrada do túmulo de Jesus?

A questão da pedra peso no túmulo de nosso Senhor É aquele que tem intrigado tanto os estudiosos como os crentes durante séculos. Embora os Evangelhos não nos forneçam uma medição precisa, podemos fazer algumas estimativas educadas com base em descobertas arqueológicas e no contexto histórico.

Pedras típicas de túmulos de Jerusalém do primeiro século eram substanciais. Os estudiosos sugerem que eles poderiam ter pesado de 1 a 2 toneladas (aproximadamente 907 a 1.814 kg). Este imenso peso serviu a propósitos práticos e simbólicos. Praticamente, dissuadiu os ladrões de túmulos e protegeu a santidade do local do enterro. Simbolicamente, representava a finalidade da morte – uma finalidade que o nosso Senhor ultrapassaria em breve.

Psicologicamente, o peso desta pedra é maior. Para os discípulos, em seu estado de pesar e desespero, deve ter parecido um obstáculo intransponível. Este peso espelhava o peso em seus corações, o peso esmagador da perda e as esperanças despedaçadas. No entanto, muitas vezes é quando nos sentimos mais sobrecarregados que estamos à beira da transformação.

Historicamente, devemos considerar o feito de engenharia envolvido em mover tal pedra. Teria sido necessário vários homens fortes para rolá-lo no lugar, usando alavancagem e talvez rolos de madeira. Este esforço colaborativo fala do aspeto comunitário das práticas funerárias no tempo de Jesus, em que cuidar dos mortos era uma responsabilidade partilhada.

Lembro-me de como muitas vezes percebemos nossos próprios fardos como muito pesados para suportar. Como as mulheres que se aproximam do túmulo, podemos perguntar: "Quem nos fará rolar a pedra?" (Marcos 16:3). No entanto, devemos lembrar-nos de que o que nos parece impossível é fácil para Deus. A fácil remoção desta pesada pedra pelo anjo prenuncia o milagre ainda maior que está por vir – a conquista da própria morte.

Em nossas próprias vidas, podemos encontrar obstáculos que parecem tão imóveis como esta grande pedra. Mas tomemos o coração, porque servimos a um Deus que pode mover montanhas, que pode rolar qualquer pedra que nos afaste do seu amor e da sua graça (Goodacre, 2021, pp. 134-148; Kloner, 1999, pp. 22-76; Magness, 2005, p. 121)

Quem rolou a pedra em frente ao túmulo de Jesus depois do seu enterro?

Tradicionalmente, era da responsabilidade daqueles que enterravam o falecido selar o túmulo. No caso de Jesus, sabemos pelos Evangelhos que José de Arimateia, um membro rico e respeitado do Sinédrio, encarregou-se do enterro. O Evangelho de Mateus diz-nos: «José tomou o corpo, envolveu-o num pano de linho limpo e colocou-o no seu novo túmulo que tinha cortado da rocha. Ele rolou uma grande pedra em frente à entrada do túmulo e foi-se embora" (Mateus 27:59-60).

Historicamente, é provável que José não tenha agido sozinho. Dado o peso da pedra, que discutimos pode chegar a 2 toneladas, teriam sido necessários vários homens fortes para a colocar no lugar. José pode ter sido assistido pelos seus servos, ou talvez por Nicodemos, que o Evangelho de João nos diz ter trazido uma mistura de mirra e aloés para o enterro de Jesus (João 19:39-40).

Psicologicamente, o ato de selar o túmulo teria sido um momento profundamente emocional para estes seguidores de Jesus. Representava a finalidade da morte, o fim de suas esperanças e sonhos. No entanto, ao realizarem esta ação, demonstraram também o seu amor e respeito por Jesus, assegurando-lhe um enterro adequado, apesar das circunstâncias da sua morte.

