
O que é um cristão? Uma jornada ao coração da nossa fé
Nos momentos de silêncio das nossas vidas, talvez durante uma oração matinal ou na quietude de uma noite difícil, uma questão fundamental pode surgir nos nossos corações: O que significa verdadeiramente ser cristão? Para aqueles de nós que percorrem este caminho de fé, esta pergunta não é uma busca por uma definição de dicionário. É um desejo sincero de nos reconectarmos com o próprio núcleo da nossa identidade, de compreender mais profundamente quem somos aos olhos de Deus. É uma jornada de volta ao início, ao próprio coração da nossa esperança.
Esta jornada leva-nos de volta a quase dois mil anos, a uma cidade movimentada chamada Antioquia. Foi lá que algo tão notável estava a acontecer, algo tão novo, que o mundo precisava de uma palavra nova para o descrever.¹ Os seguidores de Jesus viviam com um amor e um compromisso tão distintos que aqueles que observavam de fora começaram a chamá-los de
não denominacionais.³ Este nome, que significa literalmente “seguidores de Cristo”, pode ter começado como um insulto, uma forma de rotular este estranho novo grupo.¹ Mas os crentes abraçaram-no como um “distintivo de honra”, um belo testemunho daquele que seguiam.³ A sua fé não era um sentimento privado e interno; era tão visível e transformadora que não podia ser ignorada.
Este artigo é um convite para redescobrir a resposta poderosa e bela a essa pergunta. Ser cristão não se trata de pertencer a uma determinada cultura, partido político ou herança familiar.⁴ Não se trata de seguir uma lista de regras ou simplesmente ser uma “boa pessoa”. Trata-se de um relacionamento pessoal, vivo e pulsante com Jesus Cristo, um relacionamento que tem o poder de mudar tudo.

O que significa verdadeiramente ser um “seguidor de Cristo”?
No seu âmago, a identidade de um cristão está envolvida na pessoa de Jesus Cristo. O próprio nome conta toda a história. A palavra “Cristo” vem da palavra grega Christos, que significa “Ungido”. Esta era a tradução grega da palavra hebraica “Messias”, o Salvador há muito esperado prometido por Deus.¹ Portanto, um “cristão” é, de forma simples e profunda, um seguidor do Ungido, Jesus.¹ Este nome ancora a nossa identidade não numa filosofia ou num conjunto de regras, mas numa pessoa.
Um Relacionamento, Não Apenas uma Religião
Ser cristão é estar num relacionamento pessoal com Jesus. Significa confiar n'Ele como o seu Salvador, aquele que o resgata, e segui-Lo como o seu Senhor, aquele que guia a sua vida.⁵ Este relacionamento não é algo em que se nasce ou que se pode herdar da família. É uma decisão profundamente pessoal, um compromisso que flui de uma “conversão do coração”.⁴ Como expressou uma pessoa que buscava a fé, simplesmente “começa-se com Cristo exatamente de onde se está agora”.⁶
Seguir Jesus é mais do que apenas concordar com os Seus ensinamentos. É uma vida de devoção onde Ele ocupa um lugar de “significado único”.¹ É uma vida onde se passa a ver Jesus como “infinitamente mais valioso do que o sofrimento terreno”, escolhendo segui-Lo independentemente do custo.⁴ Este relacionamento leva a uma vida genuinamente transformada, uma vida onde se “apostou tudo em Jesus”.⁴ Nas palavras de um crente, ser cristão é belamente simples e inclusivo: significa ser “um discípulo ou seguidor de Cristo”.⁷

Quais são as crenças fundamentais que nos unem como cristãos?
Embora a família de Deus seja vasta e diversa, estamos unidos por uma bela história de crenças partilhadas. Estas não pretendem ser uma lista de verificação para a entrada no céu, mas são as verdades vivificantes que formam a base da nossa fé e esperança comuns. Através de diferentes denominações e culturas, estes elementos essenciais unem-nos como um só corpo em Cristo.⁵ No início da história da igreja, os líderes reuniram-se em concílios, como o Concílio de Niceia, para articular em oração estas verdades fundamentais em declarações como o Credo Niceno, que serviu como referência da fé cristã durante séculos.⁵
Único Deus Verdadeiro
No centro da nossa fé está a crença num só Deus, o amoroso Criador e Sustentador do universo.¹⁰ Acreditamos que este único Deus existe em três pessoas distintas, mas iguais: Deus Pai, Deus Filho (Jesus Cristo) e Deus Espírito Santo. Este belo mistério é conhecido como a Trindade.⁸
A Pessoa e a Obra de Jesus Cristo
Jesus é o coração do cristianismo. Acreditamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que é simultaneamente plenamente Deus e plenamente humano.¹¹ Ele é o Messias, o Salvador prometido por Deus no Antigo Testamento.⁸
Isto leva à mensagem central da nossa fé, o Evangelho, que significa “boas novas”.² O evangelho é a história do amor incrível de Deus por nós:
- Jesus viveu uma vida perfeita e sem pecado.
- Ele morreu voluntariamente numa cruz, oferecendo-Se como o sacrifício perfeito para pagar a penalidade pelos nossos pecados e salvar-nos da separação eterna de Deus.²
- Três dias depois, Deus ressuscitou-O dos mortos, provando a Sua vitória sobre o pecado e a morte.²
Esta morte sacrificial e ressurreição triunfante são o fundamento da nossa salvação e da nossa esperança.¹¹
A Palavra Inspirada de Deus
Os cristãos acreditam que a Bíblia Sagrada, composta pelo Antigo e Novo Testamentos, é a Palavra inspirada de Deus.¹⁰ Não é apenas uma coleção de histórias antigas, mas a revelação divina de Deus à humanidade.¹³ Acreditamos que contém tudo o que precisamos de saber para a salvação e é o nosso guia de confiança para viver uma vida que agrada a Deus.¹⁴
A Nossa Esperança Futura
A nossa fé não é apenas sobre o passado e o presente; está ancorada num futuro glorioso. Acreditamos que Jesus voltará um dia à terra, que haverá um julgamento final e que todos os que depositaram a sua fé n'Ele receberão o dom da vida eterna na presença de Deus.²

Como alguém começa esta jornada de fé?
Tornar-se cristão é a decisão mais importante que alguém pode tomar, mas não é um processo complicado. Não se trata de conquistar o seu caminho até Deus, mas de responder ao Seu amoroso convite. A jornada começa com a graça incrível de Deus e é correspondida pela nossa fé simples e sincera.
Um Convite Divino de Amor
O primeiro passo no caminho da fé é perceber que é profunda e incondicionalmente amado por Deus.¹⁶ O versículo mais famoso da Bíblia diz-nos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).¹⁷ Esta jornada não começa com a nossa busca por Deus, mas com a Sua busca amorosa por nós. Algumas tradições cristãs enfatizam belamente que Deus escolhe e chama soberanamente as pessoas para Si, destacando que a nossa salvação começa inteiramente com a Sua graça.⁴ Ele estende-nos a mão primeiro.
Um Reconhecimento Honesto da Nossa Necessidade
Para apreciar plenamente as boas novas, devemos primeiro compreender as más notícias. A Bíblia é honesta sobre a condição humana: todos pecámos, o que significa que todos ficámos aquém do padrão perfeito de Deus.¹⁶ Este pecado cria uma separação entre nós e um Deus santo. A Bíblia chama-nos ao
Repent, que é mais do que apenas sentir pena dos nossos erros. A palavra original significa “mudar de mentalidade” ou “dar meia-volta”.¹⁶ É uma decisão consciente de abandonar uma vida de pecado e egocentrismo e voltar-se para Deus.⁶
Um Passo de Fé e Confiança
Este voltar-se para Deus é realizado através da fé. A fé não é apenas acreditar em certos factos sobre Jesus; é depositar a sua confiança pessoal n'Ele e no que Ele fez por si.⁹ É acreditar no seu coração que Jesus morreu na cruz pelos seus pecados específicos, que Deus O ressuscitou dos mortos e, em seguida, comprometer a sua vida a segui-Lo como seu Senhor e Salvador.⁹
O Apóstolo Paulo torna isto belamente claro: “se com a tua boca confessares que Jesus é Senhor e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Romanos 10:9).¹⁷ Este passo de fé pode ser expresso através de uma oração simples e honesta do coração. Muitos encontraram o seu caminho para Cristo orando algo como isto:
“Querido Senhor Jesus, eu sei que sou um pecador. Arrependo-me dos meus pecados, sei que és o Filho de Deus e morreste pelos meus pecados. Por favor, entra no meu coração. Faço de Ti o meu Senhor e Salvador. Amém.” 9
O Milagre de uma Nova Vida
Quando uma pessoa dá este passo de arrependimento e fé, um milagre acontece. A Bíblia chama a isto “nascer de novo”.²⁰ Nesse momento, os seus pecados são perdoados, é adotado na família de Deus como Seu filho amado e recebe o dom do Espírito Santo, que vem habitar dentro de si para o guiar e capacitar.²⁰ Este não é o fim da jornada, mas o belo início de uma nova aventura de toda uma vida de crescimento no seu relacionamento com Deus.¹⁹

Como, então, deve viver um cristão?