Fico impressionado com a coragem e a devoção demonstradas por José e por aqueles que o ajudaram. Numa época de grande perigo e desespero, quando a maioria dos discípulos de Jesus tinha fugido, estas pessoas deram um passo à frente para cuidar do seu Senhor. As suas ações recordam-nos que, mesmo nos nossos momentos mais sombrios, somos chamados a agir com amor e dignidade.

Como foi selado o túmulo de Jesus para impedir a entrada?

A selagem do túmulo de nosso Senhor era uma questão de grande importância, tanto prática como simbolicamente. Embora os Evangelhos nos forneçam os traços amplos deste evento, as evidências arqueológicas e o contexto histórico ajudam-nos a pintar um quadro mais detalhado.

O principal método de selar o túmulo foi, é claro, a grande pedra que discutimos. Esta pedra em forma de disco teria sido rolada através da entrada do túmulo, bloqueando efetivamente o acesso. O peso e o tamanho da pedra dificultaram a movimentação, servindo como um impedimento para potenciais ladrões de túmulos ou animais.

Mas podem ter sido tomadas medidas adicionais para proteger o túmulo. O Evangelho de Mateus menciona que os principais sacerdotes e fariseus foram a Pilatos e disseram: «Senhor, lembramo-nos de que, enquanto ele ainda estava vivo, aquele enganador disse: «Depois de três dias ressuscitarei.» Ordena, pois, que o sepulcro fique seguro até ao terceiro dia» (Mateus 27:63-64). Pilatos respondeu: «Vai, torna o sepulcro tão seguro como sabes» (Mateus 27:65).

Isto sugere que, além da pedra, pode ter havido selos oficiais colocados no túmulo. Na prática romana, isso muitas vezes envolvia esticar cordas através da pedra e selá-las com argila ou cera impressa com um selo oficial. Quebrar tal selo teria sido uma ofensa punível, acrescentando um impedimento legal a qualquer adulteração.

Psicologicamente, estas medidas de selagem refletem a ansiedade e o medo dos adversários de Jesus. Procuraram assegurar que o túmulo permanecesse intacto, talvez preocupados com a possibilidade de os seguidores de Jesus tentarem roubar o corpo e reivindicar uma ressurreição. Ironicamente, seus esforços para impedir o engano só serviram para tornar o verdadeiro milagre da Ressurreição ainda mais evidente.

Acho fascinante como estas medidas de segurança, destinadas a conter e controlar, acabaram por se tornar testemunhas do poder de Deus. Quando as mulheres chegaram ao túmulo naquela primeira manhã de Páscoa, encontraram a pedra rolada e os selos quebrados, não por mãos humanas por intervenção divina.

Como era o túmulo de Jesus com base em provas arqueológicas?

As escavações arqueológicas revelaram que os indivíduos ricos do tempo de Jesus eram frequentemente enterrados em túmulos escavados em rochas. Estes foram esculpidos nas encostas de calcário macio em torno de Jerusalém. O túmulo normalmente consiste de uma pequena entrada que leva a uma ou mais câmaras funerárias. A entrada era geralmente baixa, o que exigia que alguém se inclinasse para entrar, talvez explicando por que João «dobrava-se e olhava para as tiras de linho ali deitadas» (João 20:5).

No interior, a câmara principal muitas vezes tinha bancos esculpidos ao longo dos lados. Estes bancos, ou arcossolia, eram onde os corpos seriam colocados durante o período inicial de decomposição. O túmulo também pode conter nichos menores, chamados loculi ou kokhim, cortados perpendicularmente às paredes, onde os ossos podiam ser armazenados depois que a carne se deteriorasse.

Dado que José de Arimateia é descrito como um homem rico e que foi «o seu novo túmulo que ele cortou da rocha» (Mateus 27:60), podemos imaginar o local do enterro de Jesus como sendo deste tipo. Era provavelmente um túmulo familiar, espaçoso o suficiente para acomodar vários enterros ao longo do tempo, embora o corpo de Jesus tenha sido o primeiro a ser colocado lá.