Tornar-se cristão é o início de uma bela transformação. A vida cristã não se trata de alcançar a perfeição, mas de uma caminhada diária de fé, capacitada pelo Espírito de Deus e motivada por um amor profundo por Aquele que nos salvou. É uma jornada de nos tornarmos mais semelhantes a Jesus dia após dia.
Uma Vida Motivada pelo Amor
O motor da vida cristã é o amor. Quando solicitado a resumir todas as leis de Deus, Jesus deu dois mandamentos simples: Ama o Senhor teu Deus de todo o teu coração, alma e mente, e ama o teu próximo como a ti mesmo.²² Este amor torna-se o “princípio orientador” da vida de um crente.²³ De facto, Jesus disse que é assim que o mundo saberá que somos Seus seguidores: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).⁵
Uma Caminhada de Fé Diária
A vida cristã é vivida pela mesma fé que a iniciou. É uma escolha diária de confiar em Deus. Isto envolve o que a Bíblia chama de “morte para o eu” — a decisão momento a momento de deixar de lado os nossos próprios desejos egoístas, ambições e orgulho, e, em vez disso, procurar viver para Cristo.²⁴ Como escreveu o Apóstolo Paulo: “Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).²⁴
Isto não é algo que fazemos com as nossas próprias forças. A verdade maravilhosa é que o mesmo Deus que nos salvou também nos capacita a viver para Ele. Somos chamados a esforçar-nos e a fazer um esforço, mas fazemo-lo com a confiança de que é o próprio Deus quem está a trabalhar dentro de nós através do Seu Espírito Santo.²³
Práticas que Nutrem as Nossas Almas
Para nos ajudar a crescer, Deus deu-nos belos dons e práticas:
- The Bible: A Palavra de Deus é o nosso alimento espiritual. Lê-la diariamente dá-nos o conforto, a orientação, a correção e o encorajamento de que precisamos para navegar na vida.²³ Ela transforma o nosso pensamento e ajuda-nos a compreender o coração de Deus.¹⁴
- Oração: Orar é simplesmente ter uma conversa com Deus. É uma oportunidade preciosa para partilhar os nossos corações com Ele, para buscar a Sua sabedoria e para construir um relacionamento mais íntimo.²³
- O Espírito Santo: Quando nos tornamos cristãos, o Espírito Santo vem viver dentro de nós. Ele é o nosso Ajudador e Guia constante. Ele dá-nos força para superar a tentação e produz o Seu belo “fruto” nas nossas vidas, como amor, alegria, paz, paciência e bondade.²⁰
- Comunidade da Igreja: Não fomos feitos para viver a vida cristã sozinhos. Fazer parte de uma igreja local proporciona uma família espiritual para encorajamento, responsabilidade e adoração a Deus em conjunto.¹⁰ É na comunhão com outros crentes que a nossa fé é fortalecida e somos equipados para servir os outros.²³

Somos um só corpo, mas muitos membros: como entendemos as diferentes denominações?
Uma das belas realidades do Cristianismo é que se trata de uma fé global e histórica. Quando se torna cristão, junta-se a uma família de milhares de milhões de crentes que abrange todos os continentes e remonta a dois milénios. Dentro desta vasta família, existem diferentes grupos conhecidos como denominações. Esta diversidade pode, por vezes, ser confusa, mas não tem de ser uma fonte de divisão. No seu âmago, estas diferentes expressões de fé fazem todas parte do único corpo de Cristo.²⁶
As denominações são ramos distintos dentro do Cristianismo que se formaram ao longo de séculos devido a diferenças em aspetos como o estilo de adoração, a liderança e a interpretação de certas doutrinas.²⁶ Embora estas diferenças sejam reais, a maioria das denominações cristãs reconhece-se mutuamente como companheiros crentes em Jesus, unidos por uma fé partilhada nas verdades essenciais do evangelho e por um batismo comum.²⁶
Os três principais ramos históricos do Cristianismo são o Catolicismo Romano, a Ortodoxia Oriental e o Protestantismo, dos quais emergiram a maioria das denominações modernas.² A tabela seguinte oferece uma visão geral simples de algumas destas tradições para ajudar a promover a compreensão e o apreço pela rica diversidade dentro da nossa fé partilhada.