Psicologicamente, o desenho destes túmulos reflete a compreensão judaica da morte e da vida após a morte na época. O cuidado tomado na preparação destes locais de descanso fala de uma crença na importância do enterro adequado e da esperança da ressurreição.

Acho digno de nota que estes túmulos cortados na rocha foram muitas vezes reutilizados ao longo de gerações. Este contexto acrescenta profundidade à nossa compreensão dos relatos evangélicos, que enfatizam que Jesus foi colocado num «novo túmulo em que nunca ninguém tinha sido colocado» (João 19:41). Este pormenor sublinha a natureza única do enterro de Jesus e da sua subsequente ressurreição.

Quem afastou a pedra do túmulo de Jesus na manhã de Páscoa?

No Evangelho de Mateus, lemos uma cena dramática – um grande terramoto ocorre quando um anjo do Senhor desce do céu, faz rolar a pedra e senta-se sobre ela. Os guardas do túmulo são vencidos com medo por esta ocorrência sobrenatural. O relato de Mark é mais moderado, afirmando simplesmente que, quando as mulheres chegaram, viram que a pedra já tinha sido rolada. Lucas também observa que a pedra foi rolada quando as mulheres chegaram ao túmulo. O Evangelho de João narra que Maria Madalena encontrou a pedra removida naquela primeira manhã de Páscoa.

Historicamente, devemos reconhecer que estes relatos variados refletem as tradições orais e as ênfases teológicas das primeiras comunidades cristãs. Reconheço como uma experiência tão transformadora seria processada e recordada de forma diferente por várias testemunhas. O ponto-chave salientado nas narrativas evangélicas é que a remoção da pedra não foi obra de mãos humanas, um ato divino que significa o poder de Deus sobre a morte.

A Igreja primitiva entendeu esta remoção milagrosa da pedra como um sinal da vitória de Cristo sobre a sepultura. Não se tratava apenas de fornecer acesso físico ao túmulo para demonstrar que os laços da morte tinham sido quebrados. A pedra que tinha selado Jesus na morte tinha sido posta de lado, revelando o túmulo vazio e anunciando a ressurreição.

Onde se encontra hoje a pedra do túmulo de Jesus?

Historicamente sabemos que o local venerado como O túmulo de Jesus foi a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém desde o século IV. Mas a pedra original que selou o túmulo não está preservada lá. A igreja sofreu numerosas destruições, reconstruções e renovações ao longo dos séculos. A estrutura atual data em grande parte do período cruzado, com a área do túmulo em si fechada em um edifício mais recente do século XIX.

Evidências arqueológicas sugerem que os túmulos judaicos do século I em Jerusalém normalmente usavam grandes pedras em forma de disco para selar a entrada. Estes podem ser enrolados em uma ranhura para abrir ou fechar o túmulo. Mas tal pedra não permanece hoje na Igreja do Santo Sepulcro. A entrada para o local tradicional do túmulo de Jesus é agora marcada por uma grande laje de pedra conhecida como a Pedra da Unção. Trata-se de uma adição muito posterior, e não da pedra de selagem original.

Reconheço o nosso desejo humano de ligações tangíveis a eventos espirituais poderosos. Desejamos tocar, ver, concretizar aquilo que, em última análise, é uma questão de fé. No entanto, talvez a ausência da pedra original nos convide a uma reflexão mais profunda. A nossa fé não se baseia em relíquias sobre a presença viva de Cristo entre nós.

Os Evangelhos não enfatizam a pedra em si a sua remoção como um sinal de ressurreição. O anjo proclamou às mulheres: «Não está aqui; ressuscitou!" (Mateus 28:6). O túmulo vazio, mais do que qualquer artefacto físico, testemunha esta verdade.