| tradição | Autoridade primária | Visão da Salvação | Sacramentos/Ordenanças | Governança da Igreja |
|---|---|---|---|---|
| Católica Romana | Escritura e Tradição Sagrada, interpretadas pelo Magistério (o ofício de ensino da Igreja).29 | Justificação pela graça de Deus através da fé, que se expressa numa vida de fé e boas obras meritórias. É um processo que envolve a participação nos sacramentos.31 | São celebrados sete sacramentos, incluindo o Batismo, a Eucaristia (acreditada como a presença real de Cristo através da transubstanciação) e a Confirmação.29 | Estrutura hierárquica liderada pelo Papa (o Bispo de Roma), seguido por bispos e padres. A sucessão apostólica é uma crença central.27 |
| Ortodoxa Oriental | Escritura e Tradição Sagrada, conforme definidas pelos sete primeiros Concílios Ecuménicos.32 | Um processo vitalício de Teose (deificação ou união com Deus), alcançada através da fé, do amor e da participação ativa na vida e nos Mistérios (sacramentos) da Igreja.28 | Sete sacramentos principais, referidos como Mistérios, incluindo o Batismo e a Sagrada Eucaristia.32 | Episcopal e sinodal. É uma comunhão de igrejas autogovernadas (autocefálicas), com o Patriarca Ecuménico de Constantinopla reconhecido como o “primeiro entre iguais”.33 |
| Batista | Somente a Escritura (Sola Scriptura). É dada grande ênfase à autonomia da igreja local.21 | A salvação é pela graça através da fé apenas em Jesus Cristo. Requer uma experiência de conversão pessoal e uma profissão pública dessa fé.18 | São praticadas duas ordenanças: o Batismo do Crente (por imersão total) e a Ceia do Senhor, que é tipicamente vista como simbólica.36 | Congregacional. Cada igreja local é autónoma e rege os seus próprios assuntos.36 |
| Metodista | A Escritura é a autoridade primária, interpretada através das lentes da tradição, da razão e da experiência (conhecido como o Quadrilátero de Wesley).38 | A graça de Deus está disponível para todas as pessoas (graça preveniente). A salvação é pela fé, que conduz então a uma vida de santidade pessoal e social (santificação).38 | São reconhecidos dois sacramentos: Batismo (para crianças e adultos) e a Sagrada Comunhão, que é tipicamente aberta a todos os que buscam a Cristo (mesa aberta).39 | Conexional. As igrejas locais estão ligadas num sistema de conferências regionais e nacionais, lideradas por bispos.39 |
| Luterana | Somente a Escritura (Sola Scriptura), com o Livro de Concórdia servindo como uma explicação fiel da Escritura.42 | A justificação é apenas pela graça de Deus, apenas pela fé, por causa apenas da obra de Cristo (Sola Fide, Sola Gratia).31 | São praticados dois sacramentos: Batismo (para crianças e adultos) e a Sagrada Comunhão, na qual se acredita que Cristo está verdadeiramente presente.42 | A governação da igreja varia, mas envolve frequentemente uma combinação de estruturas congregacionais e sinodais (ou episcopais).46 |
| Pentecostal | Somente a Escritura (Sola Scriptura) é a autoridade suprema.47 | A salvação é pela graça apenas através da fé. Existe uma forte ênfase numa experiência subsequente chamada Batismo no Espírito Santo para capacitação.48 | São praticadas duas ordenanças: Batismo do Crente (por imersão) e a Ceia do Senhor. Existe uma forte ênfase na presença ativa dos dons espirituais, como falar em línguas e cura divina.48 | A governação é geralmente congregacional, embora as igrejas sejam frequentemente organizadas em comunhões cooperativas ou conselhos para missões e ministério.51 |

Qual é a compreensão da Igreja Católica sobre um cristão?
Para compreender a perspetiva católica sobre o que significa ser cristão, recorremos ao O Catecismo da Igreja Católica, que fornece um resumo autoritativo das suas crenças.⁵² A Igreja Católica mantém uma visão bela e estratificada que afirma uma unidade profunda e fundamental entre todos os crentes, mantendo simultaneamente a sua identidade única.
A principal porta de entrada para a vida cristã é o sacramento do Batismo. O Catecismo ensina que qualquer pessoa que tenha sido validamente batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é “incorporada em Cristo” e tem um verdadeiro “direito de ser chamada cristã”.⁵⁴ Através do Batismo, tornam-se filhos de Deus e são acolhidos na Sua família.⁵⁶ A Igreja Católica aceita estes indivíduos “com respeito e afeto como irmãos” no Senhor.⁵⁴
Embora o Batismo crie este vínculo fundamental, a Igreja Católica ensina que a “única Igreja de Cristo… subsiste na Igreja Católica”.⁵⁵ Isto significa que, embora existam elementos de verdade e santidade noutras comunidades cristãs, a plenitude dos meios de salvação — incluindo a totalidade da fé, os sete sacramentos e a liderança dos sucessores dos apóstolos — encontra-se dentro da Igreja Católica, governada pelo Papa e pelos bispos em comunhão com ele.³⁰
Esta perspetiva permite à Igreja manter duas verdades em harmonia. Por um lado, sustenta que a Igreja Católica é a instituição visível e histórica fundada por Cristo. Por outro lado, reconhece generosamente que o Espírito de Deus está a trabalhar noutras igrejas e comunidades cristãs. O Catecismo afirma que muitos “elementos de santificação e de verdade”, como a Bíblia, uma vida de graça e as virtudes da fé, esperança e caridade, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica.⁵⁴ O Espírito Santo usa estas comunidades como meios de salvação para os seus membros, criando uma comunhão real, embora imperfeita, que une todos os cristãos em Cristo.

É normal ter dúvidas e lutas na minha fé?
Se alguma vez sentiu a pontada da dúvida ou o peso da luta espiritual, por favor, ouça isto com todo o calor e amor de um irmão ou irmã em Cristo: não está sozinho, e isso é absolutamente normal. Uma fé que nunca é testada é uma fé que não pode crescer. As dúvidas e as lutas não são um sinal de que a sua fé está a falhar; muitas vezes, são um sinal de que a sua fé é real e ativa, lutando com os mistérios profundos e poderosos de Deus.⁵⁷
As páginas da Bíblia estão repletas de histórias de gigantes espirituais que tiveram momentos de dúvida poderosa. João Batista, o poderoso profeta que anunciou a vinda de Jesus, enviou uma mensagem da prisão perguntando: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (Mateus 11:3).⁵⁸ Pedro, um dos mais próximos de Jesus, afundou-se nas ondas quando a sua dúvida se tornou maior do que a sua fé (Mateus 14:31).⁵⁸ Tomé declarou famosamente que não acreditaria na ressurreição até que pudesse ver e tocar nas feridas de Jesus (João 20:25).⁵⁸ As suas lutas estão registadas na Escritura para nos dar conforto e coragem.
É vital compreender a diferença entre dúvida e incredulidade. A dúvida é uma luta dentro da fé. Faz perguntas, luta com a incerteza e procura respostas. A incredulidade, contudo, é uma escolha deliberada contra da fé, uma recusa em acreditar apesar da evidência do amor de Deus.⁵⁹ Deus não tem medo das suas perguntas. Ele convida-o a trazer-Lhe as suas dúvidas honestas.
Os cristãos enfrentam frequentemente lutas comuns:
- Culpa por pecados passados: Todos carregamos arrependimentos. Mas a verdade gloriosa do evangelho é que, em Cristo, somos completamente perdoados. Como declara Romanos 8:1, “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.⁶⁰
- Ansiedade sobre o futuro: É fácil ficar sobrecarregado pela preocupação. Mas a nossa fé chama-nos a confiar num Deus que detém o nosso futuro e promete cuidar de nós.⁵⁷
- A dor do sofrimento: A questão de por que um Deus bom permite o sofrimento é talvez a luta mais profunda de todas. A Bíblia não oferece respostas fáceis, mas aponta-nos para a Cruz. Lá, vemos um Deus que não permanece distante da nossa dor, mas entra nela, sofrendo com us and para us.⁶¹
- Sentir que Deus está em silêncio: Existem estações de secura espiritual em que Deus pode parecer distante. Nestes momentos, somos chamados a perseverar na fé, confiando que, mesmo quando não O conseguimos sentir, Ele não nos abandonou.⁶¹
Estas provações não pretendem quebrar-nos, mas edificar-nos. Deus usa-as para purificar a nossa fé, para remover a nossa autoconfiança e para nos atrair para uma dependência mais profunda d'Ele.⁵⁷ Um jovem, que cresceu numa pobreza tão severa que tinha de procurar comida nos caixotes do lixo da escola, olhou mais tarde para trás e viu como Deus usou essas provações para moldar o seu caráter e dar-lhe um coração de compaixão.⁶² Uma mulher que perdeu a mãe devido ao cancro lutou com Deus durante anos, mas através da sua dor, Ele ensinou-lhe o verdadeiro significado da alegria — um contentamento profundo no Seu plano que pode existir mesmo ao lado das lágrimas.⁶³ Na nossa fraqueza, a Sua força é aperfeiçoada.