Encorajo-vos a procurar Cristo não nas pedras antigas, nos rostos daqueles que vos rodeiam, nos gestos de amor e de serviço, na partilha do pão. Pois é ali que encontramos verdadeiramente o Senhor ressuscitado. Sejamos pedras vivas, construamos a Igreja através da nossa fé e do nosso testemunho. Embora possamos não saber a localização dessa pedra original, podemos estar certos de que o poder da ressurreição de Cristo continua a rolar as pedras que sepultam os nossos corações, chamando-nos para uma nova vida nEle.

O que dizem os Evangelhos sobre a pedra no túmulo de Jesus?

No Evangelho de Marcos, o primeiro relato escrito, ouvimos a preocupação das mulheres à medida que se aproximam do túmulo: "Quem nos tirará a pedra da entrada do sepulcro?" (Marcos 16:3). Esta preocupação prática ressalta a realidade física da morte e do enterro. No entanto, à chegada, eles encontram a pedra já rolada para trás, um sinal de que algo extraordinário ocorreu. Marcos descreve-o como «muito grande» (Marcos 16:4), sublinhando a natureza milagrosa da sua remoção.

O relato de Mateus é mais dramático. Ele fala de um "grande terramoto" quando um anjo do Senhor desce do céu e faz rolar a pedra (Mateus 28:2). Este acontecimento cósmico significa a intervenção divina, a quebra do poder de Deus para vencer a morte. A pedra torna-se um trono para o anjo, que proclama a ressurreição para as mulheres.

Lucas, como Marcos, simplesmente afirma que as mulheres encontraram a pedra rolada para longe do túmulo (Lucas 24:2). Concentra-se menos na própria pedra e mais no túmulo vazio que revela e na mensagem angélica que se segue.

O Evangelho de João menciona a pedra no contexto da descoberta do túmulo vazio por Maria Madalena. Ela vê que a pedra foi removida (João 20:1), o que a leva a correr e contar a Pedro e ao discípulo amado.

Observo como estes relatos refletem as tradições orais dos primórdios, cada um enfatizando diferentes aspectos do evento da ressurreição. Reconheço como o trauma e as experiências transformadoras podem levar a lembranças variadas entre as testemunhas.

Os Evangelhos apresentam a pedra como um símbolo da barreira entre a vida e a morte, entre a velhice e a nova era inaugurada pela ressurreição de Cristo. A sua remoção significa que a morte já não tem a palavra final. A pedra que uma vez selou Jesus na morte torna-se um sinal de sua vitória sobre a sepultura.

Como se relaciona a remoção da pedra com a ressurreição de Jesus?

A remoção da pedra do túmulo de Jesus está intimamente ligada ao mistério da sua ressurreição. Este acto aparentemente simples carrega um poderoso significado teológico e espiritual que fala ao próprio coração da nossa fé.

A remoção da pedra serve de sinal visível da realidade invisível da ressurreição. Nas narrativas evangélicas, é a primeira prova tangível de que algo extraordinário aconteceu. As mulheres que vêm ungir o corpo de Jesus são confrontadas com esta visão inesperada – a pedra maciça rolada, o túmulo aberto. Esta mudança física aponta para a maior transformação espiritual que ocorreu: A morte foi vencida, e uma nova vida surgiu.

Psicologicamente, podemos compreender a pedra como um símbolo da finalidade da morte – a barreira que separa os vivos dos mortos. A sua remoção representa a quebra dessa barreira, desafiando os nossos medos mais profundos e as nossas suposições sobre a mortalidade. Os discípulos, em sua dor e desespero, não podiam imaginar como Jesus podia vencer a morte. A pedra rolada confronta-os com uma nova realidade que amplia a sua compreensão e exige uma reorientação radical da sua fé.

Historicamente, sabemos que os túmulos foram selados para proteger os corpos internos de distúrbios. A remoção da pedra, portanto, não se trata apenas de fornecer acesso ao túmulo para demonstrar que as regras normais da morte já não se aplicam. É uma declaração de que o poder de Deus interveio na ordem natural de uma forma sem precedentes.

Teologicamente, a remoção da pedra está intimamente ligada à própria ressurreição. Não é que Jesus precisasse da pedra removida para sair do túmulo – o Cristo ressuscitado, como vemos em aparições posteriores, não está vinculado por barreiras físicas. Pelo contrário, o túmulo aberto serve de testemunho aos discípulos e a todos os crentes. Convida-nos a «vir e ver» (Mateus 28:6) o lugar onde Jesus estava, a encontrar as evidências da ressurreição e a crer.

A remoção da pedra inicia um movimento da escuridão para a luz, do recinto para a abertura, da morte para a vida. É paralelo ao caminho espiritual a que todos os cristãos são chamados – permitir que Cristo lance fora as pedras que nos sepultam no pecado, no medo e na incredulidade, e que saia para a luz da vida nova n'Ele.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre a pedra no túmulo de Jesus?

Muitos dos Padres viram na pedra um poderoso símbolo da Antiga Aliança dando lugar ao Novo. Assim como a pedra foi enrolada para revelar o túmulo vazio, também o véu da antiga lei foi enrolado para revelar a glória do Evangelho. Santo Agostinho, o grande bispo de Hipona, escreveu: «A remoção da pedra significa a abertura dos mistérios que estavam escondidos pelo véu da lei e dos profetas.»

Psicologicamente, podemos apreciar como os Padres entendiam que a pedra representava o peso do pecado e da morte que pesavam sobre a humanidade. A sua remoção pelo poder divino falou-lhes da vitória de Deus sobre estas forças. São João Crisóstomo, o pregador de boca dourada, declarou: «A pedra foi rolada, para não permitir que o Senhor se levantasse para mostrar que já tinha ressuscitado.»

Os Padres também viram na pedra um desafio à incredulidade humana. São Gregório Magno ensinou que, assim como a pedra foi rolada para longe do túmulo, também a pedra da dureza deve ser rolada para longe de nossos corações para permitir que a fé entre. Isto nos convida a considerar como podemos ser resistentes ao poder transformador da ressurreição em nossas próprias vidas.

Historicamente, sabemos que a Igreja primitiva enfrentou perseguição e ceticismo. Os Padres usaram a imagem da pedra rolada para reforçar a fé dos crentes e para contrariar as acusações de que os discípulos haviam de alguma forma fabricado a ressurreição. Alegaram que a natureza pública do enterro de Jesus e a presença da guarda romana tornavam esse engano impossível.

Orígenes, o grande teólogo alexandrino, viu no anjo sentado sobre a pedra um sinal da vitória de Cristo sobre a morte. Escreveu: «O anjo sentou-se sobre a pedra para mostrar que todo o poder da morte tinha sido posto em sujeição sob os pés de Cristo.»

Alguns Padres, como Santo Ambrósio de Milão, traçaram paralelos entre a pedra do túmulo de Jesus e a pedra que cobria o poço na história de Jacó e Raquel (Génesis 29). Tal como aquela pedra foi enrolada para fornecer água vivificante, também a pedra do túmulo foi removida para revelar a fonte da vida eterna.

Estes ensinamentos dos Padres recordam-nos que cada detalhe da narrativa evangélica é rico de significado. Convidam-nos a contemplar mais profundamente os mistérios da nossa fé e a permitir-lhes transformar a nossa vida. Como os primeiros crentes, somos chamados a ser testemunhas do poder da ressurreição, a proclamar que Cristo arrebatou a pedra da morte e nos abriu o caminho para a vida eterna.

Que nós, inspirados pela sabedoria dos Padres, nos aproximemos do túmulo vazio com reverência e alegria, permitindo que Cristo ressuscitado afaste quaisquer pedras que possam estar a bloquear o nosso caminho para uma fé mais plena e um discipulado mais profundo.

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