Quais são as alegrias profundas e as bênçãos desta vida em Cristo?
A vida cristã não é apenas uma jornada de luta e perseverança; é também uma vida cheia de alegria poderosa e inabalável e de inúmeras bênçãos. Esta alegria não é a mesma coisa que a felicidade mundana, que depende das nossas circunstâncias. A alegria cristã é uma alegria profunda e resiliente que está enraizada na verdade imutável de quem Deus é e do que Ele fez por nós.⁶³
A Alegria do Perdão Completo
A primeira e mais fundamental alegria é o alívio incrível de saber que os nossos pecados estão completamente perdoados. Por causa do sacrifício de Jesus, já não existe uma barreira de culpa e vergonha a separar-nos de um Deus santo.⁶⁵ Podemos viver com uma consciência limpa, adotados como filhos amados na família de Deus.
A Bênção da Paz Interior
Jesus prometeu aos Seus seguidores um tipo especial de paz, dizendo: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14:27). Isto é mais do que apenas a ausência de conflito; é um sentido profundo de plenitude e bem-estar, um “shalom” que vem de estar bem com Deus.⁶⁶ Esta é uma paz que pode guardar os nossos corações e mentes mesmo no meio das tempestades da vida.⁶⁷
Uma Vida de Propósito e Significado
Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10).⁶⁸ Uma vida em Cristo é uma vida cheia de propósito. Somos convidados a fazer parte da grande obra redentora de Deus no mundo, servindo como Seus “embaixadores”.⁶⁸ Isto dá às nossas vidas um significado que vai muito além da nossa própria felicidade temporária. É uma vida bela porque é uma vida de amor, obediência e serviço aos outros.⁶⁹
Um Relacionamento Pessoal com o Criador
O que poderia ser mais incrível do que ter um relacionamento pessoal com o Deus do universo? Temos o privilégio incrível de poder falar com Ele a qualquer momento através da oração, sabendo que Ele nos ouve.⁷¹ Podemos abrir a Bíblia e ler as Suas palavras, não como um texto antigo, mas como uma carta de amor escrita para os nossos corações.⁷¹ E temos o conforto constante de saber que nunca estamos verdadeiramente sozinhos, porque o Seu Espírito Santo vive dentro de nós para nos guiar, confortar e fortalecer.²⁰ Um crente descreveu esta experiência como ser tomado por um “sentimento caloroso de amor” que o acompanha a cada minuto de cada dia desde então.⁷²
Uma Esperança Inabalável para o Futuro
Finalmente, as nossas vidas estão ancoradas numa “esperança bendita”.⁷³ Temos a garantia confiante de que esta vida não é tudo o que existe. Aguardamos o regresso de Cristo e a promessa de passar a eternidade com Ele num lugar onde não haverá mais tristeza, dor ou lágrimas.⁶⁸ Esta esperança eterna dá-nos a força para enfrentar os desafios de hoje e a coragem para viver com alegria, independentemente do que nos aconteça.

Viver como um povo de esperança
Ser cristão é fazer parte da história mais bela alguma vez contada. É a história de um Deus amoroso que nos criou, de uma humanidade rebelde que se afastou e de um Salvador misericordioso que veio para nos trazer de volta a casa. No seu âmago, um cristão é alguém que ouviu esta história e respondeu com todo o seu coração, confiando a sua vida e a sua eternidade nas mãos de Jesus Cristo.
É uma jornada que começa com um único passo de fé, mas que continua por toda a vida. É uma caminhada marcada tanto por alegrias de cortar a respiração como por épocas de verdadeira luta, mas é uma caminhada que nunca fazemos sozinhos. Somos escolhidos, redimidos, perdoados e profundamente amados por Deus. Esta é a nossa verdadeira identidade. Que possamos descansar nessa identidade, viver corajosamente nesse amor e partilhar a luz dessa esperança com um mundo que dela necessita desesperadamente.